Deuxieme


sexta-feira, agosto 31, 2007

Mostra de Veneza 2007 - DIA 3

DIA 3, Sexta, 31 de Agosto
GEORGE, O MAG-NÍFICO
A assinatura do spot da Martini, passo a publicidade, em que George Clooney contracena com a modelo chilena Leonor Varala, a toureira que castra o touro e que agora começa a passar nas televisões, serve perfeitamente, para caracterizar a interpretação do actor, em Michael Clayton, de Tony Gilroy (o argumentista do primeiro filme da série Bourne que estreia agora a sequela Ultimato), e que como realizador estreia-se agora na competição de Veneza. Clooney num registo, curiosamente muito semelhante a Syriana, inclusive na temática do filme, mas agora sobre a corrupção, a especulação financeira e a fusão de empresas, arranca novamente uma notável interpretação, no advogado justiceiro Michael Clayton, um personagem com uma vida privada confusa e instável, mas que não abdica da descoberta da verdade. Michael Clayton é uma filme complexo, à imagem de Syriana, mas é também um verdadeiro filme-denúncia, a lembrar um sub-género em voga nos anos 70 de Alan J. Pakula ou mesmo Sidney Pollack, (que faz um pequeno papel) e em que o actor e de uma forma altruísta prescindiu do seu cachet, pela importância do papel e desta obra que vai chegar certamente aos Oscar, pela sua diferença.
Por falar em filmes denúncia, Brian De Palma, partiu do YouTube e do blog de um soldado americano em missão no Iraque, para construir, Redacted, uma ficção-documental, sobre um caso verídico da violação de uma jovem de 14 anos, por cinco soldados americanos em 2006 nos arredores de Mamhudya.
Mudando algo de registo Scarlett Johasson, que infelizmente por razões contratuais não vai poder estar no Lido, é a protagonista de The Nanny Diaries, de Shari Springer Berman e Robert Pulcini uma rapariga, que decide ser temporáriamente ama numa familia rica de Nova Iorque, em prejuizo de uma carreira à altura dos seus estudos universitários, isto numa doce homenagem à mais famosa ama da história do cinema: Mary Popins.
Por José Vieira MENDES

Mas, afinal, o que é que se passou aqui?


Ontem à noite, entre várias estreias possíveis, a sessão da meia noite puxou-me para ver algo mais "pesado" (alegadamente), e O Motel surgiu-me como aquele poster que "tem tudo para ser bom" e por isso vamos lá a passar o Kingcard e, seja o que Deus quiser...

Mas Deus não quis. Nem Deus, nem o realizador, nem os actores, nem o argumentista. Ninguém. O Motel tem uma premissa simples: um casal em vésperas de divórcio (Luke Wilson e Kate Beckinsale) vê-se obrigado a passar a noite num motel degradado, face a "inevitáveis" problemas com o seu carro e devido a estarem perdidos no meio de nada (onde é que eu já vi isto?). Para espanto de ambos, o quarto que alugam contem inúmeras cassetes de vídeo que possuem filmes onde várias pessoas são atacadas violentamente e mortas sem piedade por desconhecidos. Apoderados pelo medo, tudo muda de figura para o casal quando se apercebem que tudo foi filmado no quarto que lhes foi destinado por um recepcionista de aspecto bizarro, e, de repente, um jogo de toca e foge (é indescrítivel) começa entre o casal e desconhecidos sedentos por sangue.

A premissa, como referi anteriormente por alto, tem alguma base, mas que não foi trabalhada. O filme é uma pilha de clichés estapafúrdia, sem um pingo de representação artística, com momentos de climax onde somente o riso ridículo dos espectadores impera. Não existe fio condutor, não há ponta por onde se pegue - não há uma razão lógica para a história se desenrolar. Tudo é tão óbvio, tão previsível. Os diálogos são de uma nulidade gigante, não há uma gota de emoção sobre aquele guião, nenhum prazer sobre o olhar da câmara. O final é, de longe, das coisas mais absurdas que me recordo de ver, onde até os mortos ganham vida, não pelo amor, mas pelo enorme arrepio que recebem na espinha com tais imagens! Mas alguém ali tem noção das asneiras que está a fazer?

Há muito tempo que eu não saía de uma sala de boca aberta, estupefacto com uma barbaridade tão grande, a soro com uma intravenosa simpática no braço... É que, com tanto que se podia fazer, eu só cheguei ao fim do filme (enquanto estive lúcido antes de desmaiar) e perguntei: "Mas, afinal, o que é que se passou aqui?"

Entre géneros e parencenças muito muito dúbias, Psycho terminava num grande "vazio", como referiu João Benárd da Costa na sua excelente crítica. Mas nunca um "vazio" foi tão cheio, tão grandioso e desolador em simultâneo. É que O Motel nem num vazio termina; ele nunca esteve sequer meio cheio de alguma coisa, e além disso é um pesadelo duro de roer.

Agora sim, tenham medo... muito medo... e fujam a sete pés disto.

Francisco Silva

quinta-feira, agosto 30, 2007

Previsão - Melhor Actor

Quando a temporada de prémios começa a aquecer, eis que surge a primeira tabela com as apostas de Alvy Singer para os Óscares do próximo ano. Como se de um top se tratasse, a lista é encabeçada pelo favorito e, por ordem decrescente, os candidatos vão-se sucedendo até ao décimo. As listas sofrerão alterações ao longo dos tempos, sendo que os candidatos poderão ganhar ou perder posições, ou mesmo dar lugar a nomes que não figuram da lista em determinado momento. O primeiro rol a ser apresentado é o da categoria de Melhor Actor. Amanhã será a vez das senhoras.

Alvy Singer

Like a rolling stone.

O mais recente clip de I’m Not There. Acompanhado pelo trailer que saiu há coisa de uma semana, mas que só agora Alvy Singer descobriu. A opinião que chegará de Veneza sobre este filme é aguardada com expectativa. Muita expectativa. No que diz respeito ao trailer, não podiam ter escolhido melhor música. Já agora, vale a pena dar uma olhadela a estas fotografias.

Alvy Singer

Um filme que não será uma 'road trip'.

Não há muitas palavras que possam acompanhar este teaser poster, algo ainda tão prematuro que dificilmente podemos considerar de oficial. Knight Rider, ou O Justiceiro, foi uma daquelas míticas séries dos anos 80 que marcou toda uma geração. Quer dizer, se calhar marcou uma geração é ir longe demais. Que marcou parte duma geração, animou outra, e revoltou outros tantos. A música inicial é logo um ponto de discórdia. Acordes que deixam meio mundo com pele de galinha e a outra metade com um arrepio na espinha. No entanto, este não deixa de ser um programa por todos recordado. É certo que, por uns pelas melhores razões, por outros pelas piores.

Por agora, aqui fica o poster do filme que virá em 2008. Em letras minúsculas, no canto inferior direito, podemos ler The Weinstein Company. Este pode ser o primeiro sinal de que o filme vai mesmo avançar. Agora, a pergunta que se impõe é esta: Qual será o actor que melhor se sentará ao volante de KITT?

Alvy Singer

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Resultados das votações.

A ideia já existia, foi proposta pelo Marco, um assíduo leitor deste blog, num post anterior, e surge agora de forma natural, depois da questão que ficou a marinar durante uma semana e meia neste espaço. Sempre que for possível e pertinente, falaremos aqui dos resultados das perguntas que vão surgindo ali do lado direito. Hoje, está lá uma diferente.

Durante algum tempo esteve ali uma outra que perguntava qual era o filme mais antecipado com estreia prevista para Setembro. Com a breca, não é que foi logo ganhar um cuja estreia caiu para Outubro? Afinal, Grindhouse: Planet Terror, eleito por uma maioria de 34 votos, tem agora estreia marcada para 04 de Outubro, um fim-de-semana onde se prevê a estreia de… 13 filmes. Só um bocadinho, por favor. Sim, treze filmes. De entre os quais se destaca In the Valley of Elah.

