Deuxieme


Quarta-feira, Maio 21, 2008

Estreias da Semana

INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL

Volvidos 19 anos desde a última aventura, Indiana Jones regressa ao grande ecrã, com todos os ingredientes necessários que sustentam, sem problemas, um filme renovador da saga que recorda de que material é feito um dos maiores heróis da sétima arte.

Tudo começa no improvável deserto do Nevada, em 1957, quando agentes do KGB, dirigidos por Irina Spalko (Cate Blanchett), tomam de assalto um armazém secreto de artefactos e segredos dos EUA, onde pensam estar guardada a lendária Caveira de Cristal de Akator, que esconde um poder paranormal que permite dominar a mente de toda a Humanidade; Jones (Harrison Ford) consegue escapar dos Russos, mas somente para encontrar problemas maiores, como uma pátria que dele desconfia e o investiga, um jovem impetuoso de nome Mutt Williams (Shia LaBeouf) que lhe traz informações importantes sobre o paradeiro da Caveira e da sua lenda e, ainda, o reencontro com um velho amor (Karen Allen) que esconde um factor familiar inesperado; tudo isto em viagem pela América do Sul, em fuga de uma temível URSS sedenta de poder e conhecimento extra… terrestre.

A grandiosidade de uma saga como a de Indiana Jones suscita inúmeros pontos de análise para esta obra, que residem em várias questões a reter. Primeiro, este é um regresso (esperado há anos) que comporta consigo um avanço na história da personagem (o palco da 2ª Guerra Mundial é trocado pela Guerra-Fria), bem como um avanço na visão da concepção do próprio cinema, munido agora de novas tecnologias, e como tal, este novo capítulo encerra em si novíssimos efeitos especiais e um espectáculo visual maior que qualquer filme anterior, ainda que, no entanto, tenha sido filmado numa “old fashioned way”, em alguns cenários materiais e onde Ford se mostra incansável (caramba, ele faz em Julho 66 anos!). Não falamos de superioridade em relação ao passado, mas sim a uma visão diferente e igualmente competente.

Um dos maiores pontos-chave da qualidade deste novo capítulo incide sobre o argumento, a cargo de David Koepp, que concilia a ficção da aventura com os fantasmas de um mundo bipolar (e de uma América às avessas interiormente); a “estória” base que emerge sobre a “história” real daquele período encaixa na perfeição, onde se alia uma questão arqueológica de enorme valor (a enigmática e vital Caveira de Cristal, que é o ponto de partida para Jones) com um interessante olhar sobre uma era de obsessão mundial pelo poder e conhecimento globais, onde não se olha a meios para determinar os fins (a Caveira sobre o prisma de ser “a arma mais poderosa de sempre”, ponto de partida para a URSS). Sobre estas perspectivas, O Reino da Caveira de Cristal encontra-se ao nível de qualquer outra aventura, ao fornecer o melhor que esta saga nos tem trazido: a luta pelo lugar da história (enquanto religião e factor determinante do conhecimento) no seu meio presente, por entre os caminhos fatais da tentação e corrupção que o comum dos mortais toma, ao querer dominá-la para seu benefício pessoal.

E, se olharmos para além da premissa narrativa, o que mais temos? Um herói em constante mutação, ao abrigo das mais inesperadas situações - Spielberg marca nesta realização um tom mais arrastado e pausado, que ao contrário de sugerir “desinspiração”, antes revela espaço para o natural envelhecimento do próprio Indy, presente na frase inicial “não será fácil como antes”, e que é visível nas falhas dos golpes de chicote e alguns tropeções, que se apresentam, de uma forma graciosa, com mais humor no decorrer da acção, ao mesmo tempo que dão margem para que Indy mostre que a sua experiência e sapiência evoluíram decorridos os anos (é só verificar a calma e segurança com que ele lida com a KGB no assalto inicial ou com a descoberta da Caveira, na companhia de Mutt). Para além disto, é irónico olhar para Indy e ver nele as mesmas atitudes e expressões que o seu pai Henry (Sean Connery, presente na Grande Cruzada) tomava, e que ele prontamente criticava – afinal, Indy já é pai, o legado continua e por isso é necessário “educar” a mente de Mutt / Henry Jones III para o “mundo” (tal como já vimos na anteriormente referida Grande Cruzada, e que seria um excelente mote para uma próxima aventura).

