Scott Pilgrim rocks (o miúdo tem mesmo uma banda).
Sexta-feira à noite deitei as manápulas ao primeiro volume de Scott Pilgrim, saga criada por Bryan Lee O’Malley, a ser levada ao grande ecrã por Edgar Wright (Hot Fuzz), com Michael Cera no principal papel. A medo, como quem dá uma garfada numa iguaria de que nunca ouviu falar, encomendei apenas Scott Pilgrim’s Precious Little Life, o primeiro número. Duas horas mais tarde, depois de devoradas as 168 páginas do livro, estava a encomendar os restantes fascículos. Ide e fazei o mesmo. É um primor.
Por estes dias, deverá ser um dos filmes cuja produção está a ser mais seguida de perto na net. À partida, tem todo o aspecto de ser um título simpático, bem parecido e com sentido de humor. Se fosse uma pessoa, seria a ideal para apresentar a alguém conhecido e solteiro. Realizado por Edgar Wright (Hot Fuzz), e com Michael Cera a encabeçar o elenco, Scott Pilgrim vs. The World tem tudo para reunir um buzz considerável na web, e lançar o filme para, pelo menos, uma estreia auspiciosa. No entanto, as expectativas vão para além disso. Baseada no comic book de Brian Lee O’Malley, a película relata a existência do rapaz do titulo. O canadiano Scott Pilgrim, residente em Toronto, leva uma vida do camandro. Tem 23 anos, toca baixo numa banda de rock, os Sex Bom-Omb, está desempregado mas à procura de um, e namorada com Knives Chau (Ellen Wong), uma rapariga bem engraçada e que não faz mal a uma mosca. Tudo corre bem, até ao dia em que Pilgrim sonha com uma outra rapariga, divinal, estilo perigosamente sexy, e que tem por hábito andar de patins em linha, mas que nunca conheceu. O jovem Pilgrim vem a saber que esta rapariga se chama Ramona Flores (Mary Elizabeth Winstead), e que trabalha na Amazon.ca. Um encontro fortuito com Ramona numa festa em casa da namorada de um amigo é o ponto de partida para uma saudável obsessão. Contudo, o caminho para o coração de Flores não está coberto de pétalas. Os sete ex-namorados demoníacos de Ramona atravessar-se-ão no caminho de Scott, e o triunfo do amor terá os seus contratempos.
A saga criada por Brian Lee O’Malley já teve cinco livros publicados. Falta apenas um para chegar aos seis planeados desde inicio pelo autor. E, tanto quanto sabemos – que ainda não nos lançámos na leitura desta saga – o sétimo namorado de Flores só aparecerá no derradeiro capitulo. Ora, isto levanta a questão de Scott Pilgrim vs. The World – por sinal, o título do segundo livro – pretender transpor a história completa de Pilgrim, ou só a conhecida. Por enquanto, alguns pormenores continuam no segredo dos deuses. Contudo, para gáudio da comunidade cinéfila que anseia como se não houvesse amanhã por este título, Edgar Wright tem dado a conhecer outros pormenores. O videoblog oficial é bem jogado. Para além do blog do realizador. Já são seis os clips dedicados ao filme. Como não conseguimos extrair o código dos Vimeo, deixamos aqui o mesmo mas retirado do Youtube. Este é o primeiro. É favor ver os cinco que se seguem. Ah, é verdade... Este é o primeiro teaser poster.