Em segundo lugar, com uma bonita soma de 24 votos, ficou de The Bourne: Ultimatum. Sim senhor, medalha de prata justíssima. O terceiro e quarto lugar, Stardust (12) e Hairspay (10), não deixaram de ser duas pequenas surpresas. Se o musical de John Travolta foi o primeiro grande sucesso deste verão nos Estados Unidos, a aventura de Claire Danes e Michelle Pfeiffer parece ser o filme que todos os blockbusters deste verão queriam ter sido. Os Fantasmas de Goya e 1408 merecem uma menção honrosa. De qualquer forma, se a opção Que venha Outubro fosse um filme, ficaria em quarto lugar (11).

Alvy Singer

Mostra de Veneza 2007 - DIA 2

DIA 2, Quinta, 30 de Agosto

TEMPESTADE TROPICAL

Apesar da trovoada tropical que abateu aqui no Lido de Veneza, que mais parecia um dilúvio, a competição aqueceu com dois filmes bastante tórridos. Dois anos depois de O Segredo de Brokeback Mountain, Ang Lee regressou com Lust, Caution, um filme falado em mandarim, protagonizado por duas estrelas asiáticas (Tony Lung e Wang Lee-hom), e com produção norte-americana. Lust, Caution é um filme intenso, um thriller erótico de espionagem, passado entre Xangai e Hong-Kong na II Guerra Mundial, e ao mesmo tempo uma vibrante história de amor em que os protagonistas oscilam entre a razão e os sentimentos. O filme têm cenas eróticas explícitas e muitos já lhe chamam um espécie de Ultimo Tango em Paris, da actualidade.

Não menos insólito e contraditório é Sleuth, de Kenneth Branagh, o remake do ultimo filme de Mankievitz, rescrito por Harold Pinter, e interpretado por Michael Caine e Jude Law, com Caine agora numa inversão de papéis em relação ao original. Este novo filme é diferente para melhor, na recriação dos ambientes de alta tecnologia da casa onde se desenvolve o jogo de alto risco entre os dois protagonistas e onde Jude Law, um actor muitas vezes menosprezado, transcende-se na interpretação de Milo, o amante da dona da casa que nunca vemos. O final é absolutamente imprevisível, depois de ao longo do filme assistirmos às mais diversas reviravoltas.

Continua a homenagem ao western spaghetti e para celebrá-la ontem no Pachuka, um dos mais famosos locais de animação aqui do Lido, houve uma festa de arromba, intitulada Viva Quentin!, o padrinho da retrospectiva, que esteve lá e até comeu muito spaghetti como a maioria dos convidados, ao som de remix de Enio Morriconne e com muita Pulp Dogs music a recordar também os filmes de Tarantino.

Por José Vieira MENDES

O som da Harmónica pela manhã


Não sei até que ponto um fanático de cinema pensa e respira 24h sobre cinema, ou até que ponto um simples apreciador disponibiliza tempo na sua mente para tal arte. Certo é que são tantas mas tantas as manhãs em que acordo com uma cena na cabeça, um momento de cinema notável a que assisti e nunca mais esqueci...

Entre as inúmeras situações, hoje despertei ao som de uma harmónica. Para muitos (incluindo eu mesmo), Aconteceu no Oeste (Sergio Leone, 1968) é o melhor western da história do cinema, uma "dança de morte", como o próprio Leone o definiu, "que se desenrola como os últimos suspiros de um homem à beira da morte". Desta forma fui assaltado pela memória da famosa cena de abertura (são cerca de 8 minutos de beleza), uma cena de espera de três forasteiros que aguardam a chegada de um comboio. Durante isso, todos fazem por passar o tempo da forma mais sórdida, até que o comboio chega ao seu destino, e sem sinais do que pretendiam, os três homens resolvem ir embora, até que são despertados por um som acutilante de uma harmónica, um instrumento vital neste filme, que dá o nome à personagem de Charles Bronson e que ele usa sempre que se quer apresentar. Num curto diálogo poderoso, os homens travam conhecimento e irrompe um tiroteio bestial...

Aconteceu no Oeste é uma obra-prima do cinema, um dos maiores filmes de Leone, que explora a decadência do Oeste, sob a premissa da chegada dos caminhos de ferro e os interesses que tal acontecimento despertou, através da relação entre várias personagens com objectivos diferentes, onde se encontra o já referido Charles Bronson, que faz companhia à belíssima Claudia Cardinale, ao grande Jason Robards e, como vilão, temos o inesperado mas espantoso Henry Fonda. O que é de louvar é a edição muito boa que existe no nosso mercado (ainda assim imbatível com a europeia, onde a caixa é de cartão e dispõe de um booklet delicioso, para além de ter legendas em português para o filme e extras!), e que nos permite admirar esta obra na sua total plenitude.

Aqui está um cheirinho da minha carolice matinal...

http://br.youtube.com/watch?v=jHZpO6aNLwE

(eu e o youtube hoje não estamos em sintonia, estou com dificuldades em colocar o video, por isso aqui fica o link para os mais interessados).


Francisco Silva.

Qual é o Filme?

De todos os filmes que este realizador (expulso da Universidade de Nova Iorque, enquanto estudante) já fez, este é aquele que ele menos gosta; este é também aquele filme em que entra a actriz que Diane Keaton definiu como o génio da minha geração, e uma outra actriz que acalentou durante anos o sonho de realizar um remake de O Anjo Azul com Madonna como protagonista. Serão três pistas suficientes?

Alvy Singer

quarta-feira, agosto 29, 2007

Dois pósteres de boas-vindas.

Se é verdade que é possível trazer aqui algumas notícias mais frescas de terras do Tio Sam, também não é menos verdade que muitas coisas passaram ao lado de Alvy Singer nestes últimos dez dias. Pouco antes da partida recordo ter visto um maravilhoso filme sobre um rato que acalentava o sonho de ser cozinheiro. Depois disso, o vazio. É então com delicadeza que, apelando à generosidade e disponibilidade de todos aqueles que visitam este espaço, se lança aqui o repto de colocar a par das novidades cinematográficas nacionais, um cinéfilo que esteve ausente na última semana e meia. O que é obrigatório ver e o que não vale os cinco euros? Alguma coisa de relevante se passou na rodagem de Corrupção?

Em Nova Iorque foi possível constatar que o filme do momento nos Estados Unidos é Superbad. Estando em primeiro nas bilheteiras, o filme parece ter caído nas graças do país inteiro. Também deu para perceber que Ressurecting the Champ foi alvo de uma excepcional campanha publicitária e que a obra de Rod Lurie não deve ser tão má como alguns supunham. Até já se começava a falar de Samuel L. Jackson para os Óscares. Fica aqui o trailer.

Uma noite interessante foi a do visionamento dos Teen Choice Awards, um espectáculo onde todos podemos testar a resistência auricular. Para todos aqueles que já experimentaram as introduções da Oprah, então vejam este espectáculo. É de rebentar com os tímpanos de qualquer um. A verdade é que High School Musical 2, um telefilme da Disney, prolongou o sucesso do primeiro filme e abriu as portas para uma estreia do terceiro nos cinemas. Zac Efron é o nome que se segue na fila dos jovens em espera para a rampa de lançamento.

Agora, chegado a terras lusas e após uma primeira incursão pelos sites do costume, deparo-me com este novo e soberbo poster de Sweeney Todd.

Pouco depois, encontrei este outro de Silk, um filme há muito aguardado por estes lados.

Cada vez mais ficamos com a sensação de que Keira Knightley é a principal rival de Keira Knightley. Com este título e Atonement, a actriz atira-se de cabeça aos prémios da Academia. Esperemos que não se aleije. De qualquer forma, a primeira conclusão que podemos tirar é mesmo a de que, se um filme quer parecer sério, os únicos que falam no trailer são os actores. Nem que para isso sejam precisas umas dez frases a acompanhar.




Alvy Singer

É como entrar num filme...

