Deuxieme


sábado, janeiro 31, 2009

Revolutionary Road.

Certos filmes dão para dois dedos de conversa. Outros, para uma tarde inteira que se prolonga pela noite dentro. No entanto, só alguns têm a capacidade de alimentar um diálogo para toda a vida. Revolutionary Road é um desses títulos. Duas semanas depois, os danos colaterais do filme de Sam Mendes continuam por averiguar. Os relatórios preliminares falam em devastação completa. Não devem estar longe da verdade. A adaptação do romance de Richard Yates atropela-nos sem piedade, qual Boeing 747 prestes a descolar – a alegoria, carecida de qualquer perspectiva idílica, pretende apenas atestar a crueldade da narrativa. Este é, ao mesmo tempo, o melhor e o pior filme para ver num first date. O melhor, porque podemos provar logo ali, in loco, que aquilo que vemos no grande ecrã não passa de um relato de tempos idos. Em pleno século XXI, já não existem dramas como este nos subúrbios. O pior, porque deve ser o mais próximo que existirá de olhar para uma bola de cristal. Tal como a obra de Yates, o filme de Mendes toca num ponto sensível. Demasiado sensível. E, no plano da relação que conduz o filme, Mendes tem o cuidado de preservar sempre uma via de identificação com as personagens. No inicio da obra, recorde-se, Frank e April são apenas dois jovens numa festa. A mais comum das condições, numa grande cidade norte-americana do pós-guerra. A partir daí, o sonho torna-se real, e começa o descalabro. A crítica ideal deveria ser um mero diagnóstico, desprovido de qualquer ensaio ou razão resultante da experiência. Uma análise fria e distante, de todos os elementos que compõem a mise en scène, da adequabilidade da banda sonora, e da precisão das interpretações. Um texto onde não entram concepções particulares sobre o rumo dos acontecimentos. Com Revolutionary Road levantam-se obstáculos a essa tarefa. Seja no trabalho intocável de Sam Mendes, no desempenho soberbo do leque principal de actores, na fotografia cuidada de Deakins, na banda sonora extraordinária de Thomas Newman, ou na direcção artística perfeccionista de Debra Schutt, Revolutionary Road entra pela porta grande nos anais da História da Sétima Arte. A Academia de Hollywood esqueceu-se dele, e de muitos que nele intervêm. Uma observação mais pormenorizada ao filme poderá ser encontrada no próximo número da revista. Neste texto, este que se assina gostaria apenas de sublinhar que, até ao momento, este é o filme do ano. E, tem o melhor final de qualquer película, desde Uma História de Violência (David Cronenberg, 2005).

Bruno Ramos

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Zake and Miri Don't Make a Porno.

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Segundo Madonna, má publicidade é coisa que não existe. E, neste momento, ninguém melhor do que Kevin Smith para tirar isso a limpo. Hoje, o realizador de Clerks será a pessoa indicada para avaliar até que ponto o conceito de má publicidade não passa de uma mera invenção. Depois de algumas cidades dos Estados Unidos terem rejeitado posters do seu mais recente filme, Zack and Miri Make a Porno, agora é vez da conceituada cadeia de super-mercados Wal-Mart vir dizer que só venderá Dvds da obra, se a palavra Porno for retirada da capa. Esta é a mesma superfície que, no seu interior, comercializa armas de fogo. Smith, argumentista e realizador da película, já reagiu.

"I'm just so shocked that the word 'porno' meant that much to people in terms of, like, they found it insanely offensive and don't want to see it on display. I mean, at least with the word 'porno' in the title, you can kind of give people a warning about what they're in for".

Apesar de não ter sido por muito, Zack and Miri Make a Porno ultrapassou Dogma (1999), como o filme de maior sucesso nas bilheteiras, na carreira do cineasta Kevin Smith. Por cá, o filme teve estreia marcada para 19 de Fevereiro – tivesse o adiamento sido anunciado um dia mais tarde, e ainda apareceria a antestreia no próximo número da Premiere. Hoje, é como se não existisse. Nem sequer uma previsão. Desapareceu do mapa. Resta esperar pelo seu regresso. Até agora, na lista com as datas, tem aparecido sempre com o título original. A ver vamos, o que a tradução a dizer sobre este vocábulo.

Bruno Ramos

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Gigantic - Poster.

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Um título que respira indie por todos os poros, com dois dos actores mais acarinhados do momento pela indústria de segunda linha. Paul Dano e Zooey Deschanel. Se, Paul Dano (There Will Be Blood) já era menino para prender a nossa atenção, neste momento, tudo o que venha com o nome de Deschanel atrás é motivo de interesse. Podemos dizer que temos uma nova paixoneta. E, estes dois nomes, associados ao de John Goodman, fazem com que Gigantic seja mais um dos títulos a acompanhar de perto. Agora, a probabilidade disto estrear por estas bandas, num futuro próximo, é praticamente nula. Residual, no melhor dos cenários. Escrito e realizado pelo estreante Matt Aselton, o filme relata as vivências de Brian (Dano), um vendedor de mantas e cobertores, que, durante um processo para adopção de uma criança chinesa, se apaixona por uma rapariga, de seu nome Happy (Deschanel). Pelo meio, um sem-abrigo anónimo tenta matá-lo. Plot, um tanto ou quanto, peculiar. Como a gente gosta.

Por agora, ainda só existe um poster para entreter-nos. O filme tem estreia limitada marcada, nos Estados Unidos, para 03 de Abril. Até lá, aguardamos pelo trailer. Uma coisa é certa. O amarelo combina com Paul Dano.

Alvy Singer

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Jacuzzi.

A banhos com Wolverine, no dia em que a Fox revelou o novo teaser poster.

Alvy Singer

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Annie Awards.

Por esta é que não esperávamos. Kung Fu Panda deu um golpe… de Kung Fu, a Wall-E, e todos os restantes, na edição dos Annie Awards. O filme de Mark Osborne e John Stevenson bateu, inclusive, o recorde de nove estatuetas de Ratatouille. Com dez galardões, Kung Fu Panda só perdeu em categorias que também ganhou. Isto é, só em categorias onde tinha mais de uma nomeação. O filme de Andrew Stanton, por sua vez, saiu de mãos a abanar. Estamos em crer que, a 22 de Fevereiro, o filme da Pixar sorrirá por último, e melhor. No entanto, não deixa de ser espantoso que, a menos de um mês dos Oscar, depois de Wall-E já ter ganho em alguns círculos de críticos o título de Melhor Filme do ano, Kung Fu Panda limpe os prémios mais importantes do mundo da animação. Desde 2001, ano em que Academia de Hollywood instituiu a categoria de Melhor Filme de Animação, apenas por uma vez os dois vencedores não coincidiram. Em 2006, os Annie foram atrás de Cars. A AMPAS de Happy Feet. Esperemos que este ano, mais uma vez, a Academia escolha com prudência. Aqui fica a lista completa com os nomeados e vencedores dos Annie Awards deste ano.

Bruno Ramos

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Stephenie 'J.K. Rowling' Meyer.

Se passearmos pelos corredores da Fnac, por estes dias, constatamos que Stephenie Meyer chegou, viu e venceu. Em abono da verdade, nem é preciso ir à loja. Basta ir ao site, olhar para o top de livros mais vendidos, e verificar que Eclipse, Lua Nova e Crepúsculo ocupam as três primeiras posições. O primeiro livro da saga Luz e Escuridão, cuja adaptação ao grande ecrã já passou por cá, encontra-se em terceiro lugar. Cabe ao terceiro capítulo, Eclipse, que deverá ter direito a uma adaptação ao Cinema lá para finais do próximo ano, a honra de liderar o top. Lua Nova chegará às salas norte-americanas a 20 de Novembro deste ano, e está na segunda posição. Parece que o fenómeno chegou a terras lusas. Terá sido o filme de Catherine Hardwicke a provocar este assalto às prateleiras das livrarias, ou isto não passa de um boca-a-boca à escala mundial, em todo o seu esplendor, à bela maneira de Harry Potter? De notar também que, quase sem darmos por ele, sossegado no seu canto, em sexto lugar deste mesmo top, está o conto de F. Scott Fitzgerald.

Bruno Ramos

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Quando a rodagem deste filme terminou, ainda não existia Technicolor.

