Deuxieme


quarta-feira, janeiro 28, 2009

Ficção vs Documentário.

Ontem, numa breve conversa com o Francisco Silva, chefe de redacção da Premiere, que durou apenas alguns minutos, mas chegou para discutir algumas dezenas de filmes, fiquei a saber que o Nuno Antunes, estimado colega que mergulha nos mais profundos meandros de uma película, tinha-se deparado com alguns artigos que criticavam o rigor histórico de Frost/Nixon, de Ron Howard. É, mais ou menos por esta altura, que recomendamos todos aqueles que ainda não viram o filme a abandonar a leitura deste texto. Melhor, aconselhamos, num primeiro momento, ao visionamento da obra, e a regressar posteriormente a este espaço para ler essas mesmas criticas.

Elizabeth Drew, do Huffigton Post, e autora do livro Richard M. Nixon, é a voz mais reprovadora. A jornalista aponta alterações grosseiras ao final das entrevistas, uma omissão ao facto de Nixon ter recebido 20% dos lucros da transmissão, e algo mais subjectivo, mas que pode ser definido como interpretação enganosa. Do seu espinhoso artigo, sublinhe-se esta passagem, que constitui-se como um major spoiler.

Frost did not in fact "nail" Nixon. The climactic moment of the movie (as in the play) has Nixon confessing to having participated in the cover-up of the famous break-in of the Watergate offices of the Democratic National Committee, in June, 1972 by operatives hired by White House aides. But this "confession" is produced through a blatant distortion of what Nixon actually said in the interviews. At that particular moment, Frost was pressing Nixon to admit that he had more than made "mistakes," that there had in fact been wrongdoing, that crime might have been involved (a rather mild way of putting it). Then, through a sleight of hand, the script simply changes what Nixon actually said: the script of the play has Nixon admitting that he "...was involved in a 'cover-up,' as you call it." The ellipsis is of course unknown to the audience, and is crucial: What Nixon actually said was, "You're wanting to me to say that I participated in an illegal cover-up. No!

Ora, isto é ligeiramente diferente daquilo que vimos no grande ecrã. David Edelstein, da New York Magazine, também não se coíbe de dizer das suas. E, sem grandes rodeios, acusa o argumento de Peter Morgan de meter palavras na boca de Nixon.

And with selective editing, Morgan makes it seem as if Frost got Nixon to admit more than he actually did. The original Watergate interview is now on DVD, and there are self-exculpatory escape clauses in every interminable, circumlocutory utterance. When Frost read aloud from the White House transcripts, Nixon’s eyes darted around as he searched his brain for linguistic loopholes. In Frost/Nixon, Langella’s heavy features move slowly; he seems to be plumbing the depths of his soul and glimpsing, for an instant, the abyss. Alas, the shit that dribbles from Langella’s mouth is still Tricky Dick’s”.

Podemos sempre questionar a imparcialidade de Edelstein nesta questão, a partir do momento em que lemos no seu artigo, a propósito de ser Langella a encarnar o Presidente, “Finally, Nixon has the stature that eluded him in life!”. No entanto, factos são factos, passe a redundância. E, se Nixon não chegou a admitir aquilo que David Frost, Bob Zelnick e James Reston Jr. pretendiam, até que ponto isso não altera a integridade do filme. A obra continua a funcionar, sem sombra dúvida. Agora, não podemos deixar de nos sentir ludibriados. Sem querer ferir susceptibilidades, isto faz lembrar, em parte, aquele badalado caso do futebolista brasileiro Ronaldo, quando pagou a umas senhoras para passar um bom bocado e, mais tarde, nessa mesma noite, veio a saber que eram senhores. Não que isso tenha algum problema. Mas, saber com antecedência seria agradável.

Bruno Ramos

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Primeiras impressões - Frost/Nixon.

