Deuxieme


sábado, julho 25, 2009

A maldição da saga interminável.

Sally Albright: You see? That is just like you, Harry. You say things like that, and you make it impossible for me to hate you. And I hate you.

Em declarações ao ComingSoon, Oren Aviv, director de produções da Disney, afirmou que as filmagens de um quarto capítulo da saga Piratas das Caraíbas deverão ter início no primeiro semestre de 2010.

We’re going to shoot Pirates 4 in April and May of next year. We are going to release it hopefully in 2011”.

A ideia, segundo Aviv, é que este quarto episódio seja o primeiro de uma nova trilogia, onde cada título será gravado isoladamente, e não um logo a seguir ao outro, como aconteceu com os dois últimos tomos. Por enquanto, o realizador não está escolhido. Contudo, Gore Verbinski continua a centrar atenções. Apesar das contendas com a Bioshock a propósito da redução orçamental, é possível que o cineasta responsável pela primeira trilogia volte ao leme do navio.

Agora, porquê aquela frase de Sally Albright? A confirmação, mais do que esperada, de um novo filme com estes piratas, deveria trazer um certo amargo de boca. Os dois últimos capítulos estiveram uns bons furos abaixo d'A Maldição do Pérola Negra. E, de certo modo, uma parte de nós acha que já chega. Não forcemos aquilo que teve piada, sim senhor, mas que já passou. Por outro lado, quem é que pode dizer que não a Jack Sparrow? Gostávamos de não gostar deste anúncio, mas é mais forte que nós. Que nos venham agora informar que Depp não entra, que a gente diz-vos. É que experimentem.

Bruno Ramos

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quinta-feira, julho 23, 2009

Alice in Wonderland - Teaser.

Photobucket

Que se dane o concurso no Facebook. Tanta trabalheira para nada. O marketing da Disney aliou-se ao famoso site de rede social, com o intuito de criar três exércitos, que mais não eram do que três páginas de fãs disfarçadas. Aquele que tivesse mais seguidores, ao final da noite de hoje, teria direito a ver em primeira mão o teaser trailer de Alice in Wonderland, de Tim Burton. Como sempre, lá houve uma ruptura no dique, e o teaser espalhou-se descontroladamente por todo o lado ainda durante a noite de ontem. Esta manhã, era o rodopio. Um saltitar constante de link em link até encontrar um decente que não tivesse caído passado cinco minutos. Ao que parece, este aguentar-se-á.

Um minuto e meio apenas chega para tirar uma mão cheia de ilações. Contudo, dois aspectos saltam à vista. A saber, o primeiro, o fartote de CGI que recorta os cenários da obra. Entre o real e o fictício, a escolha parece ter sido óbvia. Aposta de risco, que já nos leva a torcer o nariz. Contudo, por ser Burton, só temos mais é que dar o beneficio da dúvida. Dúvida não. Relutância em acreditar que sim. O segundo ponto prende-se com a importância de Johnny Depp neste teaser. Que ninguém nos leve ao engano. A protagonista deverá continuar a ser Alice. Depp terá sempre um peso inquestionável, e isso nunca foi segredo nos filmes em que participou. Agora, neste caso, esperamos que as atenções não se tenham dispersado em demasia.

Update - Ao que parece, o teaser já foi ao ar outra vez. Ainda assim, por estes lados, ir ao post do InContention e carregar no play continua a resultar. Ou andam a brincar connosco, ou algo de muito estranho se passa aqui. De qualquer maneira, esta noite o trailer deverá voltar em definitivo.

Bruno Ramos

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segunda-feira, junho 01, 2009

Public Enemies nos MTV Movie Awards.

