Deuxieme


sexta-feira, dezembro 26, 2008

Viola Davis em crescendo.

Na corrida ao Oscar de Melhor Actriz Secundária, dois nomes se destacam. E, a avaliar pelo que até agora aconteceu nesta temporada de prémios, ninguém deverá contar muito com a vitória, a não ser Penélope Cruz e Viola Davis. Se a primeira parece ser a grande favorita – a par de Wall-E, na categoria de Melhor de Filme de Animação, esta é única pela qual colocaríamos as mãos no fogo –, a segunda parece ser o derradeiro obstáculo, antes da consagração antecipada. Se alguém pode roubar a luz dos holofotes a Cruz, é Davis, pelo seu desempenho em Doubt.

Bob Mondello, critico da National Public Radio, escreve: “The film’s most wrenching performance, in fact, comes from Viola Davis, who plays the boy’s worried mother as a woman who is in no position to raise her voice, even when articulating a startlingly unexpected parental position on what may have transpired between the priest and her son. The others argue strenuously and occasionally even eloquently, to ever-diminishing effect; Davis speaks plainly and quietly, and leaves not a shadow of a doubt that the moral high ground is a treacherous spot to occupy in the real world”.

Por sua vez, Ann Hornaday, do Washington Post, diz: “Just when you begin to think you know who the cat and mouse really are, in steps Viola Davis to steal not just her scene but the entire movie from Streep. As the mother of the student in question, Davis presents “Doubt” with its most sobering and finally haunting philosophical quandaries, which give even the implacable Sister Aloysius a glimpse of life beyond her own unassailable ideals”.

Cruz não deverá ter que se preocupar muito. No entanto, há que estar preparada ouvir o nome de Viola Davis, e aplaudir o reconhecimento da colega de profissão, enquanto fica sentada na cadeira. Aqui fica um vídeo com a actriz, como aperitivo para o filme que estreará por cá a 05 de Fevereiro. Pelo menos, é o que diz na agenda. Agora, tendo em conta que também estão previstas as chegadas de Milk, Rachel Getting Married, Last Chance Harvey, Igor e Bride Wars, para esse mesmo fim-de-semana, alguma coisa vai ter de ceder. Ou isso, ou teremos duas estreias de Anne Hathaway, back to back, no mesmo dia.

Bruno Ramos

A importância de se chamar Ernesto.

A Zon TvCabo resolveu vestir o fato-macaco, que é como quem diz, as calças e casaco vermelho, colocar uma barba postiça, e fazer de conta que era o Pai Natal. O resultado foi esta bela missiva, na caixa do correio, no passado dia 24.

Parece, então, que agora existe um cartão chamado myZONcard, e que este permite entrar numa sala de cinema Lusomundo, sem pagar um cêntimo. As condições gerais do myZONcard são decompostas em cinco pontos. O primeiro, sobre o objecto, não nos adianta grande coisa. Agora, o segundo, acerca da atribuição, já começa a interessar. Logo no 2.1, ficamos a perceber donde é que isto veio – O myZONcard é atribuído a todos os Clientes ZON TVCabo residenciais com mais de um ano de antiguidade, excluindo Clientes do Pacote Selecção que não subscrevam qualquer outro produto ZON TVCabo. Os Clientes com mais de uma factura em atraso terão o myZONcard bloqueado até regularização da situação. No terceiro ponto, sobre o cartão, a alínea mais importante parece-nos ser a 3.3, onde ficamos a saber que a emissão de segunda via do myZONcard tem um custo de 7,5€ com Iva incluído. O quarto capítulo, sobre alterações e cessação, diz-nos, fundamentalmente, que a Zon TvCabo pode acabar com a brincadeira quando lhe der na real gana – A Zon TvCabo reserva-se o direito de, a qualquer momento, proceder à substituição, anulação, suspensão ou recolha do myZoncard. No entanto, é no quinto, e último ponto – Programa “Cinemas Zon Lusomundo” –, que as coisas aquecem. Logo na primeira alínea, dizem-nos que nem todos os Cinemas Lusomundo entram no pacote – A lista de Cinemas aderentes poderá ser consultada em www.zon.pt e no site da ZON Lusomundo (www.zonlusomundo.pt). Esta listagem poderá ser alterada a qualquer momento sem aviso prévio. Pior do que isso, podemos dirigir-nos a um Cinema aderente e, mesmo assim, ficarmos apeados – Em função dos acordos a estabelecer caso a caso com as produtoras cinematográficas, poderão existir filmes não incluídos neste Programa. A alínea 5.2 existe para por cobro à folia desgovernada – A utilização do myZONcard nos Cinemas Lusomundo está sujeita a uma política de utilização responsável com os seguintes limites: 1 sessão de cinema por dia, 8 por mês e 52 por ano. Já a alínea 5.6, diz que nem todos se podem divertir ao mesmo tempo – O número total de bilhetes de cinema emitidos em cada sessão para titulares do myZONcard, não poderá ultrapassar 50% da capacidade de lotação da sala onde é exibido o filme pelo que, nesses casos, não será atribuído o benefício referido em 5.1 aos titulares de myZONcard.

Isto é tudo muito bonito, e aproveito inclusive o espaço que o Deuxieme oferece para agradecer, em nome pessoal, a atenção da Zon TvCabo. Agora, receio não poder retribuir a amabilidade, e usufruir de tão gracioso serviço. É que, as alíneas 5.4 e 5.5 são bastante claras – Na bilheteira, o cliente ZON TV CABO deverá apresentar o myZONcard e o seu documento oficial de identificação com fotografia, para comprovar a sua identidade. No acesso à sala de cinema, o cliente ZON TV CABO deve exibir o bilhete de cinema, o documento oficial de identificação e o cartão myZONcard. Em caso de dúvida sobre a identidade do portador do myZONcard, a ZON Lusomundo poderá inibir a entrega do respectivo bilhete de cinema e/ou a entrada nas salas de cinema. Durante um ano, sempre que entrámos em contacto, fiz questão de denunciar, sublinhar e reforçar, que o nome não era aquele. Pelos vistos, mais de um ano depois, ainda não deram com o apelido correcto.

A verdade é que não agrada muito a ideia de levar com olhares de esguelha do vendedor. Dar a entender que estamos a mentir quando, no fundo, estamos a dizer a verdade, é algo que ressoa a Homer Simpson. Será que ele não se chama mesmo Campos? Hum… Para mim, tem cara de Campos. É por essas e por outras que estou cada vez mais inclinado para aderir ao MEO. Aí, quem sabe, talvez acertem no nome dos assinantes.

Bruno Ramos

Hoffman, Ferrer e um elevador.

O humor natalício de Dustin Hoffman comprova que, tal como Denzel Washington havia postulado em The Siege (Edward Zwick, 1998), a pergunta nunca é indiscreta. Apenas a resposta o pode ser. Basta carregar na imagem.

Bruno Ramos

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State of Play - Trailer.

Durante muito tempo, State of Play foi olhado como uma dádiva divina. Em concílio supremo, Zeus teria acedido aos intentos dos Deuses. Estes sabiam o quão imperioso era recompensar os associados do clube que, desde 1999, ansiavam pelo reencontro de Brad Pitt e Edward Norton no grande ecrã. O filme de David Fincher tinha sido a primeira e última vez que as duas estrelas se haviam cruzado na tela. Daí que ver os seus nomes associados ao projecto, tenha sido a maior alegria de muito bom cinéfilo, ao longo de quase um ano. Contudo, Baco, esse intragável e infausto dissidente do Olimpo, não partilhava do regozijo que esta boa nova havia provocado nos dois mundos. A harmonia não tardaria a ser quebrada. Contaminando as bebidas das reuniões preliminares, Baco impediu que argumentistas e estúdios chegassem atempadamente a um acordo. No Outono de 2007, a greve foi uma inevitabilidade, e Pitt obrigado a abandonar o projecto. Consequência directa, o inicio das filmagens foi adiado. O suficiente para colidir com Leaves of Grass, outro trabalho na agenda de Norton. Os dois actores seguiram com os seus caminhos, sem olhar para trás. O mesmo teria de acontecer a State of Play. O estúdio recrutou Russell Crowe e Ben Affleck para os lugares de Pitt e Norton, respectivamente. Rachel McAdams, Helen Mirren, Robin Wright Penn e Jason Bateman permaneceram nos seus lugares.

