Deuxieme


segunda-feira, dezembro 24, 2007

1 - O Estranho Mundo de Jack (1993).

O Estranho Mundo de Jack é magia sob a forma de fita. Este foi o filme escolhido, após o desafio lançado sobre qual a melhor obra para ver na noite da consoada. E, que bela escolha, senhoras e senhores. Que bela escolha. No entanto, seja qual for a vossa derradeira opção para esta noite, os votos de um bom filme e de uma noite ainda melhor, recheada a todos os níveis.

Esta foi uma véspera de Natal diferente. Com um olho na família, e o outro no Deuxieme. A todos um santo e feliz Natal. Voltamos a ver-nos depois do Bolo-rei. Diz que o senhor de vermelho já está a chegar. Boas prendas.

Alvy Singer

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2 - Do Céu Caiu Uma Estrela (1946).

Há coisas que nos tiram o pio. Woody Allen disserta sobre umas quantas delas, tanto em Manhattan, como em Ana e as Suas Irmãs, embora, neste último, de forma menos forçada. Seguindo a mesma linha de raciocínio, se tivesse de escolher assim um rol de cinco ou seis coisas pelas quais vale a pena dar um salto ao planeta Terra, e viver um quantos anos, certamente que colocaria nesse saco o chegar ao fim de Morte em Veneza de Thomas Mann, o sketch do papagaio morto dos Monty Python, os relógios deformados da Persistência da Memória de Dali, o Love of My Life dos Queen em Wembley ’86 e, para rematar em beleza, a obra-prima de Capra, Do Céu Caiu Uma Estrela.

Já tive oportunidade de aqui manifestar o meu pesar perante a tradução infeliz deste título. Não que Do Céu Caiu Uma Estrela seja uma coisa abominável, que não é. No entanto, parece-me algo injusto que La Vita è Bella se traduza para A Vida é Bela, e It’s A Wonderful Life para… Do Céu Caiu Uma Estrela. A mensagem não passa da mesma maneira.

Sobre este filme, convém derrubar todas as ideias à priori que se possa ter. Até porque, abrindo o jogo completamente, confesso ter sido um tanto ou quanto preconceituoso, durante uns tempos, quanto ao visionamento deste filme. Reconheço que a imagem de James Stewart a piscar o olho para o céu não era das mais convidativas. Às vezes não falta nada a um tipo para ser mesmo estúpido...

No entanto, um ano houve em que cedi. Felizmente. Daí para cá, já cedi várias vezes. Este é um filme de uma vida. Vê-lo na noite de Natal torna a experiência ainda mais especial. No entanto, vê-lo numa outra altura qualquer, não deixa de ser um valente murro no estômago. A cena final apanha-me sempre na curva, com uma lágrima malandra à espreita.

A Prenda no Sapato: Tudo.

Alvy Singer

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3 - Assalto ao Arranha-Céus (1988).

De volta da filhoz, continuemos. O leitor deste blog, Deltóide, escreveu no post que ajudou a desenhar esta lista Para mim Natal = Die Hard. Caro Deltóide, não podíamos estar mais de acordo.

Como é que tanta pólvora, tanto sangue derramado e tantos problemas conjugais acabam por resultar num filme que a grande maioria identifica com a quadra natalícia? Maldito sejas John McTiernan por teres realizado a única obra-prima do cinema que o neto de 7 anos não pode ver com a avó de 77. Esta é a história de John McClane (Bruce Willis), um anti-herói que tudo faria para estar noutro sítio, em vez de ter salvar a vida a centenas de pessoas, no jantar de Natal de uma empresa no Nakatomi Plaza, em Los Angeles. Quando um grupo de terroristas toma de assalto o arranha-céus onde o jantar decorre, todos os trabalhadores do escritório são feitos reféns, excepto McClane que fica esquecido numa casa de banho, enquanto passava os dedos dos pés pela alcatifa, de modo a relaxar, como havia recomendado um passageiro do voo de Nova Iorque.

