Deuxieme


domingo, junho 07, 2009

O caso Hillary.

Poder-se-á afirmar que uma actriz que tenha já conquistado dois Oscars não seja uma das profissionais mais adoradas no seio da comunidade cinéfila? Será um risco, mas sim. Pode-se. Hillary Swank é selo de qualidade. Contudo, quando nos perguntamos a nós mesmos quem gostaríamos de ver como a próxima Catwoman, ou quem é gostaríamos de ver no próximo título de acção de Michael Bay, ou no próximo drama de Scorsese, raramente nos lembramos dela. Podemos quase dizer que Swank é Cate Blanchett sem o sex-appeal. O primeiro papel de Hillary Swank no grande ecrã surgiu em 1992, no filme que mais tarde serviria de base à série de culto com Sarah Michelle Gellar, Buffy the Vampire Slayer (Fran Rubel Kuzui). Contudo, foi preciso esperar dois anos para ver de que fibra Swank era feita. Em The Next Karate Kid (Christopher Cain, 1994), a actriz arregaçou as mangas, ocupou o lugar de Ralph Macchio, e mostrou à rapaziada lá do bairro que tinha o que era preciso para sustentar os seus argumentos. Nos cinco anos seguintes, Swank entraria apenas em três longas-metragens: Kounterfeit (John Mallory Asher, 1996), Quiet Days in Hollywood (Josef Rusnak, 1997), e Heartwood (Lanny Cotler, 1998). Contudo, em 1999, tudo mudaria para nunca mais vir a ser o mesmo. Com a sua portentosa interpretação em Boys Don’t Cry, o filme de Kimberley Pierce baseado em factos reais, onde deu vida a Brandon Teena, a actriz conquistava o primeiro Oscar da sua carreira. Até chegarmos ao seu segundo, cinco anos depois, constatamos que Swank participa em nove filmes. Ou a vontade de trabalhar aumentou, ou os convites dos estúdios cresceram, ou as duas. O certo é que, em 2004, às ordens de Clint Eastwood em Million Dollar Baby, Swank arrecadaria a segunda estatueta dourada. Duas vitórias em outras tantas nomeações. E, é por isso que aqui estamos hoje.

Como tudo o resto que, por esta altura, surja sobre a próxima temporada de prémios, talvez este texto tenha o seu quê de prematuro. Contudo, não custa nada admitir que Amelia de Mira Nair é um filme que parece reunir alguns elementos favoráveis a uma eventual terceira nomeação de Swank; e, menos custará ainda tirar uns cinco minutos para um pequeno lembrete que sempre traz mais uns pingos de cultura cinéfila.

Treze são as actrizes que têm dois ou mais Oscars.

  • Katherine Hepburn ganhou quatro. Precisou de onze nomeações para chegar ao segundo. Doze para o terceiro.
  • Ingrid Bergman ganhou três. Precisou de cinco nomeações para chegar ao segundo. Seis para o terceiro.
  • Meryl Streep ganhou dois. Precisou de quatro nomeações.
  • Bette Davis ganhou dois. Precisou de três nomeações.
  • Luise Rainer ganhou dois. Precisou de duas nomeações.
  • Vivien Leigh ganhou dois. Precisou de duas nomeações.
  • Olivia de Havilland ganhou dois. Precisou de cinco nomeações.
  • Elizabeth Taylor ganhou dois. Precisou de cinco nomeações.
  • Glenda Jackson ganhou dois. Precisou de três nomeações.
  • Sally Field ganhou dois. Precisou de duas nomeações.
  • Jane Fonda ganhou dois. Precisou de quatro nomeações.
  • Jodie Foster ganhou dois. Precisou de três nomeações.