Com o fuso horário como bode expiatório para toda e qualquer desconexão entre ideias, é com enorme regozijo que Alvy Singer se relança nas azáfamas deste blog. Ainda não passaram 24 horas desde o regresso, e as saudades da minha amiga Annie já são mais que muitas. Os cumprimentos foram transmitidos, Grande Chefe, e desde já aproveito para dizer que, ao vivo, ela mantém um brilho invejável. Aliás, trinta anos depois não sei mesmo se… bom, cala-te boca.

Nova Iorque é uma daquelas cidades que facilmente se insere num post de qualquer blog. Num sobre cinema, então, o difícil é escolher os temas. A cada quarteirão perguntamo-nos Onde é que eu já vi este prédio? Aquele não é o edifício do Apartamento de Billy Wilder? Até esta viagem, este era um daqueles locais cujo encantamento apenas conhecia através da magia da sétima arte. Hoje, o feitiço é outro. Hoje, a vontade de rever Manhattan, Um Dia de Cão ou Sleepers, é maior do que nunca. O avião aterrou quando pouco passava das 6 da manhã, e ainda não eram 10 quando o Dvd de Taxi Driver já rodava no leitor…

Entre outras coisas, foi possível tomar um pequeno-almoço no famoso Tom’s Restaurant, o mesmo que aparece em Seinfeld; passear no Observation Deck onde Tom Hanks e Meg Ryan se encontram em Sleepless in Seatle; olhar da Brooklyn Bridge para Manhattan e ver aquele aglomerado de prédios que tantas vezes abre uma qualquer película; caminhar no passeio em frente da Tiffany’s como Audrey Hepburn fez – sem o pequeno-almoço na mão –; enfim, cada dia oferecia a possibilidade de estar num filme diferente.

Para além disto tudo, a viagem permitiu ainda ver In the Land of Women, um titulo que infelizmente tinha passado ao lado aquando da sua estreia no nosso país, e que surpreendeu sobremaneira (como é bom ver Meg Ryan num papel à sua medida), e Waitress, o tal filme com que Keri Russell tem conquistado público e critica. O argumento e realização da malograda cineasta Adrienne Shelly, assassinada no seu apartamento de Nova Iorque em Novembro do ano passado, são notáveis, no entanto, quem sobressai é mesmo Russell. Ela é o topping ideal nesta apetitosa tarte. Quando o filme estrear por cá, falaremos dele aqui mais a sério. Para já, podemos apenas dizer que não será uma enorme surpresa ver o nome de Keri Russell nas listas dos principais candidatos aos prémios deste ano. No entanto, uma prematura estreia nos Estados Unidos, aliada ao facto do nome Keri Russell ser ainda algo frágil para carregar um filme tão pesado, podem prejudicar a magnifica interpretação da actriz.

Depois deste, um ou outro post, de preferência com fotografias, deverão surgir neste blog com o intuito de melhor transmitir como é que um cinéfilo se entretém na Big Apple. Por agora, vamos falando de cinema. Nos intervalos aproveitarei para pegar ali no puzzle com 1000 peças, comprado na F.A.O. Schwartz (mais uma de tantas referências…), do poster de Casablanca. Isto é que vai ser um quadro. Em jeito de curiosidade, aqui fica o homem que domina toda e qualquer loja de souvenirs em Nova Iorque. A cidade pertence-lhe.


Alvy Singer


MOSTRA DE VENEZA 2007

DIA 1, Quarta, 30 de Agosto

QUE VÃO FAZER COM OS LEÕES?

Este é uma das primeiras curiosidades desta Veneza 64, já que as figures dos Leões que estão habitualmente perfiladas, na passadeira vermelha à entrada do Palácio do Cinema, têm andado de um lado para o outro sem muito bem saberem o que lhe fazer. Isto é, se estivessem nos seus sítios tapariam uma bela escultura de um globo colocado no interior da falsa parede do Palácio, e que comemora os 75 anos do mais antigo Festival de Cinema do Mundo.

Quanto a filmes, a abertura como já tinha sido anunciado coube ao filme de origem britânica, Atonement, de Joe Wright. É uma história em três tempos (anos 30, II Guerra Mundial, e a actualidade) em que uma autora de renome Briony Tallis, escreve o último romance da sua vida, que é contado ao longo do filme, tentando expiar a sua culpa de na sua infância, ser a responsável pela tragédia sentimental da irmã mais velha Cecile. Depois de Orgulho e Preconceito, o realizador Joe Wright, adapta, com a ajuda de Christopher Hampton (o argumentista de Ligações Perigosas) mais um grande romance, e de díficil transposição para o cinema, escrito pelo contemporãneo Ian McWean. Atonement, é filme comovente, uma história de amor algo formalista à boa maneira britânica, mesmo com os flashbacks narrativos, e que conta com belíssimas interpretações dos protagonistas Keira Knightley/James MacAvoy, para além de uma fabulosa aparição final de Vanessa Redgrave, que dá voz á escritora aos setenta anos. Um filme que pelo seu classissismo estará certamente na corrida aos Oscar.

Takeshi Kitano, apresentou-se aqui no Lido, com Glory to the Filmaker, numa projecção fora da competição, mas não menos importante, até porque se trata de um filme dirigido aos amantes do cinema. Kitano retorna às suas preocupações existenciais em relação à sua carreira de realizador, questionando-se novamente sobre os clichés da sua própria obra no contexto dos géneros e do futuro do cinema. Num filme de grande sentido de oportunidade, numa altura em que se manifestam grandes revoluções cinematicas, Kitano combina de uma forma irónica, o melhor da sua arte como actor para fabricar um conjunto de quadros cómicos que representam os mais variados géneros e sub-géneros do cinema, que vão da ficção científica, aos filmes de yakusas.

segunda-feira, agosto 27, 2007

MOSTRA CINEMATOGRÁFICA DE VENEZA 2007




Começa depois de amanhã, dia 27, a 64º Mostra Cinematográfica de Veneza, que se realiza até 8 de Setembro. Ao festival europeu que melhor combina a arte com a indústria vão regressar grandes nomes da cinematografia mundial, entre eles os portugueses Manoel de Oliveira e João Canijo. A PREMIERE vai acompanhar aqui, diariamente e ao pormenor, tudo o que se passa no Lido de Veneza.
Por José Vieira MENDES

Filmes norte-americanos e britânicos dominam praticamente a programação do mais antigo festival de cinema do mundo — que comemora este ano setenta e cinco anos — totalizando cerca de onze títulos, ou seja metade dos vinte e dois em competição, desta 64ª edição da Mostra Cinematográfica de Veneza. Marco Muller -— o director do festival, que cumpre este ano o seu terceiro ano de um excelente mandato como programador, reinventando um festival que estava a cair numa profunda crise — anunciou na conferência de imprensa a grelha da programação, salientado que o objectivo desta escolha é mostrar que existe um cinema anglo-saxónico que se distingue do habitual cinema comercial, além de, e centrando-nos numa panorâmica mais geral sobre a programação, se incluir uma forte presença dos filmes asiáticos, como que alimentando um guilty pleasure cinematográfico do próprio director. A Mostra vai comemorar o seu 75º aniversário este ano com a presença no Lido de várias estrelas e realizadores de primeira linha, que disputarão o prémio principal numa conjugação perfeita entre o glamour, a criatividade e a inovação.

