Deuxieme


sexta-feira, março 27, 2009

Three Stooges.

Larry Fine, e os irmãos Moe Howard e Shemp Howard foram os primeiros. Os originais. Pelo meio, Curly Howard – outro irmão da família Howard –, Ted Healy, Joe Palma, Joe Besser, Curly Joe DeRita, e Emile Josef Sitka, também tiveram oportunidade de ser um dos Three Stooges. Agora, mais de oitenta anos depois da aparição do grupo, parece estar definida a mais importante parte do elenco do primeiro filme, em quarenta anos, sobre os afamados Três Estarolas. Segundo o site oficial ThreeStooges.com, a Variety, e milhares de outros sites espalhados por essa Internet, Jim Carrey, Benicio Del Toro e Sean Penn serão os próximos astros do splastick. Ou, assim esperam a MGM e os irmãos Farrelly. Há quem já tenha apelidado este casting como o melhor de todos os tempos. Há quem tenha corrido para o calendário para confirmar que 01 de Abril é só na próxima quarta-feira. Seja como for, sabemos que um sucesso de bilheteira dá os primeiros passos quando começa a polarizar opiniões antes de as câmaras estarem a filmar.

Alvy Singer

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segunda-feira, março 02, 2009

Esta árvore tem raízes. E dinossauros.

Num dia rico em notícias, o destaque vai para as novidades em torno de The Tree of Life. O mundo já não é o que era. Falamos deste filme naquele post mais abaixo sobre alguns dos títulos mais aguardados para este ano. Antes de mais nada, qualquer tipo de informação, em torno desta obra, é bem-vindo. Quando ninguém fala, e o filme começa a cair no esquecimento, costuma ser sinal de adiamento na estreia. Esta conversa sobre o próximo filme de Terence Mallick, que dificilmente estará pronto para Cannes, leva-nos mesmo a crer que não teremos de esperar até 2010 para vê-lo. O filme conta com Sean Penn no principal papel e Brad Pitt numa personagem flashback, originalmente pensada para Heath Ledger. O plot da película contínua a despoletar acesas discussões e, hoje, o Hollywood Elsewhere lança mais achas para a fogueira. Diz o técnico de efeitos visuais, Mike Fink (X2, Mars Attacks, Project X).

We’re just starting work on a project for Terrence Malick, animating dinosaurs, the film is The Tree of Life. It’ll be shooting in IMAX—so the dinosaurs will actually be life size — and the shots of the creatures will be long and lingering”.

Jeff Daniels explica que Malick, que alia à realização a escrita do argumento, está a introduzir elementos de Q, um projecto do cineasta abandonado há anos.

A sinopse do IMDB é quase tão vaga como a da Wikipedia. Sim, na procura de algo mais sumarento, tudo vale. No entanto, reconhecemos que vasculhar a poeirenta Wikipedia seja já sinónimo de desespero. Contudo, isto parece-nos mais ou menos fidedigno.

We trace the evolution of an eleven-year-old boy in the Midwest, Jack, one of three brothers. At first all seems marvelous to the child. He sees as his mother does, with the eyes of his soul. She represents the way of love and mercy, where the father tries to teach his son the world’s way, of putting oneself first. Each parent contends for his allegiance, and Jack must reconcile their claims. The picture darkens as he has his first glimpses of sickness, suffering and death. The world, once a thing of glory, becomes a labyrinth”.

Aquilo que já é mesmo certo é que Sean Penn será o protagonista na idade adulta; Brad Pitt o pai de Penn; Alexandre Desplat (The Curious Case of Benjamin Button) o compositor; Emmanuel Lubezki (Children of Men), o director de fotografia; Jack Fist (There Will Be Blood), o director artístico; Daniel Rezende (Cidade de Deus), um dos responsáveis pela montagem; e Jacqueline West (The Curious Case of Benjamin Button, Quills), responsável pelo guarda-roupa, e Malick o argumentista e realizador. Está-se mesmo a ver. Meia dúzia de dólares na bilheteira. Um filme para a História. Era bom.

