Deuxieme


sexta-feira, dezembro 29, 2006

20 ANOS DA MORTE DE ANDREI TARKOWSKY (1932-1986)


O Grande Chefe avisa: a propósito das comemorações dos 20 anos da morte do cineasta soviético, vamos publicar ao longo dos próximos dias uma longa reflexão sobre a sua obra.


1 INTRODUÇÃO
A 29 de Dezembro comemora-se os 20 Anos da Morte do mais conhecido cineasta soviético e aquele que mais impressionou o mundo contemporâneo criando talvez as mais polémicas clivagens não só do ponto de vista político como estético. Com nove filmes em 26 anos de carreira o premiadíssimo Andrei Tarkovsky, morreu em Paris vítima de cancro na garganta em 1986. Foi amado e odiado pela cinefilia e pela crítica e sempre manteve uma posição extremamente crítica em relação ao Realismo Soviético, que lhe traria alguns problemas com as autoridades durante quase toda a sua carreira. Mas foi, de facto, um cineasta difícil de digerir, aliás como a maioria dos seus filmes. A título de exemplo vejamos o catálogo do Ciclo Ficção Científica realizado na Fundação Calouste Gulbenkian em 1984, dois anos antes da morte do realizador. Na sua ficha filmográfica, João Bénard da Costa dedicava-lhe as mais duras palavras e a razão de Solaris (“o 2001 dos pobres”) figurar no ciclo: “Que a cinematografia soviética, dos anos 60 a esta parte, é normalmente fraca, mete-se pelos olhos dentro de quem os não tem fechados. O que não quer dizer que não haja por lá alguns grandes cineastas, como Lariza Shepitko, Paradjanov, Klimov, Panfilov, Kromeno ou Hamraev. Mas Tarkowsky, o mais célebre dessa geração, nunca me convenceu. Não há filmes mais chatos, nem feitos com mão mais pesada e aí dou razão a António-Pedro Vasconcelos quando diz que ‘Stalker não dá mesmo para acreditar’, apesar das unânimes aclamações que obteve”. De facto, a obra de Andrei Tarkovsky não é propriamente fácil já que é quase sempre um mergulho na árdua e intrincada tarefa do autoconhecimento e da espiritualidade humana. O seu cinema propõe como que uma reeducação do olhar e uma reinvenção das complexas relações entre o real e o sonho, ou entre o eterno e o efémero. Tarkowsky explora ao máximo o poder das imagens-tempo, como aquelas que estão mais directamente ligadas à subjectividade e ao mundo interior de um indivíduo. Os seus filmes, como veremos a seguir, adquirem um caráter metafísico, de permanente pesquisa e energia, que raramente existe em outros cineastas mais intimistas, embora por vezes sejam ‘chatos’ e muito complicados de assimilar.
(a seguir 'UM ALUNO BRILHANTE)

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Joe Barbera (1911-2006)


Faleceu dia 18 de Dezembro, com 95 anos, Joe Barbera, um nome importante na história da animação norte-americana. Celebrizado através da sua parceria com William Hanna (1910-2001), que durou a quase totalidade da carreira profissional de ambos, foi o co-criador de inúmeros personagens que preencheram o imaginário de várias gerações. Como director de um dos dois departamentos de animação da MGM (o outro era dirigido por Tex Avery), Hanna e Barbera foram parte integrante, nos anos 40 e 50, da idade de ouro do cinema de animação norte-americano com a série Tom e Jerry, que criaram e alimentaram em dezenas de filmes, e cuja altíssima qualidade lhes valeu nada menos que sete Oscares de Melhor Curta-Metragem – a saber Yankee Doodle Mouse (1943), Mouse Trouble (1944), Quiet, Please! (1945), The Cat Concerto (1946), The Little Orphan (1948), The Two Mouseketeers (1951) e Johann Mouse (1952) – fazendo do gato e do rato os personagens que mais Oscar ganharam na história do cinema. Em 1957, com a animação de curta-metragem em declínio nas salas de cinema, a dupla de criadores criou o Hanna-Barbera Studio, dedicando-se quase exclusivamente a animação para televisão, com um sucesso fenomenal. Com os orçamentos reduzidíssimos que a televisão comportava, os dois animadores criaram um sistema em que animavam apenas as partes das figuras que se mexiam (como as pernas ao andar, por exemplo), utilizando o resto do corpo como parte do cenário (que, consequentemente, só se desenhava uma vez), reutilizando as figuras e os movimentos inúmeras vezes ao longo da série. Isto reduziu o numero de desenhos e os custos, mas, naturalmente, empobreceu bastante a própria animação. O impacto da estrutura de produção que criaram, económica e repetitiva, mas funcional e competitiva, foi, para o bem e para o mal, gigantesca no mercado, e sente-se até aos dias de hoje. Entre as inúmeras personagens que desde então criaram, destaque para Yogi Bear (Zé Colmeia em Portugal), os Flintstones (a primeira série de animação em horário de prime-time), Top Cat (ou Manda Chuva), Quick Draw McGraw (ou Pepe Legal), os Jetsons ou Scooby Doo. O legado de Joe Barbera é, portanto, algo polémico, já que, se por um lado foi um realizador de grandes méritos no campo da animação para cinema, foi, por outro, um dos principais expoentes de uma animação barata feita para televisão, de teor essencialmente infanto-juvenil (ao contrário da animação para cinema, que visava todo o público indistintamente), cuja imagem negativa, durante muito tempo, foi colada a toda a animação, mas que também permitiu a sobrevivência da mesma no meio televisivo. De qualquer forma, é inegável que as personagens que tocou marcaram fundo muitas gerações e que Joe Barbera, enquanto pessoa, parece ter deixado apenas memórias positivas em todos os profissionais que com ele trabalharam. Terão os leitores da Premiere memórias positivas das séries que Joe Barber co-criou?