Com um ar de frete até então nunca visto num herói deste género, McClane vai derrubando os terroristas, um a um. Lá em baixo, Hans Gruber (Alan Rickman) e os seus homens vão tentando perceber quem é o empecilho a estragar a festa. Pelo meio, McClane ganha o respeito do único polícia do departamento de Los Angeles (Reginal VelJohnson) que acredita no que se está a passar lá dentro. Todos os outros acham que McClane, não só não dará conta do recado, como ainda vai piorar a situação. E, de facto, a situação piora. Mas, para o lado dos maus.

É difícil escolher a cena mais emblemática do filme: o final apoteótico, quando McClane e Gruber se encontram pela primeira vez, o irmão de Karl a chegar no elevador com a frase na camisola Now I have a machine gun Oh-Oh-Oh, a cena no terraço, o Let It Snow com os créditos finais, e muitas mais. Acima de tudo, é sempre importante ter um filme que apela às melhores memórias cinéfilas, como High Noon:

Gruber: “John Wayne doesn't go riding off into the sunset with Grace Kelly”.
McClane: “That was Gary Cooper, you asshole”.

A Prenda no Sapato: Yippee-ki-yay. Vamos a mais uma filhoz.

Alvy Singer

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4 - Sozinho em Casa (1990).

Quando dizem aqui que o Rodolfo já fez algumas paragens, e aproxima-se o momento da sua chegada por estas bandas, convém apressar o passo, e passar ao número quatro desta lista. E, sobre este, quase tudo já foi dito. Que levante a mão aquele que nunca viu Sozinho em Casa.

Já falámos deste filme aqui, quando a quadra natalícia ainda não tinha começado. Na altura centrámos atenções nas repetidas transmissões que já vimos deste título nos canais de televisão, vezes e vezes sem conta. Hoje, o que é que poderemos acrescentar? Talvez que Sozinho em Casa seja um grande filme, noites de Natal aparte. Dizer que é apenas um bom filme para ver na época das festas, é diminuir uma obra de arte de dimensões bem jeitosas. Seria quase o mesmo que dizer que Apocalipse Now é um grande filme, sim senhor, mas que é ainda melhor de ver numa noite em que os Estados Unidos decidam invadir um país. É certo que o Sozinho em Casa tem outro sabor na noite de 24. Mas, a magia que ele carrega dentro de si, também tem isso de bom: fazer outro qualquer dia do ano parecer véspera de Natal.

No fundo, o filme de Chris Columbus antecipa o universo de Rowling. No entanto, Kevin (Macaulay Culkin), é o Harry Potter sem os truques, os pozinhos mágicos e os encantamentos em latim. Kevin é o pequeno herói que todos podemos ser. Aliás, este é o filme ideal para os pais mostrarem aos filhos antes de os deixarem a tomar conta da casa pela primeira vez. De certeza que o receio dará lugar a mangas arregaçadas e a um espírito alerta capaz de derrubar qualquer patife. Este filme é pior que pacotes de açúcar para os miúdos. E, se graúdos resolverem acompanhar os mais pequenos neste visionamento, seguramente darão o tempo por bem empregue. Faz-nos lembrar de coisas importantes, caneco. Como, por exemplo, que uma tarântula à solta dá sempre mais jeito do que uma tarântula enclausurada.

A Prenda no Sapato: Macaulay Culkin. Um pequeno grande actor, que prometeu aqui ser uma das maiores estrelas de Hollywood. Até hoje, continuamos à espera de algo que reavive a sua carreira. Até que esse dia chegue, se é que alguma vez chegará, temos sempre este filme (e a sequela bem conseguida) para rir um bom bocado.

Alvy Singer

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5 - O Amor Acontece (2003).

A única razão para este filme não entrar na lista era o facto de ainda não o ter visto. Com efeito, apesar do alvoroço aquando da chegada deste filme, do boca-a-boca favorável que se criou, e das emissões de que já foi alvo nos canais generalistas, Alvy Singer ainda não conseguiu deitar os olhos ao aclamado título de Richard Curtis de 2003.

