Elogios que saem com naturalidade.

A crítica do The Huffington Post não podia ser mais elogiosa para com a interpretação de Clint Eastwood, em Gran Torino. As palavras de Michael Russnow não deixam margem para dúvidas, e colocam Eastwood como um dos mais fortes candidatos ao Oscar de Melhor Actor.
“Eastwood’s voice is not suddenly full of fire. It is equipped with an old man’s crackle and doesn’t often shift no matter the emotion of the moment. But in this story by Dave Johansson and Nick Schenk and with the spare and pointed dialogue in Nick Schenk’s screenplay, and with those ever haunting eyes that always made you believe Eastwood would kill you as Dirty Harry, it all comes together and works. Perhaps only for this film in this wonderful manner, but no matter because it’s a superb achievement (…) John Wayne found True Grit towards the end of his career and now Clint Eastwood has done the same with an unforgettable performance in Gran Torino, a film that is so simple in its telling that it almost slips by how powerful it really is”.
Aliás, Russnow não é o único. Vários têm sido os superlativos utilizados pelos mais diversos críticos norte-americanos para descrever o desempenho de Eastwood. Dave Karger e Patrick Goldstein já o fizeram – a heartfelt portrait of human redemption e couldn’t (be) a nicer swan song, são apenas algumas das gentilezas que se podem ler sobre o desempenho de Eastwood. Algumas vozes que pretendem apenas causar distúrbios, levantam a questão da Academia premiar o actor, não somente por este papel, mas como o reconhecimento de toda uma carreira de representação. Já com quatro Oscar no bolso – dois como realizador, dois como produtor –, custa aceitar que Eastwood entre na categoria dos a laurear por dividendos em atraso. Até porque, contrariamente ao que se faz passar, raramente os Oscar são um espaço de recompensa. Pelo menos, a este nível. Na categoria de Melhor Actor, apenas quatro casos podem ser colocados neste saco. E, mesmo aí, encontramos sempre justificações plausíveis para o triunfo.
Para John Wayne, valeu o ditado. Aos 63 anos, à terceira foi de vez. Depois de duas nomeações, o eterno cowboy levou o Oscar para casa pelo seu trabalho em A Velha Raposa (Henry Hathaway, 1969). Para Peter Finch, foi apenas uma nomeação antes da consagração com Network – Escândalo na Televisão (Sidney Lumet, 1976). É o único vencedor a título póstumo. Já Henry Fonda foi algo semelhante a Wayne. À terceira foi de vez. No entanto, quarenta e um anos separaram a primeira e a última nomeação. A Casa do Lago (Mark Rydell, 1982) foi o filme que valeu o Oscar – atribuído após um primeiro honorário, atribuído um ano antes. Em 1986, o mesmo aconteceu com Paul Newman. Depois de ter recebido um Oscar honorário em 1985, a recuperação do seu Fast Eddie em A Cor do Dinheiro (Martin Scorsese), traduziu-se no Oscar que lhe havia escapado anteriormente por sete vezes. Depois da vitória, ainda havia de receber mais duas nomeações.
Com duas nomeações no currículo para a categoria de Melhor Actor, quem sabe se para Eastwood não funcionará também a máxima de à terceira ser de vez? Com a temporada de prémios a aquecer, ainda estamos para ver se existe um candidato que se destaque dos demais. À partida, parece tudo muito repartido, o que deixa boas perspectivas para Eastwood. A título de curiosidade, aqui fica a canção original do filme, avançada também como potencial candidata a um Oscar, assinada por Kyle Eastwood, Clint Eastwood, Michael Stevens e Jamie Cullum.
Bruno Ramos
Etiquetas: Clint Eastwood, Gran Torino



2 Comments:
Sem querer ser chata: não é "saiem" mas sim "saem" ;)
A estas horas da noite já saem mais erros do que é habitual. Obrigado, Izzi.
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