Hoje, é este o trailer que temos da obra de Kevin Macdonald, cineasta responsável por Last King of Scotland e Touching the Void. Baseado na mini-série da BBC com o mesmo nome, o filme relata a história de uma equipa de repórteres que colabora com um detective, no sentido de solucionar o mistério por detrás do homicídio da amante de um congressista. O argumento ficou a cargo de Tony Gilroy (Michael Clayton) e Matthew Carnahan (The Kingdom). Esperemos que o malabarismo de Baco seja a fortuna do cinéfilo. O último a rir é quem ri melhor. Que os Deuses peguem neste título para dar a lição definitiva a quem ofereceu a Midas o dom de tudo transformar em ouro. Aqui fica o trailer. Nos Estados Unidos, o filme tem estreia marcada para 17 de Abril.

Bruno Ramos

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Vivendo e aprendendo.

Todos os anos nos lançamos na análise aos prémios da Academia de Hollywood. Não que seja o mais importante de tudo – que não é –, porém, porque tudo carece de um fim, depois de um principio e meio, nada melhor do que uma estatueta dourada para rematar um ciclo. Porque, tal como o futebol, o sexo serve de metáfora para quase tudo na vida, quase que podemos dizer que os Oscar são o êxtase antes de o cair para o lado – o que é o que acontece, normalmente, quando chega ao fim a maratona pela madrugada dentro. Não podemos viver sem sedução nem comportamentos tentadores, vulgo posters; sem afrodisíacos convidativos, vulgostrailers; sem preliminares de cortar a respiração, vulgo sleepers; sem constantes inovações que redefinem o padrão estabelecido, vulgo obras-primas, por aí fora. No entanto, no final, por muito bom que tenha sido – o que é recomendável –, se não houver Oscar, fica a faltar algo. A derradeira sensação de dever cumprido. E, uma vez conhecidos os vencedores, estamos prontos para outra. Neste particular, os blockbusters de Verão podem ser entendidos como o copo de água que restabelece energias. Agora, apesar de todos os anos nos lançarmos na análise aos prémios da Academia de Hollywood, há muita coisa que ainda desconhecemos. O processo parece sempre um pouco nublado. Quem vota? Quem escolhe quem vota? Como é que se vota? Quem escolhe como se vota? Porque é que eu não posso votar? Tudo questões pertinentes, que procuramos resolver ano após ano. Se quisermos, podemos olhar para os Oscar como se de uma série se tratasse. Ao bom estilo de Lost. Enigmas, interrogações, um universo paralelo, pessoal que desaparece sem deixar rastro. Não, isso é mais Twilight Zone. Também serve. Enfim, tudo isto para dizer que encontrámos recentemente a resposta para uma das maiores dúvidas que nos perseguia. Como é que um filme é nomeado na categoria de Melhor Filme?

A propósito das potencialidades de Wall-E, Tom O’Neil aborda o tema da paixão, e de como isso pode contribuir para que o robot receba muitos votos na primeira posição. E, foi neste ponto, que Sasha Stone lá resolveu recuperar um texto de O’Neil, escrito no ano passado, sobre Sweeney Todd e a força que a obra de Tim Burton teria para chegar às cinco finalistas nos Oscar. Ora, este artigo passou-nos ao lado uma vez. Desta feita, estávamos mais atentos. Assim, parece que, para ser eleito, um filme tem de receber 1/6 dos votos, mais um. Cerca de 868, em 5200 votantes. No entanto, nem sempre isso acontece. E, nesses casos, o sistema muda um pouco de figura. Aqui fica a exposição de O’Neil sobre o tema, bem como o artigo original.

In order to be nominated, a film needs one-sixth of the votes plus one — that’s about 868 out of 5,200 votes. As soon as accountants figure that, say, “Sweeney Todd” reaps that tally, they stop counting and set those ballots aside, decreeing “Sweeney” a best pic nominee. The remaining ballots with “Sweeney” on top get distributed to other stacks based upon their second-ranked choices.

If no other movie has enough number-one votes or those number twos once the stray “Sweeney” ballots are re-distributed, then accountants turn to the movies with the fewest votes and redistribute those ballots based upon number-two votes.

Over and over they repeat the process, working from the smallest stacks to the largest, until a film has the magic 868 votes. Then counting for that film stops, the stack is set aside and the remaining ballots in that stack get re-distributed, too, based on the film with the highest next ranking. Over all, about a dozen rounds of redistribution occur before the five nominees are settled”.

Alvy Singer

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Prendas de Natal - 01 - The Dark Knight.

No final, tudo se resume a isto. Filmes. A essência da paixão. Aquilo que nos move. Quando, ao destruirmos desenfreadamente o embrulho que esconde a surpresa, nos apercebemos que temos um filme em mãos, fechamos os olhos, e fazemos figas para que seja o tal. Nesse instante pensamos, Caramba, devia ter dado mais pistas. Se não for o título esperado, lá teremos de desembolsar uns dias mais tarde, se quisermos realmente adicionar a obra à Dvdteca. E, este ano, espalhados por todo o mundo, deverão ter existido muitos fãs de olhos fechados, a desejar que Bruce Wayne, Joker e Two Faces estivessem por detrás do laço. Tal como o Pai Natal, Batman só quer ver as pessoas felizes. E, muitos sorrisos terão ocorrido depois da meia-noite por causa de The Dark Knight.

Alvy Singer

Prendas de Natal - 02 - Kubrick.

A certa altura, Carolyn Burnham (Annette Bening) vira-se para Buddy Kane (Peter Gallagher) e diz-lhe qualquer coisa como You know, I’d love to sit down with you and just pick your brain, if you’d ever be willing. Ora, quantas pessoas é que não se terão cruzado com Stanley Kubrick, ao longo da vida do mestre, e dito algo deste género? Hoje, com The Stanley Kubrick Archives, podemos experimentar um pouco da emoção que seria mergulhar no engenhoso intelecto do cineasta. Página a página, este é um livro para saborear. Calma e delicadamente. Porque há imagens que nunca se esquecem, e uma fotografia basta para escapara à realidade, e embarcar na fantasia. Encomendando na Amazon, ou comprando na Fnac, este será uma óptimo presente.

Alvy Singer

Prendas de Natal - 03 - Jogos.

Há que testar conhecimentos. Há que avaliar culturas gerais. Acima de tudo, há que convidar amigos para ir lá a casa, conviver, confeccionar um jantar à maneira e, quando eles acharem que aquele está a ser o melhor serão de sempre, dar-lhes uma valente abada num qualquer jogo desenvolvido a pensar na sétima arte. Buzz: The Hollywood Quiz, ou Scene it? Lights, Camera, Action e a respectiva sequela, podem fazer maravilhas à auto-estima de um cinéfilo. O reverso da medalha pode ser a destruição daquela amizade que parecia resistir a tudo.

Alvy Singer

Prendas de Natal - 04 - Puzzles.

Para as mentes mais diligentes, que não se contentam em ficar especadas a olhar para um ecrã, e procuram criar com as próprias mãos a glória da imagem, aqui fica um nome a reter: Ravensburger. Dedicada à arte do puzzle, este é uma empresa que se entretém a partir aos bocadinhos série de imagens, e depois passa a responsabilidade a terceiros, que devem encontrar maneira de juntar as mil partes separadas. Algumas delas, ligadas ao cinema. Ele há enigmas com o rosto de Ingrid Bergman, com o poster de Piratas das Caraíbas: O Cofre do Homem Morto, ou com homenagens a Indiana Jones. No entanto, na pesquisa para este post, aquele que nos pareceu melhor foi mesmo o de O Regresso do Rei. Redondo, fica muito bem numa qualquer mesa de café.

Alvy Singer

Prendas de Natal - 05 - Blu-ray.

Esperando que haja por aí muito boa gente com uma costela espanhola, e que mantém a tradição de abrir as prendas somente a 06 de Janeiro, prossigamos então com a lista de dez oferendas para um cinéfilo dedicado. Se já todos tiverem aberto os presentes, é chato. As sugestões transformam-se em meras indicações do que poderia ter sido. O voltar atrás que já não dá. Também, em abono da verdade, quem é que olhava para este rol de souvenirs como se de um catalogo se tratasse? Pouca gente. Parece-nos bem mais provável que todos gostassem de ter recebido um leitor Blu-ray. Agora até já há uns que vêm com dez filmes de oferta. Tendo em conta que o preço dos discos ainda não baixou dos vinte euros, duzentos de promoção não é nada de se deitar fora.

