Deuxieme


sábado, janeiro 31, 2009

Quando a rodagem deste filme terminou, ainda não existia Technicolor.

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Há filmes que têm um parto difícil, e só parecem lá ir de cesariana. Crossing Over é um deles. As primeiras informações sobre uma data de lançamento, avançadas pela USA Today, diziam que o filme de Wayne Kramer deveria chegar às salas norte-americanas em Novembro de 2007. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia seria a 22 de Agosto. E, assim ficámos, à espera que o filme saísse sob o sol quente de Verão. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia seria a 24 de Outubro. E, assim ficámos, à espera que o filme saísse sob o sol frio de Outono. Mas, não foi isso que aconteceu. Harvey Weinstein e a sua produtora vieram, posteriormente, a terreno, assegurar que a estreia passaria para 2009. No inicio, sem uma data definida. Agora, parece que será 27 de Fevereiro. Até quando esse dia se manterá, é uma incógnita. Até porque já circulam por aí rumores de que o lançamento pode ter sido adiado novamente para Agosto deste ano. Esperemos que isto não seja obra de engraçadinhos, sem nada de verdadeiramente útil para ocupar o tempo.

Agora, caramba, será assim tão complicado fazer com que um filme com Harrison Ford, Ashley Judd e Ray Liotta chegue às salas? Já vimos este título com melhor cara. O LA Times chegou a considerá-lo um dos dez mais antecipados de 2008. Houve até quem já lhe chamasse Crash 2. No entanto, após tanta indefinição, é inevitável não suspeitar de que o embrulho pode esconder um embuste de todo o tamanho. E, a história com Sean Penn, cheira mal como tudo. Por enquanto, vamos acreditando que esta é uma obra com potencial. Os actores envolvidos têm créditos firmados, os produtores já nos deram películas memoráveis, e o plot parece ter pernas para andar. Realizado por Wayne Kramer (The Cooler, 2003), o filme conta com um elenco catita: Harrison Ford, Ray Liotta, Ashley Judd, e Alice Braga. O enredo, aparentemente em estilo mosaico, segue diferentes imigrantes à procura de um visto para viver nos Estados Unidos. Documentando as dificuldades de tal processo, o filme explora o atravessar da fronteira, fraudes administrativas, naturalização, trabalho forçado, gabinetes contra-terrorismo e o choque entre culturas.

Choque esse que já começou, fora do grande ecrã, quando Trita Parsi, presidente do National Iranian American Council, manifestou preocupação relativamente à imagem dos imigrantes nativos do seu país que o filme poderia passar. Resultado, pequenas alterações no argumento. Algumas reuniões foram suficientes. Os irmãos Weinstein respiraram fundo. Em jeito de curiosidade, referir apenas que este é o regresso de Wayne Kramer a este tema. Em 1996, já tinha abordado o problema da imigração numa curta-metragem com o mesmo título. Contudo, mais importante que tudo isso, a determinada altura, Sean Penn esteve associado ao projecto. A razão que motivou o seu abandono foi simples. Penn não gostou da maneira como um iraniano foi caracterizado no filme, depois de ter assassinado a própria irmã, num ‘homicídio de honra’. Parece que Penn pediu que as suas cenas, que também não duravam mais do que dez minutos, fossem retiradas. Num primeiro momento, toda a gente rejeitou. E, todos tiveram direito a um final cut, para ver se a coisa ficava com um ar apresentável. Kramer, Harvey Weinstein, Frank Marshall, e até Harrison Ford, entraram na sala de montagem, à vez, para editar o filme. No final, disseram qualquer coisa como "Dane-se mas é o Penn". E, assim desapareceu o actor do filme. O Hollywood Elsewhere abordou este tema em Novembro. Enfim, hoje ficámos a conhecer o poster. O trailer, mais abaixo, já tinha aberto o apetite. No entanto, após tanta confusão e tantos adiamentos, gostávamos de permanecer tolerantes, mas começa a ser complicado. O filme ainda não chegou, e já estamos com vontade de lhe dar um açoite. A ver se ele se porta bem daqui para a frente.

Bruno Ramos

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domingo, setembro 23, 2007

Ódios de estimação.

Num artigo recentemente publicado no site da msnbc, o critico de cinema Alonso Duralde, obriga-nos a alguma reflexão, ao questionar o real talento das estrelas que vão dando entrevistas em todos os canais de televisão, que vão protagonizando filmes atrás de filmes, que vão criando uma linha de roupa ou de perfumes, e que vão sendo capa de revistas de todo o mundo. Duralde começa por acusar Dane Cook, um dos humoristas em voga, por esta altura, nos Estados Unidos. Cook, que já participou em Employee of the Month e Mr. Brooks, brilha agora ao lado de Jessica Alba em Good Luck Chuck. O que o critico norte-americano não consegue perceber, e pergunta em voz alta, é porque razão Dane Cook deverá ser considerado uma estrela de cinema, e porque é que tinta deve ser gasta sobre as coisas que ele vai fazendo, se em nenhuma delas podemos encontrar talento? Mas, é o próprio Duralde que acalma as hostes dizendo que sempre existiram nesta profissão celebridades que atingem os píncaros da fama sem nunca terem mostrado as valências necessárias para lá chegar.

Duas das visadas pela caneta, melhor, teclado de Alonso Duralde são Jessica Alba e Jessica Biel. O crítico refugia-se nos comentários de personalidades que procuram o anonimato através de iniciais. Por exemplo, sobre Biel, é um tal de B., um critico e argumentista, que diz que a interpretação de Biel em I Know Pronounce You Chuck and Larry o fez desejar ser capaz de colocar pipocas nos ouvidos…

Dadas as primeiras alfinetadas, Duralde ataca ainda Adrian Grenier, um dos rapazes de Entourage, antes de seguir para um alvo mais apetitoso: Nicole Kidman. Segundo L., seja L. um homem ou uma mulher, Kidman é a Madonna do cinema. Ela é boa só em juntar-se com as pessoas certas. De Kidman, Duralde parte para John Travolta (que esteve mal em Hairspray o que significará, provavelmente, uma nomeação aos Óscares), e Reneé Zellweger (que enquanto protagonista de uma comédia romântica dá sempre ares de boneca).

Ao pensar nisto, constato que existem de facto alguns nomes pouco consensuais, sobre os quais uma grande maioria defenderia a sua alienação definitiva do mundo do cinema. Steven Seagal, os argumentistas dos últimos cinco capítulos da saga Academia de Policia e, talvez, Lawrence Guterman. Dizer que Nicole Kidman, Reneé Zellweger e John Travolta não têm talento, parece-me um pouco exagerado. Pessoalmente, por muito que não consiga gostar de Chris Tucker, Ashley Judd e Colin Farrell, ainda lhes vou dando o benefício da dúvida. Existem por aí opiniões mais vincadas?

Alvy Singer

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