Deuxieme


domingo, janeiro 13, 2008

Que início de ano.

Não é todos os dias que nos chega um filme como O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford. O Nuno Antunes já nos tinha avisado. Aliás, antes de entrar na sala de cinema para ver esta obra de Andrew Dominik (Chooper), retinha duas advertências que haviam sido transmitidas pelos mais diversos cinéfilos, ao longo da última semana e meia. A primeira, a de que fosse preparado para ficar de boca aberta com a fotografia de Roger Deakins; a segunda, a de que levasse uma almofada para os tempos mortos. Apenas a primeira se verificou, pois a almofada acabou por nunca sair debaixo da cadeira.

Até à passada sexta-feira, o único contacto que havia tido com a vida de Jesse James tinha sido através de um livro de Lucky Luke. As memórias dessa leitura já estavam mais do que turvas, no entanto, ainda eram suficientes para recordar as alusões a Robin dos Bosques e que Jesse James não havia tombado da forma nobre e justa que, possivelmente, merecia. Até este fim-de-semana, Jesse James era um pistoleiro fora da lei, tramado pelo homem mais rápido do que a própria sombra e Jolly Jumper, com a profundidade psicológica que algumas tiras de B.D. permitem. Contudo, num ápice, que é como quem diz, em 160 minutos, tudo isso mudou.

A primeira conclusão a que chegamos no final do filme, é a de que este de não é de digestão fácil. Para Alvy Singer, O Assassínio de Jesse James faz uma longa tangente àquilo que tendemos a apelidar de perfeição. No entanto, o filme apresenta elementos que nos levam a compreender com alguma naturalidade porque razão, para outros cinéfilos, esta não será uma obra grandiosa. Mas, olhem que é.

A começar na fotografia, passando pela realização, e terminando nas interpretações, este filme tem todos os condimentos para ser um dos melhores do ano. O olhar de Dominik incide nos mais pequenos pormenores, fornecendo ao espectador uma visão extraordinária sobre todos os elementos em cena, naquele que é um dos melhores exercícios dos últimos tempos sobre a importância do ambiente. A subtileza dos movimentos de câmara, permite-nos mergulhar nas salas-de-jantar, nas searas, nos planaltos cobertos de neve, nas florestas que circundam os caminhos-de-ferro, em cada lugar que ocorre cada acontecimento. Dominik não tem qualquer problema em atrasar a acção, só para que possamos entrar na pele dos intervenientes. Só isso poderá explicar a pujança com que, na última fila da sala, lá bem no alto, se sente pólvora de um revolver a cair. O primeiro nome que nos assalta o espírito é Terrence Malick, uma vez que, assim como nas suas obras, aqui, a natureza é personagem oculta e, de todas, a mais bela.

A banda-sonora de Nick Cave e Warren Ellis é o mais exemplar dos complementos para a brilhante fotografia de Deakins. As duas, de mãos dadas, brindam-nos com cenas de tirar o fôlego. A sequência do assalto ao comboio, quando este pára, em que a silhueta de Jesse James se vai confundindo com o fumo e as luzes, é daqueles momentos que deixa K.O. qualquer admirador destas técnicas que só trazem mais brilho à narrativa.

Caramba, olho para cima, para o que está escrito, vejo que a cada linha procuro uma forma mais eloquente de expressar a paixão incondicional que este filme me deixou assim que as luzes se acenderam, e arrepanha-se-me a pele só de pensar que me custa chegar aqui, dizer que gostei do filme como tudo, e ir embora. Porque é disso que se trata aqui. O Assassínio de Jesse James, contra todas as expectativas, tornou-se um filme amado por estas bandas. Já nem vou falar do desempenho notável de Brad Pitt, a recordar-nos o porquê de ter sido nomeado para o Óscar em 1995, por 12 Macacos, nem do trágico Robert Ford, um Casey Affleck que atira para a História do cinema esta personagem marcante. Casey Affleck será sempre relembrado como aquele mais limitado do grupo, e que nunca percebe as piadas, de O Bom Rebelde. Hoje, por outros motivos, será para sempre recordado como Robert Ford.

Quanto a Andrew Dominik, o cineasta que, durante uma semana assumiu a segunda unidade de realização de The New World, compreendeu as traves mestras do trabalho do seu professor. Pode dizer-se que isso valeu-lhe a realização do melhor Western desde Imperdoável. Dominik aprendeu com os melhores.

Alvy Singer

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5 Comments:

Blogger Unknown said...

eu também já vi o filme
e axei k era uma pelicula epectacular com interpretaçoes unicas e com uma fotografia diferente das k costumamos ver mas ao mesmo tempo apelativa k nos guia ao longo do filme

14 de janeiro de 2008 às 15:34  
Anonymous Anónimo said...

estou à espera que estreie por cá. assim não vale..

14 de janeiro de 2008 às 21:32  
Anonymous Anónimo said...

amigo anónimo já estreou...fui ver sábado no UCI do El Corte Ingles, uma obra prima!

15 de janeiro de 2008 às 00:27  
Anonymous Anónimo said...

Quando disse 'por cá' referia-me a 'por cá, pela cidade'. É que este filme, infelizmente, ainda só anda por Faro, Lisboa e Porto.

15 de janeiro de 2008 às 14:28  
Anonymous Anónimo said...

já estava curiosa de ver esse filme (mas infelizmente ainda nao teve tempo)
apos ler isto ainda fiquei com mais vontade
next stop para o proximo fim de semana: "o assassinio de jesse james pelo cobarde robert ford"

15 de janeiro de 2008 às 17:03  

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