Com uma demanda tão importante, a nova aventura de Indiana disponibiliza soberbos momentos de acção – sejam eles em Nevada ou nas florestas da Amazónia, em motas ou camiões, com pistolas ou espadas, em terra ou numa cascata – que nos fazem viver grandes momentos de adrenalina. Há espaço para tudo: formigas que devoram homens, caveiras com poderes sobrenaturais, templos repletos de artimanhas, estações nucleares que rebentam ou o contacto com a vida extra-terrestre (tão bem captada pelo medo global da época em questão, alimentada pelo pânico dos óvnis e da existência de outros seres sobrenaturais, hoje verdadeiros produtos da cultura popular). Toda a estória é perfeita e destaca-se das anteriores, uma vez mais, pela originalidade e pela força do seu próprio “mistério” presente no centro da narrativa, ponto fulcral patente na questão final quando Indy refere que “não quer ir por aí” face a uma descoberta excepcional, pois há coisas maiores que a vida e para lá do mero conhecimento empírico; “coisas” como a Arca da Aliança, as Pedras de Sankara ou o Santo Graal.

Apesar de tudo isto, é inevitável referir que este é o capítulo mais fraco de toda a saga – o que também não é difícil, tendo em conta que os 3 primeiros filmes são absolutamente notáveis e irrepreensíveis. Por fraco, eu entendo que não contém, por exemplo, o ritmo e suspense sufocante dos Salteadores, não mergulha numa escuridão tão mística e aterradora como a do Templo Perdido e, por fim, não recupera um reencontro familiar tão intenso como a Grande Cruzada proporciona. A juntar ao facto de Cate Blanchett estar pouco aproveitada (queríamos mais de uma actriz tão brilhante, sobretudo num registo tão único como este – é uma vilã magnífica), de os Russos não possuírem a força e malvadez que os Nazis mostraram deter noutras núpcias, bem como ainda é de notar alguma falta de carisma de Shia LaBeouf (que aguardamos que seja trabalhada nos próximos filmes), e existem ainda poucos momentos de Karen Allen; ambas as personagens necessitavam de uma presença ainda mais forte que a prestada. No entanto, o elenco funciona bastante bem, e a banda sonora de John Williams torna a recuperar os temas tão conhecidos, e dá elegância e força às cenas. São estes os únicos pontos que não permitem que se possa elevar a obra a valores máximos, pois de resto está lá tudo - absolutamente tudo - e com uma mente ainda mais aberta entre a fantasia e a realidade.

Bem vistas as coisas, este filme acaba, de certa forma, por condensar as fórmulas de todos os anteriores, e reinventa o mapa mundial e a própria personagem. O que é (foi) um risco, diga-se. Felizmente que Spielberg não perdeu mais tempo e tomou-o. O resultado é uma fabulosa viagem pelo género da aventura, onde encontramos todas as bases de um cinema americano clássico, que não desaponta e nos relembram que ninguém filma o mundo da acção e as paisagens da aventura como o genial Steven Spielberg. Cito e saúdo o Vasco Câmara, quando diz que “este chapéu só lhe serve a ele: Indiana Jones”.

Ford (que na opinião de Roger Ebert - e na minha - tem um rosto como o de Robert Mitchum – não envelhece, só engradece) revela ter voltado a vestir a pele desta personagem para recuperar "a arte de contar histórias" e "dar a conhecer em ecrã grande, que é onde se devem ver filmes, esta personagem a uma geração que só conhece Indiana Jones em DVD". Não posso concordar mais com esta afirmação, como em simultâneo duvido que pudesse estar muito mais contente com um filme como este. Um óptimo regresso, que já fazia falta para meter na ordem todos os infiéis e medíocres copiões do género. Como este não há mais nenhum.

