Deuxieme


quarta-feira, fevereiro 28, 2007

A Importância de se chamar Oscar




Depois da tempestade de mais uma intensa temporada de prémios, é tempo agora da bonança. Altura de alterar nas capas dos filmes as frases “Nomeado para X Óscares” por “Vencedor de X Óscares”. No caso de Babel, só por causa de Gustavo Santaolalla, que estragou tudo, também não se livram das mudanças.

Na manhã seguinte à cerimónia dos Óscares, constatei um fenómeno deveras invulgar na minha caixa de correio. Paulatinamente foram chegando alguns mails, com perguntas sobre um e outro filme que tinha ganho um Oscar na noite anterior. Pessoas claramente interessadas em acrescentar algo à sua cultura cinematográfica, e que seguem a orientação dada pela bússola da Academia anualmente. Gostei particularmente de um que perguntava se conhecia o filme “The Departure”, e outro que, sobre o mesmo filme, dizia, “do Scorese, com o Dicaprio e o Brad Pitt”.

Como foi já oportunamente referido num post deste blog, assistimos actualmente a uma multiplicação dos filmes a exibir. Pelo meio dos muitos que vão chegando às salas, são também apresentados aqueles que têm uma maior qualidade, e que levam o público a sentir o devido retorno pelo preço do bilhete. E por ser cada vez mais difícil encontrar estes mesmos filmes, assume-se com maior naturalidade que alguém não identifique imediatamente quem ganhou o Oscar de Melhor Filme, ou qual era o realizador Mexicano que tinha um filme candidato a Melhor Filme Estrangeiro.

É importante repensar a importância de um prémio, sobretudo a deste, o mais conceituado na indústria do cinema, e que imediatamente é apresentado como cartão de visita. A noite em que os vencedores são anunciados, é a mesma noite em muitos deles se tornam derrotados. Nos dias de hoje, em que 30 segundos depois de se saber quem é o vencedor, o resultado já está na Internet, ao atribuir-se um Oscar, deixou-se de estar meramente no capítulo do reconhecimento. Entramos no domínio da publicidade, e de um selo de qualidade que acompanhará o produto. Veja-se o caso de Brokeback Mountain, por exemplo. Por vezes, a luz que os vencedores emanam é suficientemente forte para colocar na sombra aqueles que não são premiados. É por isso importante reter que, apesar de ser apenas referente a um ano, o Oscar será sempre uma referência no futuro. Terá a Academia acertado nos filmes, e interpretações que deveremos recordar daqui a uns anos? Como sempre, nuns sim, noutros nem tanto. Para já, esperemos apenas que ninguém passe ao lado de O Labirinto do Fauno.

Alvy Singer

12 Comments:

Anonymous Pedro Baltarejo said...

Sou estudante de cinema no Porto, e acho que a ignorância em relação a certos filmes em Portugal "bate recordes", hoje em dia o que vende é a publicidade. Muitas vezes espanto-me com alguns colegas da minha área o desprezo com que alguns autores, cerimónias, etc, são tratadas com desprezo, como se a obtenção de um prémio não valesse de facto a pena para a valorização de um filme e de seus demais autores e protagonistas. Claro que todos temos nossos gostos, mais o que mais me intristece é a ignorância, deste "povo". Um dos casos mais recentes passou-se exactamente neste blog foi o caso de Tarkovsky, um dos maiores realizadores europeus de sempre e surpreendentemente quase ninguém o conhecia. Enfim!!!

1 de março de 2007 às 01:43  
Anonymous Daniel Ferreira said...

Julgo ser fácil explicar o porquê de tal ignorância cinematográfica...
Por exemplo, a maioria dos meus amigos, sabendo-me um autêntico cinéfilo comentam comigo: "já não se fazem filmes bons como hà alguns anos...". Ora recentemente que filmes foram eles ver: "O Regresso", "Socorro, conheci os meus pais", "Hannibal Rising" (um insulto ao Silencio dos Inocentes)... etc... Não viram, nem lhes apeteceu ver a enorme variadede de filmes "bons" que andam pelo cinema: "Letters from Iwo Jima", "The Departed", "Babel", "Blood Diamond", entre tantos, mas tantos, para tantos gostos...

Sabendo que o "povo" só se guia pelos blockbusters é fácil explicar o porquê de tal ignorância...
Enfim!!!

1 de março de 2007 às 09:50  
Blogger David Salvador said...

