A Premiere de Agosto já está à venda desde a passada sexta-feira. Pelo menos, em alguns estabelecimentos. Parece que algumas pessoas ainda não a encontraram nas bancas do costume. Esta segunda-feira, com Brad Pitt e o resto da trupe de Inglourious Basterds na capa, a revista deve chegar a todo o lado. Agora, por falar nos bastardos de Tarantino, que estreiam entre nós a 27 deste mês, aqui fica a apreciação de David Poland, do Hot Blog. Sempre admirámos metáforas com copos de leite. Pessoalmente, preferimos quando ele vem misturado com chocolate. A comparação ganha outra imponência sempre que o leite se mistura com o cacau, e perfaz aquela junção prodigiosa gerada por um Deus mais inspirado do Olimpo. Acreditamos que, caso tivesse nascido em Portugal, Poland teria recorrido talvez a um Pastel de Nata. Preferencialmente, de Belém. Mas, aí, lá está, também se impunha a canela. Enfim, devaneios que nos afastam das pertinentes considerações de David Poland. Antes do próximo post, vamos só buscar um copo de leite. Com chocolate, como não podia deixar de ser.
Poucos filmes deveriam ser tão aguardados em Cannes como Inglourious Basterds. Tarantino de regresso ao Festival. Brad e Angelina na passadeira vermelha. The stuff dreams are made off. Pelo menos, até à estreia do dito cujo. Contudo, a verdade é que após a exibição da obra na Croisette, o final feliz não chegou para todos. A presente edição já esteve mais longe de ficar para a história como a mais ambivalente. Tão depressa passamos dos pincaros para o estatelamento ao comprido. Deste lado, não sabemos em que havemos de ficar. Acima de tudo, parece que do meio termo se fez uma boa de papel, e todos acharam por bem atirar a pobre coitada para o caixote do lixo. Poucos têm sido os títulos injuriados no certame – o que também não abonaria muito a favor do certame. Contudo, muitos têm sido aqueles que dividem radicalmente opiniões. Ou tudo ou nada. E, Inglourious Basterds entra perfeitamente nesta categoria. Ora, veja-se o que diz Sam Ashurt, da Total Film.
“Not only did I love every minute, if the French projectionist wanted to cue it up and roll it again from the start, I would have sat through the whole film again, with the biggest grin on my face. This is Quentin’s best film since Jackie Brown. It might even be his best film since Pulp Fiction”.
E, compare-se com o que tem a dizer Peter Bradshaw, do Guardian.
“[Basterds] is awful. It is achtung-achtung-ach-mein-Gott atrocious. It isn’t funny; it isn’t exciting; it isn’t a realistic war movie, yet neither is it an entertaining genre spoof or a clever counterfactual wartime yarn. It isn’t emotionally involving or deliciously ironic or a brilliant tissue of trash-pop references. Nothing like that. Brad Pitt gives the worst performance of his life”.
Touchdown. Aqui fica um dos três recentes clips disponibilizados.
Depois de Inglourious Basterds, para mudar de ares.
Ainda especulávamos sobre o poderia resultar do confronto de titãs entre Denzel Washington e Russell Crowe em American Gangster, em pleno Verão de 2006, quando o Cinematical tomou a dianteira, e avançou os primeiros dados sobre o filme que Ridley Scott viria a realizar, baseado no jogo de tabuleiro, Monopólio. Body of Lies não passava de uma miragem, e já o realizador de Thelma & Louise se afiambrava à adaptação de uma das marcas mais populares do mundo do entretenimento. E, que filme devemos ter aqui em mãos. Optando não por pensar que somos nós os limitados, preferimos acreditar que existe mesmo alguém que respira criatividade, e consegue ver, num dedal, um cavalo, um ferro de engomar, um tabuleiro de jogo, dois dados, cinquenta cartões, vinte e duas propriedades, e uma passagem pela prisão, uma obra de cinema, quando a maioria de nós vê apenas um mero divertimento e uma maneira de esmagar oponentes com dinheiro fictício. Hoje, a Onion News dá conta de que Brad Pitt pode estar à beira de se tornar o chapéu na versão cinematográfica.
