Ryan Adams, do Awards Daily, diz que “Of the 40 hours of TV Oscar analysis I’ve seen in the past 48, the depth of this 6-minute segment make the rest look like the cover of US magazine”. Depreendemos, destas palavras, que a capa da US Magazine não deve ser das preferidas de Adams. No entanto, não podemos deixar de partilhar desta opinião. Aqui fica o vídeo em questão, que aborda o tema da liberdade nos discursos deste ano, e lança uma pequena dúvida. Terá a rejeição da Proposition 8 influenciado os resultados de Dustin Lance Black e Sean Penn?
Quando a noite começou, tínhamos a secreta esperança de que Wall-E pudesse fazer História, e conquistar a estatueta na categoria de Melhor Argumento Original. Milk chegou-se à frente, e Dustin Lance Black juntou o Oscar ao Writers Guild. Pessoal, expressivo e encorajador, Black não se limitou a agradecer. Foi mais longe, e foi o melhor em palco.
Sean Penn rivaliza com a velha máxima de William Somerset Maugham, de que apenas os medíocres estão sempre no seu máximo. Seja qual for o filme, seja qual for o papel, seja qual for a cena, Sean Penn faz questão de não ser Sean Penn em prol da personagem que incarna. E, Harvey Milk não é excepção. Poucos são os predestinados que nunca se enganam, e raramente têm dúvidas. Contudo, não sendo uma certeza, é uma forte convicção. Se Sean Penn não tivesse ganho já um Oscar, por Mystic River, este seria o ano da sua consagração. Ainda assim, acreditamos que o actor tem mais hipóteses do que a maioria julga. Acima de tudo, achamos que Milk não poderá ir 0-8. Em oito nomeações, alguma delas cairá no bucho. A mais provável, em nosso entender, continua a ser a de Melhor Argumento Original. Montagem, banda sonora, e guarda-roupa não devem traduzir-se em vitórias. Elliot Graham é um estreante que pouco ou nada ganhou nesta temporada, Danny Elfman tem forte concorrência de A.R. Rahman e Alexandre Desplat, e The Duchess deve bater tudo e todos no ramo do vestuário. No entanto, se a Academia achar que Slumdog Millionaire sairá do Kodak Theater com a principal estatueta, Melhor Argumento Adaptado, e mais três ou quatro técnicas, surgirá com naturalidade a vontade de premiar um título mais próximo, mais caseiro e, porque não dizê-lo, mais consensual. Sim, porque apesar de o filme de Danny Boyle poder ter mais apoiantes, também há quem não possa com ele. Com Milk, não é bem assim. Deste modo, Sean Penn poderá facilmente chegar ao segundo Oscar. No entanto, esta crença poderá ser ainda mais decisiva na categoria de Melhor Realizador. Gus Van Sant é um nome influente na indústria. Em Hollywood, já deu provas da sua versatilidade, optando tantas vezes por um registo mais experimental como mainstream. Nesta sua última obra, foi exímio no equilíbrio destas duas correntes. Podemos questionar se existe algum cineasta nomeado esta noite, com uma carreira tão rica e vasta quanto Gus Van Sant. Para alguns, a resposta provavelmente será sim. Porém, Fincher tem poucas hipóteses. Com relativa facilidade, conseguimos visualizar a capa do Dvd e Blu Ray de Milk, Vencedor de 3 Oscares – Melhor Actor, Realizador e Argumento Adaptado. Em Slumdog Millionaire, não existe um plano tão encantador como aquele do apito caído no passeio. Sobre esta cena, disse o director de fotografia, Harris Savides.
"It’s really simple and it wasn’t planned at all. We were shooting the scene and the last shot that night was a close-up of the whistle. Gus and I were talking and we thought it would be great if we saw the whole scene in this whistle, and Gus made it happen in post. They took one of the shots and put it in this shot, the close-up of the whistle we got. I was surprised that it happened at all. But that kind of stuff, especially with Gus, is very on the fly. There’s no storyboards”.
É por essas e por outras que Gus Van Sant pode ter sorte mais logo.
Este ano, os Writers Guild Awards (WGA) até podem ter acertado nos dois vencedores dos Oscar, no entanto, com as diferenças de títulos a concurso, nos dois certames, meter as mãos no fogo, só se for por Slumdog Millionaire. E, mesmo aí, o risco de ficarmos esturricados não é nulo. Na categoria de Melhor Argumento Original, por exemplo, tirando o vencedor, nenhum dos filmes designados pelos WGA entra na corrida aos Oscar. Frozen River, In Bruges, Happy-Go-Lucky e, sobretudo, Wall-E, podem baralhar as contas de Dustin Lance Black. Já na categoria de Melhor Argumento Adaptado, apenas The Dark Knight cedeu o seu lugar a The Reader. Daí que a aposta no argumento de Simon Beaufoy não seja assim tão arrojada. Eis os vencedores na área de Cinema.
Melhor Argumento Original Dustin Lance Black – Milk
Melhor Argumento Adaptado Simon Beaufoy – Slumdog Millionaire
Melhor Argumento de Documentário Ari Folman – Waltz With Bashir
A lista completa pode ser consultada no site oficial.
Quase uma hora dedicada a Milk, de Gus Van Sant, é aquilo que este vídeo nos oferece. Charlie Rose fala com o realizador do filme baseado na vida de Harvey Milk, e os actores Sean Penn e Josh Brolin. Entrevistas destas, mais do que um incentivo ao visionamento da obra, são uma espécie de tormento para o cinéfilo mais impaciente. Ao mesmo tempo, deixamos aqui o artigo de Cristy Lytal sobre Cleve Jones (interpretado, no filme, por Emile Hirsch), publicado no Los Angeles Times. Mais um dia que passa, mais um dia em que a expectativa cresce. E pensar que a estreia está marcada para 05 de Fevereiro. Dois penosos meses pela frente.
Estas são as primeiras fotografias de Sean Penn na rodagem de Milk, o próximo filme do realizador Gus Van Sant (Paranoid Park, Elefante). De acordo com a revista Time, Harvey Milk (1930-1978) foi o primeiro homossexual assumido publicamente eleito por sufrágio universal para um cargo político. A longa-metragem está a ser rodada em Castro District, na cidade de São Francisco, e as primeiras imagens dão-nos já a experimentar aquele ambiente retro de qualquer filme situado nos seventies. Apesar de ainda estarmos em plena campanha para este ano, nada nos proíbe de dizer que está aqui um projecto a ter em conta para os Óscares de 2008. Até porque depois de um flop, como foi All The King’s Men, Sean Penn costuma frisar, com uma qualquer brilhante interpretação, que aquilo não passou disso mesmo, um flop. O normal é andar sempre nivelado por cima.