Esta manhã, Valkyrie. Daqui a pouco, Revolutionary Road. Mais logo à noite, será a vez de The Curious Case of Benjamin Button. Um dia, três filmes. Dois deles, aguardados até à quinta casa. Caramba, haverá reboliço mais agradável que este? Uma coisa é certa. Este fim-de-semana haverá matéria para muito post. No entanto, porque devemos começar pelo princípio, apesar de faltar ainda uma semana para a sua estreia, falemos um pouco de Frost/Nixon – filme a ser avaliado no próximo número da Premiere. Sobre a obra de Ron Howard, muito haverá a dizer. E, bem. Por hoje, podemos começar logo por aqui, o realizador. Quem entrar na sala sem nunca ter visto um Ron Howard, sairá a pensar que os anteriores trabalhos do cineasta devem ser maravilhosos. Quem entrar na sala a saber que os anteriores trabalhos do cineasta não são maravilhosos, sairá a pensar se o que viu foi um Ron Howard. Apesar de uma carreira nivelada por cima – ninguém com um Oscar de Melhor Filme e Melhor Realizador poderá ser um cineasta de trazer por casa –, Howard não se livra do estigma de ser um realizador que se faz ao filme fácil, lacrimejante, sentimentalista, como a Academia de Hollywood tanto gosta. No fundo, o James L. Brooks dos anos noventa. Pese embora as suas virtudes, Far and Away (1992), A Beautiful Mind (2001) e Cinderella Man (2005), são alguns dos títulos que apoiam esta tese. Apollo 13 (1995) continuava a ser a andorinha à espera da Primavera, na filmografia de Howard. E, depois de Frost/Nixon, a pergunta que nos colocamos é, para quando a chegada do Verão? Com o seu mais recente trabalho, Howard oferece-nos uma película desprovida de mecanismos previsíveis, onde a câmara, ao invés de manietar os acontecimentos que pretende captar, deixa-se levar por eles. Quase com a frieza de um documentário, conseguimos sentir a imparcialidade narrativa. No entanto, nunca nos é pedido que não tomemos parte neste duelo. Se nos lembrarmos que Howard foi a Londres assistir à peça de Peter Morgan, e à saída telefonou a Brian Grazer a dizer que pretendia adapta-la ao Cinema, podemos colocar a hipótese deste ter sido, em toda a sua carreira, o filme em que menos oportunidade teve de colocar o seu cunho pessoal. Mas, por vontade própria. Uma das exigências de Howard foi que a dupla de protagonistas se mantivesse. O próprio Morgan elaborou o argumento baseado na sua peça. Howard mexeu o mínimo possível. A sua marca está lá, contudo, de forma muito mais subtil. O argumento de Morgan é delicioso. De chupar os dedos – que se lixem as regras de etiqueta. Punchlines atrás de punchlines, como raramente se vê, num filme que trata de um tema tão delicado. Longe de ser uma comédia, o filme arranca-nos gargalhadas estridentes nos momentos mais improváveis. Sempre que estamos prestes a sentir a dureza dos tempos e as terríveis consequências da desastrosa administração de Nixon, o argumento de Morgan reserva-nos uma perspectiva humorística. No entanto, jamais deixamos de olhar para esta sessão de entrevistas como um combate feroz entre dois homens que entendem perfeitamente as motivações um do outro. O momento da História é completamente transparente, em grande parte devido à moderação de Howard. Assim como dos dois actores principais. Se, Michael Sheen oferece um desempenho soberbo, inigualável a qualquer outro que lhe tenhamos visto, a interpretação de Frank Langella resulta em algo divinal. Com todas as condicionantes que podem rodear os grandes candidatos ao Oscar de Melhor Actor, Langella deverá ser aquele com menos adversidades. Aliás, depois de vermos o filme, ficamos com a sensação de que apenas o nome da personagem joga contra si. Um Nixon simplesmente inesquecível. Agora, com a devida licença, é chegada a altura de Revolutionary Road.

Alvy Singer

Etiquetas:

segunda-feira, setembro 29, 2008

A votos.

Photobucket

Na noite em que o mundo aguarda num impasse a decisão da Câmara dos Representantes, aqui fica o primeiro poster de um dos filmes mais aguardados do ano, sobre um outro presidente norte-americano com dias negros, e um jornalista que não tinha as perguntas mais fáceis no bloco de notas.

Bruno Ramos

Etiquetas: , ,

sábado, novembro 03, 2007

Imagens e mais imagens.