4 / 5

Francisco Toscano Silva

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Terça-feira, Maio 20, 2008

EASTWOOD, GRAY E POLANSKI


Comédia romântica, algo negra e inesperada são os melhores adjectivos para definir Two Lovers, de James Gray (Nós Controlamos a Noite). Depois de uma tentativa de suicídio por mal de amores, o depressivo Leonard (Joaquin Phoenix), regressa a casa dos pais em Brooklyn para descansar. Não perde tempo inicia uma desfavorável relação com a vizinha Michelle (Gwyneth Paltrow), um mulherão que anda enrolada com o patrão, um homem casado; e conhece Sandra (Vinessa Shaw), a adorável filha do novo sócio do pai, que parece ser o porto de abrigo ideal. Como quase todos os insatisfeitos e fartos de amar, a tendência é para o abismo e complicação, mas felizmente Leonard acaba por encontrar o caminho certo. Depois de três intensos thrillers policiais (Viver e Morrer em Little Odessa, Nas Teias da Corrupção e Nós Controlamos a Noite), o clássico James Gray, é no mínimo surpreendente com este rápido regresso à Competição, de um ex-argumentista tornado realizador, neste drama agridoce. E novamente com Joaquin Phoenix, um dos seus actores favoritos, e o centro nevrálgico desta bela e insólita história de amor, ainda que vagamente inspirada em Dostoievsky e nas Noites Brancas. Um regresso também aos seus decors habituais entre os bairros Brighton Beach e Brooklyn, de Nova Iorque, locais que marcam quer as origens sociais, quer a natureza intrínseca dos seus personagens, determinando ainda os seus destinos como nos violentos filmes anteriores. Curiosamente o mesmo acontece em Two Lovers, um drama romântico moderno, uma bela história de amor, e a difícil escolha entre o coração e a razão deste homem atormentado, dividido entre duas mulheres completamente diferentes, mas que são decalcadas das personagens femininas e maternais dos filmes negros anteriores do cineasta.
Clint Eastwood não consegue fazer maus filmes mas este The Exchange - e não Changeling com o foi anunciado – está um bocadinho longe das obras anteriores do realizador, talvez pelo regresso a um tema que já não é uma novidade na sua obra (Mystic River). É na verdade um tema recorrente, está na ordem do dia e é tratado com a sua habitual sensibilidade: o rapto de crianças e a pedofilia. Falta no entato o toque de génio que Eastwood quase sempre nos habitou. O filme é equilibrado e inspirado em factos reais passados nos finais da década de 20 em Los Angeles. A bela Angelina Jolie brilha na interpretação da pobre mãe que não se resigna à má condução das investigações da LAPD, para recuperar o seu filho desaparecido e trocado por outro. Roman Polanski: Wanted e Desire é um belíssimo documentário de Marina Zenovich, produzido pela Weinstein Company e pela HBD, que descasca todo o longo e complicado processo de acusação por abuso uma menor (Samantha Geimer) a que esteve sujeito o cineasta e que ainda hoje lhe impede de regressar aos EUA. No documentário que redime dalguma forma Polanski estão registados vários depoimentos: advogados, procurador, amigos próximos do cineasta e de outras pessoas envolvidas no processo, inclusive da própria Samantha Geiner, hoje com 45 anos que assume publicamente o perdão ao ilustre cineasta, radicado agora em França.

Segunda-feira, Maio 19, 2008

MIGUEL GOMES: 'AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO'


O realizador português estreia na quarta, 22, em plena 40ª Quinzena dos Realizadores em Cannes, o seu novo filme sendo o único representante nacional numa das competições. O Deuxieme já viu o filme, gostou muito e falou com o realizador.

Aquele Querido Mês de Agosto era para ser uma produção muito maior, mas acabas-te por trabalhar com uma equipa muito pequena…
É verdade. Havia um argumento e um calendário de produção a cumprir em Agosto de 2006 com uma equipa de vinte a trinta pessoas. Tivemos que cancelar a rodagem por problemas de financiamento. Havia uma lista de figurantes que nunca mais acabava, a ideia de reconstituir lugares e festas de aldeia que se passam habitualmente em Agosto, naquela região de Arganil. Havia músicos e músicas já escolhidas, e locais que se enquadravam com as personagens. A história girava à volta dos elementos de uma banda que animava os bailes da região. Entretanto consegui arranjar algum dinheiro e propus à produção retomar o filme nas minhas mãos filmando as festas com uma equipa de 5 elementos. Achei interessante começar a rodar pondo completamente de lado o argumento...e só mais tarde voltar a pegar nele.

