Num post mais abaixo, um ilustre anónimo e o Cachimbo, leitor deste blog, dissertam sobre a interpretação de Abbie Cornish em Bright Star. Sem termos visto ainda os desempenhos de Sandra Bullock, Carey Mulligan, Helen Mirren e Gabourey Sidibe – isto está bonito –, temos a dizer que estes só podem ser banhados a ouro, caso Cornish fique mesmo pelo caminho na corrida aos Oscars deste ano. Depois da omissão do ano passado com Kate Winslet (Revolutionary Road) – culpem-se as regras –, parece que a Academia se prepara para voltar a deixar de fora quem, porventura, merecia ir mais além. Valha-nos a Vanity Fair para salvar a honra do convento. Hollywood pode esquecer-se de Cornish, mas Annie Leibovitz sabe bem que rostos femininos deve fotografar neste inicio de 2010. Chamada à capa – não nas dobras que lhe seguem –, Cornish faz-se acompanhar de Kristen Stewart e Carey Mullingan. Longe de ser um Oscar, não deixa de ser um reconhecimento justíssimo a uma actriz que merecia mais flashes nesta temporada. Ao lado deste trio, diga-se, podemos ver (da esquerda para a direita) Amanda Seyfried, Rebecca Hall, Mia Wasikowska, Emma Stone, Evan Rachel Wood e Anna Kendrick. O behind the scenes habitual, no site da Vanity Fair.
Do céu caiu um novo trailer de Up in the Air, de Jason Reitman. O tom do filme continua a agradar-nos sobremaneira, e as expectativas lá se vão mantendo a 10.000 pés de altitude, estáveis, sem bolsas de ar a prejudicar o voo. Daqui por uns meses veremos como corre a aterragem. Do trailer, algumas notas.
1 – Anna Kendrick vai deixar de ser apenas mais uma teenager que passou pela centrifugadora Twilight.
2 – “I’m like my mother, I steryotype. It’s faster”. Uma das melhores frases do ano.
3 – A música de Sad Brad Smith, que começa perto do minuto e quarenta, com um certo je ne sais quoi de Elliot Smith, parece ser potencial candidata aos Oscars. Percebe-se porquê.
No primeiro pelotão dos títulos mais antecipados para este ano de 2009, lá atrás, quase sem se dar por ele, encontramos Up in the Air, de Jason Reitman. Filho de Ivan Reitman (Ghostbusters), podemos afirmar que Jason Reitman é um cineasta ainda à procura de uma identidade. Num primeiro momento, sobretudo quando nos lembramos de Thank You For Smoking (2005), parecia-nos que Reitman estava disposto a seguir as pisadas de um Wes Anderson ou um Alexander Payne. No entanto, Juno (2007) veio baralhar as coisas, e, perdoem-nos os mais acérrimos fãs da dupla, Reitman aproximou-se mais da faceta algo tresloucada dos Coen. Hoje, com a sinopse de Up in the Air ao colo, e a adição de Jason Bateman ao elenco – que contava já com George Clooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick –, somos tentados a dizer que Reitman deverá andar mais perto desta última vertente, pese embora lhe falte um irmão. Apesar de os seus filmes continuarem a ser de baixo orçamento, escritos e realizados pelo próprio, e com uma estrela no máximo – George Clooney é o primeiro grande nome a protagonizar uma obra sua –, estranhamente, as histórias de Reitman não encontram feedback apenas num determinado nicho do mundo da cinéfilia. Thank You For Smoking foi nomeado para dois Globos de Ouro e Juno ganhou um Oscar. Veremos onde este vai parar.
Para já, sabe-se que Up in the Air, baseado na obra de Walter Kirn, conta a história de Ryan Bingham (Clooney), um conselheiro de transições de carreira – eufemismo para alguém que passa a vida a despedir pessoas –, que tem apenas um objectivo na vida: acumular um milhão de milhas na sua conta de voos. Jason Bateman será o patrão de Clooney. Vera Farmiga será a mulher que se cruza com Bingham em hotéis e aeroportos espalhados pelos Estados Unidos, e Anna Kendrick uma funcionária que desenvolve um programa informático que permite aos conselheiros de transições de carreira a trabalhar num escritório – suprimindo a obrigatoriedade dos voos, e reduzindo os postos de trabalho. Em tempos de recessão, este parece ser um tiro certeiro.