Deuxieme


sábado, dezembro 29, 2007

Mais um Grindhouse, à la Dois.

Imbuídos no espírito da quadra, poderíamos interpretar os filmes que a RTP2 transmitirá esta noite como uma espécie de prenda de Natal. Mas não. Quem tem por hábito ver a programação do segundo canal, não ficará certamente surpreendido com este tipo de escolhas. São sequências destas que trazem mais cor ao dia de um cinéfilo. Aliás, a Dois quase que podia desafiar um qualquer canal generalista do mundo, e perguntar se algum deles transmite dois filmes deste nível de enfiada. Era mostrar isto aos senhores que decidiram cortar Death Proof e Planet Terror, e dizer Isto é que Grindhouse de qualidade!

A saber então que o primeiro filme na emissão da RTP2 desta noite será O Barba Azul, o filme que derruba por completo o axioma de que só os filmes mudos de Chaplin é que são grandiosos. O Barba Azul é Chaplin vintage. O facto de o filme ter estado destinado a Orson Welles (que só não o realizou porque Chaplin recuou perante a ideia de ter alguém a dirigi-lo), que, na verdade, escreveu grande parte do argumento, levar-nos-á sempre a pensar onde é que estará, afinal, o dedo de Chaplin. Quais é que foram as suas alterações à história escrita por Welles? Quem é que se terá lembrado da frase “One murder makes a villain, millions a hero”? Hoje, apenas a ideia do filme está conotada com o realizador de Citizen Kane. Ao mesmo tempo, saber que estes génios colaboraram na pintura deste enredo, torna o filme ainda mais especial. Muito especial.

De seguida, e, para não quebrar o ritmo, temos Bullit. Famoso pela cena da perseguição automóvel pelas ruas de São Francisco, que durou três semanas a filmar e resultou numa parte da fita que dura 9 minutos e 42 segundos, o filme é muito mais do que isso. Quase que podemos dizer que Bullitt é o melhor filme policial da década de setenta, dos anos sessenta. No entanto, a mensagem que aqui fará mais sentido deixar, uma vez mais, imbuídos no espírito da quadra, é a de que a cena de perseguição é bonita, sim senhora, mas deixemos isso para Steve McQueen. Na estrada, o cuidado nunca é demais.

Alvy Singer

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7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Peço desculpa por estar a tocar num assunto que nada tem a ver com este post, mas eu começo mesmo a desesperar, perguntando-me para quando um novo projecto. Vou-lhe dar um exemplo: só há coisa de uma semana é que percebi que o There Will be Blood era realizado pelo fantástico Paul Thomas Anderson. A falta que a Premiere me faz!

29 de dezembro de 2007 às 15:32  
Blogger João Bizarro said...

Grande serão em perspectiva.

Consegui apanhar uma ou duas partes dos documentários que a RTP2 tem vindo a passar sobre o Chaplin foi algo de grandioso.

Fiquei com pena de não ter visto todos.

29 de dezembro de 2007 às 18:16  
Blogger Luis Oliveira said...

Alvy

A ordem está trocada. Primeiro é o Bullitt, só depois a Barba Azul (o Monsieur Verdoux).

29 de dezembro de 2007 às 20:18  
Anonymous Anónimo said...

Vou também fazer um pequeno off-topic, para partilhar uma curiosidade que há momentos me passou pelo ecrã no Canal Hollywood: um anúncio de televisão relativo à Premiere (já nas bancas). Por momentos fiquei contente. É pena...

29 de dezembro de 2007 às 21:28  
Blogger Where Movies Live said...

Este comentário foi removido pelo autor.

29 de dezembro de 2007 às 22:43  
Blogger Where Movies Live said...

helo, não tive a opurtinadade de ver...
Miserável que sou.
http://wheremovieslive.blogspot.com/
é o blog meu e duma amiga, onde fazemos críticas de filmes, até agora foram os seguintes: pursuit of happyness, eternal sunshine of the spotlles mind e o labirinto de pan.
Gostaria que vocês comentassem por favor. Obrigado abraço a defunta premiere.

29 de dezembro de 2007 às 22:46  
Blogger Starfox said...

Verdoux's quote "One murder makes a villain; millions a hero" is taken from the abolitionist Bishop Beilby Porteus (1731-1808).

No preciso momento quem que Verdoux re-encontra a prisioneira que ajudou, agora uma nuevo riche, permite perceber que algo não está bem... e no fundo, foi só a demonstração final de um homem que já resolveu todas as querelas com a sua falta de identidade e conformou-se com um destino que o irá destruir, mas salvar do inferno que vive ao mesmo tempo.
Meu deus, o que seria do cinema sem o Chaplin...

30 de dezembro de 2007 às 11:02  

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