Deuxieme


domingo, setembro 30, 2007

Só falta mesmo o filme estrear...

Já deu para reparar que não há semana em que não se fale de No Country For Old Men, por estes lados. Mas, verdade seja dita, há sempre qualquer coisa para dizer. Quando pensamos que, finalmente, não há mais nada a fazer senão aguardar serenamente pela estreia do filme, eis que surge um novo trailer, ou um novo poster, ou uns novos clips, ou… Uns novos clips? Cinco momentos deste filme dos irmãos Coen, recentemente disponibilizados, são o motivo por detrás de um novo post referente a este título. Depois de vermos estes sete minutos, lembramo-nos logo porque é que falamos dele aqui com tanta frequência.

Alvy Singer

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I'm called The Virgen Queen.


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Um triunfo para Paul Thomas Anderson?

Dois filmes, duas motivações. Curioso como as reacções que nos vão chegando, influenciam, ao mesmo tempo, a vontade que temos em ver determinado filme. Dá que pensar. Se não existissem visionamentos para algumas minorias antes da distribuição generalizada, as coisas seriam bem diferentes. Há um ano, se calhar, ninguém teria ido ver Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos. Quer dizer, havia Alan Arkin, Toni Collette, Steve Carrell, Greg Kinear, mas, por si só, este não seria o mais apelativo dos elencos. Mesmo assim, com tudo aquilo que se falou, com a carrada de criticas positivas e com o fantástico boca-a-boca que se criou, o filme ainda passou ao lado de muito boa gente. Por isso mesmo, bem hajam todos aqueles que o viram primeiro e que fizeram questão de deixar bem vincado o quão bom este título era. É sempre bom quando desconhecemos por completo um projecto, até que ouvimos falar dele pela primeira vez quando alguém diz Epá, espera lá que está aqui qualquer coisa que vale a pena!, como já aconteceu este ano com Once e Juno, por exemplo.

No entanto, como em tudo, existe o reverso da medalha. Da mesma maneira que nos fiamos quando vamos à procura de uma boa surpresa ou apenas de uma confirmação, por muito que nos custe, não podemos deixar de ficar abananados quando contamos que um determinado filme seja alguma coisa de jeito, e depois vemos que a maioria não lhe acha grande espingarda. Até podemos continuar a querer vê-lo, mas não da mesma maneira.

É claro que existem excepções. Dê por onde der, há sempre alguém que nunca falha um Cronenberg, um Malick, um Payne ou um Polanski, e o entusiasmo é sempre o mesmo, antes da luz se apagar. Só depois é que a gente fala. No entanto, isto só funciona para aqueles actores, realizadores, argumentistas ou compositores dos quais somos realmente aficionados. Para aqueles que simplesmente admiramos, aquilo que se vai ouvindo é importante, parecendo que não.

Isto tudo para dizer que existem, neste momento, dois filmes extremamente convidativos, cujas recentes criticas vieram alterar a motivação para os ver. O primeiro, aumentando aquela que era já uma vontade desproporcional. O segundo, resfriando uma secreta ambição de encontrar aqui um concorrente à altura de American Gangster.

Parece então que o novo filme de Paul Thomas Anderson, There Will Be Blood, é tão bom quanto se pensava.

Seja no AICN, no Hollywood Reporter ou na Variety, de todo o lado chovem elogios ao realizador, a Paul Dano e, sobretudo, a Daniel Day-Lewis, que se assume assim como um forte candidato a tudo o que for prémio este ano. Há quem vaticine já algumas comparações a Citizen Kane. Mais pelo rumo da história e pelo relato de uma família corrompida pelo sonho americano. Comparar um filme à obra-prima de Orson Welles não deixa de ser um exercício assombroso. Só a audácia para o fazer, já é assinalável. Agora, sem dúvida nenhuma que isto significa uma corrida às bilheteiras quando o filme estrear.

Por outro lado, We Own The Night começa a levantar algumas questões, apesar das primeiras impressões negativas terem chegado logo de Cannes.

Até há bem pouco tempo, esta era uma aposta pessoal sem grande sustento. Um tiro no escuro. Confesso admirador do trabalho de Mark Wahlberg, ainda mais do de Joaquin Phoenix, e mais ainda do de Robert Duvall, isto tinha tudo para dar certo. Contudo, vêm agora dizer que o filme vale por Wahlberg, Phoenix e que se assemelha em muito aos policiais dos anos 70 sem, no entanto, acrescentar algo de novo. Ora, meus senhores, eu adoro policiais dos anos 70. Foi por isso que vim para casa com um sorriso nos lábios quando vi Zodiac. Mas, a indiferença com que tudo isto é dito, não deixa de abalar a confiança de um cinéfilo que depositava aqui algumas esperanças.

Resultado, se estrearem no mesmo fim-de-semana, verei primeiro There Will Be Blood.

Alvy Singer

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Este Hotel abre o apetite.

A qualidade não é das melhores, longe disso. Mas, para todos os efeitos, trata-se de Wes Anderson e, convenhamos que o homem já fez o suficiente para merecer agora uma solidária desatenção para com a imagem mais do que pixelizada e um som desfasado. É claro que a culpa não reside em Wes Anderson, mas sim no Google Vídeo, que impõe limitações, e muitas. Aproveitar as novas tecnologias, sim senhor, boa ideia, mas não levar também com o que elas têm de mau é que não é possível. Contudo, é melhor do que nada.

Para todos aqueles que possuam uma conta no iTunes, talvez as coisas se processem de maneira diferente. Caso contrário, o vídeo colocado no Google será a alternativa mais acessível. Este Hotel Chevalier, filmado em dois dias e editado no computador pessoal de Wes Anderson, é a primeira parte de Darjeeling Limited. Este, só chegará às salas nacionais a 24 de Janeiro. Quando esse dia chegar, lembrar-nos-emos, pelo menos, da sumptuosidade de Natalie Portman e do olhar carregado de Jason Schwartzman. Com treze minutos apenas, Hotel Chevalier cumpre o objectivo.

Alvy Singer

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Tema Mistério II

Continua aqui a saga dos temas mistério que vos proponho adivinhar.Esta é uma interpretação bastante razoável de um tema que ficou bastante famoso e relativo a um filme de animação simplesmente fantástico...Pronto,aí ficou a primeira pista para este "tema mistério número dois"!A segunda pista encontra-se na foto acima...Digam-me então de que filme se trata!

Bernardo Sena

sábado, setembro 29, 2007

Turnos de Vigias trocados à la Portuguesa





Pois bem, na linha das divagações que a Wikipédia fornece à obra-prima de Bertolucci (divulgadas no post bestial do Alvy Singer), hoje deparei-me com mais uma pérola, esta com a agravante de ser bem... nacional.

Perante uma pesquisa no site Cinecartaz do Público (http://cinecartaz.publico.pt/), para consultar as estreias e ver sessões para uma noite de cinema, deparo-me com algo de genial: na sala 7 do Alvaláxia encontra-se, em exibição, o filme O Vigilante ("The Conversation", no original). Quando olho com mais atenção vejo na fotografia a cara de Gene Hackman e quando leio a ficha técnica fiquei abismado... Sim, estou a falar do filme de Francis Ford Coppola, de 1974, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes nesse mesmo ano e que é, a meu ver, um objecto cinematográfico de grande valor.

E, perante isto, eu digo a alto e bom som: "O Alvaláxia agora faz reposições? Excelente ideia! Quero rever isto em cinema!".

Até aqui, tudo bem; tudo é plausível de acontecer, a gerência do cinema está a mudar de mãos (Millenium passa para o Grupo Lusomundo) e, em 14 salas, é óptimo (e seria natural? possível?) que uma delas passasse a ser destinada a reposições, um fenómeno que entre nós não acontece, mas no resto do mundo "civilizado" é uma realidade natural (é só ir a Paris e sair numa estação de metro qualquer para se esbarrar com posters de Annie Hall em todos os sítios, juntamente com outros filmes antigos ou estreias recentes). Mas, claro está, vamos a relembrarmo-nos onde estamos, meus caros amigos: Estamos em Portugal.

