Deuxieme


segunda-feira, abril 30, 2007

Dobrar, ou não dobrar?

Em todos os domínios, a História tem provado que as opiniões conseguem ser mais diversificadas do que à primeira vista parecerem. Mesmo na mais banal das questões ou naquelas em que o consenso aparenta ser garantido, a motivação humana encontra formas de inovar, e despoletar razões que alteram cursos previamente estabelecidos. Uma introdução tão pomposa para debater um tema tão frívolo como a dobragem de filmes de animação... Ou será que o assunto não é assim tão insignificante quanto isso?

Não pretendendo manifestar claramente o parecer de quem escreve este post – pensando bem, este surge no seguimento do enorme desagrado perante a crescente prática de dobragens, pelo que talvez não seja muito boa ideia omitir esse mesmo parecer –, depois da realidade a que assistimos recentemente com Tartarugas Ninja – Uma Nova Aventura e Os Robinsons, parece que este será o momento indicado para nos perguntarmos se algo poderia ou deveria ser alterado, no que respeita à distribuição dos filmes de animação.

Isto, na medida em que, com o passar dos anos, temos vindo a verificar a generalização do método de dobragem, primeiro de filmes com carácter marcadamente infantil, para agora o verificarmos em algumas obras onde a idade do público alvo é um pouco mais dúbia, em detrimento da exibição do filme original. Em causa não estará obviamente o trabalho dos actores por detrás das versões portuguesas, mas a metamorfose a que o filme é sujeito, e que acaba por modificar um produto que muitos podem não querer ver alterado.

Recordo a dificuldade de encontrar em Lisboa no início de 2005, a versão original de O Castelo Andante. Hoje, tendo em conta o tratamento recebido pelos filmes de animação, seria provavelmente ainda mais difícil encontrar o filme de Myazaki falado na língua materna. Uma grande fatia do enorme bolo que são as receitas de bilheteira é precisamente aquela que é oferecida pelos espectadores mais pequenos. Ora, é mesmo por isso que esta discussão está condenada à partida: os verdadeiros defensores desta causa não podem estar aqui para contra-argumentar. Porém, se os petizes vêm a saber que os pais chegam mais tarde a casa, pois são obrigados a aguardar pelas últimas sessões do dia para ver a versão original, acredito que passarão para este lado.

Alvy Singer

3 Comments:

Anonymous Luís Oliveira said...

Acho a dobragem para a língua portuguesa uma absurdez. Perde-se uma parte do filme. E quando há expressões idiomáticas, nem se fala..

Ok, é para as crianças. Entende-se. Mas então que metam a língua PT aquando dos dvd's e/ou façam sessões duplas "Versão Original" e "Versão Portuguesa" tal como já existe em alguns.

Como não vejo filmes de animação, isso passa-me ao lado. Mas é a minha opinião.

1 de maio de 2007 às 17:46  
Anonymous Marco "cinemaniac" said...

Realmente as dobragens podem ser um tanto ou quanto arriscadas. Se por um lado temos os filmes dobrados, que podem até ser vistos por aqueles que não sabem ler (sejam crianças, idosos ou mesmo pessoas analfabetas, já que infelizmente Portugal ainda conta com uma grande taxa de analfabetismo), por outro temos (como é falado) o detrimento das emoções que as personagens querem transmitir ao usarem um certo tom na voz. Não que isso seja comum, mas pode acontecer e não é algo que seja agradável. Um dos exemplos em cima mostrado é o Teenage Mutant Ninja Turtles, e eu vi ambas as versões. Pode dizer que a dobragem foi de fraquíssima qualidade, principalmente as personagens principais. Depois ao ver a versão original fiquei com uma ideia totalmente diferente do filme. Se na versão portuguesa o filme perdia, e muito, com a dobragem, a versão original conseguia passar tudo o que foi pretendido.

Ou seja, acho que dobragens sim, mas sempre dando ao espectador a hipótese de escolha. Não queremos que estes abandonem as salas de cinema só porque não gostam de ver os filmes dobrados na língua materna (e estão no seu direito de não gostar). Já basta a fraca adesão que o cinema tem mesmo sem versões dobradas (além de a afluência ao cinema ter vindo cada vez mais a aumentar), se ainda surgem com dobragens a 100% corre-se o risco de o cinema ainda ser menos concorrido do que já é.

4 de maio de 2007 às 12:22  
Blogger Alvy Singer said...

Marco, estou perfeitamente de acordo consigo. Assim como há uns anos era bastante complicado encontrar uma versão dobrada, hoje parece que é igualmente dificil desvendar a versão original de um filme de animação nas salas de cinema. É necessário encontrar um meio termo.
Confesso que foi por essa razão que ainda não tive o prazer de visionar As Tartarugas Ninja. É que o desalento ainda foi algum, após ter visto Os Robinsons em português...

5 de maio de 2007 às 16:36  

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