Deuxieme


domingo, março 30, 2008

The Best of... Ennio Morricone

Os visitantes da Deuxieme escolheram A Vila e King Kong como as melhores bandas sonoras de James Newton Howard. O compositor que se segue dispensa apresentações: Ennio Morricone. Qual o cinéfilo que se preze que nunca antes tenha ouvido falar de Morricone? É quase interminável a sua contribuição para a sétima arte e dificilmente o ligamos a um género de filme específico, se bem que tenha obviamente marcado decisivamente a sonoridade do western moderno. A minha selecção seguinte (o habitual "greatest hits") de filmes com música do multifacetado maestro é obviamente curta e abrange algumas das minhas bandas sonoras preferidas do compositor italiano. Peço-vos que indiquem a vossa preferida do genial Ennio Morricone.




Bernardo Sena

quinta-feira, março 27, 2008

Estreias da Semana

NÃO ESTOU AÍ

O cinema é, como todas as artes, uma criação de risco. Por “risco” devo sublinhar todo o arrojo necessário que uma obra deve (ou devia) possuir para se elevar ou, no caso contrário, a falta do mesmo arrojo, que a condena a algo mediano ou mesmo medíocre. Estreia hoje, entre nós, um notável objecto cinematográfico, que nasce do desafio de um enorme risco artístico / pessoal / cultural. Não Estou Aí (I’m Not There no seu original) é o novíssimo filme de Todd Haynes, realizador de obras como Velvet Goldmine (fantástica incursão no mundo da perda de inocência, suspensa sobre o boom da cultura “glam-rock” dos anos 70) e Longe do Paraíso (uma revisitação surpreendente ao classicismo americano dos anos 50), e que se centra num dos maiores ícones da música e da América: o incontornável Bob Dylan.

Se o risco criativo da obra se apresenta já pela enorme complexidade da personagem e do seu peso e herança culturais, afirma-se de antemão que esta é a menor das questões. Haynes vai mais longe e dirige seis actores (Marcus Carl Franklin, Christian Bale, o recentemente falecido Heath Ledger, Cate Blanchett, Richard Gere e Ben Whishaw) no papel de Dylan, cada um representativo das múltiplas facetas deste lendário cantor e compositor, sejam elas de domínio público, privado e/ou fantasiado. Num espantoso mise en scène, Haynes desdobra Dylan no retrato único, onde realidade e fantasia se entrecruzam de forma brilhante, e confere-lhe um cunho biográfico alimentado tanto pela vida real de Dylan como pela sua imagem e histórias a si subjacentes, onde o mito popular e a iconografia se misturam com a veracidade de um homem de capacidades e maneiras tão exuberantes quanto extraordinárias.

Bob Dylan, poeta de intervenção que marcou gerações desde o início dos anos 60 até a actualidade, surge-nos através dos seus amigos (Joan Baez – famosa cantora - discretamente interpretada por Julianne Moore), dos seus fãs (equilibrados entre os que o contestam e os que o veneram), das mulheres da sua vida (onde Charlotte Gainsbourg brilha na pela de Claire) e sobretudo, pelo olhar de um país em plena (e constante) transformação: a América do Vietname, pós Geração Beat, adepta dos Blues, Jazz, do Rock e do Folk (onde Dylan se notabilizou primeiramente), onde o descrédito do poder político se aliava a problemas sociais como o racismo, a droga e a guerra.

Com um enorme poder e sensibilidade artística, Haynes leva-nos para uma viagem inesquecível às mais variadas facetas de um homem único, que travou lutas com a sua própria criação intelectual e o seu compromisso pessoal nas relações humanas que estabeleceu, minadas por um desejo de reclusão constante, de receios e de incompreensão. Oscilando entre um preto e branco magistral e uma cor tão resplandecente como a sua música, Haynes desdobra Dylan em seis corpos diferentes, numa realização estupenda possuidora de uma energia inventiva mas bem contida e devidamente medida para cada cena, em oposição ao formato videoclip que a sua anterior incursão musical (o já citado Velvet Goldmine, que este ano comemora já o seu décimo aniversário) adoptara.

Para além da visão de Haynes, a escolha deste improvável (mas grandioso) elenco é uma peça chave neste enorme labirinto humano, onde para além do destaque das prestações soberbas de Christian Bale (que simboliza Dylan no início da carreira e o mundo do folk, e mais tarde o “abraçar” a causa religiosa) e Heath Ledger (o seu lugar no cinema e a questão familiar centrada na sua mulher e filhas), existe uma “personagem” que vive por si só: Cate Blanchett revisita Dylan em ruptura com o folk e a guitarra acústica, ao aderir à sonoridade eléctrica e ao folk rock, enquanto é confrontado pelos seus fãs que se sentem traídos e ainda pela imprensa e as suas histórias. Blanchett reúne nesta interpretação algo de majestoso, de inigualável, de contornos formidáveis, que não se prendem somente com a questão de representar o sexo oposto, mas a juntar a isso se incluir um “acting” tão vivo e real do papel “do momento” em que ele vive, que faz desta sua interpretação, possivelmente, a melhor da sua carreira.

Contra todos os possíveis factores de criação versus realidade, a vida de Dylan está aqui, bem equilibrada entre verdades absolutas e um hipnótico mundo onírico. Importa ainda relembrar que, neste jogo de máscaras, a juntar a estes seis corpos, Haynes termina o filme com uma imagem do sétimo: o próprio Bob Dylan, que na verdade se chama Robert Allen Zimmerman. Pelos vistos, afinal, os disfarces começaram muito antes do filme, que é absolutamente obrigatório.

5 / 5


Outras Estreias:


NEVOEIRO MISTERIOSO

Frank Darabont (À Espera de Um Milagre) mergulha no cinema de terror, com um fabuloso filme impróprio para cardíacos, que conta a história de David Drayton (Thomas Jane) e o seu pequeno filho que se encontram, entre o largo grupo de habitantes da mesma vila (destaque para a brilhante Marcia Gay Harden), fechados na mercearia local cercada por uma neblina estranha, que esconde uma ameaça terrível. Contra todos os esforços, as resistências acabam por ceder – quer a nível “mutante” como humano, e a luta pela sobrevivência torna-se ainda mais difícil. Cruzando influências de filmes série B, com a lição de John Carpenter bem estudada, e fortemente apoiado no romance de Stephen King em que o argumento se baseia, Darabont fornece-nos duas horas de grande cinema, onde a condição humana e os fantasmas da América se debatem com estranhas criaturas mortíferas que tomam de assalto, sem razão aparente, o mais comum dos mortais. Hitchcock ficaria orgulhoso.

4 / 5


NUNCA É TARDE DEMAIS

Edward Cole (Jack Nicholson) é um executivo milionário que se cruza com Carter Chambers (Morgan Freeman), um mecânico de classe baixa, numa improvável slada de hospital. Unidos pelo fatal destino de uma doença terminal, decidem juntos passar o que lhes resta da vida a concretizar tudo aquilo que sempre desejaram mas não conseguiram. Nesta viagem de combate à tristeza, a realidade dos problemas pessoais de cada um cruza-se com própria celebração da vida e da aceitação do que cada pessoa é por si mesma. Num registo muito simpático, Nicholson e Freeman fazem uma dupla inteligente e apelativa, mas apesar da bondade da mensagem, a força do drama não consegue imperar sobre a moral já explorada e evidente com que o filme se alimenta, para além de sobreviver com uma realização mediana, desprovida de registos de interpretação que deixem marca, algo que dois gigantes como Nicholson e Freeman o sabem fazer sem qualquer tipo de esforço. Ainda assim é um objecto bem articulado, que cumpre aquilo que promete, de forma muito eficaz.

3 / 5


ENTREVISTA

O auto-destrutivo jornalista Pierre Peders (Steve Buscemi), experiente em política e situações de guerra, vê-se a braços com uma despromoção no seu serviço, que o leva, contra a sua vontade, a entrevistar a famosa estrela de séries de televisão Katya (Sienna Miller), e sob um aparente desinteresse entre ambos, estabelece-se uma curiosa relação de cumplicidade que se revela demasiadamente pessoal e… fatal. Baseado no filme de 2003 com o mesmo título, realizado por Theo Van Gogh - um jornalista assassinado em 2004 por um fundamentalista furioso com o visão do Islão que o cineasta mostrou num dos seus filmes – Buscemi, amigo e admirador de Van Gogh, revitaliza a obra anterior, com o mesmo argumento, e fornece-nos um verdadeiro tour de force, contado em 90 minutos e tendo como base o apartamento da actriz, onde cinema e teatro se encontram de forma graciosa, seja pela técnica artística ou pelo fantástico uso de máscaras entre os personagens. Um grande filme a ver, onde Sienna Miller revela porque é uma das grandes actrizes da actualidade.

4 / 5

Francisco Toscano Silva

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quarta-feira, março 26, 2008

Tema Mistério 19

Continuam os "temas musicais mistério". Como sempre, um ponto para quem adivinhar a que filme se refere a música.

Bernardo Sena

segunda-feira, março 24, 2008

Música e Cinema: A Magia de uma Cena (III)

O filme: África Minha (1985)

A cena: Denys Finch Hatton (Robert Redford) surpreende a sua apaixonada Karen Blixen (Meryl Streep), levando-a sobrevoar a fantástica natureza do Quénia.

A música: Esta é uma cena que não faz sentido sem música e onde a orquestração reflecte os vastos espaços africanos. Para o compositor inglês John Barry “esta viagem de duas pessoas sobre uma imensa paisagem teria de ser uma experiência espiritual e não triunfante. Estaria envolta numa sensação de mistério e grandiosidade além da compreensão”. É por isso que decide usar a voz humana como complemento. Em cheio! Uma das mais belas cenas de toda a história do cinema.



