Deuxieme


quinta-feira, maio 31, 2007

1 - Youth Without Youth


Poderia ser qualquer outro filme, o primeiro desta lista. Podíamos até talvez encontrar cerca de uma dezena de títulos não incluídos nestes 25 A Descobrir, e que não ficariam assim tão mal se fossem colocados nesta posição. Mas, quando Francis Ford Coppola volta a estar, dez anos depois, atrás das câmaras, dificilmente alguma outra obra suscita tamanha curiosidade. Contudo, aqui reside possivelmente a maior diferença deste filme para com todos os outros. É que Youth Without Youth não desperta apenas curiosidade. O filme surge-nos quase como uma necessidade, algo que deve estrear o mais rapidamente possível, para assim repor a normalidade. Pois, não existe nada mais anormal do que ter um cineasta como Francis Ford Coppola longe das câmaras.

O filme, adaptado, produzido e realizado por Coppola, é baseado no romance escrito em 1976, pelo historiador romeno Mircea Eliade. Tim Roth será o protagonista, desempenhando o papel de Dominic Matei, um professor cuja vida se altera radicalmente após um infeliz incidente, nos anos que antecedem a II Guerra Mundial. Dominic torna-se então um fugitivo, passando por países como Roménia, Suiça, Malta e Índia. Roth terá a companhia de Alexandra Maria Lara, Bruno Ganz, e Marcel Iures.

Importa agora referir que grande parte desta decisão de rodar um filme como Youth Without Youth se deve a Sofia Coppola. Foi a filha que incitou o pai a realizar um filme mais pessoal, e de baixo orçamento. Foram estas características da obra, aliadas à vontade do próprio realizador, que fizeram com que a estreia do filme fosse marcada para o Festival de Roma, de 18 a 27 de Outubro. Isso não impediu, no entanto, que já em Fevereiro deste ano, alguns amigos de Coppola, incluindo Carroll Ballard e George Lucas, tivessem visto o filme numa exibição privada. Que este seja um regresso auspicioso.

Alvy Singer

Moore e os bastidores de ER - Serviço de Urgências

O Furacão Moore não deixa ninguém indiferente. De tal forma que o homem chega a ser notícia, muitas vezes quando não é noticia. Por acaso, hoje é um daqueles dias em que ele é notícia. O trailer de Sicko já está disponível na Net, o mesmo é dizer, o trailer do primeiro candidato ao Oscar de Melhor Documentário já se encontra no Youtube. Aqui fica o clip da única ocasião em que Moore subiu ao palco do Kodak Theater para receber a estatueta. O vídeo vale mais pelo áudio, do que qualquer outra coisa. No entanto, aquilo que realmente importa de facto, é ouvir a veemência de Shame on you, Mr. Bush.

Alvy Singer

Experimentemos então assim

As ausências de alguns DVD’s nas lojas nacionais são, por vezes, tão confrangedoras, que chegam mesmo a fazer espécie. É todo um arrepio que percorre a espinha quando nos apercebemos que este ou aquele clássico não estão presentes nas estantes de nenhuma loja onde os esperávamos encontrar. Isto é grave. Não que tenhamos alguma preguiça de ver um filme sem legendas. Fazemo-lo de bom grado. Não que gostássemos de ver os extras também com legendas na nossa língua. Já estamos habituados a não ter esse privilégio nas edições nacionais. A única preocupação aqui é para com a loja que podia dar-nos o produto que pretendíamos mas que, infelizmente, não o tem em sua posse para comercialização. Passemos a explicar.

Quando nos dirigimos a uma loja com o objectivo de adquirir um filme, sabemos que em troca desse DVD teremos de dar algo, vulgo dinheiro. Ora, quando não encontramos no nosso país aquilo que pretendemos, somos obrigados a analisar outros canais de aquisição, sendo que os mais legais passam pela importação. Desta forma, compreende-se que o nosso único interesse seja o de que as lojas possam facultar rapidamente os filmes que pretendemos, para assim podermos dar-lhes o nosso dinheiro, e ambas as partes fiquem então felizes. Nós não queremos os filmes. Preferimos é investir em vós, Lojas deste país, ao invés de em qualquer outro Site, o nosso capital.


Sugerimos a leitura deste texto sempre que uma loja disser “Não, esse filme não temos…”. Talvez esta abordagem, apesar de inusitada, seja mais indicada. Pode ser que a marosca resulte e possamos, um dia, reencontrar por cá títulos como este.


Alvy Singer

quarta-feira, maio 30, 2007

A Descoberta do Dia


Balance (Christoph Lauenstein e Wolfgang Lauenstein, 1989). Oscar para melhor Curta-Metragem de Animação.

Sublime.

Alvy Singer

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2 - Reservation Road

Lapalice não diria melhor: Se o primeiro título desta lista não surgisse em 2007, este filme ocuparia o seu lugar. Quase que temos vontade de dizer que este é o filme mais aguardado do ano, com excepção do primeiro. O trono é algo especial e reservado. Há muito que esse está guardado para… o outro filme. Contudo, para além da primeira posição, somente esta segunda estava destinada desde o início. Vamos então ao que interessa.

Reservation Road, o próximo filme do realizador Terry George (Hotel Ruanda, 2004), conta-nos a história de um atropelamento e fuga que põe em contacto duas famílias. O filme aparenta ter o mesmo negrume de Beleza Americana (Sam Mendes, 1999) e Uma Casa na Bruma (Vadim Perelman, 2003). Com Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly, Mark Ruffalo e Mira Sorvino (que saudades!), nos principais papéis, o filme terá como prato forte os desempenhos profundamente dramáticos dos seus protagonistas. Para além disso, é baseado numa obra não muito conhecida. Quem já teve a oportunidade de ler o post sobre The Kite Runner (Marc Forster) saberá então que isto pode ser uma vantagem. Com a Focus Features por detrás do filme, o céu é o limite. Até mesmo para qualquer um dos actores. O risco de uma nomeação para Phoenix e Connelly como principais, e Sorvino e Ruffalo como secundários, é maior do que parece.