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Há filmes que têm um parto difícil, e só parecem lá ir de cesariana. Crossing Over é um deles. As primeiras informações sobre uma data de lançamento, avançadas pela USA Today, diziam que o filme de Wayne Kramer deveria chegar às salas norte-americanas em Novembro de 2007. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia seria a 22 de Agosto. E, assim ficámos, à espera que o filme saísse sob o sol quente de Verão. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia seria a 24 de Outubro. E, assim ficámos, à espera que o filme saísse sob o sol frio de Outono. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia passaria para 2009. No inicio, sem uma data definida. Agora, parece que será 27 de Fevereiro. Até quando esse dia se manterá, é uma incógnita. Até porque já circulam por aí rumores de que o lançamento pode ter sido adiado novamente para Agosto deste ano. Esperemos que isto não seja obra de engraçadinhos, sem nada de verdadeiramente útil para ocupar o tempo.

Agora, caramba, será assim tão complicado fazer com que um filme com Harrison Ford, Ashley Judd e Ray Liotta chegue às salas? Já vimos este título com melhor cara. O LA Times chegou a considerá-lo um dos dez mais antecipados de 2008. Houve até quem já lhe chamasse Crash 2. No entanto, após tanta indefinição, é inevitável não suspeitar de que o embrulho pode esconder um embuste de todo o tamanho. E, a história com Sean Penn, cheira mal como tudo. Por enquanto, vamos acreditando que esta é uma obra com potencial. Os actores envolvidos têm créditos firmados, os produtores já nos deram películas memoráveis, e o plot parece ter pernas para andar. Realizado por Wayne Kramer (The Cooler, 2003), o filme conta com um elenco catita: Harrison Ford, Ray Liotta, Ashley Judd, e Alice Braga. O enredo, aparentemente em estilo mosaico, segue diferentes imigrantes à procura de um visto para viver nos Estados Unidos. Documentando as dificuldades de tal processo, o filme explora o atravessar da fronteira, fraudes administrativas, naturalização, trabalho forçado, gabinetes contra-terrorismo e o choque entre culturas.

Choque esse que já começou, fora do grande ecrã, quando Trita Parsi, presidente do National Iranian American Council, manifestou preocupação relativamente à imagem dos imigrantes nativos do seu país que o filme poderia passar. Resultado, pequenas alterações no argumento. Algumas reuniões foram suficientes. Os irmãos Weinstein respiraram fundo. Em jeito de curiosidade, referir apenas que este é o regresso de Wayne Kramer a este tema. Em 1996, já tinha abordado o problema da imigração numa curta-metragem com o mesmo título. Contudo, mais importante que tudo isso, a determinada altura, Sean Penn esteve associado ao projecto. A razão que motivou o seu abandono foi simples. Penn não gostou da maneira como um iraniano foi caracterizado no filme, depois de ter assassinado a própria irmã, num ‘homicídio de honra’. Parece que Penn pediu que as suas cenas, que também não duravam mais do que dez minutos, fossem retiradas. Num primeiro momento, toda a gente rejeitou. E, todos tiveram direito a um final cut, para ver se a coisa ficava com um ar apresentável. Kramer, Harvey Weinstein, Frank Marshall, e até Harrison Ford, entraram na sala de montagem, à vez, para editar o filme. No final, disseram qualquer coisa como "Dane-se mas é o Penn". E, assim desapareceu o actor do filme. O Hollywood Elsewhere abordou este tema em Novembro. Enfim, hoje ficámos a conhecer o poster. O trailer, mais abaixo, já tinha aberto o apetite. No entanto, após tanta confusão e tantos adiamentos, gostávamos de permanecer tolerantes, mas começa a ser complicado. O filme ainda não chegou, e já estamos com vontade de lhe dar um açoite. A ver se ele se porta bem daqui para a frente.

Bruno Ramos

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sexta-feira, janeiro 30, 2009

Questionário Proust.

Terceira questão da sessão de perguntas e respostas, com Dustin Hoffman, na Vanity Fair.

"Which living person do you most admire?
The Portuguese director Manoel de Oliveira, who is 100 years old and still working".

Alvy Singer

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2008.

Ainda não vimos todos os filmes presentes neste vídeo – faltam poucos. No entanto, podemos garantir que, até agora, 2008 não envergonha ninguém. Um ano luminoso, com filmes que vão onde Buzz Lightyear aconselha. Mais além. Cada um de nós terá as suas preferências. Todos os prémios do mundo não valem uma obra que ganhe a nossa real afeição. No final, resume-se a isso. Nada mais. Os melhores do ano são aqueles que nos tocam. Esta montagem mostra apenas algumas das obras pelas quais nos apaixonámos este ano. Com algumas delas, porque a monogamia no Cinema é coisa que nunca foi instituída, casámos para toda a vida.

Alvy Singer

Insistir na mesma tecla.

Não dedicámos, neste recanto da blogosfera, uma única linha que fosse às notícias que davam conta de um remake de Bonnie & Clyde (Arthur Penn, 1967). Não temos por hábito dar relevância a piadas de mau gosto. No entanto, parece que isto não pretende ter graça, mas sim ser uma tremenda infelicidade. Tonya S. Holly (When I Find the Ocean) será a cineasta no comando das operações, encarregando-se da realização e argumento. Contudo, segundo Holly, a obra não se baseará no clássico de Penn, mas em notícias do tempo da Depressão, sobre o duo, que a realizadora encontrou numa casa abandonada, propriedade da sua família. Os actores também já estão escolhidos. Kevin Zegers (Transamerica) e Hillary Duff (The Perfect Man). Escusamo-nos a tecer qualquer comentário sobre o casting. Preferimos deixar as impressões, segundo o Chicago Sun Times, de Faye Dunaway.

Couldn't they at least cast a real actress?”.

Toma que já almoçaste.

Bruno Ramos

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quinta-feira, janeiro 29, 2009

Cera a bordo.

Quem espera desespera, assevera um provérbio mais pesaroso. Quem espera sempre alcança, vaticina outro mais fantasista. Em relação ao ansiado filme baseado na série Arrested Development, não sabemos sobre qual dos dois nos debruçar. Já vimos a luz ao fundo do túnel, mas também já vimos algumas pedras desse mesmo túnel a ceder. A ameaça de que tudo possa ruir a qualquer instante, é bem real. Durante toda esta especulação em torno da adaptação, alguns têm sido os entraves apontados. Primeiro, a greve dos argumentistas. A seguir, o conflito de agendas. Por último, e mais importante, Michael Cera, que só acedia juntar-se ao projecto depois de ver um argumento. Já começam a ser pedras a mais no sapato. Daí que o actor Jeffrey Tambor, patriarca da família Bluth, segundo o NY Daily News, tenha achado que era tempo de arrumar a questão de uma vez por todas.

If I have to call him up and say, ‘Get on set right now, young man,’ he’ll be there…The movie is going to happen this year, and Michael Cera is on board. Trust me”.

Ficamos é sem perceber se Michael Cera entra a bem ou a mal. Já Montesquieu dizia que A opinião do mais forte é sempre uma boa opinião. E, neste caso, parece que Cera começa a ficar cercado de muitas e boas opiniões. Esperemos que sim, desde que ninguém saia molestado deste chinfrim. Há coisa de um ano, solicitámos neste espaço que todos déssemos as mãos, numa reunião de forças cósmicas sem precedentes, para ver se isto se torna mesmo numa realidade. Hoje, porque o tempo assim o convida, sugerimos também uma dança da chuva. Caramba, já em Dezembro de 2007 Keith Olbermann dedicava a este hipotético filme o seu segmento, despedindo-se com um Good night, good luck, and come on!

Alvy Singer

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Já faltou mais.

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Só para manifestarmos, mais uma vez, o nosso contentamento por Watchmen chegar ao grande ecrã, daqui a pouco mais de um mês. Contudo, porque no melhor pano caí a nódoa, o pessoal de marketing da Warner lá tinha de arranjar maneira de oferecer como último cartão-de-visita, o poster com menos piada de toda a campanha. Que, diga-se de passagem, nem foi tão agressiva quanto seria de esperar. Aliás, ao longo dos últimos meses, Watchmen foi mais noticia pelos pareceres que saiam dos tribunais, do que propriamente pelos trailers que iam invadindo a net. Agora, para o resultado final, na tela, isso pouco importará. Assim como este poster menos conseguido. Dostoievsky disse que Não foi quando descobriu a América, mas quando estava prestes a descobri-la, que Colombo se sentiu feliz. É, mais ou menos assim que nos sentimos em relação a Watchmen. Esperamos apenas que a felicidade permaneça quando surgirem os créditos.