Alvy Singer

terça-feira, dezembro 23, 2008

Prendas de Natal - 06 - Relógios.

Em vez de seguirmos para o imponente Omega de Bond, o que está a dar é a colecção de relógios da Swatch, dedicada aos vilões da saga. Há para todos os gostos. O site oficial dá uma ideia da diversidade. Agora, cuidado com a tentação. Um é suficiente. Já diz o ditado, Quem tem um relógio sabe a hora certa, quem tem dois sabe a média.

Alvy Singer

Balbúrdias no museu - Parte II.

Desde que ficámos a saber que Ben Stiller integrará o próximo projecto de Cameron Crowe, tornámo-nos ainda mais curiosos em relação à agenda do actor. E, nestes dias, foi impossível passar ao lado do trailer de Night at the Museum 2: Battle at the Smithsonian. Na sequela, o Museu de História Natural é fechado para obras, e os artigos em exposição são colocados nos arquivos federais em Washington, D.C.. A partir daí, é o regabofe, tal como no primeiro capítulo. Stiller, Robin Williams, Owen Wilson e Dick Van Dyke recuperam os mesmos papéis. Amy Adams, Jonah Hill, Ricky Gervais, Bill Hader, Hank Azaria, Eugene Levy, e Christopher Guest prometem transformar o filme num festival de secundários. Shawn Levy regressa como realizador. Mais do que ser uma obra acarinhada pela crítica, o grande objectivo passará por um novo sucesso de bilheteira. Recorde-se que, em 2006, Night at the Museum arrecadou mais de 250 milhões de dólares, apenas nos Estados Unidos. Estamos em crer que bastará passar dos 100, para este ser o segundo tomo de uma trilogia. Aqui fica o trailer.

Bruno Ramos

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Prendas de Natal - 07 - Perfumes.

Para a mãe cinéfila, a fragrância de Yves Saint Laurent. Dizemos mãe, porque os connoisseurs da perfumaria afirmam tratar-se de uma combinação mais pesada, ideal para uma mulher de carisma. Um bouquet de glamour e de feminilidade brilhante com ouro e luz. Lemos isto algures. Com um leve toque de Prímula a evocar a frescura e a transparência da manhã, e um cheirinho de Mandarina da Córsega, a envolver-se em ampla harmonia com a delicadeza e a sensualidade da Flor de Amêndoa. Floral, vivo e distinto, a natureza da fragrância distingue-se pela majestosa Açucena quente, e um suave toque a finalizar de Jasmim absoluto. Aqui fica o spot. Que, diga-se, de cinematográfico, não tem muito.

Alvy Singer

domingo, dezembro 21, 2008

Noites (frias) em Rodanthe.

A uma semana de mergulharmos de cabeça nas grandes estreias da temporada, com a chegada dos principais candidatos aos Oscar, as propostas que por aí andam, longe de serem pobres, também não nos deixam com água na boca. O Sorriso das Estrelas, titulo há muito antecipado, foi sofrendo duros golpes ao longo do ano, de cada vez que um critico do outro lado do oceano tinha algo a dizer. As opiniões pareciam não divergir muito, e aquilo que prometia ser um romance ao nível de The Notebook, estava a revelar-se, afinal, como um filme para ver num domingo à tarde, se o sol resolvesse esconder-se. As hipóteses de Diane Lane chegar a uma nomeação para os Oscar esfumaram-se, e logo surgiram comparações com a obra homónima de Nicholas Sparks, considerada largamente superior. No fundo, as estrelas não quiseram sorrir para George C. Wolfe.

No entanto, nem tudo é mau no trabalho do realizador, que aqui se estreou numa longa-metragem. A começar por Viola Davis. A actriz, que este ano se afigura como uma das grandes revelações, depois do seu desempenho em Doubt, é a lufada de ar fresco que tanta falta faz, muitas vezes, aos melodramas desta estirpe. Chato é Wolfe dar-lhe tão pouco tempo de antena. Quando a audiência se liberta para um ou outro sorriso, logo voltamos à deprimente psique dos dois protagonistas, carentes de tudo e mais alguma coisa. Um maior equilíbrio teria aliviado a narrativa. Contudo, não devia ser essa a visão do cineasta e, quanto a isso, é comer menos. Ao mesmo tempo, Diane Lane não defrauda expectativas. Lane só não dá mais, porque a rédea é curta. À primeira vista, este seria o papel ideal para a actriz voar, e chegar à tal nomeação que muitos esperavam. Por vezes, até vemos Lane a levantar voo. Porém, não passam de escalas. Nunca chega ao destino pretendido. E, nas mãos de, por exemplo, um Ron Howard – que já não liga a projectos desta natureza –, talvez o resultado fosse outro. Por seu lado, Richard Gere oferece-nos um dilema. No final, ficamos com a impressão que a qualidade do actor impediu que o filme se afundasse ainda mais. Ao mesmo tempo, parece que Gere passou o tempo todo em piloto automático, sem nunca se entregar verdadeiramente à personagem. A única excepção, ironicamente, é quando o seu Dr. Paul Flanner aparece em fotografias. Para além disto, é claro que temos a praia arrebatadora, acompanhada da sentida banda sonora de Jeanine Tesori. Contudo, o filme nunca pega verdadeiramente. Os conflitos familiares parecem colados a cuspo, e a base que sustenta o grande amor é mais frágil que a estalagem à beira-mar onde tudo nasce. Há momentos, é certo, em que nos deixamos envolver pelas sedutoras teias do romance. Agora, assim como Adrienne Willis demora alguns segundos a acordar do sonho, logo no inicio, também nós nunca chegamos verdadeiramente a fantasiar. Como um todo, O Sorriso das Estrelas deixa a desejar. Há que dizê-lo. Os filmes a rodos que já vimos deste género, sobretudo nos eighties, foram a vacina que hoje nos deixa imunes a estes enredos. Um bom filme, como um grande amor, deixa-nos doentes. Este, talvez chegue a ser uma pequena constipação. Não mais do que isso.

Bruno Ramos

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Screen Actors Guild - Nomeados.

A meio da semana, ficámos a conhecer os nomeados para os Screen Actors Guild Awards. E, depois de alguns círculos de críticos terem já seleccionado os melhores, os eleitos começam a definir-se cada vez melhor. O que esta lista dos SAG nos diz é que, depois da razia que foi o ano passado, nos Oscar, com todos os prémios de interpretação terem ido parar à mão de estrangeiros, em 2008, até Sally Hawkins pode ficar de fora. Talvez a mais incerta, a categoria de Melhor Actriz promete surpresas lá mais para a frente. Já na de Melhor Actor, parece que Frank Langella, Mickey Rourke e Sean Penn são nomes seguros. A dúvida é entre DiCaprio, Eastwood, Jenkins e Pitt. Na categoria de Melhor Actriz Secundária, as coisas não devem fugir muito a isto. Contudo, Marisa Tomei está à espreita. Quanto à categoria de Melhor Actor Secundário, Dev Patel é o nome mais estranho. Provavelmente, devido à mesma razia que pode deixar Hawkins pelo caminho, Patel dará lugar a Michael Shannon ou James Franco. A cerimónia está marcada para 25 de Janeiro. Eis os principais nomeados. A lista completa pode ser vista aqui.

Melhor Elenco
Doubt
Frost/Nixon
Milk
Slumdog Millionaire
The Curious Case of Benjamin Button

Melhor Actor
Richard Jenkins / Walter Vale - “The Visitor
Frank Langella / Richard Nixon - “Frost/Nixon
Sean Penn / Harvey Milk - “Milk
Brad Pitt / Benjamin Button - “The Curious Case of Benjamin Button
Mickey Rourke / Randy - “The Wrestler

Melhor Actriz
Anne Hathaway / Kym - “Rachel Getting Married
Angelina Jolie/ Christine Collins - “Changeling
Melissa Leo / Ray Eddy - “Frozen River
Meryl Streep / Sister Aloysius Beauvier - “Doubt
Kate Winslet / April Wheeler - “Revolutionary Road

Melhor Actor Secundário
Josh Brolin / Dan White - “Milk
Robert Downey Jr. / Kirk Lazarus - “Tropic Thunder
Philip Seymour Hoffman / Father Brendan Flynn - “Doubt
Heath Ledger / Joker - “The Dark Knight
Dev Patel / Older Jamal - “Slumdog Millionaire

Melhor Actriz Secundária
Amy Adams / Sister James - “Doubt
Penélope Cruz / Maria Elena - “Vicky Cristina Barcelona
Viola Davis / Mrs. Miller - “Doubt
Taraji P. Henson / Queenie - “The Curious Case of Benjamin Button
Kate Winslet / Hanna Schmitz - “The Reader

Bruno Ramos

Prendas de Natal - 08 - Comics.