Alvy Singer

Steve Carrell contra as Greves

Quando um dia não corre bem, como este não correu a muito boa gente, devido à tão afamada Greve que para uns foi Geral enquanto para outros apenas Parcial, um dos mais infalíveis truques reside em desenvencilhar uma qualquer Comédia, e partir numa desenfreada fuga da realidade. Foi por essa razão que, hoje, durante largos minutos, inseridos por sua vez em largas horas perdidas no trânsito, o único alento em pisar no acelerador era a certeza de que o final do dia traria esta série.

Porém, ao relembrar esta preciosidade religiosamente guardada para ver à noite, apercebi-me de que a grande coqueluche por detrás desta série, Steve Carrell, está bem perto do que parece, de regressar ao grande ecrã. Resultado, ainda mais ânimo, apesar de continuar parado no trânsito. Foi então pois, que recordei o teaser de Evan Almighty, visto há já alguns meses, e que hoje me lançou em busca do trailer. Avizinham-se bons momentos, é tudo aquilo que podemos dizer.

Porém, a verdadeira cereja no topo do bolo, e aquela que ajudou sobremaneira já nas filas de regresso a casa, foi constatar o regresso de Carrell, ainda este ano, em Dan in Real Life (Peter Hedges, 2007), ao lado de Juliette Binoche – que dispensa apresentações – e Dane Cook, um dos mais recentes nomes a emergir na stand-up comedy norte-americana, e que apostaria para uma das maiores surpresas nos próximos anos. Em dias como este, nada melhor do que uma imagem como esta para nos fazer esquecer as paralisações.



Alvy Singer

segunda-feira, maio 28, 2007

Cinco Considerações

Longe de ser uma critica, estas são apenas cinco considerações sobre Os Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo.


Consideração Nº 1: Duração. Exigia-se menos meia hora de filme, algo perfeitamente concebível, que não só não prejudicaria o filme, como talvez ajudasse ainda a imprimir um estilo mais veloz à narrativa, carregando-a de acção e comédia. Era isso que se pedia, e foi essa a indicação que todos nós, fãs algo cabisbaixos à saída de O Cofre do Homem Morto, deixámos a Gore Verbinski. Pena este não lhe ter dado a devida atenção.

Consideração Nº 2: Johnny Depp. Não é necessário voltar com um quarto filme, para que Jack Sparrow ocupe o lugar que merece na história do cinema. Uma das melhores criações de sempre, que não sofre uma quebra tão acentuada em Nos Confins do Mundo, como aquela que aconteceu no filme anterior. No final, a personagem que deixa mais saudades, e aquela que mais nos leva a ansiar por um novo capitulo, é o mais fearless pirata dos sete mares, Jack Sparrow.

Consideração Nº 3: Divisão ao meio. Os intervalos nas sessões de cinema vieram ajudar a uma melhor definição das partes de um filme. E este tem claramente duas metades. Há quem afirme simpatizar mais com a primeira, mais trabalhada e organizada, do que da segunda, mais desconexa e desgarrada. Pessoalmente, gostei mais da última. A primeira fez lembrar alguns momentos mais melosos de O Cofre do Homem Morto

Consideração Nº 4: Óscares. Não, Johnny Depp não será nomeado, assim como não será Keira, nem Orlando Bloom. Mas este é, para já, o filme com os melhores efeitos especiais do ano. Ainda muito está para vir, mas parece que os efeitos de Piratas das Caraíbas suplantam claramente os de Homem-Aranha 3 e os de 300.

Consideração Nº 5: Fim. A saga, mesmo que não venha a ser uma trilogia, tem neste seu terceiro episódio um final digno de uma série de qualidade. Mesmo que o livro se volte a abrir, a ultima página a ter sido virada não deixa de ser deliciosa. É claro que em alguns momentos nos pareceu que algumas linhas foram escritas à pressa, e sem grandes cuidados, contudo, o final acaba por juntar peças que pensávamos jamais ver encaixadas. E vale a pena ficar na sala até ao fim do genérico.

Alvy Singer

3 - The Kite Runner

Esta aposta é um autêntico tiro no escuro. À superfície, o projecto parece sólido: tema sério (a invasão Russa no Afeganistão), uma história intimista (a relação entre dois homens, mestre e servo), e um maravilhoso realizador ainda subvalorizado (Marc Foster). O grande problema de The Kite Runner reside no material em que é baseado: um dos best-sellers mais aclamados nos últimos anos, especialmente nos Estados Unidos. Se olharmos para os filmes premiados pela Academia, reparamos que eles normalmente surgem de livros menos conhecidos do grande público. Porquê? Sobretudo porque não existe a esmagadora pressão de corresponder à mais ínfima exigência de qualquer fã. A liberdade criativa é muito maior, e isso transparece no resultado final. Tomemos como exemplo Cold Mountain e Memórias de Uma Gueixa. Ambos eram considerados grandes candidatos ao Oscar. Ambos tinham um elenco de luxo e realizadores reconhecidos. Porém, ambos falharam a nomeação para Melhor Filme. Acreditamos que a diferença aqui seja mesmo Marc Forster (À Procura da Terra do Nunca, Depois do Ódio).

Alvy Singer

MTV Movie Awards

De uma forma muito taxativa, cada prémio tem o valor que tem. E, o deste é muito pequeno. No entanto, e porque neste blog se viaja num ápice de Cannes até aos Prémios MTV, o estado eclético que impera neste espaço impele-nos a falar deste Galardão dos Galardões, o Pacote das Pipocas Douradas.

Nestes prémios que não perdem a oportunidade de puxar a brasa à sua sardinha, privilegiando sempre que possível o reconhecimento de cantores ou figuras públicas que dão um ar da sua graça na representação, todo e qualquer comum mortal pode manifestar a sua opinião. Sim, porque no site da MTV, todos podemos votar. Quase que chegamos a sentir a pesada responsabilidade de um Júri. Podemos mesmo afirmar que da escolha de uma Pipoca Dourada a um Leão de Ouro vai um pequeno passo.