ANGLO-SAXÓNICOS E ASIÁTICOS
Começando pelos realizadores e filmes em competição entre 29 de Agosto e 8 de Setembro, estarão no Lido, entre outros, Peter Greenaway, Eric Rohmer, Nikita Mikhalkov, Jose Luis Guerrin, Youssef Chahine, Ken Loach, Brian de Palma ou Paul Haggis – os dois últimos com duas obras sobre a guerra e a presença americana no Iraque, respectivamente Redacted, um cruzamento de histórias sobre soldados americanos e sobre a cobertura mediática do conflito, e In the Valley of Elah, com Tommy Lee Jones e a mulher, interpretada por Susan Sarandon, que procuram deseperadamente o filho que desaparece depois de uma comissão de serviço no Iraque. Atonement, de Joe Wright, baseado no romance homónimo do escritor britânico Ian McEwan, com Keira Knigtley será o Filme de Abertura. O realizador sino-americano, Ang Lee, cujo O Segredo de Brokeback Mountain recebeu o prémio máximo em Veneza 2005, vai também regressar ao Lido. Com Lust, Caution, regressa à China, numa produção rodada em Xangai, passada nas décadas de 30/40, no género ‘dormindo com o inimigo’, que cruza o thriller de espionagem com uma história de amor entre uma nacionalista chinesa e um oficial do Governo, apoiado na altura pelo Japão. O actor britânico e também realizador Kenneth Branagh apresenta Sleuth, um remake de Autópsia de Um Crime. Desta vez, é o Prémio Nobel, Harold Pinter a rescrever a peça de Anthony Shaffer que serviu de argumento a Joseph L. Mankiewicz, em 1972, para realizar um grande exercício sobre a manipulação e um labirinto criminal entre um homem e o amante da sua mulher, com Laurence Olivier e Michael Caine. Curiosamente, agora Michael Caine faz o papel que fora de Olivier e Jude Law o que pertencera a Caine, algo que já tinha sucedido em Alfie. Os filmes britânicos na competição principal são Nightwatching, de Peter Greenaway, e It's a Free World..., de Ken Loach. Fora da competição, alguns dos títulos mais aguardados são Cassandra's Dream, de Woody Allen, na linha amoral de Match Point (2005): dois irmãos (Collin Farrell e Ewan McGregor), que vivem no Sul de Londres, conhecem uma mulher que usa o seu poder de sedução, levando-os ao crime. Um grande elenco composto por Heath Ledger, Christian Bale, Richard Gere e Cate Blanchett... encarna Bob Dylan em I'm Not There, de Todd Haynes, além de Charlotte Gainsbourg, Julianne Moore ou Michelle Williams. O filme é um dos mais apetecidos do programa, já que existe uma grande aura de secretismo sobre esta recriação da vida do cantor e compositor, e no reconhecimento de um tema maldito que ficou sempre fora de todas as compilações, entitulado The Basement Tapes. Outro incontornável autor americano em Veneza é Wes Anderson que, acompanhado dos seus cúmplices Owen Wilson e Jason Schwartzman, e com Adrien Brody, viajou para o Oriente para filmar The Darjeeling Limited: três irmãos viajam pela insólita paisagem da Índia, tentando fortificar os seus laços afectivos. Anderson apresenta ainda, fora de concurso, a curta-metragem, Hotel Chevalier, com Jason Schwartzman e Natalie Portman. Aspiram ao Leão de Ouro outros filmes norte-americanos como, The Assassination of Jesse James, de Andrew Dominik; Michael Clayton de Tony Gilroy; e os europeus Les Amours d'Astree et Celadon, de Eric Rohmer; e En la Ciudad de Silvia, do espanhol José Luis Guerín, entre outras produções. Finalmente, da Ásia e na competição, vão estar The Sun Also Rises, de Jiang Wen, que Muller na conferência de imprensa apresentou como uma espécie de sátira chinesa ao estilo Kusturica, Help me Eros, de Lee Kang Sheng (o realizador é o actor da maioria dos filmes de Tsai Ming-liang), e Sukiyaki Western Django, de Takashi Miike, numa homenagem ao western spaghetti com Quentin Tarantino como actor, a reforçar a onda grindhouse.

HORIZONTES E FORA DA COMPETIÇÃO
Quanto a filmes asiáticos, mas agora fora de competição, chegam-nos Glory to the Filmmaker!, de Takeshi Kitano, que como o próprio título indica não andará longe da linha do filme anterior do realizador japonês, Takeshi's, uma espécie de auto-análise da sua própria obra, por enquanto inédito em Portugal. Na secção Horizontes, alternativa e com uma boa componente documental, destacam-se para já duas estreias importantes: Useless, o novo documentário de Jia Zhang-Ke, o vencedor do Leão de Ouro do ano passado, com a ficção Natureza Morta, e Man from Plains, um documentário de Jonatham Demme, um retrato do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter. É nesta secção que vai ser apresentado Mal Nascida, o filme de João Canijo, que aparentemente é mais uma viagem ao País profundo e às casas de alterne. Manoel de Oliveira, com Cristóvão Colombo - O Enigma, será exibido fora de competição. Brad Pitt, George Clooney, Richard Gere, Cate Blanchett, Vanessa Redgrave, Scarlett Johansson, Charlize Theron, Susan Sarandon e Adrien Brody são algumas das celebridades previstas para desfilar pelo tapete vermelho durante o festival, que exibirá um total de 57 filmes.

GUERRA E ‘WESTERN SPAGHETTI’
A guerra tem um destaque especial nesta edição do festival, pois alguns dos filmes abordam dramas relacionados com os conflitos bélicos actuais, como In the Valley of Elah, que traz a história de um militar (Tommy Lee Jones) que decide investigar o misterioso desaparecimento de seu filho no regresso do Iraque. Já Redacted aborda as torturas feitas aos iraquianos por parte de soldados americanos, e The Hunting Party, de Richard Shepard, é mais um filme que trata também a temática da guerra. Tal como no ano passado, é previsível a inclusão de um filme-surpresa na competição pelo Leão de Ouro a poucos dias do início do evento. Anunciado foi também que o festival recuperará o género western spaghetti, com uma retrospectiva que terá como padrinho Quentin Tarantino. A versão restaurada do filme O Cavalo de Ferro (1924) de John Ford (que ganhou um Leão de Ouro honorário em 1971), o documentário de Nick Redman, Becoming John Ford e o regresso de cinco obras-primas de Budd Boetticher (O Resgate de um Bandoleiro (1957), com Randolph Scott e Maureen O’Sullivan, Amanhecer Sangrento (1957), com Randolph Scott, Noah Beery Jr. e Karen Steele, Fibra de Heróis (1958), com Randolph Scott, Peter Whitney e Craig Stevens, O Homem Que Luta Só (1959), com Randolph Scott, Lee Van Cleef, Karen Steele e James Coburn, e Cavalgada Trágica (1960), com Randolph Scott e Nacy Gates), vão juntar-se aos já anunciados filmes da retrospectiva e aos novos filmes do velho oeste de Andrew Dominik, (The Assassination of Jesse James), Takashi Miike (Sukiyaki Western Django) e Alex Cox (Searchers 2.0 na secção Horizonte).

'BLADE RUNNER' RESTAURADO
A versão definitiva e restaurada de Blade Runner, do realizador britânico Ridley Scott, do filme, protagonizado por Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos e Daryl Hannah, será mais uma das grandes surpresas desta 64ª edição da Mostra de Veneza, prometida para das projeções da meia-noite. A obra-prima de Ridley Scott, de 1982, estreará em première mundial a 1 de Setembro, com a presença do cineasta, que trabalhou nos últimos meses neste Blade Runner: The Final Cut, a nova versão completamente restaurada e remasterizada, com cenas inéditas, novos e melhorados efeitos especiais e com a famosa banda sonora em Dolby Digital 5.1.

