Deuxieme


segunda-feira, abril 23, 2007

Hollywood ao virar do século

Luísa Costa Gomes, romancista, dramaturga, e cronista, dizia hoje na Prova Oral, um programa de Fernando Alvim, que “… não existe nada mais formatado do que Hollywood”. O tema em debate esta tarde era o Dia do livro, mais concretamente os hábitos de leitura (ou a falta deles) que os portugueses têm. Quando a conversa recaiu sobre aquilo que distingue uma boa obra da restante mediania, pareceu existir na sala o consenso de que o que transforma uma música, um livro, um quadro, ou um filme em algo verdadeiramente excepcional é a sua capacidade de ir mais além, trazer algo de novo, e que o publico não está à espera.

Pouco depois, e resolvida esta matéria, a escritora manifestou o seu desagrado perante a prática do comentário, isto é, o acto de meramente retratar e avaliar o que já está descrito, considerando-o como “uma prática medieval”. De alguma forma, podemos encarar qualquer tipo de critica como um comentário. Se assim for, esta apreciação pode ser algo inquietante. No entanto, o juízo primeiramente descrito foi mais perturbador, e ocupa o pensamento deste cinéfilo desde então.

Será esta a visão que se têm de Hollywood no início do século XXI? Não será certamente tarefa fácil encontrar a instituição mais “formatada” de todas, contudo, afirmar com tamanha leviandade que a principal indústria cinematográfica do mundo é a excelência do modelo à imagem do molde, deve, no mínimo, fazer-nos parar para pensar se realmente será assim. Se concluirmos que não, segue-se em frente e não se fala mais nisso. Caso contrário, convém perceber que talvez Hollywood já não seja algo inquestionavelmente idolatrado. Poder-se-á afirmar que a mecânica outrora perfeita do lançamento de obras notáveis, se tenha transformado em algo como a produção em série que, assim como um restaurante fast-food, acaba por trazer sempre o mesmo resultado?

É por não partilhar esta visão pessimista, e discordar de Luísa Costa Gomes, que a discussão é transportada para este blog, com a esperança de passá-la a um nível mais aprofundado, e obter talvez o esclarecimento de alguém que pense de igual modo.

Porém, devemos admitir que perante a maioria das propostas avançadas pelos grandes multiplexes, facilmente se constrói uma visão reducionista da indústria actual. Como seria bom se assim não fosse. Sim, porque Hollywood também é Moulin Rouge, The Fountain, A Scanner Darkly, Os Tenenbaums, Sin City, e Million Dollar Baby. Se o molde destes todos é o mesmo, este deve ter mais procura do que a Arca Perdida.

O comentário, esse, por mais medieval que seja, será certamente bem recebido.

Alvy Singer

6 Comments:

Blogger Rafa said...

Concordo perfeitamente com a opinião expressa aqui no blog. Muitos desses comentários surgem de alguns "pseudo-intelectuais", que se julgam acima do comum dos mortais, e portanto criam esse tipo de estereótipos para se colocarem a um nivel superior. O que também acontece com muito boa gente que relega os oscares para algo sem importância, justificando-se com o facto de os filmes galardoados serem sempre maus.. (se nem sempre as escolhas parecem justas aos olhos dos cinéfilos, é uma coisa, mas os filmes bons também ganham oscars).

24 de abril de 2007 às 01:35  
Blogger sergio costa said...

Formatados são comentários como o desta senhora.
Formatados, estafados, repisados e ultrapassados.
Se esta senhora estivesse minimamente a par do que é a actual produção ficcional norte-americana (cinematográfica, televisiva ou mesmo de videojogos) nunca diria atoardas deste calibre!
Ela que comente aquilo que sabe e que se abstenha de debitar lugares-comuns absolutamente falsos e ignorantes.

24 de abril de 2007 às 17:14  
Anonymous Luís Oliveira said...

Excelente tópico para discussão. Parecendo que não, a temática não é assim tão linear quanto parece e convém evitar cair na visão imediata e redutora da questão.

Talvez exceptuando uns filmes alemães expressionistas dos anos 20, Hollywood é o pai do cinema (e mesmo alguns deles foram albergados por Hollywood, mais tarde). É, por isso, erróneo e perigoso chamar formatado ou estereotipado a Hollywood, tendo em conta as suas origens e o seu constante legado.

Parece-me, portanto, que a análise partiu precisamente do estado actual da indústria, e ignorou os primórdios da actividade, o que é uma perigosa falácia em qualquer caso.

O que aconteceu a Hollywood foi o que aconteceria a qualquer indústria cujo tamanho, pujança e influência ainda não tivesse sido colonizada pelo poder económico. Há efeitos negativos, sim, mas Hollywood é uma indústria de sonhos. Sempre o foi e sempre o será. É o glamour, a notoriedade e a ribalta que ofuscam o poderio cultural e o legado histórico que essa mesma indústria nos proporcionou ao longo destes tempos. Curiosamente, é precisamente isso que leva a comentários tão desfasados da realidade por parte de quem não sabe ao certo do que fala.

24 de abril de 2007 às 18:00  
Blogger Carlos Silva said...

Não sei se será o espaço mais adequado para a pergunta que pretendo colocar, mas...


Ninguém me sabe dizer onde adquirir a trilogia de Deepa Mehta , Fogo, Terra e Água?


Tenho-me fartado de procurar, mas até agora sem qualquer sucesso. A maioria dos empregados dos estabelecimentos e lojas, fica a olhar para mim, suspeitando talvez da existência dos referidos filmes... ( estou a supor )


Desde já agradeço qualquer tipo de feedback, e peço desculpa no caso da pergunta não estar devidamente enquadrada no espaço

24 de abril de 2007 às 23:51  
Blogger Premiere said...

Carlos, confesso nunca ter visto os titulos que refere à venda. No entanto, no site da Fnac, e à partida em qualquer loja também, pode encontrar pelo menos o Água.

Quanto aos outros dois, deverá ter que esperar pois parece que ainda não foram editados. A unica maneira de os ter será importando,e no site da amazon.uk.co encontrará todos eles. Mesmo com atraso, espero tê-lo ajudado.

Alvy Singer

28 de abril de 2007 às 00:50  
Anonymous Nuno Antunes (PREMIERE) said...

Como eu gostava que qualquer debate sobre opiniões não usasse sempre o termo "pseudo-intelectuais". Vamos tentar?

28 de abril de 2007 às 13:58  

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