Mais tarde, na mira da sessão da meia noite, desloquei-me ao dito cinema para comprar bilhetes para outro filme, e aproveitei para confirmar quanto tempo de exibição o filme de Coppola iria merecer em sala, e fiquei estupefacto quando retirei um folheto com as sessões e não vejo nada sobre o filme. Quando pergunto à estimada senhora da bilheteira, a resposta foi a seguinte: "Não, é engano, já muitos vieram perguntar pelo mesmo, eles no site enganaram-se..." e afastou-se com um sorriso de incompreensão.

Moral da história: o "Vigilante" (e não "O Vigilante") a que o Cinecartaz se deveria referir (e que estreou esta quinta-feira) chama-se, no seu original, "The Lookout", e é realizado por Scott Frank (argumentista de Relatório Minoritário e d' A Intérprete) e conta com Joseph Gordon-Levitt e Jeff Daniels no elenco - ou seja, não tem absolutamente nada que o relacione com a obra de Coppola.

Sorte a minha não me ter deslocado ao cinema para rever Gene Hackman em grande forma, pois era "tão grande o galo" que iria apanhar, que nem sei o que faria ou diria às primeiras 20 pessoas que me surgissem pela frente. Com isto tudo, eu só pergunto... mas o que é que se passa? Surgem títulos iguais entre obras cinematográficas e, em vez de se confirmar os mesmos com os cinemas e produtoras e entre os críticos (ainda por cima de um jornal tão notório), cometem-se disparates destes? É completamente absurdo como é que, a partir de um título a estrear, se vai parar a outro filme completamente distinto, com mais de 30 anos de existência. Não existem palavras para descrever tamanha calinada.

No meio desta fenomenal novela fellinesca, valha-nos a Cinemateca. É o único sítio onde este filme poderá eventualmente ser exibido entre nós. De resto, vamos aguardar que a estreia d' O Reino não seja confundida com um filme de época qualquer da década de 40.

Francisco Silva

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sexta-feira, setembro 28, 2007

Tributo a Elmer Bernstein


Acabadinho de colocar no youtube este pequeno vídeo que produzi, montei e realizei, dedicado à obra de Elmer Bernstein, um dos grandes compositores na história da música para cinema. Apresenta música dos filmes A Grande Evasão, Na Sombra e no Silêncio, Os Sete Magníficos, Longe do Paraíso, Os Caça-Fantasmas e A Idade da Inocência, mostrando toda a diversidade de estilos do compositor. Pouco tempo depois de o ter colocado senti-me "obrigado" a fazer umas ligeiras alterações, particularmente em relação à assinatura. Agora está na sua versão definitiva.
Para apreciarem e se possivel comentarem!
Saudações cinéfilas!

Bernardo Sena

As divagações do Wikipedia.

O Wikipedia poderá servir para muitas coisas. Acredito piamente que existirá algures, um tipo que trabalha numa empresa onde pode imprimir páginas e tirar fotocópias o dia todo, e que, durante o expediente, nada mais faz senão imprimir documentos do Wikipedia que, mais tarde e já em casa, guarda num dossier arquivador por ordem alfabética. Este individuo até pode ser muito feliz assim. No entanto, a sua cultura cinematográfica sofrerá um pouco com isto.

Sem entrar em pormenores, mas convidando a que os descubram, existem algumas coisas assustadoras na análise a O Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci. Aquilo até começa bem, com uma sinopse de uma linha, a apresentação do elenco, quem compôs a banda-sonora, por aí adiante. Contudo, quando o tema é a mítica cena da manteiga, as coisas descambam. Só para terem uma ideia, o artigo acaba a falar do lubrificador K-Y Jelly. Até Marlon Brando leva uma alfinetada. Confesso que pensei em alguma coisa engraçada para dizer, mas não é preciso. Este é aquele tipo de material que é hilariante por si só. É ver com os próprios olhos, aqui.

Alvy Singer

Transformações a dobrar.

É só uma questão das comadres se entenderem, leia-se, a Dreamworks, de David Geffen e Steven Spielberg, e a Viacom, para que Tranformers 2 veja a luz do dia. Dia esse que até já está escolhido: 26 de Junho de 2009. Bay deverá voltar, assim como o dedo conselheiro de Steven Spielberg. Previsível como tudo, esta notícia poder-se-á classificar com o mesmo grau de surpresa que um nascer e um pôr-do-sol provocam. Ainda a noticia vinha em Marrocos, e já todos a víamos.

Alvy Singer

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Mais candidatos aos Óscares estrangeiros.

Quem não se lembra de Cinema Paraíso? Certamente só não se lembrarão os que ainda não viram aquela que seria a oitava maravilha do mundo, se elas fossem oito. Quem já teve a sorte de se cruzar com a história do pequeno Salvatore, jamais a esquecerá. Esta carta de amor ao cinema foi escrita por um dos melhores realizadores do cinema europeu, que parece agora querer voltar à ribalta, quando já todos começávamos a sentir saudades deste génio que também nos trouxe A Lenda de 1900.

Confirmou-se hoje, então, aquilo que muitos esperavam. La Sconosciuta, realizado por Tornatore, foi o filme escolhido para representar a Itália nos Óscares do próximo ano. Tendo levado para casa cinco David di Donatello, o galardão do cinema italiano, entre os quais Melhor Filme, Realizador, Actriz Principal, Fotografia e Banda Sonora (a cargo de Ennio Morricone).

Por seu lado, a Espanha elegeu El Orfanato, um filme de Juan António Bayona. O título acaba por fugir um pouco às tradicionais escolhas espanholas, que sempre nos habituaram a dramas mais humanos, como os de Almodôvar. Aqui, temos um filme de terror, puro e duro. E, para já, este é um dos principais candidatos a figurar nos cinco finalistas. Não só a Variety lhe faz uma vénia de todo o tamanho, como um remake de Hollywood já vem a caminho. Será preciso mais?

Por último, Portugal decidiu-se ontem por Belle Toujours de Manoel de Oliveira. Quer-me parecer que, ano após ano, continuamos a insistir na mesma tecla. Qualquer piano é constituído por mais do que uma oitava. Marco Martins já nos mostrou que existem outros acordes, tão ou mais bonitos do que estes. Alguém ousa fazer previsões?

Alvy Singer

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quinta-feira, setembro 27, 2007

Como agarrar logo o espectador.

Ao contrário do filme em si, a introdução de The Kingdom (O Reino) tem dado que falar. Talvez o ultimo representante dessa gigantesca fornalha de blockbusters que este ano inundou as salas de cinema, The Kingdom começa, ainda naquela fase em que muitos dos espectadores estão a entrar na sala completamente às escuras, com uma mensagem fortíssima. É claro que esta é uma mensagem que já outros filmes transmitiram, no entanto, em apenas quatro minutos ficamos com uma visão muito clara do que tem sido a relação dos Estados Unidos com a Arábia Saudita. Uma montagem alucinante que talvez será a principal responsável pelo desembolso de 5 euros no fim-de-semana de 11 de Outubro. Se o filme mantiver até final o nível do genérico, somos capazes de ter aqui uma bela surpresa.

Alvy Singer

Tema Mistério I

Depois do pequeno aperitivo por mim lançado na 3ª feira (Memórias de uma Geisha tocada por John Williams e Yo Yo Ma) achei pertinente iniciar agora uma apresentação de uma série de temas musicais para descobrirem a que filme se referem. Este primeiro (podia ser eu a tocar, mas não sou...) parece-me dificil, menos para os grandes entendidos nesta matéria de "música no cinema" e não é propriamente um tema, mas dois. Será melhor lançar uma pista?
Pista:
Na foto encontramos o compositor James Newton Howard ao lado de M.Night Shyamalan. Quererá dizer algo?

Bernardo Sena

Estreia com bastante sabor


Catherine Zeta-Jones é, e sempre foi (tirando essa coisa chamada A Mansão), um bom motivo para nos deslocarmos a uma sala escura, e como tal, esta semana não é um lugar para excepções. Sem Reservas é um drama (e não uma comédia romântica, como o poster nos faz querer - mais parecido com isto foi o exemplo de Espanglês, que levou as pessoas ao cinema à espera de gargalhadas, quando de repente se viram no seio de um drama familiar, de qualidade superior é verdade) que conta com esta bela musa e com Aaron Eckhart, esse actor que ganha a cada filme uma maior notoriedade e uma revelação artística com mais sumo.