PROGRAMAÇÃO OFICIAL:

Filmes em Competição:

"Atonement" (Joe Wright, Reino Unido/EUA) - Filme de abertura
"The Darjeeling Limited" (Wes Anderson, EUA)
"Sleuth" (Kenneth Branagh, Reino Unido/EUA)
"Heya Fawda"/"Le Chaos" (Youssef Chahine, Egito)
"Redacted" (Brian De Palma, EUA)
"The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford" (Andrew Dominik, EUA)
"Nessuna Qualità agli Eroi" (Paolo Franchi, Itália/Suíça/França)
"Michael Clayton" (Tony Gilroy, EUA)
"Nightwatching" (Peter Greenaway, Reino Unido/Polônia/Canadá/Holanda)
"En la Ciudad de Sylvia" (José Luis Guerin, Espanha)
"In the Valley of Elah" (Paul Haggis, EUA)
"I'm not There" (Todd Haynes, EUA)
"Taiyang Zhaochang Shenqi"/"The Sun Also Rises" (Jiang Wen, China)
"Bangbang wo Aishen"/"Help me Heros" (Li Kangsheng, Taiwan)
"La Graine et le Mulet" (Abdellatif Kechiche, França)
"Se, Jie"/"Lust, Caution" (Ang Lee, Taiwan)
"It's a Free World..." (Ken Loach, Reino Unido/Itália/Alemanha/Espanha)
"L'Ora di Punta" (Vincenzo Marra, Itália)
"Sukiyaki Western Django" (Takashi Miike, Japão)
"12" (Nikita Mikhalkov, Rússia)
"Il Doce e l'Amaro" (Andrea Porporati, Itália)
"Les Amours d'Astrée et Céladon" (Eric Rohmer, França/Itália/Espanha)


Fora de concurso - Maestri:

"Cassandra's Dream" (Woody Allen, Reino Unido/EUA)
"Cleópatra" (Júlio Bressane, Brasil)
"La Fille Coupée en Deux" (Claude Chabrol, França)
"Chun-nyun-hack"/"Beyond the Years" (Im Kwon Taek, Coréia do Sul)
"Kantoku banzai!"/"Glory to the Filmmaker!" (Takeshi Kitano, Japão)
"Cristóvão Colombo - O Enigma" (Manoel de Oliveira, Portugal)

Homenagens:

Tim Burton - Leão de Ouro pela carreira
Bernardo Bertolucci - Leão de Ouro dos 75 anos do Festival
Alexander Kluge - Homenagem
Western all´Italiana - Retrospectiva

terça-feira, agosto 21, 2007

Ainda Bernstein e "The Man With the Golden Arm"





The Man With the Golden Arm (1955)
O filme de Otto Preminger com Frank Sinatra e Kim Novak, é um drama passado no submundo das drogas e do jogo num bairro no sul dos Estados Unidos. Nunca antes tinha Elmer Bernstein composto uma partitura jazzística para um filme, mas Preminger pede ao compositor uma música apropriada envolvendo o uso de “instrumentos de jazz”. O resultado final é um híbrido, pois além de uma convencional orquestra sinfónica, surgem na banda sonora diversos ensembles de jazz que incluíam aliás grandes nomes do jazz da altura como o trompetista Shorty Rogers ou o baterista Shelly Maine. Toda, ou quase toda a partitura foi escrita em pauta, exceptuando alguns momentos de improvisação de Rogers e Manne sobre 32 compassos anotados por Bernstein. E se a música é de facto de excepcional qualidade, não foi a primeira a trazer para o cinema a sonoridade jazzística. Já antes, o compositor Alex North tinha baseado a sua partitura para A Streetcar Named Desire (1951) de Elia Kazan, em elementos rítmicos e harmónicos do jazz. O que se segue é a abertura da autoria do mítico Saul Bass (já aqui referida há umas semanas pelo Alvy Singer) com o famoso tema de Bernstein a criar o ambiente.

Bernardo Sena

domingo, agosto 19, 2007

Lembrando Elmer Bernstein em "Na Sombra e no Silêncio"




Elmer Bernstein (1922 – 2004)
Elmer Bernstein foi outra das grandes figuras da música para cinema, falecido há três anos atrás, no dia 18 de Agosto de 2004 (o compositor faleceu pouco tempo depois de Jerry Goldsmith). Uma das suas mais notáveis bandas sonoras foi para Na Sombra e no Silêncio (To Kill a Mockinbird). O notável filme de 1962 com Gregory Peck (que lhe daria o seu único e merecido oscar) é baseado no romance autobiográfico de Harper Lee e conta a história de duas crianças e o pai advogado que defende um negro numa comunidade racista, falsamente acusado da violação de uma mulher branca. A sua música para este filme, contado através dos olhos das crianças é considerada uma das suas mais sublimes criações. Nas palavras do compositor, “a música foca-se nessa coisa tão particular e mágica que é o mundo das crianças”. O tema principal é uma simples e inocente melodia em forma de valsa para piano, cordas e flauta solo e que nos desperta toda uma compaixão pelas crianças. Para o compositor, nesta banda sonora, “a palavra-chave era simplicidade”. O fantástico genérico que se segue (com música de Bernstein) e que joga brilhantemente com a música,o silêncio e os "sons" de uma criança, não se assemelha a qualquer outro genérico da mesma década, estando claramente à frente do seu tempo.

Bernardo Sena



sábado, agosto 18, 2007

A cidade que é um estúdio.

Quando acordamos de manhã, o dia que temos pela frente é sempre uma incógnita. Apesar da maioria das coisas permanecer imutável, a verdade é que existe sempre algo que não corre dentro do esperado. De há muito tempo a esta parte, que uma das coisas que tem corrido dentro do esperado, é a escrita diária de pelo menos um post, neste recanto à beira de um mar de cinéfilos plantado.

Pois bem, indo directamente ao assunto, este encontro diário terá de ser abruptamente interrompido. Perdão, suspenso. Durante cerca de duas semanas, não será possível alimentar esta conversa cibernética nem manter actualizados – mesmo que apenas por trivialidades – estes devaneios de Alvy Singer. A razão de tudo isto é esta.

Poderia muito bem dizer que esta é uma viagem de trabalho, mas não. Não é. Esta é uma viagem que tem a palavra Férias escrita do princípio ao fim. No entanto, confesso que este não é um destino acidental. Primeiro que tudo, porque já há muitos anos que não revejo a minha amiga Annie Hall. Ambos fizemos questão de nos encontrar este ano. Segundo, porque espero sentir, a cada passo, um pouco daquela magia que, até hoje, apenas me foi dada a conhecer pela câmara de cineastas como Martin Scorsese, Spike Lee, Francis Ford Coppola, Woody Allen, Sidney Lumet, Nora Ephron, Mike Nichols, entre outros. Esta é uma espécie de visita de estudo, em ponto grande. O maior desgosto é o de não poder sentar neste banco como aqueles dois. É que os bancos já não estão lá.

Alvy Singer

Não há nada como um bom filme.

Para que não restem dúvidas sobre este ponto, Ratatouille é algo de divinal. O filme, arrebatador em praticamente todas as frentes, é uma combinação irrepreensível de diversos factores, que resulta em algo como há muito não víamos. Desde já poderemos dizer que esta é uma daquelas obras que dificilmente verá o seu brilho ser reproduzido com a exactidão necessária por intermédio de palavras. Para ficarmos realmente conhecedores do alcance e profundidade desta obra, não nos podemos ficar pela leitura de uma mera critica. Nem tão pouco pela leitura da opinião de alguém que tem como um dos seus maiores passatempos ver filmes, e depois escrever sobre eles num blog. Este é um tesouro que urge descobrir e destapar, de modo a que a maioria o possa ver em todo o seu esplendor. Para não ir mais longe, é através de filmes como este que vamos enriquecendo a nossa “carta” cinematográfica.

O plot de Ratatouille é sobejamente conhecido: um simples rato que alimenta o impraticável sonho de se tornar cozinheiro, melhor, um chef, e poder assim explorar novos sabores e paladares. Bolas, dito assim até arrepia. Haverá imagem mais inquietante do que um rato a confeccionar uma sopa? Depois de vermos Remy a fazer isto mesmo, a resposta tem de ser positiva. Remy é a ternura em rato. A história acaba por seguir, em muitos aspectos, a típica orientação dos relatos daqueles que vivem grande parte da sua vida a lutar contra adversidades a cada esquina. É verdade que, em traços largos, Ratatouille é isso mesmo: o combater das dificuldades. Mas, isso é só em traços largos. Porque, nos seus pormenores, este filme destaca-se de tudo aquilo a que possa ser associado.

Honra seja feita a Brad Bird, o homem que nasceu para isto nos Simpsons, e que já nos deu, no passado, pérolas como Os Incríveis e, o já filme de culto, O Gigante de Ferro, volta a assinar com este título uma obra inovadora e, ao mesmo tempo, tocante. Podemos mesmo dizer que esta é a evolução ideal de um cineasta. As reconhecidas qualidades e atributos de Brad Bird encontram, talvez neste filme, o seu expoente máximo, conseguindo o filme apresentar um equilíbrio harmonioso entre os mais diversos factores, como a construção simples da narrativa e os efeitos técnicos e especiais ou a soberba banda-sonora e as reviravoltas no argumento.