A validade dos clips ainda no Youtube, com imagens dos MTV Movie Awards de ontem, deverá ter a validade de meia dúzia de minutos. A Viacom não perdoa. Por isso, graças ao destaque do Oh No They Didn’t, o melhor é ver enquanto é tempo. Muitas destas sequências fizeram já parte dos trailers divulgados de Public Enemies, contudo, um segmento exclusivo, e uma breve entrevista com Johnny Depp, mais uma quantas palavras de Michael Mann justificam carregar no play. Até há bem pouco tempo, por estas bandas, a obra tinha estreia marcada para 06 de Agosto. Agora, parece que anda à deriva sem data definida. O filme até não tem Johnny Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, nem é realizado por Michael Mann. Compreensível.

Bruno Ramos

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sexta-feira, março 13, 2009

Alice no País de Tim Burton.

Depois da primeira fotografia de Johnny Depp como Mad Hatter, que pode ainda ser encontrada em qualquer lado, a D23 (Disney Twenty-Three) – publicação do estúdio que pode ser assinada anualmente por 74.99 dólares – permite-nos uma primeira espreitadela decente do filme que Tim Burton nasceu para fazer. Nesta que ilustra o post, vemos Alice (Mia Wasikowska) a olhar para aquele que possivelmente será o local da queda ao lado do coelho. No entanto, no The Tim Burton Collective podemos encontrar outras imagens que atestam o concept art da obra, como o scan da festa do chá, cujo anfitrião será o Mad Hatter de Depp. Na entrevista que acompanha o artigo, Burton refere-se ao filme como “kind of a mixture of some distorted live action and animation”. Que seja. We believe in Harve.. in Tim Burton. Alice in Wonderland tem estreia marcada, nos Estados Unidos, para 05 de Março do próximo ano. T-minus 357 dias.

Bruno Ramos

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quinta-feira, março 05, 2009

Public Enemies - Trailer.

Aí está o trailer de Public Enemies, em todo o seu esplendor. Por muito que não queiramos embarcar tão precocemente em vaticínios mais optimistas, a verdade é que olhamos para o título de Michael Mann como um dos primeiros candidatos às estatuetas do próximo ano. Logo à cabeça, Johnny Depp. Tirem-lhe as lâminas e a caracterização, coloquem-lhe uma metralhadora e brilhantina, e temos Sweeney Todd a passear pelas ruas de Chicago. Receávamos um sotaque fucking distracting de Marion Cotillard. Para já, felizmente, não é isso que acontece. Destaque também para alguns planos. Por exemplo, aquele na estação aos 1m43s, e o outro da rua vista de cima aos 2m06s. A fotografia de Dante Spinotti, duas vezes nomeado para um Oscar (L.A. Confidential e The Insider), promete voltar a embelezar a tela.

Alvy Singer

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quarta-feira, março 04, 2009

Inimigos.

Photobucket

Na segunda-feira, a Universal lançou o primeiro poster oficial de Public Enemies, de Michael Mann. Ontem à noite, o Entertainment Tonight fez uma antevisão do trailer que deverá chegar à net na madrugada desta quinta-feira. Isto é que poder de marketing. Intenso, quanto baste. Com estas novidades a conta gotas, a Universal lá arranja maneira de estarmos sempre a falar do filme. Que, até nem era preciso. É que este é um dos mais aguardados para este ano.

Alvy Singer

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quarta-feira, janeiro 28, 2009

A brisa transporta o aroma de um teaser.

Photobucket

Já por aqui falámos algumas vezes de Public Enemies. Desde cedo o projecto tem prendido as nossas atenções. O casting foi um regalo. Quando, ao lado de Johnny Depp, a presença de Christian Bale foi assegurada, os níveis de curiosidade rebentaram com a escala. Depois, foi a vez de Marion Cottilard, Stephen Dorff, Channing Tatum e Giovani Ribisi confirmarem a sua participação. David Wenham deu o toque final. Em finais de Novembro, a Empire revelou novas imagens. Agora, é o Aceshowbiz que mostra novas fotografias do próximo filme de Michael Mann. E, em relação a este título, estamos como o agente do FBI Melvin Purvis (Bale), nesta imagem. Ele acha que não estamos a vê-lo, mas, oh, que iludido está. Já há muito que andamos a segui-lo. Manhattan Melodrama (W.S. Van Dike, 1934), cujo poster está pendurado na parede atrás de Melvin Purvis, desempenha um importante papel neste biopic de John Dillinger (Johnny Depp).