Luís Salvado

segunda-feira, dezembro 11, 2006

O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA


O Grande Chefe avisa: Os National Board Review, os primeiros prémios de cinema de 2006, foram anunciados na semana passada com As Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood, na ‘grelha de partida’ da corrida aos Oscar, ao ser considerado o Melhor Filme. Estes prémios têm um peso muito importante já que reunem não só os profissionais da indústria, mas também uma massa crítica de académicos ligados ao cinema e como tal costumam ser um barómetro, tido em conta pelos ‘academistas’ de Hollywood. Dentro dos prémios, para além dos filmes que já estão em cartaz, visionei na sexta-feira The Last King of Scotland, de Kevin Macdonald, onde Forest Whithaker, Melhor Actor dos NBR, ‘arranca’ uma fabulosa interpretação, encarnando o deposto e controverso ditador ugandês Idi Amin Dada, num filme que retrata as suas brutalidades vistas — baseadas em factos reais — por um jovem médico escocês que chegou a ser seu conselheiro pessoal. Em síntese o filme é magnífico e, sem dúvida um dos melhores do ano que gira à volta de um incrível golpe do destino, de um jovem médico escocês Nicholas Garrigan (interpretado pelo ‘ascendente’ James McAvoy) que se inicia numa missão médica no Uganda, tornando-se irreversivelmente ligado a uma das figuras mais bárbaras do século XX: Idi Amin Dada. Impressionado pela atitude insolente do jovem médico numa situação de crise, o então auto-entitulado presidente de Uganda, coloca-o na posição de médico pessoal e confidente mais próximo. Apesar de, inicialmente, Garrigan ter ficado lisonjeado e maravilhado com sua nova posição, rapidamente desperta para a forma selvagem como Amin governa o seu povo e elimina os seus opositores, e o pior que isso, a sua quase cumplicidade em todos estes actos. Terror, traição, tirania e adultério, são revistos neste filme que começa numa toada calma caminhado rapidamente para uma tensão crescente, enquanto Garrigan tenta consertar seus erros e fugir de Uganda o mais depressa possível com vida. The Last King of Scotland não se trata de uma biografia no sentido mais tradicional, mas antes um drama intenso que inteligentemente utiliza como pano de fundo a figura de Idi Amim Dada, um dos ditadores mais sanguinários da África Central. Grande admirador da Escócia, considerado culpado pela morte de dezenas de milhares de ugandenses, Idi Amin tomou o poder num golpe militar (1971), derrubando o presidente Milton Obote. Após o golpe de estado, depois de alguns meses de moderação, iniciou rapidamente um estilo de governo que conduziu às maiores arbitrariedades e que durante oito anos (1971-1979), de um regime brutal deixou um país arruinado e centenas de milhares de pessoas assassinadas. Demonstrando um temperamento megalômano, vingativo e violento, expulsou (1972) cerca de 40 mil asiáticos, descendentes de imigrantes do império britânico na Índia, dizendo que Deus lhe havia dito para transformar Uganda num país de homens negros.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Esta Semana Estreia/7/12/2006


Todos os pinguins na Antártida encontram um companheiro para a vida através de uma canção. Mas Mumble não sabe cantar, o que deixa todos preocupados. O seu talento é a dança. Assim começa Happy Feet, um sucesso da animação dos Estados Unidos que em Portugal vai receber boas críticas. George Miller, o seu realizador, fez o subvalorizado Babe - Um Porquinho na Cidade em 1998, e a saga Mad Max. Isto é que é diversidade!

Os filmes a chegar às salas são Alex, melhor primeiro filme europeu do Festival de San Sebastian; O Nascimento de Cristo, de Catherine Hardwicke, com Keisha Castle-Hughes, que deve ter gostado tanto da experiência de ser Maria que também está agora grávida aos 16 anos; e Saw 3 — O Legado... julgamos que este dispensa apresentações. Preferências dos leitores da PREMIERE?

segunda-feira, dezembro 04, 2006

BORAT: AMOR OU ÓDIO?




O GRANDE CHEFE: Borat-Aprender a Cultura da América Para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão, tem gerado uma enorme polémica entre a crítica cinematográfica nacional, mesmo aqui na redacção da PREMIERE, onde as opiniões dividem-se e extremam-se. Há quem ache Borat genial e corrosivo em relação à ‘América’, há quem ache simplesmente que é concebido com um tipo de humor para ‘grunhos’…. Os dois críticos do Expresso que visionaram o filme não hesitam em dar-lhe uma bola preta, aliás como na generalidade dos críticos dos outros suplementos ‘Y’ e o ‘6ª’. O Vasco Baptista Marques diz mesmo: É confragedor constatar que Borat constitui um dos objectos cinematográficos que maior consenso crítico gerou nos últimos anos’. (…) o filme assenta em dois paradoxos: o de apresentar como politicamente incorrecto um discurso racista e sexista, que já entrou na ordem do dia via reality shows; o de não conseguir satirizar a boçalidade do pretenso americano médio, sem usar de forma acrítica o conjunto de estereótipos conceptuais que alegadamente a difinem (veja-se como aqui se representa o Terceiro Mundo). Não haja dúvidas a estupidez vende-se bem.
A PREMIERE não quer fugir á polémica portanto pede as vossas opiniões em relação a Borat….siga!!!!!

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