A confirmação de um ano notável.
Impõe-se aqui que falemos de Este País Não É Para Velhos. Dos cinco nomeados à principal estatueta, o último a ter sido visto foi este. Por ordem, o alinhamento foi o seguinte: Expiação (Joe Wright), Uma Questão de Consciência (Tony Giltoy), Juno (Jason Reitman), Haverá Sangue (Paul Thomas Anderson), e Este País Não É Para Velhos (Ethan Coen e Joel Coen). Com os quatro primeiros, um fenómeno curioso tinha acontecido: a satisfação tinha sido gradual. Tinha sido necessário resfriar sempre a excitação em torno do filme anterior, na medida em que o seguinte vinha e dizia, Alto lá, que eu sou ainda melhor. Até mesmo na sessão dupla que foi Juno e Haverá Sangue, em que foi sair de um, e entrar novamente para ver o outro.
Deste modo, tudo apontava para que o filme dos Coen fosse o melhor de sempre. Já não bastava ter sido o grande vencedor dos Oscares, como ainda tinha a seu favor a sina grandiosa construída pelos antecessores. Se tudo corresse normalmente, Este País Não É Para Velhos seria superior a qualquer um dos outros quatro. No entanto, apesar de ser um filme praticamente sem imperfeições, existiram formas mais engenhosas este ano, de aproximar um filme do firmamento. Perdoem-me aqueles que aplaudiram de pé a consagração dos irmãos Coen, mas, quer-me parecer que a criação de Diablo Cody e, sobretudo, a de Paul Thomas Anderson, talvez tenham sofrido com o entusiasmo generalizado à volta deste título. Receio estar a passar a imagem de desagrado para com este admirável trabalho, porventura, o segundo melhor das suas carreiras – quem me tira O Grande Lebowski tira-me tudo. Muito pelo contrário. Procurando não cair em exageros, Este País Não É Para Velhos será, provavelmente, o melhor exercício sobre tensão crescente desde Os Suspeitos do Costume (Bryan Singer, 1995). No entanto, aquilo que mais distinguirá este filme de qualquer outro é a sua difícil catalogação. As suas virtudes brotam da reunião de diferentes géneros que, uma vez combinados, resultam na perfeição. De todas as entrevistas que já deu, desde que os holofotes se incidiram na adaptação da sua obra, ainda não tive oportunidade de averiguar as motivações de Cormac McCarthy para este enredo. Agora, a fazer jus naqueles que dizem que o argumento é uma adaptação fiel da obra, e de que algumas falas são retiradas ipsis verbis do livro, podemos dizer que McCarthy conseguiu aglomerar os elementos mais representativos de westerns, thrillers, crimes dramáticos, humor negro, e ainda pitadas de outras coisas mais. Numa mescla soberba sobre a triste descrição de um mundo descrente, à beira do precipício, que há muito esqueceu a chave da gaveta onde decidiu guardar e esquecer a moral e os valores da salvação, os irmãos Coen conseguem recriar uma espiral de violência que tem tanto de magnética como repulsiva.
A visão sombria, negra e angustiante desta perseguição, mostra-nos a cruel realidade de que os fins justificam os meios. E, justificam, devido à formatação de pensamentos que esta cultura pós-moderna nos incutiu. Aceitamos com a mesma naturalidade que Chigurh (Javier Bardem) decida partir em busca de Llewlyn Moss (Josh Brolin) para o matar, como que este último decida ficar com o dinheiro, colocando a sua vida e a da sua mulher em perigo, simplesmente porque encontrou a mala primeiro. Achado não é roubado, ou Ladrão que rouba a ladrão… qualquer um dos dois serve para ilustrar este caso. Perdoem-me, mais uma vez, as generalizações, no entanto, creio que estas correctas presunções partem, antes de mais, da obra de Cormac McCarthty. No fundo, estamos aqui a falar duma questão presa e predador. Um tem o que o outro quer, e faz tudo para o abater. Deveremos torcer por algum deles? Talvez. Não será mais sensato condenar ambos? Acima de tudo, devemos sentar-nos confortavelmente na cadeira, e ouvir serenamente as palavras de Tom Bell (Tommy Lee Jones), o mais lúcido dos personagens. No cerne de um universo caótico, encontramos um xerife que ainda acredita num mundo sem armas. Em pleno estado do Texas. Não fosse a ironia gritante, e o livro até poderia ter sido adaptado por outros cineastas. Ainda assim, apesar de todo o brilhantismo, se isto fosse uma questão de notas, este teria de levar 9,8. É porque o 10 estava reservado para o de Paul Thomas Anderson, e Juno ainda ficava no meio.
