Um belo dia, Hugh Jackman e a 20th Century Fox concordaram que seria boa ideia fazer um filme dedicado a Wolverine. Para deleite de milhões de fãs da saga, a estrela da companhia X-Men teria a oportunidade de brilhar numa película inteiramente à sua disposição. David Benniof começou a escrever o argumento, e Gavin Hood foi contratado como realizador. A rodagem decorreu sem sobressaltos, e a obra foi para pós-produção. Com o hype a aumentar a cada dia, as entrevistas promocionais foram-se sucedendo. Teasers, posters, trailers, feauturettes. A panóplia do costume. Jackman a apresentar a cerimónia dos Oscars foi uma espécie de bónus. Por esta altura, Roger Friedman, um freelancer a colaborar com a Fox News, tomava o seu café matinal com a mesma descontracção de sempre. Contudo, na última semana de Março, aquela decisão de Jackman uns anos antes viria a revelar-se determinante na carreira profissional de Friedman. Alguém colocou um torrent online com o filme de Hood. X-Men Origins: Wolverine ficou, assim, à babuje. Era só pegar. Friedman pegou. Mordeu o isco. O problema é que o pobre Friedman só queria mostrar trabalho. No entanto, o excesso de vontade, para o bem e para o mal, pode ser tão nefasto como a falta dela. Num acto de manifesta ingenuidade, Friedman publica uma critica do filme — entretanto retirada do site. Já depois de a 20th Century Fox ter informado que tinha posto o FBI a tomar conta do caso, e que todos aqueles que tivessem lucrado com a colocação do título online teriam a punição merecida. Friedman, entretido a ver o filme, não deve ter tido conhecimento. No dia seguinte, a Fox News, algo agastada com o sucedido, comunica o seguinte.
“We’ve just been made aware that Roger Friedman, a freelance columnist who writes Fox 411 on Foxnews.com - an entirely separate company from 20th Century Fox — watched on the internet and reviewed a stolen and unfinished version of X-Men Orgins: Wolverine. This behavior is reprehensible and we condemn this act categorically — whether the review is good or bad”.
Aqui, Friedman deve começado a ver a sua vida andar para trás. Hoje, depois do post colocado por Nikki Finke, deve ter começado a retocar o CV.
“I’m told that Fox News’ actions were swift and severe. Roger Ailes, who overseas Fox News, deleted the offending post after he was contacted by 20th Century Fox, and then fired Friedman as a freelance Fox News entertainment writer. I hear the move was done with the full support of News Corp. ”He promoted piracy. He basically suggested that viewing a stolen film is OK, which is absolutely intolerable. So we fired him,” a source told me Saturday. “Fox News acted promptly on all fronts”.
Não será seguramente o primeiro despedimento da História provocado por um filme. Mas, deste género, se calhar nunca houve outro igual.
Para quem gosta de arruinar por completo a experiência de um visionamento, aqui fica o link para uma primeira critica de Wolverine, no We Are Movie Geeks, ao que parece recheada de spoilers. Porque não nos aventurámos a passar com o rato por cima das partes camufladas, não sabemos até que ponto o que está escondido será ou não uma verdadeira revelação. Agora, se alguém por aí tiver uma costela felina, e não recear os efeitos de uma curiosidade descontrolada, que faça o favor de matar a ânsia. Da nossa parte, agradecemos o convite, mas gentilmente recusamos. O que não nos importamos é de voltar a ver o trailer do videojogo. Sim, porque o trailer do jogo baseado em X-Men Origins: Wolverine bate aos pontos o do próprio filme. Acção a rodos, violento, e com muito mais Wolverine. Os trailers do filme parecem dispersar-se na apresentação de outras personagens, guardando em demasia aquela que nos levará a adquirir o bilhete para entrar na sala. Estas imagens do jogo são muito mais esclarecedoras. E, é este Wolverine zangado com toda a gente e que trata a carnificina por tu, que queremos ver. Dado que o jogo é inspirado no filme, o mais certo é muitas destas cenas serem retiradas da obra de Gavin Hood. Ou, assim esperamos.
Aproveitemos o trailer de X-Men Origins: Wolverine para uma confissão. O filme de Gavin Hood até pode encobrir a redefinição de todo um género. Até pode ser uma obra triunfante a toda a linha, capaz de derrubar alicerces que há décadas ditam os vectores primordiais num título de entretenimento. Até pode ser o ponto de partida para o filme de acção do século XXI. No entanto, por enquanto, aquilo que estas imagens nos mostram é mais um filme pipoca – adoramos estas simplificações. No fundo, o último trailer antes da chegada a 30 de Abril – no próximo número da Premiere teremos um especial dedicado ao filme –, vem apenas confirmar aquilo que os outros trailers e teasers já vinham anunciando. Depois de passarmos com o algodão por cima, constatamos que isto é blockbuster puro. E, é aqui que chegamos à parte da confissão.
A felicidade de colaborar na Premiere dá-me – e, neste ponto, falo por mim – a maravilhosa oportunidade de assistir à antestreia de alguns filmes meses antes da sua chegada às salas. E, frequentador habitual que era – e, para todos os efeitos, continuo a ser – dos multiplex, creio que não poderia ter encontrado um cenário mais contrastante, na primeira vez que entrei numa sessão reservada para a imprensa. Um silêncio sepulcral, cortado, a espaços, por gargalhadas estridentes. Há filmes que não podem ser vistos senão desta forma. Talvez por isso é que Revolutionary Road tenha caído tão bem. Ou The Wrestler. No entanto – cada vez mais próximos da confissão –, acredito que certos títulos pedem por uma sala de 400 lugares, apinhada, da primeira à última fila, com gente manifestamente limitada no que respeita a mastigar de boca fechada, e capaz de mandar um bitaite do género “Dá-lhe Tuga!”, como aconteceu em Max Payne, quando Nelly Furtado apareceu no grande ecrã. Acredito piamente, que uma percentagem da satisfação do visionamento se define do lado de cá da tela. De quem está connosco na sala, e de como reage àquilo que os nossos olhos também vêm. Há quem não tolere o barulho de uma mosca. Há quem peça silêncio moderado. Há quem goste de agitação. Para Alvy Singer, depende do filme. Aqui este Wolverine, deverá ser visto dia 01 de Maio, sexta-feira, num qualquer centro comercial, pelas 21h. Confusão, é o que se quer.
Antes deste mutante chegar, teremos ainda direito a ver outros heróis em acção. Seja Bale em The Dark Knight, Robert Downey Jr. em Iron Man, Harrison Ford em Indiana Jones and The Kingdom of The Crystall Skull, Norton em The Incredible Hulk, Stallone em John Rambo ou Ron Perlman em Hellboy 2: The Golden Army, todos estes estrearão em 2008, enquanto Hugh Jackman e o seu X-Men Origins: Wolverine apenas chegará às salas de todo o mundo lá para Maio de 2009. No entanto, só porque falta ano e meio, não é razão para não estarmos já com a pulga atrás da orelha. Primeiro, porque com esta senhora neste estado, e a rodagem a começar já no próximo mês de Dezembro, temos mais do que razões suficientes para questionar a presença de Storm nesta prequela. Depois, porque o realizador Gavin Hood já anda por aí a partilhar ideias. Aqui fica uma breve entrevista, se assim se poderá chamar, do homem que ocupará a cadeira que esteve para ser de Brett Ratner, Zach Snyder, Len Wiseman e Brian Singer.