E porque a piada da coisa é mesmo podermos escolher de entre os nomeados, aqui ficam os eleitos de Alvy Singer:

FilmeUma Família à Beira de um Ataque de Nervos
VilãoMeryl Streep
InterpretaçãoWill Smith
RevelaçãoEmily Blunt
Interpretação CómicaEmily Blunt
BeijoWill Ferrell e Sacha Baron Cohen
LutaGerard Butler Vs. ‘Os Imortais’
Filme de Verão Ainda Não VistoThe Simpsons Movie

Esta última categoria diz tudo acerca dos prémios. Que venham eles, este Domingo.

Alvy Singer

domingo, maio 27, 2007

Foi há 30 Anos

Todos temos as nossas desilusões. Conjunturas inevitáveis que tudo faríamos para alterar, se não fosse o constante avanço definitivo do tempo. Qual Super-Homem, desfraldávamos a vistosa capa vermelha e voávamos velozmente em redor da Terra, desferindo um rude golpe na areia de qualquer ampulheta, aspirando-a impiedosamente para a metade superior. É claro que um DeLorean guiado por Marty McFly produziria um efeito semelhante. Mas o impacto visual não será o mesmo.

Tudo isto para dizer que uma das grandes decepções de Alvy Singer (a primeira continuando a ser, muito provavelmente, a derrota com a Grécia…), é não ter nascido em finais dos anos 60/inicio dos anos 70. Só dessa forma teria sido possível visionar, numa qualquer sala de cinema, as primeiras e autênticas exibições de uma saga, quiçá a rainha de todas elas, que fez trinta anos na passada sexta-feira, dia 25 de Maio. Falamos, obviamente, de Star Wars. Para muitos, a oitava maravilha do mundo.

Hoje, mais do que nunca, dizer que se assistiu no cinema a um dos primeiros episódios de Star Wars deve ser motivo de orgulho. Não só porque se denota imediatamente um apuradíssimo sentido de bom gosto, como se demonstra ser possuidor de um factor sorte aliado a uma capacidade intuitiva muito acima da média. Hoje é fácil dizer que estes se tratam de três filmes excepcionais. Mas quem é que o arriscaria antes de ver qualquer um deles? O mais provável era ouvir-se algo como: Estes jovens agora

A decepção só não é completa porque vivemos no tempo de O Senhor dos Anéis. No entanto, o cariz enigmático de Star Wars é tanto, que qualquer outra trilogia não pode deixar de se sentir ofuscada quando comparada com esta. É verdade que daqui a alguns anos poderá surgir um post semelhante a este, numa Internet não muito diferente desta, escrito por um jovem cinéfilo, desgostoso por nunca ter tido a fortuna de ver no grande ecrã O Regresso do Rei. A ele respondo por antecipação, dizendo que pior do que viver num tempo em que não há Senhor dos Anéis no cinema, é viver num período em que temos Star Wars de todas as formas, excepto no cinema. A confusão é tanta que chegamos a isto.

A seiva desta árvore germinada por Lucas é tal que, ainda hoje, continua a dar frutos. Veja-se o recente trailer (será mesmo oficial?) de Star Wars Animated Series – Tales of the New Republic. Que isto é para todas as idades, ninguém duvida.

Como seria bom voltar atrás no tempo, e experimentar o delicioso sabor desta mística. Quantas conversas de elevador não terão começado com um ‘Ontem fui ver O Império Contra-Ataca’? Isso sim é o início de uma boa amizade.

Alvy Singer

This is Africa - Diamante de Sangue em DVD

Podem até chover carradas de criticas a este post. A psique está mais do que preparada para a perplexidade de todos aqueles que olhem para este texto como uma das maiores atrocidades cinéfilas. Sim, porque quando se trata de bajular um filme que não ficou muito longe de agradar apenas a uma imensa minoria, nada melhor do que antecipar reacções, e partir para as dissertações elogiosas com uns quantos trunfos na manga. Assim sendo, como se de uma partida de Sueca se tratasse, e considerando que o jogo que temos na mão não é suficiente para triunfar por si só, a estratégia passará por começar imediatamente a destrunfar: DiCaprio, Edward Zwick, e Jennifer Connely.

Apresentados os trunfos, e porque para os mais cépticos estes estão longe de ser rei, manilha e ás, nada como partir para uma decente apresentação dos valores de Diamante de Sangue, e tentar justificar o porquê deste ter sido o filme que mais fez as delicias de Alvy Singer, no ano que passou. Sim, o melhor filme de 2006 (seguido de muito perto pela família na carrinha amarela), que teria nos Óscares, pelo menos, ocupado o lugar de A Rainha.

Certamente que esta opinião estará longe de ser consensual – nem o objectivo deste post passa por atingirmos uma –, o que é totalmente compreensível (como se comprova na discussão de Ebert e Roeper), dada a natureza do filme. O tema é delicado, e a abordagem de Zwick ainda o fragiliza mais. Mas, fiquem descansados, pois, no final, não só todos os elementos permanecem intactos, como ainda passamos por uma experiência vertiginosa, num rodopio de emoções para o qual não estávamos avisados. A verdade é que o filme surpreende por duas ordens de razões. A primeira, a subtileza com que nos é presenteado o problema da extracção de Diamantes em África. Há quem afirme que seria desnecessário Zwick colocar uma frase, já no fim do filme, a relembrar-nos do nosso papel activo nesta questão, se o realizador se tivesse entregue um pouco mais a essa mesma causa durante a obra. Esta tese é apoiada pelos mesmos que defenderiam, se as coisas se passassem de outra forma, uma história mais aberta, não tão sufocante e centrada no conflito civil… A narrativa não podia ser mais informal, e chega até a ser por vezes insultuosa a forma como somos afastados do centro do conflito. Mas, só poderia ser assim. Se, nas palavras de Archer (Dicaprio), até ‘Deus abandonou este local há muito tempo…’, porque é que nós também não o podemos fazer? A segunda razão, DiCaprio. Se, em The Departed, já tínhamos ficado com algumas incertezas (positivas) quanto ao seu real valor, este seu desempenho vem apenas consolidar a imagem de menino bonito que se dedicou, finalmente, de corpo e alma, à arte da representação. A nomeação para o Oscar foi merecida. Assim como teria sido a outra, caso tivesse acontecido. O rapaz que já não o é deixa boas indicações para o seu futuro, que aguardamos agora com outro entusiasmo.

