Deuxieme


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Fontes de inspiração.

Ontem, escrevemos neste espaço.

Com a vitória de Penélope Cruz, Woody Allen juntou-se ao grupo de realizadores, composto por Martin Scorsese, John Ford, Clint Eastwood, e George Cukor, que dirigiram cinco actores a uma vitória nas categorias de interpretação nos Oscars. À frente destes, apenas Fred Zinnemann (6), Elia Kazan (9), e William Wyler (13)”.

Errado. Nesse grupo, já Woody Allen estava. Depois de 22 de Fevereiro, o realizador juntou-se sim, a Fred Zinnemann. Fica feita a emenda. Agora, não é só isso que nos traz aqui. Uma dúvida se nos colocou durante o dia de hoje. Ao passarmos os olhos por outros sites e blogs que noticiavam o recrutamento de Freida Pinto e Naomi Watts para o próximo filme de Allen, não pudemos deixar de reparar que musa foi o termo preferido para colocar na manchete. Agora, porque é que quando se trata de Woody Allen e a sua actriz, musa é uma palavra que sai com tanta facilidade? Pura retórica. Ou talvez não. Woody Allen conduziu seis actores ao Oscar. Apenas um é do sexo masculino, Michael Caine (Hannah and Her Sisters). As outras cinco foram Diane Keaton (Annie Hall), Dianne Wiest (Hannah and Her Sisters, Bullets Over Broadway), Mira Sorvino (Mighty Aphrodite), e Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona). Cinco dos seus filmes contêm o nome de uma personagem feminina, Annie Hall (1977), Hannah and Her Sisters (1986), Alice (1990), Melinda and Melinda (2004), e Cassandra’s Dream (2006), e outros dois fazem clara alusão, Another Woman (1988) e Mighty Aphrodite (1995). Allen é um cineasta que escreve papéis femininos como poucos, e poucas deverão ser as actrizes que lhe passaram pelas mãos e hoje desejavam não o ter feito. Pelo contrário. No entanto, parece-nos precipitado dizer que Freida Pinto ou Naomi Watts são as próximas musas de Allen. Nem mesmo Scarlett Johansson ainda pode ser considerada como tal. E, de cada vez que nos lembramos que Kate Winslet foi a primeira escolha para Match Point, e abandonou o projecto à última da hora. Cala-te boca.

Alvy Singer

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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Watchmen impressiona.

E, de repente, hoje todos adormeceremos muito melhor – no caso deste post estar a ser lido pela manhã, o acordar terá um outro ânimo. Devin Faraci, do Chud, site que concorre ali com o /Film e AICN pelo título do mais geek sobre a sétima arte, traz-nos uma critica extremamente positiva sobre Watchmen, de Zack Snyder. Aliás, até agora, o filme tem recebido muito mais elogios do que apupos. E, alguns dos louvores têm sido farfalhudos. Mas, ainda não se tinha visto nada como isto. Deixemos aqui o inicio da mega consideração de Faraci.

If nothing else, Zack Snyder's Watchmen demands praise as an awe-inspiring achievement. Snyder has done what many considered impossible - he took Alan Moore and Dave Gibbon's seminal comic book, Watchmen, and turned it into a movie. And not just a movie; Snyder hasn't created some processional of images or a living audio book. He's made a film that feels like a living, breathing thing all its own while also being - almost completely - the book. Snyder's Watchmen captures the themes and the meanings and the characters that Moore and Gibbons created but makes them his own, turning the movie from being simply an adaptation into something that feels closer to collaboration.

Had he only done that, Snyder would have earned a positive review from me. But he does more; Snyder had crafted a movie that flirts with honest to God greatness, that doesn't just capture the events of the comic but also the humanity and the emotion. It's a remarkable film, and an uncompromising one. It's the sort of movie that major studios are simply not supposed to be making now that the 1970s are over. Watchmen doesn't hold your hand and walk you through the story; in fact Snyder's movie dares the audience to keep up, demanding something much, much more than the passive viewing experience so many expect when watching even the best superhero movies”.

Não era preciso mais nada. Bastava aquela frase, It's the sort of movie that major studios are simply not supposed to be making now that the 1970s are over. Zumba. No final, 9 em 10. Em nota de rodapé, recorde-se que Faraci foi aquele tipo que esteve perto de detestar The Dark Knight; depois de até ter-lhe reconhecido algumas coisas engraçadas, e, no final, veio a considerá-lo como candidato a uma nomeação para o Oscar de Melhor Filme. Mas, não deixemos que isso perturbe o entusiasmo causado por esta crítica.

Alvy Singer

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Quantos, dois em quinze?

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Apostado.

Bruno Ramos

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Veredicto.

Vós haveis dito de vossa justiça.

Cerimónia dos Oscars – 147 votos.

A melhor de sempre! No ponto, e superior ao que esperava (82) – 55,78%,
Poderia ter sido melhor, mas, no geral, passa com distinção (54) – 36,73%,
A pior de que me lembro (5) – 3,4%,
Igual às outras. Estive quase a adormecer (4) – 2,72%,
Nunca mais os vejo (2) – 1,36%.

Bruno Ramos

Agora - Teaser.

Num post mais abaixo, sobre os primeiros títulos a acompanhar de perto para o ano que se avizinha, falamos de Agora, de Alejandro Amenábar, com Rachel Weisz e Max Minghella. Segundo a Variety, o segundo filme de língua inglesa de Amenábar, depois de The Others, passa-se no Egipto do Império Romano, no séc. IV. Weisz interpreta a astróloga e filósofa Hypatia de Alexandria, que luta para salvar a sabedoria abrigada do mundo antigo. O seu escravo Davus (Minghella) encontra-se dividido entre o amor da sua amante e mestre, e a possibilidade de alcançar a liberdade abraçando uma nova fé, o Cristianismo. O Firtshowing, que já em Novembro andava em cima desta película, diz que “Alejandro Amenábar wanted to allow ‘the audience to see, feel and smell a remote civilization as if it were as real as today’. The civilization in question - the Egyptians during the 4th century AD”. Será caso para perguntar, O Épico está de volta? Aqui fica o teaser. O filme tem estreia marcada, nos Estados Unidos, para 18 de Dezembro.

Bruno Ramos

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A abertura que não chegou a sê-lo.

Ao que parece, ir ao evento, em vez de ficar em casa a assistir pela televisão, até tem as suas vantagens. No último domingo, enquanto íamos vendo mais alguns anúncios e petiscando mais uns quantos snacks, a seguinte montagem passou para a audiência do Kodak Theater. Os produtores acharam por bem não transmitir isto para os milhões de lares que seguiam a cerimónia, e a Vanity Fair lança agora a peça em exclusivo. Realizado por Bennett Miller (Capote), o segmento até tem a sua piada. Engraçado, mexidote, mas sem grande sal. Ao contrário dos pistáchios que íamos comendo lá em casa. Vai-se a ver, se calhar até dispensávamos esta curta da transmissão. Num espectáculo que pautou pela excentricidade, o tom festivalesco desta peça estaria longe de ser o empurrão ideal. Apesar de contar com gente como William Friedkin, Robert Evans, Danny Boyle, Michael Sheen, Scarlett Johansson, Roger Deakins, Ron Howard, Janusz Kaminski, Flea, Gus Van Sant, Sarah Silverman, Mike Nichols e Spike Jonze, entre outros.

Alvy Singer

Olhar 2009.

A poeira começa a assentar. A algazarra em torno dos Oscars desvanece-se a cada minuto, e a calmaria retorna aos níveis de há quatro ou cinco meses atrás. A especulação chegou ao fim, já não há razão para andar por aí a mandar bitaites, e tudo parece regressar a um estado amorfo desconfortável. E, é precisamente por desconfiarmos deste silêncio que se estabelece quando se dá por encerrada uma temporada de prémios, que resolvemos olhar já para o nublado horizonte que, lá ao fundo, esconde a temporada de 2009. Sim, ainda falta um ano. Poderá ser patético tentar prever o quer que seja, por esta altura. Que o é. No entanto, nunca veio grande mal ao mundo por um tipo que, até gosta de Cinema, dizer quais os filmes que mais antecipa para o próximo ano. Coincidência das coincidências, alguns pelos quais mais anseia podem ser aqueles que, em Fevereiro de 2010, terão o privilégio de discutir as estatuetas douradas mais cobiçadas em Hollywood.