Mais um dos que passou por Sundance, no inicio do ano. Paper Heart era um dos títulos mais aguardados do certame. A premissa de um filme parte-documentário, parte-ficção, pareceu interessante desde o princípio. A ideia inicial seria seguir Charlyne Yi na sua viagem pelos Estados Unidos, à procura da solução para a única pergunta que não encontra resposta: O amor existe?. Uma epopeia onde Yi entrevista casais, escritores, cientistas, miúdos, graúdos, enfim, tudo o que lhe aparecer à frente. No entanto, algumas passagens do filme são parcialmente escritas. Têm umas directrizes. Ao bom estilo de Curb Your Enthusiasm, dizemos nós. Destes segmentos arquitectados por Charlyne Yi e Nicholas Jasenovec – co-argumentista e realizador –, faz parte o arco narrativo com Michael Cera, um jovem que Yi conhece na sua odisseia, e que por ela se apaixona. De Sundance, Paper Heart levou na bagagem ou louvores de meia dúzia de críticos, alguns apupos de outra meia dúzia, e o Waldo Salt Screenwriting Award. Acima de tudo, parece ter fugido um pouco ao quadro que à volta dele se desenhava. Por aqui, continuamos curiosos. Depois do trailer, ainda mais. Para quem acha que a cara de Charlyne Yi lhe é familiar, mas não está bem a ver de onde, a actriz interpreta Jodi, a mais caricata personagem de Knocked Up. Aquela que, a certa altura, profere esta desconcertante observação, You must be angry at the baby whenever it steals your food, huh. Ohh that's mine, not yours. But, you know, because you're family you gotta share. Clássico mais instantâneo que as gelatinas Alsa. Aqui fica o trailer do filme que, nos Estados Unidos, tem estreia marcada para 07 de Agosto.
Ainda estamos a tentar perceber se estas são boas ou más noticias. O filme baseado na série de culto Arrested Development tem sofrido tantos transtornos, causados sobretudo por Michael Cera, que, por esta altura, nem mesmo os produtores parecem saber a quantas andam. Ou, melhor, se calhar até sabem, não querem é revelar o estado da pré-produção. Numa entrevista a despachar, na passadeira vermelha dos Oscars, Ron Howard confirmou à MtvNews que o filme é uma certeza. No entanto, não assegurou que todos estivessem a bordo, “We've been asked to no longer divulge anything or get into the game of who's in, who's out”. O mistério adensa-se e, por esta altura, é arriscado dizer que todos regressarão à película para recuperar os seus papéis. Gostávamos que acontecesse. No entanto, não fazemos disso um pé de guerra. Basta recordar a presença fictícia de Marlon Brando em The Godfather: Part II, para lembrarmo-nos de que não existem imprescindíveis. Afinal de contas, parece que são mesmo boas notícias. Aqui fica o vídeo.
Sem qualquer fonte que o confirme, surge no Worst Previewsa boa nova de que Michael Cera estará a trabalhar num filme intitulado Paper Hearts, cuja estreia poderá estar marcada para o inicio do próximo ano, em Sundance. A obra parece estar rodeada num secretismo tal, que nem sequer figura na lista dos próximos trabalhos do actor no IMDB. Segundo o Worst Previews, aqueles que têm conhecimento das filmagens descrevem Paper Hearts como parte documentário, parte ficção, sobretudo comédia, baseada na relação na vida real entre Cera e a sua namorada, Charlyne Yi, outro membro da Judd Apatow crew. A actriz participou, por exemplo, em Um Azar do Caraças, como atesta a fotografia abaixo. É a quarta a contar da direita.
Nicholas Jasenovec, realizador do filme, tem aqui a sua estreia atrás das câmaras. Mas, mais uma vez, no IMDB, nada. A ideia passará por trazer a obra à baila apenas no Festival e aí fazer um brilharete. Numa altura em que se começa a falar dos filmes com mais potencial para figurar no Festival, seria uma alegria ver por lá um título com Michael Cera, um jovem actor já com provas dadas, e que tem aquele ar indie tão carismático, da ponta do cabelo às unhas dos pés.
Este rapaz tem tudo o que é preciso para triunfar em Hollywood: uma beleza questionável, um ar desajeitado natural, uma expressão facial que não dá para perceber se ele está alheado ou simplesmente envergonhado, um desarranjo fisionómico invejável, e um talento do tamanho do mundo. É verdade que, qualquer actor com o argumento de um episódio de Arrested Development nas mãos, corre o risco de passar por um grande profissional. No entanto, ao fim de três temporadas, não restava qualquer dúvida de que Michael Cera é um dos jovens com maior potencial para vingar na sétima arte. O soberbo Super Baldas confirmou isso mesmo. Que venha Juno. E mais entrevistas assim, por favor.