Costumo recordar frequentemente uma crítica de Million Dollar Baby, onde se avançava com uma profunda convicção que, de cada vez que a porta daquele ginásio se abria, era como se embarcássemos numa pequena viagem pelo cinema, e por aquilo que ele tem de melhor. Que me perdoe este critico pois, hoje, de uma forma tão desavergonhada, usurpo-lhe esta ideia. No entanto, creio que não existirá melhor forma de transmitir a presença deste mesmo sentimento em Ratatouille, senão dizendo que, de cada vez que a porta daquela cozinha se abre, é como se embarcássemos numa pequena viagem pelo cinema, e por aquilo que ele tem de melhor. Sim, porque, apesar de este ser um filme com raízes bem estabelecidas na animação, esta obra extravasa engenho e arte. As limitações do género são algo que não existe. Aquilo que Bird constrói a cada frame é um filme universal, que não conhece fronteiras quando se dirige ao público sentado na cadeira. Este é um daqueles filmes para todos nós. Sem excepção. E, essa é a característica por excelência dos grandes clássicos. Garanto, sem qualquer peso na consciência, que utilizaria o adjectivo clássico para me referir a este filme. Utilizaria não, utilizo! Ratatouille é já um clássico. Acredito piamente que as gerações futuras falarão deste filme como falamos hoje, por exemplo, de Bambi.

Com a breca, quase que apetece dizer que o filme tem um defeito, mesmo quando não o estamos a ver. Nada melhor do que um filme sobre sonhos impossíveis, para nos pôr a sonhar. Contudo, fica aqui o aviso: o sonho começa depois das palavras The End. Antes disso, aquilo é bem real. Parecendo que não, é possível fazer um filme tão bom quanto este, um filme que enche o coração.

Como última nota direi apenas que este texto foi escrito a ouvir, repetidamente, Le Festin, uma canção escrita pelo músico Michael Giacchino e interpretada pela cantora francesa Camille. Depois do filme, apaixonemo-nos pela música.

Alvy Singer

1 - From Here to Eternity (1953)

Antes do beijo propriamente dito, existe uma ou outra coisa que gostaria de partilhar com todos aqueles que visitam este espaço, sobre esta lista dos 20 Beijos Inesquecíveis do Cinema que agora termina.

Antes de mais, pode-se dizer que este tipo de coisas é o cabo dos trabalhos. É claro que quem corre por gosto não cansa, no entanto, ter de optar apenas por 20 momentos em que existe um beijo, na história do cinema, é algo que facilmente pode conduzir à criação de uma dupla personalidade. Quantas vezes não comecei a discutir comigo mesmo (ou seria outra pessoa?), se um beijo deveria ou não marcar presença nesta restrita lista? Ao olhar para trás e ver os eleitos, apesar de alguma mágoa por não ter incluído outros que se calhar também o mereciam, creio que estes acabam por ser momentos que elevam realmente essa menosprezada arte que é a junção labial. Temos aqui beijos à chuva, beijos entre desenhos animados, beijos entre humanos e desenhos animados, beijos com super-heróis, beijos de infidelidade, beijos épicos, beijos musicais, beijos em sonhos, beijos infantis, beijos de um amor homossexual, primeiros beijos, beijos de morte, beijos imaginários… Em suma, aquela que pareceu a Alvy Singer ser uma lista decente. Uma coisa é certa: estes beijos não deixam ninguém indiferente. Nem os filmes a que pertencem. Fica aqui o convite.

Os Intervenientes: Karen Holmes (Deborah Kerr) e Sgt. Milton Warden (Burt Lancaster).

A Cena: Numa noite de Verão, numa qualquer praia do Hawai, a mulher do Capitão ‘Dynamite’, Karen Holmes, e o Sargento Warden, vão a banhos, naquele que é o momento que sela o adultério. Deitados na areia, os dois beijam-se enquanto as ondas embatem nos corpos e os cobrem de água e espuma. O instante em que o mundo existe apenas naquele areal termina quando Karen se levanta e corre para a toalha, seguida imediatamente por Warden.

Não a esquecemos porque… apesar de este ser um beijo que representa um amor adúltero, este momento roça a perfeição em todos os aspectos. Os dois amantes encontram-se sozinhos, apenas com o mar pela frente e nada mais. É o cenário idílico por excelência. Quase que podemos dizer que isto é a imagem do amor e uma cabana, mas sem a cabana. Talvez o beijo que mais nos faça viajar…



Alvy Singer

sexta-feira, agosto 17, 2007

Uma Dvdteca mais compostinha.

Estas duas imagens testemunham o início de um óptimo fim-de-semana. Pouco antes de ter entrado na sala de cinema, e visto, provavelmente, o melhor filme de 2007 até agora – Zodiac encontrou finalmente um adversário à altura –, recebo, em mão, estas duas relíquias.

Isto das férias é, de facto, muito bom. Quando é connosco, não podia ser melhor: o descanso merecido, a viagem que há tanto tempo queríamos fazer, por aí fora. Quando é com os outros, também tem as suas vantagens. Sobretudo se lhes pedirmos para trazer recordações. Ora, a recordação que normalmente Alvy Singer costuma pedir é… um filme. E, deixem-me que vos diga, poucas coisas são tão representativas da cultura de um povo como as edições de Dvd.

Deste modo, sabendo que seria possível chatear alguém, pedindo que trouxesse um filme de terras transalpinas, não hesitei em colmatar uma grande falha nas estantes aqui de casa: 12 Homens em Fúria ou, em italiano, La Parola Ai Giurati. Este era um enorme vazio numa Dvdteca que corava, e muito, quando olhava para a década de 50 e via que este título não figurava entre os eleitos. Até hoje. Sidney Lumet é daqueles cineastas que precisa realmente de se empenhar a fundo para fazer um mau filme. Uma obra profundamente marcante para este cinéfilo pertence a este senhor: Network. Talvez só do estrangeiro é que ela chegará também aqui a casa…

Este outro confesso que nunca o vi. Mais, nem sequer foi requisitado. Isto já entra no campo da agradável surpresa. No entanto, Key Largo, esse clássico de John Huston, há muito que andava aqui a zumbir ao ouvido. Mais uma oferenda que resultou num enorme júbilo, portanto. Existe um provérbio oriental que diz: Não acredites em nada do que ouves, e só em metade daquilo que vês. Contudo, basta o filme ser apenas metade daquilo que dizem, para termos uma obra de arte.

Dois filmes que vieram dessa loja que é uma referência no mundo cinematográfico, a Ricordi Media Stores. O polegar é apenas o exteriorizar da satisfação.

Alvy Singer

Quiz Show


De tudo aquilo que um blog pode proporcionar, creio que dificilmente algo poderá ser melhor do que a pura e cristalina troca de opiniões. E que melhor maneira de a fazer, do que através de um Quiz? Depois da agradável experiência que foi o outro primeiro, aqui fica novamente uma proposta deste género, na perspectiva de uma sexta-feira bem passada.
Com John Turturro, esse actor para sempre imortalizado na frase ‘Nobody fucks with the Jesus’, a apadrinhar este evento pela segunda vez, aqui ficam dez novas questões.

1. Melhor interpretação de Russel Crowe?

2. Um mau filme de um bom realizador?

3. Vitória mais justa na história dos Óscares?

4. Palavra para descrever o actual preço dos bilhetes de cinema?

5. Dustin Hoffman ou Tom Hanks?

6. Comida ideal para acompanhar um filme?

7. Magnólia ou Beleza Americana?

8. Melhor filme para ver num first date?

9. Pior tradução de um título para português?

10. Três actores que deviam participar juntos num filme?

Alvy Singer

quinta-feira, agosto 16, 2007

Fala-se nele...

