Deuxieme


sexta-feira, julho 24, 2009

Assim, é duro.

O corresponder às expectativas não quer dizer pescoço. Quando esperamos o pior, e com o pior somos mimados, não nos alegramos simplesmente por ter acertado no dano provocado. Cada um sabe de si. Contudo, este que se assina, quando entra numa sala de Cinema espera de lá sair meio zonzo, como quem leva uma traulitada na mona e precisa de cinco a dez minutos para restabelecer equilíbrios físicos e psíquicos. Um bom filme é aquele que nos deixa com a sensação de que alguém nos espetou uma marretada com um taco de basebol. Um grande filme é aquele que nos deixa em fanicos, tal e qual os desenhos animados da Warner Brothers quando alguém lhes espeta uma mocada na tola. Aquilo são fragmentos espalhados pelo chão, eternamente apanhados à vassourada por uma dona de casa da qual só conhecemos o pernil rechonchudo. É desse modo que nos desejamos sentir no final de uma ida ao Cinema. Contudo, para mal dos nossos pecados – e, há dias em que nos portamos melhor do que noutros –, Transformers: Revenge of the Fallen foi dos títulos que mais indiferença provocou nos últimos anos. Para não ir mais longe.

Já três semanas passaram desde a noite em que, pela primeira vez, vi o mais recente trabalho de Michael Bay. Esta demora em publicar a opinião sobre o filme foi propositada. Desta forma, não corremos o risco de nos pronunciarmos de cabeça quente. Com calma, entendemo-nos melhor. No entanto, este amadurecimento de ideias, contrariamente ao esperado, só tem prejudicado ainda mais a apreciação da obra. Quanto mais dias passam, mais lesivos vão sendo os adjectivos encontrados para classificar a recreação acriançada de Bay. Quanto mais tempo passa, mais complicado vai sendo descortinar algo que seja passível de aplauso. Algo que não sejam os efeitos especiais – mesmo assim, nada de encher o olho –, ou os efeitos sonoros.

A concepção do filme é tão simples, que chega a ser extraordinária a forma como Michael Bay e companhia falham redondamente. O plot, muito resumidamente, prende-se com a vingança de Fallen, um dos Primes originais, e aquele que esteve por detrás da criação dos Decepticons. O plano de Fallen não tem grande segredo. Destruir a Terra e tornar a sua raça o mais forte possível. O pão-nosso de cada dia. No entanto, nem ao segundo filme, Bay e os argumentistas Ehren Kruger e Roberto Orci, se dão ao trabalho de aprofundar personagens. Parece que é tudo feito à lei do melhor esforço. Megan Fox está triste? Realce-se os olhos azulados. Shia LaBeouf está-se nas tintas? Ele que vá contando umas piadas. Diálogos ajuizados e que dêem um dedo de textura à narrativa são uma raridade, para não dizer uma miragem. Aliás, três semanas depois, as poucas frases ainda presentes são as de Wheelie e Skids, os dois Autoboots que funcionam como patetas de serviço. Alguns buracos narrativos dão três voltas ao sistema solar. Já para não falar do suposto clímax, que nem dá para aquecer. Digamos que será o que de cinefilamente existe mais parecido com a ejaculação precoce. Antes de começar, já acabou. O que não deixa de ser irónico, dado que dois terços do filme são dedicados à pancadaria metálica. Agora, quando era verdadeiramente importante segurar o espectador, a sala de montagem encarregou-se de despachar o assunto.

Este não é o Michael Bay de O Rochedo. Este é um filme do Michael Bay de Pearl Harbor. A Total Film do mês passado fazia desta película a sua capa, com o título Bigger is Better. Para alguns, talvez sim. Para nós, não. Da próxima, para variar, gostávamos de ver Sam e Mikaela num café a trocar dois dedos de conversa. Ou, quem sabe, Optimus Prime a filosofar com os outros Autoboots sobre as regalias de viver no planeta azul. Isto de todos usarmos uma máscara em redes sociais é muito bonito. No entanto, palavra de honra que temos alguma curiosidade de ficar a saber um pouco mais sobre este miúdo que salva o universo como quem muda de cuecas. Se nos perguntassem alguma coisa sobre Bruce Wayne, mesmo que tendo por base apenas os filmes de Nolan, teríamos material para uma tese de mestrado. Se nos perguntarem alguma coisa sobre Sam Witwicky, a medo somos capazes de tentar adivinhar a cor predilecta em t-shirts. Há coisas piores. Melhores filmes virão.

Alvy Singer

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