Alvy Singer

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quinta-feira, novembro 27, 2008

Com inimigos destes...

Se há filme que nos deixa com ela atrás da orelha, para 2009, é Public Enemies. A obra de Michael Mann reúne um naipe de actores de um gabarito tal, que certamente ninguém ficará indiferente a tantos nomes sonantes. Marion Cotillard, Billy Crudup, Leelee Sobieski, Giovanni Ribisi, Emilie de Ravin, John Ortiz e Stephen Dorff. A encabeçar o elenco, quiçá a melhor dupla de protagonistas do próximo ano, Johnny Depp e Christian Bale.

Um pau de dois bicos, na medida em que esta parelha pode levar ao desfalecimento de muito boa moçoila na sala de cinema, como também tornar-se num caso sério de sucesso de bilheteira. O mais certo é acontecerem as duas coisas. Com o mestre Michael Mann novamente ao leme de um filme policial, cedo começaram os prenúncios de um novo Heat. No entanto, não é isso que pretendemos. Assim como Heat não é um segundo qualquer coisa, esperamos que Public Enemies seja… Public Enemies. Uma obra do camandro, com identidade própria, e que não deve nada a ninguém. A história suculenta versa sobre a detenção, por parte do FBI, de famosos gangsters americanos, como John Dillinger, Baby Face Nelson e Pretty Boy Floyd, na década de 1930. Depp está assegurado como Dillinger. Bale é Melvin Purvis, o célebre dirigente do FBI que liderou as operações. Cotillard é Billie Frechette, a cara-metade de John Dillinger. A expectativa continua a aumentar, quando ainda faltam mais de seis meses para a estreia nos Estados Unidos. Estas recentes imagens vêm serenar um pouco o espírito inquieto.

Bruno Ramos

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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Tributo a três.

Primeiro foi o AICN, depois a Variety e, agora, o Awards Daily. Ou seja, está mais do que certo que Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell ocuparão o lugar de Heath Ledger em The Imaginarium of Dr. Parnassus (Terry Gilliam). A determinada altura do filme, a personagem de Ledger atravessaria um espelho mágico e seria transportada para outra dimensão. Não poderemos garantir que estavam previstas três jornadas, mas, agora será isso que vai acontecer. Em cada uma destas dimensões estará um destes actores. Assim, a ideia com que ficamos é a de que Ledger continuará a aparecer na primeira parte do filme, funcionando a sua personagem como ponto de partida para os outros que lhe seguirão. Jamais poderemos considerar esta como uma boa notícia, se relembrarmos o que está na origem de tudo isto. Esperamos apenas que Gilliam e todos os envolvidos neste projecto façam um bom trabalho, e que a memória do talento de Ledger perdure.

Alvy Singer

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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Bloody Great.

Poucos cineastas reúnem esta capacidade que Tim Burton manifesta de forma tão clara e evidente. A versatilidade de realizar, ao longo da sua carreira, filmes tão semelhantes e, ao mesmo tempo, tão diferentes. Daqui por cem anos, um miúdo muito franzino vai parar à frente de uma montra para apanhar a bola que chutou para o meio da rua. O pequeno, sem se aperceber, estará a dar os primeiros passos no mundo da cinefilia, e vai apanhar um filme de Tim Burton a passar num dos mais recentes aparelhos tecnológicos. Porque alguém a desesperar por regressar ao jogo grita o seu nome, o moçoilo vê apenas um minuto. No entanto, aqueles frames serão suficiente para o rapaz comprovar que o cunho do realizador de A Noiva Cadáver está por ali. Assim como quando ouvimos a guitarra de Brian May, e sabemos que aquela é uma música dos Queen, ou quando ouvimos os acordes iniciais da guitarra de Mark Knopfler, e sabemos que aquilo é Dire Straits, quando o plano sobrevoa uma cidade cinzenta, com o fumo das chaminés em pano de fundo, e o som de um órgão ecoa na sala, aquele não poderá ser um filme de mais ninguém a não ser de Tim Burton.