Bernardo Sena

sexta-feira, março 21, 2008

Estreias da Semana

O AMOR EM TEMPOS DE CÓLERA

Florentino Ariza (Javier Bardem) é um jovem poeta ingénuo que trabalha nos correios, que se apaixona perdidamente por Fermina Daza (Giovanna Mezzogiono), que lhe corresponde. O romance não é bem visto aos olhos do rico e poderoso Lorenzo Daza (John Leguizamo), pai de Fermina, que assim envia a sua filha para junto da prima, longe de tudo e todos durante uns anos. Florentino aguarda, virgem, a chegada do seu amor, mas quando Fermina regressa encara-o com desprezo, recebendo antes o cortejo de Juvenal Urbino (Benjamin Bratt), um médico famoso com quem se irá casar. De coração ferido, Florentino vinga-se na carne de outras mulheres, enquanto espera que Juvenal morra para reconquistar Fermina, que é o amor da sua vida.

Partindo da premissa da aclamada obra do escritor Gabriel García Márquez, o realizador Mike Newell (Donnie Brasco, Harry Potter e o Cálice de Fogo) filma uma belíssima história de amor sob um olhar absolutamente vazio, sem ideias de cinema, preso a um argumento paupérrimo, que faz de um elenco tão prestável um verdadeiro bando de zombies sem alma nem sangue. É uma tragédia ver uma obra literária, tão importante e relevante como esta, ser reduzida a um telefilme com más prestações, grandes cenários meramente figurativos e sem força nem papel na história, captados por uma realização banalíssima, que não desperta qualquer estímulo no mais comum dos espectadores, ao longo das mais longas duas horas e vinte de sempre. A cultura latino-americana é mostrada sobre os mais batidos “clichés” sociológicos, os cheiros e cores das paisagens são uma realidade distante ou quase nula, as cenas de amor e sexo são tão profundas como as da saga Emanuelle, os actores são monólitos de inexpressividade, dirigidos sobre um completo descuido e num tom de farsa terrivelmente penoso de se ver (de salientar ainda que a caracterização das personagens no seu estado idoso é incrivelmente mal conseguida, a qualquer minuto se teme que sobrancelhas ou narizes ou peitos caiam sem piedade para desmascarar o óbvio). Contra todas as expectativas, seja pelo poder da obra de García Márquez ou até pela competência de Newell já verificada em trabalhos anteriores, O Amor em Tempos de Cólera é, desde já, um dos piores filmes que estreou entre nós (a juntar-se às Duas Irmãs Bolena e ao indescrítivel 10,000 AC). E que pena que assim é.

1 / 5


AUGUST RUSH – O SOM DO CORAÇÃO

Evan Taylor / August Rush (Freddie Highmore, que podemos ver actualmente em As Crónicas de Spiderwick) é um menino orfão especial, com um enorme talento para a música. Reduzido ao orfanato e sem amigos, Evan nunca desistiu da ideia de um dia encontrar os seus verdadeiros pais, que não conhece mas imagina nos seus sonhos. Com receio de ser entregue a uma família adoptiva, Evan parte em busca dos seus entes queridos, e depara-se com um mundo que desconhece, que o levará contra um vagabundo oportunista do seu dom (Robin Williams), e o irá fazer enfrentar os seus medos interiores, na luta para encontrar a sua mãe (Keri Russel) e o seu pai (Jonathan Rhys Meyers), curiosamente dois excepcionais músicos que seguiram forçosamente vidas separadas. A música revela-se, por isso, a chave para o seu encontro.

Kristen Sheridan (filha de Jim Sheridan, que escreveu o argumento de Na América) é a realizadora deste interessante filme, recheado de boas intenções, mas que infelizmente se revela fraco, e por vezes lamechas, no passar da sua bonita mensagem. O seu argumento pobre é a principal causa para o desnorte do filme, que contém a acção bem delineada, mas que se apoia em pressupostos e personagens de linhas demasiado maniqueístas (onde Robin Williams surge num registo secundário absolutamente deplorável, quer pela sua interpretação quer pelo conteúdo da personagem, que nos remete para um “cliché” género Oliver Twist) e que deturpam, no seu plot final, uma visão mais humana (com que o filme até arranca de forma interessante) que a acção tomara no seu início, e que se pedia, sobretudo, no fim. Por isso, temos um eterno lugar comum, misto de contos de fadas, de meninos perdidos, mundos muito estilizados, e um inevitável e descarado “happy end”, misturados à deriva de bons costumes e valores familiares nem sempre fiéis à realidade que os circunda. No entanto, tudo isto não invalida o eficaz trabalho de Sheridan no cuidado da narração e evolução das personagens (boa coordenação de flashbacks com acção presente), bem assentes graças também ao bom trabalho de Freddie Highmore, de Keri Russell (mãe que se refaz com pequenos pedaços do filho), e ainda, de Jonathan Rhys Meyers, num registo diferente mas igualmente competente e caloroso.

2 / 5


HORTON E O MUNDO DOS QUEM

Horton é um elefante divertido, dotado de uma enorme imaginação, que habita numa selva muito peculiar. Um dia, Horton ouve, inadvertidamente, um curioso pedido de ajuda, vindo de um grãozinho de pó que flutua pelo ar que é, na verdade, um planeta minúsculo, onde existe uma cidade chamada “Quem Vila”, onde habitam seres microscópicos que ninguém consegue ver. Os "Quem", seus habitantes, pedem a Horton, dotado de uma excelente audição, que os proteja no seu mundo exterior, mas a incompreensão dos outros animais da selva irá causar-lhe um enorme caso de trabalhos.

Baseado nas personagens de Theodor Seuss Geisel (Dr. Seuss), Horton e o Mundo dos Quem é uma deliciosa história, realizada por Jimmy Hayhard e Steve Martino, que se debruça sobre o poder do mais perfeito processo de animação (trazido até nós, neste caso concreto, pelos Estúdios Blue Sky), onde se esconde uma fabulosa e encantadora história de variados contornos sociais da actualidade, bem explorada numa vertente que atinge os públicos mais novos, como também os mais velhos, de igual forma. Num divertido registo, Jim Carrey transporta para Horton os seus mais diversos tiques e manias de representação, e sobretudo, em paralelo com a dimensão física do herói surgem feitos e emergem necessidades de enorme importância humana, ainda que devidamente mascaradas sobre o comum receio pueril e confronto racional, inerentes a todos os seres. Num interessante triângulo de acções, onde Horton colabora com o presidente da Vila dos Quem (o sempre excelente Steve Carell) e enfrenta a Canguru dominadora da selva (Carol Burnett), é-nos fornecida uma luminosa comédia, onde os cenários e os seus efeitos apaixonam os espectadores, bem como os personagens secundários e os seus gags (o grupo de macacos Wickersham munidos de bananas e o abutre Vlad Vladikoff – com a voz de Will Arnette – são claros exemplos), para além ainda do inventivo e mágico argumento, que se apresenta de forma linear e simples, mas bem carregado de uma mensagem nada vulgar, onde o "tamanho" das coisas ganha um papel fundamental. Mais um triunfo do mundo da animação para todos os públicos sem excepção. Na versão portuguesa temos as vozes de João Baião, Vítor Norte, Inês Castel-Branco e Cláudia Cádima.

4 / 5


OS FRAGMENTOS DE TRACEY

Tracey Berkowitz (Ellen Page), é uma adolescente de 15 anos, que se apresenta nua sob uma velha cortina de banho na parte de trás de um autocarro, enquanto procura desesperadamente o seu irmão mais novo, Sonny (Zie Souwand). Numa interminável viagem, Tracey mergulha no seu mundo estilhaçado, onde em pequenos fragmentos se descobre uma família disfuncional, um mundo de fantasias com o seu namorado Billy Zero (Slim Twig) e uma fragilidade humana de enorme escala, onde a verdade e a criação irreal do desejo andam de mãos dadas.

Que Ellen Page é uma actriz absolutamente notável já ninguém tinha dúvidas (é só ver ou rever Hard Candy e/ou Juno, ainda em exibição entre nós), mas ainda assim cada projecto seu comporta uma curiosa questão inicial: que registo esta jovem actriz nos vai presentear? Os Fragmentos de Tracey é, entre várias coisas, uma surpresa; é uma surpresa enquanto objecto cinematográfico, e uma vez mais enquanto representação “solo” de Ellen Page. Sob um formato “fragmentado”, Bruce McDonald (realizador oriundo da TV) conduz-nos num mundo desencantado, onde o ecrã nos surge fragmentado noutros diversos ecrãs, onde a mesma acção ou acções paralelas decorrem, e que nos presenteiam, numa brilhante narrativa não linear, um retrato cruel da viagem de uma jovem, que se vê a braços com a culpa de ter “perdido” o seu irmão pequeno. No seio desta incessante procura encontram-se necessidades de resolução para a sua família disfuncional, para a marginalização da parte dos seus colegas da escola, e para o despertar sexual e onírico que o seu namorado (que encarna os cânones clássicos do “Rock n’ Roll way of life”) lhe provoca; mundos fragmentados que habitam na sua vida desequilibrada. Perante este argumento de tom clássico e de cunho visual arrebatador, esta é uma obra fascinante e de originalidade evidente, que nos mostra novos caminhos do cinema digital e inovadoras vertentes de fazer cinema.

4 / 5

Francisco Toscano Silva

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Blade Runner. Numa sala escura.

Eis a melhor prenda desta Páscoa, possivelmente uma das melhores prendas deste ano, e de qualquer ano. Blade Runner, o incontornável clássico de ficção científica (com um fabuloso toque de film noir) realizado em 1982 por Ridley Scott - que comemorou no ano passado 25 anos volvidos da sua estreia - vai regressar às salas de cinema portuguesas (à semelhança do que está a acontecer internacionalmente) na sua "versão especial". A sua estreia em Portugal está marcada (imagine-se) para 24 de Abril, bem mais cedo do que esperávamos, após tantos anos que se aguardaram impacientemente por este acontecimento cultural.

