Deuxieme


domingo, fevereiro 01, 2009

Allez, The Damned United, Allez.

O desporto rei já clama por um filme apoteótico desde os primórdios do esférico sobre a relva. A relação entre o futebol e a sétima arte nunca primou pela harmonia. É certo que temos alguns títulos interessantes, como Victory (John Huston, 1981), Bend it Like Beckham (Gurinder Chadha, 2002), ou Zidane, un portrair du 21e siècle (Douglas Gordon e Phillipe Parreno, 2006). No entanto, persiste a lacuna de uma obra que cative, com o mesmo entusiasmo, o mais geek dos cinéfilos e o mais fervoroso dos adeptos. Depositemos, por isso, a nossa esperança aos ombros de The Damned United. Baseado no romance de David Peace, e realizado por Tom Hooper – o mesmo responsável pelo remake de East of Eden que está a caminho –, o filme relata a passagem do mítico treinador Brian Clough pelo Leeds United, clube que treinou apenas durante 44 dias. A adaptação do livro esteve a cargo de Peter Morgan (The Queen, Frost/Nixon). E, como atrelado a Morgan tem andado Michael Sheen, lá teremos David Frost como protagonista. A seu lado, um elenco respeitável, Jim Broadbent, Timothy Spall e Colm Meany. Morgan também havia trabalhado com Hooper na mini-série Longford. O trailer dispara em todas as direcções, e deixa antever o melhor. Sheen parece talhado para este tipo de filmes. Assim como o rosto carregado de Roy Scheider assentava que nem uma luva numa personagem que sofre na pele a austeridade do mundo cruel, os traços maliciosos de Sheen parecem desenhados à mão para uma personagem que oferece cinco com uma mão para, de seguida, tirar dez com a outra. Esperemos que o filme comprove o casamento equilibrado de humor e drama, que o trailer deixa antever. No Reino-Unido, a estreia está marcada para 27 de Março.

Bruno Ramos

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quarta-feira, janeiro 28, 2009

Ficção vs Documentário.

Ontem, numa breve conversa com o Francisco Silva, chefe de redacção da Premiere, que durou apenas alguns minutos, mas chegou para discutir algumas dezenas de filmes, fiquei a saber que o Nuno Antunes, estimado colega que mergulha nos mais profundos meandros de uma película, tinha-se deparado com alguns artigos que criticavam o rigor histórico de Frost/Nixon, de Ron Howard. É, mais ou menos por esta altura, que recomendamos todos aqueles que ainda não viram o filme a abandonar a leitura deste texto. Melhor, aconselhamos, num primeiro momento, ao visionamento da obra, e a regressar posteriormente a este espaço para ler essas mesmas criticas.

Elizabeth Drew, do Huffigton Post, e autora do livro Richard M. Nixon, é a voz mais reprovadora. A jornalista aponta alterações grosseiras ao final das entrevistas, uma omissão ao facto de Nixon ter recebido 20% dos lucros da transmissão, e algo mais subjectivo, mas que pode ser definido como interpretação enganosa. Do seu espinhoso artigo, sublinhe-se esta passagem, que constitui-se como um major spoiler.

Frost did not in fact "nail" Nixon. The climactic moment of the movie (as in the play) has Nixon confessing to having participated in the cover-up of the famous break-in of the Watergate offices of the Democratic National Committee, in June, 1972 by operatives hired by White House aides. But this "confession" is produced through a blatant distortion of what Nixon actually said in the interviews. At that particular moment, Frost was pressing Nixon to admit that he had more than made "mistakes," that there had in fact been wrongdoing, that crime might have been involved (a rather mild way of putting it). Then, through a sleight of hand, the script simply changes what Nixon actually said: the script of the play has Nixon admitting that he "...was involved in a 'cover-up,' as you call it." The ellipsis is of course unknown to the audience, and is crucial: What Nixon actually said was, "You're wanting to me to say that I participated in an illegal cover-up. No!

Ora, isto é ligeiramente diferente daquilo que vimos no grande ecrã. David Edelstein, da New York Magazine, também não se coíbe de dizer das suas. E, sem grandes rodeios, acusa o argumento de Peter Morgan de meter palavras na boca de Nixon.

And with selective editing, Morgan makes it seem as if Frost got Nixon to admit more than he actually did. The original Watergate interview is now on DVD, and there are self-exculpatory escape clauses in every interminable, circumlocutory utterance. When Frost read aloud from the White House transcripts, Nixon’s eyes darted around as he searched his brain for linguistic loopholes. In Frost/Nixon, Langella’s heavy features move slowly; he seems to be plumbing the depths of his soul and glimpsing, for an instant, the abyss. Alas, the shit that dribbles from Langella’s mouth is still Tricky Dick’s”.

Podemos sempre questionar a imparcialidade de Edelstein nesta questão, a partir do momento em que lemos no seu artigo, a propósito de ser Langella a encarnar o Presidente, “Finally, Nixon has the stature that eluded him in life!”. No entanto, factos são factos, passe a redundância. E, se Nixon não chegou a admitir aquilo que David Frost, Bob Zelnick e James Reston Jr. pretendiam, até que ponto isso não altera a integridade do filme. A obra continua a funcionar, sem sombra dúvida. Agora, não podemos deixar de nos sentir ludibriados. Sem querer ferir susceptibilidades, isto faz lembrar, em parte, aquele badalado caso do futebolista brasileiro Ronaldo, quando pagou a umas senhoras para passar um bom bocado e, mais tarde, nessa mesma noite, veio a saber que eram senhores. Não que isso tenha algum problema. Mas, saber com antecedência seria agradável.

Bruno Ramos

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segunda-feira, setembro 29, 2008

A votos.

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Na noite em que o mundo aguarda num impasse a decisão da Câmara dos Representantes, aqui fica o primeiro poster de um dos filmes mais aguardados do ano, sobre um outro presidente norte-americano com dias negros, e um jornalista que não tinha as perguntas mais fáceis no bloco de notas.

Bruno Ramos

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