Ora bem, na mira de Ratatui (essa incontornável obra de cinema), este é mais um filme que nos enche o imaginário e nos deixa água na boa, uma vez que os dois personagens são cozinheiros de alta cozinha em restaurantes finos, premissa que nos remete para se servir, bem quente, uma Zeta-Jones num registo meio paranóico e frio, mas revelador de grande humanidade, e um Eckhart cool e sedutor através do olhar, direitinho para a mesinha simpática do canto. Mas entre eles, o que temos? Guerra, Amor, Dúvida, Animação, Receio, Redenção.

Vá, o que estão à espera? Sim, vale bastante a pena!

Francisco Silva

O Labirinto do Fauno, em Dvd.

Chegou hoje às lojas, um dos melhores filmes do ano de 2006, estreado nas nossas salas já em 2007. Já praticamente tudo se escreveu sobre O Labirinto do Fauno. Mágico, fenomenal, grandioso, violento, brilhante, todos estes foram adjectivos utilizados para classificar a obra-prima de Guillermo Del Toro. Escusar-me-ei a cair na redundância de elogiar um título por demais aplaudido, se bem que nunca seja demais enaltecer um trabalho desta qualidade. Quando, num post anterior, foi colocada a questão porque é que gostamos de cinema, e quem são os culpados deste fascínio, Del Toro é claramente um dos mais novos responsáveis.

A confrontação entre o mundo de fantasia e a dura realidade é apaixonante. Os dois fazem-nos sofrer e sonhar, ao mesmo tempo, de uma forma angustiante mas deliciosa. Sergi Lopez, como o Capitão Vidal, e Ivana Baquero, no papel de Ofelia, são divinais. Disse que não iria elogiar este filme, e aqui estou eu… É tão fácil fazê-lo, que nem nos apercebemos. Quem já viu o filme, saberá certamente do que estou a falar. Quem ainda não teve oportunidade de o ver, esta Edição Especial é a desculpa perfeita. Este é um labirinto do qual não queremos sair.

Alvy Singer

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quarta-feira, setembro 26, 2007

A entrevista que faltava.

Doze minutos de Quentin Tarantino. A entrevista, que surge numa altura em que o realizador já manifestou o seu desapontamento perante o resultado de Grindhouse, o projecto idealizado em conjunto com Robert Rodriguez, dá para perceber, pelo menos, que Tarantino é adepto da comunicação não-verbal. Agora, não me parece que haja lugar para o desânimo, caríssimo. Death Proof é um filme do camandro, que é como quem diz, à Tarantino.

Alvy Singer

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Sim, aquilo é uma mala.

De certo modo, ao olhar para estas quatro actrizes num qualquer passeio de Nova Iorque, lembro-me do genérico de Bonanza. Tal como acontecia com os Cartwright, onde está uma, estão as quatro. Já aqui tive oportunidade de manifestar o meu apreço por esta série, pelo que este comentário não deverá ser entendido como uma critica negativa. Será antes a constatação de um forte laço de amizade que a todas une. Para todos os efeitos, esta é a mais recente fotografia no set de rodagem.

Aquela que ainda não pudemos ver na companhia das habituais presenças em O Sexo e a Cidade foi Jennifer Hudson. No entanto, uma fotografia da Dreamgirl no plateau deste filme já se encontra na Internet. Por instantes, lembramo-nos de Anne Hathaway nos primeiros minutos de O Diabo Veste Prada.

Alvy Singer

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As novidades numa valente mixórdia.

Este é um grande post. Grande não no sentido do requinte e magnificência, mas em termos de tamanho. Aliás, aqueles que o lerem de enfiada, poderão constatar isso mesmo pelas dores de cabeça no final. A ideia passa apenas por interligar alguns assuntos, num encadeamento de associações sem fim. Bom, sem fim talvez não, mas que ainda demorará algum tempo, sim. Lancemo-nos então nos meandros das novidades cinematográficas.

Comecemos por pegar num filme falado aqui, não há muito tempo. Antes de mais, porque Before The Devil Knows You’re Dead tem um novo poster, bem conseguido por sinal.

Em seguida, porque as interpretações de Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke já dão azo a algumas expectativas para os Óscares.

Lumet's film is reluctant to leave one's imagination but the jarring jump cuts they decided to go with cheapens the overall impression of the film. It's a depressing story, a true Noir - it didn't need that iMovie effect. Hawke and Hoffman are magnificent, though, and they make the movie well worth seeing. Just one question, though. Lead or supporting? Sacha Stone – AwardsDaily.com

Parece então que o próximo filme de Sidney Lumet é mesmo material a ter debaixo de olho. Ele já tinha ameaçado com Find Me Guilty. Desta feita talvez faça mais sentido falar num regresso à grande forma. Por seu lado, no caso dos actores não poderemos falar em ressurgimento, talvez em confirmação e previsibilidade. Quanto mais não seja porque as suas carreiras, pelo menos a fase mais visível delas, ainda são bastante recentes, quando comparadas com a do mestre Lumet. Hoffman tem tido desempenhos tão memoráveis nos últimos anos, que ficamos na dúvida se aquilo é mesmo jeito para a interpretação, ou apenas sorte na escolha dos papéis. Ao vermos M-I:3, percebemos que é a primeira hipótese. Ethan Hawke, tem-se pautado por uma certa descrição nos últimos tempos, no entanto, Before Sunrise e Before Sunset mostram-nos os reais valores do jovem actor. Contudo, a sua portentosa interpretação em Dia de Treino continua a justificar, mais do que qualquer outra, a primeira posição na secção Experiência Profissional do seu Currículo Vitae.

Quem também deve ter um currículo interessante é Denzel Washington, colega de Ethan Hawke em Dia de Treino. Diálogos deliciosos e cenas geniais que ambos nos ofereceram no thriller de Antoine Fuqua, como esta em que Washington mostra o porquê de ter levado um Oscar para casa nesse ano. Este ano, o actor pode marcar presença novamente no Kodak Theater. Tudo porque já há quem diga que American Gangster é o melhor filme do género desde… Tudo Bons Rapazes. Esta é aquela altura em que os fãs de The Departed se contorcem nas cadeiras. Tudo isto não passam de opiniões prematuras mas, quem sabe se daqui a uns meses não estaremos aqui a travarmo-nos de razões sobre este tema. Tamanha ousadia pode ser encontrada aqui.

Denzel Washington, por sua vez, trabalhou com Tom Hanks no longínquo Filadélfia. Ora, o que há a dizer de Tom Hanks? Apenas que figura na mais recente fotografia disponibilizada de Charlie Wilson’s War, o drama por demais aguardado de Mike Nichols, com Julia Roberts e… Philip Seymour Hoffman.

Alvy Singer

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AFINAL QUE É O CRISWELL?


Do fundo do seu caixão o Criswell revela um pouco da sua vida eterna e faz o 'elogio fúnebre' da PREMIERE. Reproduzimos aqui a mensagem escrita no blogue Há Vida em Markl....mas não tirem conclusões precipitadas, porque o vosso Mestre é imortal e vai continuar 'vivo' por aqui, por enquanto, até encontrar uma nova morada eterna.

Ainda não tinha falado aqui da Premiere...