Aqui vos deixo o trailer mais recente, para (re)lembrar, nestas imagens, porque é que estamos perante uma das maiores obras de cinema da história da Sétima Arte.

Francisco Toscano Silva

Verdades irrefutáveis.

O mote para este post surgiu com uma fotografia pouco convencional. Ao olhar para o frame que pretendia ilustrar uma determinada cena, dei por mim a pensar que contaria pelos dedos de uma mão, o número de vezes que tinha visto uma coisa assim. Apesar de não ser terrivelmente estranho, disse para com os meus botões, Ora aqui está uma coisa que não se vê todos os dias. Não importa aqui o filme que esteve na origem, mas sim o facto de isto ter despoletado a ideia de partir à procura de coisas mais comuns. Tão comuns que, ainda não aconteceram, e nós já sabemos que vão acontecer. Daquelas coisas que nos levam a dizer Típico. Daquelas coisas que nos levam a pensar Pff, assim também eu era realizador. Daquelas coisas que surgem filme sim, filme não, e que, por serem tão frequentes, já nem damos por elas. É verdade que pode haver aqui algum exagero, no sentido de trazer uma universalidade inexistente a estas leis de Murphy. No entanto, basta que isto tenha acontecido uma vez, para confirmar a teoria. Porque a ciência cinematográfica é mais maleável.

Vejamos então dez certezas que habitam essas obras que tanto adoramos, e que dão pelo nome de filmes.

10 – Sempre que alguém entra numa cozinha, e não acende a luz, é porque vai buscar alguma coisa ao frigorífico. Mas, o objecto de desejo nunca está na porta do frigorífico. Aquilo que ela procura está lá atrás, bem no fundo, mesmo em frente à câmara, para o grande plano.

9 – Sempre que alguém tem uma alucinação em que mantém uma conversa, a coisa funciona enquanto os dois se olham nos olhos. O problema é quando a personagem real vira as costas. Assim que ela se vira novamente para responder, a ilusão desapareceu. A única razão legítima para os psicanalistas não recorrerem a este método infalível, é a falta de respeito que a alucinação possa sentir.

8 – Sempre que uma lareira está a ser utilizada, a cena só pode ter dois desfechos. Ou alguma coisa vai ser queimada, ou um casal acaba enrolado no chão. Esta última opção não é exclusiva para marido e mulher.

7 – Com muita ou pouca pressa à mistura, a corrida do táxi inclui sempre troco. Já a entrar no autocarro, ninguém compra bilhete, o que nos leva a pensar que todos terão passe social.

6 – Sempre que alguém leva uma pistola à boca para acabar com a própria vida, só termina o trabalho se estiver sozinho. Se estiver acompanhado, acaba por chorar e deixar cair a arma. Isto leva-nos a concluir que o suicídio só existe se não for acompanhado.

5 – Por mais responsável que seja, sempre que alguém sai de casa a correr, nunca tranca a porta. E, das duas uma, ou sai disparado porque já tem as chaves no bolso, ou tem de apanhar as chaves e um casaco. Nunca as chaves sem o casaco. E, é importante levar as chaves, precisamente porque não tranca a porta. Parece que não faz sentido, mas faz.

4 – Se, numa cena de sexo iminente, alguém pergunta Tens a certeza que queres fazer isto?, é porque a coisa vai mesmo acontecer. A resposta a esta pergunta jamais poderá ser Agora que dizes isso... Já no altar, tudo é possível.

3 – Sempre que os pais se reencontram com o filho após uma longa separação, e este ainda é pequeno o suficiente, pegam-no ao colo entusiasticamente. Porém, na despedida, o abraço triste é sempre ao nível da criança, com os pais a dizerem adeus com um joelho no chão obrigatoriamente. Para mais esclarecimentos ver Kramer Contra Kramer, onde isto acontece a cada cinco minutos.

2 – Sempre que alguém apaga a luz da mesa-de-cabeceira ao deitar, os cortinados abertos permitem que o luar ilumine a face da nossa personagem. Mesmo que lá fora esteja a chover, a luz é sempre suficiente para clarear o quarto.

1 – Um copo a deslizar no balcão de um saloon nunca pára sozinho por força do atrito. Surge sempre uma mão.

Alvy Singer

Milkshake espacial.

Uma paródia de se lhe tirar o chapéu, de certeza feita por alguém com bastante tempo livre e ainda maior talento, com o melhor filme de 2007 ao barulho.



Alvy Singer

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Paul Scofield (1922-2008).

Não sendo um nome sonante da sétima arte, Paul Scofield é um dos nove actores a ter ganho um Oscar e um Tony pela mesma personagem (Sir Thomas Moore), e um dos seis a ter ganho um Oscar, um Tony, e um Emmy. Uma carreira com pouco mais de trinta filmes, suficientes para espalharem a genialidade deste actor que nasceu para o cinema nos palcos britânicos. Líder de uma voz sonante, comparada ao motor de um Rolls Royce, Scofield conseguiu deixar para trás as comparações com Laurence Olivier, e deixar a sua própria marca na História da representação, onde foi rei e senhor. Paul Scofield será, sem dúvida, Um Homem Para a Eternidade.

Alvy Singer

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Mais quatro que passam para o lado da verdade.

Já por diversas vezes manifestámos aqui o nosso amor para com o trabalho de Ricky Gervais. A mesma coisa para com Tina Fey. Idem Idem, aspas aspas, para com Arrested Development, série em que Jeffrey Tambor é o chefe de família. E, quantas vezes é que já não fizemos aqui referência ao Daily Show, de Jon Stewart, onde John Hodgman é presença assídua? O único dos quatro, que ontem confirmaram a sua presença ao lado de Gervais em This Side of The Truth (do qual deixámos aqui umas linhas, ainda esta semana), de que ainda não falámos neste espaço, deve ter sido Christopher Guest. Mas, não seja por isso. Basta recordar que o homem co-protagonizou e escreveu This Is Spinal Tap (Rob Reiner, 1984) com Michael McKean, Harry Shearer e Rob Reiner, e percebe-se que estas são quatro contratações de peso. Estamos para ver como é que Gervais vai mentir a esta gente toda, sem que ninguém dê por isso.

Agora, porque se fala em Tina Fey neste post, nada melhor do que deixar aqui um pouco da sua graça, ainda nos tempos do Saturday Night Live. Ah, como eu gosto desta mulher.



Alvy Singer

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Um conceito vago.

Passe a publicidade, um Swirl é das melhores coisas frias que pode ser servida num copo de cartão. Fruta, gelado e toppings, numa combinação absolutamente estrondosa. Para Alvy Singer, não era preciso qualquer efeito cenoura, dado que sou um cliente habitual deste produto há já bastante tempo. No entanto, não estando se calhar satisfeita com as vendas, a Olá desencantou uma forma sublime de arranjar mais clientes. Melhor, a Olá é capaz de ter descoberto a melhor promoção de todos os tempos. Mérito lhes seja dado. Devia até haver um prémio para este tipo de coisas. Quantos executivos de topo por esse mundo fora, não estarão neste momento com as mãos na cabeça a pensar Porque é que não nos lembrámos disto antes, caramba?

Indo directo ao assunto, ou, à jogada de mestre da Olá, como preferirmos, a loja leva a cabo uma promoção em que oferece Dvds com os dois primeiros episódios da primeira temporada das séries Ossos, A Unidade, Prison Break e Boston Legal. Tamanha gentileza devia ser proibida. Um Dvd, com dois (2!) episódios. Receamos não encontrar as palavras para definir com a devida clareza este verdadeiro marco na História das promoções. A Psicologia descreve estes casos como a Técnica do Pé na Porta. Que é um pouco o que acontece quando nos telefonam para casa ou tocam à campainha. Sem querer ferir susceptibilidades, isto não deve ser confundido com promoção. Mas, divulgação rima com promoção, daí talvez a confusão. Já esteve mais longe o dia em que um iluminado virá com a ideia de oferecer trailers.

Alvy Singer

Os videoclips da Mariah.

Aqui há uns tempos falámos no Deuxieme de um certo videoclip de Mariah Carey. Na altura pensámos Bem, como isto será uma vez sem exemplo, não tem mal. E, não teve mesmo. Em Maio do ano passado, a segunda temporada de Prison Break estava ainda no auge e a carreira de Wentworth Miller nos píncaros. Tudo o que envolvesse o actor tinha uma justificação lógica. Mesmo que ele não abrisse a boca e se limitasse a passear de um lado para o outro de smoking e all-star. Aliás, o post pretendia retratar mesmo a sensualidade transmitida pelo ar sisudo de Miller. Enfim, na altura, pareceu-nos interessante falar disso.

