Sem meias medidas, de The Princess and The Frog esperamos o Efeito Shrek. Quem tiver curiosidade em saber mais sobre este fenómeno cinematográfico, a Wikipedia é capaz de oferecer alguns esclarecimentos. No fundo, o que este postulado no diz é que as emoções são tanto mais intensas, quanto menor for a sua previsibilidade. O ideal é ir mesmo contra o paradigma. Fantasiando uma história com príncipes e fadas madrinhas, não há muito por onde escolher. Os protagonistas são feitos à imagem de Vénus e Apolo, e a fábula termina com toda a gente felize para todo sempre. No entanto, segundo o Efeito Shrek, a coisa pode descarrilar, e não necessariamente para o torto. A maioria dos comentários ao mais recente trailer de The Princess and The Frog diz Ai, mais um filme Disney para criancinhas, ou Ui, mais um filme Disney a puxar à lagrimazinha fácil. Se nos dão licença, procederemos agora ao copy/paste de todas estas considerações. Se o Efeito Shrek vier ao de cima, convém ter algures um baú das reacções estapafúrfidias.
Comunicar não é fácil. Nem sempre dizemos aquilo que queremos dizer. Nem sempre dizemos aquilo que pensávamos ser o que queríamos dizer, da forma que o queríamos fazer. Pior, nem sempre o outro entende aquilo que queríamos dizer. Confuso, mas nem sempre o outro entende da forma esperada aquilo que pensávamos ser o que gostaríamos de dizer. Comunicar, decididamente, não é fácil. Muitos são os estudos que postulam que, se as mensagens que tentamos passar diariamente constituíssem um bolo de dez fatias, apenas três seriam oferecidas aos convidados. Ficamos quase sempre com sete em nossa casa, simplesmente por não sermos capazes de transmitir essas ideias. Ou, por o outro não ser capaz de a assimilar. Porque na altura de repartir a culpa, somos uns mãos largas. Comunicar, claro está, não é fácil. Pela Internet, então, nem se fala. Se ao telefone ainda podemos fazer entoações, brincar com fonéticas, acentuações e timbres de voz, num blog, resta-nos depositar toda a fé deste mundo e do outro na excelsa capacidade de compreensão de míseras palavras por parte de quem está desse lado. Apesar de não nos conhecermos de lado nenhum. O único ponto que temos em comum é esta paixão pelo Cinema. Uma revista de Cinema traz-nos aqui e, lá nos vamos entretendo e alimentando esta paixão que nos acompanhará para o resto dos nossos dias. Mas, neste caso, apesar de pouco ou nada sabermos sobre quem está desse lado, estamos confiantes de que esta mensagem passará. Porque, se existe alguém por detrás desse ecrã, que hoje gosta de Cinema, seguramente que, a determinada altura da sua vida, passou os olhos por um filme da Disney. Normalmente, perdemo-nos em fórmulas matemáticas para tentar justificar o porquê da excitação em torno de uma determinada obra. Esta noite, por sabermos que muitos são os cinéfilos que se orgulham de assim ser apelidados cresceram a ver os filmes Disney, basta-nos dizer em relação a The Princess and the Frog. Disney. 2D. Saudades. Aqui fica o trailer.
O Coming Soon alerta-nos para três imagens presentes no relatório anual da Disney de 2008, que pode ser consultado aqui. A primeira, de The Princess and the Frog. As outras duas, de A Christmas Carol, de Robert Zemeckis. Depois destes lamirés, já não sabemos por qual dos dois aguardar com maior impaciência. O primeiro afigura-se como um dos mais importantes títulos do ano, para não dizer da última década. O filme que assinala o regresso da Disney ao desenho à mão, ao 2D tradicional, jamais poderá ser subestimado. Aquilo que esta obra facturar na bilheteira ditará, em certa medida, que tipo de projectos poderemos esperar no futuro. Porque, convenhamos, isto é quase um remar contra a maré. Animação por computador já não é o futuro, mas sim o presente. Resta saber quantas pessoas ainda gostam de remar no sentido inverso. A data de estreia mundial está prevista para o dia Natal de 2009.
O segundo, bem, é um Robert Zemeckis. Sobre este cineasta, jamais esquecerei a frase proferida por um colega de redacção Esse gajo não consegue fazer um mau filme. Alguém com vontade de refutar esta alegação, que atire a primeira pedra. Aqui fica uma das duas imagens do concept art de A Christmas Carol, com estreia marcada, nos Estados Unidos, para 06 de Novembro.
Para o mais comum dos mortais, morar em Portugal é capaz de ser sinónimo de algumas adversidades. Então para um cinéfilo que está a dez fusos horários do centro da acção, isto é, Hollywood, nem se fala. Muito daquilo que vale a pena trazer a este estaminé, acaba por inundar a Internet à hora de deitar. Resultado, só quando acordamos de manhã é que vemos as mais recentes novidades. Mas, por essa altura, é tempo de nos fazermos à estrada.
Isto tudo para dizer que, a esta hora, site, fórum ou blog que não tenha ainda mostrado a primeira imagem de The Princess and the Frog, não é site, fórum ou blog nem é nada. Por isso, porque não queremos que os outros meninos do grupo não deixem de brincar connosco (e porque, já agora, também é importante falar disto, caramba), deixemos então aqui o primeiro vislumbre de The Princess and the Frog, o regresso da Disney à animação 2D – sim, isso ainda existe.
O filme de Ron Clements e John Musker, conta a história da princesa Tiana (Anika Rose), uma jovem afro-americana que vive no elegante e deslumbrante French Quarter, em New Orleans. Romance, feitiços e muita cantoria, é aquilo que podemos esperar. A música estará a cargo de Randy Newman. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, confesso já ter saudades de um bom filme desenhado à mão.