Nem de propósito. Imediatamente a seguir a ter sido aqui colocado um post sobre a equipa de Judd Apatow, eis que surge o primeiro trailer de Walk Hard. Numa ida como tantas outras ao ainitcoolnews, deparei-me hoje com esta preciosidade. O filme, um autêntico spoof a diferentes obras biográficas sobre músicos, em particular Walk The Line, conta com John C. Reily e Jenna Fischer nos principais papéis, e Jake Kasdan (The TV Set) na realização.

Ver o trailer é que ainda não é tarefa fácil. Talvez este seja o melhor endereço para fazer o download. É necessário aguardar um bocado. Mas vale a pena esperar.

Outro filme pelo qual vale a pena esperar é este. Só hoje vislumbrei o trailer pela primeira vez. Convém não nos deixarmos enganar por estas frases, muitas vezes gratuitas, que acompanham as promoções do filme. E, após um breve investigação, percebe-se com alguma clareza que Rocket Science não é um título que desperte opiniões unânimes. Pessoalmente, dou-me por convencido. Que venha ele.

Resta, pois, aguardarmos pela chegada destes títulos. Se um deles chegar às salas já não é mau.

Alvy Singer

A Carta.

A ideia surgiu hoje. Após a sugestão do Marco neste blog, no post sobre o beijo fictício de Casablanca, e da referência do Knoxville no seu espaço, esta foi a derivação a que cheguei. O Marco falou em lista e o Knoxville em aulas de código. Juntando estes dois pensamentos, mais os comentários registados no cinemanotebook, nasce uma ideia que nada tem de original, mas que pode vir a ser um sério objecto de estudo.

Serão 30 os filmes, tantos quantas são as aulas de código. Não serão os 30 melhores filmes de sempre. Serão apenas trinta obras que pretendem focar diferentes registos, diferentes intérpretes, diferentes autores, diferentes épocas e diferentes realizadores. Não existirá qualquer ordem. Será puramente aleatório. A existir ordem será provavelmente decrescente. É porque isto não será tarefa fácil e os mais duvidosos se calhar irão ficando para o fim.

De qualquer modo, só começamos a tirar a carta a partir de 01 de Setembro. Até sábado, o mais tardar, estará concluída a lista dos 20 Beijos Inesquecíveis do Cinema. Depois disso, então, começarei a bater com a cabeça nas paredes a pensar nisto. Interessante era fazermos um exame com trinta questões no final disto tudo…

Alguém tem sugestões para os temas a leccionar nas aulas?

Alvy Singer

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quarta-feira, agosto 15, 2007

Qual é o Filme?

Neste filme entra o actor que venceu o Oscar de Melhor Actor, estando em quinta posição no elenco, em termos de ordenado (o mais baixo de sempre); entra também aquele que foi o último nomeado nesta categoria a ter nascido no século XIX e o primeiro a ter ganho por desempenhar uma personagem real, ainda viva no ano da cerimónia; uma das muitas actrizes mencionadas na canção Vogue de Maddona, e o realizador que conduziu 14 actores a uma nomeação aos Óscares. Todos juntos fizeram…

Alvy Singer

A 'entourage' de Judd Apatow.

Judd Apatow promete tornar-se no Rei Midas da comédia norte-americana. O homem que nos trouxe a inesquecível história de um Virgem aos 40 Anos volta a estar agora nas bocas do mundo com o seu mais recente trabalho, ainda por estrear no nosso país, Um Azar do Caraças – lá está, mais uma vez, a não perder a oportunidade de dizer o titulo em português.

No entanto, não é este filme que nos traz aqui mas sim, este outro, que estreia nos Estados Unidos já esta semana e que chegará até nós, em principio – isto nunca é de fiar –, no próximo dia 20 de Setembro, com o titulo de Superbaldas. Quando pensamos que eles já não podem surpreender-nos…

A verdade é que, apesar de Superbad (título original) ainda não ter estreado nos cinemas, as primeiras criticas que nos chegam de terras do Tio Sam dizem do bom e do melhor acerca deste filme que conta com Apatow como produtor. Agora, convenhamos que nem era preciso todo um rol de criticas positivas para ficarmos com vontade de ver este título. Mesmo que ele não venha a corresponder às expectativas, nada melhor do que ir por nossa conta e risco à descoberta de um filme que conta com Judd Apatow na produção, Seth Rogen (protagonista de Um Azar do Caraças) no argumento, e Michael Cera (o tímido Michael Bluth na divinal Arrested Development) e Bill Hader (talvez o mais talentoso membro do actual elenco de Saturday Night Live) na interpretação.

Quando olhamos com atenção para os projectos de Apatow, tanto aqueles em que já trabalhou como aqueles que estão por chegar nos próximos anos, constatamos que existe aqui uma troupe fiel ao cineasta, como se duma espécie de entourage se tratasse. Um núcleo duro que trata a comédia por tu e que vai aglomerando à sua passagem alguns dos maiores prodígios do momento. Foi isso que aconteceu, por exemplo, com Steve Carrell, mais recentemente, com Katherine Heigl e, no futuro, com Jenna Fischer. O cunho de Apatow está presente das mais diferentes formas, por exemplo, em Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby, The TV Set e, nos muito aguardados, Walk Hard: The Dewey Cox Story e The Pineapple Express.

Vários são os actores, actrizes, argumentistas e realizadores que se cruzam nas obras onde Apatow está presente. Muitos deles vão repetindo participações. Isto é um verdadeiro gang: Jake Kasdan, Seth Rogen, Johan Hill, Paul Rudd, Leslie Mann, Evan Goldberg e a lista continua.

É verdade que nem tudo o que estes senhores farão será brilhante. Isso não nos impede de esperar por algo bom enquanto não chega. Até porque aquilo que eles já nos serviram, embora tenha sido pouco, foi do mais apetitoso que tivemos nos últimos tempos. Aqui fica o trailer de Superbaldas e o feature colocado hoje no comingsoon.

Alvy Singer

Por aqui, continuamos à espera.

Reservation Road está para os Óscares como The Bourne Ultimatum está para os blockbusters de verão. Este é o filme mais aguardado da temporada. Por essa razão, todo e qualquer apontamento sobre o próximo título de Paul Grengrass acaba por aterrar neste blog. Sobretudo se vier com uma dose de humor à mistura.

É isso que acontece nesta entrevista, já com alguns dias, de Matt Damon, no Daily Show de Jon Stweart. Curiosa, a critica negativa ao filme que o actor encontrou na net.



Alvy Singer

De seis, ficará apenas um.

No próximo dia de Acção de Graças, ou seja, na próxima quarta quinta-feira de Novembro, conheceremos finalmente o título oficial da quarta aventura de Indiana Jones. Nesse mesmo dia teremos direito ao primeiro trailer. Esse será um post interessante…

Para já, estas linhas servem apenas para dar a conhecer os seis títulos que a Lucasfilm registou na MPAA (Motion Pictures Association of America), como reais possibilidades. Estes são os mais fortes candidatos a marcarem presença no próximo filme de Indiana Jones. A votos na caixa que é já uma presença habitual neste blog, estes são então os títulos provisórios:

Indiana Jones and the City of Gods
Indiana Jones and the Destroyer of Worlds
Indiana Jones and the Fourth Corner of the Earth
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Indiana Jones and the Lost City of Gold
Indiana Jones and the Quest for the Covenant

Alvy Singer

A odisseia 'Hobbit' continua.

Este é um rumor que vale a pena noticiar. Sam Raimi como realizador e Peter Jackson como produtor? O roer das unhas para muitos é o gáudio de outros tantos. A meu ver, esta é uma opção credível. Pouco consensual talvez, mas credível. No entanto, esta não é a decisão final. Apesar de já conseguirmos vislumbrar algumas coisas, a adaptação de O Hobbit continua a ser uma incógnita.

Alvy Singer

Cinema para ver no conforto do lar.

Penso ser importante fazer esta chamada de atenção, especialmente a todos aqueles que tiverem, neste momento, 20€ na carteira e não sabem exactamente o que fazer com eles. Apesar de não ser um profundo conhecedor da flutuação actual nos mercados económicos, creio que dificilmente um investimento desta quantia na bolsa possa trazer melhores resultados do que a aplicação aqui apresentada.

