Deuxieme


sexta-feira, maio 11, 2007

CANNES 2007: UMA ANTEVISÃO




O 60º Festival de Cannes tem inicio já na próxima quarta-feira (até dia 27 de Maio), e em vésperas do início da grande feira das vaidades e do cinema mundial, a excitação e euforia é mais que muita. Isto poorque nesta edição-aniversário, o programa é aparentemente um dos mais aliciantes dos últimos anos, tanto para os cinéfilos puros e duros, como para a imprensa em geral. No júri presidido pelo realizador britânico Stephen Frears, que vai apreciar e premiar algumas daqueles que serão certamente os ‘filmes do ano’ vão estar entre outros a actriz/realizadora portuguesa Maria de Medeiros (Capitães de Abril), numa representação quase simbólica de Portugal, nesta sexagésima edição, à qual se junta, o segmento de Manoel de Oliveira, no filme de Homenagem aos 60 Anos do Festival e a presença de João Pedro Rodrigues na Cinefondation, para desenvolver o seu novo projecto de longa metragem Morrer Como um Homem. O realizador português apresentará também na Quinzena dos Realizadores, a sua última curta metragem, China, China, estreada recentemente no IndieLisboa e, nesta secção de vanguada cinematográfica, estará ainda O Estado do Mundo-6 realizadores (Chantal Akerman, Apichatpong Weerasethakul, Vicente Ferraz, Ayisha Abraham, Wang Bing), seis segmentos encomendados a propósito da iniciativa que integra as comemorações dos 50 Anos da Fundação Calouste Gulbenkian. Quanto à Selecção Oficial, a mais importante de todo o evento destaca-se em primeiro lugar o regresso de três reis magos do entertenimento, nas suas mais diversas perspectivas: Quentin Tarantino (com o supervitaminado Deathproof); David Fincher (com Zodiac, já muito referenciado pela crítica norte-americana e portuguesa já que o filme já foi visionado) e, Steven Soderbergh (com Ocean's 13 e os seus rapazes muito ‘cool’). Por oposição estão lá também os verdadeiros campeões de um cinema de autor que não faz concessões, como o cinesata russo Alexandre Sokurov (Alexandra), a grande revelação do ano passado, o mexicano Carlos Reygadas (Luz Silenciosa) e ainda o húngaro Bela Tarr, que apresentará uma versão de Man from London (O Homem de Londres), numa adaptação de um romance de George Simenon.


OS HABITUÉS E OS OUTROS

Discutível ou não em termos programáticos a Selecção Oficial integra sempre uma componente de cineastas habitués que prestigiam o festival, e que apresentam o seus novos trabalhos, como Gus Van Sant (Paranoid Park, num novo ensaio sobre a juventude americana), os irmãos Coen (No Country For Old Men), Emir Kusturica (Promets-le Moi) ou mesmo Wong Kar-Wai (My Blueberry Nights), com a cantora Nora Jones, pela primeira vez como actriz. Este ano e, curiosamente, parece até haver um pouco de malícia por parte dos seleccionadores ao reunirem na Competição Oficial, os três últimos presidentes do Júri cannoise: Tarantino, Kusturica e Wong Kar-wai. Mas em 13 dos 22 filmes em Competição, estão cineastas que se candidatam pela primeira vez à Palma de Ouro. Neste lote de ‘novatos’ estão nomes de peso como Andrei Zviaguintsev, galardoado com o Leão de Ouro em Veneza 2003, com O Regresso e Fatih Akin que foi Urso de Ouro em Berlim 2004 com A Esposa Turca.

O ‘GLAMOUR’ DAS ESTRELAS

Este ano em Cannes as ‘grandes estrelas’ parecem ser em os realizadores, aliás como quase sempre, só que este ano é mais visível na imagem do cartaz do Festival, onde se destacam grandes autores como Pedro Almodóvar ou Jane Campion. Mas o Festival não pode viver sem glamour das estrelas, a começar logo pela noite de abertura com a estreia de My Blueberry Nights, um filme do ‘estilizado’ realizador de Hong Kong, Wong Kar-wai (Disponível para Amar), que integra um casting muito chic: Norah Jones, Jude Law, Natalie Portman, Rachel Weisz; e depois um pouco mais à frente vamos reencontrar o ‘bando’ de Ocean's 13 com George Clooney, Matt Damon, Brad Pitt, ao qual se juntam o eterno charme de Al Pacino. Pitt não irá sózinho a Cannes, mas antes bem acompanhado da sua querida Angelina Jolie, que incarna a viúva de Daniel Pearl em A Mighty Heart de Michael Winterbottom (Fora da Competição). Também em matéria de estrelato podemos citar igualmente a presença de Joaquin Phoenix e Mark Wahlberg, os protagonistas de We Own the Night, que marca um grande regresso de James Gray, à competição depois The Yards - Nas Teias da Corrupção, e também Tommy Lee Jones e Javier Bardem (no filme dos Coen) ou de Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr. (em Zodiac). E talvez mesmo apareça Leonardo DiCaprio, na qualidade de produtor do documentário ecológico 11th Hour, que será projectado numa sessão especial...for a da competição.