Bom sem dúvida que os oscares mais que nunca são um rótulo de "qualidade" para qualquer filme, para qualquer realizador,etc... Cada vez mais o sucesso ou insucesso de um filme não resulta apenas da qualidade do mesmo, quer seja técnica ou mesmo de argumento, mas sim do marketing ah volta do mesmo, até mesmo da data escolhida para a estreia do filme (visto existirem epócas "altas" e "baixas").
Quanto a suposta "ignorância" do "povo" como o Pedro Baltarejo deu o exemplo de Tarkovsky, isso resulta acima de tudo pelo interesse das pessoas, como nós nos interessamos por cinema, é natural procurar-mos saber quem fez, e comparar com outras coisas já feitas, da mesma maneira que um admirador de pintura ache estranho não se saber tanto sobre este ou aquele pintor.

Sem dúvida que o "Labirinto do Fauno" é uma obra de arte, possivelmente a grande surpresa deste ano, talvez o filme que fará o Guillermo del Toro dar o grande salto e largar de vez filmes como "Blade 2" e "Hellboy" que poucas ou nenhumas vantagens trazem a sua carreira (tirando a vantagem finançeira como é óbvio).

Mais uma Noite de Oscares, que venha a próxima, visto que este ano me parece um ano bom com as próximas estreias que ai veem.

1 de março de 2007 às 16:31  
Anonymous Pedro Almeida said...

"(...)talvez o filme que fará o Guillermo del Toro dar o grande salto e largar de vez filmes como "Blade 2" e "Hellboy" que poucas ou nenhumas vantagens trazem a sua carreira(...)"

Tendo em conta que o realizador já afirmou que "Hellboy" foi para ele um projecto pessoal (porque não ?), pelo amor que tem à personagem, tendo-se já comprometido com a sequela "Hellboy 2: The Golden Army". Não percebo o problema de alguns com estes filmes, quanto mais tentar encontrar uma lógica em comparar "El Laberinto del Fauno" (para comparação certamente esquecem-se de "El Espinazo del Diablo") a "Blade 2". Mas é óbvio que quem escreve assim, desconhece esse grande realizador que é Guillermo Del Toro (o único filme de que se arrepende, por intromissão dos irmãos Weinstein, foi "Mimic").

1 de março de 2007 às 20:18  
Anonymous André said...

era so pa dizer, informar a premiere k existe um site agr ai de cinema e premios de cinema mto interessante k tem um concurso bastante giro em k se podem ganhar premios e td, tm tb um quiz, etc.

Kem kiser ver aki esta o link: www.freewebs.com/premiosdecinema

Obrigada a todos!

1 de março de 2007 às 21:53  
Blogger David Salvador said...

"Tendo em conta que o realizador já afirmou que "Hellboy" foi para ele um projecto pessoal (porque não ?), pelo amor que tem à personagem(...)"

Desconhecia esta informação, se é por essa razão então fez bem em fazer o filme, apesar de na minha opinião não ser um grande filme (também o facto de o filme se basear numa história de banda desenhada faz com que não se pode fugir muito ao que ele fez).

"(...)quanto mais tentar encontrar uma lógica em comparar "El Laberinto del Fauno" (para comparação certamente esquecem-se de "El Espinazo del Diablo") a "Blade 2"(...)"

No meu antigo comment não fiz qualquer comparação entre os filmes, talvez me tenhas compreendido mal, o que quiz dizer foi que esses filmes (principalmente o Blade 2) são filmes que não são um grande desafio para o realizador, não tanto como o Labirinto, e assim, este último pode abrir portas para o Guillermo del Toro, portas essas que filmes como o Hellboy ou o Blade 2 não abriram, talvez esteja errado e o proximo Hellboy o venha provar, pelo valor deste realizador espero que esteja.

Quanto ao facto de desconhecer o trabalho do realizador Guillermo del Toro, conheço alguns filmes dele, apenas vi o labirinto, o hellboy, o blade, o devil's blackbone, e o mimic (visto serem os mais recentes acho que dá para ter uma ideia do trabalho).
De qualquer maneira o realizador ja anuncio mais um filme, "3993", pela descrição vai ser mais na onda do labirinto... ca ficamos a espera!

2 de março de 2007 às 00:10  
Blogger João Bizarro said...

Um belo exemplo dessa ignorancia (e mesmo estupidez) que se fala aqui foi a transmissão dos Globos de Ouro pelo AXN.

A revista Premiere deste mês fala sobre isso.

E dizia eu que o Mario Augusto não percebia nada de cinema...

2 de março de 2007 às 14:16  
Blogger Raquel Fernandes said...