Bruno Ramos

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The International - Clip.

Clive Owen terá três filmes a estrear em 2009. E, dois deles, ou não partilhassem o mesmo género – thriller –, parecem bastante semelhantes. No entanto, um deles parece querer levar as coisas mais a sério. Por isso é que aguardamos pelo outro com maior ansiedade. O primeiro, mais empenhado em colar o espectador à cadeira, é The International, de Tom Tykwer (Perfume: The Story of a Murderer). O segundo, Duplicity, de Tony Gilroy (Michael Clayton). Apesar de ser este último que mais puxa por nós, hoje, é The International que aqui nos traz. Passado em Nova Iorque, o filme relata a história de Louis Salinger (Owen), um incansável agente da Interpol que lidera uma investigação a uma das mais poderosas instituições bancárias do mundo, com o intuito de expor o seu financiamento ao armamento, corrupção e ligação a uma série de assassínios. Os esforços levados a cabo rapidamente o lançam numa espiral obsessiva, quando aqueles que o deveriam ajudar, levantam ainda mais barreiras. Ao lado de Clive Owen, poderemos ver Naomi Watts. Aqui fica um clip de The International. Por cá, o filme terá o título de A Organização, e tem estreia prevista para 23 de Abril. O que quer dizer… 25 de Abril é Sábado. Bolas!

Bruno Ramos

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quarta-feira, janeiro 28, 2009

Ficção vs Documentário.

Ontem, numa breve conversa com o Francisco Silva, chefe de redacção da Premiere, que durou apenas alguns minutos, mas chegou para discutir algumas dezenas de filmes, fiquei a saber que o Nuno Antunes, estimado colega que mergulha nos mais profundos meandros de uma película, tinha-se deparado com alguns artigos que criticavam o rigor histórico de Frost/Nixon, de Ron Howard. É, mais ou menos por esta altura, que recomendamos todos aqueles que ainda não viram o filme a abandonar a leitura deste texto. Melhor, aconselhamos, num primeiro momento, ao visionamento da obra, e a regressar posteriormente a este espaço para ler essas mesmas criticas.

Elizabeth Drew, do Huffigton Post, e autora do livro Richard M. Nixon, é a voz mais reprovadora. A jornalista aponta alterações grosseiras ao final das entrevistas, uma omissão ao facto de Nixon ter recebido 20% dos lucros da transmissão, e algo mais subjectivo, mas que pode ser definido como interpretação enganosa. Do seu espinhoso artigo, sublinhe-se esta passagem, que constitui-se como um major spoiler.

Frost did not in fact "nail" Nixon. The climactic moment of the movie (as in the play) has Nixon confessing to having participated in the cover-up of the famous break-in of the Watergate offices of the Democratic National Committee, in June, 1972 by operatives hired by White House aides. But this "confession" is produced through a blatant distortion of what Nixon actually said in the interviews. At that particular moment, Frost was pressing Nixon to admit that he had more than made "mistakes," that there had in fact been wrongdoing, that crime might have been involved (a rather mild way of putting it). Then, through a sleight of hand, the script simply changes what Nixon actually said: the script of the play has Nixon admitting that he "...was involved in a 'cover-up,' as you call it." The ellipsis is of course unknown to the audience, and is crucial: What Nixon actually said was, "You're wanting to me to say that I participated in an illegal cover-up. No!

Ora, isto é ligeiramente diferente daquilo que vimos no grande ecrã. David Edelstein, da New York Magazine, também não se coíbe de dizer das suas. E, sem grandes rodeios, acusa o argumento de Peter Morgan de meter palavras na boca de Nixon.

And with selective editing, Morgan makes it seem as if Frost got Nixon to admit more than he actually did. The original Watergate interview is now on DVD, and there are self-exculpatory escape clauses in every interminable, circumlocutory utterance. When Frost read aloud from the White House transcripts, Nixon’s eyes darted around as he searched his brain for linguistic loopholes. In Frost/Nixon, Langella’s heavy features move slowly; he seems to be plumbing the depths of his soul and glimpsing, for an instant, the abyss. Alas, the shit that dribbles from Langella’s mouth is still Tricky Dick’s”.

Podemos sempre questionar a imparcialidade de Edelstein nesta questão, a partir do momento em que lemos no seu artigo, a propósito de ser Langella a encarnar o Presidente, “Finally, Nixon has the stature that eluded him in life!”. No entanto, factos são factos, passe a redundância. E, se Nixon não chegou a admitir aquilo que David Frost, Bob Zelnick e James Reston Jr. pretendiam, até que ponto isso não altera a integridade do filme. A obra continua a funcionar, sem sombra dúvida. Agora, não podemos deixar de nos sentir ludibriados. Sem querer ferir susceptibilidades, isto faz lembrar, em parte, aquele badalado caso do futebolista brasileiro Ronaldo, quando pagou a umas senhoras para passar um bom bocado e, mais tarde, nessa mesma noite, veio a saber que eram senhores. Não que isso tenha algum problema. Mas, saber com antecedência seria agradável.

Bruno Ramos

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Oldmovie.

Quando, a meio de 2008, assistimos ao anúncio de um remake de The Birds (Alfred Hitchcock, 1963), que deverá chegar às salas lá para meados de 2011, ficámos um pouco abananados. E, sobre esta delicada matéria dos remakes, já vimos as coisas melhor paradas. O termo é precisamente este. Paradas. Porque, em certas obras, convém não mexer. Deixem-nas estar quietinhas, que nós vamos lá vê-las. Mas, o Cinema, sobretudo o norte-americano, continua a achar que isto de reproduzir obras é engraçado. Se alguém resolver pegar num livro de Nicholas Sparks, e dar-lhe uns retoques aqui e ali, amanhã está a receber um telefona a informar que será alvo de um processo-crime acusado de plágio. Na sétima arte, isto chama-se remake. Contudo, por esta altura, em Hollywood, vale tudo menos tirar olhos. E, não há filme que esteja a salvo.

Apesar de acharmos que os primeiros rumores eram só coisa para inglês ver, consta que Steven Spielberg e Will Smith estão mesmo interessados num remake de Oldboy (2003), película de Chan-wook Park. Mas, ao que parece, Spielberg está mais atraído pela ideia de partir da banda desenhada de Garon Tsuchiya e Nobuaki Minegishi, do que propriamente do filme de Park. Segundo o Mtv News, isto foi o que Will Smith teve, recentemente, a dizer sobre o assunto.

It's the thing that Steven was attracted to. We're working from the comic and we haven't done anything other than talk about it. So we'll see what happens, but he's not going to do anything that would be less than stunning”.

Para já, parece que ainda nada mais foi feito para além de falar. As declarações, apesar de aludirem ao projecto, comprovando um elo de ligação entre actor e realizador, não confirmam que luz verde já tenha sido dada, e que isto seja uma certeza nas agendas de ambos. Spielberg já teve o seu nome associado ao triplo dos projectos que realizou ou produziu efectivamente. Acreditamos que, neste momento, caso estas reuniões estejam mesmo a acontecer, o grande busílis passa pela interiorização de que este jamais poderá ser um filme idêntico a qualquer outro das suas carreiras. E, como torná-lo apelativo para o público norte-americano. Scorsese deparou-se com os mesmos dilemas, e saiu-se bem. Veremos se Spielberg tem coragem de assumir o risco.

Bruno Ramos

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Na mesa da Newsweek.

Via Awards Daily, chegam-nos os vídeos da round table da Newsweek, com Robert Downey Jr., Anne Hathaway, Brad Pitt, Frank Langella, Sally Hawkins e Mickey Rourke. Os videos abordam temas diversos como pesquisas no google, aquilo que os actores procuram num realizador, as interpretações preferidas de sempre, ou Robert Downey Jr. a dissertar sobre a simbiose especial que parece existir entre Pitt e David Fincher. Duas das melhores frases que se ouvem nestes vídeos são “Alan Parker had a boner”, quando Rourke se refere às filmagens de Angel Heart (1987) e, “I love your ass”, confissão de Downey Jr. a Brad Pitt. Com este vídeo, em que Pitt revela a sua admiração, desde cedo, pelo trabalho de Rourke, podemos concluir que a personagem mais fácil de encarnar em toda a sua carreira terá sido Rusty Ryan.

