Sem palavras.

Porque já nos cruzamos neste recanto da blogosfera há algum tempo, creio que é chegada a altura de partilhar isto. Nada do outro mundo e, ao mesmo tempo, tão importante. Que todos gostamos de Cinema, não é segredo. Que olhamos para arte com um encanto especial, também não. Sinónimos de paixão são ardor, chama e amor. E, em muitos casos, é precisamente tudo isto que sentimos em relação a uma qualquer película. Agora, aquilo que devemo-nos perguntar, em caso de sanidade mental, é como podemos estar apaixonados por um género de expressão artística e um conjunto de obras cinematográficas que chega até nós apenas por um dos cinco sentidos disponíveis? Não seria muito mais lógico ser maluco, por exemplo, por tartes de maçã? A sua textura, o seu cheiro, o seu sabor. Se calhar teríamos muito mais a ganhar se gostássemos de uma boa tarte de maçã. No entanto, duvido muito que, por mais que olhasse para uma fatia de uma magnífica e apetitosa tarte de maçã, esta transmitisse tudo aquilo que uma qualquer cena poderosa da sétima arte transmite. E, neste ponto, gostava de deixar aqui a cena que, até hoje, mais coisas me disse e ensinou. No fundo, a cena mais marcante na existência de Alvy Singer – o filme, esse, será outro, como a assinatura indica. Esta cena, autêntico spoiler para quem nunca se aventurou no segundo capítulo da saga Godfather, assenta que nem uma luva, em toda a história, até àquele momento. Esta cena dá-nos exactamente aquilo que esperamos destas duas personagens. Esta cena mostra-nos como um bom argumento dispensa palavras. Esta cena prova como Al Pacino consegue ser o melhor do mundo, sem abrir a boca. Esta cena certifica o talento de Diane Keaton, só pelo olhar da actriz. Esta cena testemunha como o silêncio pode ser aliado da tensão emocional, deixando o espectador com o coração nas mãos, à espera do melhor desfecho. Esta cena, simples do inicio ao fim, revela como o óbvio, por vezes, consegue ser tão desarmante como o imprevisto. Esta é, para mim, a melhor cena de todos os tempos. Desse lado, qual é a eleita?
Alvy Singer
Etiquetas: Al Pacino, Diane Keaton, Francis Ford Coppola, The Godfather: Part II