O projecto inicial inspirava-se na figura do Dino Meira?
Não. O título do filme foi efectivamente roubado a uma canção do Dino Meira. Aliás esse universo da música ligeira e das músicas de baile é em parte o tema de Aquele Querido Mês de Agosto.

Há como que uma relação entre a ficção e o documentário. É uma fórmula que tu vais assumir nos teus filmes?
Não sei, pois quando faço um filme, tenho a tendência para escolher sempre algo de diferente. Neste momento até estou a pensar fazer um filme com actores profissionais, que é o oposto deste que vive das improbabilidades em que para além de trabalhar com actores não profissionais tínhamos que nos adaptar àquilo que estivesse a acontecer no momento. Se determinado baile tinha muita gente, se as pessoas iam gostar ou não, se iam atirar latas de cerveja para o palco.
Para não profissionais, tens actores muito bons e uns diálogos geniais. Como os encontraste?
Na primeira metade do filme há uma série de pessoas que vão aparecendo para a contar as suas histórias com num inventário de coisas de Verão e daquela terra, como o Paulo Moleiro. Depois o tal realizador que sou eu é pressionado pela produção: “tens de arranjar actores para fazer o argumento”...e até o director de produção acabou por trabalhar como actor do filme. É aliás um dos protagonistas.
E os outros actores?
No filme há um lado de verdades e outro de mentiras. Não queria revelar tudo. Mas no caso do casting por exemplo, o Hélder (Fábio Oliveira) e Tânia (Sónia Bandeira), a vigia, já tinham sido escolhidos quando filmávamos a primeira rodagem que corresponde à primeira metade do filme. Nessa altura aproveitámos para procurar actores... filmámo-la na torre de vigia como se ela tivesse sido encontrada como os outros e ele no ringue de hoquei. De facto, ele joga hóquei no clube, de Oliveira do Hospital. No caso do pai do rapaz, o Celestino (Manuel Soares) e do outro o Gomes (Armando Nunes), quando os filmámos naquele diálogo nem eles, nem nós sabia-mos que iam ser contratados para fazer os papéis que tinha-mos escolhido para eles.

Aquele querido mês de Agosto é um bom retrato do ‘país pimba’?
Não gosto muito dessa ideia do pimba. As músicas escolhidas para o filme podem ser um bocado pirosas, mas há sempre qualquer coisa nelas porque as pessoas gostam e quem as canta leva-as muito a sério. Depois, relativamente ao retrato de Portugal, há um amigo meu disse que fiz um filme, que é uma espécie de colectânea de um Portugal que não existia. Não sei se aquele Portugal existe ou não existe, mas a realidade é toda tão vaga... como por exemplo, quando entrei numa das aldeias e estão duas dançarinas do ventre a dançarem à minha frente.

O GRANDE OLIVEIRA


Estou muito contente por ter recebido finalmente uma Palma de Ouro. Acreditem que é a mesma sensação de receber este prémio em competição com os meus colegas realizadores, foram as palavras simples, do mestre Manoel de Oliveira, no seu discurso de agradecimento pela homenagem que o Festival de Cannes lhe prestou no Dia da Jornada da Europa. O Auditório Lumière estava a abarrotar e a cerimónia foi presenciada pelo Presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso. Soraia Chaves, Nicolau Breyner, Filipe Duarte, as estrelas do ano do cinema português, além de Ricardo Trepa e João Bénard da Costa, o presidente da Cinemateca Portuguesa, estavam na comitiva que dalguma forma veio aqui promover o cinema nacional, além de apoiar o mestre. Associaram-se à homenagem ainda o Júri da Competição presidido por Sean Penn, numa que deu lugar a duas projecções: Um Dia na Vida De Oliveira, uma montagem de entrevistas e discursos, feita por Gilles Jacob, o presidente do Festival e Douro Faina Fluvial (1931), a primeira obra de Manoel de Oliveira.