Alvy Singer

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A brisa transporta o aroma de um teaser.

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Já por aqui falámos algumas vezes de Public Enemies. Desde cedo o projecto tem prendido as nossas atenções. O casting foi um regalo. Quando, ao lado de Johnny Depp, a presença de Christian Bale foi assegurada, os níveis de curiosidade rebentaram com a escala. Depois, foi a vez de Marion Cottilard, Stephen Dorff, Channing Tatum e Giovani Ribisi confirmarem a sua participação. David Wenham deu o toque final. Em finais de Novembro, a Empire revelou novas imagens. Agora, é o Aceshowbiz que mostra novas fotografias do próximo filme de Michael Mann. E, em relação a este título, estamos como o agente do FBI Melvin Purvis (Bale), nesta imagem. Ele acha que não estamos a vê-lo, mas, oh, que iludido está. Já há muito que andamos a segui-lo. Manhattan Melodrama (W.S. Van Dike, 1934), cujo poster está pendurado na parede atrás de Melvin Purvis, desempenha um importante papel neste biopic de John Dillinger (Johnny Depp).

Alvy Singer

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Meg Ryan precisa do seu 'The Wrestler'.

The world is changed, diz a Galadriel de Cate Blanchett, no prólogo de The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring. A tão famigerada crise parece ter-se instalado, e a vida de milhões é posta de pernas para o ar, do dia para a noite. No entanto, no inicio, a tendência fatal é a de resistir à realidade nua e crua. Não é um dado adquirido que os tempos tenham mudado assim tanto e, quando olhamos lá para fora, através da janela, até parece que as pessoas se passeiam com o mesmo contentamento de Poppy, Sally Hawkins em Happy-Go-Lucky – que, em abono da verdade, ainda não vimos, mas que diz ser uma pessoa optimista. Agora, todo o optimismo vai pelo cano abaixo quando constatamos que, um filme com o cavalheiro William H. Macy e a outrora namoradinha da América Meg Ryan sai directamente para Dvd, por terras do Tio Sam. Que mundo é este em que vivemos, quando dois actores deste gabarito não justificam um lançamento nas salas de Cinema? Estamos apreensivos. Se, William H. Macy já nos habitou a sábias escolhas de papéis ao longo da sua carreira, Meg Ryan sempre foi um catalisador de receitas. Contudo, parece que isso foi noutra Era. Por cá, o filme terá a Lusomundo como distribuidora. Os direitos foram adquiridos o ano passado, em Cannes. O filme, que passou também por Sundance no início de 2008, ainda não tem data de estreia por estes lados. No entanto, a sua passagem pelo Fantasporto deste ano é já uma certeza. É difícil perceber os motivos que levam este filme a não estrear nas salas nos Estados Unidos, depois de ter passado por Cannes e Sundance, até com reacções positivas. Estamos curiosos para ver o destino deste título por estas bandas. O mais certo é estrear a seguir ao Verão, depois de esgotarem os blockbusters, antes da chegada dos grandes candidatos aos prémios do próximo ano, e quando for preciso encher chouriço. A última vez que vimos Meg Ryan ser Meg Ryan foi em In the Land of Women (Jon Kasdan, 2007). Contudo, soube a pouco, e não nos parece justo ter direito a um bom filme de Meg Ryan por década. Esperemos que a obra de Steven Schacheter, apesar desta contrariedade, não seja mais um título em vão. Aqui fica o trailer de The Deal, uma película sobre Charlie Berns (Macy), um produtor que consegue um financiamento de 100 milhões de dólares para um filme que não tem argumento e, com o dinheiro no bolso, decide viajar pela Europa na companhia da produtora Deidre Hearn (Ryan).

Bruno Ramos

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terça-feira, janeiro 27, 2009

Um mês depois...

No final de Dezembro, publicámos neste espaço um post sobre os mecanismos por detrás das votações da Academia de Hollywood, na corrida aos Oscar. O objectivo desse texto passava, em última análise, por deitar alguma luz sobre uma realidade que gostaríamos de ver mais transparente. Na altura, até pelos comentários deixados, ficámos com a sensação de ter sido pouco claros na explicação. E, antes de mais nada, gostaríamos de pedir desculpa pela demora na resposta. No entanto, se dúvidas ainda persistirem, desta feita, auxiliados pelos artigos de Timothy Gray, na Variety, e Brad Brevet, no Rope of Silicon, aqui estamos para procurar dissipá-las. A verdade é que, depois de algumas surpresas verificadas nas listas de nomeados deste ano, o que não tem faltado é gente interessada em saber como é que são efectuadas as contagens, e o que determina a eleição de um filme ou actor. No cerne da questão, o que terá levado a que Kate Winslett fosse nomeada por The Reader e não por Revolutionary Road. O que, no fundo, acaba por causar a nomeação de qualquer actor em detrimento de outro. Brevet salienta estes dois pontos do regulamento.

“4. The leading role and supporting role categories will be tabulated simultaneously. If any performance should receive votes in both categories, the achievement shall be only placed on the ballot in that category in which, during the tabulation process, it first receives the required number of votes to be nominated. In the event that the performance receives the numbers of votes required to be nominated in both categories simultaneously, the achievement shall be placed only on the ballot in that category in which it receives the greater percentage of the total votes.

5. In the event that two achievements by an actor or actress receive sufficient votes to be nominated in the same category, only one shall be nominated using the preferential tabulation process and such other allied procedures as may be necessary to achieve that result”.

Este ‘preferential tabulation process’, na quinta alínea, significa que Winslett pode ter sido nomeada pelo papel de Hanna Schmitz, mesmo tendo recebido menos votos por ele, do que pelo papel de April Wheeler em Revolutionary Road. Apenas porque, com The Reader, a actriz terá chegado primeiro ao número mínimo de votos exigido para ser nomeada. Neste ponto, convém dizer que os membros da Academia não se limitam a preencher um boletim com a sua lista de nomeados, ordenados aleatoriamente, e não é o número de vezes que o candidato figura nos boletins que determina o seu resultado. Na verdade, é pedido aos eleitores que enumerem os candidatos por ordem de preferência, de 1 a 5, sendo 1 a primeira opção. A partir daqui, baseamo-nos inteiramente no artigo de Brevet para formular um exemplo, e recorremos, de igual modo, à situação de Kate Winslett.

A empresa PricewaterhouseCoopers reúne os boletins e determina, num primeiro momento, quantos votos na primeira posição um actor necessita para alcançar uma nomeação. O grupo dos actores tem 1,222 membros e, de modo a calcular o número mínimo de votos, divide-se 1,222 por seis – isto é, o número de eventuais nomeados (cinco), mais um –, o que dá 203. A este número soma-se um, o que significa que 204 é o valor a atingir. Este é o número de vezes que um actor tem de estar presente nos boletins. Contudo, não de forma tão linear como a enumeração de 1 a 5 permite suspeitar.

Primeiramente, são contados apenas os actores eleitos na primeira posição de cada boletim. E, assim que alguém tiver atingido os 204 votos, a nomeação está assegurada. Todos aqueles que votaram para este actor vêem o seu boletim posto de parte, e nenhuma das suas outras escolhas é considerada, garantindo assim que todas as vozes são ouvidas, e o processo recomeça com o próximo nome. Se, no final da primeira roda, tivermos cinco nomeados com mais de 204 votos, estão encontrados os finalistas. Caso contrário, a contagem passa para as segundas escolhas, terceiras, e assim sucessivamente, até serem alcançados cinco nomeados.

No caso de Kate Winslett, isto deverá querer dizer que a actriz recebeu mais primeiros lugares – e, possivelmente, segundos – pelo seu trabalho em The Reader, do que em Revolutionary Road. No fundo, não é o número de votos brutos que estabelece os nomeados. April Wheeler até pode ter aparecido em mais boletins do que Anna Schmitz. Contudo, se tiver sido em terceiro lugar, quarto ou quinto, não se fez notar. Isto poderá também ajudar a explicar a ausência de The Dark Knight e Wall-E. The Reader poderá ter tido menos votos. É o mais certo. Contudo, ao figurar nos boletins, fê-lo numa posição superior. Este é o sistema de nomeações que a Academia de Hollywood utiliza desde 1936. Como Brevet diz, e bem, não é tarefa fácil avaliar feitos artísticos, nem chegar a um consenso. Podemos apontar defeitos a este processo de contagem. No entanto, esta é uma forma válida de assegurar que as distinções são feitas do topo para baixo. E, quando o objectivo é apontar o melhor, contrariamente ao que a experiência nos ensina, se calhar o ideal é começar mesmo por cima, pelo tecto. Esperemos que a exposição tenha ajudado a clarificar o tema.