Agora, ao termos abordado esse videoclip, abrimos um precedente. Se já falámos de músicas de Mariah Carey, podemos muito bem voltar a fazê-lo. E, não é que vamos mesmo deixar aqui o link para o vídeo de Touch My Body? Desta feita, por valores ainda mais nobres (não que o olhar sério de Wentworth Miller não tenha o seu quê de importante), o que alivia um pouco este peso na consciência de sentir que, num espaço sobretudo dedicado ao cinema, não devia haver lugar para estas coisas. Mas, porque estes limites são relativos, não vale a pena colocar entraves. Existem, então, duas razões de fundo para este post. A primeira, o actor que acompanha Mariah Carey. Jack McBrayer é uma das caras mais populares de 30 Rock e, quem já viu a série, sabe porquê. Para quem ainda não viu a série, o que ele faz neste videoclip é mudar a personagem de armas e bagagens para a mansão de Mariah Carey. Agora, se acham que isto é capaz de ter piada, esperem até vê-lo no programa criado por Tina Fey, a melhor sitcom que por aí anda, ao lado de O Escritório – aquela com Steve Carrell que a TVI costuma passar depois das 4 da madrugada. Vale a pena descobrir McBrayer (membro assíduo nos projectos de Apatow, que marcará presença em Forgetting Sarah Marshall) e, acima de tudo, vale a pena espreitar 30 Rock. A segunda razão, Brett Ratner (Hora de Ponta). Esta é a sexta colaboração entre Ratner e Mariah Carey. Ao dizermos isto, não podemCos deixar de imaginar um qualquer encontro numa festa de Hollywood entre Martin Scorsese e Brett Ratner. Pergunta o Brett: Então Martin, o que é que andas a fazer, quando não estás a realizar? Responde o Martin: Nada de especial, apenas um anúncio do caraças a homenagear Hitchcock. E tu? Responde o Brett: Nada por aí além, apenas a realizar videoclips com a Mariah Carey semi-nua. Por mais voltas que se lhe dê, não tem o mesmo impacto. Se bem que, agora que escrevemos esta hipotética última resposta de Brett Ratner, ficámos a pensar que se calhar o parvo no meio disto tudo… cala-te boca.

Alvy Singer

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quinta-feira, março 20, 2008

The Best of... James Newton Howard

Nascido em 1951, James Newton Howard é já um veterano nestas andanças da música para cinema. O compositor norte-americano tem sido especialmente notado nos últimos tempos, pela sua colaboração com M. Night Shyamalan. Aguarda-se aliás com expectativa a sua composição para The Happening, o novo filme de Shyamalan. Autor do célebre tema de abertura de Serviço de Urgência, obteve recentemente duas nomeações para o Oscar com as suas partituras para A Vila e Michael Clayton. 2007 foi o seu ano mais produtivo de sempre, com excelente música para filmes como Eu Sou a Lenda, o já referido Michael Clayton ou Jogos de Poder, entre outros. Deixo-vos uma (pequena) viagem pelo trabalho de Newton Howard, desafiando-vos como sempre a indicarem a vossa banda sonora preferida deste extraordinário compositor.



Bernardo Sena

A arte de salvar o mundo.

Heróis precisam-se. De carne e osso, de preferência, e que já tenham passado pelo grande ecrã, se possível. A História continua a ser marcada pelos regressos, e, a falta de originalidade para criar novos personagens – Bourne continua a ser excepção que confirma a regra –, aliada aos aplausos que se fazem ouvir sempre que aquele justiceiro adorado pelas massas é repescado, fazem com que muitas vezes esta seja a melhor solução. Ir buscar alguém ao passado jamais deve ser considerado desespero. Ou deve? Depende do caso.

Hoje, o site Screen Daily afirma que o Nu Boyana Studios, em Sófia, na Bulgária, está a construir dez plateaux para diversos filmes. Ao que parece, o primeiro projecto a utilizar os novos espaços será o próximo filme de John Rambo. Depois de ter dito que o quarto seria o último e derradeiro filme da saga, Sylvester Stallone já veio dizer que Rambo 5 é uma forte possibilidade, até porque anda com ideias de experimentar coisas novas para o veterano de guerra. Sem entrar em pormenores, este é daqueles comentários que serve mais para espicaçar os fãs, e ver como é que param as águas, do que outra coisa qualquer. A verdade é que a coisa resultou e a maioria manifestou o seu agrado perante a ideia do regresso de Rambo – algo que já não se passou quando surgiram os primeiros rumores de Cliffhanger 2: The Dam. Harvey Weinstein foi mesmo um dos primeiros a declarar o seu entusiasmo, sugerindo até que Rambo regressasse à América. Não sabemos até que ponto estas filmagens na Europa colocam esse cenário de parte, contudo, assim, parece-nos pouco provável.

Outro que também parece estar de volta é Jack Ryan, o agente da CIA criado por Tom Clancy. Depois de já termos visto Ryan ser interpretado por Alec Baldwin (Caça ao Outubro Vermelho, 1990), Harrison Ford (Jogos de Poder, 1992; Perigo Imediato, 1994) e Ben Affleck (A Soma de Todos os Medos, 2002), fala-se agora de uma série de novos filmes com a personagem, realizados por Sam Raimi. O primeiro projecto tem estreia prevista para 2010. No entanto, levantam-se aqui duas questões. A primeira, o facto de Clancy estar a ultimar o seu mais recente livro com Jack Ryan. Como a Paramount ainda não teve acesso à obra, por esta altura é impossível dizer se o primeiro filme desta nova série será baseado, ou não, no livro. O segundo problema, que não será que não resolva a bem, prende-se com as alterações que Raimi pretende introduzir, nomeadamente no ponto da carreira em que Ryan se encontra. Segundo a Variety:

The intention is to generate several films Raimi would develop and direct, featuring Ryan at a younger, more formative point in his career than previously depicted. One invention the studio is considering is to set the film in the present, with the action triggered by a global threat”.

Ora, se para quem se habituou a ver um Jack Ryan com alguma dose de reumatismo, já foi difícil aceitar a escolha de Ben Affleck, com este aviso, ficamos à espera do pior. Compreendemos estas decisões de apelar a um público mais jovem, agora, se alguém disser Shia LaBeouf, garanto que compro uma passagem de avião para dar uma palavrinha a Sam Raimi.

Fora isto, parece que está na calha o regresso do maior badass de todos os tempos. Porque não podemos escrever muitas linhas sobre este assunto, devido a consequentes complicações de arritmia, é favor visitar o distinto espaço de seu nome Cinema Notebook.

Alvy Singer

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O marketing dos nossos tempos.

O filme anterior de Deborah Kampmeier tinha sido Virgin (2003). A obra, sobre uma jovem adolescente que se depara grávida, sem qualquer memória de ter tido relações sexuais, e que por isso depreende carregar no ventre o filho de Deus, até teve boa aceitação, sobretudo por parte da crítica. Destaque talvez para o prémio do Júri no Festival de Toronto, e para as duas nomeações nos Independent Spirit Awards, onde se incluía o galardão John Cassavetes. Até aqui tudo bem, e o seu filme seguinte, Hounddog, foi inclusive um dos seleccionados para o Festival de Sundance de 2007. Pois, aqui é que a porca torceu o rabo.

Se nos quisermos lembrar do vencedor do ano passado em Sundance, talvez seja necessário puxar um bocado pela memória. Agora, se alguém perguntar qual foi o filme mais controverso que passou por Park City nos últimos anos, rapidamente dizemos qualquer coisa como Aquele com a Dakota Fanning. A verdade é que a película estreou a 22 de Janeiro de 2007 no Festival criado por Robert Redford, e, quatro dias depois, já surgiam notícias a dizer que o filme não tinha compradores, e que dificilmente chegaria às salas de cinema, como se fosse o objecto mais repelente alguma vez saído da máquina de Hollywood. Tudo isto por causa da controversa cena de violação que envolvia Dakota Fanning – a primeira manchete sobre este tema data de 26 de Julho de 2006, dia que marcou o final das filmagens. No entanto, como em tudo, o tempo encontra uma forma de curar a situação.

Já este ano a Empire Film Group adquiriu os direitos de distribuição do filme, numa primeira fase, apenas para os Estados Unidos. Neste momento, a Empire prevê uma campanha que possibilite a estreia em 500 salas, no fim-de-semana de 18 de Julho. Receitas esperadas para este filme independente: nada mais, nada menos do que 15 milhões de dólares. Nas palavras de Dean Hamilton-Bornstein, presidente da Empire Film Group:

We believe that Hounddog will be one of the top, independent films at theaters this summer. It is a powerful, coming-of-age drama that deals with serious issues that should resonate with audiences. Dakota Fanning delivers an Oscar-worthy performance and we expect to see a lot of media attention”.

Num ápice, parece que a rosa deixou de ter espinhos. Ou que não é preciso lapidar o diamante, porque ele brilha na mesma. De repente, deixa-se de falar na cena que marca o filme, percebe-se o potencial que este tem, precisamente pela enorme publicidade gratuita que essa mesma cena possibilitou, e transforma-se um berbicacho num filme apelativo. Até já se fala num Oscar para Dakota Fanning, veja-se bem. Para o que vale, este drama, com Robin Wright-Penn, Piper Laurie e David Morse, retrata a existência de uma problemática criança, no interior dos Estados Unidos, e que encontra a paz necessária na música de Elvis Presley. Mas, depois disto tudo, é difícil dizer se alguém quererá ver este filme pelo que ele é, ou por aquilo que sobre ele já se escreveu. Aqui fica o primeiro trailer.

Alvy Singer

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Eles dão-se a conhecer. Prazer.

Algo que também tem surgido a pontapés nos últimos tempos, são as primeiras imagens que nos dão a conhecer determinado personagem. A variedade é grande, e temos figuras novas para todos os gostos e feitios, desde um Johnny Depp à anos trinta, passando por um musculado Mark Wahlberg, até um cabeludo Benicio Del Toro. Porque não há grande coisa a dizer nestes casos, a não ser Aqui estão as primeiras imagens de…, aqui ficam as primeiras imagens de Mark Wahlberg como Max Payne.

Não sei se a maioria já alguma vez pegou no jogo, no entanto, para quem pegou, acredito que haja aquela curiosidade de saber como é que será feita esta adaptação. Confesso que este foi daqueles títulos que comecei, mas que tive de deixar a meio. A história do detective de Hell’s Kitchen, injustamente acusado da morte da família, e que procura descobrir a verdade a todo o custo, mergulhado no crime organizado de Nova Iorque, até era interessante. O problema é quando começamos a morrer mais vezes do que é suposto, e a força de vontade para continuar se esvai por entre os game over. Com a chegada do filme, talvez fique a saber como é seria se tivesse continuado para o nível seguinte. Já não digo saber como é que a história termina porque, ao que parece, existe um Max Payne 2. E, ou muito nos enganamos, ou, se isto resultar nas bilheteiras, teremos direito a sequela. Agora, parece-nos é que esta obra de John Moore (Behind Enemy Lines) servirá para ver como é teria sido Sin City, nas mãos de outro criativo.