Continuando a subir na lista das prendas de Natal, chegamos à oferenda ideal para o geek da banda desenhada. Atenção, esta é uma utilização carinhosa do termo geek. Não há nada melhor do que ser uma enciclopédia ambulante, e versarmos sobre um determinado tema como se não houvesse amanhã, para espanto do que nos rodeiam. Haverá pessoas a quem isto acontece quando falam de moluscos. Outras há, que surpreendem pelos saberes na área dos comic books. E, para os deste último género, aqui ficam duas sugestões. Não muito diferentes uma da outra. Como os próprios nomes indicam: The DC Vault: A Museum-in-a-Book with Rare Collectibles from the DC Universe, e The Marvel Vault: A Museum-in-a-Book with Rare Collectibles from the Marvel Universe.


É possivel encomendar ambas pela Amazon, mas a Fnac também tem isto por cá. Uma e outra, cada, a 53,52€. Com algumas relíquias bem catitas, esta é uma ideia interessante para quem gostaria de conhecer um pouco mais sobre as origens dos super-heróis que hoje proliferam no grande ecrã. Desde o parto difícil, passando pela era dourada, até ao declínio, e renascer das cinzas, estas são duas viagens a não perder, ao universo das BDs que conquistaram o mundo.

Bruno Ramos

Sucessos de bilheteira.

Aí estão os dez filmes mais vistos em Portugal, este ano. Este ano, que é como quem diz, até 30 de Novembro – note-se que, para o Ipsilon, o mês é maior. Como sempre, com algumas surpresas à mistura. Madagascar 2, que estreou há menos de um mês, já alcançou um honroso quarto lugar. E, este fim-de-semana, até poderá ter servido para destronar Indy. Astérix nos Jogos Olímpicos em quinto e o terceiro capitulo da Múmia em nono, levam-nos a pegar no cachimbo, qual João da Ega, e perguntar o que raio quererá isto dizer. Obelix à frente de James Bond, e Brendan Fraser a rivalizar com Christian Bale e Heath Ledger? Caramba, ele há motivações que nos escapam mesmo. E, já nem vamos ao décimo lugar de Procurado. Alguns títulos que, pela forte propaganda e hype criado, esperávamos encontrar nesta, ficaram de fora. Entre eles, Cloverfield, John Rambo, O Incrivel Hulk, Iron Man, W., As Crónicas de Nárnia: Principe Caspian, e O Sexo e A Cidade. Aqui ficam as listas dos dez mais. Primeiro, a dos mais vistos. A seguir, a dos nacionais de maior sucesso. Aí, sem grande alarido, Amália chega-se à frente. Leonel Vieira, como já era expectável, fica-se pela medalha de prata, enquanto o representante português nos Oscar fecha o pódio.

Os 10 filmes mais vistos

1 - Mamma Mia! - 846.477 Espectadores
2 - O Panda do Kung Fu - 603.085
3 - Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal - 572.030
4 - Madagáscar 2 - 552.310
5 - Astérix nos Jogos Olímpicos - 552.310
6 - 007 Quantum of Solace - 387.934
7 - Wall-E - 350.845
8 - O Cavaleiro das Trevas - 334.107
9 - A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão - 278.535
10 - Procurado - 261.938

Os 10 filmes portugueses mais vistos

1 - Amália - 77.565 Espectadores
2 - Arte De Roubar - 26.802
3 - Aquele Querido Mês de Agosto - 19.464
4 - Cristóvão Colombo - O Enigma - 5.379
5 - Entre Os Dedos - 3.277
6 - Goodnight Irene - 2.771
7 - The Lovebirds - 2.442
8 - A Ilha Dos Escravos - 2.292
9 - Cartas a Uma Ditadura - 2.039
10 - Lobos - 1.958

Bruno Ramos

Na ponta da língua.

Por estes dias, os centros comerciais, atulhados de destemidos viajantes à procura do presente de Natal ideal, são um recreio para a vista e, porque não, audição. Aquilo que se vê. Aquilo que se ouve. Não lembra, nem ao menino Jesus – que, a propósito, ao ter vindo a este mundo há uns anos valentes, jamais pensaria que isso se traduzisse, séculos mais tarde, em mãos cheias de sacos e um Ferrero Rocher a acompanhar. Agora, para quem visita regularmente os corredores da Fnac e Worten, é um fartote. De entre as várias barbáries já escutadas ao longo desta quadra, destacaria esta ouvida ontem. Proferida por uma jovem, ao passar pelo mais recente êxito da Dreamworks.

Eles gozam ali com a paciência e a pachorra de um Panda, e o coiso de uma criança. Lindo”.

Poder argumentativo estarrecedor. Lúcido como água. É por essas e por outras que, quando visitar o Louvre, e der de caras com a Mona Lisa, tenciono ficar calado no meu cantinho.

Alvy Singer

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terça-feira, dezembro 16, 2008

Prendas de Natal - 09 - Singstar.

Depois do resto da família ter oferecido o Cd com os grandes êxitos da banda, o Cd da banda sonora do filme, e o Dvd ou o Blu-Ray do filme, só falta mesmo presentear o/a cinéfilo/a fã incondicional da obra de Phyllida Lloyd com o jogo para a PlayStation 2 ou 3, Singstar ABBA. Para quem vibrou com as cantorias de Meryl Streep e companhia em Mamma Mia!, nada melhor do que transpor essa mesma algazarra para o centro da sala de estar. O ideal, seria fazê-lo com a vestimenta a condizer. E, aqui, das duas uma. Ou fazemos o retrocesso aos tempos do disco sound, e adoptamos a calça à boca-de-sino, acompanhadas por aquelas camisas de colarinho descomunal, ou seguimos o estilo primaveril das ilhas gregas. Entre um e outro, é só escolher. Quanto aos ABBA, retribuímos o agradecimento. Esta é uma das músicas presentes no jogo.

Alvy Singer

X-Men Origins: Wolverine - Trailer.

A quatro meses e meio da estreia, a 20th Century Fox colocou na net o trailer de X-Men Origins: Wolverine. O estilo pausado da apresentação deixa antever uma obra sóbria, sem grandes pressas de mostrar trunfos e mais-valias. Este ano, também Tony Stark não desvendou muito nos trailers. O que é bem visto. Já Nights in Rodanthe, por exemplo, é um daqueles casos em que dois minutos contam a história toda. Mas, isso são contas doutro rosário. Por agora, aqui fica o primeiro convite canino para 2009. Benicio Del Toro reserva-nos o próximo.

Bruno Ramos

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Alegrar o espírito.

No dia em que a obra de David Fincher ganhou o troféu de melhor do ano, em St. Louis, aqui fica um dos novos posters de The Curious Case of Benjamin Button. Já estamos numa fase em que o discernimento não é o mais apurado, e torna-se difícil afirmar com clareza qual o titulo mais aguardado. Ele é Benjamin Button, Revolutionary Road, Gran Torino, Doubt, The Wrestler, Milk, The Reader, Slumdog Millionaire, Vicky Cristina Barcelona, Rachel Getting Married, Frost/NixonJá chega. É melhor ficarmos por aqui. Pronto, mais Happy-Go-Lucky, Changeling, Synecodoche, New York, e não se fala mais nisso. [Em surdina] Man on Wire e Defiance. Agora é que está.

Photobucket

Bruno Ramos

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Consequências da difracção.

Conscientes de que a treta da melhor definição de imagem pode não ter convencido tudo e todos, a malta do Blu-Ray resolveu atacar em força. Espertos, foram tocar no ponto fraco do cinéfilo do sexo masculino. Primeiro, vejamos a capa do Dvd de Hancock.

Agora, a mesma fotografia, mas na capa Blu-Ray.