Recorde-se, a Onion foi responsável por um dos maiores furos jornalisticos de que há memória. A noticia de que o trailer de Iron Man poderia dar... um filme. E, já agora, foram também responsáveis por aquela belíssima reportagem sobre o aluguer em clubes de vídeo. Uns vanguardistas.
A notícia, a amadurecer há duas semanas, só hoje aterra no Deuxieme. Todos os dias parece surgir algo mais prioritário, e o enguiçado post lá vai sendo adiado. Hoje, o Awards Daily faz-lhe referência, e estamos em crer que já é mesmo chegada a altura de falar também neste espaço daquilo que Kellvin Chavez do Latino Review avançou em primeira mão, em meados de Março.
Ao que parece, a Paramount está perto de assegurar a participação de Brad Pitt e Natalie Portman na adaptação da mais recente obra de Leanne Shapton. E, esta é a melhor parte da história. Sobretudo se o estimado leitor optar por seguir estas linhas, desse lado, em voz alta. Deixamos o convite. Acompanhado da recomendação para uma valente inspiração antes da leitura do título. Assim sendo, tudo aponta para que Pitt e Portman façam parelha em Important Artifacts and Personal Property from the Collection of Lenore Doolan and Harold Morris, Including Books, Street Fashion, and Jewelry. Posto isto, será preciso sinopse? Também achamos que não, mas aqui fica ela na mesma.
“The book takes the form of Sotheby's-like estate auction catalog, with 325 entries and photographs depicting items that reveal the private moments and the rise and fall of a four-year relationship between the fictitious couple Hal Morris (a 40ish photographer) and Lenore Doolan, (a New York Times food columnist in her late 20s). The project will be developed as a romantic comedy, with Pitt to play Morris, and Portman to play Doolan”.
Ambicionar uma estreia deste projecto antes de 2011 vem no dicionário como utopia.
Num dia rico em notícias, o destaque vai para as novidades em torno de The Tree of Life. O mundo já não é o que era. Falamos deste filme naquele post mais abaixo sobre alguns dos títulos mais aguardados para este ano. Antes de mais nada, qualquer tipo de informação, em torno desta obra, é bem-vindo. Quando ninguém fala, e o filme começa a cair no esquecimento, costuma ser sinal de adiamento na estreia. Esta conversa sobre o próximo filme de Terence Mallick, que dificilmente estará pronto para Cannes, leva-nos mesmo a crer que não teremos de esperar até 2010 para vê-lo. O filme conta com Sean Penn no principal papel e Brad Pitt numa personagem flashback, originalmente pensada para Heath Ledger. O plot da película contínua a despoletar acesas discussões e, hoje, o Hollywood Elsewhere lança mais achas para a fogueira. Diz o técnico de efeitos visuais, Mike Fink (X2, Mars Attacks, Project X).
“We’re just starting work on a project for Terrence Malick, animating dinosaurs, the film is The Tree of Life. It’ll be shooting in IMAX—so the dinosaurs will actually be life size — and the shots of the creatures will be long and lingering”.
Jeff Daniels explica que Malick, que alia à realização a escrita do argumento, está a introduzir elementos de Q, um projecto do cineasta abandonado há anos.
A sinopse do IMDB é quase tão vaga como a da Wikipedia. Sim, na procura de algo mais sumarento, tudo vale. No entanto, reconhecemos que vasculhar a poeirenta Wikipedia seja já sinónimo de desespero. Contudo, isto parece-nos mais ou menos fidedigno.
“We trace the evolution of an eleven-year-old boy in the Midwest, Jack, one of three brothers. At first all seems marvelous to the child. He sees as his mother does, with the eyes of his soul. She represents the way of love and mercy, where the father tries to teach his son the world’s way, of putting oneself first. Each parent contends for his allegiance, and Jack must reconcile their claims. The picture darkens as he has his first glimpses of sickness, suffering and death. The world, once a thing of glory, becomes a labyrinth”.