Podemos fazer nossas as palavras de Lowel Bergman, em O Informador, e dizer que esta é uma mera história de ordinary people under extraordinary pressure. Nem mais, nem menos do que isso. Só assim poderemos entender o conjunto de acções tomadas pelas personagens de DiCaprio, Djimon Hounsoun (um outro papel extraordinário), e Jennifer Connelly (talvez a mais apagada do trio principal).

Um filme sobre a solidez do carácter, sobre o valor da vida humana, e sobre a difusão de responsabilidade social que se vive em torno deste problema dos nossos dias. O filme, editado esta semana em DVD, merece ser visto por todos aqueles que ainda não o descobriram. Pode não vir a cair nas graças de todos, como caiu nas de Alvy Singer. No entanto, responsabilizo-me aqui e agora por todos aqueles que ficarem indiferentes à última frase deste clip. Também ela, muito provavelmente, a melhor sentence do ano.

Alvy Singer

sábado, maio 26, 2007

ACABOU-SE A FESTA (10)




Depois de quase duas semanas a Competição de Cannes, chegou ao fim. Começo com uma rectificação. Emir Kusturica, pertence à rara galeria de realizadores que arrancou, não uma, mas duas Palmas de Ouro em Cannes: a primeira em 1985 com Papa est en Voyage d’Affaires e a outra dez anos depois com o intemporal Underground. Desta vez nas comemorações do 60º Aniversário não foi muito feliz com neste Promise Me This, um filme disparatado, que não acrescenta muito às suas obras anteriores, e aos seus contos excêntrricos sobre a vida atribulada das gentes das Balcãs. Na mesma linha esta é a história do jovem Tsan, que promete ao avô só voltar à aldeia despovoada, quando for um homem casado. Mesmo antes de Kustrica, a japonesa Naomi Kawase apresentou o poético La Forête de Mogari, um conto inspirado em experiêcias pessoais, aliás como a maioria dos seus filmes e documentários, sobre duas almas, uma rapariga e um velho, unidos pelo sentimento de perda de um ente querido que vão encontrar a paz na floresta e num curioso ritual de libertação.

Logo ao fim da tarde, às 19h30 (18h30 de Portugal) vai ter inicio a Cerimónia de Encerramento e vamos conhecer o Palmarés, curiosamente um dos mais renhidos dos últimos anos. Nas tabelas de estrelas da crítica especilaizada, 4 Luni, 3 Saptamini, si 2 Zile, do romeno Cristian Mungiu e No Country For Old Men, dos Irmãos Cohen, são os favoritos. Para nós o grande vencedor seria Auf Der Anderen Seite, do alemão de origem turca Fatih Akim, porque é aquele que melhor congrega a ideia de uma produção de world cinema, ideia essa que marcou fortemente este 60ºAniversário. Qualquer palpite ou sinal de favoritismo nada querem dizer, porque ultimamente os júris de Festivais Internacionais, contra tudo e contra todos, têm atribuido o prémio principal ao filme que menos se espera.

sexta-feira, maio 25, 2007

A CONTAGEM DECRESCENTE (9)





A Festa está a terminar, faltam apenas dois filmes para acabar a Competição: La Forête de Mogari da japonesa Naomi Kawase e Promise Me This, de um homem que já ganhou aqui uma Palma de Ouro: Emir Kustrica. Na Croisette o movimento não diminui, já que este fim de semana juntaram-se ao habitual glamour do Festival, muitos aficionados da Formula 1, e muitos carros de luxo, Ferrari, Maserati, Porches. O Grande Prémio do Mónaco está aqui a dois passos.

Quanto aos filmes, a francesa Caterine Breillat, apresentou Une Veille Maîtress, um filme de época e uma história de desejo, a partir de um romance de Barbey d’Aurevilly, com Asia de Argento — a actriz está pelo menos em três filmes que estrearam aqui — mas agora no papel de uma mulher escandalosa que mantêm uma ligação plena de paixão com um homem muito mais novo. Um filme pleno de sensualidade, como é habitual na realizadora, mas sem grandes rasgos e novidades artísticas e que, dificilmente chegará ao palmarés. Pouco interessante numa espécie de sub-produto scocersiano é o regresso do realizador norte-americano, James Gray, em We Own the Nigth, um policial negro sobre o combate feroz de uma família de policias, pai e dois filhos (interpretados por Robert Duval, Joaquin Phoenix e Mark Whalberg) contra o tráfico de droga e as mafias russas na noite de Nova Iorque nos anos 80. A destacar neste filme a presença de Eva Mendes, lindíssima e sóbria, num papel que lhe é pouco habitual.

Alguns dos rapazes de Ocean’s 13, (George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, e Don Cheedle) juntaram-se a bordo de um iate desta vez não para prepararem um golpe de casino, mas antes para angariarem cerca de 7,1 milhões de euros, a favor das vítimas da tragédia de Darfour. O Festival também serve para estas causas.

quinta-feira, maio 24, 2007

O Repto


Faltam apenas três filmes para chegarmos ao final de uma lista iniciada praticamente há dois meses, e que tem tido por objectivo dar a conhecer alguns dos filmes que prometem marcar a diferença mais lá para o fim do ano. Mas, outra lista está já na calha. E, de modo a torná-la mais interactiva neste espaço, gostaríamos de lançar aqui um repto. Uma vez que o tema a ser tratado diz respeito a filmes do passado, fará sentido apelar aos gostos de todos aqueles que lêem a revista, ou que visitam este blog, de modo a tornar isto tudo um pouco mais consensual.

Desta forma, na lista que terá por titulo 20 Beijos Inesquecíveis do Cinema, deixaremos em aberto o primeiro lugar. Esse será escolhido por todos aqueles que entenderem por bem deixar aqui três escolhas, por ordem de preferência. Atenção que as recomendações devem ser feitas de forma precisa pois, muitas vezes, no mesmo filme, os pombinhos beijam-se mais do que uma vez.

Aquele que tiver mais votos será o vencedor.