O mais interessante, nesta fase da corrida, em que alguns ainda nem sequer a passo vão, é a ausência de um favorito. Ou, até mesmo, conjunto de favoritos. Está tudo muito turvo, e destacar somente um título chega a ser comovente. O ano passado, por exemplo, por esta altura, olhávamos para Revolutionary Road, Appaloosa, Synecdoche, New York, Che, Changeling, e Miracle at St. Anna. Este ano, há quem avance uma maior curiosidade em torno do filme de Clint Eastwood, baseado na vida de Nelson Mandela (que, afinal, não se chamará The Human Factor – o realizador afirmou recentemente que o projecto está sem nome e é baseado no livro de John Carlin, Playing the Enemy). Outro que salta à vista é Nine, de Rob Marshall. Um elenco de luxo, e o selo por trás de Harvey Weinstein. Para alguns, este é o primeiro peso pesado do ano, candidato não a uma, mas diversas categorias. Caraças, isto da futurologia barata é mesmo divertido. Continuemos.

A começar pelo estúdio que este ano nos trouxe Frost/Nixon, Baby Mama, e se fartou de facturar com Mamma Mia!, a Universal. Aqui, encontramos, pelo menos, sete títulos que nos deixam com ela fisgada. Funny People, de Judd Apatow – cujo trailer pode ser visto mais abaixo –, State of Play, de Kevin MacDonald – o filme que juntaria novamente Edward Norton e Brad Pitt –, The Boat That Rocked, de Richard Curtis, e uma obra ainda sem título, de Nancy Meyers, com Meryl Streep e Alec Baldwin nos principais papéis. Green Zone, de Paul Greengrass, com Matt Damon como protagonista, promete fazer as delícias de qualquer fã que se preze de Jason Bourne. E, a Academia já mostrou o afecto pelo trabalho de Grengrass, quando o nomeou em 2006, pelo magnífico United 93. Public Enemies, de Michael Mann, é um dos títulos mais antecipados do ano. Convém seguir de perto este filme, que vem prendendo a nossa atenção desde os primeiros dias de pré-produção. Quem sabe, o The Dark Knight dos anos 30. The Wolf Man, com Benicio del Toro, tem estreia prevista para inícios de Novembro. Final do ano significa fortes esperanças. Resta saber se será em categorias técnicas ou no desempenho do actor.

Na Focus Features, encontramos mais uns quantos. Logo à cabeça, o próximo dos Coen. Desta vez, os irmãos não saltam de registo, e mantém-se fiéis à comédia. A Serious Man, uma hipótese para o actor Richard Kind, o inesquecível Paul Lassiter de Spin City, brilhar no grande ecrã. Ao mesmo tempo, teremos o novo de Sam Mendes. Este sim, a mergulhar em águas desconhecidas. Pela primeira vez, o realizador de Revolutionary Road rodará um drama mais ligeiro, para não dizer mesmo uma comédia – o humor negro de Alan Ball em American Beauty não conta. Away We Go, contará com o soberbo John Krasinski de The Office, e Maya Rudolph, que abandonou este ano o elenco de SNL. Alejandro Gonzáles Iñarritu regressa também este ano, três depois de Babel, com Biutiful, protagonizado por Javier Bardem e Rubén Ochandiano. Contudo, a par do filme dos Coen, talvez aquele que desperte maior curiosidade, saído da Focus Features, seja Taking Woodstock, escrito por James Schamus – o primeiro a ser nomeado para os Oscars nas categorias de Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Canção Original –, e realizado por Ang Lee. Depois de Milk, a Focus deverá apostar novamente num filme de época para chegar mais longe. No capítulo da animação, veremos como se sai 9, de Shane Acker – baseado na sua curta-metragem nomeada para um Oscar –, e Coraline, de Henry Selick, já estreado entre nós. E, já que falamos de animação, olhemos para cinco títulos que têm que se lhe diga.

Como sempre, a Pixar traz-nos a aposta mais segura. Up. À partida, o mais forte candidato a uma nomeação. É quase como se só existem dois lugares para a categoria de Melhor Filme de Animação. Uma posição está reservada para a obra da Pixar. Entretanto, veremos no que dá o regresso ao 2D, e ao desenho à mão tradicional, com The Princess and the Frog. Ponyo on the Cliff by the Sea, de Hayao Miyazaki tem o selo de qualidade do estúdio Ghibli, e a AMPAS também costuma arranjar sempre espaço para uma designação. No entanto, não esqueçamos as múltiplas vozes de Jim Carrey em A Christmas Carol, de Robert Zemeckis – que promete reinventar novamente algumas técnicas –, o terceiro capítulo da saga Ice Age – esperemos que o espírito se mantenha… fresco –, e Monters vs. Aliens, da Paramount. Também da Paramount, estúdio que planeou, a certa altura, lançar Slumdog Millionaire directamente para DVD, encontramos outros três títulos que aparentam ter estofo para a dureza de uma corrida aos Oscars.

O primeiro é The Lovely Bones, de Peter Jackson. Quando, há sensivelmente ano e meio, o projecto caiu nas mãos de Jackson, logo começaram a chover prognósticos sobre a riqueza da obra, e o possível retorno do cineasta ao Kodak Theater para arrebatar mais umas quantas estatuetas. Consta que o material a transpor para a tela não é dos mais acessíveis. No entanto, acreditamos que quem adapta The Lord of the Rings, adapta qualquer coisa. The Soloist, que chegou a ser apontado como um dos grandes favoritos de 2008, saltou para 2009, e acabará por ser lançado aos tubarões no inicio da época de blockbusters. Se Jamie Foxx se portar bem, pode ser que o final do ano traga uma surpresa. E, o que dizer de Shutter Island? O filme é realizado por Martin Scorsese, e o estúdio descreve-o como “a period ‘Departed’”. Depois, não querem que andemos por aí a pensar coisas. Num filme em que DiCaprio procurará a nomeação que lhe falhou este ano, o mais provável é a mesma cair a qualquer um dos imponentes secundários. Por último, Up in the Air, de Jason Reitman. O pequeno-grande realizador, que nos deu o pequeno-grande Juno. Desta vez, com a companhia de George Clooney e Vera Farmiga, uma actriz que, um dia destes, aterra num papelão.

A Warner Bros. é o primeiro estúdio a entrar em acção. Watchmen deverá trazer uma boa receita de bilheteira, contudo, no que aos prémios diz respeito, Sherlock Holmes de Guy Ritchie deverá ser o nome a reter. As primeiras imagens do projecto são inspiradoras, no entanto, contínua tudo demasiado encoberto. O filme de Eastwood sobre Nelson Mandela, do qual falamos no inicio, e The Informant, de Steven Soderbergh, do qual já deixámos aqui uma primeira crítica, deverão estar no epicentro de muitas discussões, quando a próxima temporada se iniciar. Sobre Morgan Freeman, protagonista do filme de Eastwood, disse o realizador, “It seems to be the role he was born to play”. Quem parece também sempre destinada para aquele papel é Penélope Cruz, quando aterra num filme de Pedro Almodóvar. E, Broken Embraces não deverá ser excepção. A actriz, que entra em Nine, de Rob Marshall, poderá ter um 2009 ainda melhor.

Nine, poderá assinalar o regresso de Harvey Weinstein às grandes vitórias, depois de se ter afastado do irmão Bob. The Reader foi uma distracção. Nine é o verdadeiro alvo. E, depois da desilusão que foi o seu adiamento, muitos continuam a olhar para The Road, baseada livro de de Cormac McCarthy, como uma película a considerar. Weinstein sabe o que faz. Sobretudo, no que toca a capitalizar produtos. Os primeiros screens não deixaram boas impressões sobre o filme de John Hillcoat. No entanto, após alguns retoques, os novos visionamentos trouxeram-nos apreciações mais positivas. Viggo Mortensen poderá suplantar as magníficas interpretações com que já nos presenteou. Também sob a alçada Weinstein, All Good Things, de Andrew Jarecki, com Ryan Gosling e Frank Langella, e Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino. O teaser deixa-nos antever um gozo tremendo. Porém, banhos de sangue não tendem a rimar com Oscar.