Caramba, o comprimento de onda deste raio laser deve ser mesmo do outro mundo. Quantos nanómetros são precisos no disco para mostrar Charlize Theron? Esta é daquelas que custa entender.

Alvy Singer

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Prendas de Natal - 10 - Singin' in the Rain.

A dez dias do Natal, surge-nos um ímpeto súbito de começar a enumerar coisas só porque nos apetece. Há qualquer coisa nesta quadra que incita à elaboração de listas. O ano passado, por esta altura, andávamos por aqui a tratar dos dez filmes com maior espírito natalício. De lá para cá, a coisa não mudou muito. Do Céu Caiu Uma Estrela (Frank Capra, 1946) continua a ser a estrela no topo árvore – expressão mais adequada, em detrimento de a cereja no topo do bolo. No entanto, há que escolher um tema, e eleger dez itens que façam sentido, à luz desse mesmo tema. Porque é Natal e fica bem. Agora, ao contrário do que aconteceu o ano passado, desta feita, incidiremos mais no serviço público do acto. Daí que, tomando a liberdade de pensar que haverá ainda muito boa gente que não sabe o que oferecer daqui a semana e meia, nos tenhamos lembrado de expor dez prendas que, à partida, farão as delicias de qualquer cinéfilo. E, é neste ponto que residirá a maior fraqueza da lista. Ao ser concebida por um cinéfilo, o resultado só pode estar enviesado. Contudo, se a pessoa em questão não for um amante confesso da sétima arte, pode-se sempre alegar que este é um primeiro passo rumo a uma paixão inevitável. É uma questão de começar a ver os filmes certos. Por agora, começaremos com a primeira sugestão, a décima em termos de interesse. A ideia passa por darmos a conhecer, na véspera de Natal, a prenda que qualquer cinéfilo, hipotético vá, mais gostaria de receber no sapatinho. Ao longo da semana, aceitaremos todo e qualquer conselho. Posto isto, aqui vai a prenda número 10.

Seja já comprado como quadro, ou feito numa qualquer loja que trate disso, depois de adquirirmos o poster, cai bem em qualquer divisão da casa, esta imagem de Singin’ in the Rain, com Gene Kelly. Vai com qualquer porcelana. Dá com qualquer mobília. Até na casa de banho. No entanto, acreditamos que será no quarto que ela funcionará melhor. A moral que não deve dar a um tipo, quando acorda com isto aos pés da cama. O único senão é quando chove. A exaltação poderá levar os mais fantasistas a sair de casa sem a devida indumentária.

Bruno Ramos

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Matt Damon nas pegadas de Crowe.

É impossível não pensar em Russell Crowe, ao vermos esta fotografia de Matt Damon, a primeira que a Warner Brothers disponibilizou de The Informant. Lá está, The Informant. Título que, por correspondências fonéticas latentes, faz lembrar o belíssimo O Informador (1999) de Michael Mann. Ao mesmo tempo, o ar mais rechonchudinho de Damon, com aqueles óculos vintage, recorda-nos a transformação brutal de Crowe, para interpretar o recto e tenaz Jeffrey Wigand. Quase como se um fosse irmão mais velho do outro e, o outro, irmão mais novo do primeiro. Mas, parece que não.

The Informant é baseado no best-seller escrito por Kurt Einchenwald, em 2000. No filme, o governo norte-americano decide investigar um gigante no negócio agrícola, acusado de aplicar uma politica de preços ilegal, baseado nas provas fornecidas pela testemunha principal, o vice-presidente transformado em informador, Mark Whitacre (Damon). Depois desta resumida sinopse, já não é só a fotografia a fazer lembrar a obra de Michael Mann. Steven Soderbergh realiza.

Bruno Ramos

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WALL•E soma e segue.

Depois de termos ficado a conhecer, esta tarde, os prémios do círculo de críticos de Boston, é possível tirar algumas conclusões. A primeira, e mais importante, prende-se com Wall-E. O filme de Andrew Stanton caminha a passos largos para reeditar o feito de A Bela e O Monstro, e tornar-se no segundo filme de animação a ser nomeado para o Oscar de Melhor Filme. A segunda ilação tem que ver com a imagem reforçada com que Slumdog Millionaire tem saído sempre deste tipo de prémios, ao longo da temporada. É bom ver que ninguém tem medo de premiar uma obra que, até há bem poucos meses, não passava de um projecto arriscado que apenas meia dúzia de optimistas seguiam de perto. Para além disso, Sean Penn e Sally Hawkins nas principais categorias, e Heath Ledger e Penélope Cruz nas secundárias, são os actores com maior pujança para arrancar uma nomeação. No que respeita às interpretações, os círculos de críticos não têm variado por aí além. Até agora, só destoa o Melhor Actor Secundário de Nova Iorque, Josh Brolin. Contudo, como já sabemos, quando for chegada a altura do maior certame, nada é o que parece. Aqui ficam os melhores para o circulo de críticos de Boston.

Melhor Filme
WALL•E e Slumdog Millionaire (empate)

Melhor Actor
Sean Penn – Milk, e Mickey Rourke – The Wrestler (empate)

Melhor Actriz
Sally Hawkins – Happy-Go-Lucky

Melhor Actor Secundário
Heath Ledger – The Dark Knight

Melhor Actriz Secundária
Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona

Melhor Realizador
Gus Van Sant – Milk e Paranoid Park

Melhor Argumento
Milk – Dustin Lance Black

Melhor Documentário
Man on Wire

Melhor Filme de Animação
WALL•E

Bruno Ramos

AFI - Os melhores de 2008.

O American Film Institute gosta de fazer das suas. Todos os anos, nos dez melhores, o AFI lá guarda um espaço para aquela obra que quase toda a gente gostou, mas que raramente recebe um diploma deste género. São obras jeitosas, sim senhor, algumas delas até bem mais do que isso, mas sem estaleca para chegar às principais categorias dos Oscar e Globos de Ouro. É caso para dizer que o AFI gosta de esticar a corda. O ano passado, foi a vez de Before the Devil Knows You’re Dead. Em 2006, Inside Man. Em 2005, The 40 Year-Old Virgin. Em 2004, Spider-Man 2. Eis os eleitos de 2008.

The Curious Case of Benjamin Button
Gran Torino
Wall-E
Milk
Frost/Nixon
The Dark Knight
Iron Man
The Wrestler
Frozen River
Wendy and Lucy

O filme de Jon Favreau é bom, mas, caneco, Iron Man?! Isto não será passar um pouco para além das marcas? Esperemos para ver o que resto do ano nos reserva. Contudo, assim de cabeça, só pelo que já estreou por cá, dificilmente Tony Stark entraria nos dez mais.

Alvy Singer

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domingo, dezembro 14, 2008

Uma das doze passas é para pedir a estreia disto.

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A palavra-chave na dissertação de Richard Corliss é Docufantasia. Como um filho que nasce sempre mais bonito do que qualquer um dos progenitores, também um vocábulo emerge com todo um outro encanto quando resulta da união de duas palavras. E, parecendo que não, Documentário e Fantasia são dois termos que têm muito em comum.

Por esta altura, chovem listas de tudo e mais alguma coisa. A Time resolveu arrumar a questão, e elaborar todas as listas dos dez mais de 2008. De tudo. Até mesmo, dos carros que mais deixaram a desejar. E, como não podia deixar de ser, a dos filmes vêem lá para o meio. Sem grande surpresa, Wall-E é primeiro. Com agrado constatamos o afecto para com Synecdoche, New York, segundo, ou primeiro dos últimos, nas distinções. Agora, em terceiro lugar, um título obscuro. Nas visitas diárias à net, à procura das últimas e mais frescas sobre a sétima arte, julgamos nunca termo-nos cruzado com My Winnipeg, do canadiano Guy Maddin. O plot, mais do que confuso, é uma mão vazia e outra cheia de nada. Ao que parece o filme é um retrato pessoal da Maddin, da sua cidade natal, Winnipeg. Numa viagem aos tempos de infância, o cineasta recruta actores que se transformam em familiares, procurando assim captar os valores, princípios e conflitos com que cresceu. Nas palavras de Corliss, estes são duelos no seio do lar que embaraçariam o próprio Freud. Onde começa a exposição fiel do passado, e acaba a ficção criada pela pena de Maddin e George Tolles, autores do argumento, é a questão que se coloca. O trailer, que esconde uma melodia triste até mais não, é um rodopio de estímulos ambíguos. Uma coisa é certa, a vontade de ver esta obra, seja lá o que ela for, acabou de atingir valores retumbantes. Para ajudar à festa, depois de ter proclamado os vinte melhores do ano, Roger Ebert atribuiu o fictício Prémio do Júri Especial a My Winnipeg. Caramba, o raio do filme deve ser mesmo bom. Aqui fica o trailer.

