David Fincher: Os primeiros anos
“As pessoas dizem que uma cena pode ser filmada de mil formas diferentes. Eu penso que só existem duas. E uma delas está errada” – David Fincher
Depois de verificarmos em espaços dedicados a outros filmes, alguns comentários referindo que Zodiac, a próxima obra de David Fincher, é o titulo mais aguardado da temporada, concluímos que será possivelmente oportuno recuperar aqui o percurso deste conceituado cineasta norte-americano, e tentar perceber um pouco as razões de tamanho apreço demonstrado pelos cinéfilos portugueses. Para aqueles que atestam esta vontade superior em ver o próximo filme de Fincher, talvez uma viagem pela sua filmografia mais não seja do que revisitar a construção da sua própria cinéfilia. Exactamente por esse motivo é que este post será desdobrado num outro, de modo a permitir a inclusão de outros dados, numa biografia por muitos admirada. De qualquer forma, se nada disto constituir uma real novidade para os mais devotos Fincherianos, teremos sempre disponível a discussão daquilo que aqui for apresentado.
Como diria o outro, vamos por partes. O jovem Fincher entrou em Hollywood como assistente de efeitos especiais participando em filmes como O Regresso de Jedi (1983) e Indiana Jones e o Templo Perdido (1984). Ao assinar pela N. Lee Lacy, Fincher colocou de lado a 7ª arte e dedicou-se exclusivamente à realização de anúncios. Ao fundar a Propaganda em 1987, Fincher alargou consideravelmente a sua carteira de clientes, passando a ser responsável pelas campanhas da Coca-Cola, Nike, Budweiser, Heinekin, Pepsi, Levi’s, Converse, e Chanel. Num ápice transita para a realização de videoclips. Entre os artistas que se colocaram à frente da câmara do realizador encontramos Madonna, Sting, The Rolling Stones, Michael Jackson, Aerosmith, George Michael, Billy Idol e Iggy Pop.
É só em 1992 que David Fincher realiza o seu primeiro filme. Alien 3 – A Desforra acabou por ser uma estreia pouco feliz. A New Line Cinema e os estúdios FOX fizeram questão de vincar o seu desagrado perante uma sequela que ficou aquém dos seus dois antecessores. Para muitos o filme não destoa dos anteriores, contribuindo mesmo para a edificação do ambiente que marca a saga. Porém, para outros, este título marca o ponto de viragem na história da Tenente Ripley, sendo que os dois primeiros são a jóia da coroa, enquanto que os últimos dois são uma penosa continuação.

A verdade é que Fincher recebeu uma segunda oportunidade, e três anos depois realizaria um filme que ficará para a história do cinema. Já praticamente tudo se escreveu sobre Se7en, e pouco mais haverá a dizer sobre uma obra de culto que define na perfeição aquilo que é o neo-noir. O filme, escrito por um caixa da Tower Records (Andrew Kevin Walker), retrata dois detectives com personalidades antagónicas, Morgan Freeman e Brad Pitt, que tentam resolver uma série de crimes hediondos baseados nos sete pecados mortais. Se a premissa do filme já é material de qualidade refinada, tudo aquilo que lhe dá continuidade transforma o resultado final numa obra-prima. O ambiente desordenado em que tudo se passa, o clima como antagonismo da investigação em curso, ou a mutação da relação formal entre os dois detectives, são aspectos de uma película que Fincher optou por filmar de acordo com as suas convicções. Apenas o final original, terrivelmente mais trágico, foi rejeitado pelo público da antestreia. Este extra pode ser agora encontrado no DVD. A nomeação para Melhor Montagem nos Óscares desse ano soube a pouco.
Alvy Singer
3 Comments:
É dos cineastas que me levam a uma sala de cinema.
Este comentário foi removido pelo autor.
Sem sombra de dúvidas, o melhor cineasta da actualidade. Mesmo o criticado "Alien 3" é uma obra de arte, pois decalca na perfeição todo o ambiente negro esboçado na perfeição no primeiro filme e que tinha sido algo perdido no segundo devido à inclusão do poder fogo.
Quanto a mim, todos os filmes de Fincher são dignos de obras primas, sendo que porém, talvez se possa considerar a "Sala de Pânico" como o filme mais fraquinho da sua filmografia e por outro lado Se7en e Clube de Combate (qual deles o melhor) os mais fascinantes.
Por fim, como Fincheriano que sou, espero ansiosamente pela estreia de Zodiac para me deliciar uma vez mais com a sua tremenda habilidade para dirigir as câmaras.
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