Bruno Ramos

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terça-feira, fevereiro 24, 2009

Os discursos em Hollywood.

Ryan Adams, do Awards Daily, diz que “Of the 40 hours of TV Oscar analysis I’ve seen in the past 48, the depth of this 6-minute segment make the rest look like the cover of US magazine”. Depreendemos, destas palavras, que a capa da US Magazine não deve ser das preferidas de Adams. No entanto, não podemos deixar de partilhar desta opinião. Aqui fica o vídeo em questão, que aborda o tema da liberdade nos discursos deste ano, e lança uma pequena dúvida. Terá a rejeição da Proposition 8 influenciado os resultados de Dustin Lance Black e Sean Penn?

Alvy Singer

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domingo, fevereiro 22, 2009

Ontem, nos Spirit Awards.

Há quem faça discursos de agradecimento, há quem seja animador de público. Ao longo da temporada, Mickey Rourke tem-se soltado cada vez mais, sempre que sobe ao palco para receber um prémio pelo seu desempenho em The Wrestler. Caso ganhe, esta noite, 45 segundos não bastarão. Entre Sean Penn e Mickey Rourke, esperemos que dê empate. Isso é que era espectacular. Man, you deserve it, diria Penn. No, you fuck**g deserve it, man, responderia Rourke. Mas, que chatice, este zumbido atrás da orelha que não pára de dizer My… Frank… Langella. É do mesmo fabricante do murmúrio My… Precious.

Bruno Ramos

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Got Milk.

Sean Penn rivaliza com a velha máxima de William Somerset Maugham, de que apenas os medíocres estão sempre no seu máximo. Seja qual for o filme, seja qual for o papel, seja qual for a cena, Sean Penn faz questão de não ser Sean Penn em prol da personagem que incarna. E, Harvey Milk não é excepção. Poucos são os predestinados que nunca se enganam, e raramente têm dúvidas. Contudo, não sendo uma certeza, é uma forte convicção. Se Sean Penn não tivesse ganho já um Oscar, por Mystic River, este seria o ano da sua consagração. Ainda assim, acreditamos que o actor tem mais hipóteses do que a maioria julga. Acima de tudo, achamos que Milk não poderá ir 0-8. Em oito nomeações, alguma delas cairá no bucho. A mais provável, em nosso entender, continua a ser a de Melhor Argumento Original. Montagem, banda sonora, e guarda-roupa não devem traduzir-se em vitórias. Elliot Graham é um estreante que pouco ou nada ganhou nesta temporada, Danny Elfman tem forte concorrência de A.R. Rahman e Alexandre Desplat, e The Duchess deve bater tudo e todos no ramo do vestuário. No entanto, se a Academia achar que Slumdog Millionaire sairá do Kodak Theater com a principal estatueta, Melhor Argumento Adaptado, e mais três ou quatro técnicas, surgirá com naturalidade a vontade de premiar um título mais próximo, mais caseiro e, porque não dizê-lo, mais consensual. Sim, porque apesar de o filme de Danny Boyle poder ter mais apoiantes, também há quem não possa com ele. Com Milk, não é bem assim. Deste modo, Sean Penn poderá facilmente chegar ao segundo Oscar. No entanto, esta crença poderá ser ainda mais decisiva na categoria de Melhor Realizador. Gus Van Sant é um nome influente na indústria. Em Hollywood, já deu provas da sua versatilidade, optando tantas vezes por um registo mais experimental como mainstream. Nesta sua última obra, foi exímio no equilíbrio destas duas correntes. Podemos questionar se existe algum cineasta nomeado esta noite, com uma carreira tão rica e vasta quanto Gus Van Sant. Para alguns, a resposta provavelmente será sim. Porém, Fincher tem poucas hipóteses. Com relativa facilidade, conseguimos visualizar a capa do Dvd e Blu Ray de Milk, Vencedor de 3 Oscares – Melhor Actor, Realizador e Argumento Adaptado. Em Slumdog Millionaire, não existe um plano tão encantador como aquele do apito caído no passeio. Sobre esta cena, disse o director de fotografia, Harris Savides.