Sundance mostrou alguns títulos independentes interessantes. A Sony Classics pegou em An Education, e a Lionsgate em Push: Based on the Novel by Sapphire, o grande vencedor. Mo’Nique saiu de Park City como a primeira candidata ao Oscar de Melhor Actriz Secundária de 2009. Acredite-se ou não, a campanha em torno da actriz já começou. 500 Days of Summer também passou por Sundance, e deixou muita gente bem impressionada. Especialmente com a subtileza do argumento.

Passando para a Miramax, Chéri, de Stephen Frears, que passou com distinção na recente Berlinale, poderá trazer a nomeação para o Oscar de Melhor Filme que Doubt não conseguiu este ano. Michelle Pfeiffer, longe de ter andado nas brumas de Mickey Rourke, poderá ser o comeback de 2009. The Tempest, de Julie Taymor, com Helen Mirren, pode ser uma agradável surpresa. Uma espécie de Transamerica no século XVII que poderá valer a Mirren a sua quinta nomeação. Da Columbia, Julie & Julia, de Nora Ephron, com Meryl Streep e Amy Adams. A ver vamos, se o reencontro trará as mesmas nomeações. Da MGM, o aguardado Brothers, de Jim Sheridan, que nunca mais chega.

No final, a Fox Searchlight Pictures. A companhia de Peter Rice que, finalmente, chegou ao Oscar este ano. O estúdio começou 2008 sem nada no bolso, chegou a Toronto, em Setembro, viu The Wrestler e Slumdog Millionaire e disse, Não é tarde nem é cedo. Em boa hora o fez. E, este ano, as coisas não parecem muito diferentes. O ano começa, e a Searchlight conta nas suas fileiras com Amelia, de Mira Nair, e pouco mais. Daqui a uns meses, veremos o que o estúdio comprou no circuito de festivais. Isto leva-nos aos filmes que, actualmente, não têm ainda uma distribuidora nos Estados Unidos, mas que poderão figurar na próxima temporada de prémios. Bright Star, de Jane Campion, Agora, de Alejandro Amenábar, Crazy Heart, de Scott Cooper, The Tree of Life, de Terence Mallick, Creation, de Jon Amiel, The Young Victoria, de Jean-Marc Vallée, e Man Who Stare at Goats, de Grant Heslov, o argumentista de Good Night, and Good Luck, que volta a trabalhar com George Clooney.

Caramba, em 2009 há Cinema para ver com fartura.

Alvy Singer

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Os discursos em Hollywood.

Ryan Adams, do Awards Daily, diz que “Of the 40 hours of TV Oscar analysis I’ve seen in the past 48, the depth of this 6-minute segment make the rest look like the cover of US magazine”. Depreendemos, destas palavras, que a capa da US Magazine não deve ser das preferidas de Adams. No entanto, não podemos deixar de partilhar desta opinião. Aqui fica o vídeo em questão, que aborda o tema da liberdade nos discursos deste ano, e lança uma pequena dúvida. Terá a rejeição da Proposition 8 influenciado os resultados de Dustin Lance Black e Sean Penn?

Alvy Singer

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Pineaplle Oscar.

Num espectáculo com uns quantos números imprevistos e muitas alterações ao que estávamos acostumados, onde colocar o segmento realizado por Judd Apatow, com James Franco e Seth Rogen? À primeira vista, um sketch inofensivo. Contudo, bem mais do que isso. Questões existenciais (Franco: “Who do you think is a better actor, Ronald Reagan or Barack Obama?”); o acondicionamento parcimonioso do espírito Apatoniano, em apenas três minutos; a redefinição de todo um género que pensávamos ser o de The Reader e Doubt; e, por último, o recurso ao mestre Janusz Kaminski, num cruzamento sempre enriquecedor entre diferentes áreas da sétima arte, naquilo que se traduziria, momentos mais tarde, na primeira presença em palco de um director de fotografia para apresentar um troféu.

Bruno Ramos

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Funny People - Trailer.

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Durante estes últimos dias, com o rodopio em torno dos Oscar, o maior receio é o de passar ao lado de uma qualquer novidade cinematográfica. Um teaser trailer, um poster, um anúncio de casting, o que seja. E, era isso que quase ia acontecendo com o recente trailer de Funny People. O próximo filme de Judd Apatow (The 40-Year-Old Virgin, Knocked Up), teve direito a alguns segundos no tal segmento que concluiu a cerimónia dos prémios da Academia de Hollywood. Mas, nada melhor do que três minutos dedicados, única e exclusivamente, à obra.

Desde Punch-Drunk Love (Paul Thomas Anderson, 2002), que aguardamos por um novo desempenho convincente de Adam Sandler – por estes lados, ainda não vimos Reign Over Me (Mike Binder, 2007). Depositamos na nova película de Apatow a esperança de um Sandler à altura do desafio, e um actor que não puxe o filme para baixo. Se a obra for má, caneco, que seja por culpa dela própria e mais ninguém. Funny People conta-nos a história de George Simmons (Sandler), um comediante de stand up de sucesso, que descobre ter uma doença terminal, e menos de um ano de vida. Ira Wright (Seth Rogen), é um aspirante a comediante, com motivação e talento, mas que ainda não se encontrou em palco. Quando Ira e George se cruzam num clube de comédia, o principiante chama à atenção do mais velho. George recruta então o novato Ira para seu assistente pessoal.

Para além de Sandler e Rogen, o filme conta com as participações de Leslie Mann, eric Bana, Jason Schwartzman, Jonah Hill e RZA. O trailer parece mostrar uma obra não tão cómica quanto as duas anteriores do cineasta. No entanto, segundo o próprio Apatow, “I'm trying to make a very serious movie that is twice as funny as my other movies. Wish me luck!”. Não seja por isso. Boa sorte!

Bruno Ramos

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Priceless.

O frasco de shampô que já não o é.

Alvy Singer

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"Estamos cinematograficamente muito mais pobres".

Na última sexta-feira, o Público deu conta das declarações à Lusa de Margarida Gil, presidente da Associação Portuguesa de Realizadores (APR). Segundo o jornal, a cineasta afirmou que a situação actual do cinema português é de asfixia e acusou o Instituto do Cinema e Audiovisual de paralisia.

Em declarações à Lusa, a realizadora Margarida Gil reconheceu que o ministro da Cultura se tem mostrado dialogante com a associação, mas lamentou que José António Pinto Ribeiro nada tenha feito para mudar uma situação de asfixia gritante. (…) A associação divulgou um comunicado no qual rejeita a actual política para o cinema, dando conta de manobras de gabinete que visam destruir, em lugar de alargar e aperfeiçoar, as estruturas de apoio ao cinema enquanto actividade artística. (…) A realizadora apontou críticas ainda ao critério de escolhas de filmes financiados pelo Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual (FICA), recordando que a maior fatia de investimento deste fundo é de empresas públicas.

As pessoas pensam que os dinheiros [do FICA] são privados, mas em 76 por cento são do Estado e estão a financiar filmes que são pornográficos, repelentes e que significam um andar para trás de um certo cinema, acusou Margarida Gil, referindo-se a esses filmes como cinema de alterne’”.

Hoje, a mesma publicação dá voz ao descontentamento do realizador José Fonseca e Costa.

O realizador José Fonseca e Costa afirmou hoje, em declarações à Lusa, que o sistema de apoio à produção, tutelado pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), além de profundamente injusto, é dirigismo puro, uma coisa digna do estalinismo. O cineasta, homenageado pelo 29º Fantasporto, que lhe dedica uma retrospectiva, considerou que ‘o ICA é a degenerescência do antigo Instituto Português do Cinema (IPC), instituição decisiva para o cinema português criada no tempo de Marcello Caetano’. Para Fonseca e Costa, ‘o ICA é um serviço burocrático que obriga qualquer projecto a regras absurdas definidas por portarias redigidas por quem rege aquele organismo. A portaria é uma forma totalitária e dirigista de governar. Só aprovam o que eles gostam. Puro estalinismo’”.

Mais à frente, depois de mais algumas considerações sobre o Estado, a Cinemateca, João Bénard da Costa e as distribuidoras.

"É por isso que hoje em dia só temos acesso a filmes americanos, quando há 30 anos havia muitas distribuidoras no país e chegavam aqui filmes não só dos Estados Unidos, mas de todo o mundo, França, Inglaterra, Itália, Suécia, Índia, Japão. Estamos cinematograficamente muito mais pobres".