Domingo, Maio 18, 2008

INDY E A CHUVA NAS ESTRELAS



A chuva e o mau tempo surpreenderam Cannes com um fim-de-semana bastante molhado e fresco. As starletes, ‘mulheres do outro mundo’, sempre à procura de uma oportunidade, passeavam um pouco mais tapadinhas que o costume e de guarda-chuva em punho. A propósito de belas mulheres, já que um homem ama várias, melhor é levá-las todas para sua casa. Este é o mote da nova comédia de Woody Allen, intitulada Vicky Cristina Barcelona, num regresso a velhas histórias, problemáticas do amor e geniais diálogos, num bilhete turístico-cinematográfico de Barcelona e Oviedo, interpretado magistralmente por Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz e Javier Bardem.
O Brasil é apesar da sua grandeza um país suspenso e falhado tal como as personagens de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. É um belo filme que tem como pano de fundo o futebol para contar a história de quatro irmãos que tentam fazer pela vida de maneiras diferentes: Reginaldo, o mais jovem procura desesperadamente saber que é o pai; Dario sonha com uma carreira de futebolista mas aos 18 anos mas nunca teve oportunidade de jogar num grande clube; Dinho refugia-se na religião evangelista e Denis ganha dificilmente a vida como estafeta de moto; a mãe Cleusa quarentona e fanática do Corinthians está outra vez grávida e não sabe que é o pai.
Na caravela da Boa Esperança,­ ­uma réplica de época que viajou de Portugal com o apoio da Algarve Filme Commission, foi apresentado Amália, o primeiro projecto da VC Filmes, a nova produtora e distribuidora nacional, que começa a rodar em Junho pela mão de Carlos Coelho da Silva (O Crime do Padre Amaro). A dar o rosto de Amália estará a jovem actriz quase estreante, Sandra Barata Belo, que para além de ser linda é parecida com a fadista e promete vir a ser uma grande revelação.
Saí agora do visionamento de Indiana Jones and the Kingdom of the Cristal Skull, um tanto desiludido. Será que foram precisos 19 anos para isto, um eficaz jogo de vídeo e uma aventura ligeira que termina com os actores a olharem para os efeitos especiais, num cruzamento de Indiana Jones com os Encontro Imediatos do 3º Grau. Lugares comuns, aventura burlesca e sem magia de outros tempos é o máximo que se pode dizer deste último da sequela. Sean Connery fez bem em rejeitar o papel do pai Jones, ao passo que Shia Labeouf não tem o carisma de River Phoenix ou de Harrisson Ford para dar continuidade à aventura.

Receio que nem os fans de outrora se vão identificar com este Indiana Jones e às novas gerações também não vai dizer muito.

Sexta-feira, Maio 16, 2008

The Best of... Elliot Goldenthal

Os visitantes da Deuxieme elegeram American Beauty como sendo a melhor banda sonora de Thomas Newman. O próximo film-composer que proponho observar é o nova-iorquino e já vencedor de um Oscar por Frida, Elliot Goldenthal. Estudou com Aaron Copland, um dos maiores importantes compositores eruditos norte-americanos. Goldenthal é, em minha opinião, responsável por uma autêntica obra-prima no mundo das bandas sonoras. Refiro-me ao filme Alien 3 onde o compositor recorre a um trabalho de orquestração experimental mas absolutamente genial. Toda a qualidade da sua escrita pode ser ouvida não apenas na música para cinema, mas também no seu repertório para as salas de concerto. Aqui destaco o ballet Othello e especialmente a Oratória Fire, Water, Paper: A Vietnam Oratorio, entre outros. Para elegerem a vossa banda sonora favorita, podem ver aqui uma lista completa das suas composições.