"It’s really simple and it wasn’t planned at all. We were shooting the scene and the last shot that night was a close-up of the whistle. Gus and I were talking and we thought it would be great if we saw the whole scene in this whistle, and Gus made it happen in post. They took one of the shots and put it in this shot, the close-up of the whistle we got. I was surprised that it happened at all. But that kind of stuff, especially with Gus, is very on the fly. There’s no storyboards”.

É por essas e por outras que Gus Van Sant pode ter sorte mais logo.

Bruno Ramos

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sábado, janeiro 31, 2009

Quando a rodagem deste filme terminou, ainda não existia Technicolor.

Photobucket

Há filmes que têm um parto difícil, e só parecem lá ir de cesariana. Crossing Over é um deles. As primeiras informações sobre uma data de lançamento, avançadas pela USA Today, diziam que o filme de Wayne Kramer deveria chegar às salas norte-americanas em Novembro de 2007. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia seria a 22 de Agosto. E, assim ficámos, à espera que o filme saísse sob o sol quente de Verão. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia seria a 24 de Outubro. E, assim ficámos, à espera que o filme saísse sob o sol frio de Outono. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia passaria para 2009. No inicio, sem uma data definida. Agora, parece que será 27 de Fevereiro. Até quando esse dia se manterá, é uma incógnita. Até porque já circulam por aí rumores de que o lançamento pode ter sido adiado novamente para Agosto deste ano. Esperemos que isto não seja obra de engraçadinhos, sem nada de verdadeiramente útil para ocupar o tempo.

Agora, caramba, será assim tão complicado fazer com que um filme com Harrison Ford, Ashley Judd e Ray Liotta chegue às salas? Já vimos este título com melhor cara. O LA Times chegou a considerá-lo um dos dez mais antecipados de 2008. Houve até quem já lhe chamasse Crash 2. No entanto, após tanta indefinição, é inevitável não suspeitar de que o embrulho pode esconder um embuste de todo o tamanho. E, a história com Sean Penn, cheira mal como tudo. Por enquanto, vamos acreditando que esta é uma obra com potencial. Os actores envolvidos têm créditos firmados, os produtores já nos deram películas memoráveis, e o plot parece ter pernas para andar. Realizado por Wayne Kramer (The Cooler, 2003), o filme conta com um elenco catita: Harrison Ford, Ray Liotta, Ashley Judd, e Alice Braga. O enredo, aparentemente em estilo mosaico, segue diferentes imigrantes à procura de um visto para viver nos Estados Unidos. Documentando as dificuldades de tal processo, o filme explora o atravessar da fronteira, fraudes administrativas, naturalização, trabalho forçado, gabinetes contra-terrorismo e o choque entre culturas.

Choque esse que já começou, fora do grande ecrã, quando Trita Parsi, presidente do National Iranian American Council, manifestou preocupação relativamente à imagem dos imigrantes nativos do seu país que o filme poderia passar. Resultado, pequenas alterações no argumento. Algumas reuniões foram suficientes. Os irmãos Weinstein respiraram fundo. Em jeito de curiosidade, referir apenas que este é o regresso de Wayne Kramer a este tema. Em 1996, já tinha abordado o problema da imigração numa curta-metragem com o mesmo título. Contudo, mais importante que tudo isso, a determinada altura, Sean Penn esteve associado ao projecto. A razão que motivou o seu abandono foi simples. Penn não gostou da maneira como um iraniano foi caracterizado no filme, depois de ter assassinado a própria irmã, num ‘homicídio de honra’. Parece que Penn pediu que as suas cenas, que também não duravam mais do que dez minutos, fossem retiradas. Num primeiro momento, toda a gente rejeitou. E, todos tiveram direito a um final cut, para ver se a coisa ficava com um ar apresentável. Kramer, Harvey Weinstein, Frank Marshall, e até Harrison Ford, entraram na sala de montagem, à vez, para editar o filme. No final, disseram qualquer coisa como "Dane-se mas é o Penn". E, assim desapareceu o actor do filme. O Hollywood Elsewhere abordou este tema em Novembro. Enfim, hoje ficámos a conhecer o poster. O trailer, mais abaixo, já tinha aberto o apetite. No entanto, após tanta confusão e tantos adiamentos, gostávamos de permanecer tolerantes, mas começa a ser complicado. O filme ainda não chegou, e já estamos com vontade de lhe dar um açoite. A ver se ele se porta bem daqui para a frente.