Bruno Ramos

A certeza de um bom filme.

Esta manhã tivemos a antestreia de Doubt. E, a palavra que melhor o descreve, apesar de o corrector do Word acusar o erro ortográfico, é filmaço. A obra de John Patrick Shanley chegará às salas na próxima semana e, por essa altura, aqui voltaremos para dizer de nossa justiça. No entanto, desde já podemos adiantar que o filme será criticado no próximo número da Premiere e, apesar de as reacções, de uma maneira geral, terem sido positivas, houve quem gostasse mais do que outros. Por agora, apraz-nos deixar duas ou três notas mais genéricas. A primeira, que este é um filme de actores. Poucos são os instantes sem diálogo e de pura contemplação cénica. Até certo ponto, a adaptação da peça de Shanley é a antítese do Cinema de Terrence Malick. Aqui, não param de tagarelar. Mas, que bem que eles tagarelam. A segunda nota, para a magnífica Viola Davis. A sua passagem peca apenas por fugaz. Não mais do que dez minutos. Contudo, só sabe a pouco, precisamente porque Davis prime todas as teclas certas. A terceira, para a senhora interpretação de Meryl Streep. Esta sua Irmã Aloysius Beauvier já não entra na categoria das personagens que a actriz é capaz de fazer com uma perna às costas. Aqui, podemos sentir no ar o desafio. E, Streep não só conquista a personagem, como o mais distante espectador na audiência.

Por último, uma nota para a segurança do visionamento. Alguns colegas, já familiarizados com episódios idênticos, não estranharam tanto. No entanto, para alguém que olha o Cinema como objecto de uma relação idílica, jamais deixará de ser incomodativo, e, porque não, indecoroso, ser forçado a deixar o telemóvel à porta da sala, com o pretexto de poder cair na tentação de filmar partes do filme. O que eles não sabem é que já todos vimos filmes de James Bond com fartura, e o segredo está nas canetas e botões de punho. No caso das senhoras, os batons também deviam ser confiscados.

Alvy Singer

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Isto quer dizer que anda por aí um Dude.

Temos por hábito afirmar que a vida imita a arte. Nos tempos que correm, seria mais adequado dizer que plagia. Em tempos de crise, os direitos de autor são uma coisa preciosa. E, em nosso entender, Joel Coen e Ethan Coen teriam todo o fundamento para avançar com um processo contra Chris Ogle. Segundo a CNN, Ogle, neozelandês de 29 anos, passou pela cidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, há cerca de um ano. Numa loja de conveniência, adquiriu um MP3 por nove dólares. Até aqui, desde que o MP3 não tivesse mais de 5G, tudo bem. Contudo, há algumas semanas atrás, quando ligou o aparelho ao computador para fazer um download, deparou-se com ficheiros confidenciais do exército norte-americano. Troque-se o aparelho de MP3 por um Cd, e temos o ponto de partida de Burn After Reading. Quem sabe, até mais do que isso, talvez. Quem é que compra um MP3, e tenta fazer o primeiro download só ao fim de um ano? Cá para nós, o verdadeiro nome deste homem é Chad Feldheimer, e todo este tempo serviu apenas para encontrar uma solução financeiramente mais proveitosa.

Alvy Singer

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Slap sem o Stick.

A História do Cinema está repleta de imagens inolvidáveis. Muitos são os momentos de destaque que, por mais que tentemos – coisa que jamais fazemos –, somos incapazes de esquecer. No entanto, estes frames intemporais podem ter naturezas diametralmente opostas. Com efeito, um beijo ardente pode ser tão memorável quanto uma bofetada bem dada. E, partindo desse pressuposto, resolvemos deixar o romantismo de lado, e iniciar neste espaço uma contagem dos 25 melhores tabefes no grande ecrã. Deveremos, no entanto, ressalvar que a finalidade não passará por um incitamento à violência. Esta será, tão-somente, uma tentativa de mostrar como uma boa lambada pode marcar a vida de um cinéfilo, quando filmada com mestria e afectuosidade. São instantes dolorosos, é certo, mas só para a personagem que apanha. Para o espectador, pelo menos no plano físico, podemos garantir que do visionamento não resultam quaisquer mazelas. Agora, porque no topo da tabela ainda existe alguma indefinição sobre quem arreou com maior veemência, deixamos em aberto a questão. Seja chapada ou sopapo, qual a galheta mais marcante da sétima arte? Daqui por uma semana, iniciaremos a lista.

Alvy Singer

SAG - Vencedores.

Por esta altura, já não será grande novidade para ninguém. De qualquer forma, eis os vencedores dos Screen Actors Guild (SAG), nas categorias de Cinema, anunciados na noite de ontem.

Melhor Elenco
Slumdog Millionaire

Melhor Actor
Sean Penn, Milk

Melhor Actriz
Meryl Strepp, Doubt

Melhor Actor Secundário
Heath Ledger, The Dark Knight

Melhor Actriz Secundária
Kate Winslett, The Reader

Em abono da verdade, apesar do forte apoio que o filme de Danny Boyle tem tido na corrida aos Oscar, poucos previam esta vitória. É certo que a categoria de Melhor Elenco, sendo a mais importante neste concurso, pode conduzir naturalmente a paralelismos com a categoria de Melhor Filme, para a Academia de Hollywood. No entanto, daí até esses paralelismos significarem uma correspondência directa ainda vai um bocado. Slumdog Millionaire tinha apenas um actor nomeado para estes prémios. Tantos quanto Frost/Nixon. Milk e The Curious Case of Benjamin Button, tinham dois nomeados. Doubt, quatro. Não deixa de ser estranho que Slumdog Millionaire tenha levado a melhor, no entanto, a força de um elenco, por vezes, vai muito para além da contribuição dos seus protagonistas.

Agora, depois dos SAG, começa uma outra fase. Se imaginarmos a temporada de prémios como se de um concerto se tratasse, cada certame corresponde a um empurrão no caminho para a primeira fila, antes de a banda chegar ao palco. Ontem, Kate Winslett chegou-se à frente por The Reader. Daqui por um mês, os obstáculos ao triunfo têm outro peso. Um deles chama-se Meryl Streep. Que, como ontem se viu, e a fotografia deste post ilustra, corre para o prémio como se não houvesse amanhã, assolando tudo à sua passagem. E, com o SAG, Streep deu um valente chega para lá a Winslett, Jolie e Hathaway. Se, a categoria de Melhor Actriz promete um duelo aceso, com Streep a dar luta até ao fim, a de Melhor Actriz está como a terceira pombinha da catrina. Para quem a apanhar.

Na categoria de Melhor Actor, ganhou um dos dois expectáveis. Neste momento, Sean Penn leva ligeira vantagem. Contudo, Frank Langella, lá mais atrás, calma e serenamente, é capaz de descortinar um atalho para o palco, que nem Penn nem Rourke conseguem avistar. Já na categoria de Melhor Actor Secundário, a única dúvida é saber quem é que, no dia 22 de Fevereiro, subirá ao palco do Kodak Theater para homenagear Heath Ledger.

Bruno Ramos

segunda-feira, janeiro 26, 2009

The Imaginarium of Doctor Parnassus.

Pouco mais de um ano depois da sua morte, a primeira fotografia decente de Heath Ledger em Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gilliam. Em oposição às sombrias imagens que já conhecíamos por detrás das câmaras, esta, enigmática quanto baste, mostra-nos o actor na pele de Tony. Verdade seja dita, ainda não surgiu qualquer informação que identificasse o actor presente nesta imagem. No entanto, olhando de perto, não nos parece que seja Johnny Depp, Jude Law nem Colin Farrell, três nomes que se juntaram ao projecto após a morte de Ledger. No Reino Unido, o filme tem estreia prevista para 06 de Junho.

Alvy Singer

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Tintin.