... o que é injusto, porque foi das grandes honras da minha carreira ter sido convidado para integrar a equipa inaugural da versão portuguesa da Premiere, revista que - nas suas edições francesa e americana - contribuiram muito, desde os meus anos imberbes, para que eu gostasse tanto como gosto de cinema. Tenho mesmo pena que ela termine. Há uma maldição no que toca às revistas de cinema em Portugal: são raras as que duram muito tempo. Ainda assim, a Premiere portuguesa teve uma carreira magnífica e lutou até ao fim para se manter viva. Talvez esteja, então, na altura de revelar de uma vez por todas qual a minha relação com a secção Os Dias de Criswell, assunto que tanto burburinho, rumor, comentário e especulação provocou ao longo de vários anos: sim, eu fui o Criswell durante alguns anos da Premiere (mais concretamente desde a fundação até há cerca de dois ou três anos, altura em que decidi deixar a revista por clara falta de tempo - e também porque estava cansado de escrever profissionalmente sobre cinema). Mas o Criswell nunca foi uma obra de um homem só: eu "criei" o boneco - que, na verdade, foi roubado aos filmes do Ed Wood - a partir do desafio do José Vieira Mendes, director da revista, de criar uma secção apresentada não por um crítico ou um jornalista, mas por uma personagem, como acontece na edição espanhola da revista, a Fotogramas, ou como a Libby Gelman-Waxner na versão americana, crítica de cinema fictícia inventada pelo argumentista Paul Rudnick. Pareceu-me gira a ideia de ir buscar a personagem mais improvável - o vidente místico que salta dos caixões, nos filmes do "pior realizador do mundo" - para a tarefa de comentar o estado do cinema em Portugal e no mundo e mandar as devidas alfinetadazinhas a quem as merece. Nunca foi uma personagem exactamente anónima - a ideia não era ser "o Nuno Markl escondido no anonimato". O Criswell era a voz da redacção, e as dicas para a criação de cada mês d' Os Dias de Criswell vinham das mais variadas pessoas da equipa (lembro-me que muitos conteúdos foram sugeridos pelo próprio Zé Vieira Mendes e também pelo Rui Pedro Tendinha e o Luis Salvado). Outras dicas - muitas - vinham dos leitores, com quem começou a haver uma química muito interessante envolvendo o Criswell. Eu funcionava como a argamassa da coisa, a garantia de que o tom do Criswell era consistente, viessem as ideias para aquelas páginas de quem viessem. Dava-me muito gozo aglutinar todas as dicas e pesquisar todos os meses para criar Os Dias de Criswell e foi com pena que, há uns anos, tive de passar a personagem a outros escribas - que, há que dizê-lo, seguiram o livro de estilo Criswelliano com grande categoria e a quem presto a minha homenagem. Sei, por exemplo, que na parte das respostas do Criswell aos leitores, o meu caro amigo Jorge Mourinha fez um trabalho exemplar e muitíssimo superior ao meu de pesquisa e de escrita de respostas completíssimas aos leitores. Nunca é demais elogiar o Mourinha, e não é só porque ele é visita habitual aqui do estaminé: para mim, ele é dos grandes críticos de cinema portugueses da actualidade, profundo conhecedor do mais diverso cinema, capaz de convencer o mais céptico a descobrir o cinema mais alternativo e sem preconceitos nenhuns que o impeçam de celebrar os méritos do bom entretenimento popular. Nesta altura de encerramento da Premiere, tenho de lhe prestar homenagem por ter segurado as rédeas Criswellianas na parte das respostas aos leitores da maneira como o fez.

Seria giro pensar que o Criswell possa ter tido em leitores mais novos o efeito que as Premieres francesa e americana tiveram em mim, quando comecei a lê-las, nos fins dos anos 80... A gente esforçou-se para que ele trouxesse o Cinema a toda a gente.

Em nome próprio escrevi também toneladas de críticas nas páginas da Premiere, quando ainda me dava gozo fazê-lo profissionalmente. Hoje mantenho o respeito pelos bons críticos de cinema que há neste país, mas não me consigo imaginar a voltar a essa vida, a não ser nas observações que faço aqui no blog sobre os filmes que vejo. Gosto de cinema, gosto de falar sobre cinema, mas cansei-me de gostar profissionalmente de filmes, de os ver a pensar naquilo que teria de escrever sobre eles dentro do prazo, e a defini-los em número de estrelinhas. Decisivo, para mim, foi ter falado um dia com o meu falecido compincha de crítica cinematográfica, o grande Manuel Pereira: poucas semanas antes dele morrer, encontrei-o no supermercado do El Corte Inglés, e dizia-me ele que estava a descobrir as delícias de ver cinema sem a pressão de ter de escrever sobre os filmes, com prazos, com estrelinhas em mente, tomando notas na sala escura. Achei que ele tinha razão. Escrever sobre filmes é bom, não ser pressionado a fazê-lo é, para mim, ainda melhor. Até porque há muita gente que percebe muito mais sobre eles do que eu!

Seja como for, fazer parte da Premiere foi das melhores coisas da minha vida, e por isso aqui fica a homenagem a quem aguentou o barco, quer em águas calmas quer em águas revoltas durante todos estes anos. Um abraço à equipa e ao director, o José Vieira Mendes... e que a Revista de Cinema descanse em paz.

terça-feira, setembro 25, 2007

Última capa

Remember, remember the 4th of October.

De quem é a culpa?

Apesar de já ter passado mais de uma semana desde a terrível noticia, os últimos dias têm sido ainda bastante penosos. Nunca esta palavra foi tão pesada. A Última Premiere, A Última Capa… Ao olhar para o post de cima, a vontade era a de transportar tudo isto para um filme de David Fincher, e que a reviravolta por todos desejada estivesse aí ao virar da esquina. Por enquanto, de Fincher não temos nada. Estes dias mais parecem ter sido tirados de um título de Paul Thomas Anderson. Lento, doloroso, mas percorrido por um sentido radioso que ilumina mesmo os piores momentos. Como aquela magnifica cena de Magnólia, em que todos entoam Wise Up de Aimee Mann.

Nestes últimos dias tenho olhado mais para o chão. Não sei se convosco acontece o mesmo mas, quando olho para o chão, gosto de brincar às perguntas e respostas. Tentar encontrar aquelas questões para as quais não tenho resposta fácil, obrigando-me, assim, a olhar ainda mais para o chão à procura da solução.

Ao perder a PREMIERE, perco uma das razões pelas quais gosto de cinema. Desde o primeiro dia que esta revista foi um poço de sabedoria e transmissão de conhecimentos. Como uma esponja, todos os meses agradecia o favor. Aquilo que o grande ecrã oferecia era complementado de forma exemplar pelos artigos encontrados a cada página. A partir de determinada altura, deixei de contar os filmes, os realizadores, os argumentistas ou os actores que tinha conhecido através da revista. Porque foram muitos aqueles que ela me deu a conhecer, esta revista é uma das razões pelas quais gosto de cinema.

Como o são, por exemplo, os filmes de Woody Allen. Ainda sem idade para perceber algumas das suas tiradas, recordo perfeitamente escrever em frente do ecrã algumas cenas, que mais tarde procurava memorizar e reproduzir. Sleeper, Annie Hall e Take the Money and Run, são a base para tudo o resto.

O Natal é quando o Homem quiser. Para mim, o Carnaval era sempre que via um filme de John Ford. Com armas de fogo e garrafas de whisky, Ford chegou a ensinar mais do que alguns professores com giz na mão. Rio Grande, O Vale Era Verde, My Darling Clementine, Fort Apache… Foram tantos. Billy Wilder também não está inocente. Que melhor lição pode ter um aprendiz a cinéfilo do que descobrir Sunset Boulevard e O Apartamento? E aquele O Pecado Mora ao Lado faz as delícias de qualquer um a atravessar a adolescência. Otto Preminger, David Lean, Howard Hawks e Frank Capra também têm culpas no cartório.

Por razões que não vale a pena estar aqui a enumerar, estes senhores fizeram parte desta existência desde a mais tenra idade. Hoje, apesar de admirar incondicionalmente o trabalho de cineastas como Tarantino, Tim Burton, Scorsese ou Coppola, reconheço que é devido aos visionamentos precoces de outras obras-primas, que me atiro de cabeça para tudo o que é filme. De onde é que vem esta nossa paixão pelo cinema? É isso que me tenho perguntado esta semana, de mãos nos bolsos, quando olho para o chão. Este fascínio pelo cinema, que quase chega a ser um crime, permite mesmo questionar quem deveria ser réu neste julgamento? Quem é o culpado de tudo isto?

Há coisas que não se esquecem. Jamais esquecerei a primeira vez que vi Take The Money and Run, e do turbilhão de pensamentos que a ele vieram associados, assim como jamais esquecerei aquela página sobre o João César Monteiro, a primeira lida na PREMIERE. Por isso, pessoalmente, posso garantir que a PREMIERE é uma das responsáveis por esta cinéfilia. Woody Allen, por seu lado, talvez seja o maior culpado deles todos. A pergunta que hoje aqui colocamos é a seguinte: Quem são os vossos culpados?

Agora, se me permitem, vou ouvir Aimee Mann.

Alvy Singer

As origens dos Heróis.