Bruno Ramos

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sábado, dezembro 13, 2008

Jack 'The Host' Man.

Depois de ter sido eleito o homem mais sexy do planeta, no mesmo mês em que o seu Austrália chega às salas nacionais, e quando meio mundo aguarda por voltar a vê-lo como Wolverine no grande ecrã, Hugh Jackman é escolhido para ser o anfitrião da próxima cerimónia dos Oscar. Num comunicado da AMPAS, podemos ler as palavras do produtor Laurence Mark, e do produtor executivo Bill Condon: “Hugh Jackman is a consummate entertainer and an internationally renowned movie star. He also has style, elegance and a sense of occasion. Hugh is the ideal choice to host a celebration of the year’s movies – and to have fun doing it”. Já vimos alguém gritar I’m the king of the world!, por muito menos.

Bruno Ramos

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Globos de Ouro - Nomeações.

O que dizer sobre as nomeações para os Globos de Ouro? Muita coisa. A começar pelas principais categorias, as de Melhor Filme de Drama e Comédia/Musical. Dos eleitos pelos Globos, os Oscar costumam ir buscar três ou quatro de Drama, e um ou dois dos de Comédia. Mas, isto é num bom ano. Porque, à surpresa da praxe que os Oscar costumam reservar, por vezes, os Globos não servem mesmo de barómetro. Em 2005, por exemplo, dos dez distinguidos nas duas categorias, apenas Brokeback Mountain e Good Night, and Good Luck chegariam aos cinco finalistas dos Oscar. Crash, Capote e Munich ficaram de fora. Este ano, pelo buzz que têm recebido, não nos parece que qualquer um dos cinco nomeados na categoria de Melhor Filme de Comédia/Musical tenha estofo para fazer frente aos pesos pesados do lado de Drama. Talvez Happy-Go-Lucky, suportado pelo argumento de Mike Leigh, e impulsionado pelos aplausos ao desempenho de Sally Hawkins, possa ainda sonhar com algo mais, e reeditar a surpresa ao estilo de The Full Monty (1997). Na categoria de Melhor Filme de Drama, tendo em conta que a lista nunca corresponde aos eleitos dos Oscar, há que olhar com desconfiança. The Wrestler, Wall-E, The Dark Knight e Doubt são títulos fortes que não devem atirar já a toalha ao chão. The Curious Case of Benjamin Button não nos parece a obra mais forte para ganhar qualquer galardão. No entanto, parece-nos a mais segura para figurar em todas as listas de cinco nomeados a qualquer coisa. Frost/Nixon e Slumdog Millionaire vêm logo a seguir.

Na categoria de Melhor Actor de Drama, a destacar a ausência de Clint Eastwood, por Gran Torino. Contudo, o único que parece ficar mesmo arredado da corrida para o Oscar é Richard Jenkins, por The Visitor. Apesar de o desfecho estar mais do que em aberto, há já bastante tempo que não nos recordávamos de um despique a seis. Sean Penn, Frank Langella e Mickey Rourke levam vantagem. Na categoria de Melhor Actor de Comédia/Musical, Dustin Hoffman será o único com legitimas esperanças a algo mais, no que respeita aos Oscar.

Na categoria de Melhor Actriz de Drama, as coisas fiam mais fino. Kate Beckinsale (Nothing But The Truth) ficou de fora, bem como Melissa Leo (Frozen River) e Cate Blanchett (The Curious Case of Benjamin Button). Depois da omissão por A Mighty Heart, é natural que Angelina Jolie surja como nomeada. Já para Anne Hathway e Kate Winslet, as campanhas serão decisivas. Para a vitória nos Globos, Kristin Scott Thomas. Sally Hawkins é quase certa como vencedora na categoria de Melhor Actriz de Comédia/Musical, e uma aposta segura para os Oscar.

Na categoria de Melhor Actor Secundário, sublinhe-se a indicação de Tom Cruise, por Tropic Thunder, em detrimento de Josh Brolin, por Milk. James Franco (Milk) e Michael Shannon (Revolutionary Road) também ficaram esquecidos. Na categoria de Melhor Actriz Secundária, destaque-se a ausência de Taraji P. Henson (The Curious Case of Benjamin Button), Rosemary DeWitt (Rachel Getting Married), Debra Winger (Rachel Getting Married) e Kathy Bates (Revolutionary Road). Penélope Cruz é a grande favorita a tudo o que for troféu nesta categoria.

Já na categoria de Melhor Realizador, muitos ilustres ficaram de fora, o que baralhou, e muito, as contas. Gus Van Sant (Milk), Christopher Nolan (The Dark Knight), Mike Leigh (Happy-Go-Lucky), Darren Aronofsky (The Wrestler), John Patrick Shanley (Doubt), Jonathan Demme (Rachel Getting Married) e Clint Eastwood (Gran Torino), ainda têm hipóteses para os Oscar. Quanto aos Globos, David Fincher ou Danny Boyle. A lista completa, essa, pode ser vista aqui. Aquilo que se segue, é a lista com os nomeados na área do Cinema.

Melhor Filme de Drama
The Curious Case of Benjamin Button
Frost/Nixon
The Reader
Revolutionary Road
Slumdog Millionaire

Melhor Filme de Comédia/Musical
Burn After Reading
Happy Go Lucky
In Bruges
Mamma Mia
Vicky Cristina Barcelona

Melhor Realizador
Danny Boyle, Slumdog Millionaire
Stephen Daldry, The Reader
David Fincher, The Curious Case of Benjamin Button
Ron Howard, Frost/Nixon
Sam Mendes, Revolutionary Road

Melhor Actor de Drama
Leo DiCaprio, Revolutionary Road
Frank Langella, Frost/Nixon
Sean Penn, Milk
Brad Pitt, The Curious Case of Benjamin Button
Mickey Rourke, The Wrestler

Melhor Actriz de Drama
Anne Hathaway, Rachel Getting Married
Angelina Jolie, Changeling
Meryl Streep, Doubt
Kristin Scott Thomas, I’ve Loved you So Long
Kate Winslet, Revolutionary Road

Melhor Actor Secundário
Tom Cruise, Tropic Thunder
Robert Downey Jr., Tropic Tunder
Ralph Fiennes, The Duchess
Philip Seymour Hoffman, Doubt
Heath Ledger, The Dark Knight

Melhor Actriz Secundária
Amy Adams, Doubt
Penelope Cruz, Vicky Cristina Barcelona
Viola Davis, Doubt
Marisa Tomei, The Wrestler
Kate Winslet, The Reader

Melhor Actor de Comédia/Musical
Javier Bardem, Vicky Cristina Barcelona
Colin Farrel, In Bruges
James Franco, Pineapple Express
Brendan Gleason, In Bruges
Dustin Hoffman, Last Chance Harvey

Melhor Actriz de Comédia/Musical
Rebecca Hall, Vicky Cristina Barcelona
Sally Hawkins, Happy-Go-Lucky
Frances McDormand, Burn After Reading
Meryl Streep, Mamma Mia
Emma Thompson, Last Chance Harvey

Melhor Filme Estrangeiro
The Baader Meinhof Complex (Alemanha)
Everlasting Moments (Suécia)
Gomorrah (Itália)
I’ve Loved You So Long
Waltz with Bashir

Melhor Filme de Animação
Bolt
Kung Fu Panda
Wall-E

Melhor Argumento
Simon Beaufoy, Slumdog Millionaire
David Hare, The Reader
Peter Morgan, Frost/Nixon
Eric Roth e Robin Swicord, The Curious Case of Benjamin Button
John Patrick Shanley, Doubt

Melhor Banda Sonora
Alexandre Desplat, The Curious Case of Benjamin Button
Clint Eastwood, Changeling
James Newton Howard, Defiance
A.R. Rahman, Slumdog Millionaire
Hans Zimmer, Frost/Nixon

Melhor Canção Original
Down to Earth, Wall-E
Gran Torino, Gran Torino
I thought I Lost You, Bolt
Once in a Lifetime, Cadillac Records
The Wrestler, The Wrestler

Bruno Ramos

sexta-feira, dezembro 12, 2008

O regresso de Cameron Crowe.