FILMES DE ‘FAMILIA’

A registar um duplo (re)encontro de Catherine Deneuve e da sua filha Chiara Mastroianni: as duas darão a voz na animação Persépolis (Competição), — uma adaptação de uma BD autobiográfica sobre as vivêcias da autora iraniana durante a Revolução Islâmica – e ainda a primeira é a heroína de Après Lui, que passará na Quinzena dos Realizadores, a segunda a cabeça de cartaz de Les Chansons d'Amour, de Chriptophe Honoré. Jane Birkin revelar-se-á numa sessão especial, com Boxes, a sua autobiografia, com e entre outras a sua filha Lou Doillon... que é também a protagonista de Go Go Tales, uma comédia de Abel Ferrara (Sessões da Meia-Noite). Outra membro da familia, Lola Doillon apresentará em Un Certain Regard o seu primeiro filme: Et Toi, T'es Sur Qui ?. Tal como no ano passado, Asia Argento estará também na festa, e vamos reencontrá-la em Une Vieille Maîtresse e Boarding Gate, o novo filme de Olivier Assayas (Sessões da Meia-Noite). Uma ‘dobradinha’ igualmente para o actor francês Mathieu Amalric (Munique), protagonista de Scaphandre et le Papilon, e de Rêve de la Nuit d'Avant (Un Certain Regard).


OS FILHOS PRÓDIGOS

Do lado francês o Festival parece ter se reconcilado com dois autores considerados dalguma forma esquecidos pelos ‘selecionadores’ há alguns anos: Catherine Breillat (Une Vieille Maîtresse com Asia Argento, um projecto que foi trabalhado desde há uma dezena de anos) e ainda Christophe Honoré. Depois da polémica com a não selecção de A Minha Mãe... e depois do ‘triunfo’ do ano passado com Em Paris, na Quinzena dos Realizadores e nas salas, Honoré candidata-se agora à Palma de Ouro com Les Chansons d'Amour uma comédia musical, produzida novamente por Paulo Branco. O terceiro ‘francês’ na competição é curiosamente um americano, Julian Schnabel (Antes que Anoiteça), o autor de Scaphandre et le Papillon, realizado a partir da adaptação do livro de Jean-Dominique Bauby, com Mathieu Amalric. Referência também para outro francês Raphaël Nadjari, que rodou Tehilim em Israel, e também para Persépolis, o filme de animação (produzido em grande parte com dinheiros franceses), a partir da BD da iraniana Marjane Satrapi, que também é co-realizadora.


GEOPOLÍTICA CINÉFILA

Uma palavra também para a organização geopolitica cinéfila do Festival, considerando que o contingente norte-americano é particularmente importante na Competição com nada mais nada menos do que cinco longas-metragens. Os asiáticos (incluindo Wong Kar-Wai) têm três representantes bem conhecidos dos cinéfilos: o coreano Kim Ki-duk (Breath), a japonesa Naomi Kawase (Shara) e o chinês Lee Chang-Dong (Peppermint Candy). Os olhares estarão centrados ainda na Europa central e oriental com dois russos, um romeno (Cristian Mungiu e 4 Luni, 3 Saptamini Si 2 Zile) um austríaco (Ulrich Seidl com Import Export), um sérvio e um húngaro. Mais uma vez ausente estará, o cinema africano, compensado apenas pela presença no Júri do realizador mauritano Abderrahmane Sissako. Um Júri não podia ser mais ‘united colors’, já que é presidido por Stephen Frears e conta com um participado grupo de actores-realizadores (Michel Piccoli, Sarah Polley, Maria de Medeiros), e ainda com Toni Collette, Maggie Cheung, Marco Bellocchio e Orhan Pamuk, o escritor turco que foi recentemente Prémio Nobel.

OS EXTRAS DO FESTIVAL

Se em teoria a Competição nos parece uma das mais estimulantes dos últimos anos, os organizadores não hesitaram em preencher outros espaços programáticos com algumas pérolas de interesse, que vão por-nos e a todos os festivaleiros, a cabeça a andar à roda. Em primeiro lugar, a possibilidade de descobrir dois novos documentários, o do premiado Michael Moore (o já polémico Sicko, sobre o sistema de saúde americano) e o novo Retour en Normandie, de Nicolas Philibert (Ser e Ter), e ainda He Fengming, o novo opus de 3 horas de duração, do chinês Wang Bing. Neste contexto de 'preciosos extras', estará também The War, de Ken Burns e Lynn Novick, uma série em 7 episódios, com uma duração total de 14 horas. Isto, sem contar ainda com os Master Class de Martin Scorsese, Sergio Castellitto e Howard Shore, a Homenagem a Henry Fonda, e o filme em forma de bolo de aniversário Chacun son Cinéma, onde participa com um segmento o ‘nosso’ Manoel de Oliveira. Na secção Un Certain Regard, estarão entre outros Le Rêve de la Nuit d’Avant, a segunda obra de Valeria Bruni Tedeschi, e L’Avocat de la Terreur, um retrato negro de Jacques Vergès, dirigido por Barbet Schroeder ou mesmo o intrigante Mister Lonely, de Harmony Korine, o novo ‘enfant terrible’ do cinema independente norte-americano. L'Age des Ténèbres, une comédia assinada pelo canadiano Denys Arcand, autor de Invasões Bárbaras, depois de ter sido anunciado como o filme de encerramento, o distribuidor canadiano acabou por anunciar que o filme não estaria pronto a tempo para Cannes. E claro há ainda muita coisa para ver nas selecções da Quinzena dos Realizadores e na Semana da Critica.

1 Comments:

Anonymous álfredo said...

O Pacino tá bue PIMP.

14 de maio de 2007 às 22:06  

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