Depois de vermos o que é que estes Heróis andam a fazer nos dias de hoje, que tal partirmos à descoberta das suas origens? Heroes: Origins será o primeiro spin-off da aclamada série, constituído por seis episódios apenas, a serem emitidos durante as habituais pausas sazonais. A cada episódio será introduzido um novo personagem. No final da emissão, os espectadores decidirão se o personagem merece ou não entrar no universo mais amplo de Heroes, da NBC. Esta notícia é tanto mais importante quando encontramos alguns pesos pesados da sétima arte associados à mini-série. Kevin Smith (Clerks) será responsável pelo argumento e realização logo do primeiro capítulo. Eli Roth (Hostel) também irá escrever e realizar um dos episódios, enquanto Michael Dougherty (argumentista de Superman Returns e X-Men 2), será responsável apenas por um guião.

Quem não aceitou o convite para participar nesta viagem ao génesis de Heróis foi Quentin Tarantino. Ao seu estilo, o realizador afirmou nem sequer saber do que é que isto se tratava. Se alguém tiver o contacto de Tarantino, diga-lhe que vale a pena deitar os olhos nisto.

Alvy Singer

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'The Human Factor' chama por Eastwood.

Estes projectos é que são bons. Quando ainda nos lembramos do passado, e sabemos que certas reuniões já deram frutos. Da última vez que Clint Eastwood e Matt Damon trabalharam juntos… Esperem, eles nunca trabalharam juntos. Da última vez que Matt Damon e Morgan Freeman trabalharam juntos…. Não, também não foram estes dois. Da última vez que Clint Eastwood e Morgan Freeman trabalharam juntos (agora sim!), a coisa correu bem, muitíssimo bem. Dois Óscares para Eastwood, um outro para Freeman, e um filme para a eternidade.

Ao que tudo indica, a fórmula de sucesso repetir-se-á em The Human Factor, um drama sobre o Campeonato do Mundo de Rugby de 1995 na África do Sul, e da sua importância num mundo pós-apartheid. Se, por si só, isto já é material para nos levar a esfregar as mãos de contentamento, saber que Matt Damon poderá ser parte integrante deste projecto, torna tudo ainda mais aliciante. O argumento, esse, já foi escrito e adaptado por Anthony Peckham (Don’t Say a Word). Garantida mesmo, para já, só está a presença de Morgan Freeman, como Nelson Mandela. Eastwood e Damon são meras possibilidades. Que se concretizem, caneco, que se concretizem.

Alvy Singer

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Quem são e o que tocam...

Alguém consegue descobrir quem são os intérpretes deste breve momento musical e de que filme a música se trata?Posso dar duas pistas:

-são dois grandes "monstros" da música da actualidade.

-o filme é bem recente...

Quem acertar primeiro ganha um ponto na minha consideração! :)

Bernardo Sena


segunda-feira, setembro 24, 2007

Oficialmente, um dos piores títulos de sempre.

Poderíamos aqui falar do remake de The Taking of Pelham 123 (Joseph Sargent, 1974), que juntará novamente Tony Scott e Denzel Washington; ou de Sally Field, a mais recente aquisição para o biopic de Spielberg, Lincoln, onde será primeira-dama; ou ainda do próximo projecto de Simon Pegg e Nick Frost, Paul, sucintamente descrito para já como two geeks on a road trip in América. Contudo, nada nos parece mais importante do que partilhar o título deste filme. Quando comparado com isto, tudo o resto é irrelevante. Estas são novidades cinematográficas de primeira água.

Alvy Singer

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Sidney Lumet, invariavelmente.

No Country For Old Man é um daqueles filmes cujo buzz para os Óscares já vem de há muito. O novo filme dos irmãos Coen é um daqueles casos paradigmáticos em que um Festival, como o de Cannes, pode potenciar ou arruinar por completo as aspirações de determinado projecto. Neste caso, em particular, o balanço ganho foi tanto que, ainda hoje, o filme é falado para as principais categorias.

No entanto, para alguns filmes, o melhor mesmo é começarem por surgir em pezinhos de lã, calma e paulatinamente, como se não quisessem que alguém desse por eles a principio, para depois… Zuca!... And the Oscar goes to… Há dois anos, Crash foi o exemplo destes casos. Este ano, Before the Devil Knows You're Dead segue-lhe os passos. Neste post deixamos o trailer do novo filme de Sidney Lumet (Um Dia de Cão, Network), que começa a ser falado cada vez com maior insistência.

Uma nota apenas para Philip Seymour Hoffmann, que integra assim o elenco de três filmes, por enquanto, oscarizáveis: The Savages, Charlie Wilson’s War e Before the Devil Knows You're Dead. Depois de Capote, será que teremos o ano das múltiplas nomeações? Hoffman pode estar para os homens, como Blanchett promete estar para as mulheres, com I’m Not There e The Golden Age (que levou uma valente tomatada no rottentomatoes). Por enquanto, deliciemo-nos com o trailer de Before the Devil Knows You're Dead.



Alvy Singer

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Keira Knightley, o novo rosto da Mademoiselle Coco Chanel.

Keira Knightley não pode ver nada. Não há muito tempo, falámos aqui de Eva Green e do seu anúncio filmado por Wong Kar Wai para a casa Dior. Agora é a vez da jovem actriz britânica vir com um anúncio para a Chanel, de quem é a nova cara desde meados de Agosto. O primeiro grande efeito deste anúncio é fazer-nos lembrar de Coco Avant Chanel, de Anne Fontaine, um biopic sobre a afamada estilista francesa, protagonizado por Audrey Tatou. Para ver Knightley em todo o seu esplendor, basta clicar na fotografia.

Alvy Singer

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O novo trailer de 'No Country For Old Man'.

Novo trailer de No Country For Old Man, agora versão Red Band. Como é necessário introduzir os dados relativos à verificação da idade, aqui ficam aqueles disponibilizados pelo leitor deste blog, João Farinha, por altura das mais recentes imagens de Beowulf.

Nome: Daniel Glickman,
Zip code: 20016
Data de Nascimento: 24/11/1944.

Duas pequenas considerações: A começar no cabelo e a acabar no olhar esgazeado, Javier Bardem é todo ele Jack Nicholson em Shining e, ninguém fica melhor com uma estrela de Xerife do que Tommy Lee Jones.

Alvy Singer

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Que filme...


termina com um plano aéreo desta localidade?

Alvy Singer

Lifetime Achievement Award para Mikis Theodorakis



O compositor grego Mikis Theodorakis de 82 anos, irá receber o Lifetime Achievement Award durante a entrega dos World Soundtrack Awards no Festival de Cinema de Ghent, no próximo dia 20 de Outubro. Theodorakis alcançou fama muito graças às suas composições para os filmes Zorba O Grego de Mihalis Kakogiannis, Z de Costa Gavras e Serpico de Sidney Lumet, mas especialmente devido ao já citado Zorba, com Anthony Quinn onde o compositor cria um tema folclórico vivo e alegre e que se tornaria aliás um pouco como um hino oficioso do seu país. No seu repertório conta com uma vasta lista de composições fora da tela onde se incluem obras sinfónicas, cantatas, oratórios, ballets, óperas e música de câmara.
Bem longe de ser uma referência na história da música para cinema é, no entanto, um dos mais importantes compositores gregos dos últimos anos. Uma distinção merecida portanto.

Bernardo Sena


domingo, setembro 23, 2007

Ódios de estimação.

Num artigo recentemente publicado no site da msnbc, o critico de cinema Alonso Duralde, obriga-nos a alguma reflexão, ao questionar o real talento das estrelas que vão dando entrevistas em todos os canais de televisão, que vão protagonizando filmes atrás de filmes, que vão criando uma linha de roupa ou de perfumes, e que vão sendo capa de revistas de todo o mundo. Duralde começa por acusar Dane Cook, um dos humoristas em voga, por esta altura, nos Estados Unidos. Cook, que já participou em Employee of the Month e Mr. Brooks, brilha agora ao lado de Jessica Alba em Good Luck Chuck. O que o critico norte-americano não consegue perceber, e pergunta em voz alta, é porque razão Dane Cook deverá ser considerado uma estrela de cinema, e porque é que tinta deve ser gasta sobre as coisas que ele vai fazendo, se em nenhuma delas podemos encontrar talento? Mas, é o próprio Duralde que acalma as hostes dizendo que sempre existiram nesta profissão celebridades que atingem os píncaros da fama sem nunca terem mostrado as valências necessárias para lá chegar.