Bruno Ramos

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terça-feira, dezembro 02, 2008

Mais Milk (M&M).

Quase uma hora dedicada a Milk, de Gus Van Sant, é aquilo que este vídeo nos oferece. Charlie Rose fala com o realizador do filme baseado na vida de Harvey Milk, e os actores Sean Penn e Josh Brolin. Entrevistas destas, mais do que um incentivo ao visionamento da obra, são uma espécie de tormento para o cinéfilo mais impaciente. Ao mesmo tempo, deixamos aqui o artigo de Cristy Lytal sobre Cleve Jones (interpretado, no filme, por Emile Hirsch), publicado no Los Angeles Times. Mais um dia que passa, mais um dia em que a expectativa cresce. E pensar que a estreia está marcada para 05 de Fevereiro. Dois penosos meses pela frente.

Bruno Ramos

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Estreias da Semana (3 filmes a ver)

Eis que chegamos a mais uma semana de estreias…

O LADO SELVAGEM

Into The Wild (o título original tem uma força única, que infelizmente a nossa tradução não conseguiu com O Lado Selvagem) é o último filme realizado por Sean Penn (ausente da realização desde The Pledge/A Promessa em 2001). Penn agarrou-se ao livro de Jon Krakauer (com o mesmo título), sobre a premissa verídica, passada nos anos 90, do invulgar percurso do jovem americano Christopher McCandless (soberbamente interpretado por Emile Hirsch), um notável estudante que abandona a sua família e se desfaz das suas posses para se entregar a uma viagem pela natureza, alimentado por sonhos e ideais muito vincados, em busca da felicidade. Pelo seu caminho cruzam-se inúmeras pessoas e com elas vários desafios, que mostram o reverso desta procura incessante do lugar do homem e da vida no seu estado mais puro.

Com estes ingredientes, Penn faz da viagem de McCandless um momento de grande cinema, filmado com uma habilidade notória e captado com uma fotografia única. Encontramos nesta obra uma profunda análise aos vários estádios humanos (onde cito J. J. Rousseau - após a sua consagração evolutiva, o homem é corrompido, e como tal, necessita de regressar ao seu lado mais primitivo e selvagem, para recomeçar tudo novamente), que repensam a evolução do homem, sobre uma ideia de fuga a uma vida vazia de sentimentos, substituídos pelo consumismo familiar. Para além de Emile Hirsch, que é um espanto, destacam-se ainda os secundários William Hurt, Marcia Gay Harden, Catherine Keener e Hal Holbrook, que está nomeado para Óscar de Melhor Actor Secundário, que juntamente com Jay Cassidy (responsável pela montagem) completam as 2 escassas nomeações desta obra, injustamente esquecida pela Academia. Só nos resta ouvir vezes sem conta o tema “Guaranteed” de Eddie Vedder, que ganhou o Golden Globe para Melhor Canção, ainda que a banda sonora inteira (a cabo de Vedder também, refira-se) o merecesse por igual. Um filme obrigatório na sua condição filosófica/humana/artística.

