Deuxieme


terça-feira, abril 29, 2008

A Força dos Cartazes



Eis que nos chegam mais posters do tão aguardado The Dark Knight. Após a morte trágica de Heath Ledger, a Warner Bros fez uma enorme revisão sobre a publicidade e marketing do filme, uma vez que este se centrava na sua maioria na personagem de Joker, que o actor interpreta. Como tal, o site oficial manifestou um "silêncio", concedido em homenagem à morte prematura de Ledger, que ainda hoje se mantém nesse sentido. No entanto, aqui se encontram novas imagens, divulgadas por outros sites igualmente oficiais como este, que mostram pouco mas que prometem muito (o que é algo soberbo e tão raro nestes dias), e que futuramente vão encher os mais variados espaços de cinema físicos e virtuais. Seja como for, Joker mantém-se como um dos principais - senão o principal - motivo(s) de curiosidade desta nova aventura de Batman, cuja história já se fazia adivinhar no final do brilhante Batman - O Início, também realizado por Christopher Nolan.


Seja sob a forma de recuperar os rostos das personagens como chave vital do filme ou, ainda, numa lógica de revitalizar um toque mais negro e satírico já concebido anteriormente (o cartaz acima com as três faces - Joker, Batman e Harvey Dent - remete-nos irremediavelmente para...

...um dos cartazes desse fabuloso freak show chamado Batman Regressa, que Tim Burton realizou em 1992), certo é que, à medida que o tempo passa (e já falta pouco para a estreia: 18 de Julho nos EUA, 24 de Julho em Portugal) tudo ganha mais sabor, mas menos forma concreta; eis a riqueza destas novas imagens: o factor surpresa ganha pontos, e a curiosidade está mesmo prestes a matar o gato.

Francisco Toscano Silva

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domingo, abril 27, 2008

Tema Mistério 21



Bernardo Sena

quinta-feira, abril 24, 2008

Estreias da Semana

BLADE RUNNER - PERIGO IMINENTE: VERSÃO FINAL

Completados 25 anos da sua estreia (comemorados em 2007), o intemporal e magistral Blade Runner volta ao grande ecrã, desta vez na sua versão definitiva; digamos que a versão que Ridley Scott imaginou na totalidade. Esta nova edição (que se encontra já a venda em DVD no mercado) contém cenas extra, diálogos adicionais, um tratamento de remasterização da imagem e do som, e leva-nos para num desencantado futuro dominado pela alta tecnologia, onde Deckard (Harrison Ford soberbo), um ex-blade runner (polícia), se vê novamente a braços com uma perseguição a 6 andróides replicantes assassinos em fuga, com a missão de os exterminar da terra. Num combate sem igual, Deckard perde-se na violência da ironia "tecnológica" criada pelo próprio homem, enquanto se apaixona por uma misteriosa replicante que lhe custará um elevado preço moral e humano.

Filmado sobre o registo do melhor noir com toques ciberpunk (tão presentes nos mais variados artefactos culturais da sociedade actual), Blade Runner mantém, volvidos todos estes anos, uma frescura, beleza, originalidade e sobriedade absolutamente intocáveis, que o tornam num imaculado objecto de culto da sétima arte, e que figura em grandiosos lugares de qualquer selecção cinematográfica que se efectue. São incontáveis os momentos que ficam para sempre gravados no nosso imaginário, para além da fabulosa mise-en-scene, da riquíssima linguagem simbólica dos corpos (humanos e não humanos) e dos espaços - exemplos muito copiados até aos dias de hoje, poucas vezes bem conseguidos, mas sobretudo nunca ultrapassados. Para finalizar tudo isto, é ainda de notar que esta versão é, sem dúvida, uma mais valia na medida que consagra todo o argumento para um final de enorme força dramática, e que encaixa vários dados que se encontravam à deriva pelo filme, nas versões alternativas que foram comercializadas antes - tudo bate certo, para um novo e maior ponto de vista e análise. A visão de Ridley Scott e a imaginação de Philip K. Dick ganham aqui uma proporção, literalmente falando, do outro mundo, e a possibilidade de se visionar numa sala de cinema é, sem outra possível definição, um momento de pura magia irrepetível para qualquer cinéfilo que se preze. Absolutamente obrigatório, para ver e rever, vezes sem conta.