Duas das visadas pela caneta, melhor, teclado de Alonso Duralde são Jessica Alba e Jessica Biel. O crítico refugia-se nos comentários de personalidades que procuram o anonimato através de iniciais. Por exemplo, sobre Biel, é um tal de B., um critico e argumentista, que diz que a interpretação de Biel em I Know Pronounce You Chuck and Larry o fez desejar ser capaz de colocar pipocas nos ouvidos…

Dadas as primeiras alfinetadas, Duralde ataca ainda Adrian Grenier, um dos rapazes de Entourage, antes de seguir para um alvo mais apetitoso: Nicole Kidman. Segundo L., seja L. um homem ou uma mulher, Kidman é a Madonna do cinema. Ela é boa só em juntar-se com as pessoas certas. De Kidman, Duralde parte para John Travolta (que esteve mal em Hairspray o que significará, provavelmente, uma nomeação aos Óscares), e Reneé Zellweger (que enquanto protagonista de uma comédia romântica dá sempre ares de boneca).

Ao pensar nisto, constato que existem de facto alguns nomes pouco consensuais, sobre os quais uma grande maioria defenderia a sua alienação definitiva do mundo do cinema. Steven Seagal, os argumentistas dos últimos cinco capítulos da saga Academia de Policia e, talvez, Lawrence Guterman. Dizer que Nicole Kidman, Reneé Zellweger e John Travolta não têm talento, parece-me um pouco exagerado. Pessoalmente, por muito que não consiga gostar de Chris Tucker, Ashley Judd e Colin Farrell, ainda lhes vou dando o benefício da dúvida. Existem por aí opiniões mais vincadas?

Alvy Singer

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Bem vistas as coisas, um anúncio é um pequeno filme.

A vantagem dos anúncios é que não demoraram tanto tempo a fazer como uma longa-metragem e, se for preciso, ainda dão mais dinheiro. Não será esse o caso destes quatro exemplos que se seguem, estamos em crer. Estas são apenas quatro contribuições de diferentes personalidades ligadas ao cinema, à arte da publicidade. O artigo em questão é esse mítico cartão, o American Express. Dos quatro, talvez os de M. Night Shyamalan e Wes Anderson sejam os menos originais. Não que a falta de originalidade seja má. Significa apenas que serão talvez duas ideias que naturalmente sairiam da cabeça de um cineasta. Sobretudo o de Wes Anderson, claramente dois minutos à Rushmore.

No entanto, são os de Scorsese e Winslet que mais rapidamente me levariam a adquirir este cartão. O do mestre, pelas verdades a brincar sobre a sua obsessão e constante autocrítica. Simples, mas eficaz.

O da menina Winslet, pela forma despreocupada com que vai analisando uma carreira como poucas, onde o que não falta são grandes filmes.



Alvy Singer

Confesso: I McLovin It!

Se existem bastantes filmes que apelam a muita gente, talvez existam ainda mais uns quantos que dizem apenas respeito a uma pequena minoria. Ao escrever sobre este Super Baldas, receio estar para aqui a dissertar sobre uma película que desperte a curiosidade de meia dúzia de cinéfilos que resistem a um título infeliz e a um tema mais do que visitado. A todos os que já resistiram a isto, os meus sinceros parabéns e felicitações, por terem descoberto, provavelmente, a melhor comédia do ano, até ao momento. A todos aqueles que pensam ter o que é necessário para combater estas duas adversidades, força! A todos os outros, vamos ver se as linhas que se seguem conseguem dizer com todas as letras que…hum…como dizê-lo… bem, que este filme é algo de excepcional. Super-Excepcional!

Antes de mais, é importante defender aqui a tradução. Apesar de algumas borradas que não poderemos, jamais, desculpar, outras vezes há em que aquilo que chega às mãos da editora é terrivelmente difícil de traduzir. É difícil compreender, por exemplo, como é que surge a alguém um nome como Granda Moca, Meu ou Sempre a Bombar. Tentemos algo de mais positivo. Com efeito, tendo estas duas referência, Super Baldas não é assim tão mau, apesar de intensificar uma mensagem errada que pode vir já do trailer: a de que este filme é apenas para todos os rapazes com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos. Super Baldas não é um filme apenas para rapazes e, muito menos, só para adolescentes.

Contudo, Superbad também não é um filme para todos. E não o é, não porque a sua mensagem é demasiado complexa, ou porque os assuntos tratados se restringem única e exclusivamente ao contexto norte-americano. Superbad é um filme para todos aqueles que já passaram pela adolescência, desde que se lembrem dela. Agora, é claro que, por estarmos a falar de uma comédia sobre a descoberta da sexualidade, os temas abordados acabam por ser hiperbolizados de modo a atingirem as chamadas situações hilariantes.

Logo na cena inicial, uma conversa ao pequeno-almoço, antes da ida para a escola, sobre sites pornográficos e como subscrever um, cujo nome não desperte a curiosidade dos pais, dita o rumo do filme. A partir daí, já sabemos qual será o trilho percorrido por esta história. Ou, será que sabemos? O espaço temporal do filme não chega a dois dias. Tudo se passa em cerca de dia e meio, por mais incrível que pareça. Num tão curto espaço de tempo, acontece tudo aquilo que apenas poderia acontecer num filme com a qualidade, irreverência, espontaneidade e inocência de Super Baldas. O filme é uma visita guiada à idade dos porquês, mas dos porquês aos quais ninguém quer responder.

O argumento de Seth Rogen e Evan Goldbergh é qualquer coisa de notável. A palavra fuck é proferida a uma média superior a uma vez por minuto. E nenhuma delas é desprovida de sentido. Jonah Hill é surpreendentemente hilariante, Michael Cera confirma o dom para a interpretação no registo geek, Christopher Mintz-Plasse é irrepreensível, e Bill Hader dá continuidade àquilo que já nos vinha habituando em Saturday Night Live. Quanto a Seth Rogen, guardaremos os elogios para depois de Knocked Up.

Será que podemos considerar Super Baldas ofensivo? Podemos. Será que podemos considerar Super Baldas obsceno? Podemos. Será que podemos considerar Super Baldas um dos filmes mais cómicos dos últimos tempos, para não dizer de sempre? Sem sombra de dúvida.

A história de dois melhores amigos e um bom compincha que apenas querem ir para a cama com uma rapariga, antes do liceu terminar, nada tem de American Pie. McLovin é uma nova página que se abre na história do cinema. Com a devida distância, este pode ser O Rei dos Gazeteiros de toda uma geração. Basta para isso acarinhá-lo, e descobrir a verdadeira mensagem por detrás deste hino à boa disposição.

Agora, se me perguntarem que imagem guardarei deste filme, certamente será aquela antes da fita começar a rolar, quando, numas filas mais à frente, vi uma espectadora folhear a Premiere… Os risos e as gargalhadas que surgiram com o filme fizeram esquecer tudo isto, por duas horas e, isso, é impagável. Haja mais filmes como este Super Baldas!

Alvy Singer

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Mistérios na pós-produção de 'The Air I Breath'.

As mais recentes noticias fazem temer o pior sobre The Air I Breath, de Jieho Lee. Poucas foram ainda as almas deste planeta, privilegiadas com a exibição deste filme. E, a continuar assim, ainda demorará algum tempo até o filme chegar às restantes. Há dias, a data de estreia por terras do Tio Sam foi adiada, não para um dia em concreto, mas para esse intervalo de tempo que é o Winter 08. Ora, isto provavelmente significaria Janeiro ou Fevereiro. Segundo alguns sites, o filme estreará nos Estados Unidos mesmo só a 25 de Janeiro. A ser verdade, isto significará o adeus de The Air I Breath aos Óscares… Caso estes novos dados se confirmem mesmo, o filme, que chegou a integrar a lista dos 25 mais aguardados do ano, não deixa de ser esperado com o mesmo entusiasmo. Agora, que é difícil perceber porque é que estreia no Reino Unido a 14 de Dezembro, e só em Janeiro nos Estados Unidos, lá isso é. Nem mesmo o blog de Lee oferece qualquer explicação.

Alvy Singer

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sábado, setembro 22, 2007

Dos quatro cantos do mundo, eles começam a chegar.

Na corrida ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, existem alguns títulos que começam já a despontar e a suscitar a curiosidade de muito boa gente. De entre todos, talvez a maior surpresa seja a de Persepolis, o candidato francês, que deixa assim para trás La Vie en Rose e Le Scaphandre et le Papillon. Esta escolha é tanto mais enigmática, quando constatamos que estes últimos dois filmes são falados como possíveis candidatos a outras categorias como, por exemplo, actriz, argumentos, ou realização.