Mais de uma pessoa referiu esta obra aquando do post que iria decidir o número um desta lista. E, não foram apenas referências. Foi todo um conjunto de rasgados elogios que fez com que O Amor Acontece se destacasse dos demais. Posteriormente, dei por mim a pensar, Epá, será que só por não ter visto o filme, valerá a pena deixá-lo de fora? Recolhidas algumas opiniões, depois disto, junto de quem tinha o visto, pude confirmar que a sua escolha não seria assim tão descabida. Sem procurar saber pormenores, a verdade é que pouco ou nada é possível adiantar. Daí lançar o repto a todos aqueles que já o viram, na zona de comentários a este post. É favor vender o produto, e justificar esta quinta posição. Um dos vídeos mostrados como teaser, na tentativa de me persuadirem a eleger esta película para esta lista, foi este. Não sei como é que esta pequena história do Colin termina. Contudo, se a amostra for representativa do todo, temos filme.

A Prenda no Sapato: De facto, era isso mesmo que se pedia. Já agora, que esta fosse uma das prendas no sapato.

Alvy Singer

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6 - Uma História de Natal (1983).

Fontes próximas no local asseguram-nos que o senhor de barbas já abandonou a Lapónia. Até há quem diga que já o viu ali para os lados de Sydney. Rumores. De qualquer forma, ainda no número seis da lista dos dez filmes a ver na noite de Natal, temos de nos apressar se quisermos deixar as coisas como deve ser, antes do sol se por. A ideia, por esta altura, era isto já estar terminado. O que não contámos foi com as prendas, com os arranjos, com as visitas, com mil e uma coisas que, nestes dias, impedem qualquer pessoa de fazer o que está programado. Enfim, prossigamos quanto antes então para o número seis, com o devido pedido de desculpas pelo atraso.

No número seis encontramos aquele grande filme que todo e qualquer cinéfilo que se preze conhece, mas que a grande maioria de pessoas que não liga patavina à sétima arte pergunta O que é isso? É porque há muito boa gente que não gosta de cinema, mas sabe o que é Ben-Hur, Gandhi, Casablanca… Agora, quando pronunciamos as palavras Uma Históra de Natal, está tudo estragado.

É urgente descobrir este clássico de Bob Clark (o único realizador a conseguir colocar um filme nos 250 melhores do IMDB, e outro nos 100 piores), um filme verdadeiramente intemporal. Esta é a história de Ralphie (Peter Billingsley), narrada pelo próprio, já adulto. Esta é a sua recordação de um Natal nos anos 40, quando tudo o que ele queria era uma metralhadora Ryder BB, igual àquela que o seu herói da rádio tem. Contra tudo e todos, Ralphie está determinado a adquirir o brinquedo.

Com esta premissa simples mas sumarenta, Clark aproveita para satirizar de forma afectuosa a quadra natalícia, os valores familiares e o espírito consumista que, ao longo dos anos, tem vindo a contaminar o período das festas. Hilariante e mordaz, à obra de Clark deve ser reconhecido o mérito de atender devidamente aos seus espectadores, falando para os mais pequenos, é certo, mas sempre de uma forma adulta, como que a dizer, este é um filme para todas as idades. Que pai é que não se vai identificar com o ar carrancudo de Darren McGavin? Que mãe é que não vai ver semelhanças com o stress de Melinda Dillon? Para todo o sempre ficará a cena em que um amigo de Ralphie fica com a língua congelada e presa a um mastro. O título do filme diz tudo. Não é mais nem menos do que isso.

A Prenda no Sapato: Saber que o livro de Jean Shepherd “In God We Trust: All Others Pay Cash”, no qual o filme é parcialmente baseado, é uma colecção de pequenas histórias que Shepherd escreveu, durante os anos 60, para a revista Playboy. E ainda há quem se atreva a dizer que esta não é uma publicação digna.

Alvy Singer

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sábado, dezembro 22, 2007

7 - Eduardo Mãos de Tesoura (1990).

Este é um daqueles típicos casos em que, por mais adjectivos que procuremos, jamais as palavras conseguirão reproduzir com exactidão os sentimentos experimentados durante o visionamento do filme. Este é o filme ideal em todas as ocasiões. Seja para ver na noite da consoada, para ver num primeiro encontro romântico, para ver com um grupo de amigos, para ver com a nossa cara-metade quando fazemos dez anos de casados, para ver de manhã, quando o dia começa, para ver à tarde, quando o sol se põe, ou para ver à noite, quando já todos se foram deitar.