5/5


TUDO O QUE PERDEMOS

Após a ressaca dos Óscares e antes da avalanche dos blockbusters de Verão, existe ainda lugar para exemplos do melhor que o género dramático nos pode presentear. Neste tempo intermitente, é de louvar a realizadora dinamarquesa Susanne Bier, que nos traz uma arrojada e poderosa obra sobre a redenção e as formas frágeis onde o amor nasce. Sob a produção de Sam Mendes, Tudo o que Perdemos é um belíssimo drama que nos coloca no seio de uma família, composta por Audrey Burke e as suas filhas, inesperadamente atingidas pela morte de Brian, o marido/pai (singular David Duchovny). Perante uma nova realidade de contornos quase sufocantes, Audrey traça laços de amizade com Jerry Sunborne, um toxicodepente perdido, que era o melhor amigo de Brian desde a sua infância, e de quem Audrey nunca gostou. Num processo de "auto-salvação", Audrey lança-se para ajudar Jerry (ao pedir que se mude para viver na sua recuperada garagem), enquanto tenta sobreviver à tona, com as suas filhas, no enorme pesadelo da perda - sem imaginar que Jerry lhe irá mostrar, da forma mais difícil, o longo caminho da aceitação e redenção pessoais.

Numa narrativa linear (somente alimentada na primeira parte por flashbacks), ao longo de duas horas, tomamos parte do turbilhão de emoções que habitam nestes personagens, confusos entre sentimentos mas certos da sua orientação, que nos fazem viver momentos de grande cinema, onde Berry e Del Toro são brilhantes na representação dos espaços frágeis que habitam sobre o amor e a revolta, sempre bem suportados pelo grandioso trabalho de câmara de Bier, que nos remete para Bergman com os seus grandes planos, uma vez mais reveladores de que os rostos são uma matéria de enorme valor fílmico e humano. Juntamente com O Lado Selvagem e No Vale de Elah, este é um dos mais poderosos dramas que este ano nos trouxe até agora.

5/5


VESTIDA PARA CASAR

Esta semana temos também espaço para uma comédia romântica muito simpática. Vestida para Casar conta a história de Jane Nichols (Katherine Heigl, a fascinante Izzie de Anatomia de Grey), uma jovem que dedica grande parte da sua vida a olhar pelos outros e a marcar presença num momento importante das suas vidas, como o casamento; daí ela guardar religiosamente 27 vestidos de dama de honor, apesar de sonhar com o dia em que ocupe o lugar da noiva, para viver uma bela história de amor. Perante estes "actos beneméritos" com os seus mais chegados, Kevin Doyle (James Marsden), um jornalista descarado, descobre assim os ingredientes ideais para escrever uma bela estória, e aventura-se no caminho de Jane, que se encontra já marcado pela confusão que a sua irmã Tess (Malin Akerman) criou, ao roubar-lhe, inadvertidamente, o homem dos seus sonhos - o seu patrão (Edward Burns).

Com confiança e determinação, Anne Fletcher realiza um filme extremamente divertido, dotado de diálogos originais e carregados de bom humor, com uma mensagem bonita e que resulta num objecto de entretenimento inteligente. Para fixar fica a óptima prestação de Katherine Heigl (que desvenda, a par de Julia Roberts e Meg Ryan, uma sólida figura para registos futuros deste tipo) e alguns momentos bem concebidos, como o improvável, mas delicioso "Bennie and the Jets".

3/5


UNS ESPARTANOS DO PIOR

Se este ano já abarca consigo alguns títulos de medíocre e/ou duvidosa qualidade, eis que nos chega, até ao momento, o pior filme do ano. É doloroso classificar "isto" como "filme", pois não existe um pingo de cinema aqui dentro. Sobre a alçada das sagas Scary Movie e do recente Epic Movie, Uns Espartanos do Pior volta a combinar o cinema (dos últimos dois anos) e mistura-o com os podres da socialite americana. O resultado é um absoluto desastre, onde a simples paródia a títulos como 300, Uns Compadres do Pior, Rocky Balboa e Transformers não funciona nem sequer por 30 segundos.