Bernardo Sena

Quinta-feira, Maio 15, 2008

CANNES BRANCA

A alegoria sobre a cegueira branca, de José Saramago, adaptada ao cinema por Fernando Meirelles em "Blindness", e que abriu ontem o Festival, deixou para já uma visão algo pálida e traumática na maioria da crítica e dos espectadores. De facto, não é fácil pegar na obra de Saramago e transpô-la para o ecrã. Depois de muitos test screenings e remontagens, assumidas pelo realizador, "Blindness" é, para já, um filme incompreendido, a menos que se volte a mexer-lhe. Tem momentos maravilhosos, como uma certa sequência da dança da chuva e as do caos da quarentena - que se transforma numa verdadeira Sodoma e Gomorra com Gael Garcia Bernal como o mau-da-fita - mas tem outros menos felizes que engasgam a narrativa: a inevitável voz off de ligação é algo irritante (mesmo sendo a de Danny Glover) e depois porque o realizador não consegue convencer-nos do pavor apocalíptico da praga que leva ao caos total, a verdadeira essência e a grande força do romance do Nobel da literatura portuguesa. Mesmo assim a névoa leitosa da praga não serve para desvirtuar uma abertura com muita elegância e muita expectativa, digna de uma competição de alto nível, com um filme que talvez venha ser valorizado com justiça daqui por uns anos, e onde brilha uma Julianne Moore, interpretando curiosamente a única personagem que nunca perde a visão e a noção daquela assustadora realidade.

Afinal o argentino Pablo Trapero, já não é propriamente uma revelação, é sim aqui na Competição em Cannes, com este Leonera, a sua quinta película, em que a sua mulher, a actriz Martina Gusman (Julia), interpreta o papel principal de uma jovem universitária que mata o namorado e é condenada a uma pena numa prisão de mulheres em Buenos Aires. É um filme realista e de alguma dureza, onde se destacam também as interpretações do brasileiro Rodrigo Santoro e da cantora Elli Medeiros.

Hoje abre a Quinzena dos realizadores com 4 Nuits avec Anna, do realizador-pintor polaco Jerzy Skolimowski, há muito afastado dos filmes e que regressa com uma história intimista e alegórica sobre o universo mental de um homem, uma obra curiosamente produzida por Paulo Branco.

José Vieira Mendes (em Cannes)

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Novas imagens a descobrir

O Verão aproxima-se e com ele mais uma bela fornada de cinema. Aqui vos deixo 3 trailers de obras que esperamos com entusiasmo (Hellboy II), curiosidade (Hulk) e busca da verdade (Ficheiros Secretos), mas ainda que cientes de possíveis desilusões. Certo é que Hulk tem pontos para ganhar, mas só se apostar na transformação de novos caminhos para a personagem, pois o resto ninguém o fez melhor que Ang Lee (num filme tão injustamente maltratado) e as primeiras imagens parecem "bater" um pouco no ceguinho, ainda assim tem bom aspecto; quanto aos Ficheiros Secretos, existem muitas respostas para dar e esperemos que a trama não cresça de mais e perca o seu rumo... e para finalizar, Hellboy parece estar em máxima força para uma aventura ainda maior. Sem mais demoras, comecemos por...


The Incredible Hulk


The X-Files: I Want to Believe


Hellboy II: The Golden Army

Primeiras impressões, caros leitores?

