Razão deve ter Conan O’Brien, quando diz que, no ano 3000, o Youtube, Twitter e Facebook unir-se-ão para criar um único super-site de perda de tempo: o YouTwitFace. Mas, verdade seja dita, muitos são ainda os benefícios que se tiram de uma visita a estes antros da boémia. O caso do Youtube, genuína ferramenta de investigação cinéfila, será talvez o mais paradigmático. Tão depressa estamos a ver um trailer em primeira mão, como um pré-púbere sueco a vilipendiar um qualquer cineasta conterrâneo, num vídeo com direito a legendas, que é para não perdermos pitada. Esta manhã, num desses passeios sem rumo pelo Youtube, cruzamo-nos com os vídeos do American Film Institute. E, que prazerosa perda de tempo. Espremida espremida, isto é capaz de ter sido a hora mais inútil desta existência. Agora, foi toda uma inutilidade tremendamente divertida. Os vídeos com os diferentes galardoados do AFI são mais que muitos. Ele há para todos os gostos. E, quem tiver tempo livre em mãos, não sabe bem o que fazer com ele, e procura a mais insípida das actividades, esta é uma óptima solução. Aqui deixamos os nossos três momentos preferidos.
3 – Jack Nicholson no ano de Warren Beatty (2008).
Se o estimado leitor acha que escrevemos este texto, unicamente, por um anónimo ter interrogado num post mais abaixo, Ng fala no facto do diogo morgado entrar num filme c al pacino?!?!?! ou isso n é importante, tem toda a razão. Não tivesse esta pergunta sido formulada, e provavelmente estaríamos agora aqui a falar no facto de Spielberg ter adicionado à sua agenda a realização de um remake de Harvey (Henry Koster, 1950). Uma questão de prioridades. Que podem ser alteradas a qualquer momento, de tão importantes que são. Falemos, pois então, de Morgado, em Marrocos, ao lado de Al Pacino, Julia Ormond, Peter O’Toole e Camilla Belle. O filme, Mary, Mother of Christ, será realizado por James Foley (Glengarry Glen Ross), e conta com argumento de Benedict Fitzgerald (The Passion of the Christ) e Barbara Nicolosi. Diogo Morgado será José. O Público dá a conhecer alguns detalhes que ajudam a perceber como o actor chegou ao papel, como o curso que tirou em Los Angeles, onde conheceu o agente que o representa actualmente nos Estados Unidos, e informa que Diogo Morgado está já a trabalhar na personagem. O ego luso enche-se de orgulho com notícias destas. Agora, não podemos deixar de sentir pena por Diogo Morgado. E, caso o actor se esteja a perguntar incrédulo, neste preciso momento, sentado num recanto sombrio, se ninguém consegue ver a sua dor, meu caro Diogo, nós não só a vemos, como partilhamos da tua mágoa. Contracenar com Al Pacino e Peter O’Toole não é para qualquer um, e esse será, sem dúvida, motivo mais do que aprovado para vaidade extrema. Agora, que desafortunado lançamento de dados do destino foi este, para trazer Camilla Belle como parceira na tela, numa história de cariz tão puritano? Na melhor das hipóteses, perspectivamos um forte abraço de encontro ao peito, ou uma palmadinha mais afectuosa nas costas. Nada por aí além. Um beijo, só soprado ao vento. Contudo, já alguém disse um dia que mais vale um nada positivo do que muito negativo. Se não era assim, passa a ser. Parabéns, Diogo.
