30 - L.A. Confidential (Curtis Hanson, 1997).
Apesar de ter quase onze anos, L.A. Confidential (Curtis Hanson, 1997) continua a ser a resposta na ponta da língua, sempre que alguém opina dizendo que já não se fazem filmes como antigamente. No final do século XX, o filme de Curtis Hanson transpõe as linhas de uma mera longa-metragem para tornar-se numa justa homenagem ao cinema noir, chegando mesmo a elevar o estatuto dos seus pares. Mas, o melhor disto tudo, é que o filme não se limita a venerar e prestar tributo a obras de Howard Hawks, John Huston, ou Raoul Walsh. O filme pega na desfaçatez descrente dos anos 30, junta-lhe a arrogância triunfante dos anos 50, e polvilha ambas com o romantismo dos anos 90, como nunca havíamos visto antes. Pudera, precisávamos de chegar aos nineties para a equação ficar completa.
Baseado no best-seller de James Ellroy, a história explora o lado mais negro da polícia de Los Angeles, quando Hollywood era ainda uma cidade adolescente, mas vista já como a capital do mundo sofisticado e elegante. No centro da agitação estão três polícias: Jack Vincennes (Kevin Spacey), um oficial da lei com um fraquinho pela representação, que dá a conhecer casos resolvidos à série Badge of Honor, a troco de dinheiro; Bud White (Russell Crowe), o anti-herói que não receia dobrar a lei para a fazer cumprir, e Ed Exley (Guy Pearce) um jovem tenente que tenta a todo o custo sair da sombra do seu pai, um lendário polícia da cidade. Kim Basinger (Lynn Bracken), naquele que será o melhor desempenho da sua carreira, Danny DeVito (Sid Hudgens), James Cromwell (Dudley Smith) e David Strathairn (Pierce Patchett), constituem o conjunto mais luxuoso de secundários que um título pode ter.
Um massacre no estabelecimento Night Owl, logo no início do filme, será o ponto de partida para a limpeza das ruas. Hanson nem nos dá tempo para preparar. Os pormenores são-nos atirados a cara assim que a história começa a desenrolar-se. Prostitutas que se parecem com estrelas de cinema, estrelas de cinema que se confundem com prostitutas, detectives que encontram pistas nos locais mais improváveis, uma revista que vende tudo e mais alguma, sempre no limiar do politicamente correcto, inocentes que são culpados, e culpados que não passam de fantoches nas mãos de presumíveis inocentes, L.A Confidential ainda arranja tempo para falar de sonhos, da busca do amor verdadeiro, e da ética e moral decadentes de uma sociedade apodrecida e corrupta. Até à chegada do filme, pelo qual esperamos serenamente, que mereça ser comparado com este, L.A Confidential continuará a ser o último grande fôlego do género. Chamemos-lhe neo-noir, se quisermos. Para todos os efeitos, o trabalho de Hanson será a referência para aqueles que se seguirão. Assim como o foram Chinatown (Roman Polanski, 1974) e À Beira do Abismo (Howard Hawks, 1946). Aqui fica o trailer do filme.
Alvy SingerEtiquetas: A Carta, L.A. Confidential



3 Comments:
É um grande filme e faz parte da minha DVDteca.
"Chinatown (John Huston, 1974)"
??
Não será Polanski?
Será, sim senhor. John Huston é o que anda lá para o meio. Obrigado, Luís.
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