Deuxieme


sexta-feira, setembro 18, 2009

Catalogar.

Há certas afirmações que, parecendo terem o propósito de elucidar, mais não servem do que para confundir um tipo já de si meio confuso. Coisas como Um Woody Allen razoável é melhor que um Wolfgang Petersen brilhante, ou Matt Damon é o novo Bruce Willis, mas talentoso, até podem ter a melhor das intenções. Contudo, quando espremidas, resultam num vácuo perfeito. Se é para dizer que o filme de Allen não presta, caramba, que se diga. Se o objectivo é dizer que Damon, por vezes, também não dá uma para a caixa, força. Agora, não nos venham com paninhos quentes. Dar uma no cravo e outra na ferradura, é tentativa vã de agradar a gregos e troianos. E, como sabemos – não apenas os gregos e os troianos, mas a humanidade no seu todo, e no seu particular –, é complicado agradar a ambas as partes. Todd McCarthy começa a sua apreciação a A Serious Man, na Variety, da seguinte maneira.

“A Serious Man is the kind of picture you get to make after you've won an Oscar”.

O que pretenderá Todd McCarthy dizer com isto? Que tipo de filmes tendem os realizadores a fazer, depois de serem galardoados com um Oscar? Estará McCarthy a referir-se a The Godfather – Part II e The Conversation, títulos com que Coppola deu continuadade à sua carreira depois de The Godfather? Ou, estará McCarthy a pensar em Doctor Zhivago, obra realizada por David Lean após o belíssimo Lawrence of Arabia? Ou, será ainda o caso de Letters From Iwo Jima, de Clint Eastwood, depois de Million Dollar Baby? Estamos em crer que não. Parece-nos, acima de tudo, que McCarthy é daqueles que não acredita ainda que Nim é uma palavra. Contudo, há já mais de uma década, Ana Maria Lucas mostrou-nos que o vocábulo existe. E, hoje, a Premiere vem defender o carácter avaliador do termo. Se se podem dar três estrelas a um filme, porque carga de água não se pode dizer que o filme não é sim, nem sopas. É sipas! Porque, colocar tudo no mesmo saco, dizendo que o último dos Coen é o típico filme pós-Oscar, é que nos parece desagradável. Felizmente, há quem tenha gostado do filme, e não foi de modas. Como Richard Corliss, da Time.

“A Serious Man, which has its world premiere tonight at the Toronto Film Festival before opening in theaters Oct. 2, is a rare event in movies, where action is character. It's certainly rare for the Coens, in that this is one fable — Miller's Crossing might be another — that is worth taking seriously”.

Lá para o final da critica, Corliss vai ainda mais longe, metendo Deus ao barulho e tudo. Agora, o que gostaríamos de relevar aqui, não é tanto o que é dito por alguns críticos. Mas, o que não é dito. Talvez Todd McCarthy seja o tipo de critico que se renasce depois de se ter esquecido porque é que gosta de Cinema.

Bruno Ramos

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terça-feira, agosto 04, 2009

A Serious Man - Trailer.

Por muito que tentemos fazer da contribuição bloguista uma tarefa diária, esta altura do ano é fértil em convites e eventos que nos afastam dessa força gravitacional que habita entre o computador e as novidades cinematográficas. Pese embora não haja feriados a jeito, a benevolência da época, uns furos acima da experimentada aquando da quadra natalícia, poderá potenciar fins-de-semana alargados que minam qualquer planeamento mensal. Quando damos por nós, cinco dias ficaram para trás. E, com eles, um bom punhado de trailers, outros tantos posters, meia dúzia de informações sobre castings e cancelamentos, e 23 noticias sobre Lindsay Lohan, nenhuma delas respeitante a filmes da (ex-)actriz. Mas, vamos por ordem.

À cabeça, um trailer que chegou à net no final da semana passada. Serious Man, que de sério pouco ou nada parece ter. O próximo dos Coen, a julgar pelas primeiras imagens, aparenta nascer de uns resquícios que ficaram por aproveitar de Burn After Reading. A história anda à volta de Larry Gopnick (Michael Stuhlbarg), um professor de fisica numa pacata universidade do midwest a braços com um divórcio. A sua mulher (Sari Lennick) apaixonou-se por Sy Ableman (Fred Melamed), um colega mais pomposo do marido. O filho Danny é um caso sério de indisciplina e o epicentro dos tumultos na escola hebraica, a filha Sarah rouba-lhe dinheiro da carteira pois está a poupar para uma operação ao nariz, e o irmão Arthur está lá em casa a dormir no sofá. Entretanto, uma série de cartas anónimas ameaçam o estatuto de professor residente de Larry na universidade, um aluno tenta soburná-lo e, ao mesmo tempo, acusa-o de difamação, e a vizinha do lado decide bronzear-se em pleno jardim. À procura do equilíbrio, Larry recorre a três rabinos, à espera que um deles o ajude a resolver todos estes problemas. Pode ser que os Coen mostrem a Richard Curtis como é que se faz um filme passado em 1967.

Alvy Singer

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