Talvez a RTP ache que o Cinema em Portugal ainda não tem o peso suficiente para justificar um programa de duas horas e meia em horário nobre. No entanto, vou acalentando o sonho de um Prós e Contras com alguém como José Fonseca e Costa e Paulo Branco de um lado, e um secretário de Estado da Cultura e representante de uma grande distribuidora do outro. Seria uma oportunidade para ver de que lado da barricada se encontram alguns nomes sonantes da nossa praça.

Alvy Singer

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Oficial.

Ainda estamos a tentar perceber se estas são boas ou más noticias. O filme baseado na série de culto Arrested Development tem sofrido tantos transtornos, causados sobretudo por Michael Cera, que, por esta altura, nem mesmo os produtores parecem saber a quantas andam. Ou, melhor, se calhar até sabem, não querem é revelar o estado da pré-produção. Numa entrevista a despachar, na passadeira vermelha dos Oscars, Ron Howard confirmou à MtvNews que o filme é uma certeza. No entanto, não assegurou que todos estivessem a bordo, “We've been asked to no longer divulge anything or get into the game of who's in, who's out”. O mistério adensa-se e, por esta altura, é arriscado dizer que todos regressarão à película para recuperar os seus papéis. Gostávamos que acontecesse. No entanto, não fazemos disso um pé de guerra. Basta recordar a presença fictícia de Marlon Brando em The Godfather: Part II, para lembrarmo-nos de que não existem imprescindíveis. Afinal de contas, parece que são mesmo boas notícias. Aqui fica o vídeo.

Bruno Ramos

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Freida Pinto e Naomi Watts, no próximo de Woody Allen.

Com a vitória de Penélope Cruz, Woody Allen juntou-se ao grupo de realizadores, composto por Martin Scorsese, John Ford, Clint Eastwood, e George Cukor, que dirigiram cinco actores a uma vitória nas categorias de interpretação nos Oscars. À frente destes, apenas Fred Zinnemann (6), Elia Kazan (9), e William Wyler (13). Daí que muito actor em busca da estatueta dourada possa olhar para o cineasta, que este ano nos trará Whatever Works, como uma espécie de quinto elemento. Aquele que põe tudo a funcionar. Agora, outros entregar-se-ão às mãos de Allen, apenas pelo prazer de trabalhar como um dos mais influentes realizadores de todos os tempos – que a EW se atreveu a deixar de fora na lista dos 25 melhores da actualidade –, e viver a experiência de uma vida. Estamos em crer que terá sido mais essa a razão de Freida Pinto. Ontem, ao ser questionada pelo Today Show sobre uma eventual colaboração no próximo filme de Woody Allen, a estrela de Slumdog Millionaire respondeu “Yes, it's up (begins) in July (09). So thank you, Danny Boyle, for helping me take off”. Esta manhã, o CanMag não só confirma, como acrescenta que Naomi Watts será a outra actriz do projecto. As duas juntam-se, assim, aos já conhecidos Josh Brolin e Anthony Hopkins. Mas, vamos por partes, e venham de lá mas é primeiro as peripécias de Larry David e Evan Rachel Wood. Obrigado à Ritha, pelo alerta.

Bruno Ramos

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Trocar Syriana por Darfur.

Acabo de assistir na CNN a uma entrevista de Larry King com George Clooney. Uma conversa que gostava de poder passar na íntegra para este blog. No entanto, mesmo que tivesse gravado o programa, não saberia que caminhos percorrer para, por artes mágicas, transpor o vídeo para este espaço. Porém, vai ganhando cada vez mais consistência a ideia de que se existe um vídeo, já chegou ao Youtube. Esta invenção espirituosa de três visionários é a engenhoca mais útil para a humanidade desde os recipientes de cereais. Sem nada a perder, trinta minutos depois de o programa terminar, lá fui à Meca da violação dos direitos de autor, a ver se encontrava a dita entrevista. E, não é que um sacana chamado lovparis09 já tinha feito o upload? Caramba, isto é que é eficiência. No site da CNN, podemos ler também um artigo sobre a reunião de George Clooney com o presidente Obama, e o vice-presidente Joe Biden. Um encontro sobre a situação no Darfur, promovido pelo actor e activista. O envolvimento de Clooney nesta causa não é de hoje. Como é bom ver que alguns membros de Hollywood olham para lá das colinas de Los Angeles.

Alvy Singer

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segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Três minutos de adeus.

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Um dos momentos mais polémicos da noite. Com o elenco e equipa de Slumdog Millionaire em cima do palco, a festejar a grande vitória, lá apareceu Hugh Jackman para as despedidas. Para muitos, um simples bem-haja e até à próxima teria bastado. Porém, a Academia optou por outra abordagem. O marketing e publicidade já conheceram melhores dias, e nada melhor do que começar já a promover alguns dos títulos que se aproximam. O tempo de antena é precioso, e a AMPAS resolveu deixar um sugestivo lamiré do que podemos esperar para 2009. É certo que, em meados de Fevereiro, arranjar imagens dos principais candidatos aos Oscar do próximo ano será tarefa difícil. Em 2004, por esta altura, Clint Eastwood não tinha ainda começado a rodagem de Million Dollar Baby. Para muitos, isto foi descabido. Em nosso entender, não deixa de ser uma solução curiosa para dar o espectáculo por encerrado. Neste lote, surpreendem sobretudo as escolhas de An Education – filme que nos levou a falar aqui de Carey Mullingan –, e 500 Days of Summer – sobre o qual manifestámos já as nossas elevadas expectativas, e vimos o teaser. Aqui fica o vídeo com essas imagens.

Alvy Singer

Maior auditório.

Há quem atribua a subida das audiências ao recrutamento de estrelas adolescentes como Miley Cyrus, Zac Efron, Vanessa Hudgens, Robert Pattinson ou Amanda Seyfried. Há quem diga que, em tempos de crise, não se saí de casa, e nada resta senão ver o que está a dar na televisão. Há quem diga que o espectáculo foi melhor do que em anos anteriores, e os filmes a concurso diziam alguma coisa a muito boa gente. Seja qual for a explicação, ou conjunto delas, a verdade é que a emissão de ontem suplantou a de 2008, em quase todos os aspectos. Para Larry Mark e Bill Condon, no mais importante de todos. O share. De acordo com o Deadline Hollywood Daily.

News reports this morning say the 81st Academy Awards broadcast delivered increased ratings in the 50 or so biggest U.S. markets, up about 6% over 2008 which registered the lowest ratings in the history of the telecast. New York delivered the largest rating Sunday (34.1/49 share), followed by Chicago (31.2/46) and Los Angeles (28.1/44). For the night, ABC beat the combined household delivery of CBS, NBC and Fox by roughly 30%. If this holds (and a more complete Nielsen report will come out later today), then Oscars producers Larry Mark and Bill Condon, as well as host Hugh Jackman, and director Roger Goodman, and designer David Rockwell, did AMPAS proud by at least reversing the recent downward spiral”.

E, a espelhar o contentamento que parece percorrer a maioria dos espectadores, aqui ficam as considerações do calejado Roger Ebert. Na sua página, podemos constatar o quão gostou da cerimónia o douto crítico de Cinema.

It was the best Oscar show I've ever seen, and I've seen plenty. The Academy couldn't bring it in under three and a half hours, but maybe they simply couldn't, given the number of categories. What they did do was make the time seem to pass more quickly, and more entertainingly. And they finally cleared the logjams involved in simply reading the names of nominees. By bringing out former winners to single out each of the acting nominees and praise their work, they replaced the reading of lists with a surprisingly heart-warming new approach. I had a feeling Hugh Jackman would be a charmer as host, and he was”.

Foi, sim senhor. Fontes não oficiais dão conta que uma petição foi ontem aberta na Academia de Hollywood, no sentido de facultar leques e lenços para as senhoras que se sentarem nas primeiras filas da plateia, da próxima vez que Jackman for o anfitrião.

Bruno Ramos

Índia, Live.