Posto isto, aqui fica a primeira imagem de Johnny Depp como John Dillinger.

O filme, sobre o qual temos acompanhado o casting, é Public Enimies, de Michael Mann (Ali). Por muito que custe, ainda teremos de esperar mais de um ano – e este seria um óptimo prognóstico – para o ver numa sala escura. Para além de Depp, o filme contará ainda com as participações de Christian Bale e Marion Cottilard. O Worst Previews já disponibilizou mais algumas fotografias no set de rodagem.

Por último, aqui ficam as primeiras imagens de Benicio Del Toro como Wolfman.

Bem, aqui é que não há mesmo grande coisa a acrescentar. Oscar de Melhor Caracterização, alguém?

Alvy Singer

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quarta-feira, março 19, 2008

O poster e o frio.

As noites têm estado cada vez mais frias. O Instituto de Meteorologia fala mesmo de uma Páscoa Gelada, para o próximo Domingo. Naquilo que puder, o Deuxieme tudo fará para aquecer esta quadra. No entanto, parece-nos mais fácil auxiliar a facção masculina.

A primeira vez que falámos aqui deste filme, foi há quase um ano. Hoje, My Blueberry Nights (Kar Wai Wong) continua sem data de estreia. O filme, que até já tem nome em português (O Sabor do Amor), já esteve para chegar às salas a 14 de Fevereiro, dia extremamente sugestivo. No entanto, com o reboliço habitual dos Oscares, acabou por cair. Depois de tanto tempo, a espera deixa de ser uma tortura para passar a ser um estado de espírito.

No que diz respeito à facção feminina, o melhor que conseguimos arranjar, também no formato poster, foi o mais recente de Chapter 27 (J.P Schaefer), se bem que aqui seja necessário puxar pela imaginação, e recordar o Jared Leto antes da transformação.

Verdade seja dita, reconhecemos que os posteres não terão a mesma capacidade de calefacção. No entanto, parece-nos importante abordar este filme, quanto mais não seja pela metamorfose gritante de Leto. Não fosse o filme já ter passado pelo Festival de Sundance, onde as reacções foram mais que mistas, e diríamos que a Academia teria aqui um dos tipos de papéis que mais gosta, aqueles que obrigam o actor a mudar por completo. De qualquer modo, apesar de o filme não aparentar grande estaleca, cá estaremos para avaliar as apreciações à performance de Jared Leto.

Alvy Singer

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Novo trailer de Mamma Mia!.

Este é daqueles dias em que parece que chovem notícias. Nem vale a pena guarda-chuva, pois molhamo-nos na mesma. Vêm umas atrás das outras, como se alguém as tivesse guardado na gaveta durante uma semana, para agora vir deitar tudo cá para fora. Verdade seja dita, ontem também não dedicámos o tempo necessário a este espaço, o que faz com que algumas destas novidades não saibam a Dia do Pai.

A abrir as hostilidades temos o mais recente trailer de Mamma Mia!, a adaptação do musical de sucesso da Broadway, realizado por Phyllida Lloyd. Não é preciso guardar no armário uma camisa com colarinho proeminente, ter uns óculos de sol com armação de metal e lentes verdes em dégrade, ou não olhar de soslaio para a discografia dos Bee Gees, para nos sentirmos identificados com este título. No entanto, ajuda. Alvy Singer é o primeiro a reconhecer que existe aqui qualquer coisa encantadora, no sentido de enfeitiçar e puxar para a sala de cinema. E, descortinando aqui os diversos elementos que já temos à disposição, entre sinopse, fotografias e trailer, a primeira ideia que temos é a de que toda a gente encontra motivos para cantar, sorrir e pular, nesta película. No entanto, parecendo que não, temos um drama em mãos. Sophie (Amanda Seyfried) terá de descobrir quem é o seu verdadeiro pai, no meio de três candidatos. Ora, em qualquer outro filme, isto seria o mote ideal para a maior lamechice possível. Mas, não em Mamma Mia!. Neste lugar onde o sol não pára de brilhar, a não ser quando a festa é à noite, não há espaço para tristezas. E, por enquanto, este parece ser o grande trunfo da obra, o de apresentar de uma assentada todas as suas valências feel-good movie.

No entanto, o AICN chama-nos à atenção, sobretudo depois deste segundo trailer, para o facto de o filme continuar a insistir em não mostrar mais momentos musicais, como se, de alguma maneira, isso fosse um embaraço. Todos nos recordamos das críticas a Dreamgirls (Bill Condon, 2006), por este não assumir o seu estatuto de musical genuíno. Esperemos que Mamma Mia! não siga o mesmo caminho.

Alvy Singer

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terça-feira, março 18, 2008

Anthony Minghella (1954-2008)

O cinema está uma vez mais de luto. Anthony Minghella, aclamado realizador de cinema, faleceu hoje aos 54 anos, vítima de uma hemorragia que surpreendeu uma intervenção cirúrgica a que fora submetido. Minghella destacou-se no cinema, nas áreas da realização, do argumento e da produção, e tornou-se mundialmente reconhecido pelo seu excelente (e valorizado) trabalho na realização de O Paciente Inglês, um notável filme que adaptara a obra de Michael Ondaatje e que recebeu 9 Óscares da Academia em 1997 (onde se incluem as categorias de Melhor Filme e Melhor Realização). Consumado o seu nome e qualidade artística, Minghella deixou também marcas no thriller policial O Talentoso Mr. Ripley (1999) sob a alçada da famosa história de Patricia Highsmith; dissecou Samuel Beckett na sua curta-metragem Play (2000), sem distribuição entre nós; mergulhou no drama histórico com Cold Mountain (2003) e filmou o quotidiano urbano e os seus amores com o Assalto e Intromissão (2006). Para a memória ficam as suas fabulosas obras, dotadas de cenas inesquecíveis e fortes, que marcaram as últimas duas décadas do cinema. Cenas marcantes, como estas...

Francisco Toscano Silva

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Arthur C. Clarke (1917-2008).

Ainda não nos refizemos da perda de Anthony Minghella, e o mundo do cinema já lamenta a morte de outro grande nome, Arthur C. Clarke. Poucos autores serão associados tanto a um filme, como no caso de Arthur C. Clarke e 2001: Odisseia no Espaço (1968), o clássico de Kubrick. Quem não se lembra do cientista em directo na cerimónia dos Oscares, via satélite, há sete anos, para comemorar a sua obra-prima? Actualmente, está prevista mais uma adaptação de um livro seu, Rendezvous With Rama, cujo realizador será David Fincher. Mas, hoje, não é isso que importa.

Hal poderá fechar as portas agora. A Terra sentirá a falta de Arthur C. Clarke.

Alvy Singer

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Tropic Thunder - O trailer.

É difícil começar este post sem pensar na pesada notícia que marca o dia. Mais um súbito desaparecimento, para o qual não estávamos preparados, e que deixa mais pobre o mundo da sétima arte, vitima nos últimos meses de duras perdas. Nestas alturas, nada há a fazer senão lamentar a morte de tão prestigioso cineasta, e recordarmo-nos a nós próprios que teremos connosco as obras do Talento Mr. Minghella, sempre que nos quisermos lembrar da sua singularidade. No entanto, porque isto não passa de um filme ininterrupto, no qual vamos deixando as nossas deixas e interpretando a nossa parte, há que continuar, e olhar em frente. Assim, num dia assinalado pela pior das notícias, nada melhor do que partir à procura de um motivo para sorrir e voltar a ver o copo meio cheio. E, para isso, resolvemos ir buscar o trailer de Tropic Thunder.

Sobre este títutlo, antes de mais nada, importa realçar a realização de Ben Stiller. É verdade que Stiller já se sentou na cadeira de realizador por três vezes: Jovens em Delírio (1994), O Melga (1996), e Zoolander (2001). No entanto, esta sua quarta experiência atrás das câmaras é capaz de ter motivações inexistentes nas três anteriores. Quando pensamos em Ben Stiller, já somos capazes de dividir a sua carreira, pelo menos, em duas partes. Até há coisa de cinco anos, Stiller era um actor de comédias, umas, um enorme sucesso de bilheteira, outras, extremamente bem recebidas pela crítica. De há cinco anos a esta parte, Stiller passou a ser um actor de comédias, umas, um enorme sucesso de bilheteira, mas, quase nenhuma bem recebida pela crítica. Talvez o ponto de viragem na sua carreira tenha sido o incompreendido Duplex (2003), ao lado de Drew Barrimore. Dai para cá, este projecto amaldiçoado parece ter estendido o azar aos restantes projectos, mais ou menos falhados, do actor: Starsky & Hutch (Todd Phillips, 2004), Envy (Barry Levinson, 2004), Achorman: The Legend of Ron Burgund (Adam McKay, 2005), e The Heartbreak Kid (Bobby Farrelly e Peter Farrelly, 2007). Nem mesmo Madagascar (Eric Darnell e Tom Grath, 2005) e Meet The Fockers (Jay Roach, 2004) tiveram a aceitação esperada. Ora, Stiller é um actor mal habituado, ou não tivesse participado em Um Sogro do Pior (Jay Roach, 2000), Doidos Por Mary (Bobby Farrelly e Peter Farrelly, 1998) e Os Tenenbaums (Wes Anderson, 2001), algumas das melhores comédias puras da última década.

Tudo isto para dizer que Stiller deve ser o primeiro a querer recuperar a mística de outrora, quando era por muitos considerado o digno sucessor de Jim Carrey na comédia de Hollywood. Ao assumir a realização deste filme, Stiller adquire por completo as rédeas deste projecto, esperando levá-lo a bom porto, recolocando a sua carreira no trilho certo. Ou isso, ou estas linhas não passam de um bela teoria sem ponta por onde se lhe pegue, apenas para encher chouriço.