(Ontem, a passar os olhos por um canal de música, dei de caras com uma cantora que me parecia ser Kelly MacDonald. Disse para com os meus botões, Tu queres ver que a Carla Jean Moss decidiu dar um pezinho de dança? Afinal, não. Era a newcomer, Sara Bareilles. Isto sou só eu, ou as duas partilham mesmo algumas semelhanças? Já tive oportunidade de discutir este tema interessantíssimo noutros locais, e alguém afiançou que era mais parecida com a Emmy Rossum. Bom, isto só parece comprovar aquela teoria de que todos temos um actor com quem somos parecidos. Há mais alguém por aí que se olhe ao espelho e veja o Wentworth Miller?).
Alvy Singer
Deste modo, tudo apontava para que o filme dos Coen fosse o melhor de sempre. Já não bastava ter sido o grande vencedor dos Oscares, como ainda tinha a seu favor a sina grandiosa construída pelos antecessores. Se tudo corresse normalmente, Este País Não É Para Velhos seria superior a qualquer um dos outros quatro. No entanto, apesar de ser um filme praticamente sem imperfeições, existiram formas mais engenhosas este ano, de aproximar um filme do firmamento. Perdoem-me aqueles que aplaudiram de pé a consagração dos irmãos Coen, mas, quer-me parecer que a criação de Diablo Cody e, sobretudo, a de Paul Thomas Anderson, talvez tenham sofrido com o entusiasmo generalizado à volta deste título. Receio estar a passar a imagem de desagrado para com este admirável trabalho, porventura, o segundo melhor das suas carreiras – quem me tira O Grande Lebowski tira-me tudo. Muito pelo contrário. Procurando não cair em exageros, Este País Não É Para Velhos será, provavelmente, o melhor exercício sobre tensão crescente desde Os Suspeitos do Costume (Bryan Singer, 1995). No entanto, aquilo que mais distinguirá este filme de qualquer outro é a sua difícil catalogação. As suas virtudes brotam da reunião de diferentes géneros que, uma vez combinados, resultam na perfeição. De todas as entrevistas que já deu, desde que os holofotes se incidiram na adaptação da sua obra, ainda não tive oportunidade de averiguar as motivações de Cormac McCarthy para este enredo. Agora, a fazer jus naqueles que dizem que o argumento é uma adaptação fiel da obra, e de que algumas falas são retiradas ipsis verbis do livro, podemos dizer que McCarthy conseguiu aglomerar os elementos mais representativos de westerns, thrillers, crimes dramáticos, humor negro, e ainda pitadas de outras coisas mais. Numa mescla soberba sobre a triste descrição de um mundo descrente, à beira do precipício, que há muito esqueceu a chave da gaveta onde decidiu guardar e esquecer a moral e os valores da salvação, os irmãos Coen conseguem recriar uma espiral de violência que tem tanto de magnética como repulsiva.
A visão sombria, negra e angustiante desta perseguição, mostra-nos a cruel realidade de que os fins justificam os meios. E, justificam, devido à formatação de pensamentos que esta cultura pós-moderna nos incutiu. Aceitamos com a mesma naturalidade que Chigurh (Javier Bardem) decida partir em busca de Llewlyn Moss (Josh Brolin) para o matar, como que este último decida ficar com o dinheiro, colocando a sua vida e a da sua mulher em perigo, simplesmente porque encontrou a mala primeiro. Achado não é roubado, ou Ladrão que rouba a ladrão… qualquer um dos dois serve para ilustrar este caso. Perdoem-me, mais uma vez, as generalizações, no entanto, creio que estas correctas presunções partem, antes de mais, da obra de Cormac McCarthty. No fundo, estamos aqui a falar duma questão presa e predador. Um tem o que o outro quer, e faz tudo para o abater. Deveremos torcer por algum deles? Talvez. Não será mais sensato condenar ambos? Acima de tudo, devemos sentar-nos confortavelmente na cadeira, e ouvir serenamente as palavras de Tom Bell (Tommy Lee Jones), o mais lúcido dos personagens. No cerne de um universo caótico, encontramos um xerife que ainda acredita num mundo sem armas. Em pleno estado do Texas. Não fosse a ironia gritante, e o livro até poderia ter sido adaptado por outros cineastas. Ainda assim, apesar de todo o brilhantismo, se isto fosse uma questão de notas, este teria de levar 9,8. É porque o 10 estava reservado para o de Paul Thomas Anderson, e Juno ainda ficava no meio.