Ora, isto coloca Swank no restrito grupo das 2 em 2. Sally Field, Vivien Leigh, Ruise Rainer e Hillary Swank. Se Amelia trouxer um terceiro Oscar, Swank atingirá algo que nenhuma actriz conseguiu na História. Mais do que os três Oscars, é a percentagem de sucesso que mais nos faz espécie. É por isso que, apesar da eternidade que falta ainda para o inicio da corrida, por melhor que possa vir a ser a sua interpretação no biopic de Mira Nair, não vemos Hillary Swank como vencedora em 2009. Tão certo como um Spider Man 4 vir a caminho, um dia voltaremos a este tema.

Bruno Ramos

Etiquetas:

15 Comments:

Blogger Filipe Assis said...

Concordo contigo. Mas, pessoalmente, não concordo que Hilary Swank seja uma grande grande actriz. Nem se compara com Blanchett. E os Oscares não querem dizer na-da, necessariamente, como bem sabemos.

A Blanchett de ELIZABETH (1 ou 2) ou de I'M NOT THERE metem Hilary Swank na sombra.

Cumps.
Filipe Assis
CINEROAD - A Estrada do Cinema

7 de junho de 2009 às 22:01  
Blogger Passenger said...

Sinceramente, a actriz Americana mais sobrevalorizada das últimas 2 décadas... pelo menos.

7 de junho de 2009 às 23:47  
Anonymous Paulo said...

Não acho que Blanchett a meta na sombra..o papel de Boy´s Don´t Cry é assombrosamente bom!!!!

8 de junho de 2009 às 00:21  
Anonymous Paulo said...

ah..e os Oscares querem dizer MUI-TO! Ou o que o Filipe sabe é soberano sobre os cerca de 6000 votantes?!!

8 de junho de 2009 às 00:22  
Blogger Ricardo said...

Gary Cooper é o exemplo do actor canastrão e isso não impediu-o de vencer dois Oscars e ser nomeado para outros três! Não vejo razão para não acontecer o mesmo com a Hilary Swank.
F. Murray Abraham nunca foi um grande actor, mas deu-nos uma magistral interpretação como Salieri em "Amadeus". Por si só, esse facto valeu-lhe um Oscar (merecido, em minha opinião). Creio que quando se atribuiu o Oscar premeia-se um desempenho e não a qualidade dos actores.

Já agora, três correcções.
Katharine Hepburn precisou de 12 nomeações para chegar ao 4.º Oscar e não de três.
Bette Davis precisou de duas nomeações para vencer dois Oscars e não de três.
Meryl Streep precisou de três nomeações e não quatro para vencer os dois Oscars.

8 de junho de 2009 às 00:36  
Blogger Deuxieme said...

Ricardo, apesar de ter sido em circunstâncias particulares, que levaram a alterações na eleição dos candidatos no ano seguinte, Bette Davis teve a sua primeira nomeação para um Oscar por Of Human Bondage (1935). Nesse ano, não ganhou.

Meryl Streep, por sua vez, tem uma primeira nomeação em 1978 por The Deer Hunter (não ganhou), uma segunda em 1979 por Kramer vs Kramer (ganhou), uma terceira em 1981 por The French Lieutenant's Woman (não ganhou), e uma quarta em 1982 por Sophie's Choice (ganhou).

Relativamente à correcção sobre Katherine Hepburn, muito francamente, não percebemos o reparo.

8 de junho de 2009 às 00:54  
Blogger Needle said...

Pode um actor mediocre ter um grande desempenho? Um único? Um golpe de sorte? Quero acreditar que quem avalia os desempenhos dos actores, nomeadamente outros actores, consegue distinguir entre trabalho e sorte. E no caso da Hilary Swank, seria possível que tivesse sorte duas vezes? Hummm... são só dúvidas que se me colocaram perante afirmações tão peremtórias.

8 de junho de 2009 às 09:12  
Anonymous César said...