A produção de Tintin: The Secret of the Unicorn arrancou hoje. E, num comunicado de imprensa, o estúdio revelou dois nomes importantes. O casting ainda não está completo, mas Jamie Bell (Billy Elliot) já está confirmado como Tintin, e Daniel Craig como Red Rackman. Os dois juntam-se, assim, aos já anunciados Simon Pegg e Nick Frost, irmãos Dupont, e Andy Serkins, Capitão Haddock. Realizado por Steven Spielberg, o filme conta com três escribas de luxo. Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish. Cornish, o menos conhecido dos três, criou com Adam Buxton um dos programas mais nebulosos de televisão britânica no final dos nineties, The Adam and Joe Show. Este é um clip desse programa, em que Joe Cornish leva ao extremo as promoções anunciadas em embalagens. Steven Moffat, nome mais familiar, é um dos guionistas regulares de Doctor Who, enquanto Edgar Wright alcançou a fama mundial – isto, partindo do princípio que um argumentista pode lá chegar – quando escreveu e realizou Shaun of the Dead. Em 2007 voltou à ribalta com Hot Fuzz, película que também escreveu e realizou.

Os três juntam-se agora para adaptar o décimo primeiro (The Secret of the Unicorn) e décimo segundo (Red Rackham’s Treasure) livro da saga. Os dois compõem a primeira parte de um ciclo de quatro livros. The Seven Crystal Balls e Prisoners of the Sun são as duas outras obras. Peter Jackson está já confirmado como realizador do segundo filme desta trilogia. Por enquanto, ainda nenhum nome foi avançado para dirigir a adaptação do terceiro capítulo. Mas, para já, não nos preocupamos muito com isso. Sigamos de perto os passos desta produção. O filme deverá chegar às salas em meados de 2011.

Alvy Singer

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Dynamite, can you dig it?

Photobucket

Vamos, por uns momentos, aproveitar a janela aberta por James Earl Jones na cerimónia de ontem dos Screen Actors Guild. Ao citar uma passagem do Génesis, primeiro livro do Antigo Testamento, o actor galardoado com o prémio de carreira afirmou que, não querendo comparar a interpretação com o trabalho de Deus, é responsabilidade de um actor dar vida a uma personagem. Metáfora persuasiva, somente ao alcance de um orador exímio. Foi um discurso breve, mas que serviu para constatar que Cinema e Religião são dois domínios com mais coisas em comum do que seria de prever. E, não há momento em que a fé de um cinéfilo seja tão testada, como no visionamento de um trailer. O trailer funciona como um purgatório preliminar de determinada obra. São dois minutos e meio que servem para definir a nossa confiança relativamente à boa graça da película. No final do trailer, ficamos a saber a nossa posição. Ou ficamo-nos pelo ateísmo, estado pouco recomendável para um amante da sétima arte; ou abraçamos o estado agnóstico, aguardando serenamente pelo lançamento do filme, nos Cinemas ou em Dvd; ou tornamo-nos crentes. Dentro desta última categoria encontramos os praticantes e os não praticantes. Os primeiros procuram o filme. Os segundos esperam que o filme venha ter com eles.

Isto tudo para dizer que, em relação a Black Dynamite, somos crentes praticantes. Ou seja, estamos só à espera que a Sony diga o dia e a hora em que isto deve chegar às salas, para comprarmos os bilhetes antecipadamente. Depois de vermos o trailer, não poderia ser de outra forma. Porém, se dúvidas restassem, esta crítica ainda ajuda à festa.

With Black Dynamite director Scott Sanders and writer-producer-star Michael Jai White have succeeded in doing precisely what Quentin Tarantino and Robert Rodriguez promised but failed to deliver with Grindhouse. They have captured the spirit of a long gone era and done so in hugely entertaining fashion. Far too loving to ever descend into spoof or parody territory, Black Dynamite also rises above tribute territory thanks to White’s portrayal of the title character. No mere regurgitation or mimicry here, Black Dynamite is strong enough and accurate enough that it could be a lost nugget from the blaxploitation era itself”.

Dizer que Black Dynamite é aquilo que Tarantino e Rodriguez pretendiam fazer com Grindhouse, jamais poderá ser feito de ânimo leve. Agora, porque temos a malta do Twitchfilm em elevada estima e consideração, somos forçados a dar o benefício da dúvida. Esta é história da lenda afro-americana esquecida dos anos 70, sempre pronta para a acção, Black Dynamite. ‘The Man’ – nome que não suscita segundas interpretações – matou a sua mulher, utilizou orfanatos na rede de tráfico de droga, e inundou os bairros com licor contaminado. Black Dynamite, com contas a ajustar, é o único herói disposto a lutar contra ‘The Man’, começando nas ensanguentadas ruas da cidade, e terminando nos muros da Honky House. O trailer é um festival de pancada de primeiríssima água. Desde que corresponda às expectativas dos crentes, ver este filme, numa sala cheia de gente que sabe ao que vai, deve ser uma bandalheira pegada.

Alvy Singer

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Mary and Max - Trailer.

Foi o filme eleito para abrir o festival de Sundance. E, ao que parece, até nem foi uma má escolha. Muito pelo contrário. Apesar de algumas reacções mais negativas, Mary and Max passou com distinção pelo certame, e a maioria das críticas foi extremamente positiva. Escrito e realizado por Adam Elliot, vencedor de um Oscar pela curta-metragem de animação Harvie Krumpet (2004), o filme conta com as vozes de Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Barry Humphries e Eric Bana.

A sinopse diz-nos que, atravessando vinte anos e dois continentes, Mary e Max conta a história de dois amigos que se escrevem, e que não podiam ser mais diferentes: Mary Dinkle (Toni Collette), uma rapariga de oito anos, a dar para o rechonchudinha, a viver nos subúrbios de Melbourne, Austrália; e Max Horovitz (Philip Seymour Hoffman), um judeu de 44 anos, obeso, com o síndrome de Asperger, a viver no caos de Nova Iorque. O filme acompanha a passagem de Mary da adolescência para a idade adulta, e de Max da meia-idade para a terceira. Durante todos esses anos, o laço que os une permanece imutável, apesar das discrepâncias que existem entre ambos. Uma viagem aos meandros da amizade, com lampejos de autismo, taxidermia, psiquiatria, alcoolismo, relações sexuais, obesidade, cleptomania, diferenças sexuais, confiança, relações caninas, diferenças religiosas, agorafobia e muitas outras surpresas ao longo da vida.

Sobre o filme, Peyton Kellogg, do Collider, disse que é fácil de admirar mas difícil de gostar. A avaliar pelo trailer, compreendemos a primeira ideia da sentença. Contudo, só depois de vermos a obra poderemos calcular a justeza da segunda. Para já, ainda nenhuma distribuidora chegou-se à frente. Esperemos que não tarde muito. O trailer é apelativo.

Alvy Singer

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Hot Doc.

Julianna Margulies e Noah Wyle foram duas das caras conhecidas que acederam regressar a E.R., antes de a série de culto, criada por Michael Crichton – autor dos livros Jurassic Park e The Lost World –, chegar ao fim, a 02 de Abril próximo. No entanto, é a bata do pediatra mais famoso do Chicago's County General Hospital que mais tinta tem feito correr. Aí está ele, George Clooney na pele da personagem que deu nova vida à sua carreira. Antes disto, era vê-lo em Return of the Killer Tomatoes! (John De Bello, 1988). Depois, O Brother, Where Art Thou? (Joel e Ethan Coen, 2000). Bons olhos o vejam, Dr. Ross.

Alvy Singer

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domingo, janeiro 25, 2009

Ano de viragem.

Num artigo publicado no Chicago Tribune, Mark Caro aborda a questão da popularidade de um filme, do reconhecimento por parte do público e da crítica, e de como a Academia de Hollywood não pode descurar esse importante factor, quando é chegada a hora de seleccionar os nomeados para os Oscar. Neste ponto, Caro defende que o espectáculo televisivo perde interesse, e até mesmo credibilidade, quando obras como The Dark Knight e Wall-E, actores como Leonardo DiCaprio, ou cantores como Bruce Springsteen e Miley Cirus ficam de fora do certame. Ora, a opinião deste que se assina, no que respeita à omissão do filme de Christopher Nolan, por exemplo, já não deverá ser segredo para quem visita este espaço. No entanto, neste particular, somos forçados a discordar, meu Caro – trocadilho inevitável.

