Não nos cansamos de ver imagens de Where the Wilds Things Are. O filme de Spike Jonze poderá muito bem ganhar o seu lugar na História, como a película com os melhores teasers, posters e trailers de todos os tempos. Este tem todo o ar de ser o filme derrete corações de 2009. Aquele que leva o Tio Patinhas a chorar baba e ranho no final, e a dizer que aquilo que de mais precioso tem na sua vida é o trenó de infância. Esperem, fusão de referências. Ter acabado de ver o segundo trailer deste título foi o que bastou para amarfanhar todas estas folhas de rascunhos que para aqui andam na secretária, mais umas quantas revistas da área que convém ler mensalmente, e atirar tudo para o ar num monumental vá tudo à fava que só me apetece voltar a ser criança. Que tremendo gozo. Um longo êxtase de quatro segundos. Agora, se me dão licença, vou ali apanhar as folhas e as revistas. Ainda por cima, dói-me as costas.
O segundo consegue ser ainda melhor do que o primeiro [via Awards Daily]. Spinke Jonze continua a bombardear-nos com uma inocência tal, que não podemos senão derreter-nos.
A 14 de Junho de 2006, o American Film Institute deu a conhecer aqueles que considerou ser os 100 filmes mais inspiradores da História do Cinema. Um júri composto por 1.500 membros determinou Do Céu Caiu Uma Estrela (Frank Capra, 1946), como a obra mais motivadora de sempre. Verdade seja dita, faz todo o sentido existir uma menção especial para este tipo de filmes. Aqueles que uma vez terminados, nos levam a querer separar não só lixo lá de casa, mas também o lixo do vizinho, o lixo da rua, o lixo da freguesia, por aí adiante. No fundo, de tornar este o melhor mundo possível. Não deverá ser a mais fácil das tarefas. Levar milhões de pessoas a ambicionar um dia mais solarengo, só porque estiveram duas horas a olhar para uma qualquer história ficcional no grande ecrã. Daí que não nos poupemos em elogios, com o mais recente trailer de Where the Wild Things Are. Não escondemos as reticências que sempre tivemos em relação a este projecto de Spike Jonze. Não negamos as dúvidas que ainda persistem quanto à sua concretização. Agora, venha o que vier, ninguém tira a magia destes dois minutos e cinco segundos. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 16 de Outubro.
O chavão que melhor se aplica a Where The Wild Things Are, próximo filme de Spike Jonze, será provavelmente O fruto proibido é o mais apetecido. Até agora, pouco ou nada se sabe da película baseada na obra clássica de Maurice Sendak. No entanto, este misticismo que tem rodeado a produção desde o inicio, em vez de afastar, cativa. Não sabemos muito bem o que lá vem, contudo, temos curiosidade. Algum receio, mas o que é a vida sem um pouco de adrenalina? Um filme de Ingmar Bergman, retorquirão alguns. Sim, porque nem tudo exige um coração aos pulos. Por enquanto, a grande dúvida que paira no ar é que tipo de obra será esta. À primeira vista, para os mais petizes, no entanto, depois de vermos os monstros presentes no filme, espelhados nas imagens abaixo, perguntamo-nos se estes não serão algo sinistros para a maioria da criançada.
É certo que, para um ou outro mais sombrio, também temos um ou outro mais, vá lá, como dizê-lo, fofo. Agora, a cada dia que passa, e mais vamos descobrindo sobre o projecto, maior é a inclinação que temos para acreditar que este será um título a não perder em 2009. Por isso é que, nos Estados Unidos, muitos já olham com água na boca para o dia 16 de Outubro.
Apesar duma carreira relativamente curta, Spinke Jonze é já um daqueles realizadores cujo nome leva-nos sempre a ficar com a pulga atrás da orelha. Seja pelas engenhosas realizações de Inadaptado (2002) e Queres Ser John Malkovich? (1999), pela participação em TrêsReis (David O. Russel, 1998), pelas contribuições nos argumentos da saga Jackass, ou pela carrada de videoclips que já dirigiu – apesar das profícuas relações com os R.E.M., Björk e Beastie Boys, o melhor continua a ser Electrobank, com a ginasta Sofia Coppola, dos Chemical Brothers –, a verdade é que este cineasta deve ser seguido com atenção, sempre que anunciar um novo projecto. As mais valias deste homem são tão evidentes, que excedem a simples habilidade que possa ter para a sétima arte. Jamais serei capaz de lhe agradecer, por exemplo, pelo sofrimento que terá causado a Sofia Coppola e que esteva na origem de Lost in Translation. O mundo do cinema precisa de mais relacionamentos destes. E, parece que Spinke Jonze está ciente disso.
Acima de tudo, Jonze aparenta continuar consciente da constante necessidade de inovar e de, tanto quanto possível, proporcionar à audiência novas experiências. Quando o cineasta comunicou que estaria à frente da adaptação de Where The Wild Things Are, de Maurice Sendak, ficámos imediatamente com a sensação de que, apesar de estarmos perante um livro para crianças, Spinke Jonze haveria de arranjar maneira de dar uma volta a isto e oferecer-nos algo completamente diferente. Foi assim que a hipótese de um filme de animação foi posta de lado, e nasceu a ideia de imagem real acompanhada de CGI. Muito se tem especulado sobre o filme, sobretudo depois da estreia ter sido adiada para 2009. Estas primeiras imagens deixam-nos algo hesitantes. Se, por um lado, nos recordamos do Iorek Byrnison de A Bússola Dourada, e de como um animal falante CGI pode ser uma imagem mais perturbadora do que cativante, por outro lado, há aqui qualquer coisa de Rua Sésamo que apela à criança dentro de todos nós. Uma coisa é certa: Spinke Jonze fará questão de explorar por completo o universo irreal de Max (Max Records), o traquina no centro disto tudo, que constrói um mundo repleto de criaturas imaginárias, onde é rei e senhor.