Eduardo Mãos de Tesoura é a obra-prima de Tim Burton. Tudo o que o mestre já nos deu depois deste clássico de 1990, enriquece ainda mais a sua carreira a cada ano que passa. No entanto, bastava que ele tivesse feito este filme para justificar a sua existência.

Quando, há mais de um século, os irmãos Lumiére juntaram um bando de curiosos para ver, num ecrã, um grupo de trabalhadores a sair de uma fábrica em Lyon, todos aplaudiram de pé em êxtase, a novidade. Mal sabiam eles que, cem anos depois, a mesma técnica serviria para contar muito mais do que trabalhadores a sair de uma fábrica. Mal sabiam eles que um senhor chamado Tim Burton realizaria uma história tão bela como Eduardo Mãos de Tesoura.

Que se dane a fotografia, a montagem, os adereços, a partitura, os interpretes, a realização e tudo o resto. Este é um daqueles filmes que, desde o primeiro minuto, não podemos deixar de ver como um todo. E, tudo nele, mas é que é mesmo tudo, roça a perfeição. Poucos filmes dão tanta vontade de saltar para dentro do ecrã como Eduardo Mãos de Tesoura. Falar com Eduardo, dizer-lhe que as coisas não precisam de ser assim, que a esperança deve resistir, que há pessoas más, sim senhor, mas também há pessoas boas… Queremos tocar-lhe, da mesma maneira que ele nos toca. No fundo, queremos retribuir tudo o que ele nos oferece. A ideia de que o amanhã pode trazer sempre um dia melhor. Este é mesmo um filme a ver na noite de Natal.

A Prenda no Sapado: Kim: Hold me. Edward: I can’t. Ninguém consegue ficar indiferente a isto.

Alvy Singer

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sexta-feira, dezembro 21, 2007

8 - Música no Coração (1965).

Sobre esta lista, importa dizer que as escolhas são feitas partindo do princípio que o filme ainda não foi visto. Não temos culpa que questões meramente culturais, como o facto das estações de televisão rodarem entre si quem transmite Música no Coração todos os Natais, se traduzam numa injecção dos mesmos títulos todas as quadras natalícias.

Porque, na verdade, Música no Coração é um daqueles filmes que assenta na noite de Natal, como as calças a um tipo que tem cinco pernas, ou seja, como uma luva. Agora, no que à apresentação desta obra-prima de Robert Wise diz respeito, convém ter presente o seguinte: Uma coisa é um tipo ir ao cinema ver A Bússola Dourada e depois vir aqui para o Deuxieme dizer o que bem lhe aprouver, o que gostou, o que não gostou e o que gostou assim-assim. Outra coisa é esse mesmo tipo, um mero cinéfilo e aprendiz a algo mais que tenha a ver com cinema, abrir a boca, melhor, apontar os dedos ao teclado, para avaliar esse título maior da sétima arte que é Música no Coração, uma obra que, longe de agradar a todos, não deixa de granjear uma enorme legião de admiradores, apesar do registo datado do musical.

Sobre este filme onde Julie Andrews e Christopher Plummer têm desempenhos que valem por toda uma carreira, confesso ter um carinho especial. A exemplo do que aconteceu com o curso de Formação de Formadores, quando expus aqui a situação de dificilmente ser capaz de colocar mais de um post ou dois por dia, este pequeno aparte jamais seria revelado se não sentisse, cada vez mais, uma maior proximidade com todos aqueles que diariamente perdem alguns minutos do seu dia para ler estas linhas no Deuxieme. É porque este carinho especial nasce do principal culpado por este gosto exacerbado pelo cinema. Aliás, este foi um dos filmes com mais peso aquando do despoletar desta paixão desmesurada pelo cinema. No fundo, graças ao Mr. Singer, entenda-se, o pai de Alvy Singer, esta é uma das memórias de infância mais marcantes. Ou não tivesse o Mr. Singer ido ver este filme ao cinema 15 vezes, durante o tempo que ele teve em exibição na cidade de Lisboa. Quinze vezes… E as gerações de hoje é que não têm juízo.