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Slumdog Millionaire foi o grande vencedor da noite. O filme arrecadou oito estatuetas em dez possíveis. Nove, se quisermos ser simpáticos, dado que só conquistaria todas se A.R. Rahman empatasse consigo mesmo na categoria de Melhor Canção Original. A obra de Danny Boyle torna-se na segunda que mais estatuetas amealhou nesta década. E, tirando os colossos Titanic (1997) e The Lord of the Rings: The Return of the King (2003), é preciso recuar até 1996 para encontrar um título com mais Oscars, The English Patient. Slumdog Millionaire junta-se, assim, aos ilustres LOTR: The Return of the King (2003), Bravehearth (1995), Gigi (1958), Around the World in Eighty Days (1956), The Greatest Show on Earth (1952), An American in Paris (1951), Grand Hotel (1932), All Quiet on the Western Front (1930), e Wings (1927), no selecto grupo de obras que arrebataram o Oscar de Melhor Filme, sem estarem nomeadas em qualquer categoria de interpretação. No filme de Boyle, as gentes de Mumbai assistem, pela televisão, à epopeia de Jamal. Ontem, nas mesmas ruas, seguiu-se de perto a consagração de Slumdog Millionaire. O The Huffington Post tem algumas fotografias que o documentam. O Yahoo, também. Aqui fica uma peça da CNN sobre o assunto.

Alvy Singer

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Desanuviar.

Porque isto hoje é uma injecção de Oscars, apanhemos um pouco de ar. Serenemos um pouco esta vontade de continuar a falar nos prémios da Academia, e olhemos para outras realidades. Há coisa de um mês, advertimos neste espaço para a estranha proximidade da estreia de Ponyo on the Cliff by the Sea. Na última sexta-feira, as suspeitas confirmaram-se. Agora o título de Hayao Miyazaki tem lançamento marcado para 23 de Julho, e não 16 de Março. Coisa pouca. Três meses. Agora, porque é que continuamos a achar que este filme dificilmente estreará este ano? E, mesmo que estreie, deverá ser naquela altura em que, em vez de pipocas, deveriam vender-se castanhas assadas ao balcão. Por vezes, estas listas de estreias com dezenas de títulos, com tantos avanços, recuos e súbitas quedas, fazem lembrar aquelas folhas de ponto cheias de palha que alguns espertalhões faziam questão de redigir nos exames, na esperança de ludibriar o prof. Se calhar, alguns safavam-se.

Alvy Singer

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Já está.

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Irónico. Da mesma forma que no melhor pano cai a nódoa, no pior ano cai a melhor cerimónia. Pelo menos, melhor nos últimos dez anos. A fazer lembrar as primeiras, e mais irreverentes de Billy Cristal. Hugh Jackman vence o desafio e sai por cima. Diferente de tudo aquilo que tínhamos visto até aqui. A Jackman não foi pedido que animasse os momentos mortos entre categorias, com uma qualquer piada de ocasião sobre um filme a concurso ou celebridade. Antes, foram-lhe solicitadas doses consideráveis de energia a espaços, para elevar o espectáculo a níveis de entretenimento que estamos pouco habituados. Jackman aparecia com a mesma facilidade com que desaparecia. Quase nos esquecíamos que estava lá. Como The Joker, ou o Tubarão. Mas, volta e meia, lá voltava ele para revirar a emissão. Houve quem não apreciasse muito a ideia dos cinco vencedores no passado em cima do palco, para presentear e dar as boas vindas ao clube, ao mais recente membro. Em nosso entender, a Academia esteve bem. Quanto mais não seja porque este formato poderá levar um cinéfilo mais petiz a deparar-se pela primeira vez com o nome de uma Eva Marie Sant ou um Joel Grey. A memória também é isto. Ao mesmo tempo, a apresentação do nomeado parece mais informal, quando feita por uma pessoa apenas, que sobe ao palco para dirigir-lhe algumas palavras. Aproxima o candidato do espectáculo, e o espectáculo do espectador, em casa, a quilómetros de distância. Mesmo com mais de três horas, há quem considere que a transmissão passou a correr. Acima de tudo, o que importa aqui é ter à disposição tempo suficiente para digerir os vencedores e lidar com os sentimentos. Cerca de 190 minutos, estamos em crer, chegam e sobram. No final, a previsibilidade de tantos e tantos anos. A imagem que fica é a de uma cerimónia renovada por fora, igual por dentro. Contudo, como não poderia deixar de ser, a única verdadeira surpresa da noite roçou o incompreensível. O filme que ontem saltou para o topo da lista dos A não perder, às 3h45 da madrugada, foi Departures. Se alguém já viu, que se acuse.

Bruno Ramos

Melhor Discurso.

Quando a noite começou, tínhamos a secreta esperança de que Wall-E pudesse fazer História, e conquistar a estatueta na categoria de Melhor Argumento Original. Milk chegou-se à frente, e Dustin Lance Black juntou o Oscar ao Writers Guild. Pessoal, expressivo e encorajador, Black não se limitou a agradecer. Foi mais longe, e foi o melhor em palco.

Alvy Singer

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Jai Ho!

Depois de uma maratona dos Oscar, uma que não chegou aos 200 minutos, seguramente haverá muito a dizer. Enquanto alguns vencedores caem-nos no goto que nem ginja, outros há que cravam dolorosos espinhos na nossa boa disposição. No final, afortunados aqueles que não sentem um misto de satisfação com desapontamento. No entanto, este ano foi diferente. E, na opinião deste que se assina, para pior. Possivelmente, o ano cinematográfico mais fraco de que há memória. Inferior, inclusive, a 2002. Talvez a greve dos argumentistas no final de 2007 tenha sido responsável. Talvez a recessão que agora dá os primeiros passos. Não sabemos. Os filmes que chegam aos Oscar continuam a ser obras de inegável valor. Uns mais consensuais do que outros. Agora, depois da desilusão aquando do anúncio de alguns dos nomeados, esperávamos que a Academia tivesse a coragem de demarcar este ano dos demais, quando o próprio não pareceu motivado para fazê-lo. Waltz With Bashir, Wall-E e The Dark Knight. Nunca tivemos tanta vontade de olhar em frente, e ver aquilo que nos traz a nova rodada de filmes. Aqui ficam os nossos mais e melhores da noite.

Melhor Discurso – Dustin Lance Black, Milk
Melhor Momento – O assobio do pai de Kate Winslet
Melhores Apresentadores – Tina Fey e Steve Martin
Melhor gag – Robert De Niro, a introduzir Sean Penn
Melhor Máscara de Carnaval – Ben Stiller
Mais Inesperado – Departures
Mais Político – Sean Penn, Milk
Mais Emocionado – Adrien Brody durante o discurso da família de Heath Ledger
Mais Luís de Matos – Phillipe Petit, e o truque da moeda
Mais Circense – Phillipe Petit, e o Oscar no queixo
Melhor de Hugh Jackman – A Abertura
Melhor da Academia – A homenagem aos Musicais

Alvy Singer

81ª Edição dos Oscars.

A cru. Eis os vencedores.

Melhor FilmeSlumdog Millionaire
Melhor Realizador – Danny Boyle, Slumdog Millionaire
Melhor Actor – Sean Penn, Milk
Melhor Actriz – Kate Winslet, The Reader
Melhor Actor Secundário – Heath Ledger, The Dark Knight
Melhor Actriz Secundária – Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona
Melhor Argumento OriginalMilk
Melhor Argumento Adaptado Slumdog Millionaire
Melhor Filme de Língua EstrangeiraDepartures
Melhor Filme de Animação Wall-E
Melhor Documentário Man on Wire
Melhor FotografiaSlumdog Millionaire
Melhor MontagemSlumdog Millionaire
Melhor Banda SonoraSlumdog Millionaire
Melhor Canção Original – Jai Ho, Slumdog Millionaire
Melhor Direcção ArtísticaThe Curious Case of Benjamin Button
Melhores Efeitos Sonoros Slumdog Millionaire
Melhor Montagem de Som The Dark Knight
Melhores Efeitos Visuais The Curious Case of Benjamin Button
Melhor Guarda-RoupaThe Duchess
Melhor CaracterizaçãoThe Curious Case of Benjamin Button
Melhor Curta-MetragemSpielzeugland
Melhor Curta-Metragem de Animação La Maison en Petits Cubes
Melhor Curta-Metragem de Documentário Smile Pinki

Bruno Ramos

domingo, fevereiro 22, 2009

Previsões - Final.

