Deuxieme


quarta-feira, janeiro 10, 2007

ENTÃO NINGUÉM CONHECE O TARKOWSKY?


O GRANDE CHEFE CONFESSA: Que está um pouco desiludido, porque reconhece que pareceu ter dado uma grande 'seca' aos leitores ao publicar o percurso de um cineasta tão importante como Andrei Tarkowsky que faleceu há vinte anos, e ter obtido apenas um único comentário. Numa altura em que se discute (e se julga até com alguma agressividade) como na última PREMIERE, o papel e a opinião da crítica em relação a determinados filmes, é por vezes triste verificar que há muita falta de memórias cinematográficas nos muitos 'candidatos a críticos de cinema', principalmente quando se trata de cineastas que não pertencem à era da Internet e do digital, mas que por sinal, é o caso de Tarkowsky, como que a anteciparam, de uma forma muito peculiar. Para se educar e formar uma opinião e o gosto é absolutamente indispensável ter memórias e conhecer 'outras obras' para além das do 'mainstream' da actualidade. Apesar da desilusão espero que tenha pelo menos havido uma pequena minoria que se tivesse debruçado sobre a obra do cineasta russo mais importante das últimas gerações.

14 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Não conhecia, mas passei a conhecer.

Agora queria era a minha Premiere deste mês, que ainda não recebi em casa.

10 de janeiro de 2007 às 17:54  
Anonymous João Paulo said...

Um grande realizador que, tal como os grandes génios, nos ensinou a ver mais longe. A dimensão poética e filosófica da sua obra levou a arte cinematográfica a um patamar mais elevado. Todos os seus filmes são brilhantes, mas destaco, sobretudo, Nostalgia e O Sacrifício. Seria muito interessante se a Premiere lançasse dossiers temáticos sobre grandes realizadores, que permitissem uma abordagem mais aprofundada das suas obras. Parabéns pela merecida referência a A. Tarkowsky, um Poeta da imagem.

10 de janeiro de 2007 às 22:18  
Anonymous O Grande Chefe said...

Meu caro em relação ao Tarkowsky, sugiro que para além do conhecimento, visione se puder alguns dos seus filmes. Quanto à outra questão obviamente não posso resolver-lha...sugiro que telefone para o nosso departamento de assinaturas, pois esse atraso não é de todo normal. De qualquer modo as minhas desculpas pelo atrazo.

10 de janeiro de 2007 às 22:37  
Anonymous Anónimo said...

Foi um prazer descobrir o blog da minha revista preferida ainda que só o tenha conseguido graças à coluna do Mark... hem Criswell. Espero que possa evoluir para um site com mais conteúdos e outras valias. Quanto ao Tarkovsky (não se escreve com "v"?) só conheço Solarys que me parece bastante supeior à versão realizada pelo Soderbergh mas pode ser só pela irritação que me causa o Clooney.

10 de janeiro de 2007 às 22:37  
Anonymous O Grande Chefe said...

Sempre que houver oportunidade no blogue ou no futuro site, que está para breve tentaremos, fazer algumas destas abordagens sem levantar muito o véu estou já a preparar uma sobre a escassa obra de um realizador que admiro muito, que estreou em meu entender um dos melhores filmes do ano, e dois dos seus filmes integram a programação do Ciclo 'Como o Cinema era Belo' na Gulbenkian.

10 de janeiro de 2007 às 22:41  
Anonymous Anónimo said...

Será o Terrence Malick?

10 de janeiro de 2007 às 22:47  
Blogger João Bizarro said...

Grande Chefe, estive de férias dai não ter respondido.

Para mim não é seca nenhuma. Tive oportunidade de ver apenas 3 filmes deste grande mestre do cinema: Stalker, Solaris e The Mirror quando a Dois ainda era RTP 2 e passava aquela magnifica rúbrica intitulada Cinco Noites, Cinco Filmes. Adorei todos.

Já ouvi e li maravilhas sobre Andrey Rublyov mas ainda não tive oportunidade de ver.

11 de janeiro de 2007 às 14:06  
Anonymous Pedro Baltarejo said...

Se existe realizador que a 7ª Arte jamais esqueçerá sem duvida que é Tarkowsky, nao só pela imensidão filosófica das suas obras, mas sobretudo pela beleza ímpar das suas imagens. Quando questionado a explicar o sentido de seus filmes, Andrei Tarkowsky respondia com a seguinte metáfora: "Voce olha um relógio. Ele funciona, mostra as horas. Voce tenta compreender como ele funciona e desmonta-o. Ele não anda mais. E no entanto essa é a única maneira de o compreender..."

Tarkovsky passou a vida montando e desmontando "relógios" na tentativa de compreender o funcionamento da vida e do espírito dos homens. Nove filmes em 26 anos de carreira parecem pouco aos olhos da estatística. Mas a escala grandiosa da obra de Andrei Tarkowsky não se mede por números. Em Esculpir o Tempo, o seu livro de reflexões sobre arte e o cinema, ele comparou o trabalho de realizador ao de um escultor que, "guiado pela visão interior da sua futura obra, elimina tudo o que não faz parte dela". O seu cinema tem essa qualidade essencial das obras perfeitas: o que não está ali é excesso. É deveras interessante chegar a uma conclusão quando se tenta compreender porque o público fica tão alheio nestas matérias. Não seria uma boa matéria para discussão? O apelo do "grande chefe" é compreensível...

12 de janeiro de 2007 às 02:11  
Blogger BrunoMMR said...