Apesar disso, o pior concentra-se na seguinte questão: como se elabora um projecto destes numa filosofia de "tudo é possível e válido", até as mais importantes e basilares regras da sétima arte ficam por respeitar: ritmo narrativo é nulo, interpretações não existem, o argumento roça o mais ordinário e pueril dos tempos actuais, e não existe também qualquer noção de raccord (a cena da nudez cortada em três planos revela descaradamente um fato de banho, já para não falar nos microfones presentes em inúmeras cenas e de se ver, no poço da morte, o espaço onde as vítimas "caem", ao nível do solo), e note-se ainda um facto extraordinário que é a necessidade constante de cada momento de paródia a algo ser devidamente identificado pelos actores (?), que indicam à força quem é a personagem, nessa altura. Sim, porque diga-se que ao verificar a silhueta dum boxeur com a cara de Stallone, semi-nu de calções, (onde até se encontra inscrito o nome do personagem) e de luvas postas, o espectador precisa ainda assim que a acção (?) seja suspensa para que os actores (?) soltem, num espanto mais farçola que os grunhidos dum filme pornográfico, um surpreendente "Rocky!". Um verdadeiro e atroz atestado de estupidez, até ao público menos exigente.

1/5 (só porque não usamos "bola preta".)

Francisco Toscano Silva

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quarta-feira, abril 23, 2008

20 MAGNÍFICOS NA COMPETIÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES:


O Festival de Cannes divulgou hoje os 20 magníficos, candidatos à Palma de Ouro 2008. O destaque vai ainda para apresentação e para a expectativa criada à volta da estreia do último 'India Jones e o Reino da Caveira de Cristal', extra concurso, e em termos nacionais para as comemorações dos 100 Anos de Manoel de Oliveira.


O Festival de Cannes, que se realizará entre 14 e 25 de Maio, divulgou a lista completa dos filmes da Competição Oficial. Serão cerca de 20 filmes candidatos à Palma de Ouro, onde se destacam grandes autores do cinema mundial como Clint Eastwood, com Changeling, Steven Soderbergh, com o biopic Che, o alemão Wim Wenders, com The Palermo Shooting, e o canadiano Atom Egoyan, que apresentará Adoration, e de alguns recentes laureados como Jean-Pierre e Luc Dardenne com Le Silence de Lorna. Destaque ainda para uma forte representação do cinema latino-americano com a dupla brasileira Walter Salles e Daniela Thomas, em Linha de Passe e dois filmes argentinos, que são La Mujer sin Cabeza, de Lucrecia Martel, que já não é uma novata na competição cannoise e Leonera de Pablo Trapero, este sim um estreante nestas andanças. Mais uma vez na competição oficial, não aparece qualquer filme português, resumindo-se até este momento, a representação nacional a Aquele Querido Mês de Agosto de Miguel Gomes na Quinzena dos Realizadores, num ano em que o Festival vai dar um especial destaque e homenagear o decano realizador Manoel de Oliveira pelos seus 100 anos de vida. A lista completa de filmes da Competição Oficial:


"Üç Maymun" (Three Monkeys), de Nuri Bilge Ceylan

"Le Silence de Lorna", de Jean-Pierre e Luc Dardenne

"Un Conte de Noël", de Arnaud Desplechin

"Changeling", de Clint Eastwood

"Adoration", de Atom Egoyan

"Waltz With Bashir", de Ari Folman

"La Frontière se L'aube", de Philippe Garrel

"Gomorra", de Matteo Garrone

"24 City", de Jia Zhangke

"Synecdoche, New York", de Charlie Kaufman

"My Magic", de Eric Khoo

"La Mujer Sin Cabeza", de Lucrecia Martel

"Serbis", de Brillante Mendonza

"Delta", de Kornel Mundruczo

"Linha de Passe", de Daniela Thomas e Walter Salles

"Che", de Steven Soderbergh

"Il Divo", de Paolo Sorrentino

"Leonera", de Pablo Trapero

"The Palermo Shooting", de Wim Wenders



segunda-feira, abril 21, 2008

LYNCH INSPIRA CANNES


Tal como aconteceu o ano passado em relação a Wong Kar-way, o cartaz e a identidade visual deste ano, do 61º Festival de Cannes, inspiram-se numa fotografia de David Lynch e em Mulholland Drive. Esta homenagem ao talento de um dos realizadores norte-americanos, com um verdadeiro estatuto de autor em Cannes e na Europa, é da autoria do designer Pierre Collier, que concebeu também a partir do cartaz todo o ‘ambiente gráfico’, que se vai destacar juntos dos locais do festival e em particular no palácio dos Festivais, a sede por excelência do grande evento que se realiza de 14 a 25 de Maio próximos.