A sugestão é simples: Sair de casa rumo à Fnac com os tais 20€ no bolso. Em seguida, passar na secção das novidades e pegar naquele que tiver esta imagem na capa.

Prosseguir caminho até chegar à parte das oportunidades. Aqui, várias poderiam ser as sugestões. Contudo, esta parece-me ser uma óptima decisão.

Por ultimo é o habitual pagamento. A partir daí o visionamento destas obras será quando bem entenderem. No entanto, e se me permitem, aqui fica apenas mais uma sugestão: não percam tempo. Estas são duas pérolas que urge descobrir. Rashomon – Às Portas do Inferno é por muitos considerada, e bem, a primeira obra-prima de Kurosawa. Este é somente mais um dos grandes filmes do mestre nipónico. Talvez o título mais aclamado da filmografia de Kurosawa depois de Os Sete Samurais, Rashomon é um filme de enganos, confusões e mentira. Um filme sobre as falhas da condição humana. Poucos cineastas terão filmado os defeitos do homem com a graciosidade de Kurosawa. Contudo, ainda menos terão sido aqueles que filmaram as qualidades com tamanha honestidade.

Por seu lado, Belleville Rendez-Vous é um dos melhores filmes de animação dos últimos tempos. Com um humor surpreendentemente negro, uma animação pouco convencional e exagerada, e uma banda sonora exemplar, Sylvain Chomet assinou com este titulo uma das maiores surpresas de 2004. Hoje é possível adquirir este filme por menos dinheiro do que um bilhete para ver Ratatui.

Alvy Singer

terça-feira, agosto 14, 2007

Mais três gelados para esta época de calor.

Nesta altura do ano sinto-me uma verdadeira criança. É verdade que volta e meia surgem decepções que acabam por danificar este idílico cenário. Esperar por um bom filme é quase como regressar aos cinco anos de idade, e viver aqueles momentos em que, de braços esticados, aguardávamos que o gelado nos chegasse às mãos. Naquele intervalo de tempo que o gelado demora a chegar até nós através da mão do adulto, aquele parece ser o melhor gelado de sempre. Se olharmos com atenção vemos que o gelado brilha. O problema é quando nos lançamos de cabeça e o sabor não é o desejado. Com um aspecto daqueles, como é que possível saber assim? Talvez com a habituação a coisa vá lá. Pior mesmo é quando lhe deitamos a mão e o gelado cai desamparado no chão. Aí não há volta a dar, e a desilusão é tremenda.

Isto tudo para dizer que são muitos os gelados pelos quais aguardo. Eles não são segredo para ninguém e, de vez em quando, lá voltamos a este tema das antecipações. Hoje são três os projectos focados.

Para começar da melhor maneira, aqui ficam três fotos de I’m Not There, o tal de Todd Haynes com Bob Dylan a multiplicar por seis. Depois de já termos mostrado Cate Blanchett, eis a vez de se revelarem Heath Ledger, Christian Bale e Richard Gere.

Heath Ledger

Richard Gere

Christian Bale

Continuando no bom caminho, um outro gelado que brilha cada vez com mais intensidade. Alguém que não vá ver Sweeney Todd?

Por ultimo, um poster já academizado de In the Valley of Elah. O motor promocional deste filme parece não brincar em serviço. A ver vamos se no futuro se adiciona algum Academy Award Winner aos três que já lá estão.

Alvy Singer

Dá Deus nozes...

Normalmente, os ventos que alimentam este blog sopram de oeste. São os denominados Zéfiros. No entanto, outras vezes há em que o vento sopra de este. Isso acontece quando uma frente fria encontra uma alta pressão no blog de cine. Foi nesse espaço que encontrei este vídeo, para o qual ainda procuro adjectivos. A própria Teresa Morales remata com um sin comentarios. Antes disso diria apenas que há muito tempo que um ser humano e uma câmara, sozinhos, não faziam tanta porcaria.



Alvy Singer

segunda-feira, agosto 13, 2007

2 - Breakfast at Tiffany's (1961)

Os Intervenientes: Holly Golightly (Audrey Hepburn) e Paul Varjak (George Peppard).

A Cena: Depois de Paul ter entrado no táxi de modo a demover Holly da sua ida para o Brasil, esta demonstra ainda um maior desejo de sair de Nova Iorque e abandonar vida que até então levava. Tanto que acaba por abrir a porta do táxi e deixa sair Cat, o gato que simbolizava mais do que uma simples companhia. O segundo a sair do carro é Paul. Não da forma que pretendia ou esperaria. Para isso foi preciso Holly sair do táxi. Aquilo que a chuva depois presenciou foi um dos momentos mais ternos do cinema.

Não a esquecemos porque… esta cena definiu tudo aquilo que poderia acontecer no final perfeito, após a tormenta. Poucos mais poderiam ser os obstáculos no caminho de Holly e Paul, no entanto, as forças cósmicas jamais deixariam o seu crédito por mãos alheias. O brilho nos olhos de Audrey Hepburn é memorável. As respostas secas e amarguradas de Paul são pontadas de um amor que não encontra outra forma de se exprimir. A procura de Cat é o derradeiro golpe. Quando tudo isto sara, finalmente, o beijo sela uma história de felizes para sempre que começa ali.



Alvy Singer

O filme que é uma telenovela.

Para esta, foi um familiar que me chamou a atenção. Não, esta não é uma forma simpática de dizer que o Correio da Manhã não é um hábito de leitura. A verdade é que dar atenção a qualquer veículo de informação, nestes últimos tempos, tem sido bastante doloroso. No auge da silly season, sem incêndios e com os políticos da nossa praça de férias, a televisão, a rádio e os jornais acabam por se virar todos para o mesmo. E, convenhamos, o Correio da Manhã não prima propriamente pela originalidade. Mas, nestas coisas, às vezes paga o justo pelo pecador. Já me disseram que o Pedro Mexia escreveu um artigo, na passada sexta-feira, no Público, cujo título era Woody Allen ainda tem graça? Bolas, gostava de ter lido isto.

No entanto, não é para falar de Pedro Mexia que estamos aqui, mas sim da rodagem de Corrupção, o filme português mais visto de 2007, com a particularidade de ainda nem sequer ter estreado. A saber então que o Correio da Manhã tem feito uma cobertura da rodagem de um filme, como nunca se viu no nosso país. Apesar de só ter tido conhecimento deste facto neste fim-de-semana, parece que isto já vem de trás, e que o Jornal de Octávio Ribeiro tem seguido todos os passos das filmagens da próxima obra de João Botelho. Ora, atentemos nas gordas do capítulo de hoje.

Cá está. Hoje foi o dia em que Sofia foi apresentada ao Vice-Presidente. Pelo olhar de Virgílio Castelo, poder-se-á dizer que o Vice-Presidente ficou contente com esta apresentação. É curioso como na legenda do lado esquerdo os nomes surgem todos entre aspas: ‘Sofia’, o ‘Dono do Bar’, e o ‘Vice-Presidente’. Para o caso de pensarmos que aqueles são os nomes reais. O acompanhamento da rodagem é duma minúcia nunca vista num órgão de comunicação social. Quer-me parecer que nunca um filme português foi tão focado antes da sua estreia. Repare-se que o Jornal chega a publicar a participação de Cunha Leal, como figurante.

Quando um cameo é noticia, é porque estamos na presença de um blockbuster. O Crime do Padre Amaro que se cuide. Há recordes a bater. A cereja no topo do bolo surge com aquele típico toque telenovesco, que prende o mais descuidado leitor.

Que é como quem diz Cenas do próximo episódio. A pergunta que fica no ar é: depois de ler isto tudo (repare-se que o episódio de hoje já era o treze), quem é que ainda terá vontade em ver este filme? É claro que esta é uma questão retórica, ou não será este filme visto por dezenas de milhares de pessoas. Se calhar já há dezenas de milhares delas a comprar o jornal de amanhã só para saber o que será filmado quarta-feira.

Alvy Singer

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