Porque já nos cruzamos neste recanto da blogosfera há algum tempo, creio que é chegada a altura de partilhar isto. Nada do outro mundo e, ao mesmo tempo, tão importante. Que todos gostamos de Cinema, não é segredo. Que olhamos para arte com um encanto especial, também não. Sinónimos de paixão são ardor, chama e amor. E, em muitos casos, é precisamente tudo isto que sentimos em relação a uma qualquer película. Agora, aquilo que devemo-nos perguntar, em caso de sanidade mental, é como podemos estar apaixonados por um género de expressão artística e um conjunto de obras cinematográficas que chega até nós apenas por um dos cinco sentidos disponíveis? Não seria muito mais lógico ser maluco, por exemplo, por tartes de maçã? A sua textura, o seu cheiro, o seu sabor. Se calhar teríamos muito mais a ganhar se gostássemos de uma boa tarte de maçã. No entanto, duvido muito que, por mais que olhasse para uma fatia de uma magnífica e apetitosa tarte de maçã, esta transmitisse tudo aquilo que uma qualquer cena poderosa da sétima arte transmite. E, neste ponto, gostava de deixar aqui a cena que, até hoje, mais coisas me disse e ensinou. No fundo, a cena mais marcante na existência de Alvy Singer – o filme, esse, será outro, como a assinatura indica. Esta cena, autêntico spoiler para quem nunca se aventurou no segundo capítulo da saga Godfather, assenta que nem uma luva, em toda a história, até àquele momento. Esta cena dá-nos exactamente aquilo que esperamos destas duas personagens. Esta cena mostra-nos como um bom argumento dispensa palavras. Esta cena prova como Al Pacino consegue ser o melhor do mundo, sem abrir a boca. Esta cena certifica o talento de Diane Keaton, só pelo olhar da actriz. Esta cena testemunha como o silêncio pode ser aliado da tensão emocional, deixando o espectador com o coração nas mãos, à espera do melhor desfecho. Esta cena, simples do inicio ao fim, revela como o óbvio, por vezes, consegue ser tão desarmante como o imprevisto. Esta é, para mim, a melhor cena de todos os tempos. Desse lado, qual é a eleita?
Gostámos da primeira experiência. Parece que Michael Radford e Al Pacino também. Daí que ambos tenham achado que, não é tarde nem é cedo, mas sim tempo de repeti-la. Sem mudar muito a composição. Assim, pelo menos, veicula a Variety. William Shakespeare, na retaguarda, Radford, a organizar jogo, adapta e realiza, Barry Navidi, o homem todo-o-terreno, volta a produzir, e Pacino, qual seta apontada à baliza do adversário, como se exige a um ponta-de-lança, protagoniza. A equipa de Merchant of Venice volta, assim, a reunir-se, desta feita para levar ao grande ecrã King Lear, adaptação do clássico de Shakespeare. Pacino, que foi Shylock na anterior colaboração com Radford, vestirá agora a pele de King Lear, personagem que já foi interpretada por Laurence Olivier, Orson Welles e Paul Scofield. Olivier continua a ser o único actor a receber uma nomeação para o Oscar de Melhor Actor – e ganhá-lo – por desempenhar um papel baseado numa obra de Shakespeare. Navidi confessa "Al has been offered this role many times over the years, but didn't feel ready. He's ready now". Ora, aqui está uma novidade. Não imaginávamos Al Pacino como um daqueles actores que olha para o papel, e não se sente imediatamente preparado. Se há alguém que já vem com as peças todas, e não é preciso montar, é Pacino. Sempre pensámos que este é dos poucos actores sempre prontos, seja qual for a personagem, assim que o galo canta e salta da cama. Ricky Gervais, esse pensador contra-corrente no limiar da vanguarda da filosofia da linguagem, costuma dizer que No trabalho, há orgulho e arrogância. No caso de Pacino, há modéstia até dizer chega. Venha de lá mas é este King Lear, que já nem nos lembramos daquele maldito título que não chega a hora e meia.
Hoje chegam ao fim as duas semanas de Festas. Esta altura do ano, entre o Natal e o Ano Novo, costuma ser apanágio de bom Cinema no pequeno ecrã. Edward R. Murrow é que tinha razão. Este instrumento pode ensinar, pode iluminar; sim, e pode até inspirar. E, não poucas vezes, o casamento da televisão com a sétima arte dá nisso mesmo. Nestas duas semanas, as televisões lembram-se que pode haver alguém lá em casa que goste de algo que extravase os limites de uma comédia romântica ou de um cenário apocalíptico onde só um homem pode salvar a humanidade. Deste saco deixemos de fora a RTP2, que joga num campeonato à parte – veja-se o filme que estava a exibir aquando da passagem de ano: Balbúrdia no Oeste (1974), de Mel Brooks. Nesta altura do ano, as televisões devem achar que há gente em casa que, vá-se lá saber como e porquê, gosta de pensar. Que gosta de ver um filme com um telos, e que não está em frente ao ecrã só porque não há nada mais interessante para fazer. E, seguramente que houve muito bom aprendiz de cinéfilo, em casa e de férias da escola, que ficou a gostar mais de Cinema, depois de ter visto O Informador (Michael Mann, 1999), num destes dias que passou. A cena em que Lowell Bergman defende o segmento de Jeffrey Wigand (Russell Crowe) que a CBS quer extrair, é de uma beleza ímpar. Pacino mergulha nos ensinamentos do Actors Studio e arranca um monólogo absolutamente divinal. Tudo aquilo que acontece entre Before you go… e a saída de cena muda do actor é algo que figurará para sempre nos anais da interpretação. O olhar desolado com que termina leva-nos a recordar outra cena do actor. Amanhã, logo falaremos dela. Hoje, recuperemos esta preciosidade. Pena é que as televisões não partilhem da opinião que o Natal é quando o Homem quiser, e filmes como O Informador só cheguem ao pequeno ecrã uma vez por ano.