sexta-feira, abril 18, 2008

CALIFORNIA DREAMIN’: COMÉDIA MULTICULTURAL


A noção de origem, nacionalidade e cultura dos filmes tende cada vez mais a esbater-se através de conceitos de cinema cada vez mais alargados e humanistas, a provar isso esteve a última cerimónia dos Oscars com uma grande quantidade de filmes do mundo nos nomeados e todos os prémios de interpretação distribuídos a actores não-americanos. Neste enorme caldo cultural, em que Babel, de Alejandro González Iñarritu funcionou como uma espécie de filme fundador, assistimos, agora a uma afirmação dos jovens cineastas educados no sistema do antigo Leste europeu: os romenos estão a dar cartas tanto no plano político e social, como no plano estético. E depois do sucesso da crítica de 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias, de Cristian Mungiu, que não foi de todo acompanhado pelo público, talvez devido à dureza do tema, chega-nos esta semana, uma preciosidade chamada California Dreamin’ (Nesfarsit), de Cristian Nemescu, interpretado por actores romenos e norte-americanos com destaque para a fabulosa performance de um Armand Assante, num oficial do exército americano. O tema é genial já que é uma divertida fábula, passada numa aldeia romena na fronteira com a Bósnia, que tem um certo toque ao estilo de Emir Kustrica, sendo uma metáfora sobre a forma como os norte-americanos resolvem os conflitos regionais onde interveem. Curiosamente foi o primeiro filme de um jovem realizador Cristian Nemescu, que ainda na fase de pós-produção faleceu num violento acidente de automóvel, apresentado tal qual como ele o deixou, e que mesmo assim ganhou o Prémio Un Certain Regard, no último Festival de Cannes. Uma película a não perder para que inclusive procura entretenimento do melhor. Esperemos é que esta lufada de ar fresco romena — que curiosamente depende ainda muito de regras de apoio ao cinema, que veem do tempo de Ceaucescu — e dos filmes do mundo, não seja uma apenas uma moda passageira, já que estes filmes são sinais do que pode vir a ser o futuro da produção cinematográfica e o prelúdio de uma maior abertura destas cinematografias ao mundo e do mundo a elas.

quinta-feira, abril 17, 2008

Esta é mesmo demais.

Vivemos tempos curiosos no mundo do cinema. A Sétima Arte encontra-se cada vez mais nas mãos dos seus públicos, e dependente da vontade dos mesmos. Veja-se o caso Uwe Boll. O "famoso" (ironia que deve ser lida no sentido oposto) realizador alemão, responsável por objectos incrivelmente medíocres como House of the Dead (2003), Alone in the Dark (2005) ou Postal (2007) começou o ano em cheio; Sem meias medidas e fartos do seu péssimo trabalho no cinema (e outras artes a ele ligadas), surgiu há uns meses uma petição na Internet, elaborada por várias pessoas que se intitulam "amantes do cinema e dos videojogos", para que Uwe Boll deixe, de uma vez por todas, de realizar, produzir, enfim, meter o dedo nas mais variadas secções artísticas do audiovisual. Boll respondeu que se a petição atingir um milhão de votos, ele deixará de vez o mundo do cinema.

Contra números e probabilidades, certo é que neste momento estamos com mais de 200 mil pedidos, e o número não para de crescer dia após dia... e Boll, que se iniciou com a piada do "milhão", não aguentou, literalmente a pressão, e começou a disparar em todas as direcções, trazendo para este episódio insólito o bom nome de algumas figuras do cinema - que a bem ou mal são muitíssimo superiores a si - que não são para ali chamadas, já para não falar que Boll sofre do síndroma de narcisismo alucinado. Aqui está a prova do crime:

A isto, Eli Roth (um dos nomes mencionados por Boll) respondeu que este é "o maior elogio da sua vida" - valha-nos o humor no meio desta tristeza.