5 / 5 – Magnífico


SWEENEY TODD, O TERRÍVEL BARBEIRO DE FLEET STREET

Sweeney Todd, O Terrível Barbeiro de Fleet Street é o regresso, em boa forma, do mestre Tim Burton, que uma vez mais, filma a grandiosidade de Johnny Depp como ninguém. Burton pegou no conhecido musical de Stephen Sondheim (curiosamente em exibição entre nós) e recriou uma nova versão da história de uma família feliz que é condenada pela cobiça do poderoso juiz Turpin (Alan Rickman), que prende Benjamin Parker (Johnny Depp), afastando-o da sua mulher e filha, para um exílio forçado. Face a este momento nada será como dantes. Desfigurado pela tragédia, Parker regressa anos depois a Fleet Street, pelo nome de Sweeney Todd, e retoma a sua anterior barbearia com a ajuda de Mrs. Lovett (a singular Helena Bonham Carter), usando o seu ofício para perpetrar a sua tão desejada vingança. Mas ao atravessar este pantanoso caminho, Sweeney perde o seu norte e é consumido pelo seu próprio feitiço, arrastando consigo o que mais defendia e quem o apoiou.

Num cenário gótico (a que Burton já nos habitou) e munido de poderoso argumento, Sweeney Todd é um objecto bem conseguido e polido, onde além das fabulosas interpretações dos actores, que aqui se destacam também pela sua representação musical (de salientar ainda os deliciosos minutos com Sacha Baron Cohen), revela-nos sobre uma enorme violência uma realização tremendamente forte, precisamente necessária ao nível do tema que o filme nos pede; essa premissa narrativa, completamente "Shakesperiana", sobre a fatalidade dos caminhos da vingança, que cegam por completo os homens que os percorrem. Tudo funciona num enorme banho de sangue, que é um triunfo visual e narrativo, mas onde também moram alguns pecados, cometidos na pouca força dos secundários Alan Rickman e Laura Michelle Kelly (a mendiga doente), personagens de grande peso, que surgem num registo muito enevoado e disperso. Tirando isso, não sendo uma obra-prima como Burton já nos presenteou, é um filme de grande qualidade, que foi um dos vencedores dos Golden Globes (Melhor Musical e Actor) e que deixa Johnny Depp caminhar com segurança para os Óscares.

4 / 5 – Bom



SEDUÇÃO, CONSPIRAÇÃO

Para terminar, temos mais um regresso – desta vez, o de Ang Lee. O realizador chinês estreia entre nós Lust, Caution, ou no seu original Se, Jie (em português Sedução, Conspiração), um filme polémico (pelas suas ousadas cenas de sexo), que foi o Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza do ano passado. Centrada numa relação amor/ódio, a acção decorre na China, ocupada em 1942 pelo Japão, em plena Segunda Guerra Mundial. Dentro de um grupo de estudantes fervorosos com o seu nacionalismo, a jovem Wong Chia Chi (Way Tang) vai ocupar um lugar privilegiado, ao penetrar no seio da família de um alto funcionário japonês Sr. Yee (Tony Leung), que se encontra no governo chinês, tornando-se uma amiga inseparável da sua mulher Sra. Yee (Joan Chen). Com o propósito de eliminar o inimigo, a jovem torna-se amante de Yee, mas depressa se perdem as linhas entre os sentimentos e a razão da missão, que arrastam a jovem, sob o disfarce de “Sra Mak”, e o Sr. Yee pelos mais inesperados caminhos dentro de si próprios, lugares que desconheciam por completo, minados pelo destrutivo ambiente da Guerra.