Para o bem e para o mal, Cameron Crowe demora, em média, três a quatro anos a fazer um novo filme. Senão, vejamos: Não Digas Nada (1989), Vida de Solteiro (1992), Jerry Maguire (1996), Quase Famosos (2000), Vanilla Sky (2001) e Elizabethtown (2005). Ali Vannila Sky, logo a seguir à obra-prima que é Quase Famosos, é que está a destoar. De resto, uma longa pausa separa os trabalhos. O próximo, não será excepção.

Esta semana, surgiu o primeiro título para a obra. Por enquanto, não sabemos se será apenas provisório, ou mesmo o definitivo. Para todos os efeitos, Deep Tiki é o nome no filme que contará com Ben Stiller e, muito provavelmente, Reese Whiterspoon nos principais papéis. Stiller será Brian Gilcrest, um consultor do armamento norte-americano de 37 anos, detestado por quase toda a gente. O seu único é Jeremy, um inteligentíssimo e perspicaz computador. Como resposta a uma agressão da China, Gilcrest é enviado para uma base militar inactiva no Havai, de modo a supervisionar o lançamento de um satélite que visa espiar o inimigo. A outra tarefa de Gilcrest será assegurar a confiança do congresso havaiano, ao lado do Major Lisa Ng, antes do lançamento do satélite. Quis também o destino que Tracy (Whiterspoon), o grande amor da vida de Gilcrest, vivesse também na ilha… com o seu marido e dois filhos. A produção deverá arrancar na Primavera do próximo ano. Já conhecida é a lista de algumas das músicas integrantes. Sabido é que, para Cameron Crowe, a banda sonora é tão ou mais importante que tudo o resto. E, a avaliar pela amostra, o bom gosto mantém-se.

“Don’t Be Shy” - Cat Stevens
“Elevation” - U2
“Prodigal Son” - The Rolling Stones
“Let’s Go Out Tonight” - The Blue Nile
“Pac-Man Fever” - Buckner & Garcia
“What’s New Pussycat” - Tom Jones
“Baba O’ Riley” - The Who
“She’s Leaving Home” – The Beatles
“Ribbon in The Sky” - Stevie Wonder

Aqui fica uma das pérolas musicais.

Bruno Ramos

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Um olhar sobre 'Inglorious Basterds'.

Aí estão duas novas fotografias de Inglorious Basterds, o próximo filme de Quentin Tarantino. Nesta aqui de cima, Brad Pitt com ar de menino reguila. Nesta aqui de baixo, uma amena cavaqueira em plena II Guerra, a fazer lembrar as diabruras de René Artois em Allô Allô!.

No filme, Brad Pitt interpreta o papel do Tenente Aldo Rain – numa homenagem ao actor Aldo Ray –, líder de um grupo de soldados judeus americanos, conhecidos por Basterds. Acompanhada pela actriz e agente secreta alemã Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), a equipa inicia uma missão de perseguição feroz e matança a uma série de Nazis, com o intuito de espalhar o terror no coração do Terceiro Reich. Tarantino + Humor Negro + Carnificina = Curiosidade Desmedida.

Bruno Ramos

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O perfilar dos candidatos.

Em menos de uma semana, três importantes listas de premiados foram dadas a conhecer. A primeira, a do National Board of Review. Já esta semana, os críticos de Los Angeles e Nova Iorque disseram de sua justiça relativamente ao ano cinematográfico de 2008. E, após uma breve análise ao rol de distinguidos, podemos tirar alguma ilações. Até porque existem fórmulas matemáticas trabalhadas ao longo dos anos, que nos permitem, com alguma segurança, avançar probabilidades para os Oscar. Comecemos, então, com os dez melhores filmes do ano para o National Board of Review.

Destruir Depois de Ler,
Changeling,
The Curious Case of Benjamin Button,
O Cavaleiro das Trevas,
Defiance,
Frost/Nixon,
Gran Torino,
Wall-E,
The Wrestler.

Já no capítulo das obras independentes, eis as dez eleitas:

Rachel Getting Married,
Frozen River,
In Bruges,
Vicky Cristina Barcelona,
Hallam Foe,
In Search of a Midnight Kiss,
Snow Angels,
Son of Rambow,
Wendy and Lucy,
The Visitor.

Quanto às distinções individuais:

Melhor Filme
Slumdog Millionaire

Melhor Realizador
David Fincher – The Curious Case of Benjamin Button

Melhor Actor
Clint Eastwood – Gran Torino

Melhor Actriz
Anne Hathaway – Rachel Getting Married

Melhor Actor Secundário
Josh Brolin – Milk

Melhor Actriz Secundária
Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona

Melhor Argumento Original
Gran Torino – Nick Schenk

Melhor Argumento Adaptado
Slumdog Millionaire – Simon Beaufoy
The Curious Case of Benjamin Button – Eric Roth

Melhor Filme de Animação
Wall-E

Nos últimos seis anos, o National Board of Review tem escolhido quase sempre os cinco eleitos dos Oscar. Contudo, desde 1994, em concordância com o Oscar de Melhor Filme, apenas Forrest Gump (1994), Beleza Americana (1999) e Este País Não É Para Velhos (2007). Por outro lado, nas últimas catorze edições, apenas por duas vezes o vencedor não esteve entre os cinco finalistas na corrida para o Oscar de Melhor Filme – Quills (2000) e Gods and Monsters (1998). No último ano, três dos dez (Juno, Expiação e Michael Clayton) marcaram presença nos Oscar. Por qualquer razão estapafúrdia, Haverá Sangue foi esquecido. Nas categorias de interpretação, a pontaria do National Board of Review não é tão certeira. Basta lembrar que o ano passado atiraram ao lado nas quatro distinções (George Clooney, Julie Christie, Casey Affleck e Amy Ryan).

Quanto aos prémios dos críticos de Los Angeles, há que começar por dizer que, geralmente, são os que menor correspondência apresentam em relação aos Oscar. A jogar em casa, na Meca do Cinema, seria de esperar um maior acerto. No entanto, todo aquele sol e todas aquelas palmeiras de Palm Springs devem manietar os críticos de Los Angeles, no sentido de elegerem sempre um título que os Oscar nunca se lembram de distinguir. Contudo, isto até joga a favor deste círculo de críticos, considerado inúmeras vezes como o mais independente e temerário dos Estados Unidos. Este ano não foi o primeiro, nem será certamente o último, em que os críticos de Los Angeles são aplaudidos por considerar como o melhor filme do ano, uma obra que, à partida, todos consideram como uma forte candidata ao principal Oscar, contudo, com algumas contrariedades difíceis de ignorar. Para encontrarmos um filme que tenha ganho, ao mesmo tempo, o círculo de Los Angeles e o Oscar de Melhor Filme, precisamos de recuar até A Lista de Schindler (1993). Pelo meio, o destemido grupo não teve problemas em aclamar Morrer em Las Vegas (1995), Segredos e Mentiras (1996), O Informador (1999), O Tigre e o Dragão (2000), About Schmidt (2002), American Splendor (2003) e Cartas de Iwo Jima (2006), como os melhores do seu ano. Eis os eleitos de 2008:

Melhor Filme
Wall-E

Melhor Realizador
Danny Boyle – Slumdog Millionaire

Melhor Actor
Sean Penn – Milk

Melhor Actriz
Sally Hawkins – Happy-Go-Lucky

Melhor Actor Secundário
Heath Ledger – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Actriz Secundária
Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona

Melhor Argumento
Happy-Go-Lucky – Mike Leigh

Melhor Filme de Animação
Valsa Com Bashir

Melhor Documentário
Man on Wire


Por último, quanto ao círculo de críticos de Nova Iorque, há a destacar o recente acerto nas principais categorias de interpretação. Nas últimas três edições, por duas vezes o melhor actor foi o mesmo dos Oscar – Daniel Day-Lewis e Forrest Whitaker –, o mesmo acontecendo com as actrizes – Helen Mirren e Reese Whiterspoon. Contudo, à imagem do que acontece na costa oeste, na categoria de Melhor Filme a coisa costuma sair ao lado. Nos últimos dez anos, o saldo até tem sido negativo. Apenas por duas vezes o filme foi o grande vencedor nos Oscar – Este País Não É Para Velhos (2007) e O Regresso do Rei (2003) –, enquanto quatro foram as vezes em que nem chegou aos cinco finalistas – Topsy-Turvy (1999), Mulholland Dr. (2001), Longe do Paraíso (2002) e Voo 93 (2006). Quererá isso dizer que Milk ficará de fora da corrida deste ano? Pouco provável. Aqui ficam os eleitos deste ano, para o círculo de críticos de Nova Iorque:

Melhor Filme
Milk

Melhor Realizador
Mike Leigh – Happy-Go-Lucky

Melhor Actor
Sean Penn – Milk

Melhor Actriz
Sally Hawkins – Happy-Go-Lucky

Melhor Actor Secundário
Josh Brolin – Milk

Melhor Actriz Secundária
Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona

Melhor Argumento
Rachel Getting Married – Jenny Lumet

Melhor Filme de Animação
Wall-E

Melhor Documentário
Man on Wire

Posto isto, podemos concluir que Penélope Cruz é, para já, a principal favorita a estar nas cinco finalistas candidatas ao Oscar de Melhor Actriz Secundária, enquanto a vitória de Heath Ledger não deverá ser considerada um dado adquirido. A concorrência de Josh Brolin, pelo menos, promete um despique aceso. Quanto a Sally Hawkins e Sean Penn, também poderão esperar uma distinção. As recentes nomeações para os Globos de Ouro – das quais falaremos ainda hoje – vêm comprovar isso mesmo.

Bruno Ramos

Da problemática da capa à controvérsia de alguns indícios proféticos.

Esta semana, por entre complicações na ordem do deslocamento rodoviário, depois de o carro ter decidido por conta própria que já não valia a pena andar mais, e deixar este que se assina apeado na zona de Coimbra, a caminho de Lisboa, sozinho, debaixo duma enorme chuvada, e outras tantas azáfamas do foro informático, após uns quantos trojans terem achado por bem visitar este pobre coitado pc que, de tão benevolente, recusa-se a fechar a porta a qualquer bom vírus que se preze, tem sido com alguma prudência que visito este espaço para ler os comentários do post agora abaixo deste.

Estes últimos dias serviram, não só, para concluir os artigos respeitantes ao próximo número da revista (facto que, aliado aos incómodos visitantes do computador, ajuda a explicar a ausência de textos neste recanto da blogosfera), como também para verificar a forma como 65 pessoas – and counting – reagiram à infelicidade da publicação não ter chegado a tempo às bancas. Pela manifesta ignorância quanto aos problemas que envolvem a questão das assinaturas, deixarei de lado esse delicado assunto, esperando apenas que se resolva da melhor maneira, quer para os assinantes como para a revista. Contudo, quanto à chegada da Premiere às bancas, e recentes temáticas abordadas no espaço de comentários reservado ao último post, deixemos aqui algumas palavras, na esperança de que estas conduzam a alguma reflexão. Caso contrário, poderão sempre copiar o texto para um documento Word, imprimi-lo, e dar à folha de papel o uso que melhor vos aprouver.

Antes de mais, gostaria de sublinhar o facto de redigir estas linhas, não na qualidade de colaborador, mas enquanto consumidor e leitor assíduo da revista. O José Vieira Mendes tomou a liberdade de revelar a identidade daquele tipo que, a dada altura, começou a colocar posts no blog da Premiere a torto e a direito, e que dava pelo nome de Alvy Singer, naquela carta aberta de má memória, redigida há mais de um ano. Nesse dia, Alvy e Bruno Ramos passaram a ser uma e a mesma pessoa. Um ano depois, a identidade de ambos carece ainda de definição. Contudo, algo têm em comum. Os dois são leitores da revista. Como muito boa gente espalhada por esse país fora, a partir do dia 01 de cada mês – quando não é antes –, dirigem-se à papelaria do costume na ânsia de encontrar a publicação que se habituaram a ler ao longo dos anos. Porque, acima de tudo, gostam daquele ritual pateta de trazer para casa a revista enrolada na mão, sem saber o que vem lá dentro. O prazer de já termos o doce à mercê, misturado com a soberania de fazermos dele o que bem entendermos. Como aqueles que iam visitando este espaço ao longo da semana, também eles acordavam na expectativa de que a revista já tivesse saído. Ontem, felizmente, a papelaria da praxe já estava munida do objecto mais desejado. Porém, não foi fácil descortiná-lo. Como sempre acontece às quintas-feiras, quando já não falta muito para o sorteio do euro-milhões, a fila na caixa era enorme. Depois de terem passado os olhos com o redobro do cuidado pelas prateleiras, sobretudo na secção dedicada às artes, constataram que a Premiere ainda não estava lá. Mas, caramba, de manhã, já o Pedro Almeida tinha dito que a revista tinha saído. Voltaram a percorrer as prateleiras, desta feita até à parte das publicações cor-de-rosa. Nada. Cabisbaixos, e já preparados para abandonar a papelaria, olharam para a revista que uma rapariga tinha na mão e se preparava para pagar. E, não é que a Nicole Kidman estava na capa? Lá foram para o fim da fila, agora ainda maior, para ver se, afinal, a papelaria tinha ou não a Premiere. Nunca mais chegava a vez deles. Quando chegou, uma eternidade depois, pediram a revista. A lojista riu-se. Ao fundo da sala, um enorme cesto ainda envolto em plástico guardava as relíquias. Onze dias depois, deitaram-lhe as mãos.

Agora, ao invés dos presságios, negros como o céu de Mordor, e das futurologias minuciosas, bem ao estilo dos Pre-Cogs de Relatório Minoritário (Steven Spielberg, 2002), que inundaram este espaço, a terem deixado um comentário, o deles teria sido bem diferente. Porque, lá está, o copo tem a água que tem. E, ou olhamos para ele quase a transbordar, ou entornado. Ao contário do muitos poderão pensar, a ausência da Premiere foi algo bastante benéfico. Por uma série de razões. A saber, a primeira, para ficarmos a saber realmente a falta que nos faz, se é que faz alguma. Para a relação ser saudável, não convém ter sempre o mesmo retorno. Surpresas exigem-se. Esperas são obrigatórias. Há que ter saudades. Nas palavras de Pessoa, ‘Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim’. E, a saudade serve para isso mesmo. Ver até onde vai o nosso apego. Assim, todos ficámos um pouco mais elucidados. A segunda razão, tem que ver com a dualidade Yin Yang da coisa. Se a revista demorou a chegar num mês, é porque o próximo já não está tão longe. Entre o atraso de Dezembro, e o primeiro número de 2009, parecerá que a Premiere é uma publicação quinzenal. Terceira, e última razão, os dois euros e meio que não foram aplicados no inicio do mês, certamente terão servido para uma meia de leite e uma meia torrada (em tempo de crise, tudo o que não for meia é demasiado), que, de outra forma, se calhar tinham dado lugar à dieta flexível.

Ao mesmo tempo, jamais teriam partido para contagens triviais, ainda para mais, com tão magros resultados, predicados do desporto que por cá se pratica. Daí que não entrem em enumerações do género sobre comentários a posts neste espaço, uma vez que a grande maioria se pauta por zero. No entanto, poderiam trazer à luz os seguintes dados. Regresso da Premiere: 60 comentários. Chegada da primeira Premiere às bancas: 62 comentários. A Premiere fica uma semana sem aparecer: 65 comentários. Este sim, é um jogo engraçado.

Por fim, o labiríntico enigma que é a capa da revista. Tema recorrente. Sobre ele, gostam de pensar que quem acha que o grafismo deixa muito a desejar, e tão afincadamente se queixa sobre este ponto, fá-lo por considerar que este não está ao nível do restante trabalho. E, nessa perspectiva, é muito reconfortante pensar que, em quase 100 páginas de revista, só há uma que falha verdadeiramente. Agora, a errar, que seja na capa. Assim, sempre podemos dizer que as aparências iludem. Se algum dia, algum dos fiéis leitores ouvir um transeunte queixar-se da apresentação da Premiere, não hesite. Deixe o aviso, Não se preocupe, lá dentro não é tão má. Mais uma vez, enquanto leitor da revista, já tinha trazido este senhor para a capa, como a Time fez em 1972.

Mas, caraças, isso sou eu. Deixemo-nos disso, e falemos sobre Cinema. O próximo post vem já a seguir.

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