Sobre Sweeney Todd, não poderei dizer muito. O filme passou por mim a correr, como aquelas viagens que fazemos em petizes no Comboio Assombrado da Feira Popular. Era um susto dos diabos mas, aquilo sabia tão bem, que não demorava nada. Assim que saímos era a pergunta, Então, gostaste? Caramba, o sorriso nos lábios estava mesmo a dizer que sim. Agora, se me perguntarem porque é que gostei de Sweeney Todd, talvez tenha de encolher os ombros e dizer porque sim. Como quando acordamos após um daqueles sonhos malandros, mas não nos lembramos bem como foi. Só sabemos que soube bem.

Talvez seja por já estar formatado ao ambiente de Tim Burton, ou porque Johnny Depp tem uma interpretação de encher o olho. Talvez seja porque a direcção artística é tão cuidada que até arrepia, ou porque Alan Rickman nunca me deixou ficar mal. Talvez seja porque o banho de sangue é servido com uma delicadeza tal, que ficamos na dúvida qual o coração mais maltratado, se o de Benjamin Barker, se o dos outros pobre coitados que se sentam na cadeira para fazer a barba e, subitamente, se vêem no meio duma profícua linha de montagem em nome de uma boa empada. Talvez seja porque Johanna ganharia certamente o Oscar de Melhor Canção se tivesse sido escrita para o filme, ou por ver que Helena Bonham Carter está à altura do cortejo. Talvez seja pelo embalar do argumento de John Logan, que nos vai guiando com moderação e entusiasmo, ou pelo momento em que Johnny Depp rejubila com o facto do seu braço estar de novo completo com uma lâmina, quando nos lembramos como se fosse ontem, o dia em que vimos um filme de Tim Burton em que o que ele menos queria era ter um objecto cortante. Ou, talvez seja por aqueles dois minutos em que a mente de Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter) vagueia pela existência de uma vida à beira-mar. O delírio visual de Burton nessa sequência vale o bilhete de cinema. É a fantasia mais idílica entre os dois seres mais descoloridos da História, e daquelas coisas que leva um admirador inveterado de Tim Burton a sentir que é capaz de voar sem asas.

Perdoem-me o engrandecimento da obra mas, não tenho culpa. Eles que não fizessem filmes assim tão bons. Considerações especialistas sobre Sweeney Todd deixarei para aqueles que não gostaram do filme. Porque é que haverá sempre a tendência de resvalarmos para a racionalidade quando queremos simplesmente dizer que algo nos tocou profundamente? Das razões para gostar deste filme faço uma bola de papel, e meto-a no lixo. Se há algo que o trabalho de Tim Burton me ensinou, foi a deixar o mundo real à porta.

Alvy Singer

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Estreias da Semana (3 filmes a ver)

Eis que chegamos a mais uma semana de estreias…

O LADO SELVAGEM

Into The Wild (o título original tem uma força única, que infelizmente a nossa tradução não conseguiu com O Lado Selvagem) é o último filme realizado por Sean Penn (ausente da realização desde The Pledge/A Promessa em 2001). Penn agarrou-se ao livro de Jon Krakauer (com o mesmo título), sobre a premissa verídica, passada nos anos 90, do invulgar percurso do jovem americano Christopher McCandless (soberbamente interpretado por Emile Hirsch), um notável estudante que abandona a sua família e se desfaz das suas posses para se entregar a uma viagem pela natureza, alimentado por sonhos e ideais muito vincados, em busca da felicidade. Pelo seu caminho cruzam-se inúmeras pessoas e com elas vários desafios, que mostram o reverso desta procura incessante do lugar do homem e da vida no seu estado mais puro.