E, resume-se a isto. Prever os vencedores. Daqui a sensivelmente três horas, estaremos colados ao ecrã, na E!, a assistir à passadeira vermelha. Duas horas depois, começa o espectáculo. Amanhã é que vão ser elas. Mas, um dia não são dias. E, a festa dos Oscar é diferente de todas as outras. Este post será actualizado lá mais para a frente, com links de sítios onde a cerimónia poderá ser seguida via Internet - por cá, a transmissão estará a cargo da Tvi, como tem sido habitual nos últimos anos. No entanto, imutável, será esta lista de favoritos. Estão convidados a fazer o mesmo, aqueles que acharem por bem dar a conhecer as suas inclinações. Não terá de ser, forçosamente, em todas as categorias. Poderá ser apenas nas principais. Mas, vamos a isto que se faz tarde.

Melhor FilmeSlumdog Millionaire
Melhor Realizador – Gus Van Sant, Milk
Melhor Actor – Frank Langella, Frost/Nixon
Melhor Actriz – Kate Winslet, The Reader
Melhor Actor Secundário – Heath Ledger, The Dark Knight
Melhor Actriz Secundária – Taraji P. Henson, The Curious Case of Benjamin Button
Melhor Argumento Original Milk
Melhor Argumento AdaptadoSlumdog Millionaire
Melhor Filme de Língua EstrangeiraWaltz With Bashir
Melhor Filme de AnimaçãoWall-E
Melhor DocumentárioMan on Wire
Melhor FotografiaSlumdog Millionaire
Melhor MontagemSlumdog Millionaire
Melhor Banda Sonora The Curious Case of Benjamin Button
Melhor Canção Original – Down to Earth, Wall-E
Melhor Direcção ArtisticaThe Curious Case of Benjamin Button
Melhores Efeitos Sonoros The Dark Knight
Melhor Montagem de SomThe Dark Knight
Melhores Efeitos Visuais The Curious Case of Benjamin Button
Melhor Guarda-Roupa The Duchess
Melhor CaracterizaçãoThe Dark Knight
Melhor Curta-Metragem Auf der Strecke
Melhor Curta-Metragem de Animação Presto
Melhor Curta-Metragem de DocumentárioThe Final Inch

Uma boa noite para todos.

Update - Aqui fica o programa das festas. A ordem e hora a que os prémios serão entregues. Ao mesmo tempo, possivelmente, uma primeira hipótese para acompanhar a cerimónia via Internet. Página da ABC com a cobertura da passadeira vermelha – inicio previsto para as 23H. Transmissão, também do red carpet, da E!.

Bruno Ramos

Previsões - Melhor Filme.

Eis que somos chegados à principal categoria. À última da noite. Aquela que só lá para as cinco da manhã terá um vencedor. O Oscar de Melhor Filme é, para muitos, um dos que já está atribuído. O filme de Danny Boyle é o grande favorito e, muito boa gente acha que The Curious Case of Benjamin Button, Milk, The Reader e Frost/Nixon, nem cócegas conseguirão fazer. Até pode ser. No entanto, nada nos garante que a Academia não fará uma das suas, e atribua a estatueta a um dos outros quatro. Vejamos como estas cinco películas se comportaram ao longo da temporada.

Slumdog Millionaire, com dez nomeações, leva vantagem. Disso, não tenhamos dúvidas. O filme ganhou nos Globos de Ouro, Screen Actors Guild, Directors Guild, Producers Guild, Writers Guild, American Society of Cinematographers, American Cinema Editors, Art Directors Guild e BAFTA. Tudo. O primeiro filme a fazê-lo. Da mesma forma, caso não ganhe esta noite, torna-se na primeira obra a triunfar nestes predecessores, e falhar o Oscar. As probabilidades e estatística jogam a seu favor. Será uma enorme surpresa, se Slumdog Millionaire não vencer na categoria de Melhor Filme. The Curious Case of Benjamin Button é o mais nomeado. Treze, no total. No entanto, o troféu mais importante que ganhou até agora foi o de Melhor Realizador, na National Board of Review. Como Melhor Filme, nem nos principais círculos de críticos. Já com Milk, a história não é bem assim. Nos Broadcast Film Association Awards, o filme ganhou na categoria de Melhor Elenco. Nos círculos de Nova Iorque, São Francisco, e Southeastern, Melhor Filme. É, para Roger Ebert, a melhor película do ano. Ebert, o mesmo que previu a vitória de Crash. Frost/Nixon, de Ron Howard, tem poucas hipóteses. O círculo de Las Vegas perdeu-se de amores pela obra, e atribuiu-lhe o galardão de Melhor Filme. Único prémio do género. Ganhar esta noite seria o início de um tumulto. Por sua vez, a vitória de The Reader seria o princípio do fim da Academia. As múltiplas vitórias de Kate Winslet catapultaram o filme de Stephen Daldry, que não venceu o principal prémio, em qualquer um dos barómetros da temporada. Triunfar esta noite, serviria apenas para homenagear Sydney Pollack e Anthony Minghella.

Bruno Ramos

Previsões - Banda Sonora.

A hora da cerimónia aproxima-se, e a excitação aumenta. Um cocktail explosivo de glândulas sudoríferas em agitação, tremeliques de nervoso miudinho, e espasmos de ansiedade, é aquilo que se pode esperar nas próximas seis horas. No sentido de descansarmos um pouco, e acalmarmos durante alguns minutos, deixemos aqui as palavras de Bernardo Sena, verdadeiro guru das partituras, um tipo que respira bandas sonoras. Esta tarde, desafiei-o, por mail, a deixar o seu vaticínio nas categorias que mais lhe dizem. A resposta, directa e pragmática, não se fez esperar.

Queria que o Oscar de melhor banda sonora fosse para The Curious Case of Benjamim Button do Alexandre Desplat. Das cinco nomeadas é claramente a melhor. Acho é que, infelizmente, ganhará a do Slumdog Millionaire, o que será péssimo. A partitura não tem qualidade comparada com as outras.

O mesmo ja tinha acontecido com Babel e Brokeback Mountain (que nunca deviam ter ganho). Por isso, estas escolhas da Academia já não me admiram. Deveria apenas ganhar, isso sim, na categoria de melhor canção original (aquela que abre o filme, "O Saya" que cola muito bem com as imagens).

Não ganha, seguramente, a banda sonora do Defiance, do James Newton Howard. O filme é fraco, embora seja um dos meus compositores preferidos.

Também não ganhará Milk do Danny Elfman. Só estar nomeada é muito bom – se ganhar qualquer uma destas duas é uma surpresa descomunal.

Wall-E, do Thomas Newman, também pode ganhar, talvez por o compositor já merecer um Oscar há séculos... Mas, de qualquer modo, duvido muito. Acho uma pena não estar nomeada a partitura do Revolutionary Road, também do Thomas Newman.

Na primeira linha estão, assim, claramente, Benjamim Button e Slumdog”.

Assinamos por baixo.

Alvy Singer

Previsões - Efeitos Visuais.

Melhor Actor, Actriz, Actriz Secundária, Argumento Original, Argumento Adaptado e Fotografia não são as únicas categorias em aberto. O que dizer da de Melhores Efeitos Visuais? The Dark Knight, The Curious Case of Benjamin Button e Iron Man. Ontem, teve lugar a cerimónia da Visual Effects Society, e o mal foi distribuído pelas aldeias da seguinte forma:

The Curious Case of Benjamin Button:
Best Visual Effects in a Visual Effects Driven Movie
Best Single Visual Effect of the Year
Best Animated Character in a Live Action Movie
Best Compositing

The Dark Knight:
Best Models & Miniatures
Best Created Environment
Best Special Effects.

Wall-E
Best Character Animation
Best Effects Animation
Outstanding animation

Iron Man, o mais nomeado para o certame, ficou com uma mão vazia e outra cheia de nada. Benjamin Button foi o grande vencedor, e arrecadou os troféus nas principais categorias. E, para a AMPAS, que não demonstrou o afecto que muitos esperavam pela película de Christopher Nolan, o rumo pode ser o mesmo. Aliás, em três categorias, Efeitos Visuais, Som e Montagem de Som, The Dark Knight arrisca-se a levar o Oscar apenas pela última – Wall-E venceu ontem o troféu de Melhores Efeitos Sonoros, na edição dos Sound Editors Golden Reel Awards. Esta é uma das muitas cenas que suporta o nosso apoio pelo cavaleiro das trevas, no que aos efeitos especiais diz respeito.