Francisco Toscano Silva

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Quarta-feira, Maio 14, 2008

CANNES 2008 INSPIRA-SE EM LYNCH


O cartaz e a identidade visual do 61º Festival de Cannes, que se realiza a partir de hoje e até 25 de Maio próximos, inspiram-se numa fotografia de David Lynch e no filme Mulholland Drive. Esta é mais uma homenagem do Festival a um dos seus autores de elite, recriada pelo designer Pierre Collier, que concebeu a partir do cartaz todo um ambiente gráfico, que se destaca junto dos locais, edifícios, hotéis de luxo, salas de cinema, Palácio dos Festivais, a sede por excelência do evento e ao longo de toda a Croisette, a marginal junto ao mar.
Começaram por ser vinte os filmes seleccionados para a Competição Oficial, mas já depois do anúncio, inesperadamente Blindness, do brasileiro Fernando Mereilles, numa adaptação do romance Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, vai fazer as honras da abertura, carregado de estrelas internacionais como Jullianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover e Gael Garcia Bernal. A Competição espera-se renhida e dificil para o júri presidido por Sean Penn, já que entre os cineastas a concurso estão veteranos como Clint Eastwood (Changeling), Steven Soderbergh (Che), Wim Wenders (Palermo Shooting), os irmãos Dardenne, (Le Silence de Lorna) que já ganharam duas Palmas de Ouro e revelações como Charlie Kaufman (Synedoche, New York), Lucrecia Martel (La Mujer Sin Cabeza), entre outros autores do mundo, já que Cannes é a maior mostra de cinema dos cinco continentes. Fora da competição Woody Allen vai dar um ar da sua graça com o seu último Vicky Cristina Barcelona, o filme que aparentemente ligou Penélope Cruz e o oscarizado Javier Bardem.
Cannes Classics 2008, um evento paralelo dedicado à apresentação de velhos filmes em cópias restauradas, tem este ano lugar sob o signo de Manoel de Oliveira, ao qual o Festival vai prestar uma vibrante homenagem pelo seu 100º aniversário, apresentando a sua primeira obra Douro, Faina Fluvial (1931, 18’).
Por ocasião das comemorações dos 40 anos da Quinzena dos Realizadores, outra competição paralela, que tem procurado uma certa tendência vanguardista nas suas apresentações, foi seleccionado Aquele Querido Mês de Agosto, do realizador português Miguel Gomes, um filme rodado durante os verões de 2006 e 2007 e que nos dá um excelente retrato do interior e do Portugal de hoje, no mês em que os imigrantes regressam às suas origens.
Uma longa maratona de 11 dias de cinema, ao qual se juntam à Competição outras mostras paralelas (competitivas e não competitivas) como Um Certain Regard, Sessões Especiais, Curtas-Metragens, Cinefondation, Cinéma de La Plage, Semana da Crítica e algumas projecções especiais como Indiana Jones and Kingdom of the Crystal Skull, de Steven Spielberg, o documentário Maradona by Kusturica, de Emir Kusturica, ou What Just Happened, de Barry Levinson, com Bruce Willis, Robin Wright-Penn e Sean Penn, como filme de encerramento. Aguardada também com muita expectativa, é a Leçon de Cinéma, que terá lugar a 22 de Maio, este ano a cargo de Quentin Tarantino.

José Vieira Mendes (em Cannes)

Em contagem decrescente...

Nada melhor do que começar o dia a falar de Indiana Jones. É já no próximo dia 22 que o Professor (em part-time, recordam-se?) irá mostrar as suas novas aventuras, e como tal, para abrir o apetite (uma vez mais), deixo-vos os dois novos trailers, que nos prendem por completo ao ecrã e nos fazem ter vontade de ser Deus para apressar o tempo que falta até ao conforto de uma cadeira e duas horas de "Indyagem".

Novo trailer 1


Novo trailer 2

Francisco Toscano Silva

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Este filme não é para... eleitores?

Aqui temos a primeira imagem de "W.", o novíssimo filme de Oliver Stone, que se vai centrar na vida de uma dos mais mediáticas figuras mundiais da actualidade: O Presidente dos EUA, George W. Bush (na imagem acima temos Josh Brolin, estupendamente caracterizado). Num interessante artigo da Entertainment Weekly (que se pode ler aqui), temos conta de que a polémica já se encontra instalada, seja pelos aventurosos saltos de reescrita do guião, seja, sobretudo, pelo simples facto de falar de Bush.

Crítico e irónico, verdadeiro ou falso, Oliver Stone já demonstrou, ao longo das últimas décadas que sabe colocar o dedo na ferida. A que pergunta que se impõe é: o que se pode esperar de uma nova incursão cinematográfica no mundo da política? De que forma se torna este objecto num momento decisivo em futuras eleições nas terras do Tio Sam? Qual o poder do cinema sob os alicerces da política mundial? Temos muita matéria para discutir até ao final deste ano (onde se aguarda a estreia).

Francisco Toscano Silva

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