Razão deve ter Conan O’Brien, quando diz que, no ano 3000, o Youtube, Twitter e Facebook unir-se-ão para criar um único super-site de perda de tempo: o YouTwitFace. Mas, verdade seja dita, muitos são ainda os benefícios que se tiram de uma visita a estes antros da boémia. O caso do Youtube, genuína ferramenta de investigação cinéfila, será talvez o mais paradigmático. Tão depressa estamos a ver um trailer em primeira mão, como um pré-púbere sueco a vilipendiar um qualquer cineasta conterrâneo, num vídeo com direito a legendas, que é para não perdermos pitada. Esta manhã, num desses passeios sem rumo pelo Youtube, cruzamo-nos com os vídeos do American Film Institute. E, que prazerosa perda de tempo. Espremida espremida, isto é capaz de ter sido a hora mais inútil desta existência. Agora, foi toda uma inutilidade tremendamente divertida. Os vídeos com os diferentes galardoados do AFI são mais que muitos. Ele há para todos os gostos. E, quem tiver tempo livre em mãos, não sabe bem o que fazer com ele, e procura a mais insípida das actividades, esta é uma óptima solução. Aqui deixamos os nossos três momentos preferidos.
3 – Jack Nicholson no ano de Warren Beatty (2008).
Este é daqueles que chama por nós, por mais baixinho que fale. Não passam de meros sussurros, mas é o que basta para estarmos com ela atrás da orelha. Ainda para mais, depois da Variety ter afirmado ontem que Jack Nicholson se encontra em negociações para associar-se ao projecto. Ao que parece, Nicholson estará perto de juntar-se a Paul Rudd, Reese Witherspoon e Owen Wilson no próximo filme de James L. Brooks. Durante meses, Bill Murray este em conversações para ser o pai aristocrata da personagem interpretada por Rudd. Contudo, nenhum contrato foi assinado, e Murray acabou por desistir do trabalho nas últimas semanas. Com a produção a iniciar-se daqui a quinze dias, Brooks virou-se para Nicholson. Recorde-se que dois dos três Oscars conquistados pelo actor foram às ordens de Brooks: Terms of Endearment (1983) e As Good as It Gets (1997). O filme retrata um triângulo amoroso, com Paul Rudd a interpretar um executivo de colarinho branco que se apaixona pela personagem de Whiterspoon, e Owen Wilson como um jogador de basebol que também dá umas tacadas na relação. Esta é outra ideia que nos agrada. Colocar Wilson num papel mais secundário não é mal pensado. Sempre olhámos para Wilson como um daqueles jogadores que contribuem mais para a equipa quando sai do banco de suplentes.
É certo que a cena contém cinco bofetadas. No entanto, a primeira é que entra para as contas desta lista. Para além do mais, verifica-se o critério de a cena não descambar para uma bulha. Aqui, o enxerto de porrada tem apenas um sentido.
O filme: Chinatown (Roman Polanski, 1974).
Gladiadores: Faye Dunaway e Jack Nicholson.
A cena: Convirá revelar, antes de mais nada, que descrever esta cena, seja de que ângulo for, acabará por tornar-se num gigantesco spoiler para quem ainda tem o descaramento de caminhar neste planeta sem ter visto a obra-prima de Polanski. Seguindo esta linha de pensamento, obviamente não recomendamos o visionamento deste clip a quem ainda não viu o filme. Agora, podemos dizer uma ou duas coisas que não estragam o dia a ninguém. Apesar de esta cena mostrar um Jack Nicholson a arrear forte e feio, no set de rodagem era Roman Polanski que mais chegava a roupa ao pelo. Para além do famoso incidente em que partiu a televisão que Nicholson tinha no plateau para seguir os jogos dos Lakers, reza a lenda que o realizador se chateou umas quantas vezes com Dunaway, e terá mesmo puxado os cabelos à actriz. Contudo, o melhor de tudo mesmo é saber que, nesta precisa cena, após uns quantos takes falhados que não agradaram a nenhum dos intervenientes, Dunaway pediu a Nicholson que lhe desse mesmo chapadas na cara. Assim foi. A primeira é a mais forte. Mas, a que gostamos mais é a quarta.
Há muito que a Era Dourada de Hollywood deixou de existir. É verdade que hoje encontramos a mesma elegância e sobriedade em muitas celebridades que se passeiam por essas passadeiras vermelhas fora: Dustin Hoffman, Meryl Streep, Sean Penn, Morgan Freeman, Susan Sarandon e muitos outros, ainda demonstram transportar nos ombros esse peso de um tempo passado. São nomes que aprendemos a respeitar, por aquilo que os vimos fazer no grande ecrã, mas também aquilo que deles conhecemos fora dele.