Com estes ingredientes, Penn faz da viagem de McCandless um momento de grande cinema, filmado com uma habilidade notória e captado com uma fotografia única. Encontramos nesta obra uma profunda análise aos vários estádios humanos (onde cito J. J. Rousseau - após a sua consagração evolutiva, o homem é corrompido, e como tal, necessita de regressar ao seu lado mais primitivo e selvagem, para recomeçar tudo novamente), que repensam a evolução do homem, sobre uma ideia de fuga a uma vida vazia de sentimentos, substituídos pelo consumismo familiar. Para além de Emile Hirsch, que é um espanto, destacam-se ainda os secundários William Hurt, Marcia Gay Harden, Catherine Keener e Hal Holbrook, que está nomeado para Óscar de Melhor Actor Secundário, que juntamente com Jay Cassidy (responsável pela montagem) completam as 2 escassas nomeações desta obra, injustamente esquecida pela Academia. Só nos resta ouvir vezes sem conta o tema “Guaranteed” de Eddie Vedder, que ganhou o Golden Globe para Melhor Canção, ainda que a banda sonora inteira (a cabo de Vedder também, refira-se) o merecesse por igual. Um filme obrigatório na sua condição filosófica/humana/artística.

5 / 5 – Magnífico


SWEENEY TODD, O TERRÍVEL BARBEIRO DE FLEET STREET

Sweeney Todd, O Terrível Barbeiro de Fleet Street é o regresso, em boa forma, do mestre Tim Burton, que uma vez mais, filma a grandiosidade de Johnny Depp como ninguém. Burton pegou no conhecido musical de Stephen Sondheim (curiosamente em exibição entre nós) e recriou uma nova versão da história de uma família feliz que é condenada pela cobiça do poderoso juiz Turpin (Alan Rickman), que prende Benjamin Parker (Johnny Depp), afastando-o da sua mulher e filha, para um exílio forçado. Face a este momento nada será como dantes. Desfigurado pela tragédia, Parker regressa anos depois a Fleet Street, pelo nome de Sweeney Todd, e retoma a sua anterior barbearia com a ajuda de Mrs. Lovett (a singular Helena Bonham Carter), usando o seu ofício para perpetrar a sua tão desejada vingança. Mas ao atravessar este pantanoso caminho, Sweeney perde o seu norte e é consumido pelo seu próprio feitiço, arrastando consigo o que mais defendia e quem o apoiou.

Num cenário gótico (a que Burton já nos habitou) e munido de poderoso argumento, Sweeney Todd é um objecto bem conseguido e polido, onde além das fabulosas interpretações dos actores, que aqui se destacam também pela sua representação musical (de salientar ainda os deliciosos minutos com Sacha Baron Cohen), revela-nos sobre uma enorme violência uma realização tremendamente forte, precisamente necessária ao nível do tema que o filme nos pede; essa premissa narrativa, completamente "Shakesperiana", sobre a fatalidade dos caminhos da vingança, que cegam por completo os homens que os percorrem. Tudo funciona num enorme banho de sangue, que é um triunfo visual e narrativo, mas onde também moram alguns pecados, cometidos na pouca força dos secundários Alan Rickman e Laura Michelle Kelly (a mendiga doente), personagens de grande peso, que surgem num registo muito enevoado e disperso. Tirando isso, não sendo uma obra-prima como Burton já nos presenteou, é um filme de grande qualidade, que foi um dos vencedores dos Golden Globes (Melhor Musical e Actor) e que deixa Johnny Depp caminhar com segurança para os Óscares.