Sem fazer discussão da enorme falta de respeito e educação do senhor (é só ver o vídeo acima colocado e observar a decadência moral em estado puro), pergunto antes aos leitores o que pensam de tudo isto? Vão contribuir para esta causa ou condenam actos destes? De que forma o público se torna cada vez mais decisivo, actualmente, sobre os artistas, ao quererem moldar a criação intelectual, elaborada para seu proveito?

Francisco Toscano Silva

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Primeiros olhares sobre a Cegueira

Aqui vos adianto as primeiras imagens de Blindness, o novo filme de Fernando Meirelles que adapta a obra aclamada de José Saramago. Aqui para nós, que ninguém nos ouve (lê?), parece-me que estão reunidas condições para que este se torne num dos filmes do ano; seja pelo realizador (Meirelles já nos presenteou cinema da mais alta qualidade como é o caso de Cidade de Deus e O Fiel Jardineiro), seja pelo elenco (onde figuram os nomes de Julianne Moore e Mark Ruffalo), seja pela história forte e poderosa que Saramago imaginou; se o escritor vendeu os direitos da mesma é porque confia, a partida, no resultado "visual" - palavra curiosa quando falamos do problema da cegueira - que lhe foi prometido (de notar que uma das exigências de Saramago foi o facto de o filme não se passar num país que seja reconhecível, para que permaneça incógnito e misterioso).

Longa será a espera (estreia prevista para Outubro nos EUA), mas já se pode matar alguma curiosidade e, gostos de parte, é sempre uma honra poder ler "Based on the novel by Nobel Prize Winner José Saramago". Aqui vos deixo um mimo...


Francisco Toscano Silva

The Best of... Thomas Newman


A banda sonora do filme A Missão foi eleita a melhor composição para cinema de Ennio Morricone pelos visitantes do Deuxieme. Seguimos com o norte-americano e já por oito vezes nomeado ao Oscar, Thomas Newman, nascido em 1955 e filho do mitico e também grande compositor, Alfred Newman (o autor por exemplo, da famosa fanfarra de abertura das produções da Fox que ainda hoje ouvimos nos cinemas). A versatilidade de Thomas Newman é evidente na forma como consegue trazer para as grandes produções de Hollywood uma orquestração pouco ou nada convencional, onde o uso de instrumentos como o ewi, marimba, banjo ukelele, vibrafone, cítara, entre muitos outros, é prova disso mesmo. American Beauty surge então aqui como o modelo mais claro. Ao lado desta caracteristica de certo modo inovadora no meio, também encontramos um Thomas Newman fiel ao habitual modelo da orquestra sinfónica e delicado no que concerne ao piano. Aguarda-se que em futuras cerimónias, a Academia lhe entregue uma já muito merecida estatueta e não continue a adiar o inevitável. Indiquem então a vossa banda sonora preferida de Thomas Newman.




Bernardo Sena

quarta-feira, abril 16, 2008

ADEUS A UM BOM MALANDRO...


PEDRO BANDEIRA FREIRE (1939-2008)

Autor, actor, dramaturgo, argumentista e fundador do Cinema Quarteto, Pedro Bandeira Freire, faleceu hoje quase a completar 69 anos, e poucos dias depois do encerramento das portas, daquele que foi o primeiro multiplex a abrir em Portugal, associado também às estreias de ‘filmes de qualidade’ e a um certo espírito cinéfilo que marcou várias décadas.
Pedro Bandeira Freire nasceu em Agosto de 1939 em Lisboa, filho de um médico militar, frequentou como era apanágio o Colégio Militar, mas sempre teve pouco jeito para as armas, preferindo antes o cinema. Escreveu livros, peças de teatro, fez rádio e televisão, e ainda umas ‘perninhas’ como actor, com destaque para a personagem de Flávio, o Doutor, de Crónica dos Bons Malandros de Fernando Lopes, personagem essa que lhe encaixava que nem uma luva, no seu espirito boémio e lisboeta. Realizou ainda uma curta-metragem Os Lobos (1978), que foi apresentada na Quinzena dos Realizadores em Cannes, foi co-argumentista de A Balada da Praia dos Cães, de José Fonseca e Costa e recentemente de Contrato, de Nicolau Breyner, adaptado de um policial de Dinis Machado, e um dos filmes portugueses que estreia brevemente.

terça-feira, abril 15, 2008

E depois de Annie Hall...