Não que o filme de animação de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi seja mauzinho. Já o Luís Salvado no Festival de Annecy tinha ficado com vontade de ver mais, após o vislumbre de alguns minutos apenas. Agora, estreia nas salas portuguesas é que não me parece. De qualquer forma, aqui fica o trailer deste filme que, provavelmente, só poderemos ver quando sair em Dvd. Será que sai?

Outro que não tem passado indiferente é Donsol, de Aldolfo Alix, o candidato das Filipinas, recentemente anunciado. Os prémios ganhos em alguns festivais e o trailer, deixam antever o melhor. Aqui fica o trailer.

Alvy Singer

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Caramba, agora é que é.

Fazendo uns quantos scroll down neste blog, encontramos dois textos, um logo a seguir ao outro, sobre Brad Pitt e The Fountain, de Darren Aranofsky. Esta semana, os Deuses lançaram os dados de tal maneira que, hoje, é possível introduzir estes dois nomes num só post, não apenas porque nos dá na real gana, mas porque Brad Pitt parece estar prestes a confirmar a sua presença em The Fighter, ao lado de Mark Wahlberg, no próximo título do realizador de Requiem For a Dream. Será desta? É porque também se dizia que os dois trabalhariam juntos na última maravilha de Aranofsky…

Alvy Singer

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Tales de um filme que nunca mais chega.

Falar de Southland Tales é falar de um mistério guardado a sete chaves. O filme, que teve a sua estreia oficial no Festival de Cannes de 2006, só agora chegará às salas de todo o mundo. Primeiro no Reino Unido, só depois nos Estados Unidos. Esta semana ficámos a conhecer o novo poster e o primeiro trailer oficial. Imagens à parte, que pouco ou nada ajudam a esclarecer uma sinopse um tanto ou quanto vaga, podemos especular o que é que levou Richard Kelly (o mesmo que nos trouxe Donnie Darko) a demorar tanto tempo em fazer chegar este título aos cinemas. O facto de o filme ter recebido uma nota média de 1.1 (de 0 a 5) de todos os jornais e revistas em Cannes, certamente que não terá ajudado. Prefiro acreditar que Kelly não perdeu o jeito, e que foram os críticos que não perceberam a mensagem subliminar desta obra. Assim como aconteceu com o Vertigo. É porque se isto for mesmo mau, já dizia o outro, quanto mais se mexe, pior cheira.

Alvy Singer

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Porque é que o 'Let it Snow' fica sempre bem no trailer de um filme de Natal?

Mal damos por nós, e a próxima época festiva já é o Natal. Sim, é verdade que ainda faltam os fatos do Dia das Bruxas, por pouca que seja a sua representação, ou as castanhas do Verão de São Martinho, mas, para todos os efeitos, só no Natal é que voltaremos todos a parar por um bocado. A única altura do ano em que aceitamos que o Sozinho em Casa e o Do Céu Caiu uma Estrela andem de mãos dadas. Ah, Frank Capra, se soubesses que o teu filme estaria destinado a uma guerra de audiências com um miúdo esquecido em casa dos pais, sessenta anos depois…

A razão deste post prende-se exactamente com aquele que pode vir ser o filme de Natal deste ano, nas salas de cinema. Normalmente, cada estúdio apresenta a sua pequena história natalícia, numa tradição que já vem de há muito.

No entanto, é a Warner Brothers que parece chegar-se à frente com este Fred Claus, um filme que teve para se chamar Fred Claus mas que depois, com receio dos direitos de autor, mudou para Joe Claus, voltando depois a chamar-se Fred Claus, quando perceberam que não havia nada para recear. O filme, realizado por David Dobkin, o mesmo de Os Fura-Casamentos, e protagonizado por Vince Vaughn e Paul Giamatti, tem estreia marcada no nosso país para 13 de Dezembro. O trailer, esse, já está disponível.


Alvy Singer

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sexta-feira, setembro 21, 2007

PREMIERE has left the building

Desculpem, o título não é muito original, mas já não há imaginação para mais. São 21h41 e acabámos de fechar a última página do número de Outubro. Apropriadamente para uma revista que sempre destacou e acarinhou o cinema português, foi a da antestreia do filme "A Outra Margem".

A vida continua. Mas os e-mails, telefonemas, conversas e as dezenas de mensagens deixadas por vocês neste blogue ajudaram a ultrapassar uma estranha semana. Nos próximos dias, não nos vamos encontrar para preparar a edição n.º 97, mas para limpar as gavetas e partir para novos desafios. Mas depois de conversarmos, as questões que foram aqui colocadas por vocês também vão ter uma resposta. A do futuro do blogue já está esclarecida: é para continuar.

Entre os leitores ocasionais e as pessoas que gostam de coleccionar os últimos números, é muito provável que a PREMIERE esgote. Mandem guardar no local habitual para não acontecer o mesmo que aos leitores do Expresso e do Correio da Manhã, que ficaram sem o seu jornal habitual porque toda a gente queria DVDs de graça. A data prevista para chegar às bancas é dia 4 de Outubro.


No fim, uma nota de optimismo: o cinema merece ser celebrado. Apenas será num meio diferente.

Citando um dos nossos colaboradores ao enviar a sua última crítica, "um abraço do tamanho de todos os filmes que já vimos e vamos ver".


A equipa PREMIERE

Walk The Line - O enigma.

Hoje acordei a pensar em Sweeney Todd. Melhor, hoje sonhei com Sweeney Todd. Sonhei que tinha havido uma antestreia a horas a que pudesse assistir, ou seja, lá bem para o final do dia. No entanto, já não me recordo bem porquê, salvo erro terá sido devido ao trânsito, não consegui chegar a tempo de ver o filme. A antestreia já ia a meio, por isso, acabei por não entrar. No final, quando aqueles que tinham tido a sorte de o ver estavam a sair, não havia ninguém insatisfeito. Estava tudo radiante. O Burton voltou a fazer das suas, ouvia-se. Bem vistas as coisas, isto acaba mais é por ter contornos de pesadelo. Tirando, obviamente, a parte de Tim Burton fazer um bom filme.

Vem isto a propósito daquilo em que pensamos ao acordar e ao adormecer. Depois deste início de dia algo tumultuoso, hoje tive oportunidade de rever Walk The Line, um filme que encheu por completo as medidas, logo na primeira vez que o vi, também à segunda, na terceira, por aí adiante…

Se há filme, nos últimos tempos, que me tenha caído no goto, esse é, sem dúvida alguma, Walk The Line. Quer dizer, Ratatouille e Diamante de Sangue são dois casos à parte. A obra de James Mangold é algo de excepcional. Desde a soberba interpretação de Joaquin Phoenix, passando pelo desempenho notável de Reese Whiterspoon, até à realização segura de Mangold, quase que podemos dizer que o filme é o musical que Eastwood nunca fez. Tudo ali é clássico, rígido como as normas de outra era de Hollywood determinavam. Mas, caneco, fica tudo tão bem.

A música de Johnny Cash é do melhor que há, a reconstituição histórica é exemplar, a história, apesar de simples, cativa desde início. Não era preciso estar familiarizado com a vida e obra de Johnny Cash para saber como acabaria o filme. Sim, a narrativa é previsível em certos pontos. No entanto, a entrega dos dois protagonistas compensa em muito esta falha menor.

Isto tudo para dizer que hoje adormeço com uma dúvida. Será que teria sido uma ofensa incluir Walk The Line nos cinco nomeados ao Oscar de Melhor Filme, no ano de 2005? Recorde-se que, nesse ano, a lista era composta por Crash, Brokeback Mountain, Capote, Boa Noite e Boa Sorte, e Munique. Desse ano fazem ainda parte, entre outros, Orgulho e Preconceito, Syriana, Transamerica, Uma História de Violência, O Fiel Jardineiro, Match Point, O Novo Mundo, Memórias de Uma Gueixa e Batman Begins. Será que seria justa a inclusão de Walk The Line nos cinco finalistas? Hoje adormeço a pensar nisto, mas acho que a resposta é sim.

Alvy Singer

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quinta-feira, setembro 20, 2007

A solidão não tem preço.