4 / 5 – Bom



SEDUÇÃO, CONSPIRAÇÃO

Para terminar, temos mais um regresso – desta vez, o de Ang Lee. O realizador chinês estreia entre nós Lust, Caution, ou no seu original Se, Jie (em português Sedução, Conspiração), um filme polémico (pelas suas ousadas cenas de sexo), que foi o Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza do ano passado. Centrada numa relação amor/ódio, a acção decorre na China, ocupada em 1942 pelo Japão, em plena Segunda Guerra Mundial. Dentro de um grupo de estudantes fervorosos com o seu nacionalismo, a jovem Wong Chia Chi (Way Tang) vai ocupar um lugar privilegiado, ao penetrar no seio da família de um alto funcionário japonês Sr. Yee (Tony Leung), que se encontra no governo chinês, tornando-se uma amiga inseparável da sua mulher Sra. Yee (Joan Chen). Com o propósito de eliminar o inimigo, a jovem torna-se amante de Yee, mas depressa se perdem as linhas entre os sentimentos e a razão da missão, que arrastam a jovem, sob o disfarce de “Sra Mak”, e o Sr. Yee pelos mais inesperados caminhos dentro de si próprios, lugares que desconheciam por completo, minados pelo destrutivo ambiente da Guerra.

Perante um vencedor de um dos mais famosos e aclamados Festivais de Cinema do mundo, é difícil não se reconhecer ou não se apreciar uma obra com um dobro de atenção, previamente injectada pelo peso que comporta. E que Ang Lee monta um arrojado esquema narrativo sobre forma de thriller erótico (quase pornográfico, somente na sua componente sexual) entre duas personagens diferentes, dois lados de uma história, num cenário de luta humana de facção política, é um facto consumado. O que falha o alvo são precisamente as tão badaladas cenas sexuais, mais explícitas porventura como forma expressiva de maior força e ligação entre as personagens; cenas essas que não se integram nem na narrativa nem na personagem principal (a jovem), cujos aspectos problemáticos que a dominam, confessados a terceiros e a si mesma, se demonstram desconectados das imagens transmitidas, que supostamente os deveriam produzir e acentuar – há espaços por celebrar/abominar durante o decorrer da narrativa, que não se encaixam no clímax final, onde o que se pede ao espectador não se concretiza no plano emocional. A juntar a isso temos um ritmo narrativo bastante lento que nem sempre agarra o espectador, o que não facilita num filme desta dimensão temática e psicológica. Em suma, Sedução, Conspiração é uma obra com pontas soltas e outras por aparar, que ainda assim nos abala quer a nível visual como emocional, carregada de uma sublime banda sonora (a cargo do compositor francês Alexandre Desplat), mas que se encontra a vários níveis longe de obras anteriores de Lee, como o genial O Tigre e o Dragão ou o fabuloso O Segredo de Brokeback Mountain.

3 / 5 – Razoável, Interessante

Francisco Silva

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Into The Great Wide Open.

Porque ele é indiscutivelmente o Man of the Hour, aqui fica um videoclip que atesta um dos vários momentos em que a vida de Johnny Depp e a música se tocaram, numa altura em que a sua voz entoa notas por essas salas de cinema fora, em Sweeney Tood. Como sabe bem respirar aquele espírito do início dos nineties.

Alvy Singer

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domingo, janeiro 13, 2008

Com inimigos destes...

A confirmar-se a aquisição de Christian Bale, Public Enemies de Michael Mann poderá muito bem orgulhar-se de ostentar a melhor dupla de actores de 2009. Atenção, quando dizemos melhor, não nos referimos à qualidade da mesma, mas sim das suas características comerciais e potencial para promover a obra. Não que eles sejam maus actores, longe disso. No entanto, também não serão os dois melhores do mundo. Agora, juntar no mesmo filme Christian Bale e Johnny Depp, para além de ser uma enorme ameaça, na medida em que pode levar ao desfalecimento de muito boa moçoila na sala de cinema, pode tornar-se num caso sério de sucesso de bilheteira.