Se a Marvel se propõe reinventar Hulk, agora com Edward Norton no papel do cientista Bruce Banner, certamente que o DEUXIEME poderá fazer o mesmo após a partida do nosso colega e amigo Alvy Singer.

Ou talvez não. Seja qual for o futuro, não vale a pena estarmos para aqui todos como se tivesse morrido alguém. Desconfiamos mesmo que, perante o que aconteceu, o super-herói do filme que hoje conheceu um novo poster diria... "HULK ESMAGA".

sexta-feira, abril 11, 2008

E Depois do Adeus.

Este é aquilo tipo de posts para o qual nunca nos preparamos. Que me caiam todos os pêlos do corpo, se algum dia pensei escrever estas linhas. Sempre achei mais provável um meteorito em rota de colisão com a Terra ser interceptado por um Bruce Willis esmerado, ou uma invasão alienígena ser aniquilada por um veterano da Guerra do Vietname, pai de família, e alcoólico. Agora, abandonar o Deuxieme, foi algo que nunca me passou pela cabeça. Isto, até há uns tempos atrás.

Nos últimos meses, vinha ganhando consistência a ideia de que o fim para esta viagem estava perto. Com o passar do tempo, após o final da PREMIERE, o blog tornou-se no derradeiro escape para esta paixão pelo Cinema que diariamente necessita de ser expelida. Quem acompanha este espaço desde o seu inicio, sabe que os tempos nem sempre foram fáceis. Recordo como se fosse ontem, em meados de Abril de 2007, portanto, há coisa de um ano, ir para o trabalho, e acompanhar de hora a hora o número de visitas. Um post-it e uma caneta marcavam os registos. Por volta das 17:30, hora de saída, tinham sido pouco mais de 100, os curiosos. Contudo, fosse qual fosse o número, à noite, altura em que chegávamos aos 150, a motivação para escrever era sempre a mesma. Os posts começaram a crescer, os assuntos diversificavam, o Bernardo Sena e o Francisco Silva entraram em força, sempre com o apoio, quando possível, do José Vieira Mendes, do Nuno Antunes, e do Luís Salvado, e o blog deu um salto do camandro. Era indescritível a satisfação de ver o número de visitas aumentar. O post-it e a caneta mantiveram-se sempre. Os valores, esses, é que foram mudando. Muitas foram as noites de sono passadas em frente ao ecrã, mesmo naqueles dias em que não dava para mais nada a não ser colocar uma questão, e que valeram a pena pelos comentários na manhã seguinte. Aquilo que era dado desse lado, jamais seria retribuído, por mais textos que fossem deixados. E, verdade seja dita, ainda hoje não sei quem lucrou mais com tudo isto. Aquela formação de formadores, por exemplo, custou como tudo. Por essa altura, o Deuxieme era mais do que uma parte do meu dia. Era o reencontro com todo um mar de cinéfilos – hipérbole, para quem não apanhou – que tinha vindo aqui parar ao longo dos tempos. E, caraças, isso sabia melhor do que um copo de água a seguir a um gelado.

Agora, nos últimos dias foi-se tornando clara a ideia de que era necessário colocar um ponto final nesta viagem que foi o Deuxieme. Inexplicavelmente, parte da dedicação havia-se esfumado e, algo sussurrava ao ouvido que era preciso dizer o definitivo adeus a tudo o que estivesse relacionado com a PREMIERE. Não sei onde li isto há uns tempos mas, passei por um sítio onde, num cartaz, estava escrito que Tudo deve demorar o tempo exacto para ser inesquecível. Duvido que alguém tenha ficado mais extasiado do que Alvy Singer, no dia em que o José Vieira Mendes deixou uma mensagem de voz a dizer para passar na redacção da revista. Assim como duvido que alguém tenha dado mais pulos de contentamento, no dia em que o Deuxieme teve mais de 200 visitas. E, quem diz 200, diz 300. Por aí fora. No entanto, a nossa vida pessoal mexe com estas coisas, e acabamos por ser apanhados com as calças na mão. Já o Lennon dizia que A vida é o que nos acontece enquanto fazemos outros planos. O sacana percebia destas coisas.

