Deuxieme


terça-feira, março 31, 2009

Novas promessas.

Até hoje, uma sequela de Eastern Promisses (David Cronenberg, 2007) parecia-nos tão provável como alguém ser capaz de fechar uma gaveta à chave e meter a chave lá dentro – já agora, Danny Ocean deve ser o homem para este trabalho. Agora, graças a uma entrevista do cineasta com a MTV – num post que começa logo com um spoiler a revelar o fim do filme –. somos obrigados a considerar um segundo capítulo da história de Nikolai e Anna como algo menos hipotético, e mais próximo do real. Por mais distante que isso ainda esteja. Por enquanto, apenas temos as declarações de Cronenberg. E, porque temos no cineasta um homem de palavra, aqui ficam elas.

We are moving forward with it. We all are excited about the idea of doing a sequel. We are going to have a meeting very soon between me, Steve Knight and Paul Webster to discuss what the script would be”.

Quer isto dizer que, para além de Cronenberg e Mortensen – actor que o realizador não se cansa de elogiar –, Steve Knight, o argumentista, e Paul Webster, o produtor, deverão voltar a fazer parte da equipa. Scanners (1981) e The Fly (1986) foram os únicos filmes de Cronenberg a ter uma continuação. No entanto, o realizador acabaria por ser outro. A sequela que Cronenberg mais perto esteve de realizar foi Basic Instinct 2. Cruzes canhoto. Até final do ano, esperamos novidades. Gostámos da ideia. Estamos sempre prontos para ver Nikolai apagar um cigarro.

Bruno Ramos

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domingo, dezembro 02, 2007

Cronenberg é daqueles que cumpre as promessas.

Esta sexta-feira foi noite de cinema. E, já há muito estava decidido que o seria. Acontecesse o que acontecesse, a sessão das 21:30 era a única opção de ver Promessas Perigosas, de Cronenberg, este fim-de-semana. Quando queremos muito ver um filme, certos acessórios, como o lugar da sala, acabam relegados para segundo plano. No momento em que me dirigi às bilheteiras, faltavam pouco mais de cinco minutos para o início do filme. Diz-me, então, a colaboradora dos cinemas Lusomundo, que já só tinham lugares para a primeira fila. Um valente suspiro, seguido de um audível ‘Tchiiii’, foi a minha reacção. Tinha de ser. Cabisbaixo, lá caminhei em direcção à sala. Só quando aí cheguei é que pude constatar o quão mau era o lugar que me estava destinado. Não só era na primeira fila, como a sala era minúscula e a cadeira ficava mesmo na ponta direita. Ou seja, o lado esquerdo do pescoço que se preparasse, que aquela iria ser uma longa noite. Foi por essa altura que pensei para com os meus botões Não te preocupes, que o filme é bom, e vai valer a pena o sacrifício.

O tempo vai passando, os trailers vão começando, e a sala enche-se. Confirmo, ao olhar para trás, que aquilo estava mesmo apinhado, e que os 97 lugares rapidamente ficam lotados. Nisto, duas senhoras sentam-se ao meu lado. Vinham sozinhas e sorridentes. Apesar do lugar que lhes tinha calhado em rifa. Uma delas comenta qualquer coisa sobre a localização da cadeira e olha para mim. Nestas coisas, rimo-nos sempre, para dar um ar mais simpático. No entanto, para além do riso, num tom fatalista digo Tem de ser. Ao que a que está mesmo ao meu lado responde Não, eu queria mesmo este filme. Quero mesmo. Tudo isto com um ar muito sorridente.

O filme começa. Ainda não tinham decorrido três minutos e já a senhora do lado dizia ‘Jesus’. Passado um bocado, acrescentou a esta ideia um ‘Minha Nossa’. Numa determinada cena, contorceu-se de todas as maneiras e mais alguma, de modo a olhar para todos os lados menos para o ecrã. As frases com que nos foi brindando, a cada momento mais violento, foram autênticas delícias. Ele era ‘O sangue frio com que se fazem as coisas’, ‘Se eu fumasse um cigarrinho agora é que era’, ‘Isto os homens…’, ‘Eu não posso, eu não posso aceitar isto’, ‘Não, isto na Rússia sempre foi assim’. No final, creio que se justificava a dúvida de se a senhora tinha apreciado ou não a obra de Cronenberg. Estive quase para perguntar. No entanto, no fim do filme gosto sempre de saborear aquele momento em que regressamos à realidade, pelo que me mantive calado.