O comentário só chega agora, mas há já algum tempo que li todas as secções de mais um dossier, que todos os cinéfilos que visitam este blog deveriam entender como um bilhete, para mais uma viagem pela história do cinema. Depois do reconhecimento de alguma desilusão, ao constatar a ausência de memórias cinematográficas daqueles que o leram, sou o primeiro a admitir que de Tarkovsky não existe alguma. Infelizmente. Mas não queria deixar este post desaparecer, sem antes dizer que, desde o primeiro número da PREMIERE, artigos como este, sobre personalidades que marcaram de forma singular a história da sétima arte, têm constituído o ponto de partida para experiências memoráveis, dos filmes que neles indica. O ensinamento começa aqui, pela passagem do conhecimento, de quem já teve o prazer e o privilégio de ver os momentos captados pela câmara. Resta-nos agora, àqueles que como eu não conhecem a sua obra, partir à descoberta de Tarkovsky. Garanto que daqui a pouco tempo existirão mais memórias.

15 de janeiro de 2007 às 00:36  
Blogger BrunoMMR said...

E aguardam-se já com expectativa outras abordagens a figuras da sétima arte como esta. Parece-me que a próxima será mais uma escolha acertada. Que venha ela!

15 de janeiro de 2007 às 02:11  
Blogger cine-asia said...

Não só conhecia, como ao ler o seu texto, me fez visionar a obra Stalker, que tinha aqui guardada a algum tempo. Ainda não a terminei, pois são cerca de 2 horas e 40.

Cumprimentos,

Sérgio Lopes

28 de janeiro de 2007 às 16:38  
Blogger Misato said...

Afinal, com uma pequena provocação, as curiosidades foram despertadas! :)

Infelizmente não vi toda a filmografia de Tarkovsky, mas vi a grande maioria dos seus filmes e tudo no cinema! A minha grande falha é Andrei Rubliov, do qual apenas vi excertos que me deixaram água na boca.

De todos os que vi o meu favorito é Nostalgia, um filme que me dá arrepios, só de pensar nele. Dos mais famosos, Stalker e Solaris, li também os respectivos livros (clássicos da literatura de ficção-científica e ambos editados em português). Tarkovski conseguiu, com Stalker, o quase impossível: uma adaptação de um livro difícil de adaptar, sob um ponto de vista muito próprio, conseguindo manter o espírito e as sensações do livro práticamente intactas, sem ser de forma alguma literal e ainda introduzindo elementos pessoais (e políticos) novos. Apenas brilhante.

Quem ainda não viu nada, faça um esforço, Tarkovski é inesquecível!

31 de janeiro de 2007 às 12:24  
Anonymous Eisenstein said...

Quem é este realizador que é comparado, em dimensão artística, ao escritor Dostoievski? Quem é este cineasta que, em todo o seu percurso cinematográfico, efectuou um intenso mergulho na árdua e intrincada jornada rumo ao autoconhecimento e à mais elevada espiritualidade? Na História do Cinema houve poucos realizadores tão exigentes, inovadores e visionários como o russo Andrei Tarkovski. A sua obra cinematográfica é profundamente original, fruto de uma progressiva maturação artística obtida ao longo de três décadas e da decisiva influência cultural paterna (o pai, Arseni Tarkovski, era um importante poeta russo).

No mundo do cinema, talvez se possa citar nomes da mesma estirpe como Ingmar Bergman, Akira Kurosawa, Robert Bresson, Carl Dreyer, Alain Resnais ou Luís Buñuel (Tarkovski admirava todos estes cineastas). Realizou apenas sete filmes (sete obras-primas?) ao longo da sua carreira, apenas sete longas-metragens que constituem a expressão máxima de um dos maiores criadores de imagens da segunda metade do século XX.

Homem de uma cultura erudita e abrangente (pintura, poesia, música, cinema, literatura, geologia), teve muitas dificuldades em trabalhar livremente fruto das pressões censórias das autoridades soviéticas. Por isso se exilou e procurou desenvolver o seu trabalho singular em países como Itália, França ou Suécia. Foi acusado de elitista e austero, mas insistia que eram as crianças que melhor entendiam os seus filmes. O seu cinema é um cinema de permanente confrontação dos sentidos, de depuração espiritual, de um formalismo estético sem paralelo, que pouco tem de entretenimento gratuito; a sua demanda prende-se com a procura do sentido para a arte, para a existência humana, num mundo cada vez menos preocupado com as questões culturais e mais com as questões da sociedade de consumo e do espectáculo. Conceitos como nostalgia, fé, simbolismo, sonho, lirismo, poética, sombra, meditação, arte, tempo, introspecção, mistério, subjectividade, metafísica, misticismo ou memória, são abordados recorrentemente nos filmes de Tarkovski. O cineasta fazia filmes “esculpindo no tempo”.
A sua filmografia é absolutamente ímpar em toda a história do cinema, tendo granjeado inúmeros prémios internacionais (Cannes, Veneza, Berlim): “Andrei Rubliev” (1966), “Solaris” (1972), “Stalker” (1979), “Nostalgia” (1983) ou “Sacrifício” (1986), são testemunhos de uma arte das imagens que deve tanto à pintura como à literatura. A mestria da realização (planos, movimentos de câmara, enquadramentos), a sua mise-en-scène (rigorosa e despojada), a utilização subtil da banda sonora e da sonoplastia (o som como elemento dramático), o soberbo domínio da fotografia (composição plástica da imagem), os argumentos sólidos (diálogos profundos, dramas envolventes), fazem de Tarkovski um autor de rara qualidade artística.

PS - em Portugal usa-se a grafia Tarkovski, com v e i!

4 de fevereiro de 2007 às 16:34  
Anonymous Eisenstein said...

Parabéns ao director da Premiere por ter dedicado duas páginas ao realizador russo. Gostei do artigo, só fiquei foi chocado com a opinião do Bénard da Costa e do António Pedro Vasconcelos sobre o autor de "Stalker"! enfim...

4 de fevereiro de 2007 às 16:37  

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