Deuxieme


domingo, dezembro 30, 2007

Please, say hello to me.

Não tendo visto nem O Último Homem na Terra (Boris Sagal, 1971), a primeira adaptação da obra de Richard Mateson, nem 28 Dias Depois (Danny Boyle, 2003), um filme que tem servido como termo de comparação com Eu Sou a Lenda, reconheço partir para esta consideração do filme de Francis Lawrence com menos trunfos na manga do que a maioria. No entanto, pegando um pouco nas considerações do post anterior sobre os paralelismos, estamos em crer que, não será necessário visionar mil filmes para chegar à conclusão de que Ladrões de Bicicletas é um filmaço. Assim como não será preciso ver tudo e mais alguma coisa que se fez no ramo da comédia, para perceber que a sequela de A Mascara deverá ser um dos piores filmes de sempre.

É claro que a cultura cinematográfica será sempre menor. O facto de não poder argumentar com alguém que, aguerridamente, defenda que os monstros de 28 Dias Depois estão melhor conseguidos que os de Eu Sou a Lenda, diminuirá sempre a credibilidade desta espécie de critica. Por outro lado, o que é a apreciação de um filme, senão a apreciação do filme em si, e nada mais? Gostaria de poder trazer à luz desta consideração aspectos e pormenores de filmes similares, contudo, lá por não ser possível, não quer dizer que não falemos aqui desta obra de Francis Lawrence que, talvez por não ter suscitado grandes expectativas, acabou por sair melhor do que a encomenda. Por opiniões trocadas pessoalmente este fim-de-semana, e pelas manifestações de desagrado lidas por essa Internet fora, podemos afirmar que não está muito na moda dizer que Eu Sou a Lenda é um bom filme. O primeiro impacto da obra, no nosso país, não foi o mais favorável, contrariamente ao que aconteceu do outro lado do Atlântico. Ou seja, estamos perante o inverso de A Vila.

Seja pela fraqueza do CGI no rosto dos humanos infectados, pelo product placement a rodos, pelo argumento manco que culmina num final em cima do joelho, ou pela débil realização de Lawrence, o filme parece não estar a reunir muitos fãs por estes lados. Com efeito, o CGI não é o melhor. Product placement quase que podia ser o subtítulo do filme. O argumento tem altos e baixos. O final é algo abrupto. A realização não é das mais brilhantes. No entanto, estamos longe, muito longe, de estar perante uma obra a evitar.

Cada ida de Will Smith ao clube vídeo para devolver um filme compensa, sobremaneira, as mil e uma caras iguais dos noctívagos. Cada diálogo/monólogo mantido com Sam, reembolsa as referências ao quer que seja. Cada plano de Nova Iorque destruída, equilibra aspectos do argumento menos conseguido de Akiva Goldsman (Código Da Vinci, Uma Mente Brilhante, Cinderella Man). E, por último, temos Will Smith. Não andaremos muito longe da verdade se dissermos que este trabalho suplanta o de Em Busca da Felicidade. As expectativas para o filme não eram as mais elevadas. Mas, para uma interpretação destas, então, é que não estavamos mesmo preparados. Evitem-se os comentários que incentivem alguém a evitar este filme. Aliás, este, e qualquer outro filme. Quem é que não tem orgulho em dizer que já viu Plan 9 From Outer Space (Ed Wood, 1954)?

Alvy Singer

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6 Comments:

Blogger Izzi said...

Concordo plenamente contigo (até porque, como tu, também não vi os 2 filmes referenciados...).
Eu gostei bastante de "I Am Legend" e penso que Will Smith, sozinho esteve muito bem. Estava com medo de estar sozinha ;)

Feliz Ano Novo :)

30 de dezembro de 2007 às 23:49  
Anonymous Anónimo said...

sim o final poderia ser algo muito melhor, mas este filme tem muitos pontos positivos. Começando na excelente interpretação do Will Smith, que simula os diálogos com Sam de uma maneira que acaba por nos divertir, ter um monólogos fantásticos... e algo extraordinário que vale bem os 101 minutos de filme, que é o incrível cenário da cidade de NY deserta e destruída.
Quem está com receio, que veja e que tire as duvidas, que no final verá que valeu a pena!

JS

30 de dezembro de 2007 às 23:58  
Anonymous Anónimo said...

Também concordo, vi o filme ontem e achei-o um dos melhores que vi este ano. Mais, acho que a realização de Francis Lawrence foi bastante boa. Num filme destes é fácil "cair" para o lado da acção "1000 à hora", mas o realizador teve o cuidado de manter o equilibrio, fazendo o melhor de um argumento com alguns buracos. Esse "travão" em prol da emoção é de aplaudir. Will Smith também mereçe os devidos aplausos. Ele consegue manter a personagem verosimil e até surpreender com a sua sensiblidade (a cena do cão e o "please, say hello to me" foi, para mim, a melhor cena do filme). Num filme deste género é raro ver heróis com esta profundidade dramática. Se o filme peca por alguma coisa é pelos efeitos especiais, pelo argumento sofrivel e pelo final apressado. Mas de resto, este filme mereçe um grande "bem haja"!