Alvy Singer

Eleições na Câmara de Lisboa chegam ao cinema

Quando questionado esta noite, no Jornal 2, sobre que medidas tomará se for eleito Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, José Pinto Coelho, líder do Partido Nacional Renovador (PNR), afirmou que uma delas será combater, entre outros, o lobby gay, nas palavras do próprio, enraizado na sociedade portuguesa e na vida dos lisboetas. Como é que pretende combater exactamente esses lobbys?, perguntou então curiosa Alberta Marques Fernandes. José Pinto Coelho não gaguejou: retirando a verba de 30 mil euros viabilizada pelo vereador José Amaral Lopes, para a realização do Festival de Cinema Gay e Lésbico da Cidade de Lisboa....

Apetece dizer que se Ang Lee tivesse nascido ali na Mouraria tinha de ir pregar a outra freguesia para realizar o seu Brokeback Mountain.

Alvy Singer

O BANDO DOS 13 (8)






Depois de ter filmado o documentário Elegy of Life: Rostropovich, Vishenvskaya, o realizador russo, Aleksandr Sokorov, decidiu dar o papel principal de Alexandra, o filme que apresentou aqui na competição, à soprano Galina Vishevskaya, a viúva do recém-falecido violoncelista Mstislav Rostropovich. O filme em tons de sepia, é do ponto de vista técnico mais um tratado de teoria da imagem numa história passada na Guerra da Tchechénia, centrado na relação de uma avó com o neto, um oficial do exército russo. E ainda sobre a tolerância e a amizade, sem qualquer matriz política, senão a de retratar em fundo o dia a dia dos soldados russos na sua operação militar e a sua relação com a população tchtchena.

Ocean’s 13, de Steven Soderbergh, em estreia mundial fora da competição, é mais um guilty pleasure de um grupo de amigos que se juntam amiúde(George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Andy Garcia, e desta vez também Al Pacino) para mais um divertimento, onde sempre podem ganhar algum dinheiro e contar umas piadas. Se não é assim é quase. Mais uma vez o tema estafado do golpe dos casinos em Las Vegas, com muito pouco tempo de antena para cada uma das estrelas brilhar, e já vão em treze. E isto num filme de duas horas, com muito pouca acção, com muitos interiore e diálogos muito rápidos, que por vezes nos escapam. Resta ao espectador, encher o olho com o charme dos rapazes, com o guarda-roupa Armani e com um final surpreendente onde Ophrah Winfrey e o seu programa, ajudam no último gag.

Nesta onde de word cinema estreou, finalmente na Quinzena dos Realizadores, a realização colectiva O Estado do Mundo, uma síntese radical da actualidade e das diferenças culturais, produzida pela Lx Filmes e a Fundação Calouste Gulbenkian. O filme é constituído por seis segmentos de 15’, dirigidos por cineastas de horizontes tão diferentes, como Pedro Costa, Apichapong Weerasethakul, Chantal Akerman, Vicente Ferraz, Wang Bing e o cinesata indiano Aysha Abraham, conhecido pelos seus filmes experimentais e as suas instalações.

Martin Scorcese deu a sua Lição de Cinema, e mais do que falar das suas obras, falou da sua nova cruzada para a criação de uma fundação mundial que visa o restauro de filmes célebres, que nunca mais foram projectados ou filmes por descobrir, e que não existem sequer edições em DVD.

Um documentário dedicado a Alexandre Litvinenko, o antigo agente russo envenenado em Londres, entrou in extremis na Selecção Oficial e sera projectado no Sábado. Chama-se Rébellion: L’Affaire Litvinenko, é uma obra de Andrei Nekrassov, um amigo muito próximo do ex-agente russo.

quarta-feira, maio 23, 2007

Paprika, Um festival de Cores

Baseado num romance de Yasutaka Tsutsui, um dos mais célebres autores japoneses de ficção-científica da actualidade, Paprika é o mais recente filme de Satoshi Kon, um dos mais notáveis realizadores de anime japoneses, autor de obras como Perfect Blue (1997) e Millennium Actress (2001). O filme, actualmente em competição no Monstra, vive alguma controvérsia quanto à sua elegibilidade para os Óscares deste ano.

O trailer, visualmente delirante, impressiona pela quantidade de fantasias incorporadas em tão pouco tempo. Não importa estabelecer aqui qualquer relação entre as ideais. Um minuto e meio que nos faz ficar sem palavras.

Alvy Singer

Então e este?

A propósito da discussão, aqui há uns tempos, em torno de Dança Comigo, e do polémico tema pirosice, lembrei-me imediatamente deste filme. Aqui sou obrigado a concordar com todo e qualquer cinéfilo que afirme aos quatro ventos que algo não correu bem na execução desta ideia. Ou na concepção desta ideia. Ou na origem desta ideia. Ou em qualquer aspecto relacionado com esta ideia. Bom, se alguém disser o contrário, já temos tema de conversa.

Depois de ter recordado Junior, logo me esqueci dele, por razões óbvias. Daí só agora ter sido colocado neste espaço para consideração de todos. Desta parte está considerado.

Alvy Singer

4 - Margot at the Wedding.

À beira do pódio ou, neste caso, se quisermos, do altar, surge, no quarto lugar, Margot at the Wedding. O próximo filme de Noah Baumbach, o responsável por uma das pérolas de 2005, A Lula e a Baleia, promete ser uma nova obra intimista, com uma profunda carga dramática, à qual deverá aliar magistralmente um ténue pendor humorístico, como que a dizer Epá, isto dos dramas é muito melhor quando a gente se ri, um pouco à imagem do que aconteceu com o seu filme anterior. Sim, porque Noah Baumbach bem que pode ser apelidado de ‘Alan Ball versão indie’.

Nicole Kidman, a Margot do título, terá a companhia de Jack Black, Jennifer Jason Leigh (mulher de Noah Baumbach), e John Turturro. O filme irá girar, por mais estranho que pareça, em torno de Margot, mais concretamente durante uma viagem de fim-de-semana em que esta parte com o filho para visitar a sua irmã (Leigh).

Sinopse limitada? Sim. Mas é o suficiente para perceber que o realizador regressará com um habilidoso retrato familiar, onde as imagens captadas certamente estarão longe de um embelezamento gratuito da condição humana. Agora, isso não significa a ausência de gargalhadas monumentais, nem de um final feliz. Afinal, até Lester Burnham morreu com um sorriso nos lábios.