Bruno Ramos

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Ontem, nos Spirit Awards.

Há quem faça discursos de agradecimento, há quem seja animador de público. Ao longo da temporada, Mickey Rourke tem-se soltado cada vez mais, sempre que sobe ao palco para receber um prémio pelo seu desempenho em The Wrestler. Caso ganhe, esta noite, 45 segundos não bastarão. Entre Sean Penn e Mickey Rourke, esperemos que dê empate. Isso é que era espectacular. Man, you deserve it, diria Penn. No, you fuck**g deserve it, man, responderia Rourke. Mas, que chatice, este zumbido atrás da orelha que não pára de dizer My… Frank… Langella. É do mesmo fabricante do murmúrio My… Precious.

Bruno Ramos

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Got Milk.

Sean Penn rivaliza com a velha máxima de William Somerset Maugham, de que apenas os medíocres estão sempre no seu máximo. Seja qual for o filme, seja qual for o papel, seja qual for a cena, Sean Penn faz questão de não ser Sean Penn em prol da personagem que incarna. E, Harvey Milk não é excepção. Poucos são os predestinados que nunca se enganam, e raramente têm dúvidas. Contudo, não sendo uma certeza, é uma forte convicção. Se Sean Penn não tivesse ganho já um Oscar, por Mystic River, este seria o ano da sua consagração. Ainda assim, acreditamos que o actor tem mais hipóteses do que a maioria julga. Acima de tudo, achamos que Milk não poderá ir 0-8. Em oito nomeações, alguma delas cairá no bucho. A mais provável, em nosso entender, continua a ser a de Melhor Argumento Original. Montagem, banda sonora, e guarda-roupa não devem traduzir-se em vitórias. Elliot Graham é um estreante que pouco ou nada ganhou nesta temporada, Danny Elfman tem forte concorrência de A.R. Rahman e Alexandre Desplat, e The Duchess deve bater tudo e todos no ramo do vestuário. No entanto, se a Academia achar que Slumdog Millionaire sairá do Kodak Theater com a principal estatueta, Melhor Argumento Adaptado, e mais três ou quatro técnicas, surgirá com naturalidade a vontade de premiar um título mais próximo, mais caseiro e, porque não dizê-lo, mais consensual. Sim, porque apesar de o filme de Danny Boyle poder ter mais apoiantes, também há quem não possa com ele. Com Milk, não é bem assim. Deste modo, Sean Penn poderá facilmente chegar ao segundo Oscar. No entanto, esta crença poderá ser ainda mais decisiva na categoria de Melhor Realizador. Gus Van Sant é um nome influente na indústria. Em Hollywood, já deu provas da sua versatilidade, optando tantas vezes por um registo mais experimental como mainstream. Nesta sua última obra, foi exímio no equilíbrio destas duas correntes. Podemos questionar se existe algum cineasta nomeado esta noite, com uma carreira tão rica e vasta quanto Gus Van Sant. Para alguns, a resposta provavelmente será sim. Porém, Fincher tem poucas hipóteses. Com relativa facilidade, conseguimos visualizar a capa do Dvd e Blu Ray de Milk, Vencedor de 3 Oscares – Melhor Actor, Realizador e Argumento Adaptado. Em Slumdog Millionaire, não existe um plano tão encantador como aquele do apito caído no passeio. Sobre esta cena, disse o director de fotografia, Harris Savides.

"It’s really simple and it wasn’t planned at all. We were shooting the scene and the last shot that night was a close-up of the whistle. Gus and I were talking and we thought it would be great if we saw the whole scene in this whistle, and Gus made it happen in post. They took one of the shots and put it in this shot, the close-up of the whistle we got. I was surprised that it happened at all. But that kind of stuff, especially with Gus, is very on the fly. There’s no storyboards”.

É por essas e por outras que Gus Van Sant pode ter sorte mais logo.

Bruno Ramos

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Barber shop.

Já estamos em estágio para logo à noite. Este será um dia de repouso absoluto. O objectivo passa por não mexer uma palha, dentro do possível, poupar o máximo de energia, e andar aqui à volta do computador a ver o que se diz, à última da hora, sobre os Oscar. Por agora, gostaríamos de informar que estão abertas as caixas de votação na coluna da direita. O voto não será para quem merece, mas quem vai ganhar. A justiça, ou falta dela, deixemos para amanhã. Mais logo, deixaremos as nossas previsões num outro post, e pediremos que façam o mesmo. Até lá, continuaremos a olhar minuciosamente para estes dados facultados pelo The Guardian, e a tentar encontrar correspondências com os nomeados deste ano. A influência de uma permanente. Com este cabelo, Mickey Rourke não vai a lado nenhum.

Alvy Singer

sábado, fevereiro 21, 2009

Previsões - Realizador.

A última vez que os cinco nomeados na categoria de Melhor Realizador foram também os cineastas por detrás das cinco obras nomeadas para o Oscar de Melhor Filme, foi em 2005. Nesse ano, a Academia resolveu premiar Ang Lee por Brokeback Mountain e atribuir a principal estatueta a Crash, de Paul Haggis. Este ano, voltamos a ter essa rara correspondência nas duas categorias.

Danny Boyle, por Slumdog Millionaire, é de longe, lá dos confins de Bombaim, o melhor colocado. Boyle venceu nos Globos de Ouro, BAFTA, Broadcast Film Critics Association, Satellite Awards e, mais importante, no Directors Guild. Para além destes, os círculos de críticos de Los Angeles, Chicago e Florida. Boyle realiza o principal candidato aos Oscar, tem o apoio da maioria da crítica, e há quem pense que já merece uma estatueta na estante do escritório. Por esta altura, acreditamos ser ligeiramente mais provável Boyle levar um Oscar do que Slumdog Millionaire ganhar na principal categoria. No entanto, o mais certo é os dois saírem como vencedores. No entanto, Gus Van Sant pode surpreender. É certo que o cineasta apenas triunfou nos círculos de Boston e São Francisco, porém, quer-nos parece que existe simpatia na Academia pelo trabalho do realizador. Contudo, não será tarefa fácil, e é imprescindível que a campanha em torno de Milk tenha percebido isso. Gus Van Sant é um cineasta com créditos firmados, e um dos que começamos a estranhar por não ter ainda um Oscar no currículo. David Fincher ganhou o prémio da National Board of Review. Se a Academia quiser agraciá-lo pelo projecto mais ambicioso da sua carreira, este será o vencedor. No entanto, aqui acontece o inverso de Slumdog Millionaire. Parece-nos mais provável The Curious Case of Benjamin Button arrebatar o Oscar de Melhor Filme, do que David Fincher chegar-se à frente. Roh Howard, por Frost/Nixon, vai na sua segunda nomeação para um Oscar de Melhor Realizador. Ganhou o primeiro. Há pouco tempo. Tem tempo para ganhar um segundo. Este ano, deverá ficar-se pela vitória no círculo de Las Vegas. Por último, Stephen Daldry, por The Reader. A surpresa no lote de finalistas. Daldry chegou onde esperávamos ter visto chegar Christopher Nolan, Clint Eastwood, Darren Aronofsky, Sam Mendes, ou Mike Leigh. Será que a máquina Weinstein continuará a carburar o suficiente para Daldry levar o Oscar para casa? Se Winslet consegue aguentar cinco nomeações sem nunca ter ganho, Daldry ainda poderá esperar mais duas idas ao Kodak Theater sem resultados práticos.

Bruno Ramos

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Oscar School Musical.

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A E! online tem algumas novidades sobre o espectáculo do próximo domingo, e quem fará companhia a Hugh Jackman, para além de Queen Latifah, nas cantorias.

Several sources say that the Aussie hunk will be joined on stage by Beyoncé, High School Musical stars and real-life couple Zac Efron and Vanessa Hudgens and Mamma Mia!’s Amanda Seyfried. Dominic Cooper, Seyfried’s costar and rumored boyfriend, will also likely participate, but I’m told scheduling conflicts still have to be resolved to make it work. One source tells me that Jackman and Beyoncé have been rehearsing at the Baryshnikov Arts Center in New York City”.