Foi só nesse momento, que o pescoço começou a doer. Até então, a beleza da obra de Cronenberg não o tinha permitido.

É incrível a forma como o canadiano consegue relatar uma história tão perturbante e, ao mesmo tempo, tão enternecedora. Em certas alturas, sentimo-nos a viver um autêntico pesadelo, para, logo a seguir, experimentarmos o espantoso sentimento de esperança que alimenta os sonhos. Cronenberg mostra-nos as entranhas e o lado sujo do mundo que habitamos, enquanto que, à superfície, retrata como ninguém a aparência idílica do mesmo.

Se há imagens que nos ficam de Uma História de Violência e Promessas Perigosas, são aquelas passadas em família, à mesa de jantar. O confronto começa na palavra, na interpretação, e nas crenças de cada um. Stepan (Jerzy Skolimowski), o tio de Anna, é uma daquelas personagens que assenta que nem uma luva, num filme de Cronenberg. Todo ele é um turbilhão prestes a explodir. No entanto, a família no qual está inserido não podia ser mais pacata e serena.

Ao nível da interpretação, Viggo Mortensen é um nome a ter em consideração para os Óscares. Este é, sem dúvida alguma, o melhor trabalho do actor até hoje. E, convém não esquecer que a Academia tende a valorizar aqueles que pesquisam e se transfiguram, como Mortensen fez. Enquanto Anna, Naomi Watts é o cúmulo da vulnerabilidade e da entrega a uma causa. O olhar de Anna transporta a promessa de que fala o título e, a actriz faz-nos realmente crer que existe um lado intrinsecamente bom em tudo. Mesmo que não haja, como nos é dado a perceber por Kirill, num desempenho soberbo de Vicent Casell. Do argumento de Steven Knight, então, nem se fala. Irrepreensível.

Em suma, não me importava nada de voltar a ver este Promessas Perigosas na primeira fila. Tinha era de ser do lado esquerdo da sala, só para equilibrar estas dores no pescoço.

Alvy Singer

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terça-feira, maio 01, 2007

14 - Eastern Promises

À medida que nos aproximamos do topo desta lista vamos falando de filmes com data de estreia cada vez mais distante, pelo que se vai revelando também mais complicado fazer acompanhar estes textos de alguns complementos relevantes, tais como pósteres ou trailers. No caso de Eastern Promises conseguiu-se para já uma fotografia, por sinal, a primeira a ser disponibilizada aos meios de comunicação.

Temos assim a possibilidade de ver como Naomi Watts nos aparecerá na próxima obra de David Cronenberg (Uma História de Violência). Se o realizador, por si só, é já um grande chamariz, o que dizer da dupla de actores? Naomi Watts e Viggo ‘Aragorn’ Mortensen. O canadiano volta a reunir-se com o protagonista do seu último filme, numa obra que aparenta não ter menos impetuosidade. Eastern Promises é um filme sobre a vida do misterioso e impiedoso Nikolai (Mortensen), um homem com ligações a uma das mais importantes famílias do crime organizado londrino. A sua existência cuidadosamente resguardada é subitamente ameaçada quando no seu caminho se cruza Anna (Naomi Watts), uma mulher a tentar remediar um erro do passado, que acidentalmente descobre pistas incriminatórias para a família. Nikolai terá então de engendrar um plano que ponha cobro à melindrosa situação. Vingança, desonestidade, e homicídios fazem parte da ementa que Nikolai servirá.

No anterior filme de Cronenberg, o extremo nível de violência foi ainda superado pelo de qualidade. Se o mesmo suceder aqui, parece que estaremos na presença de uma obra-prima.

Alvy Singer

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