Mais um Grindhouse, à la Dois.
Imbuídos no espírito da quadra, poderíamos interpretar os filmes que a RTP2 transmitirá esta noite como uma espécie de prenda de Natal. Mas não. Quem tem por hábito ver a programação do segundo canal, não ficará certamente surpreendido com este tipo de escolhas. São sequências destas que trazem mais cor ao dia de um cinéfilo. Aliás, a Dois quase que podia desafiar um qualquer canal generalista do mundo, e perguntar se algum deles transmite dois filmes deste nível de enfiada. Era mostrar isto aos senhores que decidiram cortar Death Proof e Planet Terror, e dizer Isto é que Grindhouse de qualidade!
A saber então que o primeiro filme na emissão da RTP2 desta noite será O Barba Azul, o filme que derruba por completo o axioma de que só os filmes mudos de Chaplin é que são grandiosos. O Barba Azul é Chaplin vintage. O facto de o filme ter estado destinado a Orson Welles (que só não o realizou porque Chaplin recuou perante a ideia de ter alguém a dirigi-lo), que, na verdade, escreveu grande parte do argumento, levar-nos-á sempre a pensar onde é que estará, afinal, o dedo de Chaplin. Quais é que foram as suas alterações à história escrita por Welles? Quem é que se terá lembrado da frase “One murder makes a villain, millions a hero”? Hoje, apenas a ideia do filme está conotada com o realizador de Citizen Kane. Ao mesmo tempo, saber que estes génios colaboraram na pintura deste enredo, torna o filme ainda mais especial. Muito especial.
De seguida, e, para não quebrar o ritmo, temos Bullit. Famoso pela cena da perseguição automóvel pelas ruas de São Francisco, que durou três semanas a filmar e resultou numa parte da fita que dura 9 minutos e 42 segundos, o filme é muito mais do que isso. Quase que podemos dizer que Bullitt é o melhor filme policial da década de setenta, dos anos sessenta. No entanto, a mensagem que aqui fará mais sentido deixar, uma vez mais, imbuídos no espírito da quadra, é a de que a cena de perseguição é bonita, sim senhora, mas deixemos isso para Steve McQueen. Na estrada, o cuidado nunca é demais.
Alvy SingerEtiquetas: Bullitt, O Barba Azul