Perante um vencedor de um dos mais famosos e aclamados Festivais de Cinema do mundo, é difícil não se reconhecer ou não se apreciar uma obra com um dobro de atenção, previamente injectada pelo peso que comporta. E que Ang Lee monta um arrojado esquema narrativo sobre forma de thriller erótico (quase pornográfico, somente na sua componente sexual) entre duas personagens diferentes, dois lados de uma história, num cenário de luta humana de facção política, é um facto consumado. O que falha o alvo são precisamente as tão badaladas cenas sexuais, mais explícitas porventura como forma expressiva de maior força e ligação entre as personagens; cenas essas que não se integram nem na narrativa nem na personagem principal (a jovem), cujos aspectos problemáticos que a dominam, confessados a terceiros e a si mesma, se demonstram desconectados das imagens transmitidas, que supostamente os deveriam produzir e acentuar – há espaços por celebrar/abominar durante o decorrer da narrativa, que não se encaixam no clímax final, onde o que se pede ao espectador não se concretiza no plano emocional. A juntar a isso temos um ritmo narrativo bastante lento que nem sempre agarra o espectador, o que não facilita num filme desta dimensão temática e psicológica. Em suma, Sedução, Conspiração é uma obra com pontas soltas e outras por aparar, que ainda assim nos abala quer a nível visual como emocional, carregada de uma sublime banda sonora (a cargo do compositor francês Alexandre Desplat), mas que se encontra a vários níveis longe de obras anteriores de Lee, como o genial O Tigre e o Dragão ou o fabuloso O Segredo de Brokeback Mountain.

3 / 5 – Razoável, Interessante

Francisco Silva

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quarta-feira, janeiro 30, 2008

A vida de Harvey Milk.

Estas são as primeiras fotografias de Sean Penn na rodagem de Milk, o próximo filme do realizador Gus Van Sant (Paranoid Park, Elefante). De acordo com a revista Time, Harvey Milk (1930-1978) foi o primeiro homossexual assumido publicamente eleito por sufrágio universal para um cargo político. A longa-metragem está a ser rodada em Castro District, na cidade de São Francisco, e as primeiras imagens dão-nos já a experimentar aquele ambiente retro de qualquer filme situado nos seventies. Apesar de ainda estarmos em plena campanha para este ano, nada nos proíbe de dizer que está aqui um projecto a ter em conta para os Óscares de 2008. Até porque depois de um flop, como foi All The King’s Men, Sean Penn costuma frisar, com uma qualquer brilhante interpretação, que aquilo não passou disso mesmo, um flop. O normal é andar sempre nivelado por cima.

Alvy Singer

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Será uma inspiração?

Não tem sido fácil, nos últimos dias, chegar aqui e falar de cinema, como se nada tivesse acontecido. Já tive oportunidade de o dizer, e sublinho agora, que o impacto duro desta notícia ainda não permitiu reunir as forças suficientes para partir de encontro a um texto tão profundo como o do David Mariano. É certo que se tratam de palavras simples, as do David, mas, são palavras cavadas numa realidade demasiado crua e indesejada. Estamos aqui porque gostamos de cinema. E é pelo cinema que continuaremos aqui. Nada mais do que isso. Um ecrã, uma cadeira, uma fita a correr, uma imagem que não pára nunca.

Se nos quisermos rir só por um bocado, podemos dizer que isto é bem pior do que o final do E.T. e A Vida é Bela juntos. Contudo, é nestes momentos que convém relembrar Monty Python e aquela eterna música de A Vida de Brian. Pode nem sempre ser fácil mas é agora, mais do que nunca, que devemos olhar para o lado bom da vida. Como dizia um mail hoje enviado por um colega que partilha, por um lado, esta tristeza do tamanho do mundo, mas, ao mesmo tempo, uma enorme vontade de dar a volta a tudo isto, Life goes on… So does our work! E é no rumo ao incerto que caminharemos. Poder-se-á mesmo dizer, rumo ao selvagem.

Já agora, por falar em selvagem, Into the Wild de Sean Penn anda por aí a ganhar apoiantes. A adaptação da obra de Jon Krakauer tem sido alvo de alguma atenção, sobretudo depois de ter agradado, e muito, à crítica norte-americana. Um filme realizado por Sean Penn, com o qual não se contava na corrida para os Óscares mas que, agora, parece querer intrometer-se. A história, que levou dez anos a transportar para o grande ecrã, relata a experiência do aluno e atleta Christopher McCandless quando este, após ter terminado os estudos em 1992, doa todas as suas posses, cerca de 24 mil dólares, para caridade, e parte para o Alasca apenas com uma mochila às costas. Diz quem já viu o filme, que esta é uma viagem a não perder. Aqui fica o trailer.

Alvy Singer

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