A vontade de ver este filme já foi maior. Perdão, as expectativas em torno deste filme já foram maiores. Não confundamos as coisas. A vontade continua a ser mais que muita. Agora, o retorno esperado deste visionamento, é que já não é o mesmo. Quando as primeiras imagens e notícias sobre o plot de Righteous Kill começaram a surgir, o entusiasmo levou a que comparássemos este trabalho de De Niro e Al Pacino, com uma hipotética colaboração de Da Vinci e Miguel Ângelo, por alturas do Renascimento. Contudo, convém não esquecer que nem tudo foram Mona Lisas e Pietás, na obra destes dois. Agora, não será um mau filme com Robert De Niro e Al Pacino, sempre melhor do que um mau filme sem De Niro e Pacino? Sem dúvida. Mas, nem sequer é nossa intenção antecipar que Righteous Kill será uma obra insatisfatória – bolas, deixa lá encontrar a madeira.
Acima de tudo, parece-nos é que estes dois colossos estarão fatalmente a lutar contra uma imagem criada por ambos. Fosse o filme de Jon Avnet num outro registo completamente diferente, e o campo para brilhar e surpreender abrir-se-ia num instante. No pólo oposto do espectro, por exemplo, um musical. No entanto, não é isso que temos em cima da mesa. Assim que a primeira imagem do filme surgiu, com as personagens sentadas a uma mesa, rapidamente emergiram alusões à mítica cena de Heat (Michael Mann). Ora, estamos em crer que esta história sobre duas polícias com questões mal resolvidas, e que têm de trabalhar em conjunto na perseguição de um assassino em série, pode sofrer com inevitáveis comparações deste género. Porque, por muitos bons que ambos sejam a fazer de badass, é com alguma relutância que acreditamos ver algo de novo destes dois. Digamos que, até certo ponto, este filme começa a ganhar contornos de encore. Daquela música que a banda tocou no inicio do concerto, mas que por ser a melhor de todas, não nos importamos de ouvir e vibrar com ela outra vez. Madonnas há muitas, porém, as do Da Vinci e do Miguel Ângelo terão sempre uma outra graciosidade. Aqui fica o trailer do décimo sexto filme mais antecipado, nesta primeira leva de 2008.
A ser verdade, este pode muito ser o casting mais improvável desde que Coppola escolheu Al Pacino para o papel de Michael Corleone. E, não é que estamos a falar do mesmo actor? Um rumor que circula já no Aint It Cool News dá conta de que Pacino entrará em Quantum of Solace como o Big Boss, o homem que puxa os cordelinhos por detrás do outro vilão conhecido, Dominic Greene (Mathieu Amalric). Uma coisa é certa, ninguém pode acusar os blockbusters deste ano de não se esforçarem por subir a parada. Há noticias tão boas, que um tipo nem chega a sonhar com elas para não sofrer à posteriori. Depois disto, Al Pacino tem mesmo de entrar no próximo capítulo da saga Bond.
Não será tão bom como o seminal Heat — Cidade sob Pressão (sim, havia um título em português). Uma observação injusta, talvez, já que Righteous Kill ainda está na fase de rodagem. Mas convenhamos que Jon Avnet não é Michael Mann. O melhor filme de Avnet é Fried Green Tomatoes/Mulheres do Sul, que já tem 16 anos. O melhor de Mann ainda está para vir, como convém dizer quando se fala de mestres.
A EMPIRE obteve em exclusivo as primeiras imagens oficiais do novo filme que irá juntar Al Pacino e Robert De Niro (ou Robert De Niro e Al Pacino) como dois polícias que perseguem... surpresa, um serial killer. Numa delas lá os vemos outra vez a conversar. 12 anos depois. Esperemos que desta vez seja por mais tempo...