A premissa do filme é relativamente simples: Após uma série de acontecimentos estranhos, um grupo de actores a filmar um filme de guerra de grande orçamento vê-se subitamente obrigado a transformar nos soldados que interpreta. O trailer não só nos mostra isso mesmo, como ainda nos leva a recordar Platoon (Oliver Stone, 1986), ali nos primeiros segundos. Algo que ainda não podemos ver para já são os cameos de Tom Cruise, Matthew McConaughey e Tobey Maguire.

Alvy Singer

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Tema Mistério 18

Em memória do realizador Anthony Minghella (1954-2008), ontem falecido.




Bernardo Sena

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Com a verdade m'enganas.

Apesar de passar cada vez mais tempo para os lados do Pacifico, Gervais continua a ser o equivalente a Jerry Seinfeld, mas do lado de cá do Oceano. Porque já quase tudo foi dito sobre A Empresa e Extras – finalmente a receber a estima merecida desde a primeira temporada –, entrar por aqui a dissertar sobre Gervais e Stephen Marchant parece-nos desnecessário. Bastará dizer que a primeira se trata, muito provavelmente, da melhor Britcom de todos os tempos, com o melhor final a que uma série do género pode aspirar, enquanto a última pode ser encarada como a irmã renegada de Entourage, por mais estranho que isto possa parecer.

Por tudo isto, quando o nome de Gervais surge associado a um projecto, o melhor é segui-lo com atenção. Aliás, este filme só não constará das listas dos mais aguardados para este ano, porque a estreia está prevista para 2009. De qualquer modo, convém acompanhar desde já This Side of The Truth, o próximo filme de Gervais, escrito e realizado a meias com Matthew Robinson. É verdade, Marchant fica de fora deste. Mas, não há razão para alarme. A melhor dupla desde Batman e Robin já tem o regresso planeado. Por agora, Gervais estará nisto com Robinson, a liderar um elenco composto por Jonah Hill, Jennifer Garner e Rob Lowe.

Quanto ao plot, o filme fala-nos de Mark (Gervais), um escritor que vive numa sociedade que desconhece o conceito de mentira. E, porque ninguém mente, não há mínima ficção. É tudo linear, e autêntico. No entanto, quando Mark cria acidentalmente a mentira, é como se tivesse-se transformado num poderoso mágico. Mark apercebe-se rapidamente de que pode moldar o mundo com as suas ilusões, apesar de ter que lidar com as suas perigosas e incessantes ramificações.

O melhor disto tudo, para além da premissa relativamente simples mas terrivelmente atraente, é que temos o blog do filme para acompanhar os desenvolvimentos do mesmo. Com vídeos e tudo, que nos mostram o árduo trabalho de pré-produção que uma coisa destas pode ter. Como aquele segundo e terceiro clip, em que Gervais nos leva a pensar que não deve ter sido particularmente difícil criar uma personagem como Nigel. Que o digam o assistente Jake e o designer de serviço.

Alvy Singer

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O poder da primeira impressão.

Nestas coisas, não convém enganarmo-nos a nós próprios. Há que reconhecer quando não somos um cinéfilo inveterado, que papa tudo e mais alguma coisa. Gostamos de cinema, sim senhor, mas com algumas restrições. Como aqueles que apreciam uma boa pizza, mas sem pimentos. Ao longo dos anos, tenho vindo a conhecer cada vez mais casos de apaixonados pela sétima arte, que não encontram qualquer entrave a um visionamento. É filme, está no cinema? Então, vou ver. Tão simples quanto isto. Não importa se é americano, indiano, mudo, a preto e branco, em IMAX, de animação por computador, o que for. É cinema, e isso é quanto basta.

Pois, por estes lados, a história é um bocado diferente. Talvez com alguma esquisitice à mistura, há filmes que morrem logo à nascença. Porque, convenhamos, o quotidiano dificilmente se compadece com sete ou oito estreias por semana, mais os outros que já existiam no princípio dos tempos. Opções têm de ser feitas, e decisões tomadas. Por essa razão, uns eclipsam os outros. No entanto, uns há que ficam na corda bamba, à espera que o boca-a-boca faça o trabalho sujo por eles. Se a coisa resultar, vamos vê-lo. Contudo, se as primeiras indicações não forem as melhores, o mais provável é não voltarmos sequer a pensar no assunto.

Tudo isto para falar de dois filmes cujas primeiras impressões foram determinantes. Um no bom sentido, outro no mau. Também, à partida, já não havia muito a favor de 10,000 B.C (Roland Emmerich). Após a corrida desenfreada às salas para ver tudo o que estava nomeado para os Oscares, o plot não era do mais cativante, e a ideia de aceitar Emmerich como um realizador causador para uma ida ao cinema, era, no mínimo, desconfortante. No currículo de Emmerich, Stargate (1994) e O Dia da Independência (1996) continuam a ser os momentos mais felizes. O resto está ali um pouco por estar e para inglês ver. De facto, por esta altura, um épico pré-histórico é algo que não vem mesmo a calhar. Agora, se as primeiras criticas tivessem sido favoráveis, talvez a música tivesse sido outra. Mas, não foi isso que aconteceu. Por terras lusas, já tive oportunidade de privar com quem não recomendasse a compra deste bilhete. Este fim-de-semana, o Rotten Tomatoes tratou de confirmar este caso, dando ao filme uma estreia com 10%. De entre as fortes machadadas, destacamos as seguintes:

Roland Emmerich loves to make big, dumb movies, and though this may not be his biggest, it's certainly his dumbest”. – Daily Mail;
Director Roland Emmerich has swapped disaster movies like The Day After Tomorrow and Godzilla for, well, a disaster of a movie”. – Sun Online;
Don't expect Roland Emmerich's 10,000BC to make much sense, historically, geographically or logically”. – Times (UK);
It’s a horrible movie”- Ebert & Roeper.

No entanto, convém dizer que, nestas situações, quando o quadro pintado não podia ser mais feio, normalmente, a aversão transforma-se em curiosidade. Como se não fosse possível o pobre coitado ser assim tão mau. É preciso ver com os próprios olhos para acreditar, e não tomar a palavra de terceiros como definitiva. Agora, quando a principal motivação para ver um filme, é ver se podemos candidatar-nos a advogados de defesa do mesmo, é porque alguma coisa está mal. Ainda assim, 10,000 B.C. é capaz de ter a sua hipótese.

No pólo oposto está Dr. Seuss’ Horton Hears a Who (Jimmy Hayward e Steve Martino), o filme que dita, para já, o recorde de bilheteira deste ano nos Estados Unidos. Mas, isso é o menos. Aliado ao sucesso junto do público está um magnifico 80% no tomatómetro, o que faz deste filme o primeiro candidato ao Oscar de Melhor Filme de Animação, apesar de a procissão ainda agora ter começado. O filme, que estreia nas nossas salas esta semana, recebeu criticas extremamente positivas, das quais realçamos:

After two painful messes, Hollywood gets Dr. Seuss right with Horton Hears a Who!”. – Northwest Herald;
Pure Seuss, with plenty of Flower Power to spare. Not to mention that when paying attention to all the possibilities of this planet and beyond, size indeed matters”. – NewsBlaze;
Watch your back, Dumbo. You have heavy competition now from Horton!” – ReelTalk Movies Reviews.

E assim se transforma um filme que transmitia alguma insegurança, num visionamento obrigatório.

Alvy Singer

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segunda-feira, março 17, 2008

Para celebrar a chegada de 'Super Baldas'.

Era por estas e por outras, que andava aqui que não podia à espera do filme. Jonah Hill era mesmo uma das principais razões. O actor apresentou o Saturday Night Live desta semana, e confessou-se a Andy Samberg. Amor sem barreiras, já dizia Robert Wise e Jerome Robbins.



Alvy Singer

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Todo um complô.

Mais um post sobre este tema, e começamos mesmo a achar que estamos aqui só para implicar. No entanto, quer-nos parecer que a culpa não é nossa. Eles é que continuam a fazer remakes, como se um grupo de terroristas liderados por Ed Harris tivesse ameaçado bombardear São Francisco, se Hollywood não se pusesse a refazer as melhores obras de ontem e hoje. Agora, não nos parece acertado deixar de falar em remakes, só porque eles estão ao virar de cada esquina. Por muito que nos opúnhamos, estes não deixam de ser noticia, e devemos abordá-los da mesma maneira. Agora, não podemos fugir ao código genético que nos impele a criticar esta política, cada vez mais em voga, e que inclusive já se traduziu em Oscar – assunto tabu.

A verdade é que, nem há uma semana, um documento do Word, que viria a ser o post sobre as declarações de Naomi Watts, era guardado com o título de Remake. Hoje, passa-se exactamente o mesmo. Desta feita, os culpados são Charlize Theron e Chan-wook Park. Pelos vistos, o remake de Sympathy for Lady Vengeance (2005), vai mesmo avançar. O terceiro capítulo da trilogia composta por Sympathy for Mr. Vengeance (2002) e Oldboy (2003) vai contar com a participação da actriz, mas só porque Chan-wook Park insistiu muito.

He made an almost perfect film [but] he came to me and said he really wanted us to do this. He wanted to see that story told in an American society. If he wasn’t so encouraging I don’t think I could go through with it. We’re intimidated almost beyond belief”.