Em nosso entender, este é o tipo de pensamento de quem está mal habituado e assistiu, nos últimos dois anos, impávido e serenamente, à consagração de filmes como The Departed e No Country For Old Men, e às omissões de El Laberinto del Fauno e Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Trazer à baila valores de bilheteira para argumentar a favor de títulos como The Dark Knight e Wall-E, é o mesmo que defender a supremacia da quantidade versus qualidade. Quem acha que a Academia de Hollywood age erradamente, ao não nomear dois dos filmes mais aplaudidos do ano, devia ter-se lembrado de fazer o mesmo quando Martin Scorsese – e, este é aquele instante em que estamos na iminência de comprar uma discussão –, com um retumbante sucesso de bilheteira, arrecadou o Oscar de Melhor Filme. Um filme com um elenco de luxo, que lucrou milhões, realizado por um cineasta que merecia uma estatueta há mais de duas décadas, compôs a fórmula que ditou o destino daquela noite, muito tempo antes. Nessa altura, ninguém pareceu sentir-se incomodado. O que incomoda realmente é ver como o original consegue ser melhor, e passou completamente ao lado de Hollywood. Ao mesmo tempo, o ano passado, quando No Country For Old Men levava tudo à frente na temporada de prémios, um silêncio constrangedor contagiava o mundo da sétima arte, como se nenhuma outra película pudesse bater o pé à obra dos irmãos Coen. O resultado foi Paul Thomas Anderson nem sequer ter levado o Oscar de Melhor Realizador para casa, quando com apenas duas mãos edificou uma obra-prima.

A verdade é que, nestes dois últimos anos, a AMPAS não tem seguido a linha conservadora que a caracteriza. Nestes dois últimos anos, a Academia de Hollywood tem feito a vontade de milhões de críticos e cinéfilos, optando por distinguir títulos que fazem uma longa tangente à concordância universal. Agora, este ano, que a Academia parece regressar ao modus operandi tradicional, cai o Carmo e a Trindade. Aquilo que, por vezes, nos escapa, como parece ser o caso de Caro, é a incrível flexibilidade deste grupo de votantes. No entanto, quando estamos a falar de um grupo com, aproximadamente, 6000 membros, mal seria se não houvesse esta alternância nas faixas de rodagem. Aliás, o estranho é não existirem mais. Temos curiosidade em saber, por exemplo, o que é que não terá sido escrito em 1969 quando Midnight Cowboy ganhou o Oscar de Melhor Filme, seguindo-se a Oliver! na lista dos grandes vencedores. O filme Carol Reed está dentro dos padrões que acreditamos serem os da Academia. O de John Schlesinger, não.

Dos cem títulos que mais receitas de bilheteira fizeram em todo o mundo, apenas treze foram nomeados para o Oscar de Melhor Filme. Desses treze, apenas seis ganharam. Isto mostra-nos como a Academia não vai nestas cantigas. E, em 2008, depois de dois anos em que votaram de acordo com o escrutínio público, parece ser chegada a altura de voltar a eleger um filme para toda a família e verdadeiramente inspirador. Por isso é que Slumdog Millionaire leva alguma vantagem sobre The Curious Case of Benjamin Button. Os outros três não estão lá apenas para enfeitar. Mas quase.

Bruno Ramos

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Screen Actors Guild - Prognóstico.

Antes de abordarmos os Screen Actors Guild (SAG) desta noite, olhemos para os resultados das votações neste espaço, durante a última semana, naquilo que tentou ser uma previsão mais generalizada de quem seriam os finalistas na corrida aos Oscar. Na categoria de Melhor Filme, The Reader foi a único a ficar de fora. Aliás, com oito votos, o filme de Stephen Daldry era a última aposta dos visitantes do Deuxieme. Isto é que foi uma surpresa em grande escala. Na categoria de Melhor Realizador, Christopher Nolan, terceiro considerado, foi o tiro ao lado, e Stephen Daldry o eleito omitido. Na categoria de Melhor Actor, o mesmo aconteceu com Richard Jenkins, que ficou com o lugar de Leonardo DiCaprio. Na categoria de Melhor Actriz, onde Kate Winslet estava considerada apenas por Revolutionary Road, Sally Hawkins foi a aposta que ficou de fora, em detrimento de Melissa Leo – 6 votos em 414. Na categoria de Melhor Actor Secundário, Michael Shannon ficou atrás de Brad Pitt, James Franco e Ralph Fiennes. Na categoria de Melhor Actriz Secundária, Kate Winslett era a grande aposta por The Reader. Se não a tivéssemos considerado nesta corrida, a previsão dos visitantes para as cinco finalistas teria sido correcta. Na categoria de Melhor Argumento Original, não previmos o sucesso de Frozen River, que nem sequer figurava entre os possíveis eleitos. Dos cinco, apenas Wall-E e Milk estiveram entre os mais votados. O favorito de todos a arrecadar uma nomeação era Vicky Cristina Barcelona. Na categoria de Melhor Argumento Adaptado, por último, as previsões colocaram o guião de Revolutionary Road à frente de Doubt. Os restantes estavam correctos.

Posto isto, a nossa previsão para os SAG. Apesar de faltarem apenas pouco mais de oito horas para o espectáculo, deixamos, mais uma vez, na coluna da direita, cinco caixas respectivas às principais categorias. Desta feita, no entanto, apenas um voto por categoria é aceite. No fundo, trata-se de tentar antever quem ganhará o troféu. Estas são as nossas apostas.

Melhor ElencoDoubt. Não existem duas apostas tão seguras como Slumdog Millionaire e The Curious Case of Benjamin Button. Quanto a isso, não restam grandes dúvidas. No entanto, os SAG premiam, acima de tudo, o conjunto de interpretações de uma película. The Curious Case of Benjamin Button é um filme com um elenco notável. Brad Pitt, Taraji P. Henson e Cate Blanchett, são os principais trunfos na obra de David Fincher. Em Slumdog Millionaire, Dev Patel e Freida Pinto têm sido os desempenhos em destaque. Patel é o único nomeado para estes prémios. Por sua vez, Doubt, de John Patrick Shanley, conta com quatro nomeações e, se há pontos fortes neste filme, em que todos parecem de acordo, são as interpretações. Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Viola Davis e Amy Adams, nomeados para os SAG, foram também nomeados para os Oscar. Acreditamos que esta será a surpresa da noite, que em nada contribuirá para a corrida ao troféu da AMPAS.

Melhor Actor – Mickey Rourke (The Wrestler). Quase certo. A outra hipótese será Sean Penn, por Milk. Nenhum dos dois deverá levar o Oscar para casa.

Melhor Actriz – Kate Winslett (Revolutionary Road). Só Meryl Streep pode estragar a festa.

Melhor Actor Secundário – Heath Ledger (The Dark Knight). A caminho do Oscar.

Melhor Actriz Secundária – Viola Davis (Doubt). Esta é a categoria mais renhida da noite. E, acreditamos que daqui por um mês, quando for altura de adivinhar quem arrebatará o Oscar, continuarão as dificuldades em descortinar quem leva vantagem.

Por agora, a primeira opção para assistir à cerimónia dos SAG em directo é ir ao site da Justin Tv, e na barra de pesquisa escrever Screen Actors Guild ou SAG. Para já, ainda não aparece qualquer canal. Esperemos que, mais perto da hora do inicio, surjam streams online. A ver vamos. Aqui está uma segunda opção. Com esta não deve haver problemas.

Bruno Ramos

Nick Fury tem um preço.

Num cameo já depois dos créditos, Samuel L. Jackson apareceu como Nick Fury em todo o seu esplendor, no final de Iron Man (Jon Favreau). A Marvel apressou-se a dizer que um filme baseado na personagem não fazia parte dos planos, mas que havia muito a explorar com as contribuições de Jackson nesse papel. A ideia era Nick Fury aparecer, durante mais tempo, em praticamente todos os filmes da Marvel previstos para os próximos anos (Iron Man 2, Captain America, Thor e Avengers, entre outros). No entanto, assim que as negociações começaram, as coisas deram para o torto. Os números não coincidem, e ainda não há acordo. Terrence Howard foi a primeira vítima de Iron Man 2. Samuel L. Jackson pode, muito bem, vir a ser a segunda. Circulam por aí rumores de que a Marvel terá oferecido 250 mil dólares a Mickey Rourke para ser um dos vilões da sequela, e pretende agora que Jackson baixe também os seus valores. Pelo ar descontraído do actor a falar do assunto, não nos parece. Aqui fica o excerto da entrevista ao IGN.

