Verdades irrefutáveis.

Vejamos então dez certezas que habitam essas obras que tanto adoramos, e que dão pelo nome de filmes.
10 – Sempre que alguém entra numa cozinha, e não acende a luz, é porque vai buscar alguma coisa ao frigorífico. Mas, o objecto de desejo nunca está na porta do frigorífico. Aquilo que ela procura está lá atrás, bem no fundo, mesmo em frente à câmara, para o grande plano.
9 – Sempre que alguém tem uma alucinação em que mantém uma conversa, a coisa funciona enquanto os dois se olham nos olhos. O problema é quando a personagem real vira as costas. Assim que ela se vira novamente para responder, a ilusão desapareceu. A única razão legítima para os psicanalistas não recorrerem a este método infalível, é a falta de respeito que a alucinação possa sentir.
8 – Sempre que uma lareira está a ser utilizada, a cena só pode ter dois desfechos. Ou alguma coisa vai ser queimada, ou um casal acaba enrolado no chão. Esta última opção não é exclusiva para marido e mulher.
7 – Com muita ou pouca pressa à mistura, a corrida do táxi inclui sempre troco. Já a entrar no autocarro, ninguém compra bilhete, o que nos leva a pensar que todos terão passe social.
6 – Sempre que alguém leva uma pistola à boca para acabar com a própria vida, só termina o trabalho se estiver sozinho. Se estiver acompanhado, acaba por chorar e deixar cair a arma. Isto leva-nos a concluir que o suicídio só existe se não for acompanhado.
5 – Por mais responsável que seja, sempre que alguém sai de casa a correr, nunca tranca a porta. E, das duas uma, ou sai disparado porque já tem as chaves no bolso, ou tem de apanhar as chaves e um casaco. Nunca as chaves sem o casaco. E, é importante levar as chaves, precisamente porque não tranca a porta. Parece que não faz sentido, mas faz.
4 – Se, numa cena de sexo iminente, alguém pergunta Tens a certeza que queres fazer isto?, é porque a coisa vai mesmo acontecer. A resposta a esta pergunta jamais poderá ser Agora que dizes isso... Já no altar, tudo é possível.
3 – Sempre que os pais se reencontram com o filho após uma longa separação, e este ainda é pequeno o suficiente, pegam-no ao colo entusiasticamente. Porém, na despedida, o abraço triste é sempre ao nível da criança, com os pais a dizerem adeus com um joelho no chão obrigatoriamente. Para mais esclarecimentos ver Kramer Contra Kramer, onde isto acontece a cada cinco minutos.
2 – Sempre que alguém apaga a luz da mesa-de-cabeceira ao deitar, os cortinados abertos permitem que o luar ilumine a face da nossa personagem. Mesmo que lá fora esteja a chover, a luz é sempre suficiente para clarear o quarto.
1 – Um copo a deslizar no balcão de um saloon nunca pára sozinho por força do atrito. Surge sempre uma mão.
Alvy Singer
3 Comments:
esqueceram-se de mencionar que quando alguém sai d um carro tb nunca o tranca não ser q tenha fecho centralizado..e mm assim...
Muito bem visto!
Gostei muito do apanhado das cenas e não posso deixar passar a ocasião sem falar nos filmes de terror (que estão cheios de clichés, obviamente, senão não haveria a parte do "terror":)). Assim, sempre me perguntei porque é que quando as personagens atropelam alguém/algo insistem em parar o carro e voltar para trás para ver o resultado e porque tentem a procurar sempre a fonte de todos os barulhos sinistros que ocorrem ao seu redor:)
Ana C
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