Já não bastava o filme ser de Michael Mann, exímio cineasta que trata por tu o cinema de acção, como ainda deveremos ter o deleite de assistir à reunião de um elenco majestoso. A isso ajudará, sobremaneira, a história sumarenta, que versa sobre a detenção, por parte do FBI, de famosos gangsters americanos, como John Dillinger, Baby Face Nelson e Pretty Boy Floyd, na década de 1930. Para já, Depp está assegurado como Dillinger. Em princípio, Bale será Melvin Purvis, o célebre dirigente do FBI que liderou as operações. Ou seja, por enquanto, temos apenas dois dos melhores actores do momento, quando ainda falta recrutar metade do elenco principal. A expectativa não poderia ser maior, e a produção ainda nem começou.

Alvy Singer

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quarta-feira, janeiro 09, 2008

St. Burton's Day.

Nos dias de hoje, dificilmente encontraremos outro realizador que, como Tim Burton, aceda ao convite de sentar-se frente a frente com o seu actor fetiche, para uma troca salutar de opiniões relativamente às carreiras de ambos, ao lerem perguntas enviadas por admiradores dos seus trabalhos. Um actor aceitar participar numa brincadeira destas é normal, já um realizador, é um prazer que raramente temos a possibilidade de assistir. Aqui fica a Parte 1 e a Parte 2 – bem como os Clips Extra 1 e Clips Extra 2 –, da entrevista à Unscripted, que mais parece uma converseta de esplanada entre estes dois colossos da sétima arte. Curiosa é, sobretudo, a questão colocada a Johnny relativamente a que personagem desempenhada no grande ecrã é que gostaria de conhecer. A primeira resposta é… aquela com que não gostaria definitivamente de se cruzar.

Agora, Tim Burton não só entra neste tipo de coisas, como ainda se senta com David Poland para falar sobre Sweeney Todd durante uns bons quarenta minutos. Posto isto, ao fim de hora e meia a ouvir o mestre, dá para perceber porque é que o primeiro post da noite chega a esta hora.



Alvy Singer

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terça-feira, novembro 20, 2007

Gargantas afinadas?

A este ponto, quando ainda faltam mais de dois meses para a sua estreia, importa reter duas coisas sobre Sweeney Todd. A primeira é que os 17 minutos do filme que alguns felizardos tiveram a sorte de ver, provocaram algumas reacções inesperadas, que vêm resfriar um pouco as expectativas astronómicas. Por um lado, temos David Polland que escreveu algo como “In the case of “Epiphany,” the musical number, sung mostly by Johnny Depp as Sweeney Todd, it is one of the numbers where the power of an actor with Depp’s power truly overwhelms the value of the big voices that have played the role on stage”.

Quanto a Nathaniel R., este foi um pouco mais severo na sua apreciação, sobretudo nos dotes musicais de Helena Bonham Carter. Their voices? Helena sounds good but we didn't get to hear much so I could be wrong. Depp sings on key and he's a strong enough actor that the performance looks to be compensating for the vocal troubles but it'll be frustrating to musical aficionados”.

Começa a ganhar força a ideia de que o próximo título de Tim Burton pode não ser assim tão consensual quanto isso. De facto, a abordagem musical pode ser vista como um pau de dois bicos. Ou os actores correspondem a toda a linha, e o filme é um verdadeiro triunfo, ou então percebemos que o talento não dá para tudo, e que nem todos conseguem fazer de Liza Minelli em Cabaret. Para já, a única coisa que podemos dizer é que preferimos que David Polland esteja certo, e que Nathaniel R. não perceba patavina de uma clave sol, nem consiga ver a diferença entre o fá bemol e um lá sustenido.

A segunda coisa que devemos reter é esta entrevista em podcast ao génio dos génios, o mestre Tim Burton. Quanto mais não seja, para nos deprimir ainda mais por faltar quase dois meses para a estreia. Não sei se já tinha dito isto. É que faltam mesmo dois meses para a estreia. Dois.

Alvy Singer

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