Quando o próprio realizador está por detrás destes recrutamentos de forma tão entusiasta, e incentiva o projecto, quem somos nós para dizer que isto está mal, e não deve ser assim? Cá para mim, O Homem Que Sabia Demasiado é que tem razão. Isto não passa de um esquema para valorizar a obra original, e Chan-wook Park é um malandro. Apesar de tudo, o filme ainda não tem realizador. Tivessem eles escolhido Uma Thurman, e de certeza que, por esta altura, já alguém tinha saído da toca. No meio disto tudo, a única pessoa com dois dedos de testa continua a ser Justin Lin (The Fast and The Furious: Tokyo Drift), o homem que já esteve na calha para realizar o remake de Oldboy. No entanto, o realizador acabou por abandonar o projecto, e o filme ficou pendurado. Até hoje. E, porquê?

He loves the original film and wouldn't want to disrespect it”.

Já não se fazem realizadores assim.

Alvy Singer

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domingo, março 16, 2008

A Melhor da Geração.

Não fosse o estouro na motherboard do computador, e já teríamos falado disto aqui. É natural que tivesse já passado a ideia de que nos tínhamos esquecido desta votação. Mas, não, temos boa memória e não nos esquecemos. Aliás, se pudesse escolher o meu nome índio ou alcunha de gangster, podia ser memória de elefante: Alvy ‘Memória de Elefante’ Singer. Soa bem e fica no ouvido. Enfim, chega de parvoíces.

Um pouco à imagem do que aconteceu com o seu colega Johnny Depp, Kate Winslet não brincou em serviço, e foi eleita a melhor da sua geração por uma larga maioria. Em 46 votantes, Winslet recebeu 33 designações. É caso para dizer que À Procura da Terra do Nunca (Marc Forster, 2004) deve ter feito as delícias de muito boa gente. De Alvy Singer, pelo menos, fez. Agora, será que a actriz já merecia um Oscar? A avaliar pelo número de pessoas que elegeu o seu desempenho em O Despertar da Mente (Michel Gondry, 2004), diríamos que sim. No entanto, apesar dos doze votos, outro houve que recebeu catorze.

Hillary Swank foi aquela que recebeu mais votos pela sua extraordinária interpretação de Maggie Fitzgerald em Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos (Clint Eastwood, 2004), o que fez deste, o melhor desempenho desta geração para os leitores deste blog. Curioso é Million Dollar Baby e O Despertar da Mente serem do mesmo ano. Ele há coisas do caneco.

Mais uma vez, uma palavra de agradecimento a todos pela participação nesta votação. Muito obrigado.

Alvy Singer

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O génio secreto.

Qual o verdadeiro propósito deste post? Não sabemos. Talvez o pisar novos territórios, ou, simplesmente, divagar sobre um dos grandes nomes da sétima arte que, ao contrário de muitos, optou por fazer carreira numa das profissões menos populares do meio. Para todos os efeitos, a ideia para este texto partiu de uma preciosidade que, por sua vez, levou a uma minuciosa investigação, culminando na descoberta de factos por demais relevantes para um entusiasta por prémios e nomeações.

Tudo isto terá começado há largos anos, aquando dos primeiros visionamentos dos genéricos em que figurava o nome de Hal Pereira. Taxativamente, as pessoas dividem-se em três tipos: a) As que defendem os genéricos, b) As que acham que os genéricos não interessam para nada, e, c) As que se estão a marimbar para o facto de o filme ter genérico ou não. Alvy Singer enquadra-se claramente no grupo de tipo A. Contudo, não é um A qualquer. Como o sangue, é um A Positivo. Isto é, não vale a pena defender os créditos iniciais só por dá cá aquela palha. Quem gosta de ver os nomes associados ao projecto no início do filme, gosta de vê-lo com criatividade e perícia, como Saul Bass tão bem sabia fazer. Passar os nomes só por passar, isso sim, é dispensável. Agora, quer-nos parecer que um filme com bons créditos iniciais será sempre melhor do que um filme sem quaisquer créditos iniciais. E, para ser eficiente, a coisa nem tem de ser assim tão especial. Veja-se, por exemplo, a introdução de Junebug (Phil Morrison, 2005), onde um homem, uma mulher, e a canção Harmour Love servem para as encomendas, ou de A Mosca (David Cronenberg), onde a música de Howard Shore toma conta da ocorrência. Há quatro décadas, o formato era mais linear. A determinada altura, surgiam sempre aquelas chavetas para enumerar as pessoas que tinham trabalhado num determinado departamento. Outros tempos.

Não poderei precisar o primeiro filme onde o nome de Hal Pereira se destacou. Das primeiras vezes, confesso, nem olhava para a função. O que chamava mais à atenção era o facto de o apelido ser Pereira, e de o nome próprio ser Hal. Pessoalmente, Hal só conhecia dois: o Ashby e o 9000. Talvez por isso, Hal Pereira tenha sido sempre um nome bem visível. Agora, com o passar dos anos, isto foi-se tornando repetitivo. Era vê-lo em A Janela Indiscreta (Alfred Hitchcock, 1954), Férias em Roma (William Wyler, 1953), Os Dez Mandamentos (Cecil B. DeMille, 1956), Boneca de Luxo (Blake Edwards, 1961), Shane (George Stevens, 1953), Sabrina (Billy Wilder, 1954), por aí fora. Era preciso pesquisar e averiguar o porquê de tantos filmes com a direcção artística de Hal Pereira. Será que era pura coincidência, e acabava sempre apenas por escolher uma obra em que ele tivesse participado? Não era bem esse o caso. Tendo-se estreado em 1944, com And the Angels Sing (George Marshall), e de ter terminado a carreira em 1968, ano em que participou em The Odd Couple (Gene Saks), entre 1953 e 1967, Hal Pereira dominou por completo o mundo da direcção artística, falhando a nomeação para um Oscar apenas em 1965. Em quinze anos, Hal Pereira foi nomeado para vinte e três Oscares, tendo ganho apenas por The Rose Tatoo (Daniel Mann, 1955). Pelo meio, Hal Pereira trabalhou com os melhores: Alfred Hitchcock, Billy Wilder, William Wyler, John Ford, Cecil B. DeMille, Martin Ritt, George Stevens, Howard Hawks, Robert Mullingan, Don Siegel, Michael Curtiz, Fritz Lang, Sydney Pollack, Stanley Donen e Anthony Mann. Um clássico atrás do outro, qual Walt Disney. Quem tiver Dvds em casa, o mais provável é ter lá um com o dedo de Hal Pereira. Esta noite, o Deuxieme gostaria de destacar esta carreira brilhante, verdadeiramente colossal. É caso para dizer quem não tiver visto um filme de Hal Pereira, que atire a primeira pedra.

Alvy Singer

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Remodular a categoria.

Jeffrey Anderson levantou algumas questões pertinentes no Cinematical, e Sasha Stone fez o favor de as transportar para o mais visível Awards Daily. Fazendo uma retrospectiva daquilo que tem sido a História da categoria de Melhor Filme Estrangeiro, Anderson acaba por pintar um cenário negro como o céu de Gotham City, neste último quarto de século, postulando que, apesar de bons filmes terem ganho nesta categoria, nenhum deles merece figurar nos manuais, ao lado dos clássicos de outrora. Segundo o crítico, o último filme feito por um grande cineasta, e verdadeiramente intemporal, foi Fanny e Alexander, realizado por Ingmar Bergman em 1983. Daqui para cá, diz ele, tem sido um misto do melhor e do pior, desde filmes muito bem conseguidos, tecnicamente irrepreensíveis, até premiados que não passam de meras banalidades, como o vencedor deste ano, The Counterfeiters (Stefan Ruzowitzky). Insatisfeito com o processo de nomeações, Anderson sugere algo que nos interessa sobremaneira, ou não fossemos nós uns eternos esperançosos numa nomeação para este país à beira-mar plantado.

It’s time to re-do the rules of the Best Foreign Language Film Oscar category. Do away with the committee. Let the entire body of voters choose from any foreign language film released in the United States between January 1 and December 31”.

Apesar de movido pela visão parcial de quem vive no país que mais vezes submeteu um filme para os Oscares, sem nunca ter recebido uma única nomeação em troca, não posso deixar de partilhar esta opinião, vincada também por Sasha Stone. Abandonando a ideia dos comités, a Academia aproxima-se do seu objectivo nesta categoria, que é simplesmente o de encontrar o melhor filme estrangeiro. Deve-se é definir conveniente o que é estrangeiro, e separar as águas com o dúbio Língua não-inglesa. É porque, muitas vezes, o dialecto não podia estar mais distante do british mas, como o dinheiro e o realizador voaram directamente de Los Angeles, então o caso muda de figura e o filme passa a ser americano.

Se a limitação de uma nomeação por país não existisse, ninguém teria de escolher entre Persepolis (Vincent Paronnaud), La Vie en Rose (Olivier Dahan) ou O Escafandro e A Borboleta (Julian Schnabel). Caso os três justificassem a sua entrada nos cinco nomeados, entravam, e pronto. Não se falava mais nisso. Num primeiro momento, estas alterações parecem ser ainda mais prejudiciais para uma indústria como a portuguesa. Sem paninhos quentes, devemos reconhecer que isto diminuiria ainda mais as possibilidades, face aos cinemas com maior projecção de outros países. No entanto, sem um comité que opte pelo filme errado e, num ano em que alguém se supere em definitivo, pode ser que tenhamos uma hipótese. Se estas alterações fossem a realidade de 2007, com os pés bem assentes no chão, facilmente imaginávamos um desfecho diferente para o Juventude em Marcha de Pedro Costa.

Alvy Singer

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A Primeira Remessa. 14 - The Brothers Bloom.

Se as doses industriais de estreias já tornam difícil acompanhar aquilo que chega às salas de cinema, nesta altura do ano, então, é tudo ainda mais complicado. Com atenções centradas nas sequelas e blockbusters, quais eucaliptos, outros títulos menores acabam por passar-nos ao lado, pelo menos até levarmos com eles na fronha. Aí, com o ar mais natural do mundo perguntamos, Mas, de onde é que este farsolas saiu? Como se não tivesse já prevista a sua chegada há mais de um ano.