E, verdade seja dita, o momento é o de olhar em frente mas, percorrendo outro caminho. Porque isto dos blogs, como tudo, funciona como um tubarão. Se pára, morre. E, para Alvy Singer, aquilo que temos em mãos, é um tubarão morto. Sem muitos porquês, nem grandes justificações, porque, acreditem, a cada linha torna-se mais difícil levar isto avante, nada resta senão dizer que esta foi uma das mais belas etapas por que passei. As memórias levadas deste ano e meio, não poderiam ser melhores. Algumas pessoas conhecidas por essa blogosfera fora. Os assíduos visitantes deste espaço, que acompanharam inclusive os posts na véspera de Natal. E, tantas, tantas outras coisas, que demorariam o dia todo a enumerar. Foi tudo demasiado bom para ser verdade. Ter vivido por dentro a montanha-russa que foi este blog, é algo pelo qual estarei eternamente grato.

Obrigado a todos por todas as palavras de incentivo ao longo do caminho e pela inestimável companhia. A procura dos ovos segue noutro lado.

Alvy Singer

segunda-feira, abril 07, 2008

U2 em Portugal ou Que futuro se reserva para o cinema

Não pretendo com este título relembrar nenhum filme português, mas antes deixar aos leitores do Deuxieme algumas questões a magicar na cabeça. Tudo isto, refira-se, devido à estreia de U2 3D, um filme-concerto inesquecível (filmado na América do Sul, com multicâmaras em tempo real, alia imagens em 3D a som Surround 5.1, criando uma experiência multi-sensorial), produzido pela National Geographic. Se, por um lado, temos a percepção de vivermos um concerto com Bono ao nosso lado, sob uma percepção sensorial que eleva este objecto a uma experiência única e nos faz pensar que não fomos ao cinema mas sim a um estádio qualquer, temos ainda no outro prato desta balança outra questão: que futuro vai o cinema encontrar com a crescente loucura à volta do fenómeno tecnológico que é o 3D?

É de notar que os filmes em 3D não são uma novidade na sétima arte, mas, sob uma maior procura de estímulos que o cinema traz para os espectadores (neste caso concreto uma fabulosa união entre questões de profundidade e volume), que papel irá o mesmo representar, com estes avanços e outros (onde os efeitos especiais e todo o leque tecnológico dos mais recentes filmes de animação nos têm mostrado) no futuro? Para além de uma nova versão de O Estranho Mundo de Jack (curioso ver um filme com 15 anos regressar ao grande ecrã, sob a alçada de um novo formato visual), este Verão espera-se mais um blockbuster (Journey to the Center of the Earth 3D), e tudo isto vai colocando mais pontos de discussão sobre a mesa. Sem estar a favor ou contra as tendências e metamorfoses da própria arte (aliás, não é esse um dos aspectos fundamentais da sua sobrevivência?), que horizontes surgem no caminho do próprio cinema no futuro? De que forma podem contribuir para o seu rejuvenescimento, ou noutro ponto, para um funeral antecipado?

Francisco Toscano Silva

Charlton Heston (1924 - 2008)