Por esta altura já estamos fartos de saber que os produtores da cerimónia, mais do que ninguém, delegam esforços no sentido de colocar o share de audiências novamente lá em cima. E, parece que estão mesmo dispostos a tudo para o conseguir. Não temos nada contra Zac Efron, Vanessa Hudgens ou Amanda Seyfried, mas existe um certame lá para meados de Agosto, os Teen Choice Awards, onde as suas presenças serão um pouco mais adequadas. Parece que estas aparições farão parte de um tributo a musicais. Em vez de Efron, escolheríamos um Ewan McGregor, de Hudgens, uma Amy Adams, e de Seyfried, uma Jennifer Hudson. Mas, vamos ver no que isto dá. Até pode ser que saia daqui um brilharete. Aqui fica um vídeo com a preparação de Hugh Jackman.

Alvy Singer

Los Abrazos Rotos - Teaser.

Aí está o teaser trailer de Los Abrazos Rotos, o próximo filme de Pedro Almodóvar. O mesmo é dizer, o provável candidato de Espanha a um Oscar em 2010. O teaser tem tanto de misterioso como de fascinante. E, é precisamente isso que se pretende nestes casos. Deixar água na boca. Até mesmo do guião, pouco ou nada se sabe. Almodóvar tem mantido a história em segredo e, por agora, a informação que circula pela net diz-nos que o filme relata a existência de Mateo Blanco (Lluis Homar), um realizador que escreve e ama na escuridão. Mateo foi vítima de um acidente de viação há catorze anos. Não só perdeu a visão, como a mulher da sua vida, a actriz Lena (Penélope Cruz). Recorde-se que Mateo Blanco foi o nome que Almodóvar adoptou para a curta-metragem La Concejala Antropófa, spin-off de Los Abrazos Rotos. Em Espanha, o filme tem estreia prevista para 18 de Março.

Bruno Ramos

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Home Run.

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Depois do inspiradíssimo teaser trailer, a Empire deu hoje a conhecer os três primeiros teaser posters de Inglourious Basterds. Aquele que serve de ilustração a este post é, em nosso entender, o mais crazy badass motherf***er dos três. De certeza que já anda por aí alguém a correr para uma gráfica a ver se imprime isto para emoldurar depois lá em casa. O capacete de um nazi pendurado num bastão de basebol. Ambos com marcas visíveis de algumas festinhas. Uma imagem poderosa com estilo até dizer chega. Este bastão é pertença do Sargento Donnie Donnowitz (Eli Roth), um dos membros do grupo às ordens do Tenente Aldo Raines (Brad Pitt). Alcunha deste sargento, The Bear Jew. Está tudo dito. O poster do punhal também tem que se lhe diga. Para ver os três, é aceder ao site da Empire.

Alvy Singer

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Carnaval na EW.

A Entertainment Weekly publicou recentemente a sua lista dos 25 Melhores Realizadores no activo.

1. Steven Spielberg
2. Peter Jackson
3. Martin Scorsese
4. Christopher Nolan
5. Steven Soderbergh
6. Ridley Scott
7. Quentin Tarantino
8. Michael Mann
9. James Cameron
10. Joel and Ethan Coen
11. Guillermo del Toro
12. David Fincher
13. Tim Burton
14. Judd Apatow
15. Sam Raimi
16. Zack Snyder
17. Darren Aronofsky
18. Danny Boyle
19. Clint Eastwood
20. Ron Howard
21. Ang Lee
22. Paul Thomas Anderson
23. Paul Greengrass
24. Pedro Almodóvar
25. Jon Favreau

Isto das artes e das listas é sempre mais do que subjectivo. No entanto, quem no seu perfeito juízo coloca Jon Favreu ou Danny Boyle neste lote, e deixa de fora Woody Allen? E, quem diz Allen, diz David Lynch, por exemplo. Já não falamos de Ron Howard. Mas, caramba, tanta gente à frente de Clint Eastwood. O que é que esta malta anda a meter no chá? Até mesmo a décima primeira posição de Guillermo del Toro, por quem nutrimos a maior estima e consideração, custa a engolir.

Alvy Singer

Fight Club.

Num post mais abaixo, dedicado a algumas das obras mais marcantes de 1999, disse de Fight Club, o seguinte.

10 – Fight Club (David Fincher) – Um filme sobre uns quantos revoltados que passam os tempos mortos à bulha, e a mandar valentes sopapos uns nos outros, em nome da anarquia e oposição à sociedade de consumo, e que acaba por ser tudo menos isso”.

O leitor deste espaço Fifeco retorquiu na secção de comentários.

Reduzir Fight Club a essas palavras, ou, pelo menos, da forma como o fez é quase criminoso. A obra de Fincher é tão complexa e magnificente que não merece, quanto a mim, ser reduzida a palavras com tão pouco significado”.

Ora, ao focar este ponto, o Fifeco tocou num ponto sensível. Por duas ordens de razões. A primeira, acusação de violar a lei. Se há coisa que procuro evitar no quotidiano, é infringir a ordem. O sistema nervoso autónomo simpático entra em ebulição, e sou incapaz de concentrar-me no quer que seja, assim que meto o pé na poça. Há quem lhe chame neurose. Prefiro acreditar que seja o resultado de uma educação mais rígida. Ainda hoje, sempre que ouço a sirene de um carro da polícia, acho que é uma equipa CSI à minha procura, a querer saber onde é que eu estava naquela tarde soalheira de 1989, quando a bola insuflável desapareceu da varanda do vizinho e comerciante Sr. Osvaldo. Se o remorso matasse. A segunda, por lamentar os parcos – ou inexistentes – adjectivos utilizados para classificar a obra de Fincher. Tivesse o dia o dobro das horas, e eu metade das responsabilidades, e acredite, Fifeco, que teria muito mais a dizer sobre Fight Club. E, mais ainda, sobre Being John Malkovich ou The Insider. No entanto, o tempo não estica, como tão bem nos relembrou Benjamin Button, e todos temos uma vida para além desta que vivemos na blogosfera. Na noite de quarta-feira, esse foi o último de cinco posts a ser publicado. Escusar-me-ei a tentar transmitir o quão penoso é, por vezes, chegar a casa, ao fim de um dia de trabalho, e buscar alento para sentar-me em frente do computador, e dissertar uma série de tolices sobre a sétima arte. Em vez disso, optarei por aproveitar os próximos dez minutos para repor alguma justiça, e dizer algo mais sobre Fight Club. No entanto, aqui entre nós que ninguém nos ouve Fifeco, fica já a certeza. É um filme do caraças.

Instantaneamente elevado a filme de culto, esta foi a primeira adaptação ao grande ecrã de uma obra de Chuck Palahniuk. Um dos raros filmes que aparenta ter, ao mesmo tempo, uma simplicidade atroz e uma complexidade terrível. Num mundo desprovido de sensações, em que transeuntes e conhecidos se cruzam sem coragem de tocar no próximo, o contacto físico de uma luta é o despertar para a condição triste em que se encontra a comunidade. David Fincher pega na visão negra e pessimista de Se7en, mantém o inevitável twist, como havia feito em The Game, no entanto, desta feita servido sobre uma bandeja muito mais reluzente, e serve-nos um enredo ainda mais atractivo e invulgar. O filme, todo ele, é uma extensão do Choose Life no inicio de Trainspotting. A narrativa anda para trás, para a frente, para os lados, sem nunca perder o fio à meada, rejeitando a fórmula A+B, que tantas vezes condena ao insucesso as mais belas ideias de Hollywood. Edward Norton, igual a si próprio, num desempenho soberbo, e Brad Pitt, no melhor trabalho desde Twelve Monkeys, são os tresloucados ideais neste conto de uma audácia terrível a nível moral. Desenganem-se aqueles que consideram todos aqueles combates como acções meramente físicas. A principal lesada no final é a consciência social. O filme é puro entretenimento, visualmente memorável, e a prova de que uma existência digna pode ser atingida da forma mais inusitada. Há filmes que dão um murro no estômago. No final de Fight Club, sentimo-nos um saco de porrada. O que vale são os sabonetes que limpam a sujidade e violência que varrem as ruas deste mundo. Scorsese atribuiu esta função à chuva.

Bruno Ramos

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