Deuxieme


domingo, agosto 09, 2009

The Cove.

Duas são as formas de destaque. Pela positiva ou pela negativa. O triunfo do pragmatismo conduz-nos a este truísmo evidente, confinando a formulação deste par de hipóteses e mais nenhum. É certo que, dentro do realce favorável, o intervalo pode ir desde o simples reconhecimento a medalhas de mérito. De igual modo, dentro da ênfase paupérrima, o espectro pode ir desde um bocadinho assim – aproximar polegar e indicador como ilustrado no anúncio do iogurte rico em cálcio –, até à asneirada cáustica. Em traços largos, acreditamos que estas são as duas grandes opções para fugir à mediania. A Academia de Hollywood não foge à regra. Anualmente, inúmeras críticas são apontadas à eleição dos nomeados. Na sua maioria, considerações de carácter subjectivo que encontram nas preferências pessoais o seu principal vector. Contudo, algo mais profundo se passa em certas categorias. Nas de interpretação, por exemplo, não encontrámos ainda um argumento válido para a recusa em incluir dois trabalhos do mesmo actor. Para Hollywood, faz mais sentido incluir um sexto mais votado no rol de cinco finalistas, do que repetir um terceiro e um quarto. Dura lex sed lex, e não se fala mais nisso. Na categoria de Melhor Canção Original é o descalabro. Existe por aí muita película esculpida a partir de uma simples tagline, ou de uma mera cena com que o argumentista sonhou numa noite de insónias, mas, quando toca a construir uma melodia que capte a essência da obra, o realizador assobia para o lado, o produtor telefona para o último artista a ter uma música no primeiro lugar do top, e seja o que ele quiser. Uma difusão de responsabilidade digna de enaltecer. Na categoria de Melhor Filme Estrangeiro é melhor nem tecermos considerações. O regulamento tem mais reviravoltas que um filme de David Fincher. Quando pensamos que uma determinada obra tem tudo para chegar ao Kodak Theater, lá vem a Academia relembrar-nos que, ali ao minuto dezasseis, a personagem X recorre a um sotaque escocês arcaico que inviabiliza a nomeação. E, mesmo nas cinco finalistas, as politiques do costume ainda surpreendem o espectador mais inocente. Porque a síndrome Festival da Eurovisão não conhece fronteiras. Contudo, o que nos traz aqui é a baralhação que ainda impera na categoria de Melhor Documentário. Algo que já vem de longe. Em 1988, The Thin Blue Line (Errol Morris) foi considerado por muitos como o melhor documentário do ano. Troféus não lhe faltaram. O mesmo aconteceu com Roger & Me (Michael Moore, 1989), Hoop Dreams (Steve James, 1994), e Fahrenheit 9/11 (Michael Moore, 2004). Nenhum destes ganhou. Nenhum destes chegou, inclusive, a ser nomeado. Quando Hoop Dreams ficou pelo caminho, a controvérsia foi tanta que a Academia foi obrigada a rever e alterar algumas das regras. Ainda assim, dez anos mais tarde, o documentário mais lucrativo da História ficou de fora dos nomeados porque o autor decidiu transmiti-lo no pequeno ecrã antes do tempo. Válido. Em 2005, Grizzly Man de Werner Herzog, aplaudido em todos os círculos de críticos, nem aos quinze finalistas chegou, por violar a norma segundo a qual um documentário não pode ser inteiramente edificado em torno de material de arquivo. O que a Academia não viu foram as entrevistas efectuadas e as cenas filmadas de propósito para o filme. Se calhar enviaram os screenings errados. Por tudo isso, gostávamos de olhar para os recentes elogios a The Cove como o primeiro indicador de que pode estar aqui um sério candidato a figurar na lista dos cinco nomeados a melhor documentário de 2009. Contudo, nada nos garante que não passe apenas de um magnífico trabalho de Louie Psihoyos, e que o Oscar não venha a ser uma mera miragem. Para já, é o primeiro do género a destacar-se. Pela positiva. Kris Tapley do InContention disse, depois de ter visto a película, I was absolutely floored. Devastated, rocked, affected — it’s the reason films are made. Esperemos que a Academia não se destaque pela negativa e não venha a dizer lá mais para a frente qualquer coisa como, filmes sobre golfinhos, só em anos pares. Aqui fica o trailer.

Bruno Ramos

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