Bruno Ramos

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Producers Guild Award - Vencedores.

Com o poster oficial da 81ª edição dos Oscar em pano de fundo, aqui ficam os vencedores dos Producers Guild Awards. Mais um grão para o filme de Danny Boyle.

Melhor Filme
Slumdog Millionaire, Christian Colson

Melhor Filme de Animação
Wall-E, Jim Morris

Melhor Documentário
Man on Wire, Simon Chinn

Melhor Mini-série
John Adams

Melhor Série Drama
Mad Men

Melhor Série Comédia
30 Rock

Em nota de rodapé, eis a página promocional que a AMPAS elaborou a pensar na próxima cerimónia. Com alguns sons do passado e vídeos inovadores, a abrir o apetite. O que não podemos encontrar por lá é este outro poster. Seja de que lado for que estejamos da barricada, há que reconhecer a criatividade. Esteticamente, funciona.

Bruno Ramos

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Sundance chega ao fim.

Os prémios estão na ordem do dia. Screen Actors Guild lá mais para a frente. Entretanto, os Producers Guild foram anunciados esta madrugada – já lá iremos. Porém, nesta roda-viva de galardões e consagrações, o melhor é começar por aqueles que nos dão já uma amostra dos pequenos grandes filmes que podemos esperar para 2009. Falamos de Sundance. Os distinguidos foram anunciados também esta madrugada e, com alguns títulos importantes fora da competição, até era possível adivinhar o grande vencedor com relativa facilidade. Push, realizado por Lee Daniels, recebeu criticas positivas de todas as frentes, como poucos filmes no certame. Porque transcrever parte de todas essas apreciações para este post daria a este texto mais dois parágrafos que a Constituição, aqui ficam os links. Esta é a do Hollywood Insider, esta do Indiewire, esta do MCarchives – se a memória não nos falha, a primeira vez que fazemos referência aos arquivos de Mariah Carey neste espaço –, esta da Variety, esta do Boxoffice, e esta do Daily Film Dose. Em todas elas, uma menção especial para o desempenho de Mo’Nique, que alguns se atrevem já a avançar como primeira candidata aos Oscar do próximo ano. Lá porque ainda não passámos pelos de 2008, não quer dizer que a corrida para 2009 não tenha já começado. Push, realizado pelo produtor de Monster’s Ball, conta-nos a história de Claireece ‘Precious’ Jones, uma adolescente do Harlem a atravessar uma dura juventude. Com uma mãe (Mo’Nique) sempre pronta a dar uma valente surra, e violada pelo pai, ‘Precious’ cresce num ambiente pobre, revoltada, iletrada, sem afectos, passando despercebida a todos os que a rodeiam. A melhor maneira de ficar a saber mais sobre si é ingressando numa escola, e descobrir os segredos do seu dialecto. Mariah Carey, como assistente social, e Lenny Kravitz integram o elenco. A Lionsgate já pegou no filme. Parece que Push deixou de ser apenas uma grande música dos Matchbox 20. Aqui ficam os vencedores de Sundance, nas principais categorias.

Grand Jury Prize, Drama
Push (Lee Daniels)

Grand Jury Prize, Documentário
We Live in Public (Ondi Timoner)

World Cinema Jury Prize, Drama
The Maid (Sebastian Silva)

World Cinema Jury Prize, Documentário
Rough Aunties (Kim Longinotto)

World Cinema Special Jury Prize, Documentário
Tibet in Song (Ngawang Choephel)

World Cinema Special Jury Prize, Drama
Catalina Saavedra (The Maid)

Special Jury Prize, Interpretação, Drama
Mo'Nique (Push)

Special Jury Prize, Documentário
Good Hair (Jeff Stilson)

Excellence in Cinematography, Drama
Adriano Goldman (Sin Nombre)

Waldo Scott Screenwriting Award
Nicholas Jasenovec e Charlyne Yi (Paper Heart)

Melhor Realização, Drama
Cary Joji Fukunaga (Sin Nombre)

Audience Award, Drama
Push (Lee Daniels)

Audience Award, Documentário
The Cove (Louise Psihoyos)

World Cinema Audience Award, Drama
An Education (Lone Scherfig)

World Cinema Audience Award, Documentário
Afghan Star (Havana Marking)

Alvy Singer

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sábado, janeiro 24, 2009

Roger Deakins.

O The Passenger, leitor deste espaço, chama à atenção. E, com razão. No entanto, não é que nos tenhamos esquecido de Roger Deakins. Apenas o queríamos abordar, num post exclusivamente a si dedicado. James Newton Howard, que este ano recebeu a sua oitava nomeação para um Oscar, começa a ser um caso bicudo. Contudo, Deakins já está num outro patamar. O mesmo em que se encontrava Randy Newman, quando ganhou o primeiro – e, ainda único – Oscar da sua carreira, ao fim de quinze nomeações. Roger Deakins já conta com oito designações para o mais importante galardão de Hollywood. A última delas, este ano, pela sua parceria com Chris Menges em The Reader. E, aquilo que nos move nestes prémios, como em quaisquer outros, é que ganhe o melhor. O imbróglio de Roger Deakins é que, este ano, por muita empatia que tenhamos pelo seu trabalho, acreditamos que dificilmente se fará justiça se, finalmente, levar o Oscar para casa. Sem termos ainda visto a sua contribuição no filme de Stephen Daldry, poucas têm sido as vozes que o elevam acima do trabalho de Wally Pfister (The Dark Knight), Claudio Miranda (The Curious Case of Benjamin Button), ou até mesmo de Anthony Dod Mantle (Slumdog Millionaire), que já ganhou o prémio de Melhor Fotografia no círculo de Nova Iorque. Nesta temporada, Roger Deakins ainda não ganhou qualquer troféu. E, com a devida dose de realismo exigida, o mais certo é terminá-la da mesma maneira. Contudo, muitos defendiam uma dupla nomeação para Deakins. Decisão difícil, no mínimo. A lente de Tom Stern, em Changeling, marca o passo da mise en scène. Ao mesmo tempo, a fotografia de Deakins em Revolutionary Road nunca nos deixa de surpreender. Só podem ser cinco. E, cinco são cinco.

Agora, o que nos está atravessado, e por muito tempo assim continuará – pelo menos, até Deakins levar o seu Oscar –, são as três vezes que deveria ter subido ao palco e, ao invés, permaneceu sentado na plateia a aplaudir alguém que reclamava o que, por direito, era seu. A primeira delas, em 1994, quando John Toll (Legends of the Fall) levou a melhor. The Shawshank Redemption merecia este Oscar. Se calhar, mais do que qualquer outro. Ao longo dessa temporada, Deakins havia ganho a distinção máxima da American Society of Cinematographers (ASC). A segunda, em 2001. Andrew Lesnie e a soberba fotografia de The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring arrebataram multidões. No entanto, nada superou a delicadeza de Deakins em The Man Who Wasn’t There. Que, nesse ano, ganhou nos BAFTA, American Film Institute e, mais importante, novamente nos troféus da ASC. A última, o ano passado. A fotografia de Robert Elswit, em There Will Be Blood, é de tirar o fôlego. Antes da cerimónia, Deakins não havia ganho na corrida aos ASC. Elswit chegou-se à frente nesse importante barómetro. Muitos pensaram que a Academia podia então fazer justiça, e premiar a belíssima fotografia de The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, que não só é de tirar o fôlego, como nos devolve imediatamente o dito cujo. Se já tinha tirado dois Oscar que, meritoriamente, pertenciam a Deakins, esta era a oportunidade ideal para a Academia redimir-se. Mas, não. Em 2007, ao contrário do que acontecera em 1994 e 2001, a AMPAS resolveu seguir a orientação da ASC. O magnífico trabalho de Deakins em Jesse James passou ao lado dos Oscar. O ano passado, dissemos aqui que, a seguir à categoria de Melhor Filme, a de Melhor Fotografia era aquela que despertava maior curiosidade. Hoje, podemos especular se a dupla nomeação – Deakins também estava nomeado por No Country For Old Men – não terá sido a causa desta infelicidade. Uma coisa é certa. Houve quem já achasse estar a ser perseguido por muito menos que isto.

Bruno Ramos

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