Vale a pena alertar para isto. Colecção Ingmar Bergman Vol. 1, na Fnac, por uma verdadeira pechincha.

Não querendo entrar – mas entrando – aqui em discussões sobre o preço praticado pelas lojas, diremos apenas que o site da Fnac se vangloria do facto de com o valor actual, o consumidor chegar a poupar 35,05€. Ora, quando o preço original era de 65,00€, facilmente chegamos à conclusão de que o cliente paga menos de metade do que pagaria até há bem pouco tempo atrás. Feitas as contas, hoje, o valor deste pack é 29,95€. Caramba, que rombo na inflação. Agora, quando lá dentro encontramos A Fonte da Virgem, Mónica e o Desejo, Morangos Silvestres, Sorrisos de Uma Noite de Verão, Lágrimas e Suspiros e Uma Lição de Amor, é caso para dizer que esta é uma promoção mesmo à maneira de qualquer cinéfilo. O primeiro plano para este fim-de-semana é ver os dois primeiros capítulos da saga Bourne, antes de ir ver o terceiro ao cinema. O segundo plano passa por ir à Fnac tratar deste assunto.

Alvy Singer

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Será uma inspiração?

Não tem sido fácil, nos últimos dias, chegar aqui e falar de cinema, como se nada tivesse acontecido. Já tive oportunidade de o dizer, e sublinho agora, que o impacto duro desta notícia ainda não permitiu reunir as forças suficientes para partir de encontro a um texto tão profundo como o do David Mariano. É certo que se tratam de palavras simples, as do David, mas, são palavras cavadas numa realidade demasiado crua e indesejada. Estamos aqui porque gostamos de cinema. E é pelo cinema que continuaremos aqui. Nada mais do que isso. Um ecrã, uma cadeira, uma fita a correr, uma imagem que não pára nunca.

Se nos quisermos rir só por um bocado, podemos dizer que isto é bem pior do que o final do E.T. e A Vida é Bela juntos. Contudo, é nestes momentos que convém relembrar Monty Python e aquela eterna música de A Vida de Brian. Pode nem sempre ser fácil mas é agora, mais do que nunca, que devemos olhar para o lado bom da vida. Como dizia um mail hoje enviado por um colega que partilha, por um lado, esta tristeza do tamanho do mundo, mas, ao mesmo tempo, uma enorme vontade de dar a volta a tudo isto, Life goes on… So does our work! E é no rumo ao incerto que caminharemos. Poder-se-á mesmo dizer, rumo ao selvagem.

Já agora, por falar em selvagem, Into the Wild de Sean Penn anda por aí a ganhar apoiantes. A adaptação da obra de Jon Krakauer tem sido alvo de alguma atenção, sobretudo depois de ter agradado, e muito, à crítica norte-americana. Um filme realizado por Sean Penn, com o qual não se contava na corrida para os Óscares mas que, agora, parece querer intrometer-se. A história, que levou dez anos a transportar para o grande ecrã, relata a experiência do aluno e atleta Christopher McCandless quando este, após ter terminado os estudos em 1992, doa todas as suas posses, cerca de 24 mil dólares, para caridade, e parte para o Alasca apenas com uma mochila às costas. Diz quem já viu o filme, que esta é uma viagem a não perder. Aqui fica o trailer.

Alvy Singer

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PREMIERE: Um Adeus Português

Foi durante um ano (e um ano apenas) que escrevi sobre cinema na Premiere. Foi há um ano (e há um ano apenas) que comecei precisamente pelo cinema português (“Transe” de Teresa Villaverde). Tal como há um ano (e um ano depois) termino precisamente pelo cinema português (“O Capacete Dourado” de Jorge Cramez). E eu que não acredito em coincidências, dei por mim a encontrar na história deste círculo fechado a expressão comum de uma actriz maravilhosa: Ana Moreira. És a face do cinema português. Foste a face que abriu e fechou esta minha viagem tão curta (um ano assim nunca chega para viagem nenhuma).
Perdoa-me Teresa Villaverde se não perdoei ao teu filme o tom céptico com que admoestavas a natureza humana. Perdoa-me Jorge Cramez se encontrei no teu filme a imagem de esperança que faltava a este país. Raramente gostámos de nós próprios. Raramente vamos querer viver tanto como depois daquele fogo de artifício, daquela roda na estrada, daquela voz de António Variações nos créditos finais. O fim da Premiere é um pouco isso: não querer sair da sala depois de um grande filme.
A Premiere para mim foi um grande filme. Cinco estrelas. Comprar novo bilhete para a próxima sessão. Teclar uma sms entusiasta para o grupo de amigos inteiro. Esperar ansiosamente o lançamento no DVD. Ir mostrar à namorada, aos pais, aos avós. Pendurar o cartaz na parede do quarto. E a acompanhar, um óptimo elenco: o Zé, o Luís, o Tiago, o Nuno, o Rui, o Marco, o Bruno, o Basílio, o João (só excelentes “actores”), mais todos aqueles que por lá passaram (ou até mesmo aqueles com quem nunca me cruzei). Daqui vai um Oscar sentido para cada um.
Perdoem-me agora os leitores, mas não irei pedir nunca desculpa do que escrevi. Perdoem-me, mas acontece que tenho uma razão simples: estes foram os meus olhos. Estes foram os meus sentimentos. As minhas emoções. As minhas palavras. E não se pede desculpa daquilo que somos. Uma coisa eu sei: andamos todos há demasiado tempo (e há mais de um ano certamente) a maltratar o cinema português. Sem a Premiere, e isto também eu sei, é todo o cinema que vai ficar maltratado.
Quem vai discordar do texto do crítico? Quem vai vibrar com o texto do crítico? Quem vai sonhar com a próxima estreia? Quem vai ter notícias dos bastidores? Quem vai saber o que custa a um actor interpretar o papel da sua vida? Quem vai saber o que custa a um realizador fazer um filme? Será que deixámos de querer saber?
Quanto a esta nota de despedida, não é defesa do cinema português. É defesa do cinema, apenas. Da palavra. Das emoções. Dos sentimentos. Do olhar. Não deixem de olhar. A Ana Moreira sorri finalmente. E o sorriso dela já ninguém nos tira. Ninguém me tira da sala de cinema. Se procurarem por mim é aí que me encontrarão.

David Mariano

Bom, mas até que ponto?

Quando um filme é bom, existe sempre alguém a defender que não é bem assim. Quando um filme é muito bom, existe sempre alguém que recomenda alguma calma e menos entusiasmo. Por último, quando a maioria considera que um filme é magnífico, existe sempre alguém que recorre à palavra sobrevalorizado para o caracterizar. Nunca o termo Overrated foi tão utilizado como nos dias que correm. Na verdade, alguns são os factores, para além da qualidade, que, por vezes, influenciam a nossa avaliação de determinada obra. Se ver um filme fosse uma experiência científica, esses factores externos à obra seriam as tais variáveis parasitas. São elas que, em ultima análise, diferenciam as nossas opiniões.

Mas, será que utilizar a palavra sobrevalorizado significa dizer que o filme não presta? Ao dizermos isto, será que estamos a passar um atestado de azelhice a todos aqueles que consideram determinado filme uma obra-prima? Ou estaremos a dizer simplesmente que o filme é bom, sim senhor, mas não tão bom ao ponto de ser um dos melhores títulos de todos os tempos?

Quando este tema é alvo de discussão, alguns nomes acabam por vir sempre à baila. Por mais que não queiramos. Kubrick é um dos mais requisitados, sobretudo com o seu 2001: Odisseia no Espaço. Até mesmo Tarantino não se livra de umas enxovadelas ao seu mais que tudo Pulp Fiction. 21 Gramas e Amor Cão alternavam entre si, até há bem pouco tempo, o estatuto de mais sobrevalorizado, na carreira de Iñarritu. Depois dele ter feito Babel a questão ficou resolvida. Cidade de Deus é outro.

Devo confessar que ver Casablanca, Citizen Kane e The Graduate metidos ao barulho nestas discussões, faz alguma espécie. No entanto, é como tudo, nem todos vemos as mesmas coisas, mesmo que elas estejam à frente do nariz. A pergunta que fica no ar é, que filmes ao longo da história é que têm sido verdadeiramente sobrevalorizados, se é que eles existem?

Alvy Singer

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