Este fim-de-semana deixou o mundo da sétima arte mais pobre. Desta vez, a questão centra-se sobre um actor de enorme relevo, que é um dos maiores nomes da época dourada de Hollywood. Charlton Heston faleceu no passado sábado, na sua casa em Beverly Hills, aos 84 anos de idade. Para trás fica um enorme e rico legado, onde incontornavelmente se destacam composições inesquecíveis e tão conhecidas entre o grande público, como é o caso de Ben-Hur (1959), personagem lendária que lhe valeu o reconhecimento da Academia com o Óscar de Melhor Actor. Heston deixa, para além deste épico, um vasto leque de outras grandiosas interpretações, sob a mestria de autores maiores do cinema - prova disso são os títulos A Fúria do Desejo (1952) de King Vidor, A Sede do Mal (1958), esse admirável noir de Orson Welles, os 55 dias em Pequim (1963) do mestre Nicholas Ray ou ainda Major Dundee (1965) de Sam Peckinpah. No entanto, é o final da década de 60 que carrega consigo um objecto único e original, que depressa fez nascer um enorme culto à sua volta; falamos de O Homem que Veio do Futuro (1968), o "primeiro" filme da saga "Planet of the Apes", realizado por Franklin J. Schaffner.

Contra as polémicas da sua vida privada, onde as questões políticas sempre deram pano para mangas nos meios de comunicação (ultimamente relembram-se nos seus discursos e posições como presidente da National Rifle Association), Heston permanecerá como uma figura maior do cinema, quer pela sua força artística que o cinema agora preserva em memória, seja também pela sua influência, que minou por completo a caracterização masculina do cinema contemporâneo.

Francisco Toscano Silva

sexta-feira, abril 04, 2008

Tema Mistério 20

Classificação geral quando já só restam 10 "temas mistério":

1ºs-Lucia e Pedro Almeida - três respostas certas
3º-M. Ferreira - duas respostas certas
4ºs-João Bizarro, Mariana F, Nuno Miguel Santos, Daniel Ferreira, Izzy, Strangelove, João Farinha, Paulo Lopes, Rita, Cataclismo Cerebral - uma resposta certa.




Bernardo Sena

terça-feira, abril 01, 2008

James Bond. Vezes 3.

Enquanto aguardamos por um Novembro que tarda em chegar, as notícias sobre Quantum of Solace não páram de surgir. Como tal, temos um novo video, onde Marc Forster nos fala da importância das "locations" - de todos os sítios que figuram e dão vida a mais uma missão de alto risco para 007. Aqui estão mais momentos para vos deixar água na boca...


Para além do cinema, James Bond está ainda de regresso... ao mundo literário. É verdade, volvidos 48 anos da morte de Ian Fleming e de vários livros que herdaram o peso inventivo e criativo do personagem (escritos por autores como John Gardner e Raymond Benson), Bond irá viver uma nova aventura, no estilo mais próximo das suas origens literárias.

Devil May Care é o título do novo livro, escrito pelo romancista Sebastian Faulk, a pedido da família de Fleming, que pretende assinalar o centenário do nascimento do famoso escritor. O lançamento da obra será feito à escala mundial, no dia 28 de Maio à meia-noite, e em Portugal será editada pela Civilização, com o título de “A essência do Mal”. Sabemos ainda que a acção se passa em plena Guerra-Fria, e no seguimento de O Homem da Pistola Dourada, penúltimo livro escrito por Fleming, em 1965, o que promete. Esperemos que este acontecimento faça merecer uma reedição das obras anteriores (como já aconteceu o ano passado com Casino Royale e Vive e Deixa Morrer); é que eu e outros fanáticos tivémos que nos contentar, ao longos das últimas décadas, com as edições dos anos 50, editadas entre nós pela Portugália Editores, disponíveis quase exclusivamente nos alfarrabistas e que são verdadeiras pérolas, ainda que traduzidas num português muito limitado actualmente. Contra isso, só as maravilhosas edições inglesas (mais ricas na leitura refira-se) da Penguin, que a Fnac vende ao público (alguns só por encomenda).

Como não somos indiferentes a este fenómeno cultural tão marcante, o Deuxieme vai recordar, até Novembro, a importância de Ian Fleming e da sua criação. Até estrear Quantum of Solace, estão já marcadas, sem excepção, as críticas a todos os filmes da saga do inesquecível 007. Por isso, muito em breve, Dr. No irá novamente surgir, neste blog, tão perto de vós. Tudo isto, refira-se, inteiramente dedicado a Ian Fleming (1908-1964), autor e criador de excelência.

Por tudo isto, é realmente certo dizer que 2008 é, incontornavelmente, o ano de Bond, James Bond.

Francisco Toscano Silva

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