A Prenda no Sapato: Doe, a deer, a female deer; Ray, a drop of golden sun; Me, a name I call myself; Far, a long, long way to run; Sew, a needle pulling thread; La, a note to follow Sew; Tea, a drink with jam and bread; That will bring us back to Do (oh-oh-oh). Clássico.

Alvy Singer

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quinta-feira, dezembro 20, 2007

9 - Charlie e a Fábrica de Chocolate (2005).

Subindo na lista dos 10 Filmes de Natal – isto agora vai ter de ser a uma média de dois por dia, para anunciarmos o número um, na tarde de dia 24 – chegamos àquela que foi, na altura, a quinta colaboração de Tim Burton e Johnny Depp, Charlie e a Fábrica de Chocolate.

Em abono da verdade, talvez o espírito natalício presente neste filme não seja tão evidente quanto isso. Outros filmes há, que respiram muito mais natividade em muitos menos frames. No entanto, nesta obra de Burton, como é seu apanágio, quantidade não é qualidade. A palavra Natal deve aparecer para aí umas quatro ou cinco vezes mas, essas são as suficientes para contextualizar. A neve concretiza o ambiente friorento e, deste modo, no quente do lar, com uma lareira, um aquecedor, uma manta, o quer que seja, este é um dos melhores filmes que por aí anda para se ver na noite da consoada.

Como prémio pelo visionamento recebemos uma interpretação de se lhe tirar o chapéu (ele é que o tira umas quantas vezes…) de Johnny Depp, um desempenho impressionante de Freddie Highmore (um miúdo que cada vez mais nos faz lembrar o pequeno Bale), e um punhado notável de músicas compostas pelo talentoso Elfman.

O filme é um rodopio de emoções. Ora nos faz rir a bandeiras despregadas, ora nos leva a suster a respiração de ansiedade, ora suspiramos de alívio, ora nos leva a uma profunda admiração de cada vez que entramos numa nova parte da fábrica de Willy Wonka… Uma coisa é certa, só pelo olhar de Charlie quando encontra o bilhete dourado, vale a pena ver este filme. Seja na noite de Natal, seja em qualquer outra.

A Prenda no Sapato: O chocolate. O grande bónus deste título é mesmo o chocolate. Aliás, apesar de haver quem não goste de comer enquanto vê um filme, grupo no qual me incluo, deverei dizer que poucas experiências cinematográficas se assemelham a esta, quando algumas barras de chocolate estão ao nosso lado.

Alvy Singer

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quinta-feira, dezembro 13, 2007

10 - De Ilusão Também Se Vive (1947).

O American Film Institute considerou este filme como o nono mais inspirador de sempre. E, talvez o seja mesmo. O espírito de Natal que emana desta obra é tanto que, seja qual for a altura do ano em que decidamos vê-la, fica sempre aquela vontade de ir buscar e montar a árvore. A história de uma mãe solteira (Doris Walker), de um advogado (John Payne), e de muitos outros que se perguntam se o pai natal de serviço numa loja de Nova Iorque, Kris (Edmund Gwenn), é, de facto, o Pai Natal verdadeiro, conquistou três Óscares da Academia em 1947.

Dizer que De Ilusão Também se Vive é apenas um filme inspirador, é dizer pouco. Toda esta viagem é uma reflexão e um retrato social da época em questão. Especialmente marcantes são os momentos passados no tribunal, onde o realizador George Seaton aproveita para lançar algumas farpas, satirizando os costumes da década de 40. O filme é o mais caloroso que se pode ser, na noite da consoada. Hoje, alguns aspectos da obra, sobretudo a interpretação, podem considerar-se estar datados. No entanto, quando a mensagem do filme nos atinge verdadeiramente, tudo isso passa para segundo plano, para não dizer mesmo que, pura e simplesmente, deixa de existir.

A Prenda no Sapato: O êxito do filme foi tanto que a película sofreu uma colorização por duas vezes, foi alvo de remake para televisão três vezes (1955, 1959 e 1973), de uma adaptação para a Broadway em 1963, e de um remake, novamente para o cinema, em 1994.

Alvy Singer

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