Aquilo que já é mesmo certo é que Sean Penn será o protagonista na idade adulta; Brad Pitt o pai de Penn; Alexandre Desplat (The Curious Case of Benjamin Button) o compositor; Emmanuel Lubezki (Children of Men), o director de fotografia; Jack Fist (There Will Be Blood), o director artístico; Daniel Rezende (Cidade de Deus), um dos responsáveis pela montagem; e Jacqueline West (The Curious Case of Benjamin Button, Quills), responsável pelo guarda-roupa, e Malick o argumentista e realizador. Está-se mesmo a ver. Meia dúzia de dólares na bilheteira. Um filme para a História. Era bom.
Era o mais aguardado do dia. Aí está ele, o teaser trailer de Inglourious Basterds. Não é bem o que estávamos à espera. É melhor. A voz de Brad Pitt está diferente. Para melhor. Das palavras à acção. Melhor ainda. You haven’t seen war, until you’ve seen it through the eyes of Quentin Tarantino, podemos ler lá para o meio. Por enquanto, pelo menos, já deu para perceber que a visão de Tarantino é capaz de ser ligeiramente diferente da de Terrence Malick. Em Agosto, ficaremos a saber quão diferente. Nein, nein, nein!
Via Awards Daily, chegam-nos os vídeos da round table da Newsweek, com Robert Downey Jr., Anne Hathaway, Brad Pitt, Frank Langella, Sally Hawkins e Mickey Rourke. Os videos abordam temas diversos como pesquisas no google, aquilo que os actores procuram num realizador, as interpretações preferidas de sempre, ou Robert Downey Jr. a dissertar sobre a simbiose especial que parece existir entre Pitt e David Fincher. Duas das melhores frases que se ouvem nestes vídeos são “Alan Parker had a boner”, quando Rourke se refere às filmagens de Angel Heart (1987) e, “I love your ass”, confissão de Downey Jr. a Brad Pitt. Com este vídeo, em que Pitt revela a sua admiração, desde cedo, pelo trabalho de Rourke, podemos concluir que a personagem mais fácil de encarnar em toda a sua carreira terá sido Rusty Ryan.
Temos por hábito afirmar que a vida imita a arte. Nos tempos que correm, seria mais adequado dizer que plagia. Em tempos de crise, os direitos de autor são uma coisa preciosa. E, em nosso entender, Joel Coen e Ethan Coen teriam todo o fundamento para avançar com um processo contra Chris Ogle. Segundo a CNN, Ogle, neozelandês de 29 anos, passou pela cidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, há cerca de um ano. Numa loja de conveniência, adquiriu um MP3 por nove dólares. Até aqui, desde que o MP3 não tivesse mais de 5G, tudo bem. Contudo, há algumas semanas atrás, quando ligou o aparelho ao computador para fazer um download, deparou-se com ficheiros confidenciais do exército norte-americano. Troque-se o aparelho de MP3 por um Cd, e temos o ponto de partida de Burn After Reading. Quem sabe, até mais do que isso, talvez. Quem é que compra um MP3, e tenta fazer o primeiro download só ao fim de um ano? Cá para nós, o verdadeiro nome deste homem é Chad Feldheimer, e todo este tempo serviu apenas para encontrar uma solução financeiramente mais proveitosa.