Vamos lá ver uma coisa: não se pode dizer em nenhum momento que Hilary Swank é uma má actriz... simplesmente porque não o é... Uma pessoa que nos oferece o que ela ofereceu em "Boys Don't Cry" e depois em "Million Dollar Baby" não pode ser chamada de medíocre. O que eu opino em relação a esta senhora é que tem momentos de lucidez e escolhe bons papéis e tem momentos de desvario psicótico e alinha em burradas do estilo "The Reaping"... agora, sorte ou não, os dois Oscars que tem são mais que merecidos!... o Ricardo falava de Gary Cooper (peço desculpa, mas não penso que seja um actor canastrão), mas há casos bem piores de desalinho racional da academia... para mim, o pior sem dúvida, Tommy Lee Jones em 1994... terão os actores que votaram esse ano reparado que no grupo de "Melhor Actor Secundário" estava um nome com um quadradinho ao lado onde todos deviam ter votado: Ralph Fiennes por "A Lista de Schindler"?

8 de junho de 2009 às 15:23  
Blogger Gustavo H.R. said...

Swank não é do modo algum má ou mediocre, mas ter 2 estatuetas talvez seja um sina lde que a Academia não seja tão seletiva quanto parece.

8 de junho de 2009 às 19:55  
Anonymous César said...

Não me parece que seja uma questão de que a Academia seja "selecta" ou não. A questão é que nos anos em que esteve nomeada era sem dúvida a melhor interpretação... e acho que foi isso que a Academia premiou: duas grandes interpretações.

8 de junho de 2009 às 20:04  
Blogger Carlos Vilafanha said...

Desculpem lá, mas eu acho a Hillary uma senhora muito sexy, e muito boa actriz.
.
http://toxicidades.blogspot.com

8 de junho de 2009 às 20:16  
Anonymous Paulo said...

Por falar em questão de ser premiada a interpretação/bom ou mau actor e eu acho que um actor que tenha ganho um oscar ou tenha tido uma nomeação é porque em algum momento teve uma interpretação digna de ser premiada... Como acontece a todos, pode haver momentos em q as escolhas não sejam as mais certas e levar a uma carreira mais conturbada.
Por exemplo F. Murray Abraham ou mesmo Tom Hulce são nomes que agora não costumam andar na ribalta e tiveram interpretações memoráveis em Amadeus! Kathleen Turner teve papéis tb memoráveis, foi nomeada por "Peggy Sue Casou-se" e agora anda um pouco esquecida. Kevin Costner teve uns devaneios ali pelo meio e não é por isso que deixa de ser um grande actor e realizador (Oscar por Danças com Lobos)...

8 de junho de 2009 às 20:59  
Blogger Ricardo said...

O que foi escrito no blogue:
«Katherine Hepburn ganhou quatro. Precisou de onze nomeações para chegar ao segundo. Doze para o terceiro».

- Insisto: na realidade, quando chegou às 12 nomeações, Hepburn ganhou o quarto Oscar e não o terceiro.

O que foi escrito no blogue:
«Meryl Streep ganhou dois. Precisou de quatro nomeações».

- Streep precisou de três nomeações para ganhar e não de quatro: Kramer contra Kramer (1979), A amante do tenente francês (1981) e A Escolha de Sofia (1982). A quarta nomeação veio por Reacção em Cadeia, quando a actriz já tinha dois Oscars em casa.

O que foi escrito no blogue:
«Bette Davis ganhou dois. Precisou de três nomeações».
Davis ganhou dois Oscars: Mulher perigosa (1935) e Jezebel, a Insubmissa (1938). Foram as suas duas primeiras nomeações.

Obrigado.

13 de junho de 2009 às 19:41  
Anonymous César said...

Caro Ricardo, está enganado: Meryl Streep quando ganhou o Oscar por Kramer Vs. Kramer já era a sua 2ª nomeaçao, pois já tinha sido nomeada anteriormente para melhor actriz secundária por "The Deer Hunter"...

14 de junho de 2009 às 08:13  
Blogger Ricardo said...

César,
Mea culpa. Tem toda a razão em relação à nomeação por "O Caçador". Obrigado.

14 de junho de 2009 às 19:15  

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