Fico triste por a unica revista de cinema que existe no nosso pais ter um blog tão fraquinho, com tão poucos posts mensais. Ainda fico mais trsite de ver que na sua mairia estes não sao da autoria de portugueses e sim escritos para outras paragens que não estas. Os compradores assiduos da premiére merecem um pouquinho mais. Que tal um site a sério?

2 de março de 2007 às 19:55  
Anonymous Sofia said...

Desde que me lembro que sou admiradora do trabalho de Scorsese, razão pela qual os prémios de domingo passado me deixaram tão feliz. Contudo, e sobre o assunto deste post, devo dizer que cada vez mais considero os Óscars como, embora um bom indicador de excelentes filmes do ano que passou, na maioria das vezes não são uma correcta indicação do qual o melhor. Mas o mais triste é exactamente verificar como, pelo menos no nosso país, as pessoas passam o ano a ver filmes banais, e até bastante maus, para em Março correrem às salas de cinema para ver o vencedor do Óscar, simplesmente porque ganhou.
Como prova da minha admiração por Scorsese, fui ontem ver pela 2ª vez o The Departed, que voltou esta semana às nossas salas, e pude comprovar o que referi em cima: a sala estava cheia (o que não aconteceu da primeira vez) e muita gente, ainda na bilheteira, referia quem nem sequer sabia que o filme era com o Leonardo DiCaprio e o Matt Damon... se nem isso sabiam, a importância dada ao flme quando estreou deve ter sido nula, logo o súbito interesse deve-se apenas ao recente prémio. Até aí acho bem, devemos de facto tentar cultivar-nos, e antes guiar-nos pelos óscars do que por outros critérios menos válidos... só que a questão que me coloquei foi, tendo em conta que filmes tão bons como Letter from Iwo Jima, ou até Gangs of New York ( a meu ver, melhor até que The Departed) não ganharam, isso significa que a maioria dos portugueses não os viu, por os considerar piores? Se sim, a meu ver andam a perder filmes excepcionais, que, lá por não irem ter na capa do DVD as palavras "Vencedor do Óscar de melhor filme" merecem tabém toda a atenção...

3 de março de 2007 às 13:48  
Blogger Vitor said...

"Não são os meus filmes que são maus, é o publico português que é estupido".
Palavras de um certo realizador de cinema português aqui â uns anos, que parece ter adeptos ainda, no país, e aqui também.
"o povo só se guia pelos blockbusters"
"o povo é ignorante"

Talvez a ignorancia esteja simplesmente em quem atira tais pedras.
Gostos não se discutem, e é uma virtude saber aceitar que a maioria não tem os nossos gostos.
Nenhuma campanha publicitária resiste aos designios do "povo" (são inumeros os flops de supostos blockbusters), da mesma forma que são vários os casos de filmes independentes e práticamente sem qualquer campanha publicitária associada que se tornam verdadeiros objectos de culto e verdadeiros blockbusters.
Gostava, por isso, de saber quem dá a estes ecléticos iluminados o direito de dizer "o mundo está errado e eu é que estou certo", e de chamar de ignorantes quem com eles não concorda.
Lembro também que foi a "ignorancia" de tais "criticos" que quase acabou com carreiras de agora considerados realizadores de culto, como sejam Carpenter ou Cronenberg.

4 de março de 2007 às 15:42  
Blogger Rufas said...

Até que enfim o oscar de melhor realizador foi para o Sr. Scorese. Já o merecia há muito tempo, e nunca percebi porque é que já nao foi há mais tempo. No geral a entrega dos oscares foi bem feita. Acho que os vencedores foram bem escolhidos.

4 de março de 2007 às 19:29  
Blogger João said...

Sobre a ignorância das pessoas concordo com quem aqui disse que as pessoas não têm obrigação de saber de cinema. Também acho que algumas coisas não ajudam a resolver o problema: as salas de cinema e os clubes de vídeo optam pelos blockbusters; os outros filmes têm fraca publicadade e ninguém quer ir ver um filme se não tiver referências, nem que seja um anúncio na televisão; e, é um lugar-comum dizer isto, mas há filmes supostamente intelectuais chatos e presunçosos e não são poucos. As pessoas vão ao cinema e dizem que não gostam do que vêem porque vêem filmes maus, como disse o Daniel Ferreira, e concordo; mas ao menos têm a garantia que não vão desesperar pelo fim da sessão naqueles que escolhem. E, se as pessoas são ignorantes, é também responsabilidade de quem sabe e não divulga, sejam pessoas, revistas ou a televisão; é que ninguém nasce ensinado.

4 de março de 2007 às 21:26  

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