Assim que o filme terminou, um jovem sentado na fila H, na sessão das 21 horas nos Cinemas do Colombo, na passada sexta-feira, pronunciou-se. É só um filme, assegurava ele à rapariga que, ao seu lado, tentava conter uma lágrima marota. Ora, com apenas quatro palavras é possível dizer-se uma mentira do tamanho do mundo. Onde este rapaz se engana é precisamente aí. Nunca é só um filme. Nunca. Em nenhuma circunstância, em nenhuma ocasião, em nenhum local, poderemos avançar com uma afirmação deste género. Já alguém afirmou que as verdades absolutas são apanágio dos idiotas. Talvez não sendo um idiota, esta é uma frase, pelo menos, de alguém que precisa de descobrir umas quantas obras da sétima arte. É certo que algumas não serão muito mais que isso. Já Freud dizia Por vezes, um charuto é apenas um charuto. Agora, a película de David Fincher jamais poderá ser reduzida a meramente um filme. No futuro, daqui a uns anos valentes, se alguém se perguntar que tipo de Cinema se fazia em 2008, e resolver pesquisar, esperamos que se depare com este conto. Curioso, deveras peculiar. Para Benjamin Button, o tempo anda para trás, tal e qual desejava o Monsieur Gateau. Logo na premissa, esta é uma obra que a distancia das demais. No conteúdo, mais ainda. Todo o filme parece um quadro. Fotografia, guarda-roupa, direcção artística, e montagem irrepreensíveis, conferem à obra um estilo singular, transversal a todos os elementos presentes. De Brad Pitt, vemos uma interpretação como nunca havíamos visto. A certa altura, alguém aludiu na audiência Agora é ele. É sempre ele. Já o poeta dizia O mundo exterior é como um actor no palco: Está lá, mas é outra coisa. E, se há coisa que Brad Pitt não é em Benjamin Button, é Brad Pitt. Cate Blanchett nunca é Cate Blanchett. Já David Fincher é David Fincher. Um realizador em constante renovação, que não se cansa de presentear-nos com obras que entram de uma assentada para a nossa filmografia ideal. O mais certo é O Estranho Caso de Benjamin Button ganhar alguns Oscar. Para não dizer bastantes. E, por esta altura, quando ainda falta ver alguns potenciais candidatos, apenas poderemos prever que, se tal acontecer, será bem provável que não nos faça grande confusão. Este é demasiado mágico para isso.
Aí estão duas novas fotografias de Inglorious Basterds, o próximo filme de Quentin Tarantino. Nesta aqui de cima, Brad Pitt com ar de menino reguila. Nesta aqui de baixo, uma amena cavaqueira em plena II Guerra, a fazer lembrar as diabruras de René Artois em Allô Allô!.
No filme, Brad Pitt interpreta o papel do Tenente Aldo Rain – numa homenagem ao actor Aldo Ray –, líder de um grupo de soldados judeus americanos, conhecidos por Basterds. Acompanhada pela actriz e agente secreta alemã Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), a equipa inicia uma missão de perseguição feroz e matança a uma série de Nazis, com o intuito de espalhar o terror no coração do Terceiro Reich. Tarantino + Humor Negro + Carnificina = Curiosidade Desmedida.
O L.A. Times faz-nos o favor de saciar a curiosidade, e revelar quatro novas fotografias de um dos filmes mais antecipados do ano, The Curious Case of Benjamin Button. Realizado por David Fincher, este é visto como um dos mais fortes candidatos a múltiplas nomeações nos próximos Oscares. Os mais optimistas falam num total de sete a nove. Greg Cannom, responsável pela caracterização, e vencedor já de duas estatuetas (Drácula de Bram Stoker e Papá Para Sempre) é uma das apostas mais seguras, neste momento. Aliás, Cannom bem pode começar a pensar em arranjar espaço para uma terceira. Feelings.
Porque é que a comédia negra, mesmo sendo inteligente, nunca ganha prémios? A pertinente questão é colocada por José Vieira Mendes na última edição da Premiere, na sua apreciação a Destruir Depois de Ler, o filme que assinala o regresso dos irmãos Coen, depois do galardoado Este País Não É Para Velhos. Um mês depois da chegada da tresloucada comédia às salas nacionais, lá foi possível regalar os olhos com os desvairados diálogos a que as penas de Ethan e Joel nos habituaram ao longo das últimas duas décadas. No entanto, apesar de talvez não partilharmos do entusiasmo que considera oscarizável alguns desempenhos em Destruir Depois de Ler, não podemos deixar de nos perguntar porque é que um penteado retro de Javier Bardem faz correr o dobro da tinta de um outro muito mais infeliz de um Brad Pitt também desfigurado. Ou, porque que razão um drama com duzentos fuc*s e shi*s mais rapidamente é considerado intelectual, enquanto uma comédia com a mesma dosagem destes vocábulos roça a ordinarice. Este pode não ser o melhor humor produzido pelos Coen. Porém, com os pés bem assentes no chão – perdoada seja a hipotética blasfémia –, Javier Bardem e moeda da sorte à parte, mais rapidamente aplaudiria quatro Óscares a esta última comédia dos dois irmãos, do que ao último drama.
Ryan Adams, do Awards Daily, considera que The Curious Case of Benjamin Button valerá, seguramente, uma nomeação a Cláudio Miranda aos Oscar deste ano. Melhor Fotografia é quase certo, escreve-se por lá. Mais, aposta num registo de 7-8 nomeações a toda a linha, para o novo filme de David Fincher. Apesar de algumas recepções menos calorosas aos primeiros vinte minutos dados a conhecer em Telluride, partilhamos este optimismo. E, avançamos Caracterização e Direcção Artística como as outras duas categorias mais prováveis. Guarda-Roupa e Banda Sonora vêm logo a seguir. A não ser que… The… Prestige. O trailer 2 como prova A da acusação, de que este será um dos melhores do ano.
Não é todos os dias que nos chega um filme como O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford. O Nuno Antunes já nos tinha avisado. Aliás, antes de entrar na sala de cinema para ver esta obra de Andrew Dominik (Chooper), retinha duas advertências que haviam sido transmitidas pelos mais diversos cinéfilos, ao longo da última semana e meia. A primeira, a de que fosse preparado para ficar de boca aberta com a fotografia de Roger Deakins; a segunda, a de que levasse uma almofada para os tempos mortos. Apenas a primeira se verificou, pois a almofada acabou por nunca sair debaixo da cadeira.
Até à passada sexta-feira, o único contacto que havia tido com a vida de Jesse James tinha sido através de um livro de Lucky Luke. As memórias dessa leitura já estavam mais do que turvas, no entanto, ainda eram suficientes para recordar as alusões a Robin dos Bosques e que Jesse James não havia tombado da forma nobre e justa que, possivelmente, merecia. Até este fim-de-semana, Jesse James era um pistoleiro fora da lei, tramado pelo homem mais rápido do que a própria sombra e Jolly Jumper, com a profundidade psicológica que algumas tiras de B.D. permitem. Contudo, num ápice, que é como quem diz, em 160 minutos, tudo isso mudou.
A primeira conclusão a que chegamos no final do filme, é a de que este de não é de digestão fácil. Para Alvy Singer, O Assassínio de Jesse James faz uma longa tangente àquilo que tendemos a apelidar de perfeição. No entanto, o filme apresenta elementos que nos levam a compreender com alguma naturalidade porque razão, para outros cinéfilos, esta não será uma obra grandiosa. Mas, olhem que é.
A começar na fotografia, passando pela realização, e terminando nas interpretações, este filme tem todos os condimentos para ser um dos melhores do ano. O olhar de Dominik incide nos mais pequenos pormenores, fornecendo ao espectador uma visão extraordinária sobre todos os elementos em cena, naquele que é um dos melhores exercícios dos últimos tempos sobre a importância do ambiente. A subtileza dos movimentos de câmara, permite-nos mergulhar nas salas-de-jantar, nas searas, nos planaltos cobertos de neve, nas florestas que circundam os caminhos-de-ferro, em cada lugar que ocorre cada acontecimento. Dominik não tem qualquer problema em atrasar a acção, só para que possamos entrar na pele dos intervenientes. Só isso poderá explicar a pujança com que, na última fila da sala, lá bem no alto, se sente pólvora de um revolver a cair. O primeiro nome que nos assalta o espírito é Terrence Malick, uma vez que, assim como nas suas obras, aqui, a natureza é personagem oculta e, de todas, a mais bela.
A banda-sonora de Nick Cave e Warren Ellis é o mais exemplar dos complementos para a brilhante fotografia de Deakins. As duas, de mãos dadas, brindam-nos com cenas de tirar o fôlego. A sequência do assalto ao comboio, quando este pára, em que a silhueta de Jesse James se vai confundindo com o fumo e as luzes, é daqueles momentos que deixa K.O. qualquer admirador destas técnicas que só trazem mais brilho à narrativa.
Caramba, olho para cima, para o que está escrito, vejo que a cada linha procuro uma forma mais eloquente de expressar a paixão incondicional que este filme me deixou assim que as luzes se acenderam, e arrepanha-se-me a pele só de pensar que me custa chegar aqui, dizer que gostei do filme como tudo, e ir embora. Porque é disso que se trata aqui. O Assassínio de Jesse James, contra todas as expectativas, tornou-se um filme amado por estas bandas. Já nem vou falar do desempenho notável de Brad Pitt, a recordar-nos o porquê de ter sido nomeado para o Óscar em 1995, por 12 Macacos, nem do trágico Robert Ford, um Casey Affleck que atira para a História do cinema esta personagem marcante. Casey Affleck será sempre relembrado como aquele mais limitado do grupo, e que nunca percebe as piadas, de O Bom Rebelde. Hoje, por outros motivos, será para sempre recordado como Robert Ford.
Quanto a Andrew Dominik, o cineasta que, durante uma semana assumiu a segunda unidade de realização de The New World, compreendeu as traves mestras do trabalho do seu professor. Pode dizer-se que isso valeu-lhe a realização do melhor Western desde Imperdoável. Dominik aprendeu com os melhores.
Cada vez é mais complicada a vida de quem trabalha na área de cinema na comunicação social. E nem sequer é por causa do fim da PREMIERE. Estamos a ver os filmes cada vez mais perto da data de estreia, o que nos impede, profissionais ou apaixonados, de lhes dar o destaque que merecem (Redacted, de Brian De Palma, por exemplo, ainda não nos foi mostrado e estreia dentro de uma semana). Depois, recebemos carradas de material dos filmes que são as distribuidoras acham que são "acontecimentos" e temos de combater a inércia/esquecimento das distribuidoras em relação a todos os outros que elas despejam nas salas. E há muitas outras pequenas coisas que não nos matam, mas moem e fazem perder o ânimo.
Dito isto, ainda há momentos que valem a pena. E um deles aconteceu num visionamento de imprensa que teve lugar na última terça-feira, 11 de Dezembro. E poucas coisas haverá mais reconfortantes ou inspiradoras do que ver ainda em 2007 um dos que será, seguramente, um dos mais grandiosos filmes que vão estrear durante 2008. Entre os muitos elogios que se lhe podem fazer, deixo apenas os dois mais óbvios para não estragar o prazer de ninguém: faz recordar Terrence Malick e este senhor aqui ao lado tem uma interpretação fabulosa. O seu nome é Casey Affleck.
Não encontro muitas fotografias que façam justiça ao que senti ao ver The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, mas aqui fica mais uma antes da estreia a 3 de Janeiro...
Eles já trabalharam juntos na saga de Danny Ocean. Quando Julia Roberts viu a sua carreira ser premiada na última cerimónia da American Cinamatheque, George Clooney e um outro actor cujo nome agora não me recordo, reuniram-se novamente por causa da actriz. O resultado foi este.
Fazendo uns quantos scroll down neste blog, encontramos dois textos, um logo a seguir ao outro, sobre Brad Pitt e The Fountain, de Darren Aranofsky. Esta semana, os Deuses lançaram os dados de tal maneira que, hoje, é possível introduzir estes dois nomes num só post, não apenas porque nos dá na real gana, mas porque Brad Pitt parece estar prestes a confirmar a sua presença em The Fighter, ao lado de Mark Wahlberg, no próximo título do realizador de Requiem For a Dream. Será desta? É porque também se dizia que os dois trabalhariam juntos na última maravilha de Aranofsky…