Não nos cansamos de ver imagens de Where the Wilds Things Are. O filme de Spike Jonze poderá muito bem ganhar o seu lugar na História, como a película com os melhores teasers, posters e trailers de todos os tempos. Este tem todo o ar de ser o filme derrete corações de 2009. Aquele que leva o Tio Patinhas a chorar baba e ranho no final, e a dizer que aquilo que de mais precioso tem na sua vida é o trenó de infância. Esperem, fusão de referências. Ter acabado de ver o segundo trailer deste título foi o que bastou para amarfanhar todas estas folhas de rascunhos que para aqui andam na secretária, mais umas quantas revistas da área que convém ler mensalmente, e atirar tudo para o ar num monumental vá tudo à fava que só me apetece voltar a ser criança. Que tremendo gozo. Um longo êxtase de quatro segundos. Agora, se me dão licença, vou ali apanhar as folhas e as revistas. Ainda por cima, dói-me as costas.
A Comic-Con continua a impulsionar obras a torto e a direito. Avatar e Kick Ass foram os primeiros a provocar quedas compactas de queixos. Where the Wild Things Are foi um dos últimos. Para David Chen, do Slash Film, os dez minutos apresentados do último de Spike Jonze foram a melhor coisa que viu até agora em San Diego. Isto foi o que Chen teve a dizer.
“Yesterday, we saw about 10 minutes of footage from Spike Jonze’s Where The Wild Things Are. Russ wrote up a description and some reactions here, but what we saw was so powerful that me Peter and I felt we had to record a video blog to get all our thoughts out on it. In short, Where The Wild Things are has been the most beautiful thing we’ve seen at Comic-Con so far. My anticipation for the film has gone through the roof, although my only fear is that the film won’t live up to the footage. Somehow, though, I have faith that Jonze will pull this off and deliver us a take on Sendak’s classic book that is entrancing, moving, and extremely inventive”.
Partilhamos do receio, mas também da esperança de que Jonze tenha feito mesmo uma belíssima película. Um recente featurette do filme mostra Maurice Sendak, autor da obra, não só a dar o seu aval, como a estabelecer paralelismos entre si e Jonze. Sendak diz que o filme não se serve do livro, antes o eleva a outro patamar. Por cá, a estreia está prevista para 26 de Novembro.
O segundo consegue ser ainda melhor do que o primeiro [via Awards Daily]. Spinke Jonze continua a bombardear-nos com uma inocência tal, que não podemos senão derreter-nos.
A 14 de Junho de 2006, o American Film Institute deu a conhecer aqueles que considerou ser os 100 filmes mais inspiradores da História do Cinema. Um júri composto por 1.500 membros determinou Do Céu Caiu Uma Estrela (Frank Capra, 1946), como a obra mais motivadora de sempre. Verdade seja dita, faz todo o sentido existir uma menção especial para este tipo de filmes. Aqueles que uma vez terminados, nos levam a querer separar não só lixo lá de casa, mas também o lixo do vizinho, o lixo da rua, o lixo da freguesia, por aí adiante. No fundo, de tornar este o melhor mundo possível. Não deverá ser a mais fácil das tarefas. Levar milhões de pessoas a ambicionar um dia mais solarengo, só porque estiveram duas horas a olhar para uma qualquer história ficcional no grande ecrã. Daí que não nos poupemos em elogios, com o mais recente trailer de Where the Wild Things Are. Não escondemos as reticências que sempre tivemos em relação a este projecto de Spike Jonze. Não negamos as dúvidas que ainda persistem quanto à sua concretização. Agora, venha o que vier, ninguém tira a magia destes dois minutos e cinco segundos. Nos Estados Unidos, a estreia está prevista para 16 de Outubro.
O chavão que melhor se aplica a Where The Wild Things Are, próximo filme de Spike Jonze, será provavelmente O fruto proibido é o mais apetecido. Até agora, pouco ou nada se sabe da película baseada na obra clássica de Maurice Sendak. No entanto, este misticismo que tem rodeado a produção desde o inicio, em vez de afastar, cativa. Não sabemos muito bem o que lá vem, contudo, temos curiosidade. Algum receio, mas o que é a vida sem um pouco de adrenalina? Um filme de Ingmar Bergman, retorquirão alguns. Sim, porque nem tudo exige um coração aos pulos. Por enquanto, a grande dúvida que paira no ar é que tipo de obra será esta. À primeira vista, para os mais petizes, no entanto, depois de vermos os monstros presentes no filme, espelhados nas imagens abaixo, perguntamo-nos se estes não serão algo sinistros para a maioria da criançada.
É certo que, para um ou outro mais sombrio, também temos um ou outro mais, vá lá, como dizê-lo, fofo. Agora, a cada dia que passa, e mais vamos descobrindo sobre o projecto, maior é a inclinação que temos para acreditar que este será um título a não perder em 2009. Por isso é que, nos Estados Unidos, muitos já olham com água na boca para o dia 16 de Outubro.
Apesar duma carreira relativamente curta, Spinke Jonze é já um daqueles realizadores cujo nome leva-nos sempre a ficar com a pulga atrás da orelha. Seja pelas engenhosas realizações de Inadaptado (2002) e Queres Ser John Malkovich? (1999), pela participação em TrêsReis (David O. Russel, 1998), pelas contribuições nos argumentos da saga Jackass, ou pela carrada de videoclips que já dirigiu – apesar das profícuas relações com os R.E.M., Björk e Beastie Boys, o melhor continua a ser Electrobank, com a ginasta Sofia Coppola, dos Chemical Brothers –, a verdade é que este cineasta deve ser seguido com atenção, sempre que anunciar um novo projecto. As mais valias deste homem são tão evidentes, que excedem a simples habilidade que possa ter para a sétima arte. Jamais serei capaz de lhe agradecer, por exemplo, pelo sofrimento que terá causado a Sofia Coppola e que esteva na origem de Lost in Translation. O mundo do cinema precisa de mais relacionamentos destes. E, parece que Spinke Jonze está ciente disso.
Acima de tudo, Jonze aparenta continuar consciente da constante necessidade de inovar e de, tanto quanto possível, proporcionar à audiência novas experiências. Quando o cineasta comunicou que estaria à frente da adaptação de Where The Wild Things Are, de Maurice Sendak, ficámos imediatamente com a sensação de que, apesar de estarmos perante um livro para crianças, Spinke Jonze haveria de arranjar maneira de dar uma volta a isto e oferecer-nos algo completamente diferente. Foi assim que a hipótese de um filme de animação foi posta de lado, e nasceu a ideia de imagem real acompanhada de CGI. Muito se tem especulado sobre o filme, sobretudo depois da estreia ter sido adiada para 2009. Estas primeiras imagens deixam-nos algo hesitantes. Se, por um lado, nos recordamos do Iorek Byrnison de A Bússola Dourada, e de como um animal falante CGI pode ser uma imagem mais perturbadora do que cativante, por outro lado, há aqui qualquer coisa de Rua Sésamo que apela à criança dentro de todos nós. Uma coisa é certa: Spinke Jonze fará questão de explorar por completo o universo irreal de Max (Max Records), o traquina no centro disto tudo, que constrói um mundo repleto de criaturas imaginárias, onde é rei e senhor.