Como poupar pipocas no Vaticano.

Sejamos francos. Custa-nos estar ao lado de Ron Howard. Primeiramente, por não estarmos habituados. Protestar com o realizador de A Beautiful Mind (2001) e Cinderela Man (2005) é algo que sai com muito maior facilidade. Não que tenhamos particular interesse em mandar vir com o cineasta. Apenas porque, entre Apollo 13 (1995) e Frost/Nixon (2008), não lhe reconhecemos metade do mérito que Hollywood quis impingir ao resto do mundo. Em segundo lugar, por estarmos a apoiar Howard numa causa por um título em que acreditamos muito pouco, para não dizer mesmo nada. Anjos e Demónios é bem capaz de ser o Mais Pequeno Grande Filme de 2009. Blockbuster puro e duro. Uma estrela no principal papel, sequela, êxito de bilheteira e entretenimento das massas. Duas horas depois, no caminho para casa, para muitos, a grande dúvida será se o cabelo de Tom Hanks está melhor da segunda vez. Contudo, ao menos por cá, teremos oportunidade de ajuizar essa pertinente questão. No Vaticano, todos ficarão a roer-se. Mas, porque querem.
Resumidamente, de acordo com o Avvenire, jornal oficial do Vaticano, e o Times Online, a Igreja não pode aprovar o filme. Segundo o La Stampa – via Telegraph –, Vatican will soon call on Catholics to boycott the film. Estamos bonitos. A excentricidade da trama chega ao ponto do Arcebispo Velasio De Paolis alertar para o facto de um boicote poder provocar um ‘efeito boomerang’, dando ao filme ainda mais publicidade. Depois dos restringimentos e proibições durante as filmagens, a Igreja pretende ir ainda mais longe. Mas, se nos lembramos do que disse na altura o Padre Marco Fibbi, porta-voz do Vaticano – ‘Usually we read the script but in this case it wasn't necessary. Just the name Dan Brown was enough’ – este desfecho deixa de ser tão surpreendente. Bolas, e nós a pensar que éramos os únicos preconceituosos. Menos mal.
Bruno Ramos
Etiquetas: Anjos e Demónios, Dan Brown, Ron Howard