Restam então três filmes para aguardar com enorme expectativa, em 2007? Não, claro que não. Mas é já possível adiantar que esse em que estão a pensar, neste preciso momento, não figura entre os três primeiros. E aquele outro, também não.

Alvy Singer

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OCIDENTE, ORIENTE (8)









Fatih Akin, o cineasta alemão de origem turca é a grande estrela do dia, com The Other Side, o seu último filme que veio confirmar um certo favoritismo nesta Competição.
Livre, intenso, sensual e ao mesmo tempo romântico, o cinema de Akin representa mais do que nunca uma mudança no cinema alemão, que ganhou novos contornos artísticos com esta onda de calor vinda do sul e da Turquia. O filme é constituído por várias histórias e personagens, cruzadas no tempo e no espaço, em que algumas não chegam a encontrar-se, mas centra-se essencialmente na de um professor universitário alemão de origem turca que decide por opção, regressar à suas origens e procurar a filha da mulher que partilhou a velhice do pai. No essencial, Akin volta a fazer a ponte sociológica entre dois mundos e culturas muito diferentes, mas cada vez mais próximas, entre os conflitos politicos internos e externos da Alemanha e da Europa, com o mundo islâmico e em particular com a Turquia, candidata à integração europeia. Isto numa bela história, ou antes histórias de amor e sentimento de perda. Foi bom ver regressar aos ecrãns a expressiva Hanna Schygula, uma das actrizes fetiches de Fassbinder.

Na base dos conflitos culturais e religiosos entre o ocidente e o oriente, está a história de Persepolis, o único filme de animação em Competição. Baseada na vida real e na BD da autoria da realizadora Marjane Strapi, mostra-nos um panorama do seu Irão natal e a evolução do regime islâmico desde a revolução dos Ayatholas, como um mundo a preto e branco e a Europa, onde viveu e vive, como um mundo a cores algo desbotadas.

Nesta tendência recorrente das diferenças culturais e multiculturalismo, está China, China de João Pedro Rodrigues, (e João Guerra da Câmara), que passou na Selecção de Longas Metragens da Quinzena dos Realizadores. João Pedro Rodrigues, que está presente também no Atelier da Cinefondation, deposita enorme confiança, em entrevista que nos deu ontem, de que esta sua segunda passagem por Cannes, o ajude a atrair financiamentos internacionais para o seu novo projecto de longa metragem intitulado, Morrer Como um Homem.

Aparentemente indiferente, ao que aqui se passa em Cannes, a Disney lança hoje em todo o mundo a terceira entrega de Os Piratas das Caraíbas - Nos Confins do Mundo, numa ofensiva de marketing global, que visa obter receitas colossais na indústria do entertenimento. Receitas essas, que vão desde a exploração do filme e produtos a ele associados, até às novas atracções nos parques temáticos.

A propósito de entretenimento, o site fest21.com, lançou uma reconstituição virtual do Festival de Cannes, no famoso Second Life. Para os mais interessados, o Palácio dos Festivais, os ecrãns de cinema, a Croisette, e as inevitáveis praias e hotéis, estão disponíveis virtualmente em 3D, pela módica quantia de 1500€.

terça-feira, maio 22, 2007

Como fazer um bom monólogo

Depois de ter visto o clássico Peço a Palavra (Frank Capra, 1939), nenhum monólogo será encarado da mesma forma. Tudo se redefine a partir de aqui e, de hoje em diante, toda e qualquer dissertação no grande ecrã será avaliada de acordo com outros parâmetros. Ainda assim, existem outros monólogos que, de uma forma singular, marcaram e estabeleceram o seu próprio padrão. Alguns exemplos.


Network - Escândalo na Televisão - I'm mad as hell!


Taxi Driver - You Talking to me?


Wall Street - Greed is Good


Pulp Fiction - Ezequiel 25:17


Annie Hall - Inicio

Alvy Singer

5 - The Bucket List






















Juntar dois senhores deste calibre pode resultar em algo verdadeiramente explosivo. Talvez esse seja mesmo o principal factor para este ser o quinto filme mais antecipado nesta lista dos 25. Não que a história seja demasiado vulgar, ou que o próprio realizador, Rob Reiner (A Princesa Prometida, Conta Comigo), não seja apelativo por si só, contudo, reunir na mesma obra Jack Nicholson e Morgan Freeman supera qualquer outra particularidade. Quase que ficamos sem fôlego quando inspiramos para pronunciar os nomes destas verdadeira lendas vidas. Haverá certamente aqueles mais entusiastas que, no final do filme, aplaudirão de pé como se de uma peça se tratasse, tal é a vivacidade que estes dois jovens actores transmitem através da tela. Totalmente compreensível.

Ainda sem data de estreia marcada, não é muita a informação disponível sobre The Bucket List. Relativamente ao argumento, sabemos que relata a fuga de um centro hospitalar de dois pacientes cancerígenos que decidem fazer tudo aquilo que gostariam de fazer antes de morrer. Nesta aventura ao serviço de wish-lists, os dois irão passar por corridas de carros, gigantescos pratos de caviar, e jogos de Poker nos casinos de Monte Carlo. A história pode vir a transformar-se no mais banal possível, e a realização deixar muito a desejar, no entanto, para já, esta é a primeira vez que estes dois actores partilham o grande ecrã e isso, só por si, justifica este quinto lugar.

