Está tudo ligado.

Quando a poeira assentar, vai ser do bom e do bonito. Alguém vai ouvir, quer queira quer não. E, ou muitos nos enganamos, ou nos nomeados do próximo ano não vai estar apenas um filme que tenha ultrapassado a barreira dos 100 milhões de dólares nas bilheteiras. Ponhamos as coisas nestes modos: se fosse hoje, a Academia tinha escolhido Gangster Americano (Ridley Scott). Tudo por causa das audiências.
O Hollywood Reporter começou por dizer, logo ao início da manhã, que esta tinha sido a edição com menos espectadores dos últimos vinte anos.
“According to ABC’s very preliminary household metered market overnights, the awards averaged a 21.9 rating/33 share. That’s down a sharp 21% from last year and the lowest on record in at least 20 years”.
Mais tarde, a Associated Press já veio dizer que “The Oscars are a ratings dud. Nielsen Media Research says preliminary ratings for the 80th annual Academy Awards telecast are 14 percent lower than the least-watched ceremony ever”.
Isto vai ser bonito. 14% abaixo da cerimónia menos vista? Caramba, por esta altura há produtores cujas cabeças têm um destino mais certo do que alguns clientes de Sweeney Todd. Com 33 milhões de espectadores, a edição de 2003 detinha este incómodo recorde.
Algo onde a Academia não conseguirá deitar a mão tão facilmente será na vitória final. Mas, mesmo assim, estamos convencidos de que tudo farão para que o cenário deste ano não se repita tão cedo. Discordando um pouco da opinião acima descrita, do Francisco Silva, ao atribuir a decisão aos pares, os Óscares tornam-se cada vez mais numa manobra de diversão do que outra coisa qualquer. Não ferindo os justíssimos vencedores de ontem, especulações à parte, George C. Scott tinha alguma razão. Isto também é competição. E, será que temos algo de maquiavélico em nós, se pensarmos que um membro da Academia não vota num determinado colega de profissão por não querer que ele tenha mais reconhecimento? Quando a galinha da vizinha não pode ser melhor que a minha, nada melhor do que escolher a galinha de alguém que vive bem longe. Agora, apesar de acreditar mais nesta corrente, aplaudirei sempre a pluralidade que vimos ontem. Mas, sempre com alguma cautela. No entanto, porque divagações destas não levam a lado nenhum, deixamos uma questão no ar: Que desempenho norte-americano mais merecia figurar entre os ilustres do velho continente? Dando o mote, Ellen Page, por Juno (Jason Reitman).
Alvy Singer
Etiquetas: Oscares
6 Comments:
Laura Linney
Eu achei-os a todos bastante bem esolhidos, mas talvez a Ruby Dee também pudesse estar lá no grupo. São todos tão novinhos... precisam da voz da experiência a aconselhar...
Gostei muito da cerimónia dos óscares e a única razão que vejo para estes fracos resultados em termos de audiências tem a ver com facto de os americanos em geral serem pouco abertos ao que vem de fora. Não os querendo chamar de burros, mas duvido que houvesse muita gente a saber que Barak Obama tinha Hussein no nome antes de Jon Stwart o ter referido.
Concordo com Selene. Deve ter sido a cerimónia menos americana de sempre! Isso pode estar relacionado com as audiências.
Agora, quanto aos vencedores, tirando Tilda Swinton, penso que está tudo bem entregue!
Se Day Lewis não estivesse nomeado... Johnny Depp sem dúvidas.
Ah! e o Philip Seymour Hoffman tb :)
A única que era capaz de incluir no grupo era a Cate Blanchett...mas assim continuava sem americanos. Quanto aos outros acho que ganharam e ganharam bem.
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