Fica um tipo sem postar (andava para usar este vocábulo desde o inicio do blog) dois dias, e dá nisto. Noticias até perder de vista. Depois, é preciso chegar aqui que nem um doido e deitar tudo cá para fora. Ao bom velho estilo de Jack, O Estripador, levado ao grande ecrã por Albert e Allen Hughes, nesse filme de 2002 que até merecia um pouco mais de atenção – A Verdadeira História de Jack, O Estripador – e com Johnny Depp como protagonista, vamos por partes.

Comecemos então por alguns pósteres e outras tantas imagens de alguns filmes que estão mesmo aí a chegar, e de outros para os quais ainda falta um bom bocado. Nem de propósito, há uns dias atrás, o Bernardo Sena dissecava aquela cena de Conan, O Bárbaro, realçando a importância da partitura de Basil Poledouris. Pois bem, esta semana chegou-nos o teaser poster de Conan, a nova versão que chegará em 2009, ainda sem realizador à vista.

Ao mesmo tempo, e quando falta um mês para a sua estreia em Portugal, His Dark Materials: The Golden Compass e estas nove imagens são um tema de conversa com bastante sumo. Continua a ser um enigma, o potencial deste filme. Muitos já o colocam arredado de qualquer hipótese para os Óscares, no entanto, outros há que vêem aqui um possível sucessor da saga O Senhor dos Anéis. O mesmo estúdio, um grande orçamento, outros mundos… Irá a formula resultar novamente?

Também Frost/Nixon de Ron Howard se deu a conhecer. Um dos filmes mais aguardados para 2008 deu a conhecer ao mundo a sua primeira imagem, esta de Richard Nixon (Frank Langella) a saudar a multidão à saída de um helicóptero. Interessante ou não, o que importa é mantermos este filme debaixo de olho, não vá Ron Howard surpreender-nos, e fazer um bom filme. Perdão, ele já fez bons filmes. Existem é outros ainda melhores.

Por último, o teaser poster de Tekken. O videojogo que fez a delícia de muito bom adolescente em meados dos anos 90, agora transportado para o grande ecrã, e com estreia marcada para 2009, terá a realização de Dwight Little. Aqui, mais soco menos soco, mais pezada menos pezada, a história deverá girar em torno daquilo que todos pensamos. Daí até que seja um bom filme, ainda vai um pouco. Qualquer coisa aqui soa a Street Fighter. E, numa altura em que os jogos de consola se afirmam como uma fonte de inspiração para Hollywood, deixo só este nome: Destruction Derby. Esse sim, dava um grande filme.

Alvy Singer

Etiquetas: , , ,

Menu Principal

Home
Visitantes
Website Hit Counters

CONTACTO

deuxieme.blog@gmail.com

Links

Descritivo

"O blogue de cinema"

  • Estreias e filmes em exibição
  • Próximas Estreias
  • Arquivos

    outubro 2006 novembro 2006 dezembro 2006 janeiro 2007 fevereiro 2007 março 2007 abril 2007 maio 2007 junho 2007 julho 2007 agosto 2007 setembro 2007 outubro 2007 novembro 2007 dezembro 2007 janeiro 2008 fevereiro 2008 março 2008 abril 2008 maio 2008 junho 2008 julho 2008 agosto 2008 setembro 2008 outubro 2008 novembro 2008 dezembro 2008 janeiro 2009 fevereiro 2009 março 2009 abril 2009 maio 2009 junho 2009 julho 2009 agosto 2009 setembro 2009 outubro 2009 novembro 2009 janeiro 2010 fevereiro 2010 março 2010 abril 2010 maio 2010 junho 2010 julho 2010 setembro 2010 outubro 2010 novembro 2010 dezembro 2010 janeiro 2011 fevereiro 2011

    Powered By





     
    CANTINHOS A VISITAR
  • Premiere.Com
  • Sound + Vision
  • Cinema2000
  • CineCartaz Público
  • CineDoc
  • IMDB
  • MovieWeb
  • EMPIRE
  • AllMovieGuide
  • /Film
  • Ain't It Cool News
  • Movies.Com
  • Variety
  • Senses of Cinema
  • Hollywood.Com
  • AFI
  • Criterion Collection