Alvy Singer

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O FURACÃO TARANTINO (7)






Depois do ‘Furacão Tarantino’, e do seu Death Proof, na Competição Oficial de Cannes, nada ficará como dantes! Há mesmo num determinado sector da crítica quem lhe atribuía já a Palma de Ouro, numa altura em que ainda faltam cerca de dez filmes para terminar a Competição. O filme em si à primeira vista é um ensaio estilistico inspirado nos slasher movies dos anos 70 e, resume-se ao seguinte argumento: na primeira parte três sexys e formosas raparigas primeiro num bar e depois num velho carro japonês dialogam longamente sobre temas de sexo, até que Mike, um paranóico ex-duplo de cinema (Ken Russel), com quem se tinham cruzado no bar, choca de frente e propositadamente contra elas na estrada provocando uma sequência de cinema gore, ao nível mais extremo, com chapa, braços e pernas a voar por todos os lados; na segunda parte outras três raparigas agora mais radicais e menos ingénuas (entre elas Rosário Dawson e a neo-zelandeza Zoe Bell, que foi dupla de Uma Thurman em Kill Bill, e aparece agora com actriz, interpretando-se a ela propria), voltam aos diálogo sobre sexo, dentro de um Chevrolet Amarelo, parecido com o fato de Thurman em Kill Bill. Até que novamente o louco ex-duplo tenta atirá-las fora da estrada. Entretanto e numa extraordinária cena de perseguição de automóveis, o feitiço vira-se contra o feiticeiro e assim acaba o filme. Isto tudo com cortes bruscos na montagem, repetições, e uma cópia cheia de riscos, como é de apraxe. O argumento é simples e minimalista, inspirado sem ser demasiado revivalista nos filmes dos anos 70, — estão lá muitos filmes B, mas também, algo de Duel-O Carro Assassino, de Steven Spielberg — sem um género especifico e com um toque de modernidade e uma banda sonora a condizer, que o coloca mais no domínio de uma obra de arte contemporânea, do que do cinema, no seu lado artístico mais convencional. Goste-se ou não se goste Death Proof não consegue deixar-nos ficar indiferentes e promete grandes cizões na crítica e no público.
Em relação aos filmes do dia, realce para Le Scaphandre et le Papillon, de Julian Schnabel (o realizador de Antes que Anoiteça, sobre o escritor cubano Reinaldo Arenas), agora numa belíssima adapatação do livro autobiográfico de Jean-Dominique Bauby, um ex-director da revista Elle francesa e uma grande figura da moda, que repentinamente sofre um AVC, e fica paralizado e numa cadeira de rodas.É um filme duríssimo que nos mostra a perspectiva íntima de Bauby, a sua nova forma de ver o mundo, na sua situação de incapacitado, depois de uma vida cheia de experiências pessoais e profissionais. Le Scaphandre et le Papillon, e um filme pouco adequado aos mais impressionáveis, a todos os directores de revista e a todos aqueles que lidam com deadlines e situações de stress diárias.
Da secção Un Certain Regard, chegou-nos Mister Lonely, da autoria de Harmonie Korine, o novo wonderboy do cinema norte-americano. É uma divertida história de um encontro de sósias de grandes íconos do cinema, e onde brilham dois jovens actores: Samatha Morton e Diego Luna. Para terminar uma referência para o regresso do realizador hungaro Bela Tárr e para a expectativa criada à volta desta adaptação cinematográfica algo convencional e já várias vezes tentada sem sucesso, de O Homem de Londres de George Simenon.

segunda-feira, maio 21, 2007

A Arte do Poster


Alvy Singer

Ainda há BD para ver este ano

Porque o universo da Marvel não se esgota em Homem-Aranha, convém que nos comecemos a preparar para o que ainda aí vem, em 2007. E, aquilo que está previsto para meados de Junho, ou seja, mais ou menos daqui a um mês, é uma simpática invasão alienígena. Um tal de Silver Surfer ameaça trazer os bons costumes de um qualquer asteróide e, caso o mal não seja travado a tempo, a coisa pode dar para o torto e as consequências serem devastadoras.

Apesar do primeiro filme não ter sido a melhor adaptação de uma BD de todos os tempos, a verdade é que também está muito longe de ter desiludido completamente. Até certo ponto, pode considerar-se hoje como uma das mais agradáveis surpresas do género fantástico, no ano de 2005. À sua maneira, acabou por ser um primeiro passo firme desta saga que agora caminha para a trilogia. Resta saber se o investimento astronómico em efeitos especiais não será sinónimo de uma preocupação inversamente proporcional com o argumento… Que o trailer tem belas imagens, isso é indubitável.

Alvy Singer

Cenas Semi-Quentes

Na senda da secção Cenas Quentes, disponível mensalmente na PREMIERE, surge agora este breve post. Não se apressem a clicar no link, pois do outro lado não surgirá ninguém em trajes menores. Ok, talvez Mariah Carey (cujo maior feito cinéfilo provavelmente seja Glitter…), pudesse ter mais alguma roupa. De qualquer forma, o objectivo passa mais por dar a conhecer um dos primeiros trabalhos de um certo jovem charmoso, que hoje desempenha papeis bem mais complexos do que este. O Semi é porque o rapaz não se despe. O Quentes é porque dizem que este ar sério por si só é suficiente. Para todos os gostos, só mesmo a série onde ele é protagonista. E para os mais distraídos, o homem abandonado ao altar é Eric Roberts, o irmão da Julia com o mesmo nome.

Alvy Singer

6 - Sweneey Todd

Para muitos este será o filme mais aguardado do ano. Para alguns, o filme mais aguardado da década. Diz-se que até já há muito boa gente a ouvir uma vozinha dentro de si a anunciar: And the Oscar goes toSweeney Todd. Futurologias.

A verdade é que este filme estará muito provavelmente no top ten de 2007 (tem tudo para isso), e um sexto lugar nesta tabela de antecipação não parece ser uma posição totalmente descabida. No entanto, olhamos para este título sempre com a ténue esperança que consiga surpreender de alguma forma, e elevar Tim Burton a um patamar que o dê ainda mais a conhecer a todo esse mundo que o ignora – sim, porque ainda existe muito bom cinéfilo que nunca viu um filme deste senhor.

Agora, para a grande maioria, Tim Burton dispensa apresentações. Assim como o elenco que o acompanha em Sweeney Todd: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, e Sacha Baron Cohen.

O plot, também sobejamente conhecido, tem por base o musical da Broadway sobre o famoso Benjamim Barker (Depp), ou Swenney Todd, que inaugura uma barbearia no centro de Londres, e estabelece uma sinistra sociedade com a inquilina do mesmo prédio, Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter).

O filme tem escrita a sentença nomeação para Tim Burton, do princípio ao fim. Por sua vez, Tim Burton tem todo o ar de quem vai ter de esperar muito tempo por um Oscar. Será este o próximo Scorsese?