No entanto, os dias que vivemos são outros. Em qualquer lado há uma máquina fotográfica, uma câmara de filmar ou um gravador que surge com uma facilidade impressionante, pronto a documentar as palavras ou os actos de qualquer um. Hoje, sabemos muito mais rapidamente o que Bill Murray jantou ontem à noite num restaurante em Santa Mónica, do que há quarenta anos atrás se sabia qual era o filme que Mike Nichols iria realizar depois de ter terminado Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?.
Hoje sabemos quantas palhinhas é que um determinado actor utilizou para beber um copo de sumo, de que cor é o IPod com que costuma correr no Central Park, que a semana passada aquela actriz saiu de casa descalça, trinta por uma linha. Informação a circular é a chave para o sucesso de todos os media. O tipo de informação é que varia.
É por essa razão que, quando um actor como Tom Cruise vem para a rua dissertar sobre Cientologia, meio mundo lhe cai em cima. Porque toda a gente vê. Há cinquenta anos, ele poderia ter o dobro da obsessão por esta religião. Contudo, duvidamos que, para além da família e amigos, alguém viesse a saber. E, continuaria a ser o mesmo actor de sempre.
No entanto, os tempos mudaram e é preciso não esquecer isso. Hoje, um actor deixa a sua marca através dos filmes, indubitavelmente, mas também através de uma série de coisas que há 20 ou 30 anos seriam impensáveis. Sem a Internet, por exemplo, dificilmente teríamos acesso a este vídeo de Tom Cruise, nem à resposta de Jerry O’Connell.
Vivemos numa altura em que actores vêm para os órgãos de comunicação social defender outros actores. Colegas de profissão, como Adam Sandler, Ben Stiller ou Bruce Willis, que afirmam compreender as palavras de Tom Cruise e criticam aqueles que ridicularizam o vídeo. Sobre isto, acima de tudo, apraz-me sublinhar aquilo que advoguei aquando do post do Francisco Silva sobre este tema: o receio de que Tom Cruise se afaste para sempre desta geração mais nova de cinéfilos, devido a questões puramente pessoais e que nada têm que ver com o seu trabalho.
Mas, se os media servem para noticiar diariamente sobre a sétima arte, também servem para o reverso da medalha, e falar sobre todos os pormenores daqueles que vivem do Cinema. É apenas mais um fruto da aldeia global e, quem não gosta, tem bom remédio. Até certo ponto, devemos parar para pensar e reflectir, quando vemos Jack Nicholson sair de um restaurante e um batalhão de jornalistas estar à sua espera para ouvir, em primeira-mão, aquilo que o Joker tem a dizer sobre a morte de Heath Ledger. Da sua boca saiu um dúbio I warned him. Agora, quem é que poderá julgar as palavras de um pobre coitado que mal pode dar um passo sem enfiar o nariz num qualquer flash?
Aqui, não é relevante de que lado está a razão. Tom Cruise, antis-Tom Cruise, Jack Nicholson, ou outro qualquer. Convém é não esquecermos que as quatro paredes são cada vez maiores e, aquilo que se diz para uma câmara, provavelmente chegará local mais recôndito do planeta. Sobre este assunto relembro sempre as palavras de Mike Wallace em O Informador, quando diz que o mais importante é a forma como somos lembrados.
Juntar dois senhores deste calibre pode resultar em algo verdadeiramente explosivo. Talvez esse seja mesmo o principal factor para este ser o quinto filme mais antecipado nesta lista dos 25. Não que a história seja demasiado vulgar, ou que o próprio realizador, Rob Reiner (A Princesa Prometida, Conta Comigo), não seja apelativo por si só, contudo, reunir na mesma obra Jack Nicholson e Morgan Freeman supera qualquer outra particularidade. Quase que ficamos sem fôlego quando inspiramos para pronunciar os nomes destas verdadeira lendas vidas. Haverá certamente aqueles mais entusiastas que, no final do filme, aplaudirão de pé como se de uma peça se tratasse, tal é a vivacidade que estes dois jovens actores transmitem através da tela. Totalmente compreensível.
Ainda sem data de estreia marcada, não é muita a informação disponível sobre The Bucket List. Relativamente ao argumento, sabemos que relata a fuga de um centro hospitalar de dois pacientes cancerígenos que decidem fazer tudo aquilo que gostariam de fazer antes de morrer. Nesta aventura ao serviço de wish-lists, os dois irão passar por corridas de carros, gigantescos pratos de caviar, e jogos de Poker nos casinos de Monte Carlo. A história pode vir a transformar-se no mais banal possível, e a realização deixar muito a desejar, no entanto, para já, esta é a primeira vez que estes dois actores partilham o grande ecrã e isso, só por si, justifica este quinto lugar.