(Ontem, a passar os olhos por um canal de música, dei de caras com uma cantora que me parecia ser Kelly MacDonald. Disse para com os meus botões, Tu queres ver que a Carla Jean Moss decidiu dar um pezinho de dança? Afinal, não. Era a newcomer, Sara Bareilles. Isto sou só eu, ou as duas partilham mesmo algumas semelhanças? Já tive oportunidade de discutir este tema interessantíssimo noutros locais, e alguém afiançou que era mais parecida com a Emmy Rossum. Bom, isto só parece comprovar aquela teoria de que todos temos um actor com quem somos parecidos. Há mais alguém por aí que se olhe ao espelho e veja o Wentworth Miller?).
Alvy Singer
Etiquetas: Coen, Este País Não é Para Velhos, No Country For Old Men




7 Comments:
Big Lebowski, Histórias de Gangsters, Fargo, Blood Simple... Não consigo escolher um melhor que outro.
E agora este No Country for Old Men.
E mesmo assim estou a ser injusto para essas grandiosas obras que são O Brother Where Art Thou ou The Man Who Wasn't There.
Resumindo, os homens são génios.
Se formos por uma questão de notas:
There Will Be Blood - 10
No Country For Old Man - 9.9
Juno - 9.5
Fargo é bem melhor que Big Lebowski, na minha opinião! Quanto a No Country for Old Man, até a ausência de banda sonora assenta bem no contexto do filme!
No entanto, a única coisa a apontar, é a interpretação de Bardem... apesar de boa, penso não atingir o nível Affleck ou Halbrok...
Eu estou verdadeiramente banzado com as criticas espantosas que o filme teve desde que estreou em Cannes no ano passado e nas atribuições de todos os prémios que o filme recebeu na América.
Eu já vi todo os filmes dos Cohen e digo de uma forma vincada que este filme é,a par de "O Quinteto da Morte" o pior de sempre deles.Eles já fizeram filmes de pouca,média e grande qualidade mas este "Este Pais..." é um dos maiores embustes e desastres das carreiras deles não tenho dúvidas.
Eu pergunto:
Onde está o Guião????.
Eu respondo:
Em lado nenhum.
O filme,na minha opinião,não tem argumento,tem apenas um esboço geral que nunca é desenvolvido e isso "assassina-o" de uma forma brutal.As únicas coisas positivas que vejo no filme são todas as fabulosas interpretações(e não só de Javier Bardem)e a montagem porque de resto o filme é apenas um desfilar desconexo e surreal de violência gratuita sem sentido em catadupa.
Em relação aos óscares parece-me que foi um prémio carreira tal como foi no ano passado para Scorsese.Para que não lhes acontecesse como a Kubrick e Hitchcock resolveram dar-lhes o prémio à força.
Para mim,desde "Chicago" que a atribuição do Óscar principal não ia para um filme verdadeiramente mau.Pois,num ano com Obras-Primas,na minha opinião, como "Haverá Sangue" e "Michael Clayton" o excelente "Juno" e o fraco "Expiação" Hollywood atribuiu um prémio carreira aos Cohen.
É esta minha opinião.
Sinceramente eu gostei deste No Country For Old Men, contudo o rival There Wil Be Blood é bem melhor e merecia muito mais o Oscar de Melhor Filme. O PTA terá que se superar a si próprio e oferecer-nos uma obra ainda mais bela.
Bem, ja tinha enviado um mail a perguntar pela critica a este filme, pois estava curioso. Agradeço desde já a resposta pronta do Alvy Singer. Eu pessoalmente achei o fim uma desilusão, mas que ainda assim não apaga tudo de bom que está para trás... De qualquer maneira, para mim desta lista de 5 nomeados, Haverá Sangue é sem duvida o melhor.
EU FUI VER ESTE FILME AO CINEMA ! E QUANDO SAI DISSE " meu deus isto ganhou um Óscar ? " este filme é uma autentica porcaria meu deus sem argumento de jeito ! Realmente os críticos gostam muito de filmes mudos
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