Deuxieme


quarta-feira, março 12, 2008

Não que tenha alguma coisa de mal...

Algo em que ando para aqui a ruminar há algum tempo, tem começado a fazer mais sentido nos últimos tempos. Ainda não totalmente, diga-se, que isto de tirar conclusões precipitadas pode arruinar a vida dum tipo ponderado. Daí decidir exteriorizar estas pertinentes meditações, com o intuito de ver se os devaneios desse lado ajudam a completar esta imagem ainda pouco perceptível.

Desde o início que este filme baseado na série O Sexo e A Cidade, realizado por Michael Patrick King, me parece ter qualquer coisa de errado. Há alguns aspectos que não encaixam bem, como aqueles puzzles acabados à martelada, mas com jeitinho. Sem saber exactamente o quê, diria que alguma coisa não bate bem neste projecto, e que o filme tem, há muito, a sua triste sina escrita. E, não por falta de qualidade, mas pelo timing escolhido, nem a curto prazo, mas a longo. No fundo, o problema passa pela pressa que parece ter havido em transpor a série para o grande ecrã. O filme chegará às salas menos de quatro depois da última temporada ter chegado ao fim. Pelo meio, desavenças entre as protagonistas foram postas de parte, e a questão Big rapidamente resolvida. Os impasses nunca duraram muito tempo, e parecia haver uma retroescavadora que levava tudo à frente, como que a dizer, Temos de fazer este filme, pessoal. Ora, é aqui que o tom da música foge ao agrado de Alvy Singer. Uma obra cinematográfica, seja ela qual for, não deve surgir porque tem de ser. Nasce e cresce naturalmente.

Para que as estas palavras não sejam mal interpretadas, convirá dizer que fala um apreciador da série. Não sendo um devoto fã, confesso ter seguido com a devida atenção as primeiras temporadas, onde o registo parecia aproximar-se mais de um documentário do National Geographic, com os nova-iorquinos a falarem da sua sexualidade aberta e directamente para a câmara. Uma verdadeira pedrada no charco. No entanto, apesar da segunda metade do programa não ter continuado tão cativante, foi com agrado que assisti ao final da história, e ao último episódio de uma das séries mais marcantes da última década. E, é precisamente por isto, que não subscrevo o alvoroço perante esta tão apressada adaptação. Como se o programa não tivesse tido o sucesso suficiente para se esperar mais um bocado, e fosse preciso partir quanto antes para o filme, antes que as pessoas se esquecessem dos valores de O Sexo e A Cidade. Aquele provérbio da pressa ser inimiga da perfeição existe em quase todos os povos, com ligeiras alterações. Por alguma razão. Mais difícil do que adaptar um livro, é fazer um filme baseado numa série. A formatação dos vinte ou quarenta minutos acabará sempre por influenciar a nossa opinião e, no final, nenhuma crítica negativa é tão eficaz como Bom, é apenas um episódio alargado. Basta recordarmos Os Simpsons, que esperaram quase vinte anos para fazer o filme, e mesmo assim ouviram das boas de todo o lado. Acima de tudo, receio que este título não corresponda às expectativas dos milhões de seguidores que a série tinha e que, daqui por anos, nem mesmo aqueles que agora gostarem encontrem qualquer coisa de positivo. Mas, a existir alguém preocupado, que sejam os produtores, caramba. Se eles não estão, aplauda-se a confiança.

No entanto, gostariamos de deixar aqui para reflexão o exemplo de outras séries, de maior sucesso, que têm resistido a todas as investidas para as transformar num filme. Assim de repente, estou a ver Friends e Seinfeld. Mas, há outras. Nestes casos, a calma nunca fez mal a ninguém. Por tudo isto é que também devemos meter um travão no entusiasmo relativamente a Arrested Development, e compreender as reticências do criador Michael Hurwitz. Já para não falar de Os Sopranos, da qual não me importaria minimamente que deixassem ficar como está.

Alvy Singer

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4 Comments:

Blogger betaleca said...

Assim como aconteceu com os Simpons e X-Files, o mesmo pode vir a acontecer com O sexo e a cidade. Os filmes anteriores não são maus, mas chegamos á sala de cinema, e como já conhecemos minimamente as personagens, as suas principais caracteristicas etc...estamos sempre á espera que algo de "trnscendente", ou algo realmente susprendente acontece. E muitas vez acaba por parecer que estamos a ver mais um episódio na Tv.

12 de março de 2008 às 16:24  
Blogger Escatumbar said...

Concordo plenamente, Alvy. Sou uma grande fã da série e desde que ouvi a palavra "filme" que receio que algo não vai bater certo (como já se verificou noutras séries)...agora que vi o trailer pareceu-me exactamente um anúncio para um futuro episódio.

12 de março de 2008 às 20:53  
Anonymous Anónimo said...

Por muito que o filme não seja bom, não há nada melhor quer rever as quatro protagonistas juntas... Mais vale uma pomba na mão que duas a voar... e sempre dura mais q um episódio!!

12 de março de 2008 às 21:55  
Anonymous Anónimo said...

concordo com alvy e ao mesmo tempo com o user PJ

13 de março de 2008 às 16:51  

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