Alvy Singer

SESSÕES CONTÍNUAS (7)







Fomos presenteados com dois dias seguidos com uma programação intensa e muitas sobreposições. Digamos que não foi a melhor escolha da organização, para este inicio de semana e sexto dia consecutivo de festival, em que o cansaço e as olheiras começam a manifestar-se. Hoje pela manhã tivemos quase uma maratona de sessões contínuas, que começou às 8h30 e acabou às 15h, sem praticamente haver pausas entre si. Era sair de uma sala e entrar para a outra, com dois filmes da competição. O primeiro foi Paranoid Park, de Gus van Saint, mais uma magnífica crónica social sobre a vida adolescentes norte-americanos, centrada na história de Alex, um jovem skater, que mata acidentalmente um segurança, e não se consegue livrar da culpa e do remorso do silêncio. O filme tem algumas particularidades interessantes: utilização mais uma vez de não-actores, recrutados no MySpace, e uma grande mais valia com o recurso a belíssimas sequências, especialmente as dos movimentos dos skaters, que alternam entre o super 8, o 35mm e o video, devidamente coordenadas por Christopher Doyle, o director de fotografia que habitualmente trabalha com Wong Kar-wai. Embora apresentado fora da competição, A Mighty Heart, de Michael Winterbottom, era um filme aguardado com alguma expectativa, não só porque trazia associado duas grandes estrelas do momento: Angelina Jolie na protagonista e Bradd Pitt como produtor, como também porque relata as investigações realizadas pela polícia paquistanesa para resgatar com vida Daniel Pearl, o jornalista norte-americano, que acabou por ser executado em 2002 às mãos dos talibans. Baseado num best seller escrito pela mulher do jornalista Marianne, vamos assistir a um horrível calvário num filme frouxo e muito diferente do estilo guerrilheiro que Winterbottom nos tem habituado em obras como Caminho para Guantánamo. Insólito é mais uma vez, o novo filme do mexicano Carlos Reygadas, um realizador que parece ter uma vela acesa junto da crítica francesa. O filme intitula-se Luz Silenciosa, e conta uma história de adultério no seio de uma comunidade de menonitas — uma relegião muito semelhante aos mormons — do norte do México. Espera-se muita adrenalina para o fim do dia, com Death Proof, o muito aguardado filme gore, de um regressado Quentim Tarantino. O filme foi um desastre de bilheteira nos EUA, vamos ver se Tarantino não esgotou o seu filão e não nos vai desapontar.

domingo, maio 20, 2007

U2, OLIVEIRA E A VIDA DIFÍCIL DE UM REPÓRTER (6)






A madrugada de domingo foi muito especial aqui em Cannes. Foi o dia das comemorações do 60º Aniversário, e como surpresa os U2 subiram a passadeira vermelha e tocaram do alto da escadaria do Auditório Lumière, para uma multidão que enchia completamente todos os espaços em volta do Palácio dos Festivais. Era cerca da 1 da manhã e antes mesmo da estreia mundial de U2 3D, o filme de Catherine Owens e Mark Pellington, que começou muito atrasado, tal era a dificuldade das viaturas do Festival circularem na Croisette. Cá em baixo na passadeira vermelha e quase junto ao público estavam entre outros, a Maria de Medeiros, e o actor espanhol Javier Bardem, acabado de sair da estreia de gala do seu No Country for a Old Man, e que não parou de dançar e cantar os temas dos U2. A multidão acompanhou, e eu próprio não resisti a um dos momentos mais vibrantes nestes oito anos de cobertura do Festival de Cannes. Uma hora antes da apresentação, quando me preparava para juntar à multidão e esperar pelo concerto, cruzei-me com o ‘mestre’ Manoel de Oliveira, que no meio da barafunda passeava sozinho e tranquilamente pela Croisette, com os seus quase 99 anos de idade. Tinha acabado de jantar e ia em direcção ao Hotel Majestic Barriére, onde está hospedado. Troquei umas impressões com ele sobre o ambiente e tirá-mos uma fotografia juntos, que ficará para o meu album de recordações. Mesmo com a noitada, às oito da manhã já estava no Auditório Lumiére, o maior de todos, — cerca de 3000 lugares — para assistir à sessão de imprensa de Chacun son Cinema, o filme-aniversário, onde o mestre Oliveira assina um dos mais inspirados e divertidos segmentos, centrado num possivel encontro entre Krutchov (Michel Picolli) e o papa João XXIII (João Bernard da Costa), em versao cinema mudo. Além do segmento de Oliveira há a destacar ainda as curtas de Walter Salles, Nanni Moretti, David Cronenberg, Roman Polansky e a dos Irmãos Cohen, num prolongamento de No Country For a Old Man, que são entre as muitas as que mais agradaram na generalidade. Corro o risco de me faltar alguns dos mais interessantes segmentos de 3’, deste filme colectivo, mas resta-me a satisfação de que o Festival vai desponibilizar uma edição em DVD, a partir do próximo dia 25. Já agora, depois de tanta folia convém falar um pouco dos filmes em competição com destaque para Import/Export, do realizador austríaco Ulrich Seidl (Dog Days, 2001), que assina um um duro ensaio sobre o trabalho, a sexualidade, a velhice, morte e ideia de que neste mundo de hoje é muitas vezes necessário cerrar os dentes para encontrar forças para continuar. Trata-se de uma obra de excepção que pode constituir também uma grande surpresa, nesta selecção e no palmarés.
Para quem não acredita que a vida do repórter não é fácil em Cannes, dou-vos apenas um exemplo do programa de hoje, onde há as inevitáveis sobreposições. O dia começa com Paradise Park de Gus van Saint, segue-se A Mighty Heart, de Michael Winterbottom, com Angelina Jolie, depois Lumiere Silencieuse, do insólito Carlos Reygadas, Go Go Tales, uma estreia na comedia de Abel Ferrara, e Death Proof de Quentin Tarantino. Pelo meio está progamada A Lição de Música , com Howard Shore, acompanhado por David Cronenberg e Boxes, o documentário de Jane Birkin, de homenagem ao Festival.

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