31 de dezembro de 2007 às 00:06  
Blogger The movie_man said...

Primeiro, sim tenho orgulho de ter visto Planet 9 From Outer Space. E sim, ao contrário do que muitos dizem, estamos perante um filme acima da média: Não pelo argumento arrebatador (que não é), nem pelos efeitos especiais fantásticos (que não o são)mas sim pela personagem que Will Smith interpreta e pela interpretação do mesmo. E é por isso mesmo que a primeira parte do filme está extraordináriamente bem conseguida... porque baseia-se apenas em Will Smith e no seu cão Sam. Os seus monólogos estão muito bons e as tais idas ao videoclube são do outro mundo. Will Smith com uma interpretação fantástica (invulgar num filme deste género), mostrando novamente o seu enorme talento. O filme peca pelo argumento de Akiva Goldsman e pelo final aos trambolhões. Mas aquela primeira parte e as sequências de Nova Iorque destruída estão muito boas. Valeu a pena...

31 de dezembro de 2007 às 03:01  
Anonymous Pedro Almeida said...

Antes do mais, convém referir que para além de "The Last Man on Earth" com Vincent Price, "The Omega Man" com Charlton Heston, foi a 2ª adaptação da obra, fazendo deste "I Am Legend", a 3ª. E diga-se que o filme de Will Smith é mais um remake da segunda adaptação do que uma adaptação do livro.

E se de facto a primeira parte é algo de excepcional, com um Will Smith em grande forma (e um excelente parceiro em Sam), no momento em que os mutantes aparecem, o filme descamba de tal forma que se torna quase irreconhecível, descendo ao mais básico do que de pior se fez no género.

Eu diria que a culpa é do livro (e eu que nem dou grande importância às liberdades tomadas nas adaptações) por ser tão bom, e por já o ter lido duas vezes, não me fazendo esquecer o poderoso final que dá o mote ao título. E não, não tem nada a ver com a autêntica bastardização e palhaçada que inventaram para o filme, que parece regurgitado de não sei quantos filmes (e que, por acaso, é o mesmo final de Omega Man). É que destrói por completo o significado do título.

Para os curiosos, deixo aqui uma breve descrição de como termina o livro, por isso desde já, para quem está interessado em ler ou ainda não acabou, fica o aviso de

SPOILERS!!!SPOILERS!!!SPOILERS!!!SPOILERS!!!
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Bem, cá vai:
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No livro, Robert Neville é capturado pelos vampiros para ser executado pelos crimes que tem cometido contra a nova sociedade que se começa a formar. Os vampiros tornaram-se a norma e Neville é o pária, o anormal. O sentido do título é dado por aí. Ele torna-se a lenda para os vampiros, assim como eles foram, ou são, para nós: o terror, o medo, uma história para assustar.
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O mais próximo que poderia comparar com a força que este final tem, seria a parte final de "O Planeta dos Macacos" de 1968 (não é a parte da Estátua da Liberdade), que inverte a perspectiva do espectador e o obriga a reavaliar os valores que o filme vai construindo. O que este "I Am Legend" consegue não é nada mais do que um banal final, que acaba por manchar uma primeira parte genial (fica a sensação que houve ali mão do estúdio - e o toque inconfundível de Akiva Goldsman, que se deve ter divertido a estragar - que mais é que ele saberá fazer ? - o muito elogiado guião original de Mark Protosevich).

Fico à espera de uma 4ª adaptação. Quem sabe, talvez Ridley Scott se volte a interessar pelo projecto, já que ainda não fizeram justiça à história.

31 de dezembro de 2007 às 13:13  
Anonymous Móriakum said...

Não achei um grande filme, mas achei-o um bom filme. A realização de Francis Lawrence é algo irregular (algo que já acontecia em Constantine), o argumento descarrila no final, e certos planos CGI dos zombies são pouco credíveis. Mas o gigantesco cenário de uma Nova Iorque abandonada e destruída está fenomenal e aterrador, o filme tem momentos de grande tensão (como a cena em que Sam desaparece dentro de um prédio e Smith vai atrás dela) e Will Smith oferece-nos um tour de force interpretativo deslumbrante...
Compreendo que por cá toda a gente diga mal do filme. Trabalho num cinema, e vejo a reacção do "tuga" comum a sair de determinado filme. Vejo montes de gente a sair toda maravilhada dessa coisa horrível de seu nome Hitman, e vejo-os a queixarem-se que o I am Legend é uma seca, muito parado e sem tiros quase nenhuns... Nesse momento prodigioso do filme em que Will Smith pede ao manequim para lhe dizer olá, em que sentimos a angústia de um homem que perdeu a sua única companhia num mundo isolado e deseja alguém com quem conversar, esvaziar toda a solidão que sente, estava toda a gente na sala a rir-se, a dizer que aquilo era mesmo estúpido e que já estavam fartos... São os mesmo que vão à bilheteira do cinema e pedem um bilhete para o filme "A Legenda"... Em suma, não é grande filme, mas não deixa de ser um bom filme, bastante superior a muita banalidade que anda por cá nos nossos cinemas!

31 de dezembro de 2007 às 14:13  

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