Bom, no fundo, foi esta a questão retórica que me coloquei há cerca de um mês, quando dei de caras com The Brothers Bloom. Até podia já ter visto qualquer coisa sobre este projecto, no entanto, nunca com olhos de ver. Só há pouco tempo é que o elenco saltou à vista: Rachel Weisz (O Fiel Jardineiro), Adrien Brody (O Pianista), Mark Ruffalo (Zodiac), Rinko Kikuchi (Babel), Robbie Coltrane (Harry Potter) e Nora Zehetner (Heroes). Realizador e argumentista: Rian Johnson, apenas o homem que esteve por detrás de um dos maiores fenómenos do cinema indie de 2005, Brick, colocando-o na pole position das grandes apostas para o futuro. Por tudo isto, The Brothers Bloom deve ser olhado com consideração.

Os irmãos Bloom (Brody e Ruffalo) são dois vigaristas de topo, ludibriando milionários com esquemas mirabolantes e misteriosos. Como fica sempre bem nestes casos, os dois pensam em reformar-se, mas só após o último trabalho com a herdeira de uma fortuna (Weisz), que os levará numa aventura romântica pelos quatro cantos do mundo. É verdade que o plot não parece ser do mais original que por aí anda, no entanto, por si só, a ideia de tanta de gente de peso, habituada a participar em filmes sérios, decidir entrar em algo mais light, acaba por tornar o conceito apelativo. Contudo, não nos esqueçamos de quem dirige as hostes, e de como aquilo que tem tudo para ser uma simples comédia, pode rapidamente transformar-se num drama criminal sublime. Curiosamente, veja-se o caso daqueles dois irmãos, não os Bloom, os Coen. Seria bom ter um trailer disponível para colocar neste espaço, porém, o único vídeo promocional que já existiu esteve no Youtube apenas oito horas. Rian Johnson já veio dizer que foi uma fuga acidental, e que ainda estão a trabalhar nessa parte do marketing. Fora isso, temos a primeira fotografia oficial. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para finais de Outubro. A paciência é uma virtude.

Alvy Singer

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Marte ainda não está na casa de Júpiter.

O encadeamento foi mais ou menos este. Há cerca de uma semana passeava pelos corredores da Fnac, a celebrar o seu 10º aniversário com algumas promoções interessantes, quando encontro o filme Super Baldas (Greg Mottola, 2007), disponível em UMD para a PlayStation Portable. Num ápice dirijo-me à área das novidades para Dvd, mas nada. Pelos vistos, o filme ainda só tinha chegado para a PSP. Por um lado, a estranheza. Por outro, o agastamento. Foi então que decidi vingar-me em Virgem aos 40 Anos (Judd Apatow, 2005), que constituía ainda uma falha gravíssima nas estantes cá de casa. Posto isto, há uns dois dias entro no estaminé do Nuno Markl para deparar-me, precisamente, com um post sobre Super Baldas, e uma edição vinda do estrangeiro. Foi aí que pensei Não, não vais ceder à tentação. Espera pelo raio do filme.

Esta noite, quando a fraqueza atingia valores recordes, foi necessário colocar o Dvd de Virgem aos 40 Anos, e tentar amenizar as consequências. Quando o filme terminou, o objectivo tinha sido atingido. Estava já novamente mais do que mentalizado para esperar o tempo que fosse preciso pelo título de Greg Mottola. Decidi ir ao site da Fnac, só para ver se havia novidades. E, havia: o filme já está disponível em Blu Ray. Caramba, será que anda toda a gente a ver isto, menos aqueles que querem comprar o filme para o introduzir num leitor de Dvd? Amanhã, dê por onde der, irei à loja pelos próprios pés (saindo do carro até entrar no centro comercial), para ver se isto ainda não chegou no mais comum dos formatos. Se não tiver chegado… dou meia volta e venho-me embora.

Numa noite marcada pelo desapontamento, só mesmo esta tradução em Virgem aos 40 Anos para tirar um sorriso:

Mooj: By the way, what date are you on now?
Andy: I think it’s around seventeen. It’s hard to tell actually what constitutes a date.
Tradução:
Mooj: Por falar nisso, em que data estás?
Andy: Por volta de 17, acho. É difícil dizer o que faz uma data.

Alvy Singer

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sábado, março 15, 2008

25 - O Assassino (John Woo, 1989).

Cada aula de código versa sobre um tema. Mal seria se tivéssemos de nos deslocar duas vezes à escola de condução para ouvir a utilidade dos sinais luminosos. Basta uma lição sobre isso e assunto arrumado. Ora, isto que temos tentado fazer no Deuxieme partiu de uma comparação com essa situação, logo, não podemos cair no erro de falar duas vezes no mesmo tipo de filme. Gostava de pensar que esta Carta pode levar alguém desse lado a ver determinada obra. Que isto fosse o ponto de partida para algumas descobertas, e, se possível, que estas fossem marcantes. Claro que isto é tão mais provável quanto menos conhecidos forem os filmes de que falamos. Agora, isto de arranjar trinta filmes tão diferentes a esse ponto, pode tornar-se num problema. Convenhamos, o conhecimento não ocupa lugar, apenas porque o lugar onde ele cabe é sempre maior. Neste caso, estamos a falar de um autêntico armazém.

Ao sexto filme, começam a surgir alguns receios de não estar à altura do desafio. Sobretudo, porque sinto não ser o médico de clínica geral que pensava. Se isto fosse medicina, o ideal era ser especialista em clínica geral, isto é, saber um pouco de tudo, e poder falar à vontade sobre qualquer área. O pior é que nem sequer posso dizer que sou especializado em dermatologia (entenda-se, cinema asiático), ou gastrenterologia (vulgo, cinema xunga). Continuo a sentir-me um Dr. Carter naqueles anos de internato no Serviço de Urgência – anda tudo muito depressa e a câmara sempre num reboliço. Uma conclusão a que já cheguei há bastante tempo é a de que dificilmente teremos oportunidade de ver todos os filmes que queremos, no espaço de uma vida. Ou temos uma força interior do camandro, ou a sorte de nos cruzarmos com eles. Porque, isto da cinéfilia, não passa de uma pós-graduação na qual somos professores e alunos. Temos é de ver se não falhamos as aulas certas.

E, sobre este sexto filme, reconheço que haverá por aí gente muito mais qualificada para opinar, do que um apaixonado por dramas de Capra e comédias de Wilder. Por mais ecléticos que sejamos, há certos aspectos em O Assassino (John Woo, 1989) que só conseguem ser dilacerados por um verdadeiro connaisseur do cinema de Hong Kong. Daqueles que vão ao início dos tempos, e conseguem justificar de olhos fechados e de trás para a frente porque razão este filme é o pai deles todos. É claro que poderíamos chegar aqui com frases categóricas como O Assassino é o Heat do cinema asiático, mas melhor, no entanto, nada substituirá o visionamento integral desta obra. Ainda assim, para um leigo no cinema de Hong Kong, não podemos deixar de nos encantar com o drama nuclear neste filme de acção, sobre um matador a soldo, honrado e movido por uma nobre causa (Chow Yun-Fat), e o polícia impiedoso, capaz de o perseguir até aos confins do mundo (Danny Lee). Violência é coisa que abunda para estes lados – quem se deu ao trabalho de quantificar o genocídio, diz que este filme tem mais cadáveres do que Assalto Ao Arranha-Céus e Desafio Total juntos. No entanto, o espírito benévolo subjacente das personagens confere ao filme toda uma graciosidade inesperada. O humanismo de Woo, por demais evidente na comoção da cena final, terá sido o toque de Midas para transformar este filme na melhor metáfora cinematográfica do clássico de John Lennon, Imagine. De O Assassino terei sempre presente o harmonioso som das cápsulas das balas a cair no chão, como se de pássaros a chilrear pela manhã se tratassem.

Alvy Singer

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Helen, à procura de Helen.

Aqui há uns tempos escrevemos uma carta ao cuidado de Helen Hunt. Falha nossa, não deixámos aqui a sua amável e pronta resposta. Hoje, porque voltamos a falar dela, importa então reproduzir algumas passagens da sua missiva.

Dear Alvy,
Helen here. I just read what you wrote in that damn blog of yours. Pretty funny I might add. Someday I’ll go on national television just to say how fuc**** crazy you are. Nonetheless, I gotta forgive you. I think that I need to try and figure out what you said, and realize that my work has known better days. Bottom line, thanks. Appreciate the honesty. One sympathizes. Just got to say that I haven’t seen you in Manhattan lately. Wonder why. Last month I pumped into Annie, at the Met. We talked about you, you know. Comeback soon.
Yours,
Helen
”.

Depois disto, quem é que não fica corado? Enfim, palavras demasiado generosas de uma das melhores actrizes da sétima arte, que, infelizmente, nem sempre escolhe os melhores papéis. Talvez para ajudar nesse capítulo Helen tenha optado por realizar o próximo filme que também protagonizará, Then She Found Me. A história andará à volta de April Epner (Hunt), uma professora de Nova Iorque, a passar por uma crise de meia-idade aguda: o marido (Matthew Broderick) abandona-a, a mãe adoptiva falece, a mãe biológica (Bette Midler), uma apresentadora de um talk show, aparece para virar a sua vida do avesso, e as coisas começam a aquecer com o pai (Colin Firth) de um dos seus alunos. Antes do trailer, duas notas que nos parecem importantes. A primeira, mais do que um grande filme, esperemos que este título traga a Helen Hunt de outros tempos. Se isso acontecesse, já não se perdia tudo. A segunda, o facto de Colin Firth se assumir cada vez mais como o padrão a seguir, quando o protótipo George Clooney já não passa de uma miragem. Firth é, oficialmente, o sex symbol com extra pounds do século XXI.



Alvy Singer

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