A velha questão da quantidade e qualidade.
A ideia para este post era outra. Quer dizer, acabamos por falar do que estava previsto, no entanto, a pesquisa para a construção deste texto levou a uma descoberta assombrosa que merecerá, sem sombra de dúvida, uma menção especial. Pois bem, à luz da recente nomeação de Ruby Dee para o Oscar de Melhor Actriz Secundária, pareceu-nos interessante trazer mais algum trivia sobre os Óscares a este espaço, desta feita sobre as performances comprimidas. Pois, caso Ruby Dee ganhe pelo seu desempenho em Gangster Americano, tornar-se-á na vitória com menos tempo na tela de sempre. Um vídeo no Youtube mostra todos os momentos em que Mama Lucas surge no grande ecrã. Cronometrado, andará à volta dos 4 minutos e 45 segundos.
Ora, isto poderá bater aqueles que são os dois desempenhos mais repentinos a serem galardoados com um Oscar: Beatrice Straight, por Network – Escândalo na Televisão (Sidney Lumet, 1976), onde esteve em cena menos de seis minutos, com apenas oito falas, num total de 260 palavras; e Judi Dench, por A Paixão de Shakespeare (John Madden, 1998), onde apenas apareceu durante oito minutos, com catorze falas e 446 vocábulos. Na categoria de Melhor Actor Secundário, esta distinção cabe a Anthony Quinn, pelos seus nove minutos como Paul Gaugin em A Vida Apaixonada de Van Gogh (Vincente Minnelli, 1956).
Agora, isto diz respeito às categorias secundárias. A surpresa maior desta pequena investigação surgiu quando chegámos à categoria principal. Saber que Nicole Kidman é a vencedora neste capítulo pelos trinta minutos de As Horas (Stephen Daldry, 2002), não é verdadeiramente chocante. Meia hora, para uma actriz principal, quando o protagonismo das secundárias está bem vincado, não está nada mau. Por outro lado, descobrir que Anthony Hopkins teve direito somente a dezasseis minutos na tela, em O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991), é algo deveras aterrorizador. Com tão pouco tempo de exposição, a personagem de Hannibal Lecter atravessa o filme duma ponta à outra, graças ao mérito do actor britânico. Com diálogos deste calibre, percebe-se porque é que pouco mais de um quarto de hora foi suficiente para este senhor arrebatar a estatueta.
Alvy SingerEtiquetas: Anthony Hopkins, Anthony Quinn, Beatrice Straight, Judi Dench, Nicole Kidman, Oscares, Ruby Dee



2 Comments:
De facto, nem sempre quantidade é sinónimo de qualidade.
O exemplo da personagem Hannibal Lecter, em "O silêncio dos inocentes", é um caso flagrante. Os poucos minutos em que aparece marcam o filme de forma inesquecível.
Os números apresentados são curiosos. Ruby Dee arrisca-se a levar o Oscar para casa por tão pouco tempo no écran.
Não questiono a qualidade da interpretação, afinal de contas a história da Academia é fértil em exemplos de personagens que têm mais tempo de antena, mas que aoi nível de interpretação deixam muito a desejar: Jack Palance ("A vida, o amor e as vacas") e Marisa Tomei ("O meu primo Vinny") são exemplos flagrantes. Neste último caso, a actriz merecia muito mais ter recebido o Oscar por "Vidas privadas".
Foi um post curioso este...concordo perfeitamente com o que foi dito sobre o silencio dos inocentes, mas de facto lembro me de pensar que o antony aparecia menos no filme do que aquilo que eu pensava; e como sabia previamnete que ele tinha ganho o oscar de melhor actor, fiquei a pensar, mas ele merecia-o, isso sem duvida...
em relação a Ruby Dee, de facto fiquei espantada quando vi as nomeaçoes, devo dizer que tive dificuldade em lembrar me em que cenas importantes ela aparecia, para a sua participação ter sido tao marcante, num filme tao grande, coisa que tive oportunidade de rever no video do post.....
a primeira ves que pensei sobre isto (pessoas que aparecem pouco nos filmes e sao nomeadas) foi quando vi o historia de violencia, onde william hurt foi nomeado, e de facto aparece pouco